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Instinto primitivo - O começo

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Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 4439 palavras
Data: 22/06/2026 08:21:51

A pandemia começou do outro lado do oceano.

No início parecia apenas mais uma notícia ruim surgida em algum país distante, uma doença respiratória nova, agressiva, altamente contagiosa. Os apresentadores dos telejornais falavam sobre números, estatísticas e medidas de contenção enquanto especialistas discutiam possibilidades em painéis lotados. Ninguém parecia realmente preocupado, era o tipo de notícia que eu desligava quando começava no noticiário.

Uma semana depois, os primeiros casos apareceram em outros países, duas semanas depois, em outros continentes. Quando perceberam que os infectados transmitiam a doença antes mesmo de apresentarem sintomas, já era tarde demais.

A velocidade do contágio foi rápida. Eles fecharem os aeroportos, bloquearam as fronteiras, governos decretaram emergências nacionais, hospitais lotaram do da para a noite. As redes sociais se transformaram em um fluxo interminável de vídeos e teorias da conspiração.

Então as pessoas começaram a morrer, muitas, rápido demais. Em poucos meses, cidades inteiras pareciam fantasmas. Os serviços essenciais deixaram de funcionar e todos ficaram com tanto medo que saquearam mercados e farmácias antes de se trancarem em suas casas.

Noventa por cento da população mundial desapareceu em questão de dias. Eu era um desses que ficaram isolados, passei dias trancado dentro de casa. No começo ainda existiam notícias, os jornais não paravam de dar atualizações constantes, depois começaram as interrupções, os apresentadores desapareceram, as transmissões ficaram cada vez mais curtas, mais confusas e mais contraditórias, até que simplesmente pararam.

Meu celular permanecia ao meu lado praticamente o tempo inteiro. Eu ligava para meus pais várias vezes por dia. Às vezes a chamada nem completava. Em outras ocasiões tocava até cair na caixa postal. As mensagens continuavam marcadas como não entregues.

Meus pais possuíam uma casa de campo afastada da cidade. Durante anos aquele lugar serviu para fins de semana tranquilos, churrascos e férias curtas. Nunca imaginei que um dia pudesse se transformar no lugar mais seguro que eu pudesse lembrar.

As ruas estavam vazias, durante a madrugada, eu observava pela janela do segundo andar e via apenas escuridão. Percebi que permanecer ali era um risco, não precisava da doença para morrer, bastava alguém decidir que minha casa tinha algo útil.

Na manhã seguinte parei de esperar, separei tudo o que fosse útil aos meus olhos, coloquei tudo que coube no carro, suprimentos e ferramentas. Passei horas organizando o porta-malas e os bancos traseiros do carro. Estava prestes a entrar no carro quando o celular tocou, olhei para a tela, Kendra, uma velha amiga de infância e vizinha. Atendi imediatamente.

— Alô?

Por alguns segundos ouvi apenas respiração, depois a voz dela surgiu do outro lado.

— Achei que não ia atender — a voz saiu fraca, como se estivesse segurando o choro.

— Kendra?

— Eu vi você colocando coisas no carro.

Olhei para a rua através da garagem aberta, a casa dela ficava poucas residências adiante.

— Estou indo para a casa de campo dos meus pais.

— Você vai sozinho?

— Você está sozinha?

— Estou.

Fechei os olhos por um instante, não precisava perguntar sobre os pais dela. A resposta provavelmente era a mesma que eu vinha recebendo dos meus.

— Arruma suas coisas.

— O quê?

— Arruma suas coisas, estou indo te buscar.

Do outro lado da linha, o silêncio durou apenas alguns segundos.

— Obrigada.

Desliguei o telefone. Menos de cinco minutos depois, estava dirigindo pela rua vazia em direção à casa dela, Kendra já me esperava do lado de fora. Carregava uma mochila nas costas e uma bolsa tão cheia que parecia prestes a rasgar. Assim que parei o carro, ela abriu a porta e entrou rapidamente.

