Virei a putinha do colégio militar - Capítulo 03

Um conto erótico de Mapache
Categoria: Gay
Contém 5214 palavras
Data: 19/05/2026 12:25:07

Nota do autor:

Todos os personagens envolvidos na história possuem 18 anos ou mais.

A história conta como o protagonista se tornou a putinha do colégio militar, então será uma aventura até lá, com muitos altos e baixos.

Boa leitura!

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 9 de Outubro de 2008, Quinta-Feira.

Eu olhava para o pão com manteiga na minha frente sem sentir fome. Meu estômago estava embrulhado demais pelo nervosismo. De frente para mim, do outro lado da mesa do refeitório, meu pai me olhava, inquisitivo. Não tínhamos costume de conversar muito, mas a única forma de conseguir o que queria era através dele. E se ele percebesse que eu era gay ao fazer esse pedido?

Apesar do medo, a vontade de me integrar ao grupo de Paty, Pedro e Nathan era mais forte. Cerrei os punhos encontrando coragem de ontem não tinha:

– Pai, você consegue uma boina francesa pra mim?

Ele franziu o cenho, estranhando a pergunta e então ergueu as sobrancelhas, surpreso.

– Nossa filho, era isso que você queria conversar? Achei que fosse algo sério – Esboçou um sorriso.

Desviei o olhar, constrangido.

– É que acho que ficaria melhor em mim. Essa boina aqui – Mostrei minha boina a ele, tradicional – Aperta muito minha cabeça.

– Tranquilo, filho. Vou tentar ver hoje isso pra você.

– Obrigado, pai.

– Era isso?

– Sim.

– Está bem. Preciso voltar a trabalhar agora.

– Tá bom.

– Xau.

– Xau.

Suspirei aliviado com o problema resolvido de forma tranquila, mas logo um sentimento de solidão preencheu meu peito. Uma conversa mecânica, uma troca de olhares escassa, lidar com meu pai era sempre doloroso de alguma forma. Ele sempre tinha tempo para o trabalho, vivia no colégio enfurnado no escritório do rancho, mas o tempo para mim era sempre escasso.

A manhã transcorreu na rotina possível entre aulas de português, geografia e química. Mas minha atenção estava longe dos professores. Era um jogo de olhares, um circuito de tensão. Pedro me observava quase o tempo todo, e cada vez que nossos olhares se encontravam, seu olhar profundo fazia minha virilha formigar. Nathan e Paty também me encaravam, ainda que com menos frequência. Sussurravam algo um para o outro e soltavam risadinhas. Pedro se juntava a eles, e eu imaginava que deviam estar falando algo maldoso à minha custa.Ao final da manhã, Patrícia se aproximou com um ar de dona do pedaço.

—Então, você topa cuidar da porta para nós hoje à tarde?

—Claro — respondi prontamente, sem hesitar.

—E sem espiar! — ela exclamou, apontando o dedo para o meu rosto.

—Eu sei, eu sei! — tentei acalmá-la, embora soubesse, no fundo, que meu desejo falaria mais alto. A tentação de fazer exatamente o contrário já pulsava nas minhas veias.

—Ótimo. Você é gente boa — disse Nathan, pousando a mão no meu ombro.

Seu toque foi quente e pesado, uma descarga de adrenalina que correu direto para a minha virilha. Instintivamente, desejei que sua mão fosse mais firme, que apertasse meu ombro, que me pressionasse para baixo… que me obrigasse a ajoelhar-me ali mesmo, no corredor, e lambê-lo.

— E quando vou poder entrar com vocês? — perguntei, a voz um fio de ousadia.

—A gente ainda não confia em você, tá legal? — Patrícia cortou secamente. — Pense nisso como um teste. Mais algumas vezes, só pra ver se você não vai caguetar.

—O Santos não faria uma coisa dessas, né? — A voz de Pedro veio por trás, suave como seda.

Antes que eu pudesse responder, seu braço envolveu meu ombro, puxando-me para perto. Meu coração disparou. Seu corpo encostou no meu, e o perfume amadeirado dele me envolveu, tão intenso que senti meu próprio corpo responder, endurecendo contra a minha vontade. Cruzei as mãos na frente da cintura, tentando disfarçar. Por sorte, ninguém pareceu notar.

