A primeira vez que bateram na porta de Rafael foi numa terça-feira chuvosa.
Os dois missionários estavam encharcados, gravatas tortas pelo vento e sapatos que já tinham desistido de fingir ser impermeáveis.
Rafael abriu a porta com uma caneca de café na mão. Parou ao ver os dois rapazes de camisa branca.
— Ih… perdi alguma aposta cósmica?
O mais alto sorriu com educação treinada.
— Boa noite. Somos missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Eu sou o Elder Bennett.
O outro fez um pequeno aceno.
— Elder Vasconcelos.
Rafael observou os dois da cabeça aos pés.
— Vocês parecem protagonistas de filme indie religioso.
Nenhum deles respondeu imediatamente. Claramente aquilo não estava no manual missionário.
— Podemos deixar uma mensagem rápida sobre Jesus Cristo? — perguntou Bennett.
Rafael apoiou o ombro no batente.
— Sou ateu. E gay, já vou avisando pra economizar tempo.
A naturalidade com que ele falou pegou os dois de surpresa.
Vasconcelos tentou recuperar o controle da conversa.
— Nós conversamos com todo mundo.
— Corajosos. Gostei.
A chuva engrossou atrás deles. Rafael olhou para os sapatos molhados dos dois e suspirou.
— Tá. Vocês podem entrar cinco minutos. Mas se tentarem me batizar à força, eu mordo.
A casa parecia habitada por cinco pessoas e três gatos, embora existissem apenas um morador e um gato gordo dormindo perto da televisão.
Havia livros empilhados em equilíbrio duvidoso, plantas crescendo tortas nas janelas e quadros apoiados no chão porque aparentemente ninguém ali acreditava em furadeira.
Um vinil tocava baixo ao fundo.
— Então — disse Rafael, jogando-se no sofá — como funciona? Vocês leem um versículo e eu finjo interesse?
Bennett sorriu.
— A gente prefere conversar.
— Ah, pior ainda. Conversar exige esforço emocional.
Vasconcelos segurava firme o exemplar de O Livro de Mórmon como se aquilo ajudasse a manter o equilíbrio interno.
Rafael percebeu.
— Você é novo nisso, né?
— No quê?
— Em falar com gente caótica.
Bennett deixou escapar uma risada curta. Vasconcelos ficou vermelho.
A conversa começou formal: fé, propósito, oração.
Mas Rafael tinha o hábito irritante de responder tudo com sinceridade demais.
— Não consigo acreditar num Deus que cria pessoas diferentes e depois fica bravo com elas.
O silêncio caiu pesado por um instante.
Então Bennett respondeu, com cuidado:
— Acho que muita gente fala por Deus sem autorização.
Rafael arqueou a sobrancelha.
— Essa foi boa, Elder.
Cinco minutos viraram quarenta.
Quando os dois foram embora, Rafael fechou a porta convencido de que nunca mais os veria.
Estava errado.
Eles voltaram na semana seguinte.
E depois de novo.
E depois de novo.
Aquela casa acabou virando um território estranho onde as conversas saíam completamente do roteiro missionário.
Na terceira visita, Rafael abriu a porta antes mesmo da batida terminar.
— Elders! Entraram na minha programação semanal agora?
— A gente tava passando pela área — respondeu Bennett.
— Mentira. Vocês gostam do meu café.
Vasconcelos não conseguiu negar.
Com o tempo, Rafael descobriu pequenas coisas sobre eles.
Bennett era americano, mãe brasileira, do Oregon, e falava português rápido demais quando ficava nervoso. Vasconcelos era mineiro e tinha o hábito de alisar a gravata sempre que se sentia desconfortável.
Os dois tinham vinte anos, mas às vezes pareciam mais novos.
Principalmente quando Rafael provocava.
— Então vocês realmente não podem namorar durante a missão?
— Não — respondeu Bennett.
— Nem beijinho?
— Não.
— Nem olhar dramático na chuva?
Vasconcelos quase engasgou com o café.
— Rafael…
— Tô só estudando a cultura de vocês.
Apesar das brincadeiras, havia outra coisa crescendo ali.
Solidão reconhecendo solidão.
Na sexta visita, Bennett estava diferente. Quieto. Distraído.
Rafael percebeu antes mesmo dele sentar.
