No carro, voltando para casa, Cortez dirigia em silêncio absoluto, enquanto Luma dormia, ou fingia dormir, ao seu lado. As imagens não saíam da cabeça: Luma de quatro, lambendo a buceta de Rute enquanto Dom a fodia. Aqueles gemidos... Aquela maldita entrega...
Ele apertou o volante até os dedos doerem. Ele olhou para o lado, mas Luma seguia apagada. Mas a conversa seria inevitável. E dessa vez, nenhum dos dois conseguiria fingir que estava tudo bem.
[CONTINUANDO]
Luma já havia acordado pouco antes de entrarem no trevo de acesso da cidade, mas estava calada, e calada continuou até chegaram em casa. O dia já raiava, com os primeiros raios de sol iluminando o horizonte, mas nenhum deles parecia disposto fisicamente para terem aquela conversa, quiçá psicologicamente:
- Vou dormir. Estou cansada.
- Não acha que precisamos conversar?
- Acho. Mas não agora. Por favor. Vou dormir e conversamos depois. Pode ser?
- Tudo bem. Eu também estou exausto.
Luma seguiu para a suíte do casal e lá ficou. Cortez aninhou-se nas almofadas macias do sofá, indisposto em dividir o mesmo espaço com a esposa.
Já passava das 8:00 quando Cortez acordou de sobressalto, assustado com Luma que o encarava como a uma assombração:
- O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou.
- E você ainda pergunta, Cortez!? Depois de ontem, você ainda tem coragem de perguntar se aconteceu alguma coisa?
Cortez suspirou alto, com as lembranças que voltaram a jato. Ele encarou a esposa e se levantou, coçando os olhos e dizendo:
- Preciso de um café.
- Precisamos de muito mais. – Disse Luma, se levantando e indo para a cozinha.
Ela preparou um café novo, esquentou leite, colocou o pão e a margarina sobre a mesa, e se sentou. Cortez veio pouco depois de uma ducha rápida e sentou-se ao lado dela. Começaram a comer e beber, num silêncio que cortava feito navalha. Após alguns minutos, ele falou:
- Muito bem... Quer começar?
- Quero. Eu...
Bem nesse instante Luma é interrompida pelo som de seu celular tocando. Ela olha para Cortez que pede que ela ignore. Ela então suspira e continua:
- Eu não dormi nada... nem lá, nem cá. – Disse Luma, suspirando profundamente, sem tirar os olhos de sua xícara: - Acho que essa história está indo de mal a pior.
- Concordo. Eu, ontem, não acreditei que...
Agora era Cortez quem era interrompido pelo som de seu celular tocando. Ele olhou rapidamente para a tela e o nome surge no pior momento possível. Luma também vê e apenas balança negativamente a cabeça. Então, pega o seu celular e vê que quem havia ligado era justamente a mesma pessoa, ele, Dom Black:
- Melhor você atender, ou ele não irá nos dar sossego. – Diz Luma.
Cortez concorda e atende. O tom de voz de Dom denuncia que, ao contrário deles, ele parecia te dormindo muitíssimo bem:
- Bom dia, meu amigo Cortez. Preciso falar com Luma.
- Dom, estamos tomando o nosso café da manhã e tentando ter uma conversa que...
- Conversem depois! – Dom o interrompe: - Preciso falar com ela. Agora.
Cortez olha pra Luma e lhe passa o celular:
- Ele quer falar com você.
Luma não fica surpresa, afinal, ele havia tentando antes. Pega o aparelho e diz:
- Alô.
- Bom dia, minha linda. Dormiu bem?
- Não. Nem um pouco...
- Ué!? Estou surpreso! Pensei que você tivesse se cansado bastante ontem.
- Dom... o que você quer?
- Melhore seu tom comigo, minha querida. Lembre-se: eu sou o seu Dom. Só eu posso te dar o que você procura.
- Dom... Por favor...
- Ok, ok... É o seguinte, um amigo meu que eu não via há tempos está aqui em minha cidade e eu queria oferecer um jantar para ele. Como ele é uma pessoa diferenciada, também gostaria de apresenta-los a vocês.
- Hoje?
- Sim, querida, hoje. Fale com Cortez. Quero vocês aqui por volta das 20:00. Ele conhece meu estilo de vida e meu bom gosto. Então, use apenas um vestido preto, curto e justo, sem sutiã, nem calcinha. Já Cortez, deve se apresentar impecavelmente num estilo social, de preferência com camisa branca e calça preta. Artur os estará esperando.
