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Algemado no Motel

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Da série O Galpão
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2079 palavras
Data: 23/06/2026 21:47:48
Assuntos: Gay, Anal, Oral, algema, Bondage, Motel

Leandro dirigia com uma das mãos apoiada no volante, a outra descansava perto do câmbio. Os dedos tamborilavam distraidamente, um hábito antigo. Eu conhecia todos eles: o jeito como ele franzia a testa quando pensava, o jeito como mordia o canto da boca quando estava nervoso, o jeito como fingia não estar prestando atenção quando, na verdade, estava ouvindo cada palavra.

— O que foi?

Ele perguntou sem tirar os olhos da estrada.

— Nada.

— Mentira.

— Você também pensa demais às vezes.

— Só quando você tá olhando desse jeito.

— Que jeito?

— Como se estivesse escrevendo um conto dentro da cabeça.

Ri, porque talvez fosse exatamente aquilo. Mais alguns quilômetros, mais alguns minutos. Até que ele entrou num posto de gasolina na beira da rodovia, luzes brancas, bombas antigas. Uma lanchonete quase vazia. Compramos refrigerante, dividimos um pacote de amendoim. Nos sentamos numa mesa de plástico do lado de fora, como dois adolescentes sem qualquer compromisso com o horário. Foi ali que a conversa mudou, sem aviso.

— Você vai embora mesmo, né?

Leandro perguntou, fiquei olhando para a lata gelada nas minhas mãos.

— Vou.

— Pra sempre?

— Ninguém vai embora pra sempre.

— Vai sim.

A resposta veio rápida, quase ríspida. Levantei os olhos, pela primeira vez naquela noite, havia tristeza no rosto dele. Uma tristeza simples, honesta, sem proteção.

— Algumas pessoas vão.

Ele desviou o olhar, observando os caminhões estacionados. As luzes distantes, qualquer coisa que não fosse eu. Naquele instante entendi uma coisa, talvez o medo de Leandro nunca tivesse sido o desejo. Nem os outros, nem os comentários, nem a cidade. Talvez o maior medo dele fosse o abandono.

O silêncio voltou, mas agora parecia cheio. Cheio de tudo aquilo que nenhum dos dois sabia dizer. Quando retornamos ao carro, a noite já avançava. O mundo parecia suspenso, pequeno, distante, só nós dois existíamos. Leandro ligou o motor, mas não arrancou imediatamente. Ficou olhando para frente, as mãos apoiadas no volante.

— Às vezes eu acho que a gente complicou tudo.

A frase saiu quase num sussurro, eu não respondi. Porque talvez fosse verdade, talvez fosse mentira. Talvez fosse as duas coisas. Ele virou o rosto, nossos olhos se encontraram. Por um segundo, talvez dois. E, naquele instante, não havia futuro, nem passado, nem despedidas, nem mudanças, nem propostas de emprego. Só aquela sensação antiga, perigosa, familiar. A sensação de estar exatamente onde eu queria estar, ao lado dele, mesmo sem saber por quanto tempo ainda seria possível.

_________

Chegamos ao motel já noite fechada, sem anúncio, sem conversa. Como se ambos soubéssemos que precisávamos de um lugar onde o mundo deixasse de existir por algumas horas. A porta do quarto 402 trancou com um clique metálico, que ressoou pelo quarto, isolando o mundo lá fora. E, pela primeira vez desde que entramos, ficamos sozinhos de verdade.

O quarto era simples, luzes indiretas, o ar-condicionado emitia um zumbido baixo e constante, competindo com o ruído abafado do tráfego na pista. Havia uma janela pequena demais para mostrar qualquer paisagem, o tipo de lugar construído para suspender a realidade.

Deixei a chave cair sobre a bancada de vidro fosco, o som ecoando no silêncio pesado do ambiente. A luz violeta do painel acima da cabeceira banhava o quarto em uma penumbra erótica, destacando a textura cafona de veludo da cabeceira e os lençóis esticados sobre a cama grande.

Leandro caminhou até a janela, olhou para fora, embora não houvesse praticamente nada para ver. Ele se encostou na parede, me observando dar uma volta pelo ambiente. Os olhos dele percorreram as minhas costas, a camisa do uniforme marcando a musculatura que se contraía a cada movimento.

— Você está nervoso – eu disse.

— Você também.

— Eu perguntei primeiro.

Ele riu, baixo.

— Justo.

A distância entre nós era pequena, mas parecia enorme. Porque não era desejo o que estava ocupando aquele espaço. Desejo era fácil, nós já sabíamos lidar com ele. O problema era todo o resto. As perguntas, as possibilidades, os medos.

— Sabe o que eu mais odeio em você? – ele perguntou.

— A lista é longa.

— Você transforma tudo em conversa séria.

— E você transforma tudo em piada.

— Funciona melhor.

— Só até parar de funcionar.

O sorriso desapareceu devagar. Ali estava, o verdadeiro assunto. Não a proposta, não a cidade, não o trabalho. O medo.

— Você pensa demais.

— E você pensa de menos.

— Talvez.

— Talvez.

O cheiro do quarto, uma mistura de desinfetante cítrico e aquele aroma adocicado típico de motéis, parecia aumentar a temperatura do ar. Parei diante de uma cômoda que havia ao lado da cama, por curiosidade, minha mão hesitando.

Sob a superfície, entre os pacotes de preservativos e pequenos frascos de lubrificante, repousavam objetos que brilharam sob a luz fraca. Um par de algemas de metal polido, rolos de fitas vermelhas e cordas trançadas. Peguei as algemas, o metal frio contra a palma da minha mão quente. O peso do objeto era real, sólido. Olhei por cima do ombro, o encontro dos meus olhos com os de Leandro carregando uma eletricidade que não precisava de palavras.

Leandro aproximou-se, devagar, sem pressa. Como se estivesse atravessando alguma fronteira invisível. Arrancou as algemas da minha mão com um movimento brusco, mas controlado. O som do metal batendo contra o metal do relógio que Leandro usava foi agudo.

Ficamos nos encarando, por um segundo, dois, três. E então ele segurou minha mão, só isso. Nenhuma urgência, nenhum gesto dramático. Apenas sua mão encontrando a minha. Foi ridículo, absolutamente ridículo. Porque depois de tudo o que já havíamos vivido juntos, aquele gesto simples parecia mais íntimo do que qualquer outra coisa. E mais perigoso também.

— Mateus.

— Hm?

— Eu não sei fazer isso.

Meu coração apertou.

— Fazer o quê?

Ele desviou os olhos, pela primeira vez naquela noite.

— Isso.

O silêncio completou a frase. Estar ali, sentir aquilo, gostar de alguém. Não saber onde colocar esse sentimento. E, pela primeira vez desde que o conheci, Leandro parecia menos o homem que eu idealizava, e mais apenas um garoto tentando entender a própria vida. Talvez fosse exatamente por isso que eu gostava tanto dele. Porque, naquele instante, nenhum de nós tinha respostas, mas, pela primeira vez, estávamos fazendo as mesmas perguntas.

Ele tirou a minha camiseta e, depois, segurou os meus pulsos, os unindo atrás das minhas costas. O clique do primeiro fecho prendeu o pulso esquerdo; o segundo, o direito. A restrição foi imediata. Testei a algema, o metal roçando na pele sob os meus ossos, a limitação física forçando o meu peito para fora, me deixando vulnerável.

Com os meus movimentos restringidos, Leandro pegou a fita vermelha. Com movimentos precisos, as passou ao redor do meu torso, cruzando o meu peito e as amarrando nas minhas costas, prendendo os meus braços algemados firmemente contra o meu corpo.

A fita apertava levemente a cada respiração minha, um lembrete constante da contenção. Leandro deslizou as mãos pelos meus ombros, descendo pelos meus braços amarrados até a cintura, sentindo o calor emanando através da minha pele.

Os lábios de Leandro encontraram o meu pescoço, não um beijo suave, mas uma mordida úmida que deixou uma trilha de saliva resfriando na minha pele. A língua de Leandro traçou o contorno da minha orelha, seus dentes roçando o meu lóbulo. Inclinei a cabeça para o lado, expondo mais a garganta, um convite silencioso. As mãos de Leandro desceram para a minha calça jeans, desabotoando o botão com um movimento rápido. O zíper soou como um rasgo no silêncio.

Leandro se ajoelhou, puxando a minha calça para baixo junto com a cueca, liberando a minha ereção que já pulsava. O ar frio bateu na minha pele exposta, contrastando com o calor da mão de Leandro que envolveu o meu pau, imediatamente.

Ele começou a me masturbar com movimentos lentos, apertando a base e deslizando a pele para cima, o polegar esfregando a minha glande úmida. Com a outra mão, Leandro alcançou o meu saco, segurando meus testículos com firmeza, os massageando, os puxando para baixo, aumentando a sensibilidade.

Soltei um gemido abafado, minha cabeça jogada para trás. A restrição dos braços impedia que eu tocasse em Leandro, me forçando a sentir apenas o que era dado a mim. Leandro se levantou e me empurrou para trás, me fazendo cair de costas sobre a cama. O colchão estalou.

