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VESTIDOS BRILHANTES

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Um conto erótico de Claudio_New
Categoria: Heterossexual
Contém 1839 palavras
Data: 25/06/2026 01:23:49
Assuntos: Heterossexual

Disse se chamar Natanael, mas alguns amigos o chamavam Natan, outros Nael, mas a maioria o conheciam como Bolota. Borracheiro conhecido na região, Natanael veio me atender numa emergência, na margem da BR. A sua borracharia ficava a pouco mais de 100 metros do lugar onde meu pneu furara – malditos buracos! Ele consertou tudo, depois perguntou se eu poderia dar uma carona até São Caetano. Claro!

A conversa, no trajeto, foi animada. Natanael era dessas pessoas agradáveis, sorridentes, das quais você gosta logo de cara. Tinha mais de trinta anos. Parecia não ter ou enxergar maldade em nada, contava suas coisas mais íntimas como se estivesse passando uma receita de bolo. Falou que nascera ali, naquelas imediações. Achara até que fora concebido por ali mesmo. E contou como foi, segundo relato de sua saudosa mãe.

Minha mãe, ou aquela que seria minha mãe, estava na beira da estrada, pedindo carona, junto com uma amiga. As duas eram muito novinhas, dezoito anos. Vinham de uma festa, e estavam ainda com os vestidos brilhantes, e já era umas 10 horas da manhã. Estavam famintas, não tinham comido nada ainda.

Foi quando um carro passou por elas e parou adiante. Era um rapaz de óculos, bonito, de barba, que perguntou para onde elas iam. Moravam num sítio, antes de Santa Luzia. Ele ofereceu carona e elas aceitaram.

Cheirinho bom... de pastel frito! Mãe falou que as tripas se animaram no bucho. O rapaz levava dois pastéis num saquinho, que incensavam o carro. Ofereceu um a cada uma, que, claro, comeram com vontade. Ainda tomaram refrigerante, que ele ofereceu. Eu acho que ele ia para algum pic-nic, e elas devoravam a comida toda dele. E o rapaz ria gostoso, quando contava isso.

Minha mãe ia no banco da frente e a amiga dela no de trás. Minha mãe gostou do moço, muito atencioso com elas. Conversaram no caminho todo. Ela disse que de vez em quando ele tocava na coxa dela, como se estivesse observando o vestido prateado e brilhante. E ela gostava do toque. Quando chegaram no destino, minha mãe pediu para ele dar uma parada numa entradinha meio escondida, desceu do carro e chamou o moço. Ali mesmo, apoiados no carro, a amiga no banco de trás, eles transaram. Ela era virgem e decidiu perder a virgindade com aquele moço bonito e atencioso. E foi aí que me fizeram.

Meu coração batucava a mil por hora. O lance das duas novinhas com vestidos brilhantes, já me acendeu o desconfiômetro. Mas quando ele contou dos pastéis e refrigerantes, não havia mais o que confirmar. Minha memória viajou para cerca de trinta e cinco anos atrás, quando um jovem de vinte e poucos anos, ansioso por sexo, viajava pela BR com destino a um lugar ermo, a fim de sentar, comer pastel com refrigerante e passar um tempo deitado na pedra, olhando as nuvens passando no céu, enquanto batia uma punheta ao ar livre, quando passei pelas duas garotas, nitidamente vindas de uma festa. Parei o carro, a rola já endurecida, ofereci carona e elas aceitaram.

A que sentou do meu lado era mais saidinha. Falou da festa e da fome, o que me levou a oferecer os pastéis e os refrigerantes. Depois de alimentada, a garota ficou mais tagarela. Pelo espelho, eu via a do banco de trás sorrindo e confirmando o que a da frente dizia. Suas coxas entreabertas e o vestido brilhante mostrando-me lances da calcinha vermelha. Isso foi me excitando e comecei a bolinar a passageira ao meu lado. Toquei suas coxas e ela demonstrava estar gostando, pois afastava as pernas, ao sabor do movimento do carro. Cheguei a sua calcinha, estava úmida. Continuei a bolinar, e ela gemia baixinho, a de trás fingindo nada estar vendo.

