Tendências – Cap 15 - Enfim consegui me encontrar!
Feminização, Menino para Menina, Transição, Crossdresser
Este episódio ocorreu a algum tempo, não há uso de material ilícito, nem apologias a uso de violência/drogas/pedofilia. Conta a história de Amanda, muito antes dela saber que seria Amanda.
Assim que mamãe saiu, tanto o tom como o semblante da médica mudaram um pouco, ela projetou um olhar mais carinhoso e tranquilo e falou-me.
– Tudo bem eu chamar-lhe de Amanda?
– Sim!
– A ideia de vir vestida de menina, foi sua ou de sua mãe?
– Como falamos, desde ontem na verdade, iríamos ter pouco tempo para mudanças de roupas e estilos, é a primeira semana na loja, e terá uma, quer dizer, está tendo uma festa no bairro, melhor dizendo, no centro revitalizado, onde fica a loja então, é a oportunidade de todos da região conhecerem a loja, produtos e tudo mais.
– Sim mas não entendi a necessidade da roupa, agora pós expediente.
– É que ontem, fizemos a aplicação de alongamento nas unhas, o penteado com a aplicação de, não sei como chamam, de extensão capilar e tudo mais, o que não daria para ficar tirando e pondo a cada fim de expediente, além de que ficaremos sábado e domingo praticamente das 08 horas às 19 horas com a loja aberta, pelo menos hoje, amanhã vai depender do horário que encerrarem o evento, mas acho que até umas 17 horas, o que nos daria pouco tempo para desfazer e fazer.
– Certo, realmente seria desgastante, além do que uma perda pelo lindo trabalho que foi feito em sua make, unhas, cabelos. Mas percebi também brincos, até certo ponto seu cabelo parece bem cuidado e feminino, acho que tem uma feminilidade natural!
– Não entendi?
– Amanda, já explico, mas preciso continuar, em casa, nestes dias, você tem usado as roupas e acessórios femininos?
– Sim, no inicio para que eu treinasse me vestir rápido, pois entre sair da escola e abrir a loja, teria um período curto de tempo, quanto a acessórios, o que seriam?
– Acessórios, brincos, make, pulseiras, coisas como tiaras, mas vamos pensar, sapatos, você entrou aqui andando elegantemente em um salto nada comum para um menino!
– Tá, eu treinei junto com o vestir, o me maquiar, até para tirar alguma masculinidade, o cabelo mamãe me ensinou a pentear de um jeito feminino, na escola uso ele preso geralmente, ou mais desleixado, sapatos eu treinei até um salto agulha, que usamos na inauguração, por causa da publicidade, do jornal, de tudo que envolvia.
– Eh, tem alguma foto?
– Tem no instagram da loja, mamãe que tirou as fotos e com a ajuda de um colega. Posso pedir depois.
– Não, agora não, depois eu procuro e curto a página, e uma ultima pergunta, quando terminava este ou estes treinos qual era sua atitude.
– No início, pois já fazem semanas, eu me trocava para minhas roupas normais, depois com o uso de roupas íntimas na vestimenta, eu no inicio por preguiça mas depois pela delicadeza e suavidade das roupas eu dormia com elas, tirava pra ir a aula apenas, pois assim que voltava, me montava pra treinar o tempo de troca, com falei e me posicionar, andar, fazer as atividades de casa de forma a não cometer falhas na loja.
– Que tipo de treino?
– Sentar, levantar-se, pegar coisas nas prateleiras de baixo, sem mostrar nada lá atras, andar delicadamente, pé por pé, andar sem se curvar com passos pequenos, gestos suaves, braços em torno do corpo, o arrumar um cabelo, retocar a make, estas coisas.
– Aprendeu com quem?
– Ah, mamãe, titia e minhas 2 primas que me ajudaram muito na semana intensiva de treino, antes da inauguração e diante do fim de semana que antecedeu o evento.
