Capítulo 2
— Relaxa, cara — disse Christian, jogando-se no assento ao lado dele.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou Shawn, olhando ao redor do auditório antes de fixar os olhos nas próprias mãos.
— Você está tenso pra cacete. Está nervoso por causa das notas? Você não disse que falou com o Rutledge e o convenceu a te dar uma segunda chance?
— Sim, eu disse. Ele ainda não me reprovou... acabei de descobrir que ele me deu um D.
E, meu Deus, tinha sido um alívio e tanto. Shawn achava que nunca ficara tão feliz por receber um D na vida.
— Parabéns — disse Christian com um sorriso, dando um tapinha nas costas dele. — Ainda estou impressionado que você conseguiu convencê-lo.
Shawn evitou estudar o olhar do amigo.
— Falando no diabo — murmurou Christian.
O silêncio instantâneo que caiu sobre o auditório foi quase divertido. Quase.
Shawn olhou de relance para a figura alta de Rutledge antes de baixar a vista.
— As notas parciais saíram — disse Rutledge, sem preâmbulos. — Eu reportei as notas de trinta e oito alunos que ficaram abaixo de C-. Os relatórios foram enviados à Secretaria Acadêmica, que os distribuiu para os alunos individualmente. — Ele fez uma pausa. — Se tiverem perguntas, façam-nas agora.
Silêncio.
Um rapaz levantou a mão.
— Sim, Sr. Taylor? — Rutledge disse, caminhando em direção ao aluno. Shawn não olhou; apenas viu o movimento pela sua visão periférica.
— Eu não entendo — disse Taylor. — Eu tirei F, e pelo visto é isso! Eu não posso nem melhorar minha nota? Em todas as outras matérias, as notas parciais não afetam o GPA geral. Elas servem apenas para nos dizer como estamos na turma e se precisamos nos esforçar mais, mas, pelo visto, não na sua aula. Que porra... eu não entendo!
Shawn sentiu um calafrio.
— Pobre coitado — murmurou Christian.
Houve uma pausa.
— Sr. Taylor — disse Rutledge finalmente, sua voz perigosamente suave. — O senhor leu o programa da disciplina?
— Bem, sim, claro. — Taylor parecia tudo, menos seguro de si.
— Se tivesse lido, saberia que, na minha aula, as notas parciais afetam, sim, a nota final. Em outras palavras, se você receber uma nota de reprovação agora, não terá uma nota de aprovação final. Sem exceções.
— Mas não é justo! — disse Taylor. — Não é assim que as coisas funcionam!
— É assim que as coisas funcionam na minha aula. — Se fosse possível, a voz de Rutledge ficou ainda mais baixa. — Eu não vou aprovar um aluno que teve um histórico de presença abismal durante metade do semestre e falhou em entregar seus trabalhos, ou os entregou com atraso. Se o senhor tivesse lido o programa, como eu disse a todos para fazerem no primeiro dia, não estaria nesse dilema. Pode agradecer apenas a si mesmo. Tem mais alguma pergunta? Perguntas inteligentes?
— Não — resmungou Taylor.
— Agora, terminamos com isso ou mais alguém quer desperdiçar meu tempo com perguntas inúteis cujas respostas vocês já deveriam saber?
O silêncio era quase sinistro. Ninguém ousava respirar.
— Ótimo. — Rutledge voltou para sua mesa.
— Uau — sussurrou Christian, quase inaudível. — O que será que entrou no rabo dele e morreu?
Provavelmente ele está puto porque não pôde me reprovar.
A pele de Shawn formigou. Ele olhou para cima e encontrou Rutledge lançando-lhe um olhar de tamanho asco que o fez sentir como se estivesse sendo expulso da sala. Shawn ergueu o queixo e sustentou o olhar com firmeza. Sério, qual era o problema daquele cara? Não era como se ele tivesse forçado Rutledge a enfiar o pau na boca do próprio aluno.
O pensamento — a memória — fez Shawn corar e se mexer desconfortavelmente na cadeira. Olhando para o rosto de pedra de Rutledge, era difícil acreditar que aquilo realmente tinha acontecido.
Mas aconteceu.
Shawn olhou para as mãos de Rutledge — agarrando seu rosto enquanto Rutledge empurrava o pau na boca dele...
