🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

Lucas, David os namorados inexperientes

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de Thiago P.
Categoria: Gay
Contém 1997 palavras
Data: 28/06/2026 13:42:11

A música fazia o chão do salão da escola tremer. Luz colorida piscava nas paredes do ginásio decorado às pressas, gente rindo alto, cheiro de energético misturado com perfume barato e suor adolescente.

Victor já tava arrependido fazia exatamente quarenta minutos.

— Eu juro pela minha vida que não vou te largar sozinha — Mônica tinha prometido enquanto arrastava ele pelo braço até a festa.

Agora ela tava praticamente sentada no colo de um terceiranista perto da mesa de bebidas.

Victor observou de longe, incrédulo.

— Impressionante. Quarenta minutos. Novo recorde mundial.

Mandou mensagem.

“você jurou.”

Mônica respondeu quase na mesma hora:

“amg foi mal 😭 ele tem covinhas”

Traidoramente, Victor riu sozinho.

Guardou o celular e decidiu procurar um canto mais silencioso antes que alguém resolvesse socializar com ele à força. Passou pelo corredor lateral do ginásio, onde as luzes eram mais fracas e o som chegava abafado.

Foi aí que ouviu alguém tossindo.

No canto perto da saída de emergência, um garoto tava sentado no chão, apoiado na parede, parecendo à beira da morte.

Bonito pra caramba, infelizmente.

Jaqueta da atlética amarrada na cintura, cabelo bagunçado, rosto vermelho de bebida. Um dos populares. Victor reconheceu na hora.

David.

Ou melhor: DVD.

O apelido surgiu no primeiro ano e ninguém mais chamava ele pelo nome verdadeiro.

— Caralho… — o garoto murmurou, apertando os olhos. — O chão tá respirando.

Victor hesitou. — Acho que isso significa que tu já passou do limite.

DVD ergueu o rosto lentamente, como se o pescoço pesasse cinquenta quilos.

— Tu é… — ele semicerrrou os olhos. — Ah. Tu é o menino quietinho.

— Que descrição específica.

— Foi um elogio.

Victor devia ir embora. Sério. Aquilo tinha cheiro de problema.

Mas em vez disso, se agachou um pouco. — Tu vai vomitar?

— Talvez. — Ótimo. — Tu parece decepcionado.

Victor bufou uma risada curta. — Só tô tentando entender por que eu virei babá de hétero bêbado.

DVD ficou em silêncio por dois segundos.

Então começou a rir.

Rir de verdade.

Daquele jeito torto e bonito que fazia os olhos quase sumirem.

— Hétero bêbado… — ele repetiu, divertido. — Boa.

Victor sentiu o estômago afundar um pouco sem motivo nenhum.

— Tá conseguindo levantar?

— Depende. — Do quê? — Tu vai me deixar cair?

Victor revirou os olhos, mas segurou o braço dele mesmo assim.

DVD era mais pesado do que parecia.

Quando conseguiu colocar ele sentado num banco perto da porta, David ficou encarando o teto por alguns segundos.

— Sabe uma coisa engraçada?

— Tenho medo da resposta.

— Às vezes eu acho que tem alguma coisa errada comigo.

Victor ficou quieto.

A música da festa pulsava distante atrás deles.

— Tipo? — perguntou, tentando soar casual.

DVD deu de ombros. — Sei lá. Todo mundo fala de menina igual robô. “Nossa, que gostosa”, “pegava fácil”, essas merdas. Aí eu fico olhando pros caras falando… e parece teatro.

Victor prendeu a respiração sem perceber.

— Talvez tu só não seja idiota igual teus amigos.

— Talvez. — Ele virou o rosto devagar pra Victor. — Ou talvez eu repare demais nos caras.

O coração de Victor tropeçou dentro do peito.

DVD riu baixo, meio sem graça. — Mas é normal, né? — O quê? — Querer ser igual eles porque… sei lá… alguns parecem livres pra caralho.

Victor sabia que aquilo era código.

Sabia porque ele mesmo falava assim dentro da própria cabeça.

Não era “acho garotos bonitos”. Era “queria ter o estilo dele”. Não era “quero beijar ele”. Era “queria entender por que fico nervoso perto dele”.

Só que ouvir aquilo saindo da boca de David parecia perigoso.

Especialmente porque ele tava olhando pra Victor daquele jeito lento, vulnerável, bêbado.

— Tu pensa demais quando bebe — Victor disse baixinho.

— E tu? — Eu penso demais sóbrio.

DVD sorriu.

E pronto.

Pronto.

Victor sentiu naquele instante exato que tava ferrado.

Porque David era inalcançável. Popular. Lindo. Provavelmente hétero confuso no máximo.

