Evelyn - Como é ter uma namorada?

Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 4853 palavras
Data: 04/06/2026 11:11:20

Meu celular vibrou em cima da mesa enquanto eu estava deitado na cama, encarando o nada, não costumo receber muitas ligações, então é algo que me chama a atenção. Me levantei, peguei o celular já esperando alguma cobrança do plano de celular, boleto emitido no meu nome por golpistas, qualquer outra coisa. Era um número desconhecido. Atendi.

— Você ainda sente falta daquele barulho? — uma voz feminina falou.

Fiquei encarando a tela por alguns segundos.

— Quem é e quem te deu meu número? — falei sem pensar muito.

— Nossa, quanta frieza, achei que você ficaria feliz com a minha ligação.

— Depende de quem está falando.

— Então talvez eu precise refrescar sua memória, você me disse que eu sou como um barulho que não incomoda quando está por perto… mas quando não se ouve, faz falta.

Fiquei imóvel, demorei alguns segundos até a lembrança voltar inteira na minha cabeça. Evelyn empilhando os livros enquanto eu recolhia os livros espalhados pela casa do rancho. Isso foi uns dias depois de eu ter tirado a virgindade dela.

— Evelyn?

— Acertou, parabéns. Sua recompensa vai ser um abraço — ela disse rindo.

— Como conseguiu meu número?

— Influência e chantagem emocional. Principalmente chantagem emocional.

Balancei a cabeça sozinho, sorrindo sem perceber.

— Brincadeira, só pedi para sua mãe — ela respondeu numa sequência de risadas estranhas.

— Você continua esquisitinha.

— Mas falando sério agora, lembra da promessa que você fez?

Fiquei encarando a tela, claro que eu lembrava. No mesmo dia em que ela foi embora, ela havia me convidado para ir a casa dela, isso quando ela conseguisse sair da casa dos pais. Pelo jeito ela tinha levado aquilo absurdamente a sério.

— Está morando sozinha agora?

— Sim, agora tenho o meu apartamento, meu sofá, minha geladeira quase vazia e minha solidão também — a voz dela se tornou um pouco melancólica. — Então, quando você vem?

Era loucura, onde ela morava dava nove horas de estrada, talvez mais. Fim de semana inteiro fora, só eu e Evelyn sozinhos. Mas parecia exatamente o tipo de loucura que eu precisava naquele momento.

— Quando eu devo ir?

— Sexta, e traz roupa bonita, você vai precisar, preciso ir, a gente se fala.

Nem consegui responder, ela desligou. Passei a quinta-feira inteira me questionando se valia a pena todo esse tempo de estrada só para cumprir uma promessa que eu até então nem lembrava que tinha feito. Talvez porque minha vida estivesse parada fazia um tempo. Talvez porque Evelyn tivesse aparecido de novo exatamente no momento certo. Ou talvez porque eu simplesmente não consegui dizer não para ela. Só fui entender a dimensão da loucura na sexta de madrugada, quando percebi que dirigiria sozinho por quase nove horas até outro estado. Aquilo soava absurdo quando pensado em voz alta e piorava quando eu lembrava que nunca tinha feito uma viagem tão longa sozinho antes.

E as mensagens dela não paravam de chegar.

— Já saiu? Leva casaco. Aqui faz frio de noite. Você vai gostar da vista da varanda. Não esquece carregador. E escova de dentes. Gabriel? Você morreu?

Sorri sozinho lendo as mensagens acumuladas, ela parecia ansiosa num nível quase obsessiva. Entrei no carro, joguei a mala no banco de trás e fiquei alguns segundos parado olhando o GPS marcando nove horas e quinze minutos de estrada. As primeiras horas passaram tranquilas. Estrada longa, céu cinza, café ruim em posto de gasolina e músicas aleatórias tocando baixo no rádio. Evelyn mandava mensagens de tempos em tempos como se estivesse acompanhando uma operação militar.

— Onde você tá agora? Não dorme no volante, por favor.

A estrada começou a piorar no começo da manhã. Congestionamento, caminhão lento, acidente numa das pistas e uma chuva desgraçada que transformou tudo numa fila interminável de faróis vermelhos. As nove horas viraram dez, depois onze, doze, assim por diante. Quando finalmente entrei na cidade já estava escurecendo, horário de pico, e eu? Completamente destruído. Ombros doloridos, olhos ardendo e vontade de dormir dentro do carro mesmo. Peguei o celular parado quando parei num semáforo e mandei uma mensagem curta avisando que havia chegado.

O condomínio da Evelyn parecia mais um hotel de luxo do que um lugar onde alguém realmente morava. Portaria enorme, fachada inteira de vidro. Parei o carro ainda tentando processar que a garota esquisita que organizava livros no chão agora morava num lugar daqueles. Peguei a mala no banco de trás e caminhei até a entrada principal. O porteiro nem precisou perguntar meu nome.

— Gabriel? — ele perguntou já olhando uma lista na bancada.

— Sou eu.

— A senhorita Evelyn avisou que o senhor chegaria hoje — ele respondeu com um sorriso leve.

Claro que avisou. Ele liberou minha entrada quase imediatamente e, quando percebi, já estava subindo sozinho por aquele prédio silencioso enquanto observava meu reflexo cansado no espelho. Aquelas horas extras de estrada tinham acabado comigo. Passei a mão no rosto tentando parecer minimamente apresentável antes da porta do elevador abrir. O corredor era enorme, carpete escuro, luz baixa, cheiro de produto de limpeza caro. Me senti deslocado da minha realidade. Caminhei devagar olhando os números das portas até encontrar o apartamento dela.

Respirei fundo antes de tocar a campainha, não deu nem um segundo, a porta abriu quase imediatamente. Evelyn apareceu com um sorriso tão grande que parecia impossível caber no rosto, o cabelo estava preso de qualquer jeito, usando uma camiseta enorme que mal cabia nela e um short minúsculo. Os olhos grandes arregalaram no instante em que me viram ali parado de verdade.

— Você veio mesmo.

Nem deu tempo de responder, ela praticamente pulou em cima de mim, me abraçando tão forte que fui obrigado a soltar a mala no chão para segurar ela de volta. Evelyn enterrou o rosto no meu peito e começou a rir baixinho, nervosa demais para conseguir ficar parada.

— Meu Deus, você tá aqui mesmo — ela repetiu abafada contra minha camisa.

— Dirigi umas dezesseis horas, ou dezessete? Nem eu acredito que foi tudo isso — sorri cansado enquanto passava a mão nas costas dela.

— Tudo isso?! — ela levantou o rosto imediatamente.

— Congestionamento, chuva, pessoas que não sabem dirigir, quase morri umas quatro vezes.

— Senti saudade de você — Evelyn soltou uma risada alta daquelas completamente sinceras e me abraçou de novo, apertando ainda mais forte.

Aquilo saiu tão rápido e tão natural que me pegou desprevenido por alguns segundos. Ela pareceu perceber também, porque desviou os olhos logo depois, ainda sorrindo. O apartamento da Evelyn era exatamente o tipo de lugar que eu imaginava que ela teria e ao mesmo tempo, não era. Era bonito demais para alguém que claramente ainda estava aprendendo a morar sozinha. A sala tinha móveis caros, televisão enorme na parede, varanda com uma vista absurda da cidade iluminada e uma cozinha americana impecável. Mas no meio disso tudo ainda existia bagunça. Livros espalhados na mesa, uma caneca esquecida perto do sofá, um moletom jogado numa cadeira e caixas ainda fechadas nos cantos.

Tinha Evelyn em tudo, ela fechou a porta atrás de mim e imediatamente começou a falar sem parar.

— Tá, antes de qualquer coisa, ignora essas caixas porque eu ainda não consegui organizar. E a cafeteira também porque eu quase explodi ela ontem. E eu comprei vinho, mas depois lembrei que você provavelmente prefere cerveja. Ah, e eu não sabia qual travesseiro você gosta então eu comprei dois diferentes.

Fiquei só observando ela andar de um lado para o outro pela sala enquanto falava rápido demais, claramente nervosa. Ela pegava coisas sem necessidade, ajeitava objetos que já estavam retos, voltava para perto de mim e depois saía andando de novo como se estivesse elétrica. Evelyn estava absurdamente feliz, tentando esconder isso desesperadamente.

— Você tá me ouvindo? — ela perguntou de repente, me olhando desconfiada.

— Tô.

— Então o que eu falei por último?

— Que quase explodiu uma cafeteira, vinho, travesseiros.

Ela abriu um sorriso orgulhoso, soltei uma risada baixa enquanto afundava no sofá. Meu corpo inteiro doía por causa da viagem, Evelyn percebeu na hora. Ela se aproximou mais devagar dessa vez, parando na frente do sofá enquanto me observava em silêncio por alguns segundos.

— Você tá muito acabado, tipo umas três vezes pior que no rancho.

— É, acho que sim.

— Desculpa.

— Não foi culpa tua.

— Tecnicamente foi sim. Você atravessou metade do país por minha causa.

— Dramática.

Ela sorriu outra vez, depois sentou do meu lado, perto demais, as pernas encolhidas no sofá enquanto brincava com a própria camiseta. O silêncio ficou confortável rápido.

— Então… — Evelyn começou baixinho. — Onde você vai me levar hoje?

— Hoje? — franzi a testa.

— É.

— Evelyn, eu acabei de chegar.

— Eu sei.

— Eu tô quase entrando em decomposição.

Ela continuou me olhando, esperando.

— Eu não pensei nisso — admiti. — A viagem demorou mais do que eu esperava.

Por um segundo achei que ela ficaria decepcionada, mas não. Evelyn simplesmente abriu um sorriso pequeno, como se tivesse acabado de ter uma ideia brilhante. Então levantou do sofá.

— Tá bom — ela disse decidida. — Vamos começar de novo.

— O quê?

Ela veio até mim outra vez e sentou diretamente no meu colo, segurando meu rosto entre as mãos antes que eu pudesse reclamar.

— Fecha os olhos.

Encarei ela.

— Fecha!

Suspirei, mas obedeci. Ouvi ela respirar fundo na minha frente.

— Pronto — ela murmurou. — Assim que abrir os olhos, eu vou ser sua namorada e você vai ser meu namorado. Tipo, de verdade, pelo menos nesse fim de semana.

Aquilo era tão ridículo que deveria ter parecido idiota. Mas não pareceu, ela estava falando sério demais.

— Agora abre.

Abri os olhos devagar, Evelyn ainda estava ali no meu colo, me olhando com expectativa, quase nervosa. Então entrei na brincadeira, passei a mão devagar pela cintura dela e falei naturalmente:

— Então amor… tava pensando em te levar naquele restaurante italiano hoje à noite.

Os olhos dela arregalaram na mesma hora.

— Qual?

Fingi pensar por alguns segundos.

— Aquele perto da avenida principal… esqueci o nome.

— O Bellavita? — ela perguntou rápido demais.

— Esse mesmo.

Ela ficou me encarando em silêncio por um instante, depois abriu um sorriso tão genuinamente feliz que senti meu peito apertar um pouco.

— Meu Deus — ela riu baixinho. — Meu namorado vai me levar no Bellavita.

Evelyn então simplesmente me abraçou de novo, escondendo o rosto no meu pescoço enquanto balançava as pernas devagar, completamente satisfeita, como se aquela pequena fantasia significasse mais do que deveria.

Eu tirei um cochilo de umas duas horas até que finalmente fomos nos arrumar. Evelyn praticamente me acordou me derrubando da cama falando algo sobre “namorados minimamente funcionais tomam banho antes de sair”. Acabamos indo juntos porque, segundo ela, “economiza água e cria intimidade emocional”.

A intimidade emocional envolveu ela sentada no chão do box enquanto eu tentava acordar, conversando sem parar sobre coisas completamente aleatórias.

— O porteiro gostou de você.

— Como você sabe?

— Ele me mandou mensagem falando “seu namorado parece simpático”.

— Ele falou namorado?

— Falou.

— E você corrigiu?

— Claro que não.

Ela abriu um sorriso orgulhoso enquanto jogava shampoo no cabelo. Depois do banho, Evelyn demorou quase quarenta minutos escolhendo roupa. Eu já estava pronto fazia tempo quando ela saiu do quarto. E honestamente?

Que mulher linda!

Vestido preto colado no corpo, o cabelo ainda meio úmido caía pelos ombros e ela usava uma maquiagem leve que só deixava os olhos dela ainda maiores. Ela girou devagar na minha frente.

— E aí? Muito exagerado?

— Evelyn.

— Hum?

— Você tá fazendo isso de propósito.

— Talvez eu esteja — ela abriu um sorriso lento e empinou a bunda na minha direção.

Respirei fundo, peguei a chave do carro e apontei para a porta.

— Vamos antes que eu desista do restaurante.

Ela deu uma risada satisfeita e veio andando até mim daquele jeito perigoso dela. O Bellavita era exatamente o tipo de restaurante caro que me deixava desconfortável imediatamente. Luz baixa, música ambiente, garçom arrumado demais e gente claramente rica falando baixo. Evelyn, por outro lado, parecia completamente à vontade ali. Ela segurava meu braço enquanto caminhávamos até a mesa como se já tivesse feito aquilo comigo cem vezes.

— Para de olhar em volta assim — ela sussurrou divertida enquanto sentávamos.

— Assim como?

— Como alguém prestes a roubar os talheres.

— Esse lugar cobra cinquenta reais numa água.

— É uma água sofisticada.

Revirei os olhos. O garçom apareceu e Evelyn pediu vinho antes mesmo de olhar o cardápio. Depois começou a me observar apoiando o rosto na mão.

— O quê? — perguntei.

— Nada, só tô feliz.

Na espera da comida, acabamos ficando só conversando, ou melhor, Evelyn falando noventa por cento do tempo. Ela comentou sobre o apartamento novo que o pai rico deu a ela, o que explicava o luxo em excesso. Reclamou da solidão absurda de morar sozinha, contou que queimou macarrão duas vezes na mesma semana e passou quase cinco minutos indignada porque uma planta da varanda estava morrendo “mesmo recebendo amor diariamente”.

— Talvez você esteja afogando ela.

— Você tá dizendo que eu amo demais?

— Tô dizendo que você provavelmente tá matando a planta.

— Meu namorado devia me apoiar mais — ela apontou o dedo para mim.

Antes que eu respondesse, uma voz interrompeu do lado da mesa.

— Evelyn?

Ela levantou os olhos imediatamente. O cara devia ser um pouco mais velho do que eu, camisa social clara, relógio caro demais e aquele tipo de postura de homem que claramente nunca ouviu não direito na vida. Ele olhou para mim rapidamente antes de voltar para ela.

— Então esse é o seu namorado?

— Boa noite para você também, Bernardo — ela respondeu fechando aquele belo sorriso.

— Sério? — ele soltou uma risada curta. — Eu te chamo para sair três vezes e você aparece aqui com um idiota qualquer?

Fiquei quieto por alguns segundos observando os dois, Evelyn claramente parecia desconfortável. Então respondi calmamente sem levantar da cadeira:

— Acho que ela tava bem antes de você chegar, então pode fazer o favor de se retirar.

— Perdão pela interrupção — ele finalmente olhou para mim com o jeito debochado que só playboy tem, ele então estendeu a mão para mim. — Bernardo, muito prazer.

— Gabriel, o prazer é meu — disse me levantando.

Já sabia exatamente o tipo de coisa que viria dali, mesmo assim apertei. No segundo seguinte ele tentou esmagar minha mão daquele jeito infantil de cara querendo marcar território. Só que tinha um pequeno problema, eu passava o dia carregando peso, fazendo serviço braçal e fodendo minhas articulações em trabalho pesado. Apertei de volta, o sorriso dele desapareceu na mesma hora, vi o ombro dele endurecer, depois o corpo inclinar um pouco para frente. Apertei mais um pouco, só o suficiente, os olhos dele lacrimejaram quase imediatamente, então soltei. Bernardo puxou a mão rápido demais tentando fingir naturalidade enquanto respirava fundo.

— Foi um prazer conhecer você — falei calmamente.

Evelyn estava vermelha tentando não rir, Bernardo percebeu isso, ficou vermelho na hora e deu um passo para trás.

— Aproveitem o jantar.

Então saiu andando rápido demais para alguém tentando manter o resto de dignidade, o silêncio durou dois segundos enquanto me sentava novamente. Evelyn explodiu numa gargalhada tão alta que algumas pessoas olharam na nossa direção.

— Meu Deus — ela falou entre risadas. — Você quase arrancou a mão dele.

— Ele que começou.

— Você viu a cara dele? Meu namorado é forte, é o melhor!

Ela ainda ria quando segurou minha mão sobre a mesa logo depois. Senti algo de diferente no olhar dela, não era mais daquele jeito agitado de antes, nem com aquele sorriso animado e enérgico desde que abri a porta do apartamento. Era diferente agora, mais quieto, mais atento, parecia fascinada. Ficou me olhando por mais alguns segundos longos demais antes de girar a taça de vinho devagar entre os dedos.

— Você percebeu que ele ficou com medo de você?

— Acho que você tá exagerando — respondi rindo.

— Não tô, ele ficou mesmo — ela apoiou o rosto na mão. — Gostei disso.

— Gostou?

— Você nem precisou de muito esforço — ela assentiu lentamente sem desviar o olhar.

Antes que eu respondesse, o garçom apareceu trazendo nossos pratos. Evelyn agradeceu educadamente, mas parecia distraída demais para realmente prestar atenção em qualquer outra coisa. Aos poucos comecei a perceber outra coisa, ela tinha tirado os sapatos. Demorei um pouco para entender porque sentia algo encostando na minha perna por baixo da mesa, primeiro o tornozelo, depois a ponta do pé deslizando lentamente pela parte interna da minha coxa. Levantei os olhos na hora. Evelyn continuava mexendo no vinho como se absolutamente nada estivesse acontecendo.

— Evelyn.

— Hum?

Ela respondeu inocente demais, o pé dela subiu mais um pouco pela minha coxa, respirei fundo.

— Você tá fazendo isso de propósito.

— Fazendo o quê?

Agora ela já sorria sem nem tentar esconder, a pior parte era justamente essa calma dela, como alguém que fazia parecer uma experiência científica, como se estivesse estudando minhas reações, ela inclinou um pouco a cabeça enquanto me observava.

— Você ficou diferente depois daquela cena.

— Diferente como?

— Não sei dizer — ela pensou por alguns segundos antes de responder. — Mas eu estou com uma necessidade enorme de pular em você agora mesmo.

O pé dela deslizou devagar pela minha perna outra vez, lento, calmo, sem pressa nenhuma.

— Você gostou daquilo, não gostou? — perguntei.

— Gostei, estou sempre rodeada desses mauricinhos, acabo sentindo falta do seu toque, suas mãos grandes, firmes, grossas.

O restante do jantar virou uma mistura perigosa de conversa normal e tensão sexual mal disfarçada prestes a explodir, enquanto continuava me enlouquecendo discretamente por baixo da mesa. Terminamos o jantar, agora era eu que estava tentado a pular nela, mas me contive. Paguei a conta, ela deu um sorriso de canto e mordeu o lábio quando escondi o valor total, falando que ela não precisava saber.

Talvez faltasse uma figura masculina na vida dela. Quando saímos do restaurante, fomos direto para o carro, o caminho até o carro foi silencioso no começo. Evelyn caminhava ao meu lado com as mãos atrás do corpo e aquele sorriso pequeno preso no rosto como alguém que estava gostando demais de alguma coisa. Entrei no carro e soltei um suspiro cansado assim que fechei a porta.

— Você é problemática.

— Você gostou, está no mesmo nível que eu — ela colocou o cinto ainda sorrindo.

Liguei o carro e comecei a dirigir pelas ruas iluminadas da cidade. A música baixa do rádio ajudava a distrair um pouco os desejos, até sentir a mão dela no meu braço, desceu devagar parando na minha perna logo depois, apertei um pouco mais o volante.

— Evelyn.

— Oi?

Ela respondeu olhando pela janela como se não estivesse fazendo nada demais, os dedos deslizaram lentamente mais para cima até repousarem sobre o tecido da minha calça, não apertando, só deixando a mão ali, quente.

— Tá querendo que eu cause um acidente?

Ela finalmente virou o rosto para mim, os olhos grandes brilhavam daquele jeito estranho outra vez.

— Mas você parece concentrado.

— Tô tentando manter o controle.

Ela voltou a olhar a cidade pela janela enquanto mantinha a mão ali como se tivesse todo direito do mundo de fazer aquilo. E na verdade era, concordei com a brincadeira dos namorados. Chegamos no condomínio pouco depois. O segurança liberou nossa entrada quase imediatamente. Estacionei na garagem subterrânea e desliguei o carro enquanto Evelyn finalmente afastava a mão devagar da minha perna.

Quase que imediatamente ela pulou em mim, o tesão explodiu ali, nos beijamos. Mas não era gentil, não era lento e calmo como a sua mão minutos atrás. Era voraz, faminto, tanto que levantei um pouco seu vestido e comecei a masturbá-la por cima da calcinha. Ela gemeu alto, sem nem tentar esconder, voltei a beijá-la para abafar um pouco o som. Puxei a calcinha de lado e enfiei um dedo, a buceta completamente encharcada engoliu meu dedo praticamente. Fodi sua buceta com o dedo e em poucos segundos, ela começou a gozar. Lembrei daquele dia no rancho, havia esquecido como seus gemidos eram delicados e excitantes ao mesmo tempo.

Tirei o dedo de dentro dela e dei para ela chupar, ela agarrou com a boca como se fosse um pirulito, limpando de todo o mel.

— Vamos subir, eu mal tô conseguindo me aguentar aqui — ela disse ajeitando a calcinha, o vestido e o cabelo.

Saímos do carro sem falar muita coisa, o elevador chegou rápido, entramos juntos, as portas metálicas começaram a se fechar lentamente enquanto o silêncio entre nós ficava pesado de novo. Porta fechada, a agarrei pela cintura e voltei a beijá-la, ela passou as mãos pequenas pela minha nuca com a mesma voracidade que no carro. Fiquei prestando atenção nos andares, parei subitamente, de repente o som do elevador, Evelyn se recompôs, as portas abriram. Andamos depressa até o apartamento dela, antes que ela pudesse fechar a porta atrás de nós, eu a agarrei, apertei cada parte de seu corpo.

— Eu tô molhada pra caralho.

Minhas mãos desceram pelo corpo dela, sentindo o tecido do vestido preto justo que moldava cada curva. Deslizei pelos quadris dela, apertando a carne macia enquanto ela gemia contra meu pescoço. Sua perna se enrolou na minha, sem pensar muito, a agarrei pelas coxas e a levantei, suas pernas se fecharam automaticamente na minha cintura.

Fui desesperadamente a caminho do quarto e a joguei na cama, ela caiu de costas, rindo. Fiquei olhando por um momento, Evelyn sentou-se, nunca tirando os olhos dos meus enquanto tentava tirar o vestido, desajeitada. O sutiã preto de renda logo foi jogado no chão assim como a calcinha. Fiquei parado apenas observando enquanto ela se despia, cada movimento que ela realizada de forma sensual.

Ela abriu as pernas e me chamou com o dedo, arranquei minha camisa na mesma hora, botões voando, minha calça e cueca seguiram logo depois. Quando me ajoelhei na cama, meu pau já estava duro, latejando entre as pernas de Evelyn, que me olhava com a língua molhando os lábios.