Por um instante permaneceu imóvel, então se virou para mim e me abraçou, com força. Seu corpo tremia, ouvi o primeiro soluço abafado contra meu ombro. Retribuí sem dizer nada. Alguns minutos depois, demos início a longa viagem. Assim que deixamos o bairro para trás, virei na direção oposta da rodovia principal.

— A estrada não é para aquele lado?

— É.

— Então por que estamos indo para cá?

— Porque tenho quase certeza de que quase todo mundo pensou em pegar a rodovia quando decidiram deixar a cidade.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos antes de olhar pela janela.

— E isso é ruim?

— Não precisamos passar por lá.

Não precisei explicar mais. Os últimos dias tinham mostrado do que as pessoas eram capazes quando acreditavam que estavam ficando sem tempo. Eu conhecia um caminho alternativo, era mais longo, mais lento e passava por diversas estradas rurais que costumava percorrer com meus pais quando era criança. Havíamos ido tantas vezes para a casa de campo que eu ainda lembrava da maior parte do trajeto sem precisar de GPS. Além disso, o GPS já não servia para muita coisa.

Os sinais estavam instáveis e a internet já não pegava mais. E eu não tinha a menor intenção de ficar preso em um congestionamento morto, vulnerável para os saqueadores. Conforme nos afastávamos da cidade, os sinais do colapso começaram a surgir, primeiro apareceram alguns veículos abandonados no acostamento, pequenos acidentes, carros abandonados com as portas abertas, tive certeza que, de relance, vi um corpo estirado no banco de trás de um carro, bem distante da gente, os vidros manchados de sangue. Desviei o olhar e não alertei Kendra, ela já parecia muito assustada naquele ponto. Em determinado momento a estrada rural se aproximou o suficiente da rodovia principal para que pudéssemos vê-la.

Foi então que Kendra começou a entender, centenas de veículos ocupavam todas as faixas visíveis, a fila desaparecia no horizonte. Um posto de combustível próximo havia sido completamente destruído, mais adiante uma coluna de fumaça escura ainda subia lentamente para o céu.

Kendra observou tudo em silêncio. Continuei dirigindo, quanto mais olhava para aquela rodovia, mais convicto ficava de que havia tomado a decisão correta. Seguimos por estradas de terra, por quilômetros. Kendra passou a maior parte da viagem olhando pela janela. Horas depois, uma curva revelou um trecho familiar da paisagem, meu coração acelerou imediatamente. Eu não queria admitir, mas durante toda a viagem havia imaginado os piores cenários possíveis, a primeira coisa que imaginei foi a casa completamente destruída.

A propriedade surgiu diante de nós, permaneceu exatamente como eu me lembrava, inteira. Abri o portão manualmente, voltei ao carro, atravessei a propriedade, estacionei diante da casa, tudo continuava igual. Peguei a chave e subi os degraus da entrada principal, destranquei a porta. O interior da casa nos recebeu com silêncio, o cheiro característico de uma casa fechada.

Entrei devagar, observei cada cômodo, corredor e porta do primeiro e segundo andar, absolutamente nada de anormal. A primeira coisa que fiz foi testar os interruptores, não esperava resultado algum, por isso quase tomei um susto quando a lâmpada da sala acendeu.

— Ainda tem energia? Não acredito — Kendra surgiu carregando as malas.

Testei outros interruptores, as luzes continuaram funcionando. Alguém ainda mantinha aquilo funcionando, ou talvez o sistema inteiro estivesse apenas demorando para morrer. Minha próxima preocupação era a água, o local possuía um poço próprio, liguei a bomba, esperei alguns segundos, a água começou a correr pela torneira da cozinha, limpa e transparente, nenhuma alteração, nenhum cheiro estranho. Mesmo assim permaneci desconfiado.

— Será que é segura? — Kendra encarava a água da mesma forma.

— Não faço ideia.

No fim decidimos não arriscar, ferveríamos tudo antes de consumir, quem iria garantir que a água não estivesse contaminada? Passamos o restante do dia trabalhando, abrimos janelas, retiramos poeira dos móveis, organizamos os suprimentos que havíamos trazido, verificamos armários, geladeira, freezers, despensas, nos acomodamos no quarto, fizemos listas de tudo que possuíamos. E quase não conversamos, quando falávamos, eram apenas frases curtas.