— N-não vou… juro.

—Hummph, é melhor não — resmungou Patrícia, ainda desconfiada. — É melhor não.Eu sabia que eles não gostavam de mim, mas eu era útil e sabia que eles precisariam me recompensar de alguma forma. Sabendo de meu segredo, poderia ser sincero e quando o momento chegasse pediria a Patrícia para ela vigiar a porta enquanto Pedro e Nathan seriam meus pela tarde. Sorri ao imaginar a cara emburrada que ela faria.

Sabia, no fundo, que não gostavam de mim. Mas eu era útil. Era o que me confortava. Eles precisariam me recompensar de alguma forma. E eu, dono do segredo deles assim como eles eram do meu, poderia ser finalmente sincero. Quando a hora chegasse, pediria a Paty que vigiasse a porta, e Pedro e Nathan seriam meus pela tarde. Um sorriso escapou dos meus lábios ao imaginar a cara emburrada que ela faria.

Ao meio-dia, enquanto almoçava sozinho em uma mesa afastada do refeitório, meu pai se aproximou com um sorriso raro nos lábios. Na sua mão, a boina francesa. Meu coração deu um salto.

— Aqui está — ele disse, entregando-na.

— Poxa, pai, que rápido! — Minhas mãos acariciaram o tecido felpudo, de um vermelho mais vivo e profundo que o da tradicional. Eu a tinha visto em Pedro, aquele caimento que dava um ar galante ao seu rosto. Agora, torcia para que fizesse o mesmo por mim.

— Depois você experimenta. Mas pelo jeito, deve ser do seu tamanho.

— Claro!

Fiquei rodando a boina entre os dedos, e ele hesitou por um momento, o olhar mais suave.

— Fico feliz de ver que você está tomando gosto pra se arrumar. — Fez uma pausa, estudando minha reação. — Então... conheceu alguma garota?

A pergunta ecoou no ar entre nós, pesada e ingênua. O mundo desabou por um segundo. Lembrei dos olhares de Pedro, das mãos de Nathan, do segredo que habitava meu peito. A boina na minha mão já não parecia um troféu, mas uma evidência de uma vida que eu tinha que esconder.

— Ah, não é nada disso, pai — menti, desviando o olhar para o prato de comida quase intocado. Um calor subiu pelo meu pescoço. — É que… Os meninos da turma começaram a usar, então queria tentar me enturmar com a galera…

Meu pai riu baixo, um som de alívio e aprovação.

— Então é pra se enturmar! Ótimo, filho. Muito melhor que ficar nesses cantos sozinho. — Ele deu uma palmada no meu ombro, um gesto raro de cumplicidade que me perfurou como uma faca. — Bom, vou lá. A gente se vê em casa.

Assenti, sem conseguir mais do que um sorriso tenso. Ele se afastou, satisfeito, deixando-me sozinho com meu novo acessório e minha velha solidão.

Andava pelos corredores vazios do colégio, a boina nova na cabeça, mas longe de me sentir atraente. A vitória de ter enganado meu pai deixava um gosto amargo na minha boca, mas eu tinha que manter a farsa. Aquele não era um colégio qualquer, era um colégio militar, um mundo de sargentos, tenentes e capitães que só sabiam falar de mulher e da putaria que faziam com elas. Um mundo onde não havia um centímetro de espaço para mim.

Ser descoberto não significaria apenas vergonha. Significaria ser expulso. E se fosse expulso por ser gay meu pai me jogaria fora de casa. E para onde eu iria? Para a casa da minha mãe? Duvidava que ela, vivendo no interior do estado, me aceitaria como eu era.

O segredo, então, não era uma escolha. Era uma questão de sobrevivência.

De cabeça cheia e pesada, procurei o banheiro para jogar água no rosto. Assim que entrei, um outro estudante saía, sacudindo as mãos ainda molhadas. O chão estava encharcado e sujo, com restos de papel higiênico grudados em algumas partes, como uma segunda pele que descamava. No ar, o cheiro ácido de urina e desinfetante queimava as narinas, quase insuportável.

