Mais uma semana se passou. Tudo estava nos conformes, a plantação continuava crescendo, Kendra fazia questão de verificar cada um dos brotos todas as manhãs. A pesca seguia rendendo, o estoque de comida permanecia estável e, contra todas as expectativas, a energia elétrica continuava funcionando.
A rotina da propriedade também havia mudado, ao invés de apenas trabalhar, tiramos um tempo para lazer. E com lazer, quero dizer, transar. Kendra e eu acabamos dormindo num mesmo quarto, pois ela começou a me acordar com a boca no meu pau, às vezes até cavalgando por cima de mim. O sexo virou rotina, desde a hora que acordávamos até a hora de ir dormir.
Às vezes também no meio da madrugada, ela me acordava querendo foder.
Confesso que o trabalho foi negligenciado e sofri um pouco para retomar, era melhor cortar madeira no sol leve da manhã do que aquele inferno do sol do meio dia.
Naquela manhã acordei antes de Kendra. A luz do sol atravessava parcialmente as cortinas do quarto, ela continuava dormindo profundamente ao meu lado, saí da cama com cuidado para não acordá-la e desci para preparar café. Passei pela sala ainda sonolento, esfregando os olhos, quando algo próximo à porta principal chamou minha atenção, um pedaço de papel.
Parei imediatamente, por alguns segundos imaginei que fosse alguma anotação perdida de Kendra, ela costumava fazer listas para tudo desde que chegamos ali. Me aproximei sem preocupação, peguei o papel, estava dobrado ao meio, abri distraidamente para ver do que se tratava aquela lista. Mas então percebi que a letra não era dela.
"Olá, vizinhos! :)
Moramos a aproximadamente 1 km ao norte de vocês. Gostaríamos de convidá-los para uma conversa. Quando puderem, passem por aqui. Em frente à casa existe um lindo jardim. Vocês saberão qual é. Obs: não é uma armadilha."
Meu coração acelerou, alguém havia estado ali, alguém chegou até a porta da casa e eu não tinha ouvido absolutamente nada. Subi as escadas rapidamente, quando entrei no quarto, Kendra começava a despertar. Ela se espreguiçou devagar, ainda sonolenta, e franziu a testa ao perceber minha expressão.
— O que foi? Viu um fantasma?
Sem responder, entreguei o papel, ela sentou na cama e leu o conteúdo. Observei sua reação mudar completamente, primeiro surpresa e depois veio um sorriso.
— Tem mais gente aqui — ela voltou os olhos inchados de sono para mim. — Mais gente sobreviveu.
— Sim, isso me preocupa um pouco.
— Você acha que é uma armadilha? — o sorriso dela diminuiu.
— Não vou descartar a possibilidade — me sentei ao lado dela. — Mas gostaria que fossem gente boa também.
— Esse final, é exatamente o que alguém tentando nos emboscar escreveria — ela releu o bilhete. — Foi uma mulher que escreveu.
— Como você sabe?
— Olha isso — ela apontou para as linhas. — A letra é organizada demais, foi escrita com calma, caprichado.
Observei novamente, de fato, a caligrafia parecia extremamente cuidadosa.
— Letra de homem não é assim — Kendra concluiu.
— Não sei não — me levantei. — Acha que a gente deveria ir?
Ela dobrou o papel novamente, o clima ficou mais sério. Até aquele momento o mundo havia se resumido à propriedade, ao lago e a nós dois, eu não estava pronto para essa expansão tão repentina.
— Se resolvermos ir lá — ela fez uma pausa. — Seria bom levar alguma coisa para nos defender.
Demorei alguns segundos para responder, então me lembrei.
— Acho que meu pai tinha um rifle guardado na garagem.
— Tem certeza?
— Mais ou menos, faz anos que não vejo aquela coisa.
— Ainda funciona?
— Espero que funcione, mas se caso não funcionar, vai servir para ameaçar.
Kendra levantou da cama imediatamente, menos de cinco minutos depois estávamos na garagem. Era provavelmente o único lugar da propriedade que ainda permanecia parcialmente bagunçado. Durante as semanas anteriores havíamos priorizado a casa, a plantação e os estoques, a garagem acabou ficando para depois.