E Victor conhecia bem o papel que sobrava pra garotos como ele: o de transformar migalhas em esperança.

Então fez a única coisa que conseguiu.

Guardou aquele momento pra si mesmo como quem coloca fogo numa carta antes de alguém descobrir que ela existe.

Platônico, decidiu.

Ia ser só isso.

Precisava ser.

Nos dias seguintes, Victor concluiu que a festa tinha sido um delírio coletivo.

Precisava ter sido.

Porque não fazia sentido nenhum David — o DVD, o garoto mais impossível daquela escola — começar a aparecer perto dele do nada.

Primeiro no corredor.

— Ei, quietinho.

Victor quase olhou pra trás pra confirmar que era com ele mesmo.

DVD tava encostado no armário ao lado, ainda bonito de um jeito irritante.

— Tu sumiu rápido naquele dia.

— E tu quase morreu intoxicado por energético com vodka.

— Exagerado.

Victor tentou continuar andando.

David acompanhou.

— Tá me evitando? — Não. — Tá sim. — Talvez.

DVD sorriu daquele jeito torto de novo.

Aquilo devia ser crime.

Depois começou na cantina. Na saída. Na biblioteca.

Sempre surgia perto dele como se fosse a coisa mais normal do mundo.

E Victor tava enlouquecendo.

Porque os amigos de David olhavam estranho. Porque Mônica já tava praticamente subindo pelas paredes.

“AMIGO ELE TÁ FLERTANDO”

“ele não tá flertando”

“ELE PEGOU SEU SUCO E BEBEU NO MESMO CANUDO”

Victor ignorou a mensagem e quase jogou o celular longe.

A pior parte era David agir naturalmente.

Como se não percebesse o efeito que causava.

Como se não tivesse deixado metade do cérebro de Victor funcionando em modo pânico desde aquela conversa na festa.

E aí veio a sexta-feira.

Corredor vazio depois da aula. Chuva fraca do lado de fora. Victor tentando guardar uns livros na mochila o mais rápido possível.

Quando fechou o armário—

David apareceu na frente dele.

Perto demais.

— Tu foge de mim toda vez que eu chego perto.

Victor sentiu o coração disparar instantaneamente. — Porque isso aqui parece pegadinha.

David franziu a testa. — Pegadinha? — Tu é popular, David. — E? — E eu não sou idiota.

O silêncio caiu entre os dois.

David olhou pra ele por alguns segundos, sério dessa vez.

Sem sorriso. Sem piada.

— Tu acha que eu tô brincando contigo?

Victor queria mentir. Queria dizer que não.

Mas a verdade escapou primeiro: — Acho.

David passou a mão no rosto, frustrado.

— Caralho… tu realmente não percebe.

— Perceber o quê?

David deu um passo pra frente.

Victor automaticamente deu um pra trás.

Até sentir as costas baterem na parede.

O ar simplesmente desapareceu dos pulmões dele.

— David—

— Eu tô tentando há dias ficar perto de ti.

A voz dele saiu baixa. Nervosa.

Não arrogante como Victor imaginava que seria.

Nervosa.

— Eu fico pensando em ti desde aquela festa idiota — David confessou, olhando direto pra ele. — E tu continua me tratando como se eu fosse te humilhar a qualquer momento.

Victor abriu a boca.

Nenhum som saiu.

Porque aquilo não fazia sentido. Nenhum.

David chegou mais perto ainda.

Tão perto que Victor conseguia sentir o cheiro do perfume misturado com chuva.

— Me diz pra parar então.

Victor devia mandar.

Devia.

Mas ficou parado.

O cérebro completamente embaralhado.

E David pareceu entender isso como resposta.

Segurou o rosto dele com cuidado — como se Victor pudesse quebrar — e beijou ele.

Foi rápido no começo. Hesitante.

Como alguém esperando ser empurrado.

Só que Victor puxou o ar assustado e segurou a blusa dele sem perceber.

E aí o beijo mudou.

Mais firme. Mais desesperado.

O mundo inteiro virou ruído branco.

Quando David se afastou, os dois ficaram ofegantes, se encarando em completo choque.

Victor parecia prestes a ter um colapso.

— Tu… — ele tentou falar e falhou miseravelmente. — Tu me beijou.

David soltou uma risada nervosa. — Perceptivo.

— Meu Deus.

Victor passou as mãos no próprio rosto, andando em círculos pequenos.

— Isso aconteceu mesmo? — Tu tá sóbrio?

Victor olhou pra ele como se estivesse tentando resolver uma equação impossível.

— Mas… por quê?

David ficou quieto por um instante.

Então respondeu baixinho: — Porque eu gosto de ficar perto de ti, Victor. É tão difícil de entender assim?