Com o rosto ainda molhado, apoiei-me na pia de mármore e encarei meu próprio reflexo pálido. Foi então que a porta se abriu e Pedro entrou.

Ergui-me de um salto, secando o rosto às pressas com as mãos e depois esfregando-as nas coxas da calça.

Ele não disse nada a princípio. Seu olhar percorreu meu corpo no espelho, e os cantos de sua boca se curvaram num sorriso sacana. Então se aproximou. Parou tão perto de mim, atrás de mim, que senti o calor do seu corpo através da minha camisa.

— J-já está na hora? — gaguejei, o coração batendo na garganta.

— Ainda estamos esperando o Nathan — sussurrou, sua voz mais baixa, mais próxima do meu ouvido. Seus olhos encontraram os meus no reflexo do espelho e prenderam-nos ali. — Ficou bom em você. A boina.

— O-obrigado! — Um calor subiu do meu pescoço até as orelhas e diante do espelho me vi corando.

Pedro pareceu se deliciar com meu constrangimento. Seu sorriso se alargou, malicioso. Então, devagar, apoiou o queixo no meu ombro, envolvendo minha cintura com os braços por trás. Eu gelei, observando a cena se desenhar no espelho à nossa frente. Seu corpo quente contra as minhas costas. Sua respiração perto do meu pescoço. Ele vai me abraçar, pensei, desejando que me puxasse

para mais perto.

Em vez disso, suas mãos desceram. Dedos ágeis encontraram o coldre do meu cinto e o abriram com um clique seco.

O ar congelou nos meus pulmões. Olhei fixamente para nosso reflexo, paralisado. Meu coração batia num ritmo de pânico, selvagem, misturando o êxtase do toque dele com o terror puro de alguém poder entrar a qualquer instante.

Ele puxou o zíper para baixo. O som foi obscenamente alto no silêncio do banheiro. Então, suas mãos entraram na minha calça. Um sorriso de pura satisfação cruzou seu rosto no espelho quando ele encontrou o que procurava: meu pau, duro como pedra, pulsando violentamente contra o tecido da minha cueca sob seu toque.

— Mas ela fica melhor — sussurrou, sua voz um bafejo quente no meu ouvido — se você usar a camisa assim.

Num movimento fluido e desconcertante, sua mão deslizou para cima, puxando a barra da minha camisa e deixando uma das abas para fora da calça. Em seguida, fechou meu zíper e afivelou o cinto novamente, com a mesma precisão com que os havia aberto.

Soltei um suspiro que era metade alívio, metade agonia, quando suas mãos se afastaram da minha cueca. Mas o alívio durou menos de um segundo. Antes que eu pudesse me recompor, ele se inclinou para a frente, pressionando o volume duro e grosso do seu pau contra a minha bunda, num roçar deliberado e promissor que me fez tremer as pernas.

— Que bunda mais redondinha… — sussurrou, sua voz rouca e carregada de desejo.

Suas mãos se fecharam com força na minha cintura, puxando-me para trás com um solavanco até que meu corpo se encaixou perfeitamente contra o dele. Senti, então, o pau latejante e quente através das roupas. Um impulso primitivo me fez arquear as costas e rebolar lentamente, massageando seu volume rígido.

Pedro soltou um gemido abafado contra meu pescoço, um som cru que fez meu próprio corpo responder com um calafrio. De repente, sua mão agarrou minha nuca com uma firmeza que não admitia discussão. A pressão dos seus dedos era um comando.

— Pra cabine. Agora.

Assim que entramos me vi novamente na situação de ontem. Nós dois muito pertos um do outro, a tensão sexual latente, o seu pau pulsando dentro das calças, mas agora havia algo mais. Uma urgência, uma vontade. Eu vi nos olhos profundos de Pedro um desejo e um chamado. Ele me queria, pelo menos naquele momento era eu quem ele queria. Não Patrícia, não Nathan, mas eu.

Paralisei, inundado por um mar de possibilidades. Eu tinha ideias, claro. Já havia ensaiado cada centímetro dessa cena na minha cabeça, inúmeras vezes. Mas a fantasia era um lugar seguro; a realidade, naquele chão sujo, era um abismo. Eu estava parado na beirada, olhando para a escuridão. Se eu me jogasse dali, se encarasse de verdade aquela situação, não haveria mais retorno.