Passamos a manhã inteira vasculhando armários, prateleiras e caixas esquecidas. Encontramos ferramentas, peças de reposição, materiais de manutenção, galões cheios de gasolina
— Ei, olha isso — Kendra me chamou com uma revista da playboy em mãos. — Seu pai tinha uma bela coleção.
— Cuidado que algumas páginas grudam — respondi rindo.
— Eu imagino — ela deixou a revista cair na mesma caixa velha em que pegou, fazendo cara de nojo. — Você deve ter se divertido muito com essas revistas.
— Quando era mais novo, sim — continuei procurando até achar o que poderia ser o rifle. — Achei!
Estava guardado dentro de um estojo rígido no fundo de um dos armários. Kendra apareceu ao meu lado imediatamente, abri o estojo, o rifle parecia surpreendentemente bem conservado, logo encontramos algumas caixas de munição e um kit de limpeza guardado junto dele.
— Sabe atirar com isso? — ela perguntou.
— Meu pai me ensinou uma vez — suspirei e tentei encaixar o rifle nos braços e mirei na parede. — Acho que não vai ser difícil.
— Você segurando assim já parece bem intimidador — Kendra tentou segurar a risada.
— A última vez que peguei esse rifle faz uns vinte anos.
— Ok, agora vamos acabar indo mesmo — ela suspirou.
Enquanto organizávamos tudo sobre uma bancada, algo chamou minha atenção, dobrado entre alguns documentos antigos havia um mapa da região, abri sobre a mesa. Boa parte das propriedades vizinhas estavam marcadas, estradas rurais, lagos, trechos de mata. Kendra observava tudo por cima do meu ombro quando seus olhos encontraram outra coisa, o carro.
— Acha melhor irmos de carro?
— Não — balancei a cabeça. — Quero economizar ao máximo a gasolina que temos para explorar a área depois.
— Mas é só um quilômetro.
— O carro deve ser reservado para emergências — continuei. — Ou para quando precisarmos explorar lugares mais distantes em busca de suprimentos.
— Faz sentido — ela cruzou os braços. — Chato!
Voltei meus olhos para o mapa, um quilômetro ao norte, não havia nada ali, provavelmente era uma propriedade construída depois de dois mil e dezessete, que era a data em que o mapa foi confeccionado.
Quando finalmente encerramos a busca na garagem, percebemos que sequer havíamos tomado café da manhã. Voltamos para dentro da casa, alguns minutos depois estávamos sentados à mesa da cozinha com duas canecas fumegantes e o bilhete entre nós.
— Quantas pessoas você acha que moram lá? — Kendra perguntou.
— Pelo que está escrito, passa a sensação de ser mais de uma pessoa.
— Duas?
— Espero que seja.
— Talvez uma família?
— Se for mais de duas pessoas, vai ser um pé no saco.
— É estranho — ela fechou a cara. — Saber que existem pessoas tão perto da gente e nunca termos visto ninguém.
Aquilo também havia me incomodado, durante mais de um mês, a região inteira pareceu vazia. Agora descobríamos que alguém morava a apenas um quilômetro dali.
Passamos os minutos seguintes levantando possibilidades. Quem eram aquelas pessoas? Há quanto tempo estavam ali? Como descobriram nossa presença? Será que haviam visto a fumaça do fogão a lenha? A plantação? As pescarias no lago?
— Se fossem pessoas perigosas, já teriam feito alguma coisa — disse Kendra.
— Não necessariamente, se quisessem roubar nossos mantimentos, poderiam simplesmente invadir a casa.
— Exatamente.
— A menos que sejam sádicos.
— Sádicos?
— Algumas pessoas gostam de brincar com a própria comida antes de comer.
— Que comparação horrível.
— Mas é possível.
— Você realmente acha isso?
— Não.
— Mas...
— Mas também não podemos descartar.
— Talvez estejam nos observando há algum tempo — ela voltou a observar o bilhete. — Para deixarem isso durante a noite sem serem percebidos, provavelmente já sabiam da nossa rotina.