Naquela sexta, os pais de David tinham viajado para o interior a trabalho e só voltariam no domingo. A casa estava vazia, silenciosa, só o barulho da chuva fina batendo na janela do quarto.

Eles estavam na cama de David desde as quatro da tarde. Beijando, rindo, tirando roupa devagar. Victor já estava só de cueca, o pau duro marcando o tecido. David, por cima dele, mordia seu pescoço.

— Eu quero tudo hoje — David murmurou contra a pele dele, a voz rouca. — Se você quiser.

Victor engoliu em seco, mas assentiu. O coração batendo tão forte que parecia que ia sair pela boca.

David desceu, puxando a cueca de Victor com os dentes de um jeito que queria ser sexy, mas acabou rindo porque o elástico prendeu. Victor riu também, nervoso, e ajudou. Quando a boca quente de David envolveu ele, Victor soltou um gemido baixo, a mão indo automaticamente pro cabelo bagunçado do namorado.

Mas David ainda era inexperiente demais. Chupava com entusiasmo, mas sem ritmo, batia os dentes de leve uma ou duas vezes. Victor não reclamava — até gostava daquela falta de prática, da sinceridade crua.

— Vem cá… — Victor puxou ele pra cima depois de um tempo. — Minha vez.

Ele desceu, tirando a bermuda de David. O pau dele pulou livre, grosso, a cabeça brilhando. Victor lambeu devagar, explorando, tentando lembrar dos poucos vídeos que tinha visto. David gemeu, quadril subindo involuntariamente e quase enfiando até o fundo da garganta de Victor.

— Porra, desculpa — David riu, ofegante.

Eles trocaram de posição várias vezes. Cotovelada no peito, joelhada na coxa, risadas atrapalhadas no meio do gemido. Quando Victor finalmente ficou de quatro, lubrificante (comprado às pressas na farmácia mais cedo) já espalhado de forma meio desajeitada, David tentou entrar.

Demorou. Empurrou, saiu, ajustou o ângulo. Victor apertava os lençóis, mordendo o antebraço.

— Tá doendo? — David perguntou, voz preocupada, parado no meio.

— Um pouco… continua devagar.

David entrou centímetro por centímetro, suando, murmurando “caralho, você é apertado pra porra”. Quando finalmente estava todo dentro, os dois ficaram imóveis, respirando pesado. David começou a mover devagar. O ritmo era irregular, às vezes batia forte demais, às vezes quase saía. Victor gemia, uma mistura de dor e prazer que fazia ele tremer.

David não durou muito. Depois de poucos minutos metendo com mais força, ele gozou forte dentro de Victor, gemendo o nome dele no ouvido, corpo colado nas costas.

Ficaram assim um tempo, David ainda dentro, beijando o ombro dele.

— Victor… — a voz saiu baixa, quase tímida. — Eu quero que você me foda agora.

Victor virou o rosto, surpreso.

— Tem certeza?

— Quero sentir você.

Eles trocaram de lugar. David de bruços primeiro, mas não rolou. Acabou de lado, uma perna levantada. Victor, ainda duro pra caralho, se posicionou. Entrou mais fácil do que imaginava, mas David soltou um gemido agudo, quase um soluço.

— Tá doendo? — Victor parou imediatamente.

— Tá… mas não para. Por favor.

Victor começou devagar. David choramingava, olhos marejados, mas empurrava a bunda pra trás, rebolando de um jeito desesperado, ganancioso. Lágrimas escorriam pelo rosto dele, mas o quadril não parava — subia e descia, rebolava fundo, apertando em volta do pau de Victor como se não quisesse mais soltar.

— Mais forte… — pediu, voz embargada.

Victor segurou o quadril dele e meteu mais fundo, o barulho de pele contra pele enchendo o quarto. David chorava e gemia ao mesmo tempo, uma mão segurando o lençol, a outra se tocando.

Victor gozou primeiro, enterrado até o fundo, gemendo o nome dele. David veio logo depois, sem nem precisar de muito mais, sujando a própria barriga.

Ficaram um tempo embolados, suados, respirando juntos. Depois Victor saiu devagar. David, ainda ofegante, virou e desceu a boca no pau dele sem dizer nada — limpando tudo com a língua, devagar, quase carinhoso, mesmo tremendo um pouco da sensibilidade.

Quando subiu de novo, os dois se olharam e começaram a rir baixinho, sem motivo nenhum. Riso nervoso, aliviado, feliz.

David encostou a testa na dele.

— A gente é péssimo nisso — murmurou.

— A gente melhora — Victor respondeu, sorrindo, passando o polegar na bochecha molhada de David. — Juntos.

Eles ficaram ali, abraçados, a chuva ainda caindo lá fora, sabendo que aquela primeira vez desajeitada tinha sido só o começo de muitas outras.

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Thiago P. a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →