POV: Igor
O cheiro de couro importado, cimento queimado selado com resina cara e o estalo metálico do motor de uma Ferrari 488 esquentando. Aquele era o tipo de barulho que eu nunca achei que ouviria de perto quando estava trancado numa cela de quatro por quatro no Pavilhão 9, dividindo o ar com mais trinta caras e sobrevivendo na base do puro instinto. A liberdade tem cheiros diferentes para cada um. Para mim, depois de cumprir seis anos por assalto a banco e quebrar a cara de dois sujeitos que tentaram me testar no pátio, a liberdade tinha gosto de óleo de motor e do dinheiro limpo que aquele playboy estava me pagando.
Ajeitei o macacão de brim escuro, que apertava um pouco nos meus ombros de um metro e noventa. Olhei pelo retrovisor do carro e passei a mão pela minha barba rala, sentindo a textura da cicatriz que cruzava o lado esquerdo do meu maxilar, uma lembrança eterna de uma lâmina improvisada na prisão. Eu sabia o impacto que causava. Sei que meus braços calejados, cheios de veias saltadas pelo treino pesado com o peso do próprio corpo na cadeia, assustavam os caras comuns. Mas o tal do Marcelo não era um cara comum. Ele era o tipo de homem que achava que o saldo bancário o tornava invulnerável.
— Igor, meu rapaz! — a voz dele ecoou pela garagem climatizada, que mais parecia um museu de luxo na Barra da Tijuca.
Virei-me devagar, limpando as mãos sujas de graxa em um pano cinza. Marcelo tinha quarenta e dois anos, mas parecia carregar o peso do estresse de uma holding inteira nas costas. Baixo, com seus 1,70m que ele tentava compensar usando sapatênis com salto interno, ele sorria com dentes brancos demais, daquele tipo que custa o preço de um carro popular.
— Fala, Dr. Marcelo — respondi, mantendo a voz grave, no tom firme que a rua ensina. Não abaixo a cabeça para homem nenhum, não importava quantos dígitos ele tivesse na conta.
— O ronco desse motor está uma sinfonia, excelente! Olha, estou subindo para o escritório agora. Tenho uma videoconferência com um fundo de investimentos de Nova York que deve durar a tarde toda. Não quero ser interrompido por nada. Deixei o cartão de acesso da oficina com a Helena, caso você precise de alguma ferramenta do depósito interno. Se importa de dar uma olhada na embreagem do Porsche também?
— Faço isso agora — comentei, curto e grosso.
— Perfeito. Você é um homem de poucas palavras, Igor. Gosto disso. Disciplina de quem sabe o valor de uma segunda chance.
Ele deu dois tapinhas condescendentes no meu braço — o braço dele mal alcançava a altura do meu peito — e se virou, caminhando em direção ao elevador panorâmico que conectava a garagem subterrânea diretamente à cobertura da mansão. Fiquei olhando o elevador subir. Marcelo se achava o rei do mundo, mas exalava uma fraqueza que qualquer sujeito que já pisou no crime cheira a quilômetros de distância. Ele não tinha malícia. Não tinha o sangue quente. Era um boneco de terno.
Voltei a me inclinar sobre o motor da Ferrari, ajustando o torquímetro. O silêncio voltou a reinar no subsolo, quebrado apenas pelo som sutil do sistema de ar-condicionado central.
Até que ouvi o som de saltos estalando contra o piso de porcelanato cinza.
Não era o passo rápido e ansioso de Marcelo. Era um caminhar pausado, rítmico, que fazia o eco da garagem parecer uma batida de música. Olhei por baixo do capô erguido.
Helena.
A modelo de 28 anos que o herdeiro exibia nas colunas sociais parecia ainda mais absurda pessoalmente. Ela tinha 1,75m de altura — quase da altura do marido quando estava descalça, mas hoje ela usava uma sandália de salto fino que a deixava praticamente olho no olho comigo. O corpo dela era uma afronta: pernas longas e bronzeadas pelo sol da Barra, quadris largos que balançavam devagar e um short jeans tão curto que a polpa dos glúteos ameaçava escapar a cada passo. Por cima, uma regata branca de seda, fina o suficiente para denunciar que o sutiã tinha ficado no quarto.
Ela segurava um controle magnético entre os dedos compridos, as unhas pintadas de um vermelho escuro, quase preto.
— O Marcelo já subiu? — ela perguntou. A voz dela era mansa, mas tinha uma provocação embutida que não dava para disfarçar.
