Fiquei em silêncio por alguns segundos.
O nome ecoava na minha mente como algo que eu havia deixado enterrado — não esquecido, apenas guardado em um lugar onde não precisava revisitar.
— Sara… — repeti, quase em um sussurro.
Lara me observava com atenção, como se analisasse cada microexpressão minha.
— Você conhece, não conhece?
Respirei fundo e passei a mão pelo rosto.
— Conheço… — respondi, por fim. — E esse dinheiro não está sendo desviado.
Ela franziu a testa, confusa.
— Como assim?
Encostei na bancada da cozinha, tentando organizar os pensamentos.
— Fui eu quem configurei isso.
Lara arregalou levemente os olhos.
— Você… mandou metade do seu salário pra ela esse tempo todo?
Assenti.
— Desde quando engajado e pedi para não colocarem meu nome nas transferências
Ela demorou alguns segundos para processar.
— Mas… por quê?
Olhei para o nada por um instante, como se estivesse vendo cenas do passado.
— Porque, quando eu não tinha nada… ela foi a única que apareceu sem eu pedir ajuda.
Lara não disse nada. Apenas se aproximou um pouco mais, em silêncio.
— Eu estava sozinho, sem estrutura, sem direção… e ela simplesmente entrou na minha vida e começou a organizar tudo. Não me perguntou se eu queria. Só fez.
Soltei um leve riso sem humor.
— Meio parecido com você, na verdade — disse Lara.
Lara sorriu de canto, mas não interrompeu.
— Então, quando minha vida começou a melhorar, eu fiz o mínimo que podia. Garanti que ela tivesse ao menos o pouco que eu poderia lhe oferecer, porque eu estraguei a vida dela.
— E vocês ainda se falam?
Balancei a cabeça negativamente.
— Não.
— Nem sabe como ela está?
— Sei que está bem. — pausei. — Faço questão disso.
Lara cruzou os braços, pensativa.
— Você é estranho, sabia?
— Já me falaram isso algumas vezes.
— Não… — ela corrigiu, com um tom mais suave. — Você é intenso. Faz as coisas até o fim. Sem meio-termo.
Fiquei em silêncio.
Ela continuou:
— Mas também é teimoso. Carrega tudo sozinho, como se ninguém pudesse dividir nada com você.
Dei um leve sorriso.
— E você quer dividir esse peso?
— Quero — respondeu sem hesitar. — Porque você já dividiu o meu peso. Na verdade, pegou tudo para si sem nem me perguntar. Apenas fez.
— Lara, eu vou te contar o que quiser saber. O que você me perguntar, eu irei responder.
Lara me olhou e, sem hesitar, fez a pergunta:
— Você era apaixonado por ela?
Aquilo me pegou desprevenido.
Antes que eu respondesse, ouvimos a porta do quarto batendo. Ísis já estava perto de nós.
O clima mudou imediatamente.
— Interrompi alguma coisa? — perguntou, olhando de um para o outro.
— Não — respondeu Lara rapidamente. — Estávamos falando de dinheiro.
— Ah… — Ísis arqueou a sobrancelha. — Assunto sério então.
Lara me olhou.
— Depois continuamos falando desse dinheiro abençoado.
E depois seguiu-se o silêncio.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável — era carregado. Como se todos ali soubessem que havia muito mais sendo dito nas entrelinhas.
Lara quebrou o clima:
— Bom, já que estamos todos aqui… precisamos falar do depósito.
— O que houve? — perguntei, imediatamente atento.
— Cresceu.
— Isso é um problema?
Ela sorriu.
— Só quando você não está preparado pra isso.
Ísis se encostou na bancada, entrando na conversa.
— A gente vai precisar de mais estrutura. Mais gente… talvez expandir.
Olhei para as duas.
— Vocês já têm algo em mente.
As duas trocaram um olhar rápido — cúmplices.
— Sempre temos — respondeu Ísis, com um leve sorriso.
Balancei a cabeça, quase rindo.
— Eu fico seis meses fora e vocês montam um império.
— Ainda não — disse Lara — mas estamos no caminho.
Aquele momento me fez perceber algo importante:
Eu não era mais o único responsável.
A casa não era mais só minha.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não estava carregando tudo sozinho.
Mesmo que ainda estivesse aprendendo a aceitar isso.
— Vocês duas me passem os planos. Quero saber o que pretendem fazer.
Então elas começaram a me falar tudo sobre o depósito, como as coisas ficariam, que precisaríamos de mais investimento e que já tinham o local certo para abrir o novo depósito. Já haviam visto tudo com o proprietário do imóvel.
Eu fui falar que colocaria o dinheiro, mas Lara me cortou, avisando que precisaríamos conversar antes a respeito da minha situação financeira. Entendi o que ela quis dizer e seguimos o café da manhã conversando sobre tudo o que elas queriam fazer.
Em seguida, Lara e Ísis foram ao depósito e, como eu estava com tempo para ficar em casa à toa, fui visitar meu pai para ver como ele estava. Estava tudo bem com ele, tudo normal.
Em seguida, saí da casa dele e fui até a casa do Silva. Conversei com ele. Ele havia passado na prova da PF; agora era o agente Silva. Brinquei com ele, dei os parabéns e o chamei para comemorar. Pedi para ele juntar a turma lá no depósito. Ele, que se amarrava em festa, topou na hora.
Em seguida, fui para o depósito e fiquei lá com as meninas e o funcionário. Comentei com elas que queria fazer uma comemoração porque Silva havia passado na prova da PF. As duas toparam na hora, até que Lara falou para Ísis:
— Amiga, vou precisar comprar umas coisas no mercado para comemorar, algo para o pessoal comer. Vou aproveitar que o sargento está aqui de carro para me dar uma carona.
— Tá bom, amiga. Lá você pensa em algo.
Ela pegou a bolsa, entrou no carro e seguimos para o mercado. E nesse caminho rolou a conversa.
— Pronto, agora estamos sós. Me diga sobre Sara Gonçalves.
— Tem certeza que quer saber mesmo sobre isso?
— Sim. Estou com você.
Então, em seguida, eu parei o carro em uma rua, olhei para ela e comecei a contar tudo desde o início: minha infância, quando fui morar sozinho, sobre tudo o que houve e como Sara me ajudou junto com o Jefferson, e até sobre como estraguei a vida deles.
Lara chorou sem parar, me abraçando depois de ouvir tudo, dizendo que eu não tinha culpa, que eu era novo e que a história estava perdida; que não fazia sentido meu amigo querer me matar assim do nada, ainda mais se juntando com o Marcinho.
no fim ela falou algo que eu sempre me questionava a respeito.
— Tem algo nessa historia perdia que nem você sabe
— Sargento, eu te entendo, mas já se passaram sete anos e eles ainda acreditam que você está morto.
— Eu acho que era o melhor para eles. Assim eles poderiam voltar para casa e seguir a vida deles.
— Mas você não acha que sofreram mais sem você, não?
— Comigo eles não tinham onde ficar, sem moradia, e os parentes deles vendo o atraso de vida que eu era.
— Sim, mas isso mudou. Hoje você tem condições de mostrar que estavam errados. Um amigo seu acabou de entrar para a Polícia Federal e você tem um treinamento que, desarmado, rendeu três homens como se fosse a coisa mais simples. Então por que não conta para eles que você está vivo?
— Pensa: eles estão bem, vivendo a vida deles na maior felicidade, tendo superado tudo, e aí vem um fantasma do passado e dá um “olá” a eles. Pensa como a vida deles mudaria.
— Mas, sargento, o Rio de Janeiro é pequeno. Uma hora eles podem acabar te vendo por aí.
— Relaxa, isso não vai acontecer. Eu estou muito diferente e, como disse, já se passaram sete anos.
E ficamos nessa, conversando por horas, com ela chorando sem entender como eu tinha passado por tudo aquilo. Mas no fim consegui convencê-la de permanecer anônimo e ajudá-los com o dinheiro. Ela olhou o para o relógio
— Sargento, a hora voou. E agora, o que faço para o pessoal?
— Relaxa. Vamos fazer churrasco. Só comprar carne e carvão, e eu fico na churrasqueira.
— Tá bom, sargento.
Seguimos, compramos as coisas no mercado, ela como sempre tomando conta da situação pedindo carne , comparando os preços, ela rápida pegou tudo, fomos para casa, tomamos banho e seguimos para o depósito.
Chegando lá, Ísis cobrou a gente pela demora, mas Lara falou que precisava conversar comigo sobre a situação do dinheiro. Ela entendeu, então me pediu para levá-la em casa para tomar um banho, porque estava com a mesma roupa desde cedo.
Eu falei para Lara ir recepcionando todos. Ela deu ok.
Entrei no carro e parti com Ísis para casa.
— Vocês dois, hein… Se eu não conhecesse vocês bem, eu ficaria com ciúmes.
— Ciúmes? Eu e Lara?
— Sim, ué. Lara é bonita e você também é bonito.
— Relaxa. Entre eu e Lara não rola nada não, só amizade.
— Eu sei disso. Aquele dia que ela pegou nós dois no flagra… se fossem outras pessoas, você teria comido ela ali mesmo e ela te dado. Mas foi só tesão momentâneo dos três.
— Eu tinha até me esquecido disso.
— Ela também. Eu que toquei no assunto com ela e ela me explicou que foi mais a situação do que as pessoas em si. E eu concordo com ela. Afinal, não sabemos quando vai dar tesão na gente.
Ela falou isso e já soltou o cinto de segurança, vindo abrir o zíper da minha calça.
— O que está fazendo, Ísis?
— Deu tesão. Como eu disse, não sabemos a hora.
Ela colocou meu pau para fora e começou a me chupar. Foi ficando duro em sua boca, eu dirigindo e ela chupando.
Paramos no semáforo. Eu cheio de medo de alguém ver, e ela continuou. Botava quase a piroca toda na boca e depois tirava, brincando só com a cabeça. Ela ficava me encarando com aqueles olhos puxados, me provocando com cara de safada, que várias vezes eu quase perdia a direção.
Chegando em casa, abri a garagem, coloquei o carro para dentro e saí rápido dei a volta antes dela abrir a porta. Fiz ela deitar de costas, com as pernas para fora, tirei seu short junto da calcinha e já caí de boca naquela buceta babada, ali dentro do carro mesmo.
Eu fui chupando ela com sede de buceta, ela dando aqueles gemidos abafados, aquela respiração profunda que dava quando estava com tesão, segurando minha cabeça contra ela, me puxando, esfregando a buceta na minha cara, gemendo:
— Ai, amor, não tô aguentando. Me come, vai. Me faz ser tua.