Quando terminamos de organizar os últimos mantimentos, o sol já havia desaparecido, a maioria das coisas já havíamos feito, sobrando apenas nós dois e nossos pensamentos. Preparei algo simples para o jantar usando parte dos alimentos que precisavam ser consumidos primeiro. Comemos em silêncio na mesa da cozinha. O som dos talheres parecia alto demais dentro daquela casa vazia.

De tempos em tempos eu olhava pela janela, nenhuma luz distante e nenhum barulho de carro, somente o silêncio do campo. Quando terminamos de comer, lavei os pratos com a água fervida enquanto Kendra secava tudo e guardava nos armários.

Apagamos a maior parte das luzes e seguimos para os quartos, demorei para dormir. Na verdade, não tenho certeza se cheguei a dormir de verdade, passei horas encarando o teto. Em algum momento da madrugada levantei da cama e fui até a varanda, a escuridão dominava tudo, as estrelas brilhavam acima de mim com uma intensidade que eu nunca havia visto na cidade. Voltei para o quarto pouco antes do amanhecer, continuei sem conseguir descansar.

Acordei cedo, ou talvez simplesmente tenha desistido de tentar dormir. Ao entrar na cozinha encontrei Kendra sentada à mesa, ela segurava uma caneca entre as mãos, parecia tão cansada quanto eu.

— Dormiu? — ela soltou uma pequena risada sem humor.

— Nem por um minuto.

— Eu também não.

Preparamos café da manhã utilizando parte dos alimentos perecíveis. Nos sentamos na sala numa pequena reunião urgente, precisávamos planejar, precisávamos pensar nas próximas semanas, talvez nos próximos meses ou anos.

— Vamos começar pela água — falei. — O poço continua funcionando normalmente, mas não sabemos se está contaminada ou não.

— Vamos continuar fervendo tudo, de qualquer forma — decidiu Kendra.

Concordei. Também resolvemos separar recipientes para armazenamento e criar uma reserva permanente dentro da casa. Se a bomba parasse de funcionar, pelo menos não ficaríamos sem água imediatamente. Passamos para a comida, fizemos uma lista completa do que tínhamos, alimentos congelados até os não perecíveis.

— Temos bastante coisa — Kendra falou, pensativa. — Por quanto tempo acha que vai durar?

— Talvez pelo mês inteiro se a gente racionar direito.

Balancei a cabeça, eram tantas coisas para pensar com tão poucas horas de sono, o mundo começava a parecer confuso. A conversa naturalmente chegou à energia, nenhum de nós conseguiamos entender como ela ainda estava funcionando.

— Você acha que alguém ainda está operando as usinas? — Kendra perguntou.

— Não faço ideia — esfreguei a cabeça. — De qualquer jeito, precisamos agir como se a energia fosse acabar agora mesmo.

— Se aprendermos a depender o mínimo possível de eletricidade, o baque não vai ser tão grande — ela concordou imediatamente.

Passamos a montar uma lista, juntamos qualquer coisa que pudesse fornecer luz, eletrônica ou não. Também identificamos alternativas para cozinhar, o gás de cozinha restante da casa não duraria por tanto tempo. Havia a churrasqueira, uma área de fogueira que ficava na área não coberta e um velho fogão a lenha que nunca recebeu tanta atenção.

— Sobre a comida, você já deve ter pensado a mesma coisa — Kendra se virou para mim. — Plantar seria a melhor opção a longo prazo.

— Sim, os estoques vão acabar de qualquer jeito, então precisamos produzir.

— Uma coisa que não vai faltar, vai ser terra — Kendra apontou para fora.

A propriedade possuía espaço de sobra, precisaríamos escolher uma área adequada e aprender a plantar, porém nenhum de nós entendia absolutamente nada sobre agricultura, mas isso não significava que não poderíamos aprender. Em seguida mencionei o lago, os olhos dela se iluminaram um pouco.

— Esse lago ainda existe?

— Existe.

— Quais as probabilidades de ter peixe?

— Espero que altas.