Shawn lambeu os lábios, sentindo a pele desconfortavelmente quente, e fixou o olhar à sua frente.
Ele não pensaria nisso.
Não pensaria.
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Ele achou que conseguiria tirar o incidente da cabeça. Achou que Rutledge apenas o ignoraria depois do ocorrido.
Ele estava errado em ambos os pontos.
Shawn suspirou e olhou mal-humorado para o trabalho à sua frente. Rutledge vinha sendo incrivelmente difícil nos últimos dias, passando tarefas brutalmente complexas e constantemente o repreendendo na frente de todos quando Shawn não as completava a contento.
— Já terminou, Wyatt? — disse a voz fria e familiar, e Shawn ficou tenso. Ele olhou para Christian à sua esquerda, mas o amigo encarava o livro à sua frente com um interesse exagerado. Traidor.
— Vou terminar logo — mentiu Shawn. Ele enrijeceu quando Rutledge colocou a mão sobre a mesa e se inclinou para olhar para a folha de papel em branco à sua frente.
— Entendo — disse Rutledge.
Shawn virou a cabeça para encará-lo e ficou surpreso com o quão perto o rosto do outro homem estava. A centímetros de distância. Olhos escuros se prenderam aos dele por um momento antes de os lábios de Rutledge se torcerem em desdém. Rutledge ergueu-se em sua altura impressionante e disse:
— Seu trabalho deve ser entregue em dez minutos, Wyatt.
— Mas o senhor disse...
— Dez minutos — repetiu Rutledge.
Ele se afastou, e Shawn lançou um olhar fuzilante para suas costas.
Ele voltou a olhar para o papel e o encarou com rancor. Não era justo. Como ele deveria completar aquela tarefa em tão pouco tempo? As questões eram ridiculamente difíceis e mal refletiam o que haviam aprendido em aula. Por que o babaca não podia simplesmente deixá-lo em paz? Parecia que Rutledge estava determinado a transformar sua vida num inferno — e estava conseguindo.
Shawn franziu o cenho, tentando controlar o temperamento e falhando. Ele estava cansado, privado de sono, com fome e com raiva — nunca uma boa combinação.
Mais tarde, ele culparia a falta de sono por tudo. Culparia a exaustão por ter escrito o que jamais escreveria se não estivesse tão faminto e furioso.
Shawn entregou seu "trabalho" exatamente dez minutos depois e caminhou de volta para sua mesa. Ele não estava nem na metade do caminho quando Rutledge disse, com a voz muito baixa:
— Sr. Wyatt, minha sala após as suas aulas.
Com a boca seca, Shawn assentiu.
Idiota, disse a si mesmo. Não deveria ter deixado o temperamento levar a melhor.
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Quando suas aulas terminaram, Shawn dirigiu-se à sala de Rutledge, conforme ordenado. Respirando fundo, bateu na porta familiar.
— Entre.
Shawn entrou e fechou a porta com cuidado. Depois, caminhou até a mesa de Rutledge.
— E então? — disse ele, cruzando os braços sobre o peito.
Lentamente, Rutledge ergueu o olhar. Sua expressão estava absolutamente petrificada enquanto ele deslizava um pedaço de papel na direção de Shawn — o "trabalho" que ele havia entregado.
— Qual o significado disso?
Shawn pegou o papel e releu a única frase escrita nele, como se já não soubesse o que dizia.
“Você quer me reprovar para que eu não tenha escolha a não ser chupar o seu pau de novo?”
Por dentro, Shawn estava se encolhendo um pouco. Não conseguia acreditar que tinha perdido a cabeça e realmente escrito aquilo.
Mas, em voz alta, ele disse:
— O senhor não sabe ler, senhor? — Apenas alguns dias atrás, ele não ousaria usar aquele tom abusado com Rutledge, mas, aparentemente, ter tido o pau do cara na boca fazia maravilhas pela autoconfiança.
Rutledge levantou-se e caminhou até ele. Parou a apenas alguns centímetros de distância. Shawn não se moveu, recusando-se a ser intimidado.
— Eu posso fazer você ser expulso por isso — disse Rutledge.
— Com certeza. Mas isso fará com que o senhor seja demitido e sua carreira seja arruinada quando todos descobrirem que o senhor troca notas por sexo.
