Covarde.
Eu realmente sou um covarde.
Eu fico parado, jogado no chão até que ouço seus passos voltarem. Ele está palitando os dentes, sem camisa e com os chinelos mostrando os pés peludos.
Ele tem pelo em todo lugar, uma mistura de brancos, cinzas e pretos que não deveria ser sexy. Mas é.
- Ali no tanque tem um balde, enche ele com sabão em pó, água e pega aquela escova azul que fica na janelinha. Vou acabar de te lavar.
Ainda o olho de baixo, sem conseguir me levantar. Eu preciso falar com ele, preciso ser ouvido aqui, então penso como uma criança e levanto o braço, com um dedo em riste.
- Tá com dúvida? – aceno que sim e ele me olha como se decidisse o que iria fazer.
Eu continuo o olhando, esperando uma ordem para falar.
- Azar o seu. Obedece se não já sabe – ele fala e encosta o pé no meu roxo. É só um trisco, mas o suficiente para eu me levantar e ir
Eu vou derrotado até o tanque e obedeço. Água, sabão em pó, escovinha.
Escovinha não, uma escova de lavar tanque, que deveria ser azul e branca, mas já está encardida e com cédulas desgastadas no meio, elas são tortas e nojentas.
- Sobe – eu vou igual a um gado indo para o abate, coloco o balde do seu lado, fico esticado de 4 e fecho o olho.
- Se cair o que acontece?
- o senhor quebra a minha costela – digo sofrido
- Bom, pelo menos para ouvir você serve.
Ele se posiciona na minha frente e eu vejo um pau murcho e pendurado a centímetros de mim. Eu quero abocanhar. Quero muito.
- Olha o hetero querendo me mamar – ele fala divertido e me puxa pelo cabelo. Fico olhando para cima e com os olhos ainda vermelhos, mas eu não posso mentir.
- Mas agora não é hora de brincar. É hora de ficar limpo.
Roberto pega a escova, molha no balde e começa a esfregar na minha cara. Realmente esfregar, como se fosse um tênis sujo. É tanta força que eu não consigo respirar, dói muito, meu rosto esta todo lesionado, e agora tem cerdas duras reabrindo os arranhões e me dando novos.
- Bota a língua para fora – eu obedeço e ele começa a esfregar na minha língua também, dentes e até dentro das orelhas e nariz eu recebo escovadas.
As lagrimas voltam, mas não o impedem de fazer isso na minha cabeça, ombros, costas, braços, pernas e pé.
Eu me sinto ardente em todos os lugares, chorando de humilhação e dor.
Ele me acha um cachorro. Pior que um cachorro. Cachorros não tomam banhos assim.
- Vira, e coloca as pernas em cima do banco.
NÃO!!! Ele vai esfregar isso no meu pau?
- naaaa – eu gemo e ele vem das minhas costas para a frente do meu rosto.
- Você falou buraco? – sua voz é brava e eu fico quieto – você ia falar não seu idiota? – eu aceno loucamente que não
Ele levanta a mão e desce com tamanha violência no meu rosto que sangue começa a sair do meu lábio que partiu. Eu grito e ele grita de volta
- Eu tento ser bom, mas você está fazendo ser tudo difícil. Então eu vou me repetir aqui filho da puta. Você fica quieto até eu mandar. Se falar de novo vai parar na merda de um hospital. Entendeu?
Aceno que sim e ele aperta as minhas bochechas.
- Perguntei se entendeu seu verme
- Sim senhor.
- Agora fica de frango assado que eu vou te ensinar o que acontece com buracos que me irritam
Eu me viro chorando, cobrindo o rosto com a mão e já sem folego. Eu choro tanto que ronco, perco o ar, sinto ranho saindo por mim.
Roberto esfrega com ódio a escova imunda pelo meu peito e barriga.
- Eu ia ser bom com você. Mas agora você nunca mais vai querer abrir a boca para me negar nada seu viado de merda. Quem manda em você sou eu. Entendeu?
- imeo – é um sim senhor. Mas minha boca não consegue nem abrir. É uma mistura de dor, vergonha e medo.
Ele tira um dos seus chinelos e vai chegando perto de mim, até que vira uma chinelada no lado que me estapeou. A dor é seca, mas nada comparada a que passei há pouco
- Morde essa merda que eu não quero choramingo de viado fraco
Abro a boca e ele o coloca lá. É cheio de terra, pedra, chulé. Desgastado, como se passasse a vida inteira no chão de terra, o que provavelmente foi verdade e agora está na minha boca.
