Acordamos ambos como viemos ao mundo. Na verdade, eu acordei. Gabriel estava dormindo de bruços. A coisa mais linda. Dei um beijo em sua nuca, mais por carinho do que para despertá-lo. Percebi que meu gato estava nos braços de Morfeu. Então, decidi tomar um banho. Entrei em nosso quarto para pegar uma roupa na cômoda. Meu namorado e Ay dormiam pesado, a coisa mais linda do mundo. Meu Demônio só de cueca, minha mulher só de calcinha de rendinha, cada um virado para um lado da cama.
Evitei fazer barulho para não os acordar. Peguei um vestidinho leve, meu chinelo e uma calcinha. Tomei um banho frio para despertar de vez. Gabriel continuava dormindo. Fui para a cozinha preparar um café. Minha alma estava leve como quem viu passarinho verde, nem sei porque, mas estava. Eram oito da manhã e o dia lá fora era ensolarado. A primeira coisa que pensei foi em uma bela praia. Ay e Gabriel haviam falado sobre irmos a um bloco de manhã e à tarde irmos à praia, mas algo me dizia que a primeira parte do plano falharia miseravelmente.
Chegáramos de madrugada e os pinguços haviam bebido horrores. Decidi tentar acordar pelo menos o Gabriel. Deitei-me ao seu lado e o puto estava na mesma posição, dormindo, aparentemente, pesado. Deitei-me ao seu lado e acariciei seu rosto lindo e sua cabeça. A de cima.
Depois de um tempo, ele se mexeu e virou de frente, se espreguiçando todo. Percebi que sua pica estava toda empinadinha com tesão matinal. Decidi, então, fazer uma surpresa que eu julgava agradável. Desci o rosto até sua cintura e comecei a fazer carícias em seu pau, com aquela cabeça vermelha irresistível, que dava vontade de não tirar da boca. Gabriel sussurrou alguma coisa incompreensível e se mexeu.
Achei que, mesmo dormindo, meu gato estava gostando. Decidi tocar uma punhetinha de leve e chupar aquela delícia. Até que Gabriel soltou um gemidinho. Olhei para ele e continuava de olhos fechados. Continuei me deliciando. Eita mulherzinha boqueteira, essa Megera.
- Estou acordando no céu – resmungou, os olhos meio abertos, meio fechados.
- Acordou, amor?
- Repete a pergunta – murmurou, fazendo carinha de prazer.
- Acordou?
- A segunda parte.
- Acordou, amor? – repeti, voltando a lamber sua cabecinha.
- Estou no céu mesmo com você me chamando de amor – falou com a voz mais desperta.
- Está gostando de ser acordado assim?
- Não para, por favor, amor.
Fiquei toda derretida com ele me chamando de amor e me pedindo para não parar. Coloquei-me entre suas pernas e continuei mamando sua rola, fazendo seu corpo se contorcer de prazer. Seus gemidinhos estavam deliciosos e seu pau dava solavancos em minha boca. Então, continuei com a tortura, acariciando suas bolas e com seu pau na boca, engolindo tudo que era possível e fazendo com que arqueasse o corpo e soltasse um gemido demorado, que fez minha buceta piscar.
Quando senti que estava prestes a gozar, acelerei os movimentos e aumentei a pressão, fazendo-o gemer mais alto e jorrar o primeiro jato do seu sêmen divino em minha boquinha. Continuei tocando uma punheta acelerada e me deliciei vendo seu pau jorrando aquele leitinho branquinho, vendo Gabriel se contorcer todo de prazer, com sua boca emitindo gemidos sentidos.
Subi até seu rosto e dei um beijinho em seus lábios. Ele fez uma carícia gostosa em meu rosto.
- Acordar com uma mulher linda assim pagando um boquete desses é para poucos.
- Você é um homem de sorte, então. Com uma namorada daquelas, que mais parece um sonho de tão linda, acordando ao seu lado.
- Acho que eu cometi poucos pecados – brincou.
- Então, agora que você ganhou seu boquete matinal da mulher linda, que tal se levantar para tomar seu café? Toma um banho bem gostoso, que eu vou servir meu amor.
- E os dois pombinhos? – perguntou.
- Ainda dormindo. Levanta, para a gente fazer alguma coisa interessante, vai.
- Sim, senhora, quem ousaria desobedecer a uma rainha?
- Assim você me deixa toda molhada e eu vou acabar querendo ficar na cama. Mas eu quero mais aproveitar o sábado e essa cidade mágica.
Dei um beijo em sua testa e me levantei, fugindo do meu tesão matinal.
- Te espero na cozinha.
Pus o café e em menos de dez minutos Gabriel já estava em minha companhia, me dando um abraço gostoso, do qual logo me desvencilhei para não perder o controle e dar para ele ali mesmo.
- Moça prendada – brincou.
- Moça?
- Kkkkkkkkkkkkkkkk.
Depois do café, decidimos tentar acordar os pombinhos no nosso quarto. Encontramos o Demônio dormindo de ladinho, com os braços em cima de Ay, que estava de bruços, os dois com os rostos quase colados.
- Olha que lindo, amor, não merece uma foto para colocar em um quadro? – brinquei.
Gabriel, sacana, que só, deitou do lado do André e começou a fazer carícias e a dar beijinhos em sua nuca.
- Acorda, amor - sussurrou no ouvido do Demônio.
- Peguei o celular e fotografei a cena.
André se mexeu, jogou a perna por cima de Ay e continuou dormindo. Ay, de bruços, imóvel, parecia um paralelepípedo. Gabriel abraçou meu namorado pela cintura e os dois ficaram de conchinha, fazendo sinal para eu filmar. Eu não sabia se ria ou se filmava. O gaiato acariciava o rosto do Demônio e dava beijinhos em sua nuca. A cena estava hilária e nada de os putos acordarem.
Até que Gabriel desistiu, deu a volta na cama, beijou o rosto de Ay com carinho e me puxou para fora do quarto.
- Melhor deixar os dois dormirem. Parece que a madrugada foi quente.
- É, tadinhos, deixa eles – respondi, conformada.
- Vamos no bloco? Quando eles acordarem, encontram a gente.
- Oba! Bloco? Adorei a ideia. Deixa eu vestir uma roupa adequada.
Coloquei um short jeans e uma blusinha fresca. Chegamos no bloco eram 9:30. Fiquei impressionada com tanta gente e tanta animação. Gabriel logo comprou uma lata de cerveja e dois copos.
- Mas já, pinguço?
- Qual é, mina? Só porque dormiu comigo uma noite, já quer me controlar?
- De jeito nenhum, meu rei. Vou te acompanhar. Quem sou eu para controlar meu dono?
- Acho bom – respondeu.
A companhia de Gabriel era muito agradável. Nunca imaginei que fosse viver uma situação assim, mas eu estava completamente à vontade. Gabriel encontrou alguns amigos, dois casais e uma mulher solteira. Uma loira linda, por sinal, que até fiquei com ciúmes, porque ela, sabendo que eu não era namorada do Gabriel, embora eu fosse, ficava se insinuando para o meu gato e namorado da minha amiga, mas levei na esportiva e acabei fazendo amizade com ela. Melhor manter o inimigo por perto e sob controle, não estou certa?
Por volta das dez horas, decidi provocar o Demônio e mandei para ele o vídeo do Gabriel fazendo conchinha com ele e beijando seu pescoço. A resposta só veio quase ao meio-dia.
“Traíras”
Gabriel se esbaldou de rir e respondeu:
“É assim que você trata meus carinhos, amorzinho?”
“Quase passei mal de tanto rir”, respondeu Ay no celular de Gabriel.
“A madrugada foi boa, né sua piranha? Se esbaldou com meu namorado”, mandei para Ay com emoji de raiva.
“Seu, porra nenhuma, ciumenta. É NOSSO namorado”, respondeu com um emoji de chifrinhos.
“Depois me conta tudo”, respondi.
“Você nem imagina o que eu fiz com ele”
“Amor, tô com saudade”, mandei para o Demônio.
“Vem pra cá”, mandou Gabriel para Ay.
“Tomando café”, respondeu minha mulher.
“Partindo daqui a pouco, gatinha. Também tô com saudade, mandou o Demônio para mim.