Rutledge agarrou o pescoço dele.
— Seu merdinha. — A mão dele apertou sua garganta. — Você está me ameaçando?
— Não — Shawn conseguiu coaxar. — Eu só detesto sofrer bullying. Eu não forcei o senhor a enfiar o seu pau na minha boca, Professor.
As narinas de Rutledge dilataram. Ele não disse nada, os músculos de sua mandíbula trabalhando.
— Sério, qual é o seu problema comigo? — disse Shawn, lutando para respirar sob a pressão do aperto de Rutledge. — Eu não posso ser o único aluno que o senhor usou. Não me orgulho do que fiz, mas foi um acordo justo: nós dois ganhamos algo com isso. Por que o senhor está sempre no meu pé?
— Eu nunca troco notas por sexo — Rutledge rosnou. — Você foi a única exceção.
Shawn piscou.
— O quê? Mas eu ouvi...
— Sim, eu recebo ofertas o tempo todo, mas eu denuncio qualquer um que seja estúpido o suficiente para sugerir isso abertamente. Eu pareço alguém que trocaria notas por qualquer coisa, Wyatt?
Bem, não. Era por isso que Shawn tivera dificuldade em acreditar quando Christian lhe contara o boato.
— Mas então... — Shawn estudou Rutledge. — Então, por que eu? Por que comigo?
O silêncio se estendeu. E se estendeu. E se estendeu mais um pouco.
Oh.
Shawn lambeu os lábios.
— Você me quer. — Ele soltou uma risadinha incerta. — Uau. Eu estou... estou meio lisonjeado, eu acho.
Rutledge olhou feio para ele, o aperto em sua garganta flexionando.
— É apenas luxúria, nada mais. Eu não vou te dar tratamento especial.
— O senhor já está me dando "tratamento especial", Professor. Tem sido um completo babaca ultimamente — ainda mais do que o normal. — Shawn sustentou o olhar. — Vamos ser honestos, cara. Eu precisava não bombar na sua matéria, então eu te chupei. Eu não forcei o senhor a aceitar minha oferta. O senhor queria o pau chupado e conseguiu o que queria. Não é minha culpa que o senhor não conseguiu resistir. E com certeza não é minha culpa que eu te deixo excitado. Então, por favor, pare de descontar em mim. Eu entendo: o senhor está sexualmente frustrado, mas vá se bater, ou foda alguém...
— Acho que não — disse Rutledge, muito baixinho.
Shawn não gostou do brilho nos olhos dele.
— O quê?
— Eu sempre consigo o que eu quero — disse Rutledge, o tom suave contrastando com o aperto firme na garganta de Shawn. Provavelmente ficariam hematomas. — Se eu quero a sua boca, eu terei a sua boca, não a de outra pessoa. De joelhos.
Shawn ficou encarando-o. Aquele cara estava falando sério?
— Acho que não, Professor — disse ele, no mesmo tom suave. — O senhor é quem quer o pau chupado. Eu sou hétero. O que eu ganho com isso?
Os olhos de Rutledge se estreitaram.
— Eu não repetirei meu erro. Você terá que trabalhar pela nota final como todo mundo. Eu não vou te dar uma nota que você não merece.
— Então parece que será a primeira vez que o senhor não terá o que quer. Senhor. Me solte. Agora.
Rutledge não soltou, seu olhar era avaliador.
— Dois mil — disse ele.
Shawn franziu a testa.
— O quê?
— Dois mil dólares por mês.
Shawn riu, um som seco e incrédulo.
— O senhor só pode estar brincando. Eu não sou prostituto.
Rutledge arqueou as sobrancelhas.
Shawn ficou carrancudo, embora sentisse as bochechas queimarem.
— É diferente.
— Como é diferente? — Os lábios de Rutledge se curvaram, mas Shawn jamais chamaria aquilo de sorriso. — Na verdade, é muito mais honesto e direto do que se vender por uma nota. Você precisa de dinheiro, Wyatt.
— Como o senhor sabe disso? — Shawn perguntou bruscamente.
— Eu tenho olhos. A maioria das suas roupas está gasta e velha.