Pedro percebeu minha hesitação — é claro que percebeu. Seus olhos não perderam um único tremor meu. Sem uma palavra, suas mãos fortes fecharam-se sobre meus ombros e, com uma pressão inquestionável, ele me forçou para baixo. Meus joelhos cederam, e eu me vi, de repente, agachado no chão frio e imundo do banheiro.

Ele abriu o zíper, e a cueca cedeu com o peso do pau dele, parando a centímetros do meu rosto. O cheiro forte de sua pele, misturado com o de mijo seco, exalou de imediato. Senti minha mente fraquejar.

Precisava saber que gosto Pedro tinha. E precisava saber agora.

Puxei sua cueca para baixo num instinto cego, e seu pau caiu pesado no meu rosto como um pedaço de madeira, batendo no meu nariz, entre os meus olhos. O cheiro era forte, quase doce, e me deixou tonto. Era tão grande que me fez salivar na hora, como se eu estivesse com uma fome que nem sabia que tinha. O calor que vinha dele queimou meu rosto todo.

Nem olhei para a cara dele. Agarrei o pau com as duas mãos e tentei engolir de uma vez, quase impossível, pela grossura. Minha boca, desacostumada, não passou da metade, mas não importava. De repente, estava cheio de sabores novos, uma mistura de pele, sal e suor, uma textura viva que eu nunca tinha sentido.

– Cuidado com os dentes, porra! – Ele disse, com um misto de desaprovação e tesão.

Eu obedeci. Tinha sonhado com aquele momento e não podia estragar tudo. Comecei a fazer movimentos repetitivos, usando mais os lábios e tentando acariciar seu pau com a língua. Logo senti o gosto salgado do seu pré-gozo, o que aumentou ainda mais meu tesão.

Ele parecia estar gostando mais agora. Encarei seu rosto, que estava vidrado na parede do box atrás de mim. Ele tentava conter os gemidos, mas deixava escapar alguns suspiros baixinhos.

Meu corpo formigou de contentamento. Continuei chupando-o e masturbando-o, agora com apenas uma mão, para dar espaço aos meus lábios explorarem sua envergadura. E era ótimo explorá-la, sentir aquele cacete pulsar, quente, em minha boca. Nunca imaginei que pudesse sentir tanta excitação. Sem resistir, comecei a amassar meu pau por cima da calça, sentindo a região toda melada.

Abri o zíper e comecei a me punhetar por dentro da calça, com a mão livre. Olhei para Pedro novamente e, dessa vez, nossos olhares se cruzaram. Seu olhar era de completo tesão, de um profundo desejo. Era a mim que ele queria naquele momento! Com uma aprovação silenciosa, permiti que ele agarasse minha cabeça e começasse a mover a cintura, levando e trazendo o pau dentro da minha boca.

Quase engasguei de primeira, sentindo o refluxo. Ele parou por um segundo, temendo que alguém pudesse ter nos ouvido, mas viu em meus olhos que eu havia topado aquele desafio. Então, começou a foder minha boca – porque era isso que estava fazendo – com ainda mais força.

Agora, ele mal conseguia conter os gemidos, e seu pau pulsava ainda mais. Eu, por minha vez, havia aceitado meu destino com gratidão e deixava o pau grosso de Pedro violar minha boca com a intensidade que ele desejasse. Mal conseguia engolir a saliva, que agora escorria pela lateral da boca e pelo queixo, pingando em minha roupa e no meu pau.

Usei ela para aumentar o ritmo da punheta. Sentia que gozaria a qualquer momento. Queria avisá-lo, mas minha mente estava completamente embriagada pela situação.

Foi quando Pedro rompeu a troca de olhares, mirando o teto. Meu coração disparou, temendo ter feito algo errado. Foi então que senti algo jorrando dentro da minha garganta. Seu pau expeliu toda a porra quente em meu interior. Engasguei novamente, deixando escapar um pouco, que pingou no chão, enquanto engolia o máximo que podia.

Era um pouco amargo, mas a textura lembrava uma calda e deixou tudo formigando. Aproveitando o êxtase, comecei a me masturbar ainda mais freneticamente. Logo atingi o clímax, lavando o chão do box com minha porra.

Pedro me encarou com um sorriso sacana, impressionado com minha lambança. Então, agarrou-me pela gola, amassando toda a minha camisa, e me prensou contra a parede do box. Fechei os olhos e virei o rosto, com medo de um soco – talvez ele se arrependesse do que havíamos feito.

Mas nada veio. Abri os olhos vagarosamente e o vi diante de mim. Perto, muito perto. Seus olhos me encaravam com uma intensidade ainda maior do que há poucos minutos, quando nossos corpos se encontraram daquela forma tão brusca e íntima. Ele parecia hesitante, como quem continha uma urgência dolorida.

Seus lábios estavam a centímetros do meu rosto. Será que ele estava com vergonha de me beijar? Era isso que ele queria, não era? Deveria ser, se não… Se não, ele não estaria me olhando assim, não é?

Sentindo um impulso subir do estômago, avancei sobre seus lábios e o beijei. Senti a maciez dos seus lábios nos meus e então, num movimento fluido, sua língua buscou a minha, enlaçando-a num sabor que era seu, mas que agora também era meu.

Era meu primeiro beijo. Estranho, confuso, mas meu primeiro beijo.

E pareceu eterno, até que senti uma pressão no peito. Minhas costas bateram contra a cabine do banheiro. Abri os olhos e encontrei os de Pedro, não mais cheios de desejo, mas de repulsa.

Quis gritar, mas o ar simplesmente fugiu dos meus pulmões. Só consegui me encolher, proteger o peito com os braços.

– Sai fora, viado! – As palavras cortaram o ar como lâminas.

E se alguém tivesse escutado?!

Pedro limpou a boca com as costas da mão e fechou o zíper com desdém. Olhou-me por mais um breve momento, o rosto retorcido em nojo, e então deixou a cabine. A porta do banheiro bateu, e eu fiquei ali sozinho.

Encolhido no chão sujo, tremia sem saber ao certo o que tinha acontecido. Naquele instante, a convicção que eu tinha do seu desejo se desfez em pó. O nojo em seu rosto contradizia cada gesto anterior, obrigando-me a questionar a realidade de tudo o que havíamos compartilhado.

Olhei para o resto de sêmen no chão e a saliva em minha roupa. Antes um resquício do nosso prazer, agora eram apenas fluidos gelados e pegajosos. Peguei um papel higiênico e limpei o que pude.

Deixei a cabine e agora, diante do espelho manchado do banheiro, encarei meu estado deplorável. Não podia sair dali naquelas condições, então a única solução que encontrei foi me molhar com água da pia e dizer que a torneira havia respingado em mim.

Enquanto molhava o peito e as virilhas, enxáguei a boca para tirar o odor forte que ainda insistia em permanecer. Encarei-me no espelho: eu estava pálido, trêmulo, mas meu rosto estava corado, meus olhos brilhavam com uma excitação que teimava em coexistir com a ansiedade. Eu havia gostado daquilo. E o pior: eu queria mais.

No que estava me tornando?

Pela primeira vez desde meu ingresso no colégio militar foi me descontada a nota de comportamento. Perdi pontos pelo desastre de água que causei e pela camisa parcialmente do lado de fora das calças.

Quando eu entrei na sala a aula já havia começado e todos me olharam, uns surpresos, outros em reprovação. Paty, Nathan e Pedro começaram a rir até serem advertidos pelo professor.

– O que é isso, Santos? – Indagou o professor, perplexo.

– Foi um acidente na pia do banheiro – Disse baixo demais para quase ninguém ouvir.

Pedro fez um sinal obsceno com a mão para os colegas, como se aquilo fosse resultado de uma punheta explosiva. O professor os advertiu pela última vez e me mandou sentar. Seu olhar era duro.

Senti meu rosto corar, envergonhado. Obedeci-o, baixei a cabeça e abri o caderno.

Por que Pedro fez aquilo? Eu achei que o momento no banheiro havia sido incrível. Eu o desejava e sabia que ele também desejava a mim. Será que ele estava só zoando comigo?

No final da manhã, nos últimos períodos, a aula de matemática trouxe mais um constrangimento. O professor Rocha entregou a prova da semana passada.

F.

Eu havia errado todas as questões mais uma vez. A única coisa que eu havia acertado era o meu nome no cabeçalho. Olhei para o professor tentando esconder minha frustração. Ele olhava com pena para mim. Eu havia falhado com ele mais uma vez. Se continuasse assim iria reprovar no ano. Seria o primeiro da família a fazer isso, pois nem meus pais haviam reprovado na escola. Até mesmo meu pai que havia tido uma infância humilde como jamais conseguiria imaginar.

A aula transcorreu normalmente, comigo tentando compreender o quadro repleto de equações.

Ao final, como de costume, enquanto a sala esvaziava fui falar com Rocha. Peguei uma cadeira e subi no púlpito sentando à sua frente.

– Está arrastando as correntes de novo – Ele disse, olhando para mim com uma atenção que me deixava sem jeito.

– Eu não sei mais o que fazer, professor. Eu faço todos os deveres, estudo em casa, venho nas monitorias e continuo reprovando! – Queixei-me em total desesperança.

– Deixa eu ver a tua prova.

Eu a cedi. Ele observou com cuidado.

– Vamos refazer a prova juntos? Pegue um lápis e uma borracha.

Foram minutos excruciantes. Eu me sentia humilhado, quase desesperado, pois a cada erro a folha ficava mais e mais borrada do grafite, criando uma nuvem metálica onde sobrepunha mais e mais números errados.

Senti um calafrio no meu pau e sabia que se continuasse ansioso daquela forma acabaria gozando sem querer na frente do professor. Eu levei a mão no meio das minhas calças, ajustando meu pau na minha cueca com um gesto rápido que não passou despercebido.

O professor olhou para mim, o que acabou me deixando um pimentão de tão corado. O dia havia começado tão bem e agora tudo estava dando errado!

Ele pigarreou.

– Bem, ainda não tentamos uma coisa.

– O que? – Olhei-o esperançoso.

– Quem sabe você não vai lá em casa? Final de semana. Nós trabalhamos juntos nessa prova e eu lhe explico novamente todo o conteúdo com o tempo e a pressão que não temos aqui na escola.

Meu coração acelerou. Conhecer a casa do professor? Isso era o que todos os alunos tinham curiosidade na escola. Saber a vida íntima de um professor, seus gostos, seu estilo de vida. Se era rico ou pobre.

Mas no meu caso havia algo a mais em descobrir a intimidade de Rocha. Saber que cheiro havia em sua casa. Conhecer seu quarto, a cama em que se deitava com a esposa. O que ele bebia, o que ele vestia fora da escola. Se usava um perfume diferente.

Novamente a imagem de suas mãos passando pelos meus ombros que eu havia imaginado tantas vezes veio em minha mente. Meu pau latejou no meio das minhas calças, mas dessa vez Rocha não viu.

Eu sorri animado com a ideia.

– Acho incrível, professor! Se não for incomodo, é claro…

– Não será incomodo nenhum – Ele sorriu mais comedido dando dois tapinhas em minhas mãos, concedendo a mim novamente a possibilidade de sentir a aspereza de uma mão lavrada pelo giz de quadro.

Engoli em seco.

Logo, deixamos a sala.

O almoço que meu pai havia feito para os oficiais e professores era lasanha a bolonhesa, salada de batata e arroz com brócolis. Estava excelente, como sempre. Mas minha atenção não estava voltada para a comida. Observando a pouca movimentação do lado de fora do rancho na hora do almoço só conseguia imaginar que havia chupado meu primeiro pau.

Se fechasse meus olhos ainda conseguia sentir o formigamento em minha língua até a minha garganta quando engoli o semen de Pedro. Eu só conseguia pensar na próxima vez, provavelmente quando Paty deixasse eu entrar na sala de aula que eles usavam para transar.