– Nossa, você foi empenhada hein, por isso sua mãe tem tanto orgulho e carinho por você, tudo isso que você me disse, sua mãe havia me falado, mas eu preferi perguntar, até para entender em que nível estamos de transformação, ou melhor dizendo, como você se via nesta transição.
– Transição, transformação?
– Amanda, sua mente e seu corpo estão agindo de forma considerável, na aceitação da figura feminina que você está expressando, note que você em nenhum momento aqui, falou um pronome masculino, ou se referiu ao menino, ou coisas de menino, você pode não ter percebido ainda, mas sua mente e corpo estão sincronizados com esta questão de ser menina, reparou nisso? Mas não me responda agora, vamos chamar sua mãe e em outro momento voltaremos ao assunto.
Mamãe foi chamada pela própria médica, ela foi lá fora chamar, elas demoraram um pouco e logo em seguida entraram, assim que mamãe sentou falou.
– Então, filha tá tudo bem? Doutora ela lhe respondeu a tudo, talvez alguma dúvida que tenha ficado eu possa descrever melhor!
– Não, foi perfeito né Amanda, bom o que eu tenho para dizer de imediato.
Ela pausou, reviu as anotações do computador, de sua caderneta e disse:
– A Amanda, quanto as alergias, realmente podemos dizer que tem uma certa intolerância, mas teríamos que fazer um exame, aqueles de alergias, para ter a máxima certeza, mas isto agora imagino não ser ideal, devido às necessidades na loja e tudo mais e poderia dar uma reação mais forte, teríamos que entrar com histamínicos e isto daria outra reação que é a sonolência e cansaço.
– Mas como faremos?
– Bom, se as roupas dela, da parte dos seios forem fechadas como esta, creio que o uso dos seios, presos aos bojos, e não colados já ajuda, tenho aqui um produto usado em curativos, micropore, poderá recortar ele do tamanho da superfície que fica em contato com a pele e costura, prendendo as próteses no sutiã, de forma a poder tirar e pôr para lavar, tanto prótese com sutiã. Se tiverem sutiã com bojo ele poderá também ser fixado.
Ela falou isso e passou um pequeno rolo de uns 15cm de largura fechado para mamãe, logo em seguida olhando para mim disse:
– Sua filha, em nossas conversas, demonstrou um certo grau de feminilidade muito acima do natural, nesta idade meninos tem a variação de personalidade e tantos os hormônios masculinos como os femininos presentes no homem, podem variar e determinar de forma suave algumas tendências.
– Tendências, pode explicar melhor Dra. Perguntou mamãe.
– Creio que vamos precisar de uma consulta em conjunto com uma psicóloga, para que possamos balizar a situação, por tudo que já vi, analisando as conversas, Amanda, veio para ficar, creio que até sua filha, já sabe disso, mas ainda não expressou, lutar agora contra, pode ser muito mais danoso, como disse pode ser temporário ao processo da loja, ou podemos ter isso como catalisador para uma transformação que ele já vinha desejando a muito tempo, mas não tinha possibilidades ou apoio em experimentar.
– Filha, o que me diz sobre isso?
– Olha mamãe, eu não sei, apenas sinto que me sinto bem, quando vestida assim, realmente não consigo me ver menino, tamanha a transformação que percebo em mim, interna e externamente ao usar os produtos, roupas, andar, falar, me tratar no feminino, realmente eu não coloquei nenhuma barreira em tudo isso, quando … bom é isso,
– Quando o que filha?
– Olhe Amanda, o momento é agora, estamos aqui nós três para nos ajudarmos, o máximo de sinceridade, honestidade que tivemos entre nós três, é o mínimo para não cometermos nenhum erro que possamos nos arrepender depois.
– Erros, eu estou fazendo algo errado?
– Não filha, mas Dra explique melhor, por favor.