— Acabou de subir, Dona Helena. Disse que vai passar a tarde trancado na reunião — respondi, sem parar o que estava fazendo, embora meus olhos estivessem cravados nas pernas dela.
— Ótimo... — ela murmurou, aproximando-se da Ferrari. O perfume dela, algo doce e caro que impregnava o ar instantaneamente, brigou com o cheiro de gasolina. — Aquelas reuniões dele duram uma eternidade. Ele desliga o celular, se tranca no escritório e o mundo pode acabar aqui embaixo que ele não nota.
Ela parou bem do meu lado, apoiando o quadril na lateral do carro vermelho. A proximidade me deixou ver o brilho de suor no colo dela por causa do calor do Rio de Janeiro, mesmo ali dentro. Helena olhou para as minhas mãos cobertas de graxa e depois subiu os olhos castanhos e expressivos para o meu rosto, encarando a cicatriz no meu maxilar sem o menor sinal de medo. Pelo contrário. Aquilo parecia atiçar alguma coisa nela.
— Ele me disse que você passou um tempo... afastado. Que estava num lugar difícil — ela falou, os olhos brilhando com uma curiosidade quase infantil, mas com segundas intenções nítidas.
— Eu estava preso, Dona Helena. Não precisa usar palavra bonita. Seis anos de regime fechado — falei direto, encarando-a de cima para baixo. Minha altura me dava uma vantagem natural, e eu fiz questão de usar minha presença física para encurralar o espaço dela.
Ela engoliu em seco, mas não recuou. O peito dela subiu e desceu mais rápido.
— E como era lá dentro? — ela sussurrou, dando meio passo à frente. O short jeans dela quase roçou na minha perna de brim. — Deve ser um lugar... onde só os homens mais fortes sobrevivem. Onde você tem que impor o respeito na marra.
Sorri de lado, um sorriso frio, de quem conhece a maldade do mundo.
— Lá dentro não tem espaço para conversinha, madame. Ou você manda, ou você obedece. Quem é fraco vira propriedade dos outros. Quem tem sangue de barata não dura uma semana. O sistema esmaga quem não sabe ser homem de verdade.
A palavra "homem" pareceu um gatilho. Os olhos de Helena desceram inconscientemente para a minha cintura, onde o macacão de brim se ajustava ao meu corpo. Eu sabia exatamente o drama daquela casa. No primeiro dia de trabalho, quando fui usar o banheiro de serviço perto da suíte master, ouvi sem querer uma discussão boba deles pelo closet. Mais do que isso, no crime você aprende a ler a frustração na cara das pessoas. Marcelo andava como um homem que sabia que faltava algo entre as pernas. Três centímetros de masculinidade guardados num cofre de bilhões de reais. Ele podia comprar a Ferrari, mas não conseguia dar o que aquela mulher de 1,75m precisava.
— Um homem de verdade... — ela repetiu, quase num suspiro, a voz um tom mais rouco. — O Marcelo é muito... técnico. Muito delicado. Às vezes, a delicadeza cansa, Igor.
— Delicadeza não resolve problema de motor, Dona Helena. E nem outros tipos de problema — falei, dando um passo definitivo para frente.
Agora, a distância entre nós era de menos de dez centímetros. Eu conseguia sentir o calor que emanava do corpo dela. Minha mão suja de graxa segurava a chave de fenda com força, os músculos do meu antebraço saltados. Eu vi o exato momento em que a postura de modelo intocável dela desmoronou. Helena olhou para cima, entregue à minha altura, os lábios entreabertos, respirando o ar que eu exalava.
— Você acha que consegue resolver os meus problemas, Igor? — ela perguntou, o tom de desafio misturado com uma submissão que ela vinha guardando há anos atrás daquela fachada de socialite rica.
— Eu resolvo qualquer coisa que esteja precisando de um ajuste bruto — respondi.
Antes que ela pudesse dizer mais uma palavra, larguei a ferramenta na bancada. O som metálico ecoou alto na garagem. Em um movimento rápido, segurei o quadril de Helena com uma das mãos. Meus dedos grandes apertaram a carne firme da coxa dela, bem na borda do short jeans, deixando uma marca leve de graxa escura na pele bronzeada.
Ela soltou um suspiro curto, de surpresa, mas suas mãos foram direto para os meus ombros, segurando o brim do meu macacão.
— Igor... o Marcelo... ele está lá em cima... — ela gaguejou, o corpo todo tremendo, mas ela não fez o menor esforço para se soltar. Pelo contrário, empurrou o quadril contra o meu.
— Você mesma disse que ele não vai descer. O doutor está cuidando dos bilhões dele. Deixa que da patroa eu cuido — ordenei, a voz num tom baixo e imperativo que não aceitava respostas.