A um certo momento, a passageira ao meu lado disse que adiante havia uma entradinha, pediu para dar uma parada, que ela ficaria ali – a amiga seguiria, porque ela morava mais na frente. Entrei, estacionei numa espécie de vão escondido por arbustos. Obviamente eu não faria isso hoje, já que tudo era indício de um golpe, mas naquele tempo eu pensava mais com a cabeça da rola, e o mundo não estava tão violento. Nem bem desliguei o motor e começamos a nos beijar e nos acariciando sensualmente. Mas estava bem apertado ali, e decidi sairmos do carro – antes de descer, vi-a descendo a calcinha. Desembarcamos simultaneamente.

Do lado de fora, encostei-a ao lado do veículo, e passei a beijá-la avidamente. Ela se esfregava em mim e já tirara minha rola de dentro da bermuda. Fui levantando seu vestido prateado e brilhante, encontrando uma xoxota escorregadia de tão lubrificada. Os dois em pé, apoiados no carro, consegui enfiar a rola na sua buceta apertadinha e a penetrei, ela gemendo. Vi pelo vidro a amiga, no banco de trás, acompanhando nossa transa e se masturbando. Um leve empecilho, como a impedir a entrada da minha rola, mas insisti e passei pelo obstáculo. Então gozei intensamente naquela xoxota quentinha – não sei se ela também, mas seu corpo se colava ao meu, enquanto eu gozava.

Eu arrumava minha pica estranhamente manchada de sangue, ela baixou o vestido, pegou a calcinha, me deu um beijo com gosto de pastel, e foi subindo um pequeno inclinado, em direção a uma casinha adiante, não sem antes agradecer pela carona e pela rola. Voltei para o carro, a garota do banco de trás gozava aos solavancos, os dedos melecados dentro da xoxota. Comentou que não conseguiu se segurar me vendo descabaçar sua amiga, que já era para ela ter perdido a virgindade há muito tempo. Ela, por exemplo, não tinha mais cabaço desde os quinze. (Puta que pariu, comi a novinha errada – pensei). Perguntei o nome das duas, ela me respondeu que se chamava Suzana e a que eu comera era...

– Carmelita. Era esse o nome de minha mãe – continuava contando Natanael. Como eu disse, foi a primeira foda dela. Algum tempo depois, sem transar com mais ninguém, ela descobriu que estava grávida. A família ficou puta, brigou, xingou, mas foi se acostumando com a ideia e quando eu nasci virei o príncipe da casa. Minha mãe nunca mais viu ou soube nada do cara que lhe fizera um filho. Nem o nome dele ela sabia. E assim cresci, sem pai. Minha mãe só me contou essa história quando eu tinha doze anos, e ela estava muito doente. Acho que de câncer. Morreu logo depois.

Eu estava em estado de choque emocional. Esses volteios do Universo são foda! Como eu poderia imaginar que havia engravidado aquela menina na beira da estrada, que eu desvirginara numa quente manhã de sol? Não havia como ela me localizar, se nem meu nome perguntara, nem era meu caminho frequente aquele. Eu também não tinha qualquer razão para procura-la, se não havia qualquer sentimento mais específico rolando ali, nada além de uma xoxota comida na beira de uma estrada, atrás de uns arbustos.

E agora o Universo presepeiro me colocava ao lado do fruto daquela frugal aventura de mais de três décadas atrás: um homem sincero, simpático, trabalhador, que falava sua história sem qualquer sintoma de rancor, mas como aceitando de boa o que o destino trançara para sua vida.