Pela primeira vez, nós rimos juntos, nem parecia que estávamos mais planejando suprimentos para o fim do mundo, parecíamos duas pessoas organizando um fim de semana na casa de campo. Decidimos explorá-lo nos próximos dias, se conseguíssemos estabelecer uma rotina de pesca, boa parte de nossos problemas alimentares estaria resolvida. Foi então que a conversa chegou à caça.

— Eu não gosto muito dessa ideia — ela retorceu a boca.

— Vou admitir, eu também não.

— Então podemos deixar em segundo plano — ela me encarou.

Peixes seriam prioridade, a caça seria apenas uma possibilidade distante, uma opção para situações extremas. Quando encerramos a reunião, o silêncio voltou a ocupar a casa, estávamos mais aliviados em relação ao dia anterior. Kendra encarava a mesa, seus olhos começaram a ficar vermelhos, primeiro vieram as lágrimas. Ela logo se levantou e foi para o quarto, eu não a segui, fiquei ali sentado no sofá. O futuro parecia tão incerto que eu queria fazer o mesmo que ela, mas fiquei ali encarando a janela imaginando por onde começar a colocar em prática todo esse planejamento.

Por um instante, acho que peguei no sono enquanto pensava demais, acordei no susto. Logo Kendra retornou para a sala.

— Desculpa por isso — ela se sentou ao meu lado, os olhos um pouco inchados e ainda vermelhos.

— Não se preocupa, acho que é normal sentir um pouco de medo nesse caso, certo?

Ela se jogou nos meus braços sem aviso, eu a abracei, da mesma forma quando ela entrou no carro.

— Nós vamos ficar bem — a voz dela voltou a embargar.

Ela chorou por alguns minutos, silenciosamente, até conseguir recuperar o controle.

— Não podemos ficar aqui chorando o dia todo — ela se afastou, enxugando as lágrimas. — Temos trabalho a fazer.

Concordei, nos levantamos e dividimos as tarefas do dia. Eu ficaria responsável por verificar as ferramentas da propriedade, avaliar o terreno ao redor da casa, inspecionar o lago e organizar os recursos externos. Kendra assumiria a despensa, o controle dos mantimentos, a separação de sementes e a preparação da casa para uma estadia prolongada. Tudo aquilo ainda parecia insuficiente, mas ja era um começo.

O primeiro mês passou mais rápido do que eu imaginava, preenchemos todos os dias com trabalho, todas as horas disponíveis, desde quando o sol nascia até quando escurecia. As vezes ligávamos a televisão para saber alguma notícia ou o rádio para saber se tinha alguma comunicação, mas anda chegava até nós.

A energia continuava funcionando o que foi uma mão na hora para usar as ferramentas elétricas. A água continuava chegando pelas torneiras.

A primeira semana foi dedicada à adaptação. Descobri rapidamente que sobreviver era muito diferente de assistir alguém sobreviver. Meu pai sempre pescou, eu o acompanhei inúmeras vezes durante a infância. Foi difícil retomar a prática, fazia tanto tempo, mas com o tempo me acostumei novamente.

Mas apanhei feio da linha e do anzol nos primeiros dias, voltava sem nada para casa. Kendra tentava não rir, nem sempre conseguia.

— Talvez os peixes tenham morrido também.

— Isso não melhora as coisas nem um pouco.

— Só estou querendo te dar um ânimo — ela respondeu, rindo.

Não demorou para que a pesca começasse a fornecer uma parte importante da nossa alimentação. Porém, a lenha se transformou em outro problema, todos os dias eu precisava cortar mais madeira, todos os dias precisava alimentar o fogo, todos os dias precisava acendê-lo novamente.

Enquanto isso, Kendra assumia o interior da propriedade, organizou os mantimentos, separou os alimentos por categorias e pela data de validade, catalogou praticamente tudo que possuíamos. Limpou cômodos que eu nem sequer havia visitado. Às vezes eu voltava de alguma tarefa externa e encontrava a casa diferente, limpa e organizada.