No início da tarde decidimos ir, peguei o rifle, coloquei algumas munições no bolso, dobrei o mapa encontrado na garagem e o guardei na bolsa. Então deixamos a propriedade. A caminhada começou pela estrada de terra que seguia para o norte, eu permanecia atento a qualquer movimento, observava tudo ao redor como um paranóico.
Caminhamos por vários minutos sem dizer muita coisa, depois das árvores, uma construção apareceu ao longe, não parecia abandonada, havia cores naquele vasto jardim que ocupava toda a frente da propriedade.
As plantas estavam organizadas em canteiros perfeitamente cuidados, alguém dedicava tempo àquele lugar. Kendra diminuiu o passo, nos encaramos, nenhum dos dois precisou dizer nada, devia ser aquela casa e continuamos caminhando em sua direção. Tirei o rifle das costas e deixei em posição.
Kendra caminhava alguns passos atrás de mim, estávamos a poucos metros da entrada quando a porta da frente se abriu, parei imediatamente, Kendra também. Uma mulher surgiu na entrada, baixa, magra, cabelo loiro solto e um sorriso tão grande que mal cabia no próprio rosto.
— Vocês vieram!
Ela abriu os braços como se estivesse recebendo os amigos, por alguns segundos fiquei sem reação, não era exatamente o que eu esperava encontrar. A mulher desceu os degraus praticamente saltitando.
— Eu estava começando a achar que o bilhete tinha sido má ideia — ela nos observou de cima a baixo. — São só vocês dois mesmo, certo?
Olhei para ela sem responder, a mulher não pareceu se importar com o rifle apontado para ela. Kendra soltou uma pequena risada pelo nariz, a tensão dela diminuiu visivelmente. A primeira coisa que pensei foi que ninguém sobrevivia por tanto tempo sendo tão despreocupado.
— Entrem! — ela gritou, já voltando para dentro da casa e deixando a porta aberta.
Meu instinto dizia para permanecer do lado de fora, minha curiosidade dizia o contrário. No fim, subimos os degraus, atravessamos a porta e entramos na cozinha, meus olhos percorriam cada canto do ambiente procurando alguma ameaça.
Foi então que percebi movimento vindo do corredor, uma figura surgiu do interior da casa. Uma mulher, alta, acho que tinha a minha altura, perto de um metro e oitenta e cinco, talvez um pouco mais. Os cabelos ruivos caíam em cachos volumosos até a cintura, os ombros eram largos e a postura perfeitamente reta, mesmo por cima da roupa conseguia ver que o corpo dela era extremamente definido e tonificado. Ela parou no corredor, sacou o revólver na cintura no mesmo segundo em que viu o rifle apontado para ela.
— Abaixe a arma — a voz dela era calma.
— Você primeiro — rebati.
Os olhos dela permaneceram fixos nos meus.
— Abaixa o rifle — ela repetiu.
Nenhum dos dois cedeu, virei os olhos de cantos, Kendra estava escondida atrás de mim.
— Ah, não — a voz da mulher loira surgiu, logo ela apareceu e ficou perigosamente no meio da mira das duas armas.
— Sai da frente — a ruiva falou.
— Você não pode sair apontando essa arma para todo mundo, já conversamos sobre isso — a loira falava sem o menor medo, parecia não ter noção de perigo.
— Sai da frente — a ruiva insistiu.
— Eu convidei eles aqui para tomar um café — a loira insistiu. — Não para um tiroteio.
— Eles estão armados.
— E você também está — a loira colocou a mão na pistola e a outra no rifle, abaixando lentamente. — Vamos manter a calma e tentar ter uma conversa civilizada, pode ser?
A ruiva suspirou, olhou para a loira e depois para mim, então abaixou a pistola. Foi um movimento lento, continuei com o rifle erguido por mais alguns segundos, ela me encarou, foi até uma gaveta com tranca, abriu e deixou a arma ali dentro, fechou e trancou com a chave.
— Ótimo, agora vocês — o olhar da loira veio até mim.
A encarei de volta, então abaixei a arma também.
— Viu? Não foi tão difícil — a loira apontou para o rifle. — Pode guardar isso ai também, não vai precisar usar hoje.