— Quem morreu?
Bennett soltou uma risada cansada.
— Ninguém.
Vasconcelos hesitou antes de explicar:
— Um cara gritou com a gente hoje cedo.
— Religioso?
— Ex-religioso.
Rafael fez uma careta compreensiva.
— Esses são os que gritam mais forte.
Bennett encarava as próprias mãos.
— Às vezes acho que as pessoas enxergam a gente como robôs.
— Porque vocês chegam sempre sorrindo igual catálogo de faculdade — respondeu Rafael.
Isso arrancou uma risada verdadeira dele.
O silêncio que veio depois foi confortável.
Rafael observou os dois sentados no sofá velho: camisas impecáveis, plaquetas pretas no peito, rostos jovens demais para tanta responsabilidade.
— Posso perguntar uma coisa? — disse ele.
— Claro — respondeu Vasconcelos.
— Vocês já tiveram dúvida?
Os dois se entreolharam. Missionários normalmente não respondiam aquilo com facilidade.
Mas Bennett acabou falando:
— Sim.
Rafael pareceu genuinamente surpreso.
— Sério?
— Fé sem dúvida não é fé — disse Bennett baixinho. — É só certeza automática.
Rafael ficou em silêncio por alguns segundos antes de sorrir de canto.
— Talvez vocês sejam os primeiros religiosos que eu consigo ouvir sem vontade de fugir.
Na oitava visita, Rafael já deixava café pronto antes deles chegarem.
Naquela noite, porém, Vasconcelos estava inquieto. Mexia na manga da camisa, evitava olhar direto para qualquer coisa.
Rafael percebeu imediatamente.
— Tá. O mineirinho tá processando uma crise existencial.
— Posso fazer uma pergunta? — perguntou Vasconcelos.
— Dependendo da pergunta.
Bennett já parecia nervoso sem motivo aparente.
Vasconcelos hesitou.
— Quando você fala sobre… amor.
Rafael inclinou a cabeça.
— Amor?
— Entre dois homens.
Bennett fechou os olhos por um segundo, como quem previa desastre.
— Elder…
— Não, eu só… — Vasconcelos respirou fundo. — Eu realmente quero entender.
Aquilo surpreendeu Rafael.
Não parecia debate religioso. Parecia confusão genuína.
— O que você quer entender exatamente?
Vasconcelos demorou alguns segundos antes de responder.
— Como você soube?
A chuva batia fraca na janela.
Bennett olhava para o teto como quem desejava teletransporte imediato.
Rafael apoiou os cotovelos nos joelhos.
— Passei muito tempo fingindo que certas coisas não significavam nada.
Ele sorriu pequeno.
— “Ah, admiro esse cara.” “Ah, quero passar mais tempo com ele.” “Ah, fiquei triste porque ele segurou a mão de outra pessoa.” Uma hora para de parecer coincidência.
Vasconcelos escutava com atenção absoluta.
— E aí você simplesmente aceitou?
Rafael riu.
— Não. Primeiro eu entrei em pânico por uns bons anos.
Bennett finalmente interrompeu:
— Rafael…
— O quê?
O americano esfregou o rosto, constrangido.
— A gente provavelmente não deveria estar falando disso assim.
Rafael arqueou a sobrancelha.
— Por quê? Acham que eu vou seduzir vocês com filosofia emocional?
Isso fez Bennett ficar ainda mais vermelho.
Vasconcelos percebeu e começou a rir.
— Elder Bennett fica nervoso fácil.
— Obrigado pela observação, companheiro.
Rafael observou os dois por um instante antes de estreitar os olhos.
— Espera.
Os dois olharam para ele.
— Faz quase dois meses que vocês aparecem aqui. Quais são os primeiros nomes de vocês?
Bennett respondeu imediatamente:
— Missionários normalmente não usam—
— Eu sei. Regras, formalidade, representantes da igreja. Já ouvi tudo isso.
Rafael apontou para os dois.
— Mas isso aqui deixou de ser visita missionária faz tempo.
Os dois se entreolharam.
Aquilo era verdade demais.
Vasconcelos mexeu desconfortável na gravata.
— Não pode sair daqui.
Rafael colocou a mão no peito dramaticamente.
— Meu Deus. Informação confidencial da igreja.
Bennett suspirou, derrotado.