– Amanda, estamos partindo da premissa, que você não só está vestindo-se assim, com roupa, make, acessórios. Também está agindo de forma feminina, no falar, no expressar-se, em tudo, então é algo nato, talvez mais a frente você iria optar por ser uma menina, lógico que quanto mais a frente, mais difícil para controlar todos os hormônios masculinos que iriam expressar-se fortemente, embora, mas isso só a análise clínica de seu sangue, poderá dizer o quanto de feminino existe em você, quanto a estética, psique, creio que é uma menina, uma jovem já, ou melhor já é uma mulher em formação, a palavra erro, é a gente não ter a exata certeza do que você deseja, e agir apenas para ajudar sua mãe, com um complexo de culpa por ações do passado, não nos valida, muito pelo contrário irá prejudicar e muito as decisões futuras, e aí sim cometemos erros em não saber agir conforme SEU DESEJO.
As duas últimas palavras ela fez, suavemente esticando o braço, com seus dedos quase encostando em mim, mas de forma a tocar a minha testa. ENtão eu entendi que ali era o limite entre desejo, frustração, sonho e abandono, eu parei, olhei para meus braços, mãos , pernas, ajustei a roupa então suspirei.
– Ah, mamãe, me perdoe, mas eu gostaria de ser sua filha, mas tenho medo na escola, com todos, não sei se vou conseguir suportar, já vi na escola muita gente sofrer, ser excluída, ou excluído, pois tem meninos trans e minhas trans lá e já ouvi conversas de como eles sofreram, não sei se suportaria.
– Sério, se estão sofrendo bullying, devem ser denunciados?
– Não, a escola acolhe e tem uma política bem acessível, ocorre mais quando vamos para algum evento fora, ou recebemos alunos de outras escolas, que ainda não vivenciaram com pessoas trans, até se adequarem as meninas e meninos não vivem os melhores dias.
– Mas uma dúvida filha, foi depois de propormos esta ajuda, se foi, eu que devo lhe pedir perdão, encerramos tudo isso agora mesmo, se está lhe fazendo mal.
– Não mamãe, eu já tive em anos passados, experimentado suas roupas escondido, já fiquei de calcinha por baixo do pijama algumas noites, mas foi pouco, na verdade eu pesquisei e vi que o nome era Crossdresser, então me entendi que não era uma menina, apenas um menino que gostava de vestir-se, maquiar, sim, eu já usei batom em casa, mas era poucas vezes no mês, 2 ou três, mas o estranho que em todas estas vezes eu sempre tive pensamentos de estar feminina e namorar alguém que era também uma menina, isto que me deixa um pouco confusa. Mas fica tranquila, não é nada culpa sua, acho que a Dra está certa, em breve eu me identificaria uma crossdresser para a senhora, só não sei se seria tão feminina como estou agora, confesso que é algo que me emociona, me ver tão linda, como me vejo.
A mamãe me puxou e me abraçou, chorando, a Dra, levantou-se foi na estante que parecia muito uma biblioteca, pegou uma caixa de lenços e saiu da sala, dizendo que logo voltaria.
Uns minutos depois ela retornou, já estávamos recuperadas ela sentou-se e perguntou:
– Bom que caminho desejam tomar, ou melhor, Amanda qual seu caminho?
– Olha, eu quero ser uma menina, temos pouco tempo ainda na escola, então acho que por enquanto serei menino lá, minha namorada, e uma menina trans, fez a mudança nas férias e acho que podemos seguir o mesmo caminho, se é possível né, não sei quanto tempo isso pode demorar para me transformar em uma menina?
– Transição, é o nome, com 45 dias já temos mudanças suaves, com 2 meses aparecem os primeiros ajustes que os hormônio definem no corpo, com 6 meses seu corpo já estará na metade da fase de feminização, terá já seios próximos da idade natural de uma menina, com isso teremos algumas mudanças a mais na pele, cabelos e principalmente no seu psicológico, então podemos de imediato, apenas obstruir os hormônios masculinos até o início das férias, com doses mínimas de hormônios femininos, não terá grandes mudanças externas, mas seu corpo irá aprender a lidar com progesterona e testosterona, na medida que equilibrarmos e depois inibirmos os hormônios femininos, mas lembre-se, ainda os terá, visto que seu corpo continuará produzindo via seus órgãos internos, masculinos. Mas lembre-se de seguir sempre as recomendações e seu psicológico já será afetado nos primeiros 15 dias, por um longo tempo.