O tom de Rutledge era pragmático, mas Shawn de repente sentiu-se muito consciente de sua aparência pobre em comparação ao terno impecável de Rutledge.
— O senhor não tem nada melhor para fazer do que estudar as roupas dos seus alunos?
Rutledge deslizou o polegar sobre o pulso no pescoço de Shawn.
— Dois mil por mês. Apenas para chupar o meu pau. Pense nisso, Wyatt.
Shawn não queria pensar nisso. Queria rir na cara de Rutledge e ir embora, mas...
Mas.
Ele pensou na geladeira e nos armários vazios em casa. Pensou no aluguel, que vencia na semana que vem. Pensou no inverno que se aproximava — e nas contas de calefação. Pensou no salário da Sra. Hawkins. Pensou no fato de que quase não via Emily e Bee, porque tinha que trabalhar em dois empregos e ainda assim mal conseguia sobreviver.
Ele estava tentado. Puta que pariu, ele estava tentado. Não era algo que o fizesse sentir orgulho, mas Rutledge tinha razão: ele precisava de dinheiro e não estava em posição de ser seletivo quanto à fonte.
— Três mil — disse Shawn. Se ia se vender, não seria barato. Rutledge não era casado, tinha um emprego luxuoso e publicara vários livros premiados. Ele podia pagar facilmente.
Rutledge bufou.
— Você não pode estar falando sério. Eu consigo encontrar cinquenta putas por esse dinheiro.
— Tenho certeza que consegue. Mas é a mim que o senhor quer. E eu não sou uma puta.
— Poderia ter me enganado.
Shawn ignorou a provocação e disse suavemente, olhando Rutledge nos olhos:
— Não é como se o senhor não pudesse pagar. Três pratas para foder a minha boca sempre que o senhor quiser.
As narinas de Rutledge dilataram. Seu rosto era difícil de ler, mas a fome em seus olhos enquanto olhava para os lábios de Shawn era mais difícil de esconder. Aquilo fez Shawn se sentir estranho. Ele era hétero, mas era honesto o suficiente consigo mesmo para admitir que era lisonjeiro pra cacete que aquele homem — aquele homem poderoso que todos temiam e respeitavam — o desejasse tanto.
— Sempre que eu quiser? — Rutledge perguntou, erguendo o olhar para os olhos de Shawn.
Após um momento de hesitação, Shawn assentiu. Com que frequência Rutledge poderia exigir que ele fizesse aquilo? Provavelmente algumas vezes por semana, no máximo. Cerca de dez vezes por mês. E ele ganharia três mil dólares por isso. Poderia largar um de seus empregos e passar mais tempo com as crianças.
Valeria a pena.
— Muito bem — disse Rutledge, soltando sua garganta. Ele voltou para sua cadeira e olhou para Shawn. — O que está esperando, Wyatt?
Shawn engoliu em seco e olhou para o volume impressionante nas calças do homem. Ele conseguia fazer aquilo. Apenas dez vezes por mês e três mil dólares pelo incômodo. Ele já tinha chupado o pau de Rutledge uma vez e não tinha sido revoltante nem nada. Ele conseguia.
Shawn trancou a porta e então caiu de joelhos diante do professor mais odiado da faculdade.
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"Eu realmente subestimei o apetite sexual dele", pensou Shawn enquanto chupava o pau do seu professor uma semana depois. Era a quinta vez naquela semana que ele se via de joelhos na frente de Rutledge.
Shawn tinha que admitir que não era nojento nem nada; poderia ter sido pior. Muito pior. O pau de Rutledge estava sempre limpo e tinha um gosto aceitável. Claro, o tamanho tornava as coisas mais difíceis do que poderiam ser, mas depois dos primeiros minutos ele se acostumava e sua mandíbula parava de doer. Além disso, na maioria das vezes, Rutledge fazia a maior parte do trabalho, segurando o rosto de Shawn no lugar e apenas fodendo sua boca.
No entanto, havia momentos, como hoje, em que Rutledge ordenava que Shawn lambesse e chupasse seu pau lentamente. Aquilo era mais difícil, mas o senso interno de justiça de Shawn não o deixava fazer um trabalho malfeito: Rutledge pagava muito dinheiro por aquilo, afinal.