— Ethan.
Rafael sorriu.
— Combina com você.
O americano encarou a própria caneca para evitar contato visual.
Então Rafael virou para o outro.
— E você?
Vasconcelos hesitou mais, como se estivesse entregando algo importante demais.
— Adriano.
Rafael piscou.
— Você realmente parece um Adriano.
— O que isso significa?
— Não sei explicar. Energia de Adriano.
Até Ethan riu.
Rafael se levantou para pegar mais café. Quando voltou, encontrou os dois sentados lado a lado no sofá velho, tentando manter a postura impecável enquanto claramente já se sentiam confortáveis demais naquela casa.
Ele entregou as canecas.
— Sabe o que é engraçado?
— O quê? — perguntou Ethan.
Rafael sorriu de canto.
— Vocês vieram aqui achando que iam me ensinar sobre Deus.
Ele olhou para os dois por um instante.
— Mas às vezes parece que vocês estão aprendendo como ser pessoas normais.
Rafael se levantou para pegar mais café, mas em vez de voltar logo, desapareceu no corredor por alguns minutos. Quando retornou, não estava mais com a camiseta velha e calça de moletom. Usava apenas um roupão preto curto de seda, amarrado frouxamente na cintura, o tecido fino marcando os ombros e deixando as pernas à mostra. O decote aberto revelava parte do peito liso e um pouco de pelos.
Ethan e Adriano ficaram imóveis no sofá.
— Rafael… o que é isso? — perguntou Ethan, a voz mais alta que o normal, já em modo defensivo.
Adriano desviou o olhar imediatamente, apertando a caneca com força.
— Tá calor pra caralho hoje — respondeu Rafael, casual, sentando-se na poltrona em frente a eles com as pernas cruzadas. O roupão subiu um pouco nas coxas. — E eu tô em casa. Vocês já me viram pior.
— A gente… a gente não deveria estar aqui vendo isso — murmurou Adriano, o rosto ficando vermelho. Ele alisava a gravata sem parar.
Ethan tentou manter a compostura missionária:
— Rafael, você sabe das nossas regras. Isso não é apropriado. Nós somos representantes da Igreja e…
Rafael riu baixo, inclinando a cabeça.
— Relaxa, Elder Bennett. Ou melhor… Ethan. Eu não vou te obrigar a nada. Mas vocês dois voltam aqui toda semana faz tempo. Conversam comigo sobre dúvida, sobre amor, sobre solidão… e agora ficam nervosos porque eu tô de roupão?
O silêncio ficou pesado. Ethan engoliu em seco, olhando para qualquer lugar que não fosse as pernas de Rafael. Adriano parecia travado, as mãos tremendo levemente na caneca.
Rafael se levantou devagar e parou na frente deles. O roupão se abriu um pouco mais no peito.
— Vocês são jovens. Bonitos. Cheios de regras. Eu vejo como vocês me olham quando acham que eu não tô vendo. Principalmente você, Adriano… sempre demorando um segundo a mais quando eu falo de desejo.
Adriano abriu a boca para protestar, mas só saiu um som abafado.
Ethan tentou se levantar:
— Acho melhor a gente ir embora.
Rafael colocou a mão no peito dele, gentilmente empurrando-o de volta no sofá.
— Ou vocês podem ficar. Sem pressão. Só… curiosidade. Vocês já se perguntaram como seria? Sem gravata. Sem manual. Só três caras numa sala.
O ar mudou. Ethan respirava mais rápido. Adriano estava visivelmente duro por baixo da calça social, o que o deixou ainda mais envergonhado.
— Isso é pecado… — sussurrou Adriano, mas a voz saiu fraca.
— Então peca gostoso — respondeu Rafael, abrindo o roupão devagar e deixando ele cair no chão. Estava completamente nu por baixo, o pau já meio duro.
Ele se aproximou primeiro de Adriano, que não recuou. Rafael segurou o queixo dele com delicadeza e deu um beijo lento. Adriano resistiu por dois segundos… depois gemeu baixo e correspondeu, inseguro no início, depois faminto.
Ethan observava, paralisado, a mão apertando a própria coxa.
— Ethan… — chamou Rafael, estendendo a mão. — Vem cá.
— Eu não posso… — murmurou ele, mas já estava se aproximando.