Demorei um instante, mas concordei. Apoiei o rifle em um canto distante, longe o suficiente para que ninguém pudesse alcançá-lo rapidamente.
— Pronto — a loira sorriu e bateu uma palma. — Agora podemos tomar café como pessoas civilizadas.
— Vocês costumam receber todo mundo assim, apontando armas? — Kendra perguntou, saindo de trás de mim.
— Vocês estavam armados — a ruiva não hesitou.
— E vocês são as primeiras pessoas que vemos por aqui — a loira interrompeu. — Espero que não vire um costume apontar armas um para os outros.
— Mesmo assim, isso poderia terminar de uma forma bem ruim — Kendra insistiu.
— Tá, tá… isso já foi. Agora todo mundo ainda está vivo, então tecnicamente deu certo — a loira distoava completamente da forma rígida da ruiva. — Agora sentem-se.
A ordem veio da loira, simples, quase casual, a ruiva não discutiu, se moveu primeiro em direção à mesa. O grupo todo se acomodou nas cadeiras em volta da mesa.
A loira foi até a cozinha sem parar de falar sobre como a ruiva era cética, controladora e desconfiada. Minutos depois, ela voltou com uma bandeja, quatro xícaras. Percebi imediatamente que estavam de boca para baixo antes de serem preenchidas, e o café foi servido para os quatro na mesma garrafa. Baixa probabilidade de envenenamento, conclui mentalmente.
A ruiva percebeu o meu olhar desconfiado.
— Tá achando que vai ser envenenado? — o tom não era provocação, era curiosidade direta.
— Só estou tomando cuidado.
A loira colocou açúcar e leite na mesa como se nada estivesse acontecendo, Kendra observava tudo em silêncio.
— Isso é saudável, tomar cuidado, avaliar cenário, isso previne que você entre armado na casa dos outros — a ruiva riu. — Inclusive, podem relaxar, não tenho a necessidade de ter inimigos agora.
— Há quanto tempo estão aqui? — perguntei.
— Compramos esse lugar antes de tudo começar — a loira disse colocar algumas colheres de açúcar no café. — Exatos cinco meses antes da pandemia.
Ela tomou um gole antes de continuar.
— E vocês chegaram pouco mais de um mês.
— Como nos descobriram? — perguntei.
Por um instante, a loira e a ruiva se entreolharam, as duas riram. A ruiva, em especial, perdeu a postura de durona por alguns segundos.
— Primeiro pelo carro — disse a ruiva, logo recuperando a postura. — A gente viu vocês chegando pela estrada, tentamos ignorar, mas...
— Mas os gemidos da sua namorada são bem vigorosos — a loira continuou.
O rosto de Kendra ficou vermelho na hora, depois baixou o olhar lentamente.
— Tudo bem vocês terem suas relações íntimas, só tentem fazer menos barulho, ok? — a loira riu de novo, desta vez sem segurar. — Isso pode atrair atenção indesejada.
A ruiva e a loira se entreolharam e riram juntas novamente. Kendra e eu fizemos o mesmo, um olhar compartilhado de “podemos ser mais silenciosos”.
— Ok, o bilhete, porque nos chamaram até aqui? — tentei desconversar.
A ruiva tomou um longo gole do café antes de responder.
— Vi que conseguiram se estabelecer bem por aqui, levou um tempo, mas fizeram um bom trabalho — ela se inclinou um pouco, descansando os cotovelos sobre a mesa. — Temos recursos que vocês não têm, e vocês têm coisas que não temos.
— Querem fazer trocas? — assumi imediatamente.
— Exatamente — a loira assumiu a palavra. — Eu nem me imagino na beira de um lago pescando e ela não gosta de peixe.
— E o que vocês tem para oferecer? — Kendra questionou.
— Temos um galinheiro no fundo da casa, temos tanto ovo que mal conseguimos comer tudo na semana e acaba estragando — a ruiva continuou.
— Temos uma pequena estufa onde ela cultiva frutas e algumas hortaliças — a loira apontou para a ruiva. — E a plantação de vocês parece bem promissora, o que plantaram?