Segurei a nuca dela com a outra mão, enterrando os dedos nos cabelos loiros e bem cuidados, e puxei a cabeça dela para trás, forçando-a a olhar para mim. A dominância que eu usava para sobreviver nas galerias de segurança máxima agora estava direcionada inteiramente para aquela mulher rica e sedenta.
Beijei-a. Não foi um beijo de novela, gentil ou romântico. Foi um beijo de posse. Minha boca cobriu a dela com força, minha língua invadindo sem pedir licença, ditando o ritmo enquanto ela soltava um gemido abafado contra os meus lábios. Helena agarrou minhas costas, as unhas dela cravando no tecido do macacão enquanto ela correspondia com um desespero que mostrava o tamanho da sua fome. Ela queria aquela brutalidade. Ela precisava sentir o peso de um homem que não pedia permissão.
Com um único movimento, ergui-a do chão. Helena soltou um som agudo de surpresa quando seus pés perderam o contato com o porcelanato. Ela prendeu as pernas longas ao redor da minha cintura, segurando-se no meu pescoço. O contraste era absurdo: a modelo de alta sociedade, esposa de um dos homens mais ricos do Rio, pendurada no pescoço de um ex-congraçado que fedia a óleo e suor.
Caminhei com ela até a traseira da Ferrari. Deitei-a de costas contra o capô traseiro do carro esportivo de milhões de reais. O metal frio do veículo contra a pele dela fez seu corpo arrepiar visivelmente.
— Igor, por favor... — ela pediu, os olhos nublados pelo desejo, as bochechas coradas. Ela olhava para mim de baixo, totalmente vulnerável, dominada pelo meu tamanho e pela minha força.
— Fica quieta — mandei, mantendo o olhar fixo nela.
Minhas mãos desceram para o botão do short jeans dela. Abri com agilidade, puxando o zíper para baixo. Por baixo, ela usava apenas uma calcinha de renda vermelha minúscula, que mal cobria o que importava. A intimidade dela já estava completamente molhada, o tecido fino colado ao corpo.
Apertei as duas coxas dela, abrindo as pernas de Helena ao máximo em cima do carro do marido. Olhei para aquela visão. Marcelo podia ter o nome no documento daquele carro e daquela mulher, mas naquele momento, na porra daquela garagem, quem mandava em tudo era eu.
Desabotoei a parte de cima do meu macacão, deixando que a peça caísse até a minha cintura, revelando meu peito largo, coberto por algumas tatuagens antigas da época da prisão. Quando puxei minha própria intimidade para fora, os olhos de Helena se arregalaram. A expressão no rosto dela mudou de puro desejo para um choque quase reverente. Acostumada a uma realidade de apenas 3 centímetros que mal conseguia tocá-la, ver a minha masculinidade, espessa, pesada e completamente rígida, a deixou sem ar.
— Meu Deus... — ela sussurrou, a voz falhando, as mãos cobrindo a boca por um instante. — Igor... você vai me quebrar...
— Eu disse para ficar quieta, Helena — repeti, usando o nome dela sem o "dona" pela primeira vez, quebrando qualquer barreira de respeito profissional que ainda restasse.
Segurei os dois tornozelos dela, empurrando os joelhos dela na direção dos ombros esculturais. Ela estava completamente exposta na minha frente. Sem qualquer aviso ou preliminar desnecessária, apoiei meu peso sobre ela e me empurrei para dentro de uma vez só.
O gemido que escapou da garganta de Helena foi alto, ecoando pelas paredes de concreto da garagem. Ela arqueou as costas, os dedos arranhando a pintura vermelha da Ferrari enquanto tentava acomodar a minha espessura. Era um encaixe justo, apertado, que mostrava o quanto aquele corpo estava destreinado para um homem do meu tamanho.
— Aguenta — rosnei no ouvido dela, sentindo o calor interno dela me apertar. — É disso que você estava sentindo falta enquanto o seu marido contava dinheiro?
— Sim... ah, meu Deus, sim! — ela entregou-se totalmente, choramingando de prazer enquanto eu começava a me mover.
Meus movimentos eram brutos, ritmados pelo peso do meu corpo. A cada estocada profunda, o corpo de Helena batia contra o capô do carro, fazendo a suspensão da Ferrari oscilar de leve. Eu a segurava pelos quadris com tanta força que sabia que deixaria as marcas dos meus dedos na pele clara dela pelos próximos dias. Mas ela não se importava. Ela cravava os dentes no próprio lábio inferior para não gritar muito alto, os olhos revirando a cada vez que eu batia fundo contra o seu colo uterino.