Eu levantei, encaixei meu pau na entrada da buceta dela, fiquei brincando com seu grelo e ela já sem controle.
— Vai, safado, não judia não, amor. Tô com tesão demais. Me come gostoso do jeito que só você sabe fazer.
Então meti. Comecei a comer ela gostoso, sem violência, com cadência, para sentir o momento. Ela gemendo, o tesão tomando conta de nós dois. Eu segurei a nuca dela, puxei para mim e comecei a beijá-la enquanto comia ela. Ela me beijava e gemia na minha boca, até que levantei e continuei metendo.
Ela, em seguida, me empurrou, saiu de dentro do carro, olhou, se apoiou em pé no carro e empinou a bunda.
— Vem, meu negão. Mete.
Aquilo foi uma ordem.
E encaixei a pica na buceta dela e comecei a comer ela com vontade. Cada provocação dela era combustível para eu pegá-la com mais força, mais vontade e mais tesão.
Eu já socava firme nela e ela só gemendo, dava uns gritinhos. Quem estivesse passando no portão ouviria ela.
Ela já estava jogando a bunda para trás de encontro com as estocadas que eu dava. Aquilo foi me deixando mais louco, perto de gozar.
Depois de um tempo, ela me afastou com a mão, tirou meu pau de dentro, olhou para mim — que nem parecia que tinha tomado banho — e foi caminhando, me provocando, desfilando.
Parou na porta de entrada para casa, empinou a bunda e olhou para mim por cima do ombro, com um sorriso safado.
— Eu acho que perdi a chave, não sei onde está.
Eu fui atrás dela, encaixei de novo a piroca na buceta dela, com ela apoiada na porta, e comecei a comer ela com mais força ainda, puxando seu cabelo.
— É chave que queria, sua puta? Então toma chave.
— Sua puta adora essa chave. Dá pra mim, dá, meu macho.
Eu já estava perdendo o controle, prestes a gozar. Ela sabia disso. Então abriu a porta.
— Ops… acho que estava destrancada. Eu tava distraída.
Eu fui segurar sua cintura para ela não sair, mas ela foi mais rápida e deu uma corridinha para frente, entrando pelo corredor.
Eu fui atrás. Na porta do banheiro ela estava empinada novamente, me provocando só com a bunda para fora.
Eu já fui engatando nela, apertando seus peitos e fudendo ela de novo, e ela provocando:
— Eita, que esse macho tá com tesão hoje.
— Muito. Você fica me provocando, sua safada.
— Eu não tô te provocando não, jamais faria isso — disse ela, rebolando.
Nosso corpo batendo, nós dois pelados já na porta do banheiro, fazendo aquele sexo de provocação e selvageria.
Eu prestes a gozar novamente, ela saiu.
— Acho que você está precisando de um banho. Vem tomar banho comigo.
— Só se for agora.
Entrei debaixo do chuveiro com ela e, sem perder tempo, a joguei de costas na parede. Ela levantou uma perna e eu encaixei a piroca naquela buceta que já não era tão apertada mais como antes estava no molde da minha rola e comecei a estocar nela de baixo para cima, socando forte enquanto a beijava.
Ela parou o beijo, segurou meu rosto apertando e eu continuei metendo nela. Então ela falou:
— Tá gostando de tomar banho com sua puta, tá?
— Eu tô adorando esse banho gostoso.
E socava mais forte nela.
— Então, na próxima vez, seja cavaleiro. Antes de tomar banho sozinho, vem buscar sua puta, que ela te dá um banho de buceta molhada também.
E me beijou.
Eu entendi o recado e continuei comendo ela com força. Ela explodiu em um gozo e eu, em seguida, a ponto de minhas pernas ficarem moles, gozei tanto que a buceta dela chegou a expulsar porra para fora.
Ela, depois de gritar muito gozando e sentindo meu gozo, falou:
— Queria você comendo meu cuzinho, poxa.
— Eu tenho planos para esse cuzinho, relaxa. Vamos tomar banho.
— Opa, certeza que eu vou gostar.
Tomamos banho, nos beijamos, fizemos carinho um no outro.
A roupa que eu vestia estava espalhada da garagem ate a porta do banheiro
Peguei outra roupa para vestir: uma camisa social cinza, dobrei as mangas até o antebraço, uma calça jeans preta e um sapato esportivo preto.
Ísis, por sua vez, colocou um vestido branco com detalhes pretos até abaixo das coxas, brincos de argola pequenos, sandália, maquiagem e batom vermelho, com aquela franja linda.
Então peguei o plug anal que ela tinha, que ficava na bolsa no guarda-roupa, e dei na mão dela.
— Coloca.
— Amor, eu vou ficar lá horas plugada ?
— Sim.
— Então você coloca em mim.
Eu mandei ela abaixar. Ela ficou de quatro na cama, puxou o vestido para cima e colocou a calcinha pro lado, que era preta e pequena.
Eu ia pegar o KY, até que vi a buceta dela brilhando.
— Ficou com tesão?
— Como não ficar com você? Depois de meses, me come gostoso e agora vai preparar meu cuzinho pra mais tarde.
Dei um tapa na bunda dela.
— Sua safada, tá doida pra dar esse cu, né?
— Você quem me viciou nisso. Agora mata meu vício.
Eu coloquei o plug na buceta dela e tirei, que já veio molhado. Cuspi no cuzinho dela.
— Do jeito que essa buceta tá molhada, nem precisa de KY.
E fui colocando devagar, com ela gemendo. Depois que coloquei tudo, botei de volta a calcinha no lugar, abaixei seu vestido, puxei ela e dei um beijo quente, molhado, cheio de desejo.
Pegamos o carro e fomos para o depósito, mas ela pediu para buscar os pais dela, que também iam.
— É só uma festinha.
— Eu sei, mas eles souberam que você voltou e queriam te ver também. Eu só aproveitei a ocasião.
— Tá bom.
— Eu já mandei mensagem para a Lara falando que vamos atrasar um pouco.
— Vocês duas sempre entrosadas… mas fico aqui pensando.
— O quê?
— Você de plug na frente dos seus pais. Kkkkk.
— Nem fala. Eu tô com um tesão enorme. Se minha mãe souber que eu enfio sua rola na minha bunda, ela pira. Imagina se ela souber que eu enfio algo no meu rabo e deixo lá.
Eu comecei a rir, ela rindo também.
Passei nos pais dela, pegamos eles no caminho. Eu ficava rindo o tempo todo, os pais dela conversando comigo, achando que eu só estava feliz pelo meu amigo e tal.
Foi a desculpa que dei, mas eu olhava para Ísis e ela estava vermelha de vergonha, e eu rindo dela.
Chegamos no depósito e já estava com música alta, pagode tocando, cheio de gente.
— Gente, era só uma comemoração pequena. E isso tudo?
Lá estava até meu pai. As mesas cheias, gente que eu conhecia, gente que eu não conhecia, pagode tocando.
E lá estava Silva. Chegou me abraçando, alegre, feliz.
— Tá todo mundo aí.
Apontou para a mesa e lá estavam Reis, Matias, Machado e o antigo sargento Moura.
Cheguei na mesa deles, todos bebendo, todos pegando no meu pé, até que viraram para zoar o Matias, que “virou casaca” e foi para o “Tio Sam”.
Ali fiquei um tempo, até que Ísis apareceu na mesa.
— Amor, a Lara quer falar com você.
— Amor? Eu pensei que tu era gay — disse Reis.
— Sai fora, Reis. Sou homem, e essa é minha namorada/esposa.
Ísis até se emocionou pelo jeito que apresentei ela, e ela, com todo o carisma que sempre teve, cumprimentou todos e me puxou.
— Gente, vou pegar ele emprestado um pouco.
Aí começaram as gritarias na mesa:
— SOLDADO FERIDO!
— PERDEMOS O SOLDADO, CAPITÃO!
— PERDEMOS PARA UM RIFLE ASIÁTICO, TIRO CERTEIRO!
—ESSE NÃO FAZ MAIS MISSÃO!
Falaram alto, rindo e se divertindo.
Fui até a cozinha falar com Lara, que já estava agitada do jeito dela.
— Sargento, seu pai acendeu a churrasqueira. Você tem que ir pra lá. E não se esqueça que não tem só seus amigos não, hein? Tem mais gente. Vai falar com todos que eu já estou indo pra fora também.
—Sim senhora capitã
Fui para a churrasqueira. Meu coroa estava lá, animado, com a latinha de cerveja na mão. Fiquei conversando com ele, ele todo animado.
— Fala, coroa, tá curtindo?
— Filhote, olha o que você construiu. Você está de parabéns.
— Nada disso. Eu não teria conseguido se você não estivesse aqui comigo me ajudando. Mas tá faltando gente aqui para isso ficar completo.
— Vai atrás deles. Se eles te verem, vão acreditar que você está vivo.
— Isso só bagunçaria a vida deles ainda mais, meu pai.
— Isso é a gordinha e a Ísis. Se uma encontra a outra , as duas te demorariam vivo
— Nem fala nisso.
— Você não vai beber nem hoje, filhote?
— Só meu refri.
Ísis chegou na churrasqueira, me deu um beijo toda alegre.
— Sogrinho, tá sabendo?
— O quê, filha? — perguntou meu pai.
— Agora eu sou namorada/esposa — disse Ísis, fazendo pose de cerimônia.
— Já estava na hora de assumir.
— Vocês dois falam demais. Ísis, fica aqui com o coroa que vou ver quem tá aí antes que dona Lara venha puxar minha orelha.
Então fui dar uma volta para ver a Lara e ela estava em pé, falando com as pessoas. Aí vi quem estava na mesa: Aline, Edu, Beatriz e Bianca.
Cheguei na mesa.
— Fala aí, falta tudo. Bem?
Edu já se levantou, apertou minha mão, me deu um abraço.
— Fala, brother, tudo bem, cara?
— Eu de boa, irmão. E você, tudo bem?
— Tranquilo. Você nunca mais apareceu.
Edu me tratava como se me conhecesse há anos. Ele tinha um espírito leve. Estava na cara que usava drogas, mas não fazia mal a uma formiga.
Em seguida, levantou a Aline da mesa. Ela me deu dois beijos discretos na bochecha. Olhei para o lado e Bianca só observava.
Olhei para Bianca.
— Fala aí, sumida.
— Eu sumida? Sumido tá você. Gosta tanto de mato que se amarrou em ficar no meio da mata até Natal e Ano-Novo.
— Gosto, mas nem tanto. Mas trabalho é trabalho. Quero te ver mais vezes, hein? Não some não.
Já em seguida, Beatriz levantou como um pulo, me abraçando forte. Deu dois beijos, um em cada bochecha.