Se alguém tivesse lhe dito algumas semanas atrás que ele estaria chupando o pau de outro cara todo santo dia, Shawn teria rido. Se alguém tivesse lhe dito que ele deixaria o Professor Rutledge, logo ele, colocar o pau em sua boca todos os dias, Shawn teria achado que era uma piada de mau gosto. E nem um pouco engraçada.
E, no entanto, lá estava ele, chupando o pau de Rutledge, com a mão grande de Rutledge guiando sua cabeça enquanto Shawn a balançava, girando a língua ao redor da cabeça do pau de seu professor. É, o gosto era até bom. Shawn percebeu que, a cada vez, se importava menos com o sabor.
Rutledge grunhiu, seus quadris dando um leve solavanco. Shawn não tinha certeza do que dizia sobre si o fato de ele conseguir perceber que Rutledge estava perto de chegar lá.
— Olhe para mim — exigiu Rutledge.
Shawn encontrou os olhos escuros e chupou a cabeça lentamente. Depois, com mais força. Rutledge agarrou o cabelo de Shawn, estocou forte e gozou.
Shawn engoliu a porra. Ele não era fã do gosto, mas sabia que Rutledge gostava quando ele fazia aquilo. De qualquer forma, o sabor não era tão horrível assim.
Depois de um tempo, ele sentiu o olhar de Rutledge sobre si e olhou para cima novamente. Rutledge o encarava com uma expressão estranha no rosto. De repente, Shawn percebeu que ainda estava com o pau mole de Rutledge na boca e continuava chupando distraidamente, como se fosse um pirulito gigante.
Corando, Shawn deixou o pau escorregar para fora da boca e se levantou num salto.
— Eu só viajei por um instante — disse ele, virando-se e limpando a boca.
— Eu não disse nada — disse Rutledge.
Quando ouviu o som do zíper, Shawn se virou de volta. Mais uma vez, o Professor Rutledge parecia imaculado e intocável. Se Shawn não soubesse da verdade, jamais acreditaria no que acabara de transcorrer naquele escritório minutos atrás.
Shawn mudou o peso de um pé para o outro. Encostado em sua cadeira, Rutledge ergueu as sobrancelhas.
— Sim?
Merda. Aquilo era constrangedor pra caralho, mas a Sra. Hawkins tinha dito que pediria demissão se Shawn não aumentasse o salário dela. Para piorar, o aluguel vencia hoje. Então, Shawn se forçou a falar:
— Preciso de dinheiro. Pode me pagar agora? Quero dizer — eu sei que não foi o combinado, mas...
— Venha aqui.
Shawn fechou a boca no meio da frase e deu um passo em direção a ele. Não conseguia ler a expressão de Rutledge. Rutledge segurou seu pulso e o puxou para o seu colo.
— Que porra...
— O que eu ganho com isso? — disse Rutledge, claramente zombando dele ao usar as mesmas palavras que Shawn dissera uma semana atrás.
Shawn agarrou o encosto da cadeira de Rutledge, sentindo-se desconfortável e estranhado. Nunca imaginou que estaria naquela situação: sentado no colo do Professor Rutledge tentando arrancar dinheiro dele.
— O que você quer? Outro boquete?
Rutledge o estudou.
— Deixe-me te beijar e te tocar, e eu te darei o dinheiro.
Shawn piscou. Ele olhou para os lábios de Rutledge e sentiu uma sensação de inquietude se espalhar por seu estômago.
— Não sei... quero dizer, eu sou hétero. Isso seria meio estranho.
Os lábios que ele observava se torceram.
— Mais estranho do que chupar o meu pau, Wyatt?
Shawn sentiu uma risada nervosa borbulhar dentro de si.
— Bom, quando você coloca desse jeito, acho que tem razão.
Rutledge envolveu o pescoço de Shawn com uma das mãos, acariciando o pulso dele com o polegar.
— E então?
Shawn deu de ombros.
— Tá bom. Tanto faz.
Parecia que Rutledge estava esperando exatamente por aquelas palavras, porque, antes que Shawn percebesse, ele estava com a língua de seu professor dentro da boca. Os olhos de Shawn se arregalaram, mas ele se forçou a relaxar.