Eu pediria sem pudor para ela ficar na porta. Teria Pedro e Nathan só para mim por toda a tarde! Eu beberia todo o leite deles, revezaria seus paus até eles cansarem e meterem os dois na minha boca. Será que era possível?

Minha mente foi arrastada para o presente quando escutei a voz do meu pai de pé ao lado. Instintivamente cruzei as pernas tentando mascarar o volume que crescia impiedoso por conta da minha imaginação fértil.

– O professor Rocha veio falar comigo – Ele disse, animado.

– Ah, sim! – Respondi, nervoso por estar escondendo a ereção.

– Você quer ir? Digo, parece ser bom – Ele comentou, jogando a responsabilidade para mim.

– Sim, acho que vai ser legal.

– Que bom que ele está tirando esse tempo extra pra te ajudar, filho.

Ele tentava manter o clima leve, mas eu sabia lá no fundo que ele estava preocupado com a possibilidade de eu reprovar de ano. Como o filho do Sargento Santos iria reprovar? Já não bastava ter

entrado amparado… , diriam.

– Então está bem. Ele me passou o endereço certinho. É só pegar o T7 e descer perto do Iguatemi, sem erro. Vou deixar escrito pra você quando chegar no AP.

– Tá bem, obrigado.

Novamente ele chegaria tarde em casa. Às vezes parecia que era ele quem morava comigo e não o contrário. Todos aqueles dias enfurnado no rancho trabalhando somente aumentava ainda mais o abismo entre nós, eu sabia.

– Até mais tarde então. Bom almoço – Ele dá um tapinha nas minhas costas e volta a paparicar os outros oficiais que almoçavam. Era engraçado como ele sempre conversava com os homens de patente mais elevada e com as mulheres de qualquer patente.

Meu coração disparou quando encontrei Pedro na frente da porta da sala — desta vez, destrancada. Ele estava acompanhado de Patrícia e Nathan, como sempre, mas desta vez não me encarou. Desviou o olhar, sua boca se contorcendo novamente naquela expressão de desprezo.

Meu peito apertou, como se ele tivesse me empurrado outra vez. Por um breve momento, fui transportado de volta ao banheiro. Meu primeiro beijo agora se resumia à repulsa no olhar de Pedro.

— Atrasado de novo — disse Patrícia, impaciente, já entrando na sala.

— Fica de olho aí. Se aparecer alguém já sabe — Nathan deu uma piscadela e a seguiu com um sorriso malandro no rosto.

Pedro apenas deu as costas para mim e, juntos, os três se fecharam lá dentro.

Sentei no banco, como de costume. Ia esperar enquanto eles se divertiam, na esperança de que um dia chegasse a minha vez de ficar entre Pedro e Nathan, assim como Patrícia fazia. Mas agora a incerteza começava a queimar meu estômago.

Eu não deveria ter beijado Pedro.

Depois do que aconteceu, era bem provável que ele sequer quisesse que eu entrasse na sala com eles algum dia.

Pior seria ainda se Pedro decidisse contar para todo o colégio quem eu realmente era!

Só de imaginar todos rindo de mim, a cara de meu pai decepcionado. Senti uma comichão no meio das pernas. Eu estava nervoso novamente. Precisava respirar fundo ou teria outra polução bem ali e não poderia deixar a porta desguardada!

Levei as mãos até o meio de minhas pernas, tentando me livrar dos pensamentos ruins e quando tudo parecia fora de controle, ouvi a voz de Patrícia lá de dentro.

— Porra, Nathan!

Não foi um "porra, Nathan!" nada prazeroso. Patrícia parecia zangada.

Olhei para os lados para ver se alguém se aproximava. Por sorte ainda estava perto do horário do almoço, então o colégio estava praticamente vazio. Aproveitei para encostar meu ouvido à porta, sentindo-me péssimo por invadir a privacidade deles, mas a minha curiosidade falava mais alto. O que será que ele fez?

— Foi uma coisa de uma vez só, já disse! — Respondeu Nathan, um pouco mais baixo do que Patrícia.

Uma coisa? Que coisa? Meu coração acelerou. A comichão entre minhas pernas ameaçou voltar.

— Mas agora eu tô aqui e quero ver!