— Até o momento, batata, mandioca, abóbora, tomates — tentei lembrar tudo o que havia plantado nas últimas semanas.
— Algumas verduras também, alface — Kendra completou.
— Alface e tomates temos os nossos, mas o restante, podemos trocar — a loira continuou, levando o olhar para a ruiva. — Amor, temos mais alguma coisa para trocar?
— Por enquanto acho que é tudo — a ruiva levantou o olhar para o teto como quem estivesse tentando lembrar de algo.
Amor? É, duas garotas vivendo juntas, não seria estranho de fossem namoradas.
— Isso está indo melhor do que eu esperava — Kendra quebrou o silêncio. — Sinceramente, achamos que isso era uma emboscada.
— Não precisaria, se eu quisesse, invadiria a casa de vocês a noite e roubaria tudo o que pudesse — a ruiva riu.
— A gente imaginou isso mesmo, pensando agora, não fazia sentido ser uma armadilha e atrair a gente para cá — Kendra abaixou o olhar.
— Mas ficamos pouco mais de um mês vivendo a sós nesse lugar, então o bilhete foi uma surpresa, não tinha como não pensar que era uma emboscada — continuei.
— Isso até que faz sentido — a ruiva terminou o café num último gole. — Mas então, agradeçam a Sofia por essa parceria, se fosse por mim, continuaríamos sem nos encontrar.
— Sofia? — Kendra pareceu pensativa. — Verdade, acho que pulamos a etapa das apresentações.
— Bom, eu sou a Sofia.
— Lana — a ruiva respondeu, seca.
— Kendra.
Antes que eu pudesse falar o meu nome.
— Kendra, vem comigo, tenho algumas coisas que acho que você vai gostar — Sofia pulou da cadeira na hora e puxou Kendra pelo braço, as duas sumiram no corredor.
Ficou um silêncio desconfortável na cozinha com Lana e eu a sós. Ela me encarou.
— Antes que pergunte, sim, ela é minha namorada — Lana afirmou.
— Ok, mas não estava interessado em saber disso.
— Ótimo, quanto menos souber, melhor — ela se levantou e sinalizou para segui-la. — Eu já separei algumas coisas para vocês levarem.
A segui, em silêncio, até uma porta que levava aos fundos.
— A propósito, você tem um carro, certo? — ela abriu a porta e fomos para a parte externa.
— Sim.
— Ótimo, vai ser bom para as explorações, consegue me emprestar?
— Antes de entrar eu vi que vocês tem uma caminhonete.
— Precisa de alguns reparos e a bateria arriou.
— Se fosse gasolina, conseguiria ajudar.
— Temos um estoque de gasolina, comecei pegando dos carros tombados na estrada perto daqui — ela continuou andando até a estufa. — Para conseguir mais, a rodovia seria o melhor lugar, lá tem muitos carros, mas iria ficar muito exposta.
— Pensei o mesmo, um perigo desnecessário.
— Sim, então, pode trazer o carro para mim?
— Não.
Lana parou, se virou e me encarou.
— Não vou confiar meu carro para uma pessoa que acabei de conhecer.
— Eu deixo você ir junto.
— Eu com certeza vou junto — disse rindo. — Para onde quer ir?
— Tem uma fábrica por perto, eu estava planejando ir para lá antes da caminhonete dar problema.
Fomos até o fundo da estufa, onde tinha uma mesinha. Puxei o mapa da bolsa e abri nessa mesa.
— Um mapa! — ela chegou mais perto, observando. — Estava louca atrás de um desses.
— Está um pouco desatualizado — apontei o dedo para o ano de confecção do mapa. — Mas vai ser útil de qualquer forma.
— A fábrica fica por aqui — ela pegou uma caneta e fez alguns círculos no mapa. — Aqui ficam algumas casas abandonadas que possivelmente vamos achar coisa boa.
— Essa fábrica, o que tem lá? — perguntei, olhando a distância da fábrica até a nossa localização.
— Era uma fábrica de produtos farmacêuticos, pode ter produtos de higiene também
— Vai valer a pena então.
Ela parou e me encarou.