- Não sei, Dom. Sinceramente, eu acho que...
- Querida... – Dom não lhe dava chance de pensar: - Eu tomo as decisões por aqui. É por isso que você é a submissa e eu sou o seu Dom. Apenas obedeça. Vocês não irão se arrepender.
Desligaram. Luma avisou a Cortez do convite de Dom. Cortez sentiu o estômago contrair, mas também o pau reagir dentro da calça. Não disseram nada. Apenas um suspiro conformado de Luma surgiu, selando aquele estranho acordo. Luma então se levantou:
- E a nossa conversa? – Perguntou Cortez.
- Estou cansada. Preciso descansar para o jantar de hoje.
- Mas não vamos só jantar e conhecer o tal amigo do Dom?
Luma encarou Cortez em silêncio por um segundo, praticamente dizendo em telepatia: “você acha mesmo que vamos só jantar?”
Eles se arrumaram perto do horário e partiram. O trânsito parecia colaborar para que chegassem antes do tempo. Na portaria do clube, seguranças garantiram que entrassem sem esperar na fila.
O Imperium de Dom parecia mais cheio que o normal. E havia também um burburinho diferente, risadas mais altas, olhares que se demoravam um segundo a mais neles. Logo, Artur surgiu, cumprimentando-os com deferência. Convidou-os na sequência a segui-lo.
No mezanino, uma mesa luxuosamente montada para quatro pessoas, os aguardava e nela já estavam Dom e um homem negro, imenso, alto e musculoso e cabeça raspada. Enquanto se aproximavam, o olhar do estranho cruzou com o de Luma e um arrepio diferente percorreu sua coluna. Dom se levantou de imediato para recebe-los:
- Meus queridos... Obrigado por aceitarem o meu convite. Venham. Quero que conheçam um amigo meu de muitos anos... – Dom os levou até o negro que também se levantou: - Queridos, este é Jermaine. Jermaine, estes são o casal Cortez e Luma. Ela é minha nova sub.
- Ah! – Jermaine forçou uma surpresa, demonstrando uma voz grossa e rouca, potente como poucos: - Então, você deve ser o corno. É um prazer.
Jermaine abraçou Luma e beijou sua face. Já a Cortez, apenas apertou sua mão, mais forte do que o necessário, os olhares durando mais do que precisariam. Dom assistia a tudo com um sorriso discreto nos lábios. Quando enfim, eles se soltaram, falou:
- Cortez, meu querido, acompanhe Artur. Ele irá lhe passar algumas instruções importantes...
- Acompanhá-lo? – Cortez repetiu, confuso.
- Sim. Basta acompanha-lo. – Dom então puxou uma cadeira e assentou Luma: - E você, minha querida, irá se sentar aqui, entre mim e Jermaine.
Luma estranhou, mas não recusou, afinal, logo Cortez retornaria e participaria daquela estranha noite.
Mas não era esse o plano de Dom.
Cortez e Artur seguiram por corredores até chegarem à cozinha. Ali, ele lhe entregou um típico avental de serviçal, branco e bordado, pedindo que o colocasse:
- Para que isso!? – Perguntou Cortez já com o acessório em mãos.
- É para a noite. Dom quer que você os sirva na mesa.
- Garçom!? Ele quer que eu seja um garçom. É isso?
- Sim. – Respondeu Artur, impassível.
- Nem em sonhos... – Disse Cortez, atirando o acessório à mesa.
- Senhor Cortez, por favor...
Mas Cortez já estava à caminho da mesa, irado, bufando, prestes a fazer uma besteira que nunca imaginou que teria que adiantar.
Na mesa, Dom e Jermaine eram só elogios à Luma. Dom acariciava a mão dela suavemente, como se fossem mais do que dominador e submissa. Ele queria um momento mais leve com ela, para que ela se sentisse realmente prestigiada naquele novo universo. Jermaine observava, sorrindo, conversando, ouvindo:
- Ontem, foi nossa primeira vez, Jermaine. Luma me surpreendeu bastante, sabia?
- Não diga! Primeira vez!? Sei que já comemoraram, mas eu gostaria de também sugerir um brinde. Podemos pedir uma champanhe, Dom?
- Claro que sim, meu amigo. Vamos apenas aguardar o garçom da noite chegar e faço o pedido.