— Você quem sumiu. Não voltou mais lá em casa.
— Tenho meus motivos.
— Sei. Tô sabendo que gosta de sushi agora.
— Me acabo no sushi. Só não gosto como também viciei. Agora só quero sushi.
Todos na mesa começaram a rir. Beatriz também deu um sorriso amarelo, me soltando.
Lara olhou para mim e Bianca e, sem perder tempo:
— Toma, papuda.
Antes que o clima ficasse pesado
Eu virei para eles.
— Gente, qualquer coisa estou na churrasqueira. Qualquer coisa é só aparecer lá.
Saí e fui à mesa dos pais de Ísis. Eles, sempre muito formais, me falaram que Ísis e Lara estavam fazendo um ótimo trabalho com o depósito, que fizeram muito bem e que até estavam pensando em investir, se elas precisassem.
Eu apenas sorri e falei que faria bem, que as meninas tinham jeito para negócios.
Eles foram me agradecer, querendo me elogiar pelo trabalho, mas eu cortei logo, falando que eu nunca ajudei em nada, que esse era trabalho delas e que todo mérito era delas.
Em seguida, Ísis chegou e o pai dela já veio falando:
— Estava te elogiando aqui ao seu namorado, do trabalho que vocês estão fazendo aqui, e ele disse que é tudo você e Lara.
Ísis foi corrigindo ele:
— Namorado não, pai. Namorado/esposo. E ele nos ajuda sim, só está sendo modesto.
— Eu passei seis meses fora e elas seguiram sem mim, então a prova tá aí que são elas.
A mãe de Ísis em seguida falou:
— Gente, olha, o cavalheirismo não morreu. Ele briga com ela para mostrar que o mérito é dela. Filha, tira logo esse “/” e deixa só “esposa” logo, hein? Isso aí é um partidão.
Começamos a rir.
Me despedi, deixei os três lá e voltei para a churrasqueira.
O menino que trabalhava lá, eu chamei ele e mandei ele ir para casa tomar um banho, trazer a família, namorada, seja lá quem fosse, para curtir com a gente.
E assim ele fez.
Falei para as meninas que qualquer coisa pesada era só pedir que eu pegava.
Voltei para a churrasqueira, peguei uma cadeira para meu pai sentar e lá ficamos, eu e ele conversando e assando carne.
Bianca veio até a mesa pegar as carnes na bandeja para servir. Eu brinquei com ela:
— Meninas folgadas, né? Te colocando para trabalhar.
— Tá vendo só, sargento, como elas são?
— Pai, essa é Bianca. E Bianca, esse é meu pai.
— Tá me apresentando a Bianquinha por quê?
— Já se conhecem?
Os dois riram e meu pai falou:
— Conheço. Lara e se a conheço. Então Conheço a namorada dela, a Bianca. Essa aí é meu fechamento.
Eles bateram punhos, ficaram rindo da minha cara e eu fiquei na minha, rindo da situação também.
E assim seguiu.
Eu dava umas voltas e voltava para a churrasqueira.
Silva pediu para eu pegar um whisky para eles e fui lá dentro pegar.
Entrei e lá estava Lara atracada em Bianca. As duas se beijando, parecendo que uma queria engolir a outra.
Eu pigarreei, passei por elas e disse:
— Podem continuar. Eu não estou aqui.
E passei.
Foi só então que vi que a mão de Lara estava dentro da calcinha de Bianca. A pretinha ficou cheia de vergonha.
Eu peguei o whisky rápido e saí.
Entreguei para a turma, fiquei um tempo lá e voltei para a churrasqueira.
Passou um tempo e Beatriz se levantou, foi até a churrasqueira perguntando sobre Bianca.
Eu falei que não sabia onde ela estava.
Beatriz ficou ali conversando comigo e com meu pai, até que ela começou com elogios e eu já vi onde aquilo ia parar.
Olhei para os lados, caçando Ísis com os olhos, mas não a encontrei.
Meu pai foi ao banheiro e então Beatriz falou:
— Eu e Aline estamos doidas para repetir aquilo.
— Chama o Edu. Eu não.
— Edu não dá conta da Aline, vai dar conta de nós duas?
— Eu também não dou conta não.
— Dá sim. Sabe que dá.
— A Ísis está aqui e o Edu também. E a Aline também não concorda com isso.
— Aline concorda sim. Ela tá doida para te dar o cu, porque da última vez você só começou o meu.
— Bia, você é gente boa. Gostei de você. Não faz eu desgostar não. No momento estou namorando e a Aline também, então com ela nem rola nada, mesmo se eu estivesse solteiro.
Ela saiu meio sem graça.
Passaram dois minutos e chegou Ísis por trás.
— Eu sabia que essa periguete ia dar em cima de você.
— Eu não fiz nada, hein?
— Eu sei, gato. Confio em você, meu amor. Mas a Bianca e a Lara já tinham me alertado sobre ela.
— Alertado?
— Ela é doida por você. Mas o que rolou entre vocês?
— Nada. Só transamos uma vez.
— Pelo jeito fez com ela gostoso que nem comigo para ela vir atrás de você.
— Fiz nada demais.
— Vai, me fala.
— Ética de homem. A gente não fala o que fez ou deixou de fazer.
— Então você vai fazer comigo. Esse plug tá me matando. Minha buceta não para de pingar. Tô indo no banheiro direto secar ela. Me ajuda só um pouco.
Ela me puxou lá para dentro do depósito, onde ficavam um monte de caixas. Exatamente onde peguei Bianca e Lara.
Eu e Isis começamos a nos beijar; chupei seu pescoço com desejo, e ela foi se virando, empinando a bunda, levantando o vestido.
— Amor, tira esse plugue e come o meu cu, sem demora!
Eu afastei a calcinha, tirei o plugue bem devagar e, assim que saiu, eu aproximei meu pau e o enfiei nela sem cerimônia . Ela deu uma respirada e soltou um "ahhhhhhh" bem baixinho, de alívio. Então comecei a comer o seu cuzinho bem devagar, e fui aumentando o ritmo; estava gostoso demais. A música estava alta lá fora, e eu, agora, só sabia socar cada vez mais forte.
— Amor, mais devagar, senão eu vou gritar!
Eu diminuía o ritmo e depois aumentava, de novo, com força.
— Amor, não vai tão forte, por favor! Eu estou louca para gritar, mas não faz isso comigo...
— Grita, sua puta! Seus pais estão lá fora, vão ouvir a sua filha, a menina deles, gritando com o meu pau enfiado no seu cu!
Isis não se aguentou: levou a mão à sua buceta e começou a se tocar, enquanto eu comia o seu cu.
— Amor, eles estão lá fora! Eles vão ouvir o que você está fazendo com a filha deles, com esse seu pau preto enfiado no meu cuzinho...
— Vão entrar e ver você com esse cu todo arrombado, pedindo mais ao seu homem, pedindo por mais rola!
— Vem, amor, me dá toda essa rola gostosa! Eu não vivo mais sem ela, eu preciso dela dentro de mim!
— Então toma, sua piranha, sua puta!
— Isso, sua putinha... sou toda sua, só sua... sua namorada, sua esposa, sua puta!
AAAAAAAAHHHHHHH
E ela começou a gozar. Bem no meio do seu êxtase, chega Lara, de repente:
— Meu Deus! Olha essa gritaria Aqui, na frente de todo mundo? Alguém pode ver vocês! Ou ouvir Você está comendo o cuzinho dela de novo!
Isis olhou bem nos olhos de Lara e gritou bem alto:
— SIIIIIIIIIIIiiiiiiiiiiiiimmmmmmm!
Lara olhou para Isis, que ainda gozava:
— Que merda! Que tesão danado é esse de vocês dois?
Isis perdeu as forças, olhou para Lara e disse:
— Desculpa, amiga...
— Se vestem logo! Eu vou ficar de vigia, para não chegar mais ninguém.
— Mas ele ainda não gozou, amiga...
— Deixa para ele gozar em casa!
Vesti minha calça, fechei o cinto e só então percebi que o plugue estava na minha mão. Quando estávamos saindo, eu olhei:
— Lara, fica de olho ali, preciso guardar uma coisa.
Puxei Isis para perto.
Lara perguntou, curiosa:
— Guardar o quê?
Eu, rindo, apontei para o objeto na minha mão:
— Isso aqui.
Levantei o vestido de Isis novamente, afastei a calcinha e o enfiei bem devagar. Isis olhou para o rosto de Lara, que também não tirava os olhos dela. Quando terminei de colocar, Isis fez uma cara de prazer e soltou um gemido baixo. Eu dei um tapa forte na bunda dela, e seguimos os três, enquanto Lara reclamava:
— Vocês têm que parar com isso! Estão me deixando louca!
Isis olhou para ela e respondeu:
— Depois você desconta tudo na Bianca, amiga!
— Ela está gostosa hoje... acho que a interrupção ali só atrapalhou a gente.
— Do mesmo jeito que você , mas eu saí rápido.
— Você sabe como a Bianca é certinha... ela disse que perdeu todo o clima depois que você apareceu
Saímos os três depois disso, e Isis não me soltou mais. Beatriz, com muita raiva e ciúmes, ficou com Reis bem na minha frente, e nós curtimos tudo o que estava acontecendo. Depois que todos se divertiram, começaram a ir embora. Isis ainda carregava um trauma daquele dia, então me pediu para que eu fechasse tudo, já que ainda havia gente por perto. Fechei tudo, pedi a Fernandes que levasse Lara embora, pois era caminho para a casa dele, e que eu mesmo levaria os meus sogros e o meu pai para casa.
Seguimos caminho, deixei meu pai em casa e depois os meus sogros. Eles não fizeram nenhum comentário sobre o fato de meu pai morar na favela; foi até que tranquilo. Quando os deixei em casa, eles insistiram muito para que eu subisse, então subi e fiquei um tempo conversando com eles. Eles falavam sobre o futuro da filha, que ela iria administrar um hospital do qual eles eram sócios, me contaram todos os planos que tinham para ela, e ela só ouvia. Eu apenas disse que era um ótimo plano de carreira para ela.
Em seguida, Isis apareceu com uma muda de roupa:
— Amor, já peguei umas roupas, vamos embora.
A mãe dela, um pouco contrariada, comentou:
— Filha, daqui a pouco tudo o que é seu já está lá na outra casa! Eu quase não te vejo mais.
— Mãe, lá fica mais perto da faculdade e também do depósito.
Eu intervim, dizendo:
— Olha, no dia que vocês quiserem ir lá em casa, é só chegar! A porta está sempre aberta para vocês, não precisam nem avisar.
A mãe de Isis gostou da resposta e concordou que passaria lá para nos ver em breve.
Depois de um bom tempo de despedidas, fomos para a nossa casa. Chegando lá, Isis desceu, abriu o portão, eu estacionei o carro e fechei tudo. Ela trancou o portão e disse:
— Preciso ir ao banheiro — e saiu correndo, com aquele jeito engraçado, como se estivesse quase fazendo xixi nas calças.
Eu peguei as roupas que ela havia levado da casa da mãe, tranquei o carro, abri a porta de casa e fechei-a novamente. Quando cheguei ao corredor, vi que Isis estava parada na porta do quarto de Lara, paralisada, e nem percebeu que eu tinha chegado. Perguntei:
— O que foi?
Isis virou-se, fez sinal para que eu ficasse em silêncio. Quando eu espiei para dentro do quarto, lá estava Bianca, deitada de lado, completamente nua, e Lara atrás dela, beijando o seu pescoço, apertando os seios de Bianca, enquanto a outra mão dela estava entre as pernas da menina. Os gemidos de Bianca eram bem baixinhos. Que pele escura e linda a de Bianca! Tinha seios firmes, coxas grossas e bem torneadas. Ela não era tão cavala quanto a irmã, Beatriz, mas era muito bonita. Ver Lara apertando aqueles seios... Bianca parecia tão meiga, do jeito que gemia, do jeito que se entregava às mãos de Lara, de olhos fechados.
Isis não tirava os olhos das duas, parecia hipnotizada. Foi aí que percebi que Lara já havia nos visto, mas continuou fazendo tudo, como se fosse um espetáculo para nós. Enquanto isso, Bianca avisava que já ia gozar. Lara, então, puxou-a para um beijo, e Bianca, toda ingênua, gemendo baixinho, disse:
— Isso, amor, continua... eu vou gozar... aaarrr...
Lara foi esperta, puxou-a com força deixando de costas para porta e beijou-a com paixão. Bianca, sem entender nada, perguntou:
— Nossa, o que foi, amor? Que fogo é esse todo, desde que saímos do depósito?
— Acho que depois de um dia tão maravilhoso, eu estou inspirada, amor... Agora vem, me beija aqui...
Lara abriu bem as pernas, e Bianca foi descendo, beijando e chupando os seus seios com vontade. Lara já gemia sem pudor nenhum; ao contrário de Bianca, ela gemia alto, sem se preocupar que nós estávamos ali assistindo. Parecia até que ela queria mesmo era se exibir para nós.
— Isso, amor, chupa gostoso, do jeito que você sabe chupar!
Bianca, com toda a sua delicadeza, foi descendo cada vez mais, até chegar à sua buceta. De longe, dava para ver que a buceta de Lara era toda lisinha, bem depilada, e tinha uma tatuagem na virilha que não deu para identificar direito de onde eu estava. Bianca começou a chupá-la, enquanto Lara acariciava os seus cabelos. O clima ali era de pura provocação e desejo. Lara já nem olhava mais para Bianca; aqueles olhos azuis dela estavam fixos em mim e em Isis.
Isis, num impulso, levantou o próprio vestido, empinou a bunda para trás, afastou a calcinha com a mão e, de costas para mim, foi procurando o meu pênis. Eu o tirei para fora; ela mesma puxou o plugue e eu enfiei devagar no seu cu, enquanto eu ainda via Bianca chupando Lara, e Lara nos olhava fixamente. Eu comia Isis devagar, sem fazer barulho; ela segurava a minha mão que estava em volta da sua cintura, e ficamos ali daquele jeito um bom tempo. Até que Isis estava quase soltando gemidos, comigo socando o seu rabo, quando ela teve uma ideia: levou o plugue até a boca e o enfiou lá dentro.
A reação de Lara foi arregalar os olhos e gritar, enquanto gozava:
— NA BOCA! QUE DELÍCIAAAAAAAaaaaaa!
Isis começou a tremer toda, e eu, com um puxão forte, com meu braço em sua cintura a suspendi e me virei deixando ela no ar comigo ainda enganado nela só sai da direção da porta
Só deu para ouvir a voz de Bianca, ainda dentro do quarto:
— Gozou, amor? Acho que tinha alguém na porta... eu vi uma sombra...
— Não, amor... a luz do corredor está com defeito, de vez em quando pisca mesmo.
Eu não aguentei mais nada: segurei Isis, encostei-a na parede, deixando-a suspensa no ar, com o meu pau ainda bem enfiado dentro dela. Ouvindo tudo o que eles falavam, o meu pau começou a pulsar forte e ejacular muito leite para dentro do cu de Isis. Ela ficou completamente fora de si. Tive que tapar a boca dela com a mão para que ela não gritasse, e apertei um pouco a sua garganta, mas não muito forte. De repente, Isis simplesmente desmaiou.
Pensei rápido: com as calças ainda abaixadas, fui andando devagar até a sala, coloquei Isis no sofá sem fazer barulho, arrumei minha calça, coloquei o plugue no bolso, abri a porta sem fazer ruído, peguei Isis no colo e gritei alto:
— LARA! ALGUÉM EM CASA? VEM ME AJUDAR AQUI!
Lara apareceu rapidamente, vestindo um roupão.
Quando ela chegou perto, Isis já estava acordando do desmaio que teve depois de gozar, ainda meio tonta nos meus braços.
— O que foi, Sargento? Está tudo bem com a Isis?
Nisso, Bianca apareceu também, enrolada apenas num lençol fino.
Eu olhei para ela e lembrei de como ela estava há pouco tempo, de quatro, com a buceta brilhando e molhada. Eu tinha acabado de gozar muito, mas o desejo ainda era enorme. Fiquei alguns segundos perdido nos meus pensamentos, até voltar a mim:
— Ela bebeu um pouquinho demais e deu sono, só isso.
— Quase não a vi bebendo hoje — comentou Bianca, desconfiada.
Isis, já voltando a si, falou:
— Bebi um pouco na casa dos meus pais, mas já estou bem, gente.
Ela passou por Bianca, que olhou bem para ela e disse:
— Isis, acho que o seu desmaio foi por outra razão... O seu vestido está todo molhado, deve ter vazado, amiga.
Era o meu gozo que tinha escorrido. Ficamos os três sem graça, pois todos nós sabíamos muito bem o que era. Então Lara, para quebrar o clima, disse:
— Amor, não fala essas coisas na frente do Sargento, não! O coitado deve ter pensado que teria uma noite de sexo, e olha só no que deu...
Depois disso, Isis foi para o banheiro e eu fui para o quarto, sem falar nada com ninguém. Tomei o meu banho, fui para a cama, e Isis já estava deitada, me esperando para dormir. Cheguei perto, dei um beijo nela; ela se aconchegou no meu peito, não tocou mais no assunto, e eu também não falei nada. Dormimos.
Acordei cedo, antes do sol nascer, como de costume, e fui até a padaria. Para a minha surpresa, tinham todas as frutas que Isis gosta de comer pela manhã: mamão, abacate, morango, kiwi e maçã. Ela era muito disciplinada com a alimentação, chegava a ser chata com isso, enquanto Lara comia o que aparecesse pela frente, sem se preocupar com dieta nenhuma.
Fiz o café da manhã, e a primeira pessoa a ser atraída pelo cheiro forte de café foi Lara. Ela entrou na cozinha com cara de sono, me deu bom dia, um abraço, como sempre fazia, sentou-se à mesa e eu servi uma xícara para ela. Eu não toquei no assunto da noite passada, pensando que ela faria o mesmo, até que ela disse:
— Que noite, hein...
— Pois é... na verdade, que semana...
— Sargento, a gente precisa conversar a respeito disso, mas com a Bianca aqui, é melhor não.
— Você tem razão. Deixamos para outra hora.
— Tudo bem. Depois você me busca no depósito na hora do almoço.
Em seguida, apareceu Bianca, mais sorridente do que nunca. Deu um beijo em Lara e me deu bom dia:
— Nossa, Sargento! Você não muda o seu jeito, né? Sempre acordando cedo e fazendo esse café cheiroso!
— Café que todas vocês sabem fazer igual.
— Nada disso! Isis e Lara viviam reclamando, com saudade do seu café e da sua rotina de acordar cedo.
Ficamos conversando, e depois chegou Isis para se juntar a nós. Tomamos o café normalmente. Eu estava um pouco perdido, sem saber muito o que fazer, pois tinha muito tempo livre agora. As meninas tinham os seus afazeres, a faculdade e também o depósito; então, eu fiquei como motorista particular delas. Levei-as até o depósito, depois guardei o carro e segui para a casa de Silva.
Chegando lá, ele tinha acabado de acordar estava há um tempo se recuperando de uma ressaca. Também estava lá Matias; durante o tempo em que ele ficou no Brasil, ficou na casa de Silva, já que seu pai, sua mãe e seu irmão tinham ido todos para os Estados Unidos. Ficamos os três conversando, até que de repente chegou Fernandes. Ele ligou para Reis, chamando-o para a casa de Silva, e lá começaram as conversas e brincadeiras, lembrando do tempo de recrutas, época em que só tínhamos uns aos outros para nos divertir.
Lembramos daqueles tempos, e logo Fernandes começou a falar:
— Reis, aquela mulher que você ficou na festa... que mulher!
Reis, se achando, respondeu:
— Cara, ela é uma gata mesmo! E vou te contar: não quis liberar de jeito nenhum.
— Uma mulherão daquelas e você não fez nada?
— O que é que eu poderia fazer? Forçar ela? Não, claro que não! Mas marcamos de sair de novo.
Matias, muito observador, juntamente com Fernandes, começaram a rir de Reis. Ele, sem entender nada, perguntou o que era tanta graça, e Silva também quis saber do que eles estavam rindo. Então Matias falou, e Fernandes concordou:
— Rapaz, aquela mulher estava doida era pelo nosso amigo aqui ó — disse apontando para mim.
— Mentira! Mentira, Pantera? Você tem algo com ela? — perguntou Reis, todo decepcionado.
Eles me chamavam de Pantera por causa dos treinamentos na selva; ninguém nunca conseguia me pegar, pois eu era rápido demais e eles não me viam chegar, então me associaram à pantera-negra. Cada um tinha um apelido ligado a algum animal, mas eu sempre os chamava apenas pelo sobrenome.
— Irmão, eu estou com a Isis, não tenho nada com ninguém, não — respondi.
Silva emendou logo em seguida:
— O cara só tem olhos para a aquela japonesa, pode relaxar, ele não tem nada mesmo, não.
— Mas Reis, investe nela sim. A Beatriz é uma menina legal, a irmã dela é namorada da minha amiga Lara; as meninas são de confiança, gente boa.
Depois disso, ficamos conversando até que começaram a falar sobre eu prestar concurso para entrar na Polícia Federal também, mas eu não tinha vontade nenhuma. Fernandes não parava de insistir:
— Cara, não é difícil, não! Com tudo o que você já fez, todos os cursos e treinamentos que tem, isso é fichinha para você.
— Meu negócio é lutar, saltar de paraquedas, fazer reconhecimento, meu negócio é guerra — respondi.
— Fernandes, nem adianta tentar. Eu já tentei colocar juízo na cabeça dele que essa vida não é para sempre, mas ele não escuta — disse Silva.
— Mas Pantera, de todos nós, você sempre foi o mais esperto para descobrir coisas, e ainda por cima já ajudou a PF em várias operações. Pensa com carinho, vai...
— Pode deixar, galera, vou pensar sim.
Ficamos conversando, botando o papo em dia e rindo das missões que cada um já fez e que deram errado. Olhei a hora e percebi que tinha esquecido completamente de buscar Lara. Meu celular estava cheio de mensagens perdidas. Então pedi 4 refeições prontas em um restaurante e segui para o depósito.
Chegando lá, Lara já ia falar alguma coisa, mas eu passei na frente dela:
— Gente, chega de trabalho, hora do almoço! Trouxe comida para vocês.
As duas sentaram à mesa para comer. Havia também um rapaz que trabalhava com elas, que ficava sempre mais afastado, lá no canto. Chamei ele e disse que a refeição dele também estava lá, para ele se sentar e comer conosco. Ele ficou meio receoso no começo, mas acabou aceitando. Comemos e conversamos, e o menino foi se soltando, puxando assunto com a gente.
Depois do almoço, eu deixei o carro com elas. Eu precisava me distrair, estava muito inquieto, precisava de algo para ocupar a cabeça. Sempre que eu ficava parado, sem ter o que fazer, acabava pensando no passado. Dei uma volta pelo centro do Rio de ônibus mesmo, depois voltei para casa, pedi comida e esperei dar a hora.
Quando anoiteceu, as meninas chegaram da faculdade e jantamos juntos. Foi na hora da janta que tivemos a conversa que há tempos precisávamos ter. Quem começou foi Lara, quebrando o gelo:
— Gente, precisamos conversar sobre o que está acontecendo entre nós.
— Tem razão, Lara. Eu já estava esperando que nós três ficássemos sozinhos para eu, você e Isis conversarmos — falei.
— Eu também estou tentando entender tudo isso que está acontecendo com a gente — disse Isis, com um sorriso no rosto, enquanto eu e Lara trocávamos olhares; já sabíamos o que precisava ser dito, mas quem começou foi Lara:
— Amiga, eu sei que foi bom tudo o que rolou, mas temos que parar com isso, senão vamos cruzar uma linha da qual não há mais volta.
— Lara tem razão, amor — completei.
— Mas gente, será que só eu gostei do que aconteceu? Será que estou vendo coisas onde não tem? Lara, você também gostou, e nada disso foi planejado — disse Isis.
— Amiga, de certa forma foi sim. Não digo da primeira vez, quando peguei vocês dois transando... aquilo foi natural, e as outras vezes também. Mas ontem, quando cheguei em casa e vi as roupas de vocês espalhadas pela casa, algo mudou dentro de mim: eu quis dar um show para vocês também. Mas esse caminho que estamos seguindo é errado — explicou Lara.
— E ela tem razão, amor. Foi bom, foi legal, mas nós três somos amigos. Eu e Lara somos amigos há muito tempo, e eu não me sentiria bem se algo mais acontecesse entre nós.
Lara continuou:
— E eu também não, amiga.
— Mas gente, eu vi vocês se olhando! Aquilo era tesão, eu tenho certeza! Tinha desejo rolando, por que não deixar acontecer? — insistiu Isis.
— Sim, amor, foi desejo e tesão, só isso. Mas pensa no depois... eu, você e Lara vivendo na mesma casa, como seria isso? O clima que iria ficar entre nós, e a amizade que eu e ela tanto prezamos acabar por causa de uma transa? Isso não seria justo — argumentei.
— E se não for apenas uma transa? E se for algo mais? — perguntou ela.
— Se for algo mais, amiga, você acha mesmo que nós três iríamos aguentar até quando? Até uma começar a sentir ciúmes da outra, ou perder a confiança?
Passamos aquela noite toda conversando sobre o assunto. Isis ficou bem triste, e Lara até ameaçou ir embora de casa para não atrapalhar mais a nossa relação, mas chegamos a um acordo: aquilo não seria bom para nenhum de nós, e além disso, Lara tinha a Bianca, não podíamos viver daquele jeito. Decidimos que, de agora em diante, tudo seria mais calmo e como antes. Isis, com certa resistência, acabou aceitando.
Demorou cerca de uma semana para que tudo voltasse ao normal, mas voltou. Éramos novamente apenas três amigos morando juntos, já que Isis praticamente vivia lá conosco.
Com as coisas se acertando, eu tive a ideia de pedir Isis em casamento. Fiz todos os planos, conversei com os pais dela, que ficaram muito felizes e disseram que eu era um rapaz de caráter e que seria um ótimo marido. Então, antes de uma viagem que faríamos, organizei uma festa e pedi Isis em casamento na frente de todos. Ela aceitou na hora, muito feliz, chorando de emoção. Os pais dela nos parabenizaram, meus amigos me zoaram bastante, mas tudo correu exatamente como eu queria, e claro, com muita ajuda da Lara.
Eu e Lara abrimos mais um depósito. O rapaz que trabalhava com elas, chamado Felipe, que ajudava em tudo, ficou como gerente dessa nova filial; ele ficou extremamente feliz. Isis iria ajudá-lo na administração, enquanto Lara permanecia no depósito antigo, com outro rapaz para auxiliá-la. O negócio ia muito bem.
Eu voltei a dar aulas para os novos recrutas; naquele ano, havia um curso específico que eu queria fazer, e isso me ajudava bastante a ocupar a mente.
Certa vez, conversando com Lara sobre o meu passado, ela me pediu para que eu contasse toda a verdade para Isis, que era melhor não ter segredos entre nós. Então, um dia, chamei Isis para um jantar fora e contei tudo para ela: sobre a minha infância difícil, as pessoas que me ajudaram, as que me traíram, tudo. O que ela me pediu em seguida foi o que mais me surpreendeu: ela queria conhecer a minha mãe biológica, da qual eu quase não falava há anos.
Eu disse que não seria fácil, pois não poderia voltar à minha cidade natal para não causar problemas para ninguém de lá, mas conversei com o meu pai. Ele foi até a minha mãe e marcamos um encontro em um local afastado, fora da cidade. Quando minha mãe me viu, chorou muito; mesmo meu pai já tendo avisado que eu estava vivo, ela não sabia como eu estava, se era feliz, nada. Ela e Isis se conheceram e se deram super bem logo de cara.
Aquele fim de ano seguiu tranquilo. Eu não fui enviado a nenhuma missão, e Isis acabou ficando amiga da minha mãe. Eu queria muito perguntar sobre a Sara e sobre o Jefferson, mas toda vez que tentava falar neles, me faltava o ar e as palavras; ainda era tudo muito recente e doloroso.
Eu, Isis e Lara viramos o ano trabalhando duro nos depósitos; foi o período de maiores vendas que já tivemos. Passadas as festas de fim de ano, decidimos viajar: fomos eu, Lara, Bianca e Isis para o Texas, nos Estados Unidos, para a casa de Matias. As meninas estranharam quando descobriram que eu falava inglês fluentemente.
Conheci a esposa de Matias e os seus dois filhos; ele estava muito bem estabelecido por lá, mas já pensava em voltar ao Brasil, pois não aguentava mais ficar longe do Rio de Janeiro, morria de saudade de tudo.
Eu e Isis estávamos muito bem, eu realmente estava apaixonado e achava que nada poderia atrapalhar a nossa felicidade.
Voltamos ao Brasil cheios de lembranças boas dos dias que passamos os quatro juntos. De volta ao Rio, retomamos a nossa rotina: Lara no depósito antigo, Isis cuidando do novo, e eu sempre indo à base militar para resolver os serviços que apareciam.
Um dia, apareceu novamente a formação de uma equipe para missão na Amazônia, mas desta vez eu não me apresentei como voluntário. Avisei que tinha que preparar o meu casamento, que já estava próximo, e o capitão entendeu, mas me fez um pedido especial: para ir até lá e passar uma semana ajudando a orientar a nova equipe, já que eu era o que tinha mais experiência na região e conhecia tudo de cor. Aceitei o pedido e avisei as meninas que teria que viajar novamente. Elas entenderam, mas Lara sempre ficava muito aflita quando eu ia, morria de medo que algo acontecesse comigo e que eu não voltasse. Eu a abraçava e acalmava, enquanto Isis, por outro lado, sempre ficava calma e tranquila, dizendo que eu era feito de ferro e que nada me abalava.
Depois de três dias de preparo, eu segui viagem para a Amazônia. Chegando lá, apresentei tudo ao chefe da nova equipe e achei que seria algo mais burocrático, mas qual não foi a minha surpresa quando vi quem estava lá: era o Silva! Ele me viu e veio me abraçando:
— Pantera! Você já está começando a gostar desse buraco, é?
— E aí, rapaz... essa aqui é a minha segunda casa, você sabe.
— Tô vendo! Daqui a 3 meses eu apareço de novo por aqui para te ver, né? Como já tenho experiência aqui, me mandaram para uma área que já conheço bem, agora estou morando aqui até receber novas ordens.
— Então você vai me salvar, né? Você já conhece toda a região. Eu vim desta vez só para passar instruções e mostrar os pontos de perigo para os novatos, mas já que você está aqui, resolve tudo isso para mim, por favor.
— Claro, Pantera! Deixa isso comigo, afinal, é trabalho conjunto da PF e das Forças Armadas, nós nos entendemos bem.
Liguei para o capitão, expliquei a situação e ele me liberou para voltar. O que seria uma viagem de uma semana, durou apenas 2 dias. Já estava de volta ao Rio de Janeiro.
Segui direto para o depósito que Isis administrava; era domingo, e eu imaginei que o carro estaria com ela. Mas chegando lá, Isis não estava, só havia Felipe, o rapaz que trabalhava com ela. Perguntei por ela, mas ele não sabia dizer onde estava, e ela não atendia ao celular. Fiquei esperando, mas nada dela chegar. Ajudei ele a fechar o depósito, liguei para Lara, e ela também não conseguia falar com Isis e já estava bem preocupada. Ligamos para os pais dela, e a mãe disse que tinha pedido para Isis resolver alguns problemas para ela.