— Vocês estão fervendo a água do poço, não estão?
— Sim, estamos com receio de estar contaminada.
— A Sofia tem equipamento para checar se está contaminada, coisa do antigo trabalho dela — ela se apoiou na mesa. — Se quiser, pode trazer uma amostra.
— Isso seria de grande ajuda, pouparia muito esforço.
— Assim você fica devendo um favor para a gente.
— Não gosto de ficar devendo favores, o que quer em troca?
— Por enquanto nada, vai ficar me devendo essa.
O papo acabou ali, ainda me sentia desconfortável em ficar devendo um favor para uma estranha. Carregamos as coisas até a entrada, foi quando Kendra e Sofia retornam, Kendra carregava uma bolsa cheia nas costas.
— O que estavam fazendo? — perguntei a ela.
— Sofia queria me mostrar algumas roupas, acho que algumas vão servir em mim — ela abriu um sorriso maior que o habitual.
— Você vai gostar, seu namorado também — Sofia piscou para Kendra.
— Então, Kendra e eu não somos namorados.
— É, somos só amigos de infância.
— E então transando todas as noites? — Lana perguntou.
— Amigos com benefícios — Sofia retomou olhando para Lana. — Transam todos os dias, todas as noites, eu até vi eles transando no meio da plantação.
Esse dia foi atípico, percebi que estávamos perdendo muito tempo e negligenciando o trabalho, fui mexer com a plantação e simplesmente aconteceu de Kendra surgir com o fogo de sempre.
— Fora os gemidos, as vezes fica até difícil de dormir.
Kendra e eu tentamos desviar o olhar, envergonhados.
— Não precisam ficar envergonhados, eu e Lana também transamos — Sofia deu um tapa repentino na bunda dura de Lana, o estalo ecoou pela cozinha.
Lana a encarou sem dizer nada, vi um sorriso de canto surgindo.
— Fora que a gente mal tá conseguindo se controlar, igual a vocês.
— Chega, eles não precisam de detalhes — Lana a interrompeu.
— Estamos com um tesão insuportável desde que essa pandemia começou — Sofia continuou sem ouvir o comentário da namorada.
— Que estranho, tenho certeza que a mesma coisa está acontecendo com a gente — Kendra trocou olhares comigo.
— Isso explica os gemidos, só tentem ser mais discretos — Lana encostou na parede.
— É, discretos, lembrem-se, sem atenção indesejada — Sofia completou.
— E vocês podem parar de bisbilhotar a gente — olhei para o casal.
As duas se entreolharam, riram, mas concordaram. Peguei as sacolas mais pesadas, Kendra ficou com as mais leves e fomos até a entrada.
— Fico te esperando amanhã para trazer minhas coisas — Lana me chamou antes de partirmos. — E sobre a nossa ida até a fábrica?
— Fábrica? — Kendra surgiu.
— Sim, tem uma fábrica farmacêutica aqui perto, pode ter produtos de higiene e mais coisas úteis.
— Hum, isso seria interessante, mas perigoso — Kendra apertou a boca.
— Prometo que vou cuidar do seu namorado — Lana sorriu.
— Ele não é meu namorado... — Kendra tentou interromper.
— Eu também quero ir — Sofia surgiu do nada. — Me levem com vocês, por favor!
— Nada disso, você fica aqui — Lana nem deixou Sofia continuar.
As duas discutiram por um tempo, no final, Sofia foi completamente derrotada por argumentos. Nos despedimos e voltamos para casa.
— Aquela garota, Sofia, ela é um pouco doida — Kendra disse deixando as sacolas leves no balcão da cozinha e as bolsas com roupas no sofá logo ao lado.
— Também tive essa impressão.
— Você achou estranho a Sofia falar que também sentiu um tesão insuportável quando a pandemia começou?
— Estava pensando nisso agora, o que acha que pode ser? — parei de organizar as coisas e virei para Kendra.
— Não sei, também não faço ideia.
Continuamos organizando as coisas até o sol se pôr, também separei os mantimentos para levar até as duas no dia seguinte. No fim do dia, Kendra tomou banho primeiro, eu fui logo depois, tentei abrir a porta do quarto, trancada.