— Eu não vou fazer isso na sua frente. Nem vem.

Fazer o quê? Mordi o lábio. A imagem de Pedro e Nathan juntos atravessou minha mente e senti o rosto esquentar. Será que eles realmente tinham se beijado naquele dia que Patricia guardava a porta?!

— Eu não vou achar que você é veado se fizer isso. Veado é o Guilherme e vocês não são nada parecidos.

O ar parou nos meus pulmões. Veado é o Guilherme. Então era assim que eles falavam de mim, com nojo, como Pedro sentiu depois de nos beijarmos. Senti o estômago se contrair, uma náusea subindo até o pescoço ao mesmo tempo que meu rosto corava pela vergonha de ter sido enganado. E usado.

Um breve momento de silêncio. Aproveitei para respirar fundo, tentando me acalmar. Meus dedos tremiam contra a porta diante da terrível constatação de que eles nunca tiveram a intenção de me levar lá para dentro.

— E tu, Pedro, não vai falar nada? — Perguntou Patrícia.

Pedro. Meu coração deu um salto. O que ele diria? Será que ia me defender? Será que ia contar o que fizemos?

— É que é coisa de viado né, Pati, mas se o Nathan quiser eu posso fazer isso por você.

Fechei os olhos. Pedro estava do lado deles. Ele era um deles. E eu era o viado. Aquele beijo não significou nada. Nada. Senti o gosto amargo da própria saliva.

— Vai, Nathan, eu tô toda molhada aqui já!

Toda molhada. A imagem invadiu minha cabeça. Patrícia com Pedro e Nathan, os três se tocando, se desejando. Um aperto surgiu no meu peito mais uma vez. Não era ciúmes. Era... o quê? Inveja? Vergonha por sentir inveja?

— Aff, Patrícia, perdi o tesão aqui já — Disse Nathan.

Ouvi ele se aproximando da porta. Ele vai sair. Meu coração disparou. Afastei-me subitamente, com os olhos arregalados, pronto para correr. Mas a maçaneta nunca girou.

Expirei, aliviado e frustrado ao mesmo tempo. Minhas pernas estavam moles. Encostei a testa na parede fria ao lado da porta, fechando os olhos por um segundo.

— Tá, ok, não tá mais aqui quem falou — Disse Patrícia. O som ficou abafado agora, como se ela tivesse se aproximado de Nathan. — Vem, quero mamar essa pica.

Abri os olhos de repente. Meu corpo inteiro congelou. Ela vai chupar ele. Ou os dois. Ou Pedro. Não sabia. Não queria saber. Senti a boca seca, o coração batendo tão forte que parecia que iriam ouvir lá de dentro.

E pior: senti desejo. Desejo de estar lá dentro. Desejo de ser Nathan. Desejo de ser Patrícia. Desejo de ser qualquer um, mas eu era apenas Guilherme, o veado.

E Guilherme, o veado, não faria mais parte daquilo.

Respirei fundo, tentando conter as lágrimas, a dor, o enjoo. Deixei a guarda da porta e decidi ir para casa. Foda-se Patrícia, foda-se Pedro e Nathan! Que se pegassem entre si, eu não me importava mais.

Ao cruzar o pátio do colégio, só pensava em uma coisa: me recompor, pois não queria que meu pai me visse naquele estado. Precisava evitar perguntas para as quais não conseguiria dar explicações.

Mas um pensamento congelou minhas pernas no meio do caminho, abaixo da bandeira do Brasil que tremulava no alto do mastro: e se eles decidissem retaliar minha decisão contando para todos quem eu realmente era?

Para meu desespero, senti minhas cuecas se melando. Meu pau pulsando contra a minha vontade, traindo-me mais uma vez. Toda aquela ansiedade enfim cobrava seu preço com mais uma polução.

Sem escolha, coloquei minha mochila na frente da cintura e fingi procurar algo dentro dela enquanto saía apressado pelos portões do colégio.

Só conseguia pensar em chegar em casa, ao meu refúgio. Mas até ele parecia vazio, frio, impessoal, quando lembrei da distância entre eu e meu pai. Um abismo já existente que só crescia quanto mais segredos eu escondia dele.

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