Fui para casa, fiquei eu e Lara esperando. Ela fez o janta, e quando já passava da meia-noite, Isis chegou. Quando ela me viu em casa, levou um choque enorme, parou na porta e desabou em choro. Eu, assustado, fui logo abraçá-la. Ela me olhava nos olhos, pedindo perdão várias vezes, sem parar de chorar. Lara estava em pé, chorando aflita, sem entender nada do que estava acontecendo.
Eu peguei Isis no colo, levei-a até o banheiro, dei um banho nela com todo o cuidado e depois a levei para o quarto, deixei-a dormindo. Voltei para a sala, onde Lara ainda estava esperando, muito preocupada, e perguntei:
— O que está acontecendo, Lara?
— Sargento, eu não sei... estou tão perdida quanto você.
— Isis me traiu, Lara. Eu tenho certeza.
— Claro que não, Sargento! Eu a conheço, ela não seria capaz, eu mataria ela se fosse.
— Pelos indícios, com toda a certeza...
— Dá um tempo para ela acordar amanhã e conversar direito com você, por favor.
— Tomara que você tenha razão.
Mas eu já imaginava eu sabia ler as pessoas
Lara foi dormir, mas eu passei a noite acordado, sem conseguir pregar o olho, pensando em tudo o que tinha acontecido.
Pela manhã, fiz tudo como de costume: padaria, café da manhã, arrumei tudo direitinho, coloquei numa bandeja e levei até o quarto para acordar Isis. Ela se levantou devagar, me deu um beijo e tomou o café toda na paz. Quando terminou, levei as coisas para a cozinha, voltei para o quarto, fechei a porta, sentei na cama ao lado dela e falei sério:
— Me conta a verdade agora, o que aconteceu ontem?
Ela me olhou, abaixou a cabeça, depois olhou novamente nos meus olhos:
— Eu me senti muito culpada por você ter chegado cedo e ter me procurado, e eu não estava aqui, ainda mais com o seu carro... Eu estou naqueles dias, então fico muito sensível, e tudo mexe muito comigo, parece que o mundo vai desabar. Foi só isso.
— Tem certeza que é só isso mesmo?
— Tenho, meu amor.
Eu não tinha acreditado nela nem um pouco, mas Isis e Lara viviam me falando para eu parar de agir como soldado o tempo todo, que na vida pessoal tinha que ser diferente, então resolvi seguir o conselho delas e deixar para lá, por enquanto.
Saí do quarto, Lara me esperava na cozinha. Tomamos café juntos, e logo em seguida Isis apareceu. Lara foi até ela, deu um abraço forte:
— Tá tudo bem agora, amiga?
— Tá sim... ontem foi só um susto, a emoção falou mais alto.
— Entendi... Eu e o Sargento levamos um susto danado com o jeito que você chegou, ficamos morrendo de preocupação. Qualquer coisa, estou aqui viu?
— Obrigada, amiga.
Levei cada uma ao seu depósito e segui para a base. Na hora do almoço, meu celular tocou: era o Reis. Atendi:
— Fala, Reis! A que devo a honra dessa ligação? Você nunca liga, hein.
— Fala, irmão! Falei com o Silva ontem, ele me disse que você tinha voltado de viagem mais cedo, pensei que ainda estivesse em missão.
— Pois é, o Silva resolveu tudo por mim, me livrou de uma semana de trabalho, estou devendo uma para ele.
— Ele me explicou direitinho que quebrou um galho bem grande para você. Mas enfim, irmão, como é que está o trabalho por aí? O Bope dando muito trabalho?
— Trabalho sempre tem, mas você me conhece, né... adoro essa adrenalina toda.
— Gosta até demais, eu sei. Mas enfim, eu liguei mesmo para saber se a Isis, sua noiva, está bem.
— Está bem sim, por quê?
— Ué, ela não te contou que me viu ontem não?
— Não, ontem ela chegou muito mal em casa e foi direto dormir, e hoje mal nos falamos antes de eu vir para a base.
— Nossa, cara... Ontem teve rebelião no presídio, saiu em todos os noticiários.
— Irmão, eu nem vi notícia nenhuma, você sabe que não sou muito de televisão.
— Pois é, durou umas seis horas, um barraco danado. Nós do Bope fomos chamados para intervir, e adivinha quem estava lá? A Isis. Ela estava visitando alguém e acabou ficando presa lá dentro durante todo o tumulto. Nós entramos, resgatamos ela e o resto do pessoal, e acabamos com a confusão.
— Eu não sabia de nada, ela não me falou uma palavra sobre isso. Mas vou conversar com ela agora mesmo. Obrigado por ter cuidado dela, irmão, fico te devendo essa. Qualquer coisa, é só chamar.
— Deixa disso, estamos aí para o que der e vier. Melhoras para ela aí, qualquer coisa grita.
Desliguei o telefone e fiquei ali parado, pensando: o que será que a Isis foi fazer num presídio? Aquilo não tinha nada a ver com ela, não combinava nada com o seu jeito de ser. Tentei me concentrar no trabalho, mas foi em vão. Não conseguia tirar aquilo da cabeça. Deixei tudo arrumado na base, saí mais cedo e fui direto ao encontro dela no depósito.
Chegando lá, parei o carro e fiquei observando ela de longe. Ela estava distraída, organizando umas caixas, quando de repente me viu parado ali. A expressão dela mudou na mesma hora. Ela largou tudo o que estava na mão e veio correndo na direção do carro, já preocupada:
— O que foi, amor? Tá aí dentro desse carro com essa cara de bravo... Aconteceu alguma coisa na base?
— Não.
— Então me diz o que houve, por favor.
Falei calmamente, sem levantar a voz, sem demonstrar raiva, apenas com firmeza:
— Fiquei sabendo que você estava no presídio ontem, bem na hora que teve a rebelião.
Ela arregalou os olhos na mesma hora, ficou pálida:
— Como é que você sabe disso? Está me vigiando agora? Foi lá ontem atrás de mim para saber o que eu fiz?
— Eu não sou burro nem idiota, Isis, e não perderia o meu tempo com esse tipo de coisa. Você esquece que tenho amigos em toda a polícia do Rio de Janeiro, inclusive no Bope, e foi justamente um deles quem te resgatou de lá. Se você acha que eu iria perder tempo te investigando, pode continuar pensando assim.
Dei partida no carro, ela gritou alguma coisa do lado de fora, mas eu não parei. Eu ainda não entendia o que tinha acontecido, nem o motivo de ela estar naquele lugar, e muito menos por que tinha mentido para mim. As coisas estavam começando a se encaixar, eu sempre deixei Isis livre e solta, nunca fui o namorado de ficar procurando, e comecei a analisar sozinho, ela sempre foi e veio sem eu a questionar
Segui dirigindo e, quando percebi, já estava parado em frente ao depósito onde Lara trabalhava. Ela me viu chegar e logo veio falar comigo:
— Sargento, a Isis me ligou chorando desesperada... O que houve entre vocês?
— Ela pensa que eu fui atrás dela para vigiar ou investigar, sei lá, que eu queria saber da sua vida.
— Só isso? Então por que ela tá chorando tanto assim?
— Porque ela mentiu para mim, Lara. Ela não estava passando mal, nem com dor de cabeça, nem nada... Ela estava dentro de um presídio, bem na hora de uma rebelião.
— Meu Deus... Mas por que ela não contou nada para nós?
— Porque ela achou que eu nunca iria descobrir, e que ninguém ia me contar.
— E como é que você ficou sabendo?
— Por puro acaso, irmã. Quem foi chamar ela para sair de lá foi o Reis, e ele me ligou hoje cedo só para perguntar se ela estava bem, pensando que eu ainda estava viajando. Aí ele acabou me contando tudo.
—Que história é essa, hein? O que deu na cabeça da Isis para ir parar num presídio? Vou ter uma conversa séria com ela.
— Eu tentei conversar, mas ela não quis me contar nada. Quem sabe com você ela não fala, né?
Sentei ali, fiquei um tempo conversando com Lara sobre outras coisas, tentando me distrair. Quando deu a hora de fechar, já que às segundas-feiras eles fechavam mais cedo por causa da faculdade, ela disse:
— Sargento, vou precisar do carro para buscar ela mais tarde, né?
— Você só esqueceu de um detalhe pequeno.
— Qual?
— Você não sabe dirigir.
— Como assim? Você sabe que eu tenho carteira!
— Quem foi que te disse que eu sei disso?
— Como pode uma pessoa dona de dois depósitos, que compra mercadoria, cuida de negócios, não ter carteira de habilitação? Temos que resolver esse problema urgentemente.
— Tá bom, tá bom... E você, o senhor militar, soldado até o último fio de cabelo, que a sua melhor amiga é lésbica, que não anda armado mesmo tendo porte de arma e que não fica por aí gritando código de polícia?
— Tá bom, já entendi, chega! Eu mesmo levo vocês para a faculdade. Vai lá, se arruma.
Ela tomou um banho rápido ali mesmo no depósito, se arrumou e fomos até o depósito de Isis. Lara avisou por mensagem que estávamos chegando. Quando chegamos, Isis já estava nos esperando na porta. Parei o carro, Lara ia sair para ela entrar na frente, mas Isis disse:
— Não, amiga, fica aí que eu vou para trás mesmo.
— Tem certeza?
— Tenho.
Seguimos viagem até a universidade, os três calados, o clima pesado dentro do carro. Deixei elas na porta, vários alunos me cumprimentaram, disseram que estavam com saudade, conversei um pouco com todos e depois fui até a casa do meu pai. Fiquei lá um tempo, conversando, até dar a hora da aula acabar. Quando vi que já estava na hora, peguei o carro e voltei para buscá-las. Na volta para casa, foi a mesma coisa: silêncio total. Isis no banco de trás, Lara na frente, ninguém falava nada.
Chegamos em casa, Lara foi direto para o seu quarto, eu sentei na sala e Isis foi direto para o quarto dela, sem me olhar. Tomei um banho e me joguei no sofá, acabei dormindo ali mesmo.
No dia seguinte, a mesma rotina de sempre, com uma diferença: ninguém abria a boca. Deixei cada uma no seu depósito e segui para a base. Saí mais cedo, passei no depósito de Lara, peguei ela e fomos buscar Isis. Chegando lá, vi que ela já tinha fechado tudo e estava conversando com uma menina. Lara, assim que viu a moça, fechou a cara na hora.
Era uma menina negra, baixinha, cabelos cacheados na altura do pescoço, usava um micro short que deixava bem à mostra o bumbum e as coxas grossas e torneadas, além de uma blusa que deixava aparecer o umbigo com um piercing. Isis se despediu dela, a menina sorriu e foi embora. Tive uma sensação estranha, como se eu já conhecesse ela de algum lugar.
Isis entrou no carro, e eu perguntei, na maior inocência:
— Quem é sua amiga? Sinto que já vi ela em algum lugar.
— O nome dela é Jéssica. Foi ela quem me deu todo o apoio quando eu estava mal esses dias, quando você estava viajando.
— Entendi... Tenho quase certeza que já a conheço de algum lugar.
— Deve ser impressão. Ela foi fundamental para mim, ficou todo dia ao meu lado, me convencendo que tudo ia ficar bem, que você me amava e que você faz tudo para me proteger. Ela é até a sua maior fã, vive falando bem de você, e também vive zoando a sua rotina de acordar cedo, ir na padaria e fazer café para nós, sempre pergunta sobre você
— Então um dia leva ela lá em casa, quero conhecer e agradecer por ter ajudado você a não desistir de nós.
— Melhor não, hein... Se ela ver você, vai querer roubar o que é meu.
— Tentativa dela, que não vai dar certo nunca.
Ela sorriu, aquele sorriso que só ela sabia dar, e por um momento o clima ficou mais leve.
Mas a menina não saiu da minha cabeça. Comecei a ligar os pontos: o presídio, essa Jéssica, os segredos, as mentiras... Quantas coisas mais da vida de Isis eu não conhecia? E a mãe dela, com certeza sabia onde a filha tinha estado ontem e ainda mentiu na minha cara, dizendo que ela tinha ido resolver um problema para ela.
Mandei uma mensagem para Lara, que ainda estava na faculdade, dizendo que precisava conversar a sós com Isis, e perguntei se ela poderia ir para casa de outro jeito. Ela respondeu na hora que não tinha problema nenhum, que ia de ônibus mesmo.
Na hora de buscar elas, chamei Isis para irmos a um restaurante que eu gostava, disse que precisávamos conversar seriamente. Ela aceitou, um pouco receosa.
Chegamos ao restaurante, pedimos algo para comer e eu comecei logo, sem enrolação:
— Isis, eu estou com você, vou me casar com você, eu te amo. Esses dias que eu fiquei em casa era para nós dois arrumarmos tudo para o casamento, resolver as coisas, e acabamos brigando e nos afastando. Isso está me matando.
— Eu sei, amor, eu também quero resolver tudo entre nós, quero que fique tudo bem.
— Então é por isso que eu preciso que você jogue limpo comigo, sem mentiras, sem meias palavras. Me conta a verdade de uma vez por todas.
— Eu estou te falando a verdade! Aconteceu o que eu já te falei... Quando cheguei em casa e vi você, eu não sabia como agir, tinha medo da sua reação, imagina eu chegar e falar que estava num presídio, no meio de uma confusão daquelas...
— O que me importa não é o lugar, Isis, e sim o porquê. Por que você foi até lá? Aconteceu alguma coisa grave?
— Tinha um amigo meu, de infância, de escola, que está lá preso. Eu fui visitar ele. Nós éramos muito próximos, ele era como um irmão para mim. Ele está passando por umas coisas muito difíceis lá dentro, eu só queria dar apoio, mostrar que ele não está sozinho, para ele não desistir da vida.
— Eu vou falar com meus amigos, ver o que consigo fazer por ele. Tenho contatos que ajudam na reabilitação de detentos, dou um jeito de darem um suporte melhor para ele lá dentro.
— Amor, não precisa! De verdade. Eu não quero que você se envolva nisso, nem que exponha a nossa vida por causa de problemas dos outros. É uma coisa que eu prefiro resolver sozinha.
— Tudo bem, eu não vou me meter. Mas se precisar de qualquer coisa, fala comigo, por menor que seja.
— Pode deixar, meu amor, qualquer coisa eu peço ajuda.
— Agora, outra coisa: conheci essa sua amiga hoje, a Jéssica. Eu conheço quase todas as suas amigas, e você nunca tinha falado dela antes. De onde ela surgiu assim tão do nada?
— Eu já te expliquei, ela apareceu quando eu mais precisei. Ela foi quem brigou comigo todos os dias para eu não terminar com você, dizia que eu era louca de perder um homem como você. Ela é meio brincalhona, gosta de falar de você, mas é só isso.
— Então um dia traz ela para um almoço, quero conhecer quem te ajuda a tomar decisões.
— Já disse que não! Ela é bonita, solteira, e você é um homem bonito... Melhor não arriscar, né?
— Pode deixar, então.
Ela sorriu novamente, e dali seguimos para casa bem melhor, mais leves. Lara nos viu chegar rindo e brincando, e logo ficou animada também.
— Pelo visto os dois estão bem de novo, graças a Deus — disse ela, aliviada.
— Estamos sim, amiga. Resolvemos tudo.
Seguimos para o quarto e ao entrar no quarto parecia uma urgência de ambos precisávamos nos reconectar tiramos nossas roupas e rapidamente sem preliminares ficamos no papai e mamãe e eu penetrei a beijando nossas respirações ofegantes nossa bocas não diziam nada so nossos corpos, eu a olhava nos olhos e penetrando mas não com forca não brutal e sim com paixão não dorou muito e gozei dentro dela nos dois em uma explosão de orgasmos e ali eu decidi que não poderia mais enrolar eu precisava casar com ela, esquecer o passado e dar continuidade a minha vida
Naquela noite, eu e Isis nos amamos como se tivéssemos nos reconectado de novo, como nos primeiros tempos. No dia seguinte, tudo parecia ter voltado ao normal, a casa estava alegre novamente.
De tarde, o pai de Isis pediu para ela ir até a sua casa buscar uns documentos que ela precisava estudar, coisas relacionadas à administração do hospital. Eu peguei Lara, passamos lá e fomos os três até a casa dos pais dela.
Chegando lá, Isis foi direto ao escritório com o pai. A mãe dela nos recebeu, perguntou se queríamos alguma coisa, se precisávamos de algo. Eu agradeci, e resolvi puxar assunto:
— Como a senhora está? Tudo correndo bem?
— Tudo ótimo, meu filho. Melhor ainda sabendo que esse casamento vai sair, que vocês vão ser felizes.
— Vamos sim. E a senhora sabe que, a partir de agora, eu faço parte da família, e a minha missão é cuidar de todos que a Isis ama, proteger quem é importante para ela.
— Meu filho, se você cuidar bem dela, já está de bom tamanho para nós, é tudo o que pedimos a Deus.
— Mas eu quero ajudar sempre. Sei que o amigo de infância dela, que está passando por dificuldades, está precisando de apoio. A Isis é muito teimosa, não pede ajuda, mas se precisarem de algo, é só falar comigo.
— Que amigo, meu filho?
— Aquele que estudou com ela, que é como um irmão para ela, que está preso...
A mãe dela me olhou com uma cara de confusa, franziu a testa:
— Meu filho, a Isis não tem amigos homens de infância, nem de escola. Ela estudou desde criança no colégio São José, só para meninas, sempre foi assim. Nunca teve amizade com meninos, não sei de quem você está falando.
Eu parei no mesmo instante. Senti um frio na barriga. Mais uma mentira. E daquela vez, contada para mim olhando bem nos meus olhos, com toda a naturalidade do mundo. Nos nos amamos sobre uma mentira eu fiquei fora de mim
A mãe dela percebeu o meu choque, começou a gaguejar, tentando se explicar, mas já era tarde demais. Chamei Lara, que estava na sala olhando as fotos, e falei apenas:
— Vamos embora, Lara.
A mãe dela tentou nos segurar:
— Espera, meus filhos, não saiam assim... Deixa eu explicar, eu me enrolei, não era minha intenção...
Quando estávamos saindo, Isis apareceu na porta, vendo a confusão:
— O que foi, mãe? O que aconteceu?
— Filha... Eu que falei sem pensar, me enrolei nas palavras...
Isis olhou para mim, percebeu tudo, e tentou se aproximar:
— Amor, me espera! Deixa eu te explicar direito...
— Tarde demais, Isis. Você mentiu de novo, e olhando nos meus olhos.
Saí de lá sem olhar para trás. Lara me acompanhou em silêncio. Entrei no carro, e deixei Lara na casa de Bianca, pois ela pediu para ir até lá.
— Sargento, você vai ficar bem? — perguntou ela, preocupada.
— Vou sim, Lara, fica tranquila.
— Por favor, não faça nada que vá se arrepender depois. Quando a Bianca chegar, eu volto para casa.
— Pode deixar, não vou fazer nada de errado.
Liguei o carro e saí andando, sem rumo. O celular não parava de tocar, era Isis ligando, mandando mensagem, pedindo para eu voltar, para conversarmos. Eu desliguei o aparelho.
Liguei para o Reis, ele atendeu na hora:
— Fala, Pantera! Tudo bem?
— Tudo. Você está em casa?
— Estou, sim, por quê?
— Me manda o endereço da sua casa, já estou indo aí, preciso conversar com você pessoalmente, assunto sério, não pode ser por telefone.
— Pode vir sem problema, já te passo o endereço.
Ele mandou a localização, e eu segui viagem até o apartamento dele. Na portaria já estavam avisados da minha chegada, então subi direto. Quando abriu a porta, quem eu vi lá dentro era Beatriz. Ela me olhou, sorriu sem graça e eu apenas acenei com a cabeça.
— Não preciso apresentar vocês, né? Já se conhecem — disse Reis, abrindo espaço para eu entrar.
— Fala aí, Bia, tudo bem?
— Tudo ótimo, Sargento, e você? Como estão as coisas?
— Estou de boas, só preciso resolver umas paradas com o Reis aqui. Com licença.
Chamei ele para um canto mais afastado da sala, bem baixo, para que ela não ouvisse nada, e fui direto ao ponto:
— Irmão, preciso de um favor, e é assunto delicado, Lembra da rebelião no presídio ontem? Vocês resgataram a minha noiva, a Isis, de lá. Preciso que você descubra o nome de quem ela foi visitar, horários, quantas vezes já foi lá, tudo o que tiver nos registros, entendeu? É coisa sigilosa, não pode chegar a ninguém, só eu e você sabemos disso.
Ele franziu a testa, percebendo a gravidade da coisa:
— Você tá falando sério, Pantera? Aconteceu alguma merda?
— Muitas, irmão, e eu preciso da verdade agora. Pode demorar o tempo que for, mas me consegue essa informação?