Foi então que um outro homem, meio fora de forma, um pouco gordo, com óculos de grau em armação grossa e preta, se aproximou. E já foi sentando onde Luma imaginou que seria o lugar reservado a Cortez. O homem, assim que se sentou, já puxou um guardanapo de pano, colocando sobre o colo e encarou Luma por um segundo com os olhos arregalados de surpresa:
- E quem é essa beldade animando nossa noite, Dom?
- Vítor, essa é Luma, minha nova submissa. Luma essa é Vítor, outro amigo meu.
Vítor se levanta e estende a mão por sobre a mesa na direção de Luma que retribui. Ele então se inclina e a beija por tempo demais e com saliva demais para o gosto dela. Quando a solta, volta a se sentar:
- “Enchanté”, dona Luma!
Vítor então encara Dom e sorri:
- Amigo, vejo um diamante aqui... Você bem que poderia convencê-la a participar de uma de minhas películas, né? Eu poderia transformá-la em uma estrela...
Luma arregalou os olhos e encarou Dom, esperando uma explicação. Ele sorriu e retribuiu:
- Vítor é produtor e diretor de filmes, Luma. Não disse antes, mas Jermaine é um ator...
- E dos melhores! – Interrompeu Jermaine, sorrindo.
- Dos melhores, claro. – Concordou Dom, que continuou: - Ele e Vítor já trabalharam juntos diversas vezes.
- E vamos trabalhar muitas outras, né não, tição? – Brincou Vítor, dando um tapa no ombro de Jermaine.
- Se me pagar bem, que mal tem. – Retrucou Jermaine: - Aliás, ainda estou esperando o restante do pagamento da última produção.
- Tá chegando... Tá chegando... – Gargalhou Vítor, todo bonachão: - Mas pagamento igual contracenar com uma beldade com a Luma não tem, há de convir.
Jermaine encarou Luma por um segundo, piscou um olho e disse:
- Quem sabe não estrelamos a próxima produção do Vítor, hein, Luma? Aposto que o Dom não se importaria em dividir...
Nesse momento, Cortez se aproximava a passos rápidos da mesa deles e já estava aos pés da escada que separava o salão do mezanino, com Artur a tiracolo, tentando contê-lo e convencê-lo:
- Por favor, senhor Cortez, não me faça ter que intervir...
- Vá à merda, Artur! Estou cansado dos abusos desse mané do Dom.
- Senhor, é tudo parte da fantasia. Ele os está submetendo gradualmente como fez com vários. Confie no Dom. Ele sabe o que faz.
- Eu vou mostrar para ele que não sabe tão bem quanto imagina...
- Homem, calma! – Artur segurou o braço de Cortez e o parou com um tranco: - O Dom está fazendo algo hoje que eu nunca o vi fazer antes. Ele está apresentando uma... uma... – Artur titubeou até achar a palavra certa: - Escolhida para dois de seus amigos mais influentes, um ator e um diretor de cinema. Acho que ele gostou realmente de sua esposa e quer presenteá-la com algo.
Cortez o encarou em silêncio por um instante. Então, falou:
- Que... história é essa de ator e diretor, Artur? Explica isso melhor...
Mesmo constrangido, Artur fez então um breve resumo de quem eram as pessoas na mesa naquela noite. Para a surpresa de Cortez, descobriu que o quarto lugar à mesa não estava reservado para ele. Mas a surpresa maior foi saber quem eram aqueles dois. Voltou a caminhar até a mesa, a raiva anda borbulhando em seu peito, prestes a explodir.
Em segundos, subiu o mezanino e já os viu de longe conversando, os três homens animadamente, Luma ainda meio receosa. Assim que chegou à mesa, Dom foi direto:
- Cortez, até que enfim! Por favor, providencie champanhe e taças para quatro. Precisamos brindar esse momento.
- Luma, levanta! Estamos de saída... – Retrucou Cortez.
Todos se calaram de imediato. Os dois recém chegados se entreolharam, constrangidos e depois a Dom, esperando uma solução. Luma apenas abriu os olhos e a boca, surpresa com o tom do marido. Dom fechou o semblante e se levantou, encarando Cortez:
- Como é que é!? – Seu tom subiu duas oitavas.
- É isso mesmo que você ouviu. Mas vou pintar para você entender melhor... – Cortez começou a movimentar a mão de uma forma errática enquanto dizia pausadamente: - Estamos... de... saídaaaaa! Entendeu?
- Que palhaçada é essa, Cortez!? O que aconteceu? – Perguntava Dom, fingindo surpresa.