O que eu deveria fazer? Me revelar para ele, assim, de chofre? Justificar minha ausência de tantos anos no meu não saber da gravidez de Carmelita? Seu comportamento gentil, simpático, suportaria essa revelação? Quanto eu perdera de acompanhar a vida do meu filho! Quanto eu poderia tê-lo ajudado! Poderia ter sido presença, eu que nunca tive filhos até então... Perguntas e suposições que me angustiavam e me impediam de falar qualquer coisa.

Natan fez ainda um ou outro comentário sobre relacionamentos – tivera vários, mas nunca se amarrara a nenhum deles, não tinha mulher nem filhos. Depois, talvez achando que o assunto me estava sendo cacete, mudou o rumo da prosa, falou sobre o clima, sobre os buracos da estrada, que fodia os pneus dos menos desavisados e o seu trabalho que aumentara ultimamente por conta disso. “Só vão ajeitar essa pista quando acontecer uma merda grande...”

Ao chegar em São Caetano, pediu para eu parar numa praça, agradecendo pela carona e desejando-me feliz viagem. Não sei o que deu em mim, nem como ele reagiria, mas pedi:

– Natan você deixa eu te dar um abraço?

Ele pareceu surpreso, e respondeu, no meio do sorriso de sempre:

– Pode sim, ué! Mas o que eu fiz pelo senhor é o meu trabalho. E o senhor ainda me recompensou com essa carona, que veio no momento certo.

Ele desceu do carro, eu também – foi inevitável pensar que também foi assim, com a mãe dele, muitos anos atrás: os dois descendo do carro ao mesmo tempo. Dei a volta no veículo e ele me esperava ao lado da porta, que acabara de fechar. Abracei-o, e o que senti foi uma emoção que eu não saberia descrever. Eu estava trêmulo, e ele percebeu isso (“O senhor está se sentindo bem?!”, perguntou). Eu tinha um nó na garganta e os olhos molhados. É como se eu quisesse recuperar todo o tempo perdido naquele abraço. Mas, claro, ele não tinha como entender minha estranha reação, e antes que a coisa ficasse esquisita, fiz um carinho desajeitado no seu cabelo, sorri e desejei boa sorte. Entrei de volta no carro, e o vi se afastar pela calçada, me acenando com a mão.

Eu estava como em transe. Tremia visivelmente. Liguei o som e saí devagar, procurando voltar ao normal, evitando pensar nos últimos acontecimentos. Não consegui, porém. Natan não saía da minha cabeça. Nem Carmelita, coitada. Eu imaginava a barra que ela havia enfrentado, na família e mesmo entre os amigos. Pensava no azar de engravidar no desvirginamento. E eu não me perdoava por não ter tido a sensibilidade de ao menos gozar fora; isso teria evitado tanto transtorno para ela... Mas também teria impedido a existência daquele rapaz tão gentil.

Decidi que iria me aproximar dele, fazer-me amigo, ajuda-lo de qualquer maneira que fosse. Claro, sem contar quem eu era – talvez um dia, quem sabe? Com esses pensamentos e essa decisão, concluí minha viagem. Decidi mais, que começaria essa aproximação quando de minha volta, na semana seguinte. Concluí a viagem com o coração embebido em ternura e vivi os dias seguintes como pisando em nuvens, feliz comigo mesmo e agradecido à Natureza pelo tardio presente.

Assim foi que, quando voltava do meu compromisso, meu coração aos pulos, estranhamente inquieto, à medida que me aproximava da borracharia, estranhei que estivesse fechada àquela hora do dia. Parei e indaguei de dois rapazes que estavam por perto se Natan não abriria naquele dia. Uma nuvem de tristeza pareceu passar pelo rosto dos dois, e um deles tratou de me informar do acidente que acontecera há uma semana, mais ou menos, quando Bolota vinha de São Caetano: o pneu do carro estourara num buraco da pista, o motorista perdeu o controle e o capotamento, barreira abaixo, fora fatal – o condutor e Nael morreram no local.

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