Ele fechou os olhos, tentando se distanciar do que estava acontecendo e falhando. Surpreendentemente, Rutledge beijava muito bem. Não era um beijo babado e nem nojento, mas era esquisito. Era esquisito ser o beijado, e não o contrário. Ele estava sendo beijado por um homem, não por uma garota. A diferença não deveria ser tão óbvia, mas era. Rutledge beijava da mesma forma que agia: mandão, exigente e duro.
Alguns minutos depois, quando Rutledge finalmente terminou de beijá-lo, os lábios de Shawn estavam inchados e sensíveis. Ele se sentia meio sobrecarregado e mais do que um pouco perturbado.
Rutledge deu uma olhada para ele, bufou e o empurrou de seu colo. Shawn se levantou de forma instável e virou-se para sair.
— Você não pegou seu pagamento, Wyatt.
Pagamento. Certo.
Shawn virou-se e não olhou para ele enquanto Rutledge colocava o dinheiro em seu bolso.
— Agora saia — disse Rutledge. — Tenho trabalhos para corrigir.
Shawn ficou mais do que feliz em obedecer. Assim que saiu do escritório, ele tocou seus lábios doloridos. Eles estavam formigando.
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Pelo visto, beijar não tinha sido uma coisa de uma vez só. Rutledge parecia pensar que, agora que já tinha feito uma vez, tinha o direito de enfiar a língua na boca de Shawn sempre que quisesse — e ele parecia querer com muita frequência.
Como resultado, Shawn andava passando um tempo considerável no colo de Rutledge, com a língua dele em sua boca e as mãos dele em sua bunda. Isso último o deixava um pouco inquieto, mas Rutledge não parecia querer mais nada. Shawn imaginou que o cara simplesmente não conseguia se conter, então não fez alarde.
Geralmente, após uns dez minutos de beijos pesados, Rutledge ordenava que ele o chupasse, mas hoje ele estava levando o tempo que queria, beijando-o repetidamente, profundo e absolutamente sujo, até que Shawn mal conseguia respirar. Aquela sensação familiar de estar completamente dominado estava de volta, e Shawn se pegou arfando e soltando pequenos sons — nem ele sabia bem o porquê. Era demais. Ele não tinha certeza se gostava daquela sensação — a de estar totalmente à mercê — ou se a odiava.
Finalmente, Rutledge interrompeu o beijo, mas em vez de simplesmente ordenar que ele o chupasse, como costumava fazer, começou a beijar o pescoço de Shawn.
— Er, tenho quase certeza de que isso não fazia parte do trato — disse Shawn.
Rutledge o ignorou, é claro.
Shawn revirou os olhos. Desde que tudo aquilo começara, ele descobrira que Rutledge na verdade se controlava muito em aula e não demonstrava toda a extensão da sua... personalidade. Quando estavam a sós, Rutledge não se segurava: ele era completamente dominador. Tudo tinha que ser feito do jeito que ele queria.
Shawn foi arrancado de seus pensamentos quando sentiu as mãos grandes de Rutledge deslizarem por baixo de sua camisa para acariciar suas costas nuas.
— Você está meio que cruzando a linha, cara — murmurou Shawn, embora, se fosse honesto consigo mesmo, não estivesse tão incomodado com Rutledge dando aquela apalpada. Ele se perguntou se deveria estar.
Não era a primeira vez que ocorria a Shawn que ele não estava nem de longe tão apavorado com a situação toda quanto provavelmente deveria estar. Mas, pensando bem, ele tinha o pau do cara na boca todo santo dia. Isso não era nada.
Rutledge continuou a morder seu pescoço agressivamente.
— Tire-o para fora e me punheteie.
Antes que Shawn pudesse fazê-lo, o celular de Rutledge começou a vibrar sobre a mesa.
Praguejando entre dentes, Rutledge ergueu a cabeça do pescoço de Shawn e esticou o braço para pegar o aparelho.
— Sim? — ele disparou, sem sequer olhar para o identificador de chamadas.
Shawn observou com interesse enquanto o rosto de Rutledge se transformava em uma máscara de pedra. Ele obviamente não estava gostando do que a pessoa do outro lado dizia, pois sua voz ficou dura.
— Não estou interessado, Vivian. — Uma pausa. — Eu não dou a mínima para o que ele quer. Economize o seu fôlego. Eu não vou.