Rafael puxou os dois para o sofá maior. Beijou Ethan em seguida, mais agressivo, enquanto a mão descia para abrir a camisa branca do americano. Adriano, como se tivesse perdido o freio, começou a beijar o pescoço de Rafael, as mãos explorando o peito dele.
As gravatas foram arrancadas. As camisas brancas jogadas no chão. Calças abaixadas. Os dois missionários estavam duros, os paus latejando — Ethan com uma rola grossa e rosada, Adriano um pouco mais comprida e curvada para cima.
Rafael se ajoelhou entre os dois missionários, alternando o pau de Ethan e o de Adriano com a boca, chupando um enquanto masturbava o outro. Ethan gemia alto, a mão enfiada no cabelo dele, toda a resistência missionária derretida. Adriano tremia, murmurando “isso é errado… meu Deus, isso é tão bom…” enquanto fodia devagar a boca de Rafael.
Eles levaram Rafael para o quarto e o colocaram no meio da cama.
Adriano foi o primeiro a perder completamente a vergonha. Deitou Rafael de lado, cuspiu na mão, lubrificou o próprio pau e entrou nele devagar. Rafael soltou um gemido longo quando o pau grosso do mineiro o abriu, centímetro por centímetro.
— Porra… você é apertado — grunhiu Adriano, segurando firme a cintura dele.
Ethan se ajoelhou na frente de Rafael, enfiando o pau na boca dele enquanto Adriano começava a meter com estocadas cada vez mais profundas e ritmadas. Rafael gemia abafado ao redor do pau de Ethan, o corpo balançando entre os dois.
Depois de alguns minutos, Rafael pediu para mudar. Ele empurrou Adriano de costas na cama e subiu em cima dele, sentando devagar no pau do mineiro. Enquanto cavalgava Adriano com movimentos circulares e profundos, Rafael puxou Ethan para perto e começou a chupar o americano com vontade, segurando a base do pau dele.
Os dois elders se entreolharam, hesitantes, mas o tesão falou mais alto. Ethan se inclinou para frente e beijou Adriano, primeiro tímido, depois com fome. As mãos deles começaram a explorar o corpo um do outro enquanto Rafael cavalgava e chupava.
— Troca de novo — pediu Rafael, ofegante.
Ele deitou de quatro. Adriano voltou a comer ele por trás, metendo fundo e forte. Ao mesmo tempo, Ethan se posicionou na frente de Rafael, fodendo sua boca. Mas o que deixou Rafael ainda mais excitado foi ver Ethan puxar Adriano para um beijo mais profundo enquanto os dois fodiam ele.
Em determinado momento, Rafael saiu debaixo deles e mandou:
— Agora eu quero ver vocês dois juntos.
Ethan e Adriano se olharam por um segundo, o rosto vermelho de vergonha e desejo. Adriano empurrou Ethan de quatro na cama e cuspiu no cu dele. Começou lambendo, depois enfiou o pau devagar. Ethan gemeu alto, apertando os lençóis, enquanto Adriano começava a foder o companheiro.
Rafael se ajoelhou ao lado, chupando o pau de Ethan enquanto ele era comido. Depois subiu e enfiou o próprio pau na boca de Ethan, fodendo a garganta dele enquanto Adriano metia no cu do americano.
Os três se embolaram de formas diferentes: Rafael comendo Adriano enquanto Adriano comia Ethan. Depois Ethan comendo Rafael enquanto Adriano chupava os dois. Bocas, cus e mãos trabalhando sem parar, gemidos, suor e pele batendo contra pele enchendo o quarto.
Rafael foi o primeiro a gozar, metendo fundo no cu de Adriano e enchendo ele. Adriano gozou logo em seguida, gemendo rouco enquanto gozava dentro de Ethan. Ethan, completamente dominado, puxou o pau e gozou forte no peito e na barriga de Rafael.
Os três desabaram na cama, corpos suados e entrelaçados, respirando pesado.
Adriano foi o primeiro a conseguir falar, quase sem voz:
— Isso… isso foi…
— Pecado mortal — completou Ethan, rindo cansado, ainda tentando recuperar o fôlego.
Rafael sorriu, passando a mão preguiçosamente nas costas dos dois.
— E vocês vão voltar semana que vem pra pecar de novo, né?