O prazer daquela situação era quase violento. Pensar que o corno estava no andar de cima, digitando em um computador, assinando papéis de milhões de dólares, achando que a vida dele era perfeita, enquanto a esposa gostosa dele estava sendo preenchida até o limite pelo mecânico ex-presidiário. Ele nunca saberia. Ele continuaria olhando para ela com orgulho, sem ter a menor noção de que o cheiro que ela carregaria na pele mais tarde pertencia a mim.
Aumentei a velocidade, cravando as mãos por baixo das costas dela para erguê-la um pouco, mudando o ângulo. Helena estava completamente perdida no prazer. O suor misturava o perfume dela com o meu cheiro, criando uma atmosfera densa dentro da oficina. Ela começou a tremer, as pernas longas espancando o ar enquanto o ápice a alcançava.
— Eu vou... eu vou gozar, Igor! Por favor, mais forte! — ela implorou, as lágrimas de puro êxtase surgindo nos cantos dos olhos.
Não aliviei o peso. Dei três estocadas violentas, afundando o máximo que meu corpo permitia. Helena travou as pernas ao redor das minhas costas, seu corpo inteiro tendo espasmos violentos enquanto ela tinha o orgasmo mais intenso da sua vida, liberando um fluxo que lubrificou ainda mais a nossa união. Sentir o aperto do orgasmo dela me levou ao limite. Dei um último impulso, rugindo baixo perto do pescoço dela, e descarreguei tudo profundamente dentro dela, preenchendo-a por completo.
Ficamos ali por alguns minutos, o único som sendo a nossa respiração pesada e descompassada. Helena mantinha os olhos fechados, o peito subindo e descendo de forma frenética, um sorriso involuntário e exausto nos lábios.
Devagar, eu me afastei. Arrumei minha calça e puxei o macacão de volta para os ombros, fechando o zíper como se nada tivesse acontecido. Helena escorregou do capô da Ferrari, as pernas ainda bambas, precisando se apoiar na parede para não cair. Ela puxou a calcinha e o short, limpando rapidamente uma gota que escorria pela sua coxa com um lenço que tirou do bolso.
Ela olhou para mim, os olhos ainda brilhando com a adrenalina do perigo e do prazer.
— Você... você é um monstro, Igor — ela disse, mas o tom era de pura admiração.
— Sou só o mecânico, madame — respondi, pegando o pano de volta na bancada e limpando uma mancha de graxa que havia ficado no capô do carro. — O serviço da Ferrari está pronto. Pode avisar ao Dr. Marcelo quando ele descer.
Antes que ela pudesse responder, o som do elevador ao fundo indicou que alguém havia acionado o painel lá de cima. Helena tomou um susto, ajeitou rapidamente o cabelo loiro desalinhado e ajeitou a regata de seda. Ela me deu um último olhar cúmplice, cheio de segredo e promessa, antes de caminhar em direção à saída lateral que dava para os jardins da mansão.
Voltei para perto do Porsche, pegando as ferramentas. Minutos depois, as portas do elevador se abriram e Marcelo apareceu, sem o paletó, com as mangas da camisa social dobradas até o cotovelo. Ele parecia cansado da reunião, massageando as têmporas.
— Igor! — ele chamou, caminhando até mim com aquele passo curto. — Acabei mais cedo do que esperava. Conseguiram fechar o acordo de Nova York. Um sucesso total! Tudo em ordem por aqui?
Olhei para ele de cima do meu um metro e noventa, sentindo o resquício do suor da esposa dele secando no meu peito por baixo do brim.
— Tudo em ordem, Dr. Marcelo. O motor da Ferrari está perfeito. Nenhum vazamento. Tudo funcionando como deveria.
— Excelente, meu rapaz, excelente! — Marcelo sorriu, orgulhoso, olhando para o carro vermelho sem notar absolutamente nada de diferente, completamente cego na sua ignorância de berço. — Sabia que podia confiar em você. O trabalho dignifica o homem. Vou subir e ver se a Helena quer comemorar o contrato comigo.
— Com certeza ela vai adorar, doutor — falei, mantendo o rosto sério. — Acho que ela já está bem relaxada.
Marcelo acenou com a cabeça, feliz da vida, e caminhou em direção à casa, subindo as escadas para encontrar a esposa. Voltei a me concentrar no Porsche, segurando a chave inglesa com um sorriso de canto de boca. O trabalho naquela mansão ia ser muito mais interessante do que eu imaginava.