Roberto pega a escova molha no balde e primeiro enfia no meu rego. Ele sobe e desce com força, mas apenas arranha. Só que quando a escova começa a passar pelas minhas bolas, quase arrancando a pele frouxa eu não consigo mais funcionar.
É dor e mais dor
Não tem nada no mundo pior que isso, impossível.
Só que tem.
Logo na primeira escovada no meu pau, a dor é tanta que eu solto um grito que ultrapassa o chinelo e eu desmaio.
Uma hora estou sentindo a pior dor do mundo, as cerdas batendo contra a minha pele sensível, fazendo todo o corpo, até que elas triscam na glande e eu simplesmente saio de orbitaQuando eu acordo já está de noite. A lua alta no céu e estou na mesma mesa que estava antes. Meu corpo todo doendo, parece que eu passei em um ralador de queijo, mas meu pau lateja. Lateja de dor pura. Eu coloco a mão e ele inchado e quente, todo arranhado. De verdade, como se Roberto tivesse continuado a minha tortura depois que eu desmaiei. O que deve ser verdade.
Tento me levantar mas estou fraco, não consigo de uma vez. preciso primeiro me sentar, esperar um pouco e tentar ficar em pé.
3x. eu preciso disso 3x até conseguir.
E agora, faço o que?
Vou embora. Definitivamente eu vou embora. Olho pela janela e tem uma luz lá dentro, o monstro deve estar assistindo alguma coisa na televisão, e eu sei que o portão lateral está aberto. Eu chequei mais cedo.
Agora é fácil e simples.
Vou dando pequenos passos pela terra úmida, determinado a simplesmente ir embora.
e minhas pernas travam. Minha cabeça quer saber como vai ser o fim deste martírio, o que vai acontecer no resto do fim de semana. Já cheguei até aqui, o que mais pode acontecer?
Então faço o mesmo caminho e volto para a mesa. Me sento lentamente e fico pensando em que fazer agora.
Aparentemente eu não vou embora. E também não posso ir lá chamá-lo. Então fico sentado, olhando para o nada. Olho para o céu, conto estrelas, olho para a lua, que está cheia, iluminando tudo, e aí olho para as arvores.
Várias e várias, de diversas espécies, algumas tem frutas nelas, outras flores, e tem até uma seca bem no meio. Eu sou meio cego para longe, então nada se destaca. Apenas a arvore de folhas verde escuro e tronco liso que me torturou hoje mais cedo.
Foi ela? Foi o monstro? Ou fui eu?
Porque em momento algum ele falou que eu não poderia ir embora. E acho que se eu decidisse ir, realmente, eu seria capaz de me desvencilhar dele, mas eu não fui e não fiz.
Eu fiquei aqui durante toda aquela tortura, depois fui lavado até desmaiar, sem sair.
- Acordou?
- Sim senhor – respondo na hora
- Vem pra dentro. Mas limpa o pé antes
Eu obedeço e quando entro ele está vestido, todo arrumado, cabelo penteado, calça jeans, e camisa social.
- Você se mijou todo, e aposto que se eu não tivesse te esvaziado teria cagado também. Porco – ele faz uma cara feia balançando a cabeça negativamente.
Como se a culpa de perder o controle da minha bexiga por dor, uma causada por ele, seja culpa minha.
- Desculpa – é o que sai. E meus olhos enchem de lagrima. O que esse homem tem sobre mim que me faz ser tão servil a ele?
- Eu vou sair. Você vai dar uma geral na casa, colocar comida para o Thor meia noite. Hoje coloca caldo de carne junto da comida. Tem feito na geladeira. Depois pode dormir.
Eu o olho e ele revira os olhos
- Fala buraco do caralho
- Posso comer?
- Não. – ele se aproxima e torce minha orelha. Dói, mas pouco. – eu já disse de manhã, e não me repito.
- Desculpa.
- Agora vai lá, quando eu voltar te chamo
Eu aceno, e vejo o homem saindo sem nem olhar para trás, sem me dar uma única explicação, sem aplacar nem um pouquinho minhas doresDessa vez eu acordo com um pé na minha bochecha. Abro o olho rapidamente e ele está meio bêbado me olhando de cima. Nu e com o pau mole balançando.