“Te amo, seu adúltero”
“Também te amo, namorada adúltera”
Eu estava feito pinto no lixo de felicidade. Fiz amizade com as meninas e estava curtindo de montão aquela batucada e aquele monte de gente se divertindo. Por ser turista, virei o centro das atenções e é uma coisa incrível como aquele povo do Rio de Janeiro te paparica quando descobre que você é de fora. Virei a baianinha para eles e já tinha quase que virado amiga íntima quando levei um susto com dois braços fortes de homem me enlaçando pela cintura. Por instinto, já estava pronta para acionar o modo megera e arremessar o agressor ao chão. Foi quando vi Ay pendurada no pescoço de Gabriel. Virei de frente e quase engoli a boca do Demônio com um beijo sedento, que dava vontade de não parar mais.
- Que saudade, meu amor – exclamei, atracada em seu pescoço, espremendo aquele pedaço de mal caminho.
- E eu? Não ganho abraço? – a voz de Ay interrompeu meu transe.
- Claro, minha deusa! – respondi, abraçando-a com força e sendo retribuída com a mesma intensidade.
Estava tão bom, que só decidimos sair do bloco quando a fome apertou. Paramos em um restaurante que servia feijoada. Comemos feito lobos famintos, já eram 14 horas, com direito a caipirinha. Fiquei até zonza e com a barriga estufada com aquela combinação deliciosa. Ninguém falava sobre a madrugada anterior, pois os amigos do Gabriel estavam conosco.
A praia ficou para outra ocasião. Chegamos em casa por volta das 16 horas e, só para variar, Gabriel abriu dois latões de cerveja. Ficamos os quatro na sala conversando e ouvindo uma playlist de sambas enredo, já que estávamos no clima e à noite iríamos para o Salgueiro. O assunto começou sobre a minha expectativa de conhecer uma escola de samba, passou pelo bloco e terminou onde não poderia ser diferente.
- Pelo visto, a madrugada no quarto ao lado foi quente, hein Demônio – provocou Gabriel.
Meu namorado deu uma risadinha de canto de boca.
- É verdade, teve gente que dormiu até meio-dia hoje. Estou curiosa para saber os detalhes, Ay – emendei.
- Porra, Megerinha, fomos dormir só de manhã. O bagulho foi selvagem.
- Sobrou alguma coisa da minha mulher para mim, Demônio? – brincou Gabriel.
- E da minha? Você deixou pelo menos a raspa do tacho? – reagiu o Demônio.
- Nada, amor. Já estou prontinha para outra, mas a Ay, pelo visto, vai ter que parar na oficina para reparos. Estava dormindo igual um paralelepípedo hoje de manhã, que nem se mexia – provoquei.
- Caralho, gatinha, foi uma batalha campal. Você nem imagina o que eu fiz com seu namorado. Seu, não, nosso.
- Eu quero saber tudinho – reagi com cara de tarada curiosa, a bucetinha já latejando gostoso.
- Tudinho, só se o Demônio deixar.
- Se você contar o que eu acho que você está querendo contar, vai dar merda – protestou o Demônio.
- Vai dizer que você fez xixi no meu namorado antes de mim, sua psicopata. E você deixou, Demônio?
- Vocês têm uma verdadeira fixação no meu xixi, hein!
- Tô fodido hoje. Aliás, literalmente. Já fui violado, encoxado pelo Gabriel, puta que o pariu. Tô desmoralizado – resmungou o Demônio.
- Amor, eu acho que você bem gostou da encoxada e fingiu que estava dormindo para aproveitar mais um pouquinho – brinquei.
- Péra, André, será que rolou o que eu tô pensando? – interveio Gabriel, dando uma gargalhada em seguida.
- Ai, Megerinha amada, não fica braba comigo – pediu Ay, com uma carinha linda de sonsa.
- Porra, fala logo, sua prostituta de esquina! – protestei, a curiosidade me consumindo.
- Não fala assim comigo, que eu fico toda molhadinha – reagiu Ay.
- Amor, você violou o cu do Demônio? – interveio Gabriel, voltando a se contorcer de rir.
Arregalei os olhos incrédula, a boca escancarada. Meu namorado colocou as duas mãos no rosto e ficou balançando a cabeça negativamente, como se perguntando “onde eu vim parar”.
- Coloquei o dedinho, não é, amor? – provocou Ay, se dirigindo a André.
- Eu te amo, Ay, mas tu é uma filha da puta – reagiu o Demônio.
- Valeu, brother, bem-vindo ao clube dos violados pelo dedinho da Ay – interveio Gabriel, que não conseguia parar de se contorcer de tanto rir.
- Ay, sua bruxa, você roubou minhas prerrogativas, sua fura olho. Eu estou chocada. Não vou ser a primeira a fazer fio terra, nem fazer xixi no meu namorado. Não sobrou mais nada para eu inaugurar, porra – protestei, fazendo cara de brava e com a calcinha molhando imaginando as cenas.
- A Ay é foda. Consegue tudo que quer, essa monstra – comentou Gabriel, as lágrimas descendo pelo rosto de tanto rir.
- Nem tudo, não é amor? – provocou Ay.
- Não começa com essa história de novo – reagiu Gabriel.
- Não começa com o que? – perguntou o Demônio, com carinha de curioso.
- Ele não deixa ela comer o cuzinho dele. E nem vai comer o seu, porque você vai me recompensar por essa traição. Exijo reparação pela violação das minhas prerrogativas. Pode ir virando a bundinha – intervim.
- Eita, Demônio, fodeu para o seu lado, brother. Vai ser sodomizado pela Megera e não tem para onde correr – comentou Gabriel, sem parar de rir.
- Tadinho do Demônio. Teve o cuzinho violado pelo meu dedinho, foi encoxado pelo Gabriel e agora vai ter que rebolar no pau da Megerinha – interveio Ay, acompanhando Gabriel nas gargalhadas.
- Tá rindo, Gabriel? Pois saiba que o cu do Demônio não será o único que eu vou arregaçar. O senhor vai pagar pela traição da Ay. Pode se preparar para arriar a calcinha e ficar de quatro pra mim.
- Ah, não, Megerinha, você não pode roubar o meu sonho dourado assim – protestou Ay, tentando se recompor das gargalhadas.
- Pensasse nisso antes de fazer xixi e fio terra no meu namorado.
- Mas eu não fiz xixi nele, Megerinha. Eu falei que só faço xixi se ele me deixar dominá-lo.
- E me deixou sofrendo esse tempo todo em vez de falar logo, sua safada? – reagi.
- Não dominou, amor? – interveio Gabriel.
- Eu tentei, mas ele não deixou. Ele bem bateu em mim e me fez de gato e sapato. Minha buceta está sensível até agora de tanto gozar. Fiquei molhada só de lembrar – respondeu Ay, fazendo cara de safada.
- Eu que te bati, não é, Ay, sua cínica? – protestou André.
- Você também bateu no meu namorado? Meu Deus, o que aconteceu naquele quarto sem eu estar presente tocando uma siririca enquanto assistia?
- A propósito, Megera – reagiu André – você está pensando em fazer uma cirurgia de mudança de sexo? Eu prefiro você assim.
- Como assim, amor?
- É, gatinha, com que pau você vai nos sodomizar?
- Kkkkkkkkkkkkk. Ficou curioso, amor? Já está com o cuzinho piscando, doido para levar minha vara? Não há nada que a gente não possa resolver, não é Ay? É só aguçar a imaginação.
- A gente? – reagiu Gabriel com cara de assustado, se dirigindo ao Demônio – Melhor a gente trancar essas duas no banheiro até vocês voltarem para Feira, brother.
- Se vocês nos trancarem no banheiro, vamos ficar uma semana fazendo amor, não é Megerinha? – reagiu Ay, fazendo carinha de apaixonada para mim.
- Deu até uma pontada no coração agora, minha vida.
- Por que, Megerinha?
- Daqui a uma semana, nós vamos embora.
- Pelo amor de Deus, Ana Clara, nem pensa nisso, que eu não quero sofrer de véspera – reagiu Gabriel, mudando o semblante e se levantando para ir à cozinha.
- Falei alguma merda? Eu já nem me lembrava de qual foi a última vez que ele me chamou pelo nome.
- É que o ogro tem sentimentos, mas eu também fiquei triste de pensar nisso.
- Crianças, parem com isso. Nós temos uma semana ainda juntos. E ainda temos uma vida inteira pela frente. Não é hora de rolar deprê, né? – interveio o Demônio.
- Verdade – concordei.
Gabriel voltou com mais cerveja (cerveja, sempre ela) e serviu nossos copos.
- Gente, por que não oficializamos o namoro?
- Como assim, Ay? – perguntei.
- Eu tenho certeza de que o Gabriel vai concordar comigo. Eu acho que nós deveríamos namorar os quatro oficialmente.
- Eu não vou deixar o Gabriel comer meu brioco e nem vou querer comer aquela bunda cabeluda – brincou o Demônio.
- Nem uma encoxadinha, André? – provocou Gabriel.
- Ia ficar lindo os dois dormindo de conchinha – emendei.
- Gente, eu tô falando sério. Eu estou pedindo vocês em namoro oficialmente. Nós estamos, não é Gabriel?
- Assino embaixo, princesa. Nós estamos pedindo vocês em namoro oficialmente. A gente já dormiu um com a namorada do outro, todo mundo se ama, acho que é plenamente apropriado.
- Eu vou ser sua namorada, Ay? Tô emocionada. Nós aceitamos, não é, amor?
- É André. Pelo menos, sabendo que nós somos oficialmente namorados, não vai doer tanto a distância. A gente faz chamada de vídeo todo dia e marca o quanto antes para nos reencontrarmos – propôs Ay.
- Eu acho que é o caso de oficializar algo que já é. Eu estou de acordo – respondeu André.
- Uuuuuuuuhhhuuuuuuuuuuuuuu – vibrou Ay.
- Então, agora ninguém se refere mais a ninguém como seu namorado ou sua namorada, certo? – propus, vibrando com aquela extravagante novidade.
- Concordo, Megerinha – aprovou Gabriel.
- Ai, gente, parece um sonho. Eu agora tenho três namorados lindos de verdade e ainda vou poder chamar minha Megerinha linda de minha. Que delícia! – reagiu Ay, eufórica, pulando em cima de mim, me abraçando e enchendo de beijos.
- Vamos brindar a isso? – propôs Gabriel.
- Cadê o espumante, amor? – perguntou Ay.
- Vou ter que colocar na geladeira, princesa.
- Deixa para mais tarde, então. Por enquanto, a gente brinda com cerveja mesmo.
- O importante é brindar à ocasião – concordou André.
- Quem diria que um dia eu ia ter um namorado homem – brincou André.
- Porra Demônio, dá para parar de me rejeitar? Assim, vamos ter uma crise já no começo do namoro – reagiu Gabriel, levando todos às gargalhadas.
- Desculpa, amor, eu não quis te magoar – reagiu André, mandando beijinho – é que isso me deixa tão confuso acerca da minha sexualidade.
- Não há nada que o tempo não resolva, amor – reagi às gargalhadas.
- Vamos fazer comida, Megerinha? – propôs Ay.
- Vamos, minha namorada linda. Deixa os dois namorando um pouco na sala – provoquei.
Já na cozinha, Ay propôs que fizéssemos um macarrão à bolonhesa. Assim, podíamos deixar o molho pronto e comer na hora que desse fome. Trabalhamos unidas, trocando beijos, abraços e carícias. Quando o macarrão já estava quase pronto, nossos donos, proprietários e senhores avisaram que iriam descer para comprar mais cerveja, que estava acabando o estoque. O Demônio me deu uma encoxada e uma sequência de beijos no pescoço, que até fiquei com as pernas bambas e toda arrepiada.
- Amoooor, isso é maldade. Assim, eu fico toda necessitada, com a calcinha toda molhadinha – choraminguei.
- Relaxa, amor, agora você tem três namorados para matar sua vontade.
- Pode deixar, que eu vou cuidar de apagar o fogo dessa piranha – interveio Ay.
- Namorado, vamos logo – gritou André para Gabriel, que tinha ido ao banheiro.
- Já tô indo, namorado – respondeu o outro palhaço, fazendo com que eu e Ay quase nos mijássemos de tanto rir.
Quando terminamos na cozinha, fomos para a sala e dividimos uma lata de cerveja.
- O que você está achando de ser minha namorada, Megerinha linda?
- Um sonho. Só não sei se o Demônio pensa a mesma coisa com relação ao Gabriel.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkk.
- Por falar nisso, cadê nossos donos?
- Devem ter parado no bar para beber e olhar as bundas da mulherada, óbvio.
- Pior que deixar aqueles dois pedaços de mal caminho sozinhos, deve ter um monte de sirigaitas se jogando – brinquei.
- Com certeza.
- Você não tem ciúmes?
- Podem se jogar à vontade. Quem pega somos nós.
- Que bom que eles se dão tão bem, né? Desde o resort.
- O Gabriel é louco pelo Demônio. E eu também, cada dia mais.
- Tô vendo. E demonstra isso batendo nele.
- Kkkkkkkkkkkkkkkk. Ele também me bateu. Mas depois disso a gente conversou muito e depois fizemos amor até de manhã. Foi mágico.
- Quer me deixar com ciúmes? – reagi com a buceta dando uma formigada.
- Até parece que você não gosta. E ainda está cheia de amorzinho com o Gabriel. Eu fico feliz e cheia de tesão de vocês estarem se dando tão bem. E o Gabriel te ama muito.
- E a recíproca é verdadeira. Além de ser um gato e todo gostoso, é um amor de pessoa. Aliás, foi o que o André falou. Disse que é natural eu ter intimidade com o Gabriel e me apaixonar, porque é um homem especial.
- O André também é um homem especial. Todo lindo. Sem contar que é uma foda de fazer a gente perder o caminho de casa.
- Eu que o diga. Aliás, nós somos duas loucas ou duas revolucionárias mudando totalmente o conceito de amor e relacionamento.
- Você sabe que tudo isso que está acontecendo é porque eu primeiro fiquei apaixonada por você, né?
- Mais revolucionárias ainda, né? Duas lésbicas safadas, taradas e apaixonadas uma pelo namorado da outra – brinquei.
- E você? Está se sentindo mais confortável com seus sentimentos? Estou te achando tão feliz hoje, com o mesmo brilho nos olhos de quando te conheci no resort, naquela sua lua de mel com o André.
- Quando você transformou a inauguração da minha portinha dos fundos em um evento quase internacional?
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Responde.
- Tô sim, meu amor. Estou me sentindo muito confortável e feliz. É que quando comecei a ter esses sentimentos pelo Gabriel eu me senti meio que traindo o André, entende?
- Compreendo, claro, meu amor.
- E eu fiquei confusa, com receio das consequências, até de isso desestabilizar meu relacionamento com o André. Eu amo aquele homem demais, nem quero imaginar minha vida sem ele. Antes de ser meu namorado, já era meu amigo, meu irmão, meu confidente. Eu sei que não é certo a gente ser emocionalmente dependente de outra pessoa. Eu fui educada para ser independente, forte, segura, mas aquele puto é muito cativante. Como é que uma mulher não vai ficar dependente de um homem daqueles?
- Desde que eu vi vocês pela primeira vez, percebi essa coisa linda que é o amor de vocês. Eu também não imagino minha vida sem o Gabriel. Eu também sou dependente dele, mas tem uma coisa que nós temos que ter em mente. Eu aceito ser dependente dele enquanto for o homem que me valoriza, que me dá atenção, que cuida dos meus sentimentos, que me coloca sempre em primeiro plano. Se um dia eu sentir que está me fazendo sofrer ou ficar infeliz, amiga, antes de tudo eu me amo. Dou linha na pipa, lambo as feridas e sigo em frente.
- Bate na madeira, princesa, que isso nunca vai acontecer. Eu vejo uma fortaleza quando olho para vocês. São um espelho no qual eu gosto de me olhar. Porque reforça o valor do que eu tenho com o André.
- Engraçado é que eu vejo vocês dois da mesma forma. Até nisso nós somos iguais. Se eu não fosse dois anos mais velha que você, diria que nós somos irmãs gêmeas que foram separadas na maternidade.
- Sabia que eu tenho dificuldade de dimensionar o quanto eu te amo?
- E não fica mais desconfortável com isso?
- Não mais – respondi, com o coração todo derretido.
- Porque eu também te amo pra caralho, Megerinha linda, mulher da minha vida.
- Você também é a mulher da minha vida, minha namorada carioca mais linda que já se viu.
- Você é mais linda – retrucou Ay.
- Não, a mais linda é você – discordei.
- Não, você está equivocada. Você é a mais linda.
- Equivocada está você. Você é a mais linda.
- Você.
- É você.
- Porra, para de me irritar. A mais linda é você e estamos conversadas.
- Estamos porra nenhuma. A mais linda é você e está acabado.
- Você.
- Não, é você.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
- Idiota!
Aquela discussão ridícula, que me lembrou aquela crônica hilária do Fernando Sabino, “O Gasto sou Eu”, terminou em um beijo tórrido, nossas bocas se devorando e nossos corpos tentando se fundir.
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Até o próximo episódio!