— Kendra? — bati a porta.
— Já estou indo — ela gritou de dentro do quarto. — Pode aguardar na sala, por favor?
Achei estranho, mas concordei. Fui até a sala, Kendra demorou alguns minutos para aparecer. Vestia uma roupa completamente depravada, sem camisa cobrindo os peitos, uma coleira, uma saia preta que mal cobria metade da bunda e uma meia calça.
— Nossa, onde arrumou essas coisas? — perguntei, passando os olhos por cada detalhe de seu corpo.
— Cortesia da Sofia — ela veio caminhando lentamente até mim. — Mas você nem viu a melhor parte.
Ela se virou de costas, rasgou a meia calça na parte da bunda e abriu as nádegas, um plug anal encaixado em seu cu. Fiquei em êxtase com aquela visão, me agachei atrás dela imediatamente, tentei puxar o plug, Kendra gemeu e deu um tapa na minha mão.
— Calma, temos a noite inteira — ela se virou de frente para mim.
— Não acredito que vou foder seu cu hoje.
— Você vai, precisa dar um descanso para a minha buceta — ela riu. — Está me esfolando viva todos os dias, sem parar.
Me levantei, minha boca indo ao encontro da dela, nos beijamos. Agarrei sua bunda e as mãos dela foram direto para o meu pau. A partir dali, não houve palavras, somente o peso dela me empurrando para trás, a força dela fez eu me sentir como um objeto do desejo, não pude negar que gostei daquilo. Ela me forçou a sentar no sofá, seus olhos tinham aquela fome de sempre, a expressão primal em seu rosto sempre me fazia estremecer. Quando me dei conta, já estava sem roupa, antes que eu pudesse respirar fundo, ela caiu de boca na minha pica.
Como sempre, a fome era tanta que engolia todo meu pau, sentia a cabeça estocar a garganta quente e molhada, um gemido baixo escapou da minha garganta. Sua cabeça começou a se mover num ritmo frenético, para cima e para baixo sem me dar tempo para processar, os lábios selados à volta da minha base pareciam me sugar para dentro cada vez mais. Sua língua também trabalhava muito, se enrolava na cabeça, trabalhava por toda a extensão do tronco e depois finalizava brincando nas bolas, repetindo todo o movimento de novo.
Kendra virou uma ninfeta, viciada em sexo, por todos esses anos de amizade eu nunca pensei que ela era desse jeito. Ou talvez se tornou assim com o fim do mundo, as vezes o desespero molda as pessoas.
Ela continuou me mamando, a sala tomada pelos sons obscenos, um misto de sucção molhada e os pequenos grunhidos que ela fazia no fundo da garganta, vibrando contra minha carne. A puxei pelo cabelo, forçando-a soltar meu pau, seus lábios estavam inchados e brilhantes, pediam por mais, os olhos semicerrados me encararam, ela estava ofegante de tanto engasgar na pica. Eu a puxei para um beijo, mergulhando minha língua em sua boca, ela retribuiu com a mesma ferocidade, mordiscando meu lábio inferior. Com um empurrão, a reposicionei de quatro no sofá, ela obedeceu a minha vontade sem precisar falar nada. Sem questionar, se virou e apoiou os cotovelos nas almofadas do sofá.
A saia preta estava me deixando louca, mal cobria a bunda, podia ter uma visão perfeita da buceta escorrendo, inchada e brilhando, assim como o plug reluzindo dentro do anel de couro. Com ela naquela posição, o tecido justo subiu, revelando o arco perfeito do seu rabo, meus dedos percorreram a curva das nádegas, um apertão e um tapa, ela gemeu. Passei para a outra, repetindo o tapa, dessa vez duplo. Logo me agachei, abri a bunda com as duas mãos, expondo-a completamente. Peguei gentilmente a base prateada do plug anal, encaixada firmemente em seu cu, tentei puxar, ela gemeu baixo. Senti a resistência, puxei de novo, as pregas apertadas e rígidas lutaram contra mim, mas no fim, eu venci, um pouco de força foi o suficiente para ver as pregas se alargando e deixando o acessório de metal sair. Ela gemeu mais alto, arqueando as costas, o buraco dela ficou aberto e por um instante, consegui ver o seu interior. Com o plug ainda em mãos, quente do corpo dela, empurrei de volta para dentro, lentamente, enquanto minha outra mão deslizava para baixo indo encontrar a buceta. Ela estava encharcada, meus dedos entraram sem esforço, e eu comecei a fodê-la com o plug ao mesmo tempo que dedilhava sua buceta, movendo em ritmos opostos. O corpo dela tremeu todo, e os gemidos agora eram contínuos, descontrolados, vocíferos com o orgasmo que a atingia.