- Vou mijar
Eu já sei o que isso significa, então me apresso em me colocar na posição e encarar de baixo. O fluxo é forte, e tem cheiro de cerveja.
- Café, e misto quente. 3. Na sala
Eu me apresso em obedecer mesmo que não seja uma ordem. Ele simplesmente diz e espera que eu obedeça. E o pior? O mais patético? É o que eu faço.
Coloco tudo em uma bandeja e me ajoelho na sua frente, já abaixando a cabeça.
Ele solta um super arroto, se espreguiça e apoia o prato em mim. Não me mexo até ele acabar e ir para o quarto. eu fico ajoelhado do mesmo modo. Não recebi ordens de me mover.
- BURACO – eu corro e o vejo deitado na cama todo espalhado – fecha as cortinas, liga o ventilador e enche meu copo de agua.
Apesar de mancando ainda eu obedeço.
- Tem um X naquela parede – ele indica e eu vejo um lugar meio marrom, com o símbolo vermelho marcado uns 10 centímetros abaixo da minha altura – encosta a testa nele e fica calado
Eu me agacho um pouco, uma leve dobrada de joelhos e fico lá. O tempo passa, meus joelhos ardem, Roberto ronca, e eu não me movo. Não sei quanto tempo, quantas horas, nada. Só sei que vou ficar imóvel aqui porque é o que ele quer e o que eu preciso.
Ouço alguns barulhos e ele se levanta da cama e passa reto por mim.
- Vem caralho, vou mijar – ele diz irritado e eu me posiciono – Voce tem que ser mais inteligente porra. Se eu acordo, vou mijar, e este é seu lugar, entendeu?
- Sim senhor
- Aproveita para mijar também
Ele balança, e vai sentar nu no sofá.
- Agora pode ser arroz, feijão e ovo. Gema mole, entendeu?
- Sim senhor – eu falo e ele ri, eu quase pergunto um porque, mas ele já complementa com um “mole igual você”
Isso machuca. Eu nunca fui acusado disso. Sou duro, implacável, um verdadeiro tubarão. Não sou mole.
Mas mesmo assim faço a comida, me ajoelho, lhe sirvo de mesa e depois lavo a louça enquanto ele vê futebol.
- Vem cá
Eu me aproximo receoso, ele sentado, fica na altura do meu pau. Inchado, dolorido, vermelho, provavelmente lesionado.
- Vira
Eu rodo e ele com um dedo me faz ajoelhar.
Roberto vira meu rosto de um lado para o outro e faz cara feia.
- Se você fosse um bom buraco não estaria machucado – ele para e dá aquela risada sádica dele – bem, não tanto – agora é gargalhada – mas é isso que um buraco é. Agora você vai embora para a sua casa, e se quiser ser meu de verdade volta aqui na sexta que vem.
Eu arregalo os olhos
- Se alguém encostar no seu corpo eu vou ter que te lavar de novo, e sempre é mais dolorido na segunda vez.
Eu aceno que sim
- Não me liga, não me enche o saco. 18h, pelado na porta. Vai – ele me dá um tapinha leve no rosto e eu me levanto mecanicamente.
Não posso nem dar tchau, não posso falar nada. Apenas sair nu, no meio do dia e me vestir, minhas roupas lindas que estão meio amassadas já, entrar no carro e ir para casa.
Por sorte eu não encontrei ninguém no elevador, porque assim que eu entrei e me olhei no espelho, vi um homem acabado me olhando.
Estou com o lábio aberto, com os dois lados do rosto vermelhos, um arranhado forte e o outro de leve, provavelmente pela escova, meu corpo todo dói, parece que um caminhão passou por cima.
E estou pior ainda nu, todo vermelho, com o pau e o cu esfolados. Tento entrar no chuveiro, mas não consigo e acabo na banheira, com óleos relaxantes e chorando.
Choro copiosamente, até meus olhos arderem tanto que eu tenha que parar e sair para poder ir chorar sozinho na cama.
No dia seguinte aviso que não vou na próxima semana ao trabalho, todos vão achar que eu fui atropelado ou que sofri algum tipo de agressão.
E será que foi isso mesmo?
X – X –X – X-X-X-X-X—X-X-
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E AÍ, NA SEXTA EU VOU OU NÃO?