Na segunda semana percebemos uma verdade simples, a comida iria acabar antes do previsto, a urgência em produzir bateu a porta. Passei um bom tempo percorrendo a propriedade, observando o terreno, a maioria das áreas possuía algum problema que tornava o plantio inviável. Até encontrarmos um local que parecia adequado, uma área relativamente plana próxima da casa, recebia bastante luz durante o dia e ficava próxima o suficiente para ser monitorada constantemente.

Decidi construir uma cerca antes mesmo de tudo, não queria passar semanas trabalhando para depois descobrir que algum animal havia destruído tudo em uma única noite. Foi um trabalho cansativo, mas necessário. Enquanto eu construía, Kendra mergulhava em outro tipo de pesquisa, separava sementes, catalogava ferramentas, lia manuais antigos encontrados em armários esquecidos.

Alguns falavam sobre jardinagem, outros sobre agricultura básica, foi assim que descobrimos como encontrar o melhor terreno para plantar, tudo com os estudos dela.

Na terceira semana finalmente colocamos a mão na terra, preparar o terreno exigiu muito mais esforço do que eu imaginava. Kendra tentava ajudar nas tarefas mais pesadas, mas seu corpo simplesmente não acompanhava, ficava exausta muito rápida. Então acabamos dividindo as responsabilidades de forma natural, eu assumi tudo que exigisse força física constante.

Kendra assumia a organização dos recursos, a cozinha, manutenção da casa, armazenamento dos alimentos e os cuidados com a plantação depois que as sementes estavam no solo.

Cada um fazia aquilo que conseguia.

Quando a quarta semana chegou, percebemos que a sobrevivência havia se transformado em rotina. Começamos a acordar sempre no mesmo horário, tomávamos café, dividíamos tarefas, trabalhávamos durante o dia, jantávamos juntos, dormíamos e repetíamos tudo novamente na manhã seguinte.

A plantação começou a mostrar os primeiros sinais de vida, pequenos brotos surgiam da terra. Kendra pulou de alegria ao ver todo aquele trabalho dando algum resultado. O estoque de peixes também aumentou. A casa ficou organizada, parecia menos um refúgio improvisado e mais um lar. Às vezes eu me pegava observando Kendra caminhando pelos cômodos, realizando tarefas comuns, organizando objetos ou preparando alguma refeição simples.

Foi na quinta semana que aqueles sonhos começaram, eu não conseguia me lembrar dos detalhes, sabia apenas que Kendra estava neles. Todo dia de manhã eu acordava e dizia para mim mesmo que eram apenas sonhos aleatórios, mas não eram, ficavam cada vez mais frequentes, cada vez mais nítidos.

Naquela manhã, Kendra estava sentada do outro lado da mesa, mexendo distraidamente em uma das listas que havia criado para controlar os mantimentos. O cabelo estava preso de forma descuidada, algumas mechas haviam escapado e caíam sobre seu rosto, ela soprou uma delas para longe sem nem perceber. Percebi que estava encarando demais quando nossos olhos se cruzaram, tentei disfarçar, sem jeito.

— O que foi? — a voz dela fez meu corpo tremer.

— Hã?

— Você estava me encarando.

Desviei os olhos para minha caneca.

— Só estava pensando.

Ela deu de ombros e voltou para suas anotações, mas pelo resto da manhã continuei me sentindo estranho. Os dias passaram, o trabalho continuou, os sonhos continuavam surgindo. Naquele ritmo eu dormia pensando nela e acordava do mesmo jeito, me perguntava o que estava acontecendo comigo.

Num dia a noite, Kendra foi para cama mais cedo, como sempre, eu organizei algumas coisas e fui me deitar também. Passando pelo corredor escuro, escutei alguns sons vindo do seu quarto, me aproximei da porta, os sons pareciam molhados, alguns gemidos baixos. Meu olhos se acostumaram com a escuridão e então, pela porta entreaberta, vi ela se masturbando. Os gemidos e os movimentos pareciam se intensificar, parecia que iria gozar. Me dei conta que estava apertando meu pau por cima da bermuda, corri para o meu quarto, melhor não ficar ali tanto tempo para ela não me perceber.

Naquela noite não consegui dormir muito bem. Quando meus olhos pesavam, parecia ouvir os gemidos dela no pé do ouvido, acordava na mesma hora. A forma como ela se contorcia na cama. Para finalmente dormir em paz, também me masturbei, a única coisa que vinha a minha cabeça era ela, os gemidos, os sons molhados. Gozei como nunca.

Me limpei e finalmente consegui dormir. Naquela noite não sonhei com ela.

Acordei no outro dia, fui ao banheiro e depois desci para a cozinha, o café estava feito, mas Kendra não estava lá, comecei a procurá-la, a porta de acesso para a parte externa ainda não havia sido aberta, então provavelmente ainda estaria dentro da casa. Fui até seu quarto, a porta estava trancada, quando fui bater, a porta abriu de repente.

Dei de cara com Kendra, mas ela não pareceu surpresa em me ver ali, parecia me esperar. Um detalhe que me chamou a atenção, ela estava sem roupa nas partes baixas, fiquei olhando por tempo demais, subi os olhos, ela usava apenas um top folgado, olhei para o seu rosto, percebi que estava um pouco ofegante, o cabelo preto um pouco bagunçado.

— Eu mal consegui dormir a noite — ela sorriu. — Eu estou sentindo um tesão desgraçado desde que cheguei nesse lugar.

Ela me agarrou pelo colarinho da camisa e me puxou até ela, me inclinei com a força do puxão, nossos lábios se tocaram, mas não nos beijamos. Ela respirou fundo.

— Eu não quero fazer nenhuma besteira — ela riu de novo. — Mas eu preciso transar agora e o único homem aqui é você.

Eu não respondi. Um detalhe que esqueci de comentar, realmente, aquele lugar de alguma forma, mexeu comigo também. Na quinta semana, os sonhos surgiram, talvez pelo tesão reprimido que tentava conter, era só eu e ela naquela casa, a ideia era interessante. Tentava não pensar naquilo, era inútil. Mas não achava que ela pensava da mesma forma.

Agarrei Kendra pela cintura, as mãos dela foram para a minha nuca, ali cravamos nosso beijo, o primeiro de muitos. A empurrei até a cama e ela se deitou, desajeitada. Desci até seus peitos, abaixando o top folgado, os peitos balançavam um pouco, os bicos duros apontadas para o teto, a pele arrepiava conforme ia descendo com a boca pelo seu pescoço até chegar neles. Mordiquei um, lambi o outro, ela forçou minha cabeça contra seu peito e eu aproveitei para chupá-los o máximo que conseguia. Subi e voltei a beijá-la, ela retribuía com uma fome avassaladora, chegava a chupar meu lábio e a morder.

Abri as pernas dela, uma das mãos foram até a buceta completamente melada, enfiei um dedo sem dificuldade, o segundo encontrou um pouco de resistência, mas logo foi engolido. Comecei a masturbá-la rápido, com força. Ela gemia alto na certeza de que ninguém escutaria, em poucos segundos ela gritava, gozando na minha mão.

Me afastei um pouco e tirei a minha roupa, ela aproveitou e tirou o top, rapidamente se ajoelhando na minha frente agarrando meu pau com a boca, ela gemeu contra a cabecinha, senti toda a vibração percorrendo o corpo. Passei a mão em seu cabelo, puxando num rabo de cavalo. Deixei ela conduzir da forma que achava melhor, no caso, ela engoliu todo o meu pau de uma vez, bateu os lábios nas bolas e tirou da boca de uma vez. Fez um breve contato visual antes de voltar a engolir minha pica inteira de novo, dessa vez não tirou tão breve da boca, continuou ali mamando, chupando, um pouco de saliva escorria pelos cantos da boca. Aproveitei para foder um pouco sua garganta, puxei o rabo de cavalo e comecei a mexer os quadris, a fodi da mesma forma que iria foder sua buceta daqui uns minutos. Os olhos dela começaram a lacrimejar a cada estocada, chegando fundo na sua garganta. Tirei meu pau de uma vez e a forcei a se levantar, puxando-a pelo cabelo e a jogando na cama.