– Iniciamos agora? EU perguntei meio aflita, na verdade a euforia estava explícita em meu jeito de perguntar
– Não, imagina, antes iremos fazer alguns exames, temos a consulta com uma endócrina, psicóloga e nutricionista, para depois de forma multidisciplinar, nós três apresentaremos a vocês duas as possibilidades e o caminho a ser tomado, junto ainda terá academia, modificar a alimentação, etc.
Assim ficou definido para a próxima semana na sexta feira, uma consulta pela manhã, com a endócrina, os exames já seriam feitos segunda feira, ela nos deu um atestado e as guias para que eu faltasse na segunda, então estava tudo mais que encaminhado, terminamos de conversar, eu fiz algumas perguntas sobre as mudanças prováveis no meu corpo, mas a médica sempre respondia que dependia dos exames, que cada corpo tem uma reação baseada em seus hormônios iniciais, mas ao final ela usou uma palavra que me deixou feliz.
– Bom Amanda, suas dúvidas são válidas, em breve, nós teremos as respostas baseadas em evidências, em ciência, em estudo clínico, mas posso lhe garantir, quando a você se tornar uma linda mulher, que você já é, por tudo que você falou, tem todas as TENDÊNCIAS, a se tornar tão linda quanto sua mãe e sua namorada, que imagino também ser uma linda menina.
– Tendências, gostei! Sim ela é.
Com isso fomos estávamos para ir embora, eu muito mais aliviada e agora ciente que falei tudo o que sentia e escondia para minha mãe, segunda, ou melhor, terça feira iria ter uma conversa com minha namorada, espero que ela me entenda.
— Se lhe ajuda, meu ex-noivo era uma crossdresser, infelizmente terminamos pois a empresa dos pais dele, tiveram que se mudar do Brasil, para Lisboa, como eu tinha já uma vida consolidada aqui na clínica e no Hospital, terminamos, mas eu tenho acompanhado ele, possivelmente em breve, Suzi, venha ao Brasil, para mudanças de documentos e tudo mais, ainda éramos namorados quando ele me confidenciou ser crossdresser, ficamos 8 anos namorando e 2 de noivado, casaríamos ano que vem, mas a mudança de sua vida pessoal, nada teve haver com nosso rompimento, ainda amo muito ela, então estamos vivendo o dia a dia, longe por enquanto, quem sabe o que teremos a frente não é?
Mamãe, nitidamente emocionada perguntou.
– Você continua amando ele mesmo com ele transicionando para uma mulher?
– Sim, meu amor é pelo que ele representa, não é definido por gênero ou opção sexual, você ira perceber que amara de forma incondicional sua filha ou filho, independente da opção que ele decidir, que já sabemos qual é né, amar é isso, eu Amo Suzi, como amei Jorge, conviver com ele na adolescência, depois na universidade, e agora, foi um dos motivos por ter optado pela linha clinica que estou agora, me ajudou muito e espero ajudar muitos outros meninos e meninas a se descobrirem. Requer muita coragem e é lindo ver a vida realizando os desejos de cada um. Ele sempre desejou tocar a indústria de seu pai, ele foi preparado para isso, é uma indústria de panificação, Grupo Bimbo Brasil: Maior panificadora do mundo.
– Uau, parabéns que partidão hein, ou melhor que herdeira de sucesso hein.
Disse mamãe e as duas riram. Eu então sem saber muito disse.
– Verdade, bom vamos embora então, nos vemos sexta?
– Sim, vou encaixar minha folga com a ida no consultório da endócrina, só peço que confirme na segunda horários e tudo mais e passe para minha secretária, ok, e mais uma coisa, ela também é uma menina trans, então verá que estaremos sempre cercados de pessoas que nos compreendem sem nos julgar, ok. Até sexta.
– Até.