— Pode deixar, missão dada é missão cumprida. Conheço o diretor de lá, vou ligar agora mesmo, dou um jeito de pegar tudo. Espera aí um pouco, senta aí, relaxa.
Enquanto ele foi resolver, eu fiquei na sala, tentando puxar assunto com Beatriz, mas minha cabeça estava a mil.
Eu não conseguia ficar la quieto, então e pedi a ele para me ligar quando conseguisse tudo
Fui buscar Lara e Bianca, não queria ficar sozinho com meus pensamentos. Chamei elas para sair, tentar distrair a cabeça, e acabamos parando num bar com música ao vivo, na Lapa. Chegamos lá, tinha umas amigas delas, a maioria casal de mulheres, todo mundo conhecido, gente boa. Eu era o único homem no meio de todo mundo, mas estava acostumado com aquilo. Brincávamos, bebíamos, zoávamos uns com os outros, e eu tentei deixar os problemas de lado por algumas horas.
Deixei o celular no modo avião, não queria ser encontrado por ninguém, muito menos por Isis, que devia estar ligando e mandando mensagem sem parar. Mas o telefone de Lara não parava de tocar, era mensagem atrás de mensagem, tudo dela. Em certo momento, ela olhou para mim, preocupada, e veio falar:
— Sargento, a Isis não para de me mandar mensagem, tá desesperada, chorando, dizendo que você não atende, que vai fazer besteira... Eu vou ter que atender, senão ela pira de vez. Vem comigo, por favor, não quero ir sozinha fora daqui.
Saímos do bar, atravessamos a rua para um lugar mais calmo, e na hora que ela ia retornar a ligação, o celular tocou. Lara atendeu, e sem querer acabou apertando o viva-voz. A voz de Isis ecoou alta, chorando muito, desesperada:
— Lara, amiga, por favor, me ajuda! Ele tá aí com você? Me deixa falar com ele, por favor, eu não aguento mais, eu vou morrer se ele não me ouvir!
— Amiga, acalma-te, ele tá sim, mas ele não quer falar agora. Vocês precisam se acalmar, respirar, para conversarem direito depois. O que está acontecendo, afinal? Por que toda essa confusão?
— Ele descobriu tudo, Lara! Ele descobriu que eu fui lá, que eu menti... Mas eu tenho explicação, eu tenho motivo, eu vou contar tudo, eu juro! Deixa ele falar comigo, por favor, eu não aguento mais essa dor!
Enquanto elas falavam, Bianca chegou perto de mim, me cutucou e falou bem baixo, com uma cara estranha:
— Sargento, a Beatriz tá tentando falar com você há um tempão. Disse que o seu amigo do Bope mandou umas coisas para você ver, e que é urgente.
Peguei o celular que eu tinha deixado na mesa, tirei do modo avião, e foi como abrir uma comporta. Chegou mensagem de tudo quanto é lado,
Mas a que mais me interessava era a de Reis e abri logo
— Consegui tudo. Os registros mostram que ela vai lá faz tempo, visita frequente, pelo menos umas duas vezes por semana, sempre no mesmo horário. O nome do detento é Carlos. Fui mais fundo, olhei o histórico do cara, e ele é um dos comandantes da facção que atua naquela área. O que a sua noiva tem a ver com um cara desses, hein?
— Isso é o que eu preciso descobrir também, irmão. Valeu, de verdade, não sei como te agradecer.
— Não precisa agradecer, só toma cuidado, né? Se for o que eu tô pensando, a coisa é feia. Qualquer coisa, tô aqui do seu lado.
“Carlos”. Esse nome não saía mais da minha cabeça. O que era aquilo tudo? Amigo de infância, mentira da mãe dela, um criminoso perigoso... Nada fazia sentido, mas ao mesmo tempo tudo parecia se encaixar num quebra-cabeça sujo que eu não queria montar em no impulso olhei para Lara e falei
—Pergunta a ela o que ela tem com esse Carlos
O telefone estava no viva voz e Isis quando me ouviu deu um grito alto no telefone do outro lado
Eu olhei novamente para o telefone
O simular vibrou olhei a mensagem
“Tá aí, seu corno! Achou que ia se dar bem? Agora segura a sua vida acabada, otário!”
número desconhecido, com mais de 20 mensagens, fotos e vídeos, e um áudio. Abri a mensagem, e a primeira coisa que eu li me gelou o sangue:
Minhas mãos começaram a tremer. Eu não queria ver, mas ao mesmo tempo precisava ver. Cliquei no primeiro vídeo.
Na tela, eu vi a mulher que eu ia me casar, a mulher que eu amava, de quatro, ajoelhada no chão de uma cela suja, dentro de um presídio, gemendo alto, enquanto um homem tatuado, cheio de símbolos de facção, enfiava tudo dentro dela com força, como se ela fosse um pedaço de carne. Ela gemia, dizia que gostava, as mesmas coisas que ela me falava só para mim, na nossa cama.
Eu fiquei paralisado. O vídeo continuava, e aí eu vi quem segurava o celular, filmando tudo, rindo: era Jéssica, a tal amiga que apareceu do nada, a mesma que disse ser minha fã, a mesma que falou para eu confiar nela. Risos da menina calor a xingando
— toma sua puta queria um menage ta ai toma rola , já que seu corno não te da
— Não fale assim dele, não toque no nome dele
—Entao esta aqui por que sua puta
E ele comia ela sem pena empurrava nela e ela gemia
O som era alto, dava para ouvir cada palavra, cada gemido, cada ordem que ele dava a ela, e ela obedecendo, dizendo que era dele
Passei para o próximo. Dela agarrada nas grades, ele por trás, batendo forte, rindo. Outro, ela sentada no colo dele, se mexendo, beijando ele. E a legenda do vídeo, escrita por quem mandou: “Aproveita a vista, soldado. O cu que você acha que é virgem, é meu há muito tempo, só eucomo. E ela gosta mesmo é de apanhar e de levar porrada, coisa que você, certinho, não sabe dar.”
Outro vídeo dela chupando Jessica com vontade de 4 e ele comendo ela
A legenda do vídeo
“ Ela queria mas você frouxo não quis dar”
Eu senti uma dor no peito que parecia que ia parar o meu coração. Toda a minha vida, todo o meu treinamento, todas as minhas batalhas, e nada, absolutamente nada, tinha me preparado para ver a pessoa que eu mais confiava me destruindo daquela forma.
Eu devo ter dado um grito ao caír de joelho, pois de repente senti mãos me segurando, era Bianca e Lara, desesperadas, tentando tirar o celular da minha mão. Bianca olhou a tela por um segundo, gritou “Meu Deus!” e tampou a boca, começando a chorar.
Do outro lado da linha, Isis ainda gritava, sem entender nada:
— Lara! O que foi? Por que vocês tão gritando? Deixa eu falar com ele, por favor, me explica o que está acontecendo!
Lara, com a voz embargada, chorando muito, respondeu:
— Isis... Meu Deus, Isis... Como você pôde? Tem vídeo, Isis... Tem vídeo de você, lá dentro... com ele... transando...
Isis deu um grito tão alto que doeu nos ouvidos:
— NÃO! NÃO! ISSO É MENTIRA! É MONTAGEM! ELES QUEREM NOS SEPARAR, EU JURO!
— Eu vi, Isis! Eu vi com os meus próprios olhos! Não tem como mentir... Você riu... Como você teve coragem de fazer isso com ele, com a gente? — gritou Lara, desesperada, e desligou o telefone na cara dela.
Eu não lembrei mais de nada depois disso. A escuridão tomou conta de tudo.
Quando abri os olhos, já estava no meu quarto, deitado na cama, apagado há horas. Lara estava sentada ao meu lado, segurando a minha mão, os olhos vermelhos de tanto chorar. Bianca estava na porta, quieta, com uma cara de tristeza profunda.
Tentei me levantar, mas meu corpo pesava toneladas. Minha cabeça doía, minha alma doía mais ainda. Peguei o celular que estava em cima da mesa, e tinha mais mensagens do mesmo número, áudios que eu não tinha ouvido ainda. Coloquei para tocar, com a voz embargada e debochada de um homem:
“É... o recado foi dado direitinho. Você matou o meu cunhado e meu irmão, o meu sangue, achando que era herói. Agora eu peguei o que era mais seu, o que você mais amava, e transformei na minha cachorra. Ela gosta, sabia? Veio atrás de mim com remorso pelo que você fez a eles pediu desculpas . Agora pode ficar com os restos, soldado. Ela é boa, não é? Fode muito bem, deve ter te enganado bonito.”
O outro áudio, em seguida:
“E quase tomei advertência na prisão, viu? Essa sua japonesa gosta de gritar alto, pedir para bater nela, pedir para eu acabar com ela. Acabei com esse cu virgem dela ontem , e ela pede toda semana. Você só pegou o que sobrou, otário. Agora segue a sua vida, se tiver coragem.”
Eu desabei na cama novamente. Tudo o que eu construí, tudo o que eu achei que era verdade, tudo não passou de uma mentira, de uma vingança planejada contra mim, usando a pessoa que eu mais amava. E o pior de tudo: ela não foi obrigada, ela quis. Ela foi atrás, ela mentiu, ela se entregou de livre e espontânea vontade.
Levantei devagar, tomei um banho gelado que não adiantou nada, a sensação de sujeira não saía de mim. Vesti a roupa, como de costume, e saí de casa antes do sol nascer, como sempre fazia. Lara tentou me segurar, falar comigo, mas eu não conseguia emitir som, não conseguia falar com ninguém.
Fui até a padaria da esquina, caminhando devagar, olhando para o chão. Eu só queria que tudo aquilo fosse um pesadelo, que eu acordasse e ela estivesse lá, sorrindo, me esperando com aquela franja linda dela o sorriso a energia positiva dela .
Dei os dois primeiros passos para abrir o portão, quando ouvi o barulho de uma moto chegando rápido demais. Não deu tempo nem de virar o rosto. Ouço os estouros dos tiros, o impacto no meu peito e na barriga, e tudo ficou preto de novo. A última coisa que eu ouvi foi o barulho da moto acelerando para fugir, cachorros latindo, e gritos de gente vindo ajudar.
Abri os olhos pela última vez, e Lara estava ali, segurando a minha cabeça no colo, chorando, gritando por socorro, desesperada. Eu tentei falar algo, explicar, pedir desculpa, mas a voz não saía, a vida já estava indo embora. Apenas olhei nos olhos dela, coloquei a mão fraca no rosto dela, e com toda a minha forca que restava sussurrei baixinho, colocando a mao em seu rosto : “Tudo bem...”
E então, apaguei de vez.
Em breve próximos capítulos ja estou perto de finalizar o próximo espero que tenham gostado