Com os braços presos às costas, a minha posição era de total entrega. Leandro subiu na cama, se ajoelhando sobre o meu peito, desabotoando a própria calça e liberando o membro rígido que balançava próximo ao meu rosto.

Levantei o pescoço, me esticando para alcançar Leandro. Minha língua lambeu a ponta da pica, provando o salgado da babinha. Abri bem a boca, permitindo que Leandro entrasse, envolvendo a glande com os meus lábios quentes e úmidos.

Leandro segurou a cabeceira com as duas mãos, impulsionando os quadris para frente, penetrando a minha boca em golpes profundos. O som da sucção e o engasgo ocasional preencheram o quarto. Minha língua trabalhava freneticamente, pressionando a veia inferior, enquanto Leandro controlava o ritmo, usando a minha boca como extensão do seu prazer.

Depois de alguns minutos intensos, Leandro se recolheu, saindo da minha boca com um "pop" audível. Ele desceu pelo meu corpo, beijando o meu peito, mordendo os meus mamilos, descendo até a minha barriga (área em que sou mais sensível). Com as mãos, Leandro ergueu as minhas pernas, dobrando os meus joelhos e os empurrando em direção ao meu peito. A posição expôs o meu cuzinho, que se contraía em antecipação.

Leandro pegou um frasco de lubrificante da bancada. O som do plástico sendo aberto foi seguido pelo som gelatinoso do gel sendo espalhado nos dedos. Ele aplicou o lubrificante na minha entrada, um dedo frio entrando lentamente, preparando o caminho. Prendi a respiração, meus músculos relaxando à força para aceitar a invasão. Um segundo dedo se juntou ao primeiro, abrindo, alongando, roçando a minha próstata e fazendo o meu corpo todo estremecer.

Sem aviso, Leandro posicionou a glande no meu cuzinho. Empurrou. A cabeça da pica rompeu a resistência do meu esfíncter, deslizando para dentro do meu canal quente e apertado. Eu grunhia, os dentes cerrados, a sensação de plenitude tomando conta de todo o meu corpo. Leandro não parou até que estivesse totalmente enterrado dentro de mi, os quadris tocando as minhas nádegas.

O movimento começou devagar, quase todo para fora e depois mergulhando fundo. Cada golpe era um choque de prazer. O colchão rangeu em ritmo com as investidas de Leandro. O suor começou a brotar na pele de nós ambos, tornando o atrito dos corpos escorregadio. Leandro segurava as minhas pernas abertas, a fita vermelha ainda amarrada ao meu torso roçando contra o peito de Leandro a cada movimento.

A intensidade aumentou. Leandro acelerou, os golpes ficando curtos, rápidos e brutais. O som da pele batendo na pele — pac, pac, pac — era alto e úmido. Eu, com os braços presos, não tinha como me apoiar, apenas me entregava ao impacto. O prazer subia da base da minha coluna, se irradiando para as minhas coxas e o meu abdômen. O meu rosto estava contorcido, os olhos fechados, a boca aberta em um gemido contínuo.

Leandro mudou o ângulo, atingindo o meu ponto interno com precisão cirúrgica. Arqueei as costas o máximo que a amarração permitia, meu corpo todo rígido. O orgasmo se aproximou como uma maré. Leandro agarrou o meu pau, que estava duro e pulsando contra a minha barriga, e começou a me masturbar em sincronia com as investidas.

A explosão foi simultânea. Eu senti os testículos contraírem e o jato de esperma quente atingir o meu próprio peito e a barriga, contraindo o cuzinho em espasmos ao redor da pica de Leandro. A contração apertada foi o ponto final para Leandro, que se cravou fundo uma última vez, soltando um urro surdo, liberando o líquido denso dentro de mim.

Nós permanecemos imóveis por um momento, apenas o som da respiração ofegante preenchendo o quarto. O suor gelava na pele. Leandro se recolheu devagar, a sensação de vazio tomando conta de mim instantaneamente. Com cuidado, Leandro destravou as algemas, liberando os meus pulsos que agora estavam marcados por vermelhões circulares. Eu massageei os pulsos, meus músculos doloridos, mas o olhar em nós ambos ainda estava carregado da intensidade do que havíamos acabado de compartilhar.

Quando partimos, eu ainda não sabia se Leandro aceitaria a proposta de trabalho, mas já desconfiava de algo muito mais assustador: talvez o verdadeiro risco não fosse ele partir. Talvez fosse eu começar a querer que ele ficasse.

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