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A SOBRINHA DO PADRE

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Um conto erótico de Claudio_New
Categoria: Heterossexual
Contém 955 palavras
Data: 22/06/2026 09:04:35

A velha gorda e simpática, a sobrinha do padre, não sei como a encontrei, não me lembro o que aconteceu até toparmos um com o outro, naquela biblioteca – um simulacro metonímico daquela em que ela trabalhava e onde eu a conheci, muitos anos atrás.

Ela estava, bonachona e sorridente, como quando a conheci, conservadora e reclamona da juventude como quando nos habituamos um com o outro e até nos fizemos amigos, de tanto eu ir vê-la, todos os dias quase. Ela estava, distribuídas suas banhas por sobre a cadeira, olhos baixos, voltados para um livro que parecia ler com irrestrito interesse.

Era uma Bíblia ilustrada. Aberta na página que estampava as figuras icônicas de Adão e Eva, e seus respectivos e providenciais galhos de um arbusto qualquer, a cobrir sua genitália aos leitores. Eva estava com uma maçã mordida na mão: já havia acontecido o pecado original. Depois disso, haveriam de se descobrirem nus, e a rola dele endureceria, e a buceta dela se encharcaria, e antes ou depois da expulsão do paraíso, trepariam com o tesão de se desejarem, mais do que com a determinação de preservação da espécie.

Isso tudo imaginei no átimo em que flagrei as páginas que a mulher tinha sob seu olhar atento. Deveria estar lendo o texto, a figura guardando para posterior deleite visual. Quem sabe abrira só pela ilustração, e a fixa visão era mesmo para o por trás dos galhos... Vai saber o que a velha e gorda sobrinha do padre tinha passando pela sua cabeça tão antiga...

Aproximei-me e a cumprimentei, chamando-a pelo nome: Honorina. Ela não pareceu ouvir, tão absorta que demonstrava estar sobre o livro. Mas segundos depois de certa imobilidade, levantou os olhos e topou com os meus e o meu sorriso. Ela também sorriu abertamente, como quem se imbeciliza diante de algo a que muito quer bem. Seus olhos brilharam faiscando, por trás das lentes encaixadas no metal desgastado dos óculos e um som gutural inaudível ecoou de sua garganta.

Num impulso repentino, como pela propulsão de uma mola no rabo, pulou da cadeira e atirou-se em minha direção. Seus amplos seios balançavam-se dentro da blusa branca, atacada até o pescoço, e seu corpo redondo, imenso e farto em carnes e gorduras projetou-se em minha direção, braços abertos como os de Cristo na cruz, mas com muito mais e vivas pelancas a se remexerem.

E me abraçou fortemente. Tentei circundar seu vasto corpo com meus braços, não o conseguindo por completo, mas prendendo-a ao meu corpo. Seu abraço demorou, sua alegria em me ver a impedia de me soltar, sequer de aliviar a força com que me segurava.

O abraço virou dança, rodopiando pela sala, carregando-me em sua euforia, eu preso ao seu corpo e rodando junto. Em pouco, meus pés não mais estavam no chão, e eu era um pedaço de gente girando pela força da velha e gorda sobrinha do padre.

E de tanto me rodar junto com ela, e meu corpo estar junto do seu, no aperto de saudade, senti a excitação endurecer-me o pau. E eu achando bom o roçar da minha rola sobre a vasta carne de sua barriga, e mesmo sem sentir desejo de fodê-la, não me preocupei em disfarçar minha ereção. Ela decerto sentia o duro de minha pica contra seu corpo balofo, e isso a incitava a me girar mais e mais, no salão, dentro do seu abraço, tendo o meu corpo preso pelos seus braços – eu afundado no volumoso dos seus seios.

Quando achou o bastante, ou quando a labirintite a avisou que ela não tinha mais idade para tantos rodopios, parou de girar, mas ainda me manteve preso ao seu corpanzil por um bom tempo, matando a saudade e sentindo minha rocha cutucando suas carnes flácidas da barriga.

Finalmente me soltou, nos separamos e nos olhamos. A velha e gorda sobrinha do padre era só alegria em seus olhos brilhantes e em seu sorriso de todos os dentes. Com a mesma intensidade da dança, tomou meu rosto entre suas mãos rechonchudas e fez estalar dois demorados beijos em minhas faces levemente afogueadas e coradas.

Depois mais um abraço forte, para concluir o ritual, e nos sentamos, ofegantes, ela na cadeira onde estava quando cheguei, eu numa vazia ao seu lado. E nos olhamos, embebidos um do outro, deixando que a saudade gritasse toda sua força, que a energia acumulada pela longa ausência se diluísse, e esperando que alguma coisa pudéssemos nos dizer.

Mas nada nos falamos, no começo. O prazer do reencontro alimentava a rigidez do meu membro; não sei se ela também estava excitada, molhada em sua nutrida buceta virgem de carola sobrinha do padre. Somente depois, mais calmos e nos acariciando braços e mãos, como em busca da certeza de que estávamos realmente ali, um diante do outro, em carnes e osso, é que nos dissemos de nossa saudade e atropelando informações desencontradas e aleatórias sobre nossas vidas.

Conversamos um pouquinho de nada, diante da eternidade que nos separara. O relógio de nossas vidas avisou-nos do termo do encontro, e mesmo dele discordando, obedecemos-lhe: levantei-me e a abracei sentada, reprimindo meu infantil desejo de sentar no seu colo de vastas coxas.

Apertei seu rosto redondo contra meu peito, suas lágrimas deixando uma mancha na minha camisa branca, e me separei do seu corpo em meio a breves despedidas e protocolares (mas mentirosas) promessas de nos vermos de novo, com mais tempo.

Deixei-a diante do seu quadro do Éden estampado nas folhas da bíblia e me afastei, descendo a escadaria aos saltos, com um nó na garganta, a rola ainda rígida sob a calça, e a felicidade batucando no meu peito, por ter reencontrado a velha e gorda sobrinha do padre.

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