- O que aconteceu!? – Cortez fechou os punhos, olhando para Dom e encarou Luma: - Aconteceu que o bonitão aqui, Luma, decidiu que eu seria o garçom da noite, de aventalzinho bordado e tudo!
Luma nem se surpreendeu tanto, porque todos os lugares da mesa já estavam ocupados, apesar de ainda ter alguma esperança que pudesse ter sido um erro na montagem da mesa. Ela então encarou Dom que seguia olhando para Cortez. E Dom tinha mais a falar:
- Cortez... Ponha-se no seu lugar. Você aqui é o marido submisso da minha submissa. Você é o último que manda e o primeiro que obedece. Eu decidi dar esse jantar para apresentar minha querida Luma aos meus amigos e quem sabe abrir as portas do cinema para ela. Aprenda a ser um pouco mais grato.
Cortez deu uma risada metálica e sarcástica, fria. E olhou para Luma que agora o encarava assustada com a reação do marido:
- E você está de acordo com isso, Luma? Acha justo eu ser o serviçal enquanto você é galanteada por um criador de conteúdo e um diretor de filmes pornôs? É isso que você quer para a sua vida?
- Pornô!? – Repetiu Luma, colocando a mão sobre a boca: - Que história é essa, Dom?
Dom sentia que estava prestes a perder o controle. Então, suspirou, olhando para o teto e disse:
- Gente... Sem preconceito, ok? Vítor cria películas da melhor qualidade.
- Vamos, Luma. Já está ficando tarde. – Insistiu Cortez, fazendo um movimento de mão para que ela se apressasse.
- Calma, calma, calma! – Disse Dom: - Cortez, me dá um segundo.
Cortez o encarou. Luma fazia o mesmo. Aliás, todos ali aguardavam o que Dom diria. Por um instante, ele se calou. Mas não parecia nervoso. Parecia estar apenas esperando que toda a atenção estivesse acumulada em si para começar uma de suas justificativas. E era isso mesmo:
- Vítor é um visionário. Ele não cria pornô como Cortez disse, Luma. Certamente ele tirou uma conclusão precipitada de algum lugar e se enganou. O estilo dele mais se aproxima de uma pornochanchada, mas com muito mais bom gosto.
Luma o encarava com os olhos espremidos, como se estivesse brava. Cortez então parecia prestes a soca-lo:
- Vamos, amor? Acho que essa noite já deu, né? – Insistiu Cortez.
- Eu quero ouvi-lo, amor. Quero sair daqui com a consciência tranquila de não ter prejulgado ninguém.
- Luma... – Resmungou Cortez, temeroso que ela pudesse ser enganada.
- Vamos só ouvi-lo, por favor.
Cortez abriu um sorriso e olhou para Artur que aguardava ao lado:
- Artur, peça para que alguém nos traga drinques. Precisamos relaxar.
- Não é necessário. – Disse Cortez, levantando uma mão e encarando Luma: - Vamos embora. Isso já passou dos limites.
- Eu sei. Mas eu quero ouvi-lo.
- Mas...
Nesse instante, Dom colocava à frente deles seu celular com o trecho de um filme sendo exibido. Olhava para Luma com apreensão, temendo estar perdendo sua mais nova criação. Disse, então:
- É o último filme do Vítor. Chama-se Paixão em Chamas. Assistam. Peguem. E me digam depois se não é um filme de muito boa qualidade.
Luma pegou o celular e começou a assistir ao lado de Cortez que, embora quisesse ir sair dali, acabou ficando. Logo, drinques chegaram à mesa e Dom, com o seu jeitinho, conseguiu assentar Luma novamente em seu lugar, agora com uma cadeira improvisada para Cortez. Por meia hora, assistiram calados ao filme, observados pelos demais na mesa. E durante esse tempo, bebericaram os drinques oferecidos. Num certo momento, Luma repousou o celular sobre a mesa e falou:
- Tá. Não vi nada demais também. Só um pouco de nudez, muita sedução simulada e alguma cena em que podem ou não ter havido sexo.
- Eu te falei isso. Cortez se adiantou e quase tirou de você a possibilidade de saber a verdade. Você sendo o marido e protetor, deveria se envergonhar de suas atitudes, meu caro! – Disse Dom.
Cortez o ignorou e olhou para Luma:
- Podemos ir agora?
- Não! Eu vim aqui para jantar e vou jantar.
- Depois de tudo... Você ainda quer jantar?
- Quero, e eu sei que você também. – Ela insistiu: - Ele pode, né? Ele vai jantar com a gente, não vai?