Não aguentei mais, ainda enquanto ela gozava, tirei os dedos e o plug, jogando o brinquedo de lado, me posicionei atrás dela, meu pau pulsando ainda melado de saliva, minha mão encontrou a coleira depravada que ela usava, a puxei, forçando a cabeça dela para trás e o pescoço para se arquear. Meu pau beijou a entrada de seu cu, que ainda estava relaxado e aberto pelo plug, sem muito esforço, enfiei metade de uma vez.
Senti as pregas se alargando com o gemido desesperado de Kendra, ela sussurrava algumas palavras desconexas, ignorei e continuei empurrando centímetro por centímetro, sentindo o cu dela se abrindo para me receber, se moldando ao meu calor e ao meu tamanho. Aquele aperto era incrível, chegava a ser sufocante de tanto que me sugava para dentro, comecei a meter com movimentos curtos e lentos no início, aumentando a velocidade conforme ela foi gemendo mais alto, implorando para ter as pregas arrombadas. Eu obedeci, sempre obedecia, o ritmo das minhas investidas ficando mais forte de acordo com o seu desejo.
Ela passou a jogar seu corpo contra o meu, em uma dessas, me desequilibrei e fui um pouco para trás, foi a deixa para mudarmos de posição. Ela se virou e se levantou, me empurrou de costas no sofá, num segundo já estava em cima de mim, com uma mão na base do meu pau e a outra abrindo a bunda, os pés apoiados no sofá, de frente para mim, pude ver o exato momento daquele rabo engolindo meu pau de novo. Então, começou a cavalgar. Seus peitos balançavam no meu rosto, agarrei um com a boca, sugando com força, mordiscando o biquinho duro enquanto ela subia e descia, usando todo o peso do corpo para me foder. Ela controlava tudo, o ritmo, a profundidade, e eu apenas ficava lá, entregue à sensação avassaladora e a fome interminável daquela mulher.
Depois de alguns minutos que pareceram uma deliciosa eternidade, ela parou, sinalizou para eu me deitar no chão. Obedeci, como sempre, rapidamente deslizei do sofá e me deitei no tapete felpudo. Ela se ajoelhou sobre mim, mas em vez de se sentar, ela se agachou, os pés firmes no chão de cada lado do meu quadril, de cima, ela olhou para mim, um sorriso de pura safadeza no rosto, podia ver o bico do peito reluzindo com a minha saliva, mais para baixo o mel da buceta escorrendo nas coxas e o cu piscando, as pregas aliciadas. Então, ela desabou, quicou com uma força que tirou o fôlego, o som da bunda dela batendo contra a minha virilha, o barulho produzido era brutal, intenso. Ela usava as pernas para se levantar e cair, me fodendo com uma potência inacreditável que em poucos minutos, me fez sentir o orgasmo se aproximando.
Nas últimas quicadas, eu não aguentei mais, senti aquela onda de calor e logo comecei a preencher o cu dela, os jatos grossos de esperma se impregnando nas paredes do cu. Ela sentiu o meu orgasmo, passou a sentar com mais força e mais velocidade que eu nem sabia que eram possíveis para um ser humano, e num grito agudo de prazer, ela começou a gozar também, senti o rabo dela me apertar cada vez mais, como se estivesse ordenhando as últimas gotas de porra do meu pau. Aquele orgasmo foi violento, o corpo tremia, os olhos reviraram e ela continuou a se mover, mais devagar agora, até que ambos caímos no chão, ofegantes, cobertos de suor.