Com a curiosidade aguçada, Shawn inclinou-se para mais perto do telefone, tentando captar o que ela dizia.
— ...papai está muito doente, Derek — disse a mulher, Vivian. — Eu juro que não estou mentindo. Ele nunca admitiria, mas eu sei que ele quer te ver antes de... antes de... Por favor. Por mim.
A mandíbula de Rutledge travou.
— Eu não vou fazer o que ele quer que eu faça. Não vou me casar com aquela garotinha tonta.
— Amanda é uma boa moça — disse Vivian. — Sim, o pai dela é amigo do nosso pai, mas ela não é o pai dela. Ela é gentil e...
— Vivian — Rutledge a interrompeu, fuzilando a mesa com o olhar. — Você está esquecendo de uma coisa. Eu não gosto de mulheres. E mesmo que gostasse, eu nunca me casaria com a mulher que ele escolheu para mim.
Vivian suspirou.
— Apenas venha para casa este fim de semana. É a única coisa que te peço.
Rutledge apertou a ponte do nariz.
— Certo — soltou ele, irritado. Ele desligou rudemente e jogou o telefone na mesa.
— Sua irmã? — perguntou Shawn. Achando que Rutledge não estava mais no clima para sexo, ele ia escorregar do colo dele quando Rutledge o agarrou e o puxou para um beijo.
O beijo foi cruel, forte e punitivo. Terminou tão rápido quanto começou.
Rutledge segurou o queixo dele e o encarou, com a raiva ainda emanando dele em ondas.
— Você vai me acompanhar.
Shawn soltou uma risadinha.
— Vou? Obrigado por me avisar.
— Eu te pago — disse Rutledge, nem um pouco abalado. — Mais três mil pelo fim de semana.
Shawn ficou olhando para ele.
— Você não pode estar falando sério. Está disposto a me pagar três pratas só para irritar o seu pai?
O olhar que Rutledge lhe deu o teria feito recuar algumas semanas atrás.
— Isso não é da sua conta. — Ele olhou para o relógio. — São quase duas horas. Vá para casa e faça as malas para o fim de semana. Eu te pego em duas horas.
Shawn colocou as mãos nos ombros de Rutledge.
— Opa, espera um segundo. Eu não vou a lugar nenhum. É sério. Eu não posso.
Rutledge lançou-lhe um olhar irritado.
— Por que não?
Shawn hesitou.
— Eu tenho duas irmãs pequenas. Elas só têm quatro anos. Não posso deixá-las o fim de semana inteiro. Elas não têm mais ninguém.
Rutledge ficou com uma expressão no rosto que Shawn não conseguiu decifrar bem.
— Consiga uma babá. Eu pago.
Revirando os olhos, Shawn pulou do colo dele.
— Essa é a sua resposta para tudo? Você não pode comprar tudo, sabia? Não vou deixar as crianças com alguém que elas não conhecem. A babá de costume está de folga no fim de semana.
Rutledge soltou um suspiro pesado, as sobrancelhas se contraindo levemente enquanto um franzido cruzava seus lábios.
— Certo. Traga as pirralhas com a gente.
Shawn fez uma pausa antes de se virar para ele.
— Acho que não é uma boa ideia. Elas ficam ansiosas perto de estranhos, e você... bem, você é você.
Um sorriso irônico surgiu no rosto de Rutledge.
— Ao contrário da opinião popular, eu não como bebês no café da manhã. — Ele se levantou e caminhou em direção a Shawn. — Você vem comigo — disse ele, parando na frente dele. — Não me importa o que você faça com as crianças, mas você virá comigo.
Antes que Shawn pudesse dizer qualquer coisa, Rutledge o agarrou pelo colarinho e o puxou para um beijo.
Alguns minutos depois, Rutledge finalmente o deixou respirar de novo, e Shawn ficou perturbado ao perceber que seus próprios dedos estavam cravados na camisa de Rutledge.
— Tá bom — disse ele, meio atordoado, piscando.
Rutledge deu-lhe um empurrão em direção à porta.
— Te pego em duas horas. Eu sei o seu endereço.
— Tá bom — disse Shawn novamente e saiu, sentindo-se mais do que um pouco confuso e assustado.