Dom a encarou de forma calma, balançou afirmativamente a cabeça e explicou:
- Eu... havia preparado uma dinâmica para hoje. Com todo carinho, mas acho que depois da desconfiança de seu marido, ela nem seria correta.
- Que dinâmica? – Perguntou Luma.
- Bem... Enquanto nós iríamos desfrutar de um delicioso jantar de negócios, onde eu te apresentaria ao Jermaine e ao Vítor, Cortez seria nosso garçom, cuidando de nosso atendimento.
- Por que isso? – Insistiu Luma.
- Querida, lembre-se que eu sou seu Dom. A minha vontade é lei. E seu eu acho que essa dinâmica seria interessante, é porque tem uma finalidade. – Disse Dom, sorrindo e tocando sua mão delicadamente: - Você não confia mais em mim, é isso? Acha mesmo que eu quero prejudica-la?
Luma o encarou por bons segundos no mais completo silêncio, como se quisesse ler a verdade de suas palavras em seus olhos. Depois, suspirou profundamente e olhou para o marido:
- Eu acredito nele, amor. Se o Dom disse que tem uma finalidade, deve ter.
- Como é que é!?
Luma se vira para Dom novamente:
- Mas ele vai jantar, não vai? Não está pensando em deixa-lo com fome?
- Claro que não, minha linda. Ele irá comer junto dos demais empregados na cozinha da casa. Ele será bem alimentado. Confie em...
- Vou porra nenhuma! – Disse Cortez, se levantando: - Vamos! A noite acabou. Ou você se levanta e vem comigo, ou pode arrumar outro jeito de voltar para casa.
Luma se surpreendeu com seu tom e o encarou em silêncio por um tempo. Só então se levantou e tocou de leve seu peito, aproximando sua boca de seu ouvido:
- Vem comigo. Agora.
Ela o pegou pela mão e saiu o arrastando até um canto mais isolado do mezanino, que estava vazio naquele momento por ter sido reservado exclusivamente para o jantar oferecido pelo Dom. Assim que estavam distantes, ela encarou Cortez:
- Hoje, quem quer ficar sou eu! Você um dia pediu para eu confiar em você, hoje sou em que estou pedindo. – Cortez suspirou, vendo suas chances de convencê-la diminuírem: - Entramos nessa juntos e vamos ficar juntos. Se você sair, eu desisto de tudo. Tudo, ouviu?
- Luma, ele está te enganando...
- Ele!? Ou você, Cortez? Por que parece que todo mundo sabe de alguma coisa que eu não sei. Já estou começando a achar que você está de implicância com o Dom por causa de algum ciúme besta.
Cortez sentiu a invertida e ficou sem palavras. Luma nunca havia falado com ele naquele tom antes. Luma aguardou impacientemente por bons segundos enquanto o marido pensava. Não durou muito:
- E então? Como vai ser?
Cortez não respondeu novamente. Apenas anuiu com um discreto movimento de cabeça. Ambos retornaram de mãos dadas à mesa onde os demais conversavam, olhando para eles. Assim que chegou, Luma soltou a mão de Cortez e foi para o lado do Dom, segurando em seu braço. Então para a surpresa de todos, como se fosse a primeira dama do local, olhou para Artur e disse:
- Artur, querido, acompanhe o meu cor... – Ela pigarreou, olhando rapidamente para Dom e continuou: - Acompanhe o Cortez até a cozinha e lhe devolva o tal avental. E Cortez... traga o nosso jantar. Estou faminta.
Cortez voltou a resmungar algo sobre considerar tudo aquilo um completo absurdo. Luma decidiu subir o tom ainda mais:
- Quem está falando com você é a sua Dona, Cortez! Quando se referir a mim, espero que seja com respeito e devoção. Ah! E faço questão de que me chame de amor, mestra, ou... Não! Melhor ainda. Quero que me chame de Dona, uma justa homenagem ao meu Dom. – Disse piscando um olho para um surpreso Dom.
Cortez a encarou boquiaberto. Artur o pegou pelo braço e puxou suavemente. Talvez ele próprio não estivesse acreditando na conclusão daquela cena. Antes de saírem, porém, Luma foi até ele e beijou a sua boca, fazendo questão de morder o lábio inferior até ele gemer:
- Estamos entendidos? – Ela perguntou, olhando nos olhos dele.
- Sim... – Balbuciou.
- Sim, o quê!? – Ela insistiu, subindo o tom.
- Sim, minha Dona.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