Ela riu, se ajeitou na cama e ficou de quatro, a bunda empinada para mim, arrebitada para cima num convite para foder. Mas antes, me agachei e mergulhei a língua em sua buceta, desci tentando achar o clitóris, o rosto enterrado na entrada na buceta melando qualquer coisa que encostasse ali. Subi e suguei o mel, subi novamente dando linguadas em seu cuzinho.

Agora sim, me levantei, posicionei meu pau na entrada, antes que eu pudesse enfiar a cabecinha, ela jogou todo seu corpo contra mim, quase me desequilibrei e cai, mantir as pernas firmes e vi meu pau completamente atolado em sua buceta. Kendra gemeu alto, apertou o lençol com as mãos, foi um choque para ambos, também estremeci quando senti meu pau todo engolido por aquela buceta faminta.

Agarrei a cintura e comecei a foder no mesmo instante, Kendra arqueou as costas, levou as duas mãos até a bunda e separou as nádegas, me dando uma vista privilegiada do meu pau desaparecendo dentro dela e do cuzinho piscando. Tirei uma das mãos da sua cintura e comecei a estapear sua bunda, não parando de meter um segundo sequer, foi ai que ela começou a gozar, começou a se contorcer, tentou fechar as pernas, gemia alto, no fim, apenas caiu de lado.

A buceta melada escorria um pouco do mel, percebi isso quando ela se deitou. Mas não tive muito tempo, pois ela logo se recuperou.

— Deita — ela falou, baixo, quase rosnando.

Obedeci, ela veio engatinhando olhando no fundo dos meus olhos, como se fosse uma gata. Se posicionou em cima de mim, meu pau apontava para o teto, foi apenas uma sentada para ela engolir meu pau com a buceta novamente. A puxei para perto, a beijei de novo, misturando os sabores nas nossas bocas, juntos as línguas serpenteando, aquele beijo voraz, o mesmo do início, chupando línguas, mordendo os lábios. Passei a foder Kendra com com mais força, tinha certeza que o barulho do choque no meu corpo batendo no dela poderia ser ouvido até fora da casa. Ela se afastou de mim, apoiando as mãos no meu peito, me olhava com tal luxúria que sentia cada vez mais a necessidade de chegar cada vez mais fundo nela.

Parei um pouco, senti os quadris cansados, mas ela não perdeu tempo, se apoiando no meu peito, começou a sentar, com força, os barulhos não paravam por nada, ou era eu fodendo ela, ou era ela quicando no meu pau com força.

A joguei de lado, a virei de uma vez e levantei sua perna ficando de ladinho. Ela virou o rosto e voltou a me beijar, no mesmo instante minha pica voltou para dentro dela, voltei a fodê-la e comecei a masturbá-la focando em seu clitóris. Ela gemia feito louca, mas não a culpava, tínhamos liberdade para gritarmos o quanto quiséssemos.

Mais um pouco e Kendra gozou no meu pau de novo, a buceta me apertando era demais, tirei e comecei a gozar em cima do seu abdômen. Desfalecemos na cama, cansado, ofegantes, completamente suados.

— Pega um pouco de água... — ela fez uma pausa para respirar. — Antes da gente continuar.

Só ali que percebi que minha garganta estava seca também. Desci correndo as escadas e peguei uma jarra com água, voltando na mesma velocidade, quase arrematamos a jarra inteira de uma vez. Coloquei a jarra no canto e voltei meus olhos a ela, ela me encarava da mesma forma de quando a porta de seu quarto se abriu, com fome. Meu pau já voltava a ficar duro.

Naquele dia, não houve trabalho nenhum, a única coisa que fizemos foi transar o dia inteiro, liberando todo aquele tesão reprimido do decorrer das cinco semanas. Começamos em seu quarto, fomos para o corredor, depois para a minha cama, em algum momento estávamos no banheiro, descemos para as escadas onde minhas costas doeram um pouco e, por fim, a fodi de quatro no sofá.

Não sei quantas vezes gozei, não sei quantas vezes ela gozou. Só sei que, quando o sol foi embora, ainda estávamos trepados um ao outro, mal trocamos palavras durante todo esse tempo, e o que falávamos era puramente sacanagem.

Naquele dia, passamos o dia inteiro trocando olhares, fluidos e prazeres.

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