Me inclinei sobre ela, apoiando o peso nos antebraços, nossos lábios se encontraram novamente, mais devagar desta vez. Sua mão encontrou meu pau, os dedos envolvendo a grossura. Ela guiou meu pau até a entrada dela, senti o calor, o doce néctar melando a cabeça, empurrei lentamente, meu pau pouco a pouco desaparecendo dentro. Evelyn arqueou as costas com um gemido longo escapando da boca. Continuei empurrando, centímetro por centímetro, quando finalmente estava enterrado por completo, fiquei parado, apreciando a sensação dela me apertando.

— Me fode, caralho!

Comecei a me mover lentamente, retirei meu pau quase por completo até enfiar tudo de novo, mergulhando fundo novamente. Cada estocada era acompanhado por um gemido dela. O ritmo aumentou naturalmente, meus quadris se movendo mais rápido, mais fundo. A cama começou a ranger, o som se misturando com nossos gemidos e o barulho dos corpos se chocando.

Acelerei, metendo mais forte, mais selvagem, Evelyn levantou as pernas, entrelaçando na minha cintura e me puxando para perto. Me inclinei um pouco e mordi um dos seus mamilos, o que fez ela gritar.

— Quero foder com você na cozinha, no banheiro, na varanda. Quero que você me coma em todos os lugares dessa casa.

A ideia fez meu pau ficar ainda mais duro.

— Vem por cima.

Ela obedeceu imediatamente, rindo enquanto me deitava de costas. Evelyn se ajoelhou sobre mim, segurando meu pau e guiando-o para dentro. Com um gemido, desceu de uma vez, fiquei observando enquanto ela começava a se mover, os quadris rebolando num ritmo frenético, só de observar seu corpo magro tremendo, me deixava sem fôlego. Ela apoiou as mãos no meu peito e começou a sentar mais forte, cavalgando.

Agarrei os quadris dela, ajudando a se mover mais rápido. Evelyn inclinou-se para frente enquanto me beijava. O ritmo dela se tornou mais frenético, mais desesperado. Eu podia sentir as contrações começando ao meu redor, sentia sua buceta me apertando quando começou a gozar.

— Caralho, estava com saudades disso — ela ofegou antes de me beijar de novo. — Agora me come de quatro.

Ela se ajoelhou na cama, a bunda magra e perfeita exposta. A entrada da buceta dela brilhava com o mel escorrendo pelas coxas, parecia me chamar. Me ajoelhei atrás dela e entrei com tudo. Evelyn gemeu alto, arqueando as costas e empinando a bunda.

Segurei seus quadris enquanto a fodia, cada vez mais selvagens, mais profundos. A cama batia contra a parede, o som ecoando pelo quarto. Evelyn começou a gemer sem parar, os sons se tornando mais altos, mais desesperados. Senti que ela gozaria de novo pela sua buceta apertando meu pau.

Evelyn gemeu mais alto, um gemido prolongado, o corpo tremendo incontrolavelmente. Continuei metendo, tentando estender seu orgasmo pelo máximo de tempo que conseguia.

Quando ela se recuperou, virei-a de lado, deitei atrás dela, enfiando meu pau em sua buceta novamente enquanto a abraçava. Nossos corpos se encaixavam perfeitamente, voltei a meter, dessa vez mais devagar, beijando seu pescoço e ombros.

— Eu tenho o melhor namorado do mundo — ela sussurrou, virando a cabeça para me beijar.

O beijo foi lento, apaixonado. Continuei metendo dentro dela, o ritmo gentil mas constante. Minha mão desceu pelo corpo dela, encontrando o clitóris e começando a esfregar. Evelyn gemeu contra minha boca.

— Ai, merda — ela não parava de gemer. — Vou gozar de novo.

Acelerei um pouco, os dedos trabalhando seu clitóris com mais pressão. Evelyn começou a tremer de novo, o orgasmo se aproximando rapidamente. Quando ela começou a gozar, apertei o corpo dela contra o meu. Sentia também que não iria durar muito mais tempo.

Pulei da cama rapidamente, Evelyn se ajoelhou à minha frente, a boca aberta, os olhos fixos no meu pau. Com um grunhido, gozei, os jatos quentes de esperma atingiram seu rosto, cobrindo bochechas, queixo e lábios. Alguns caíram em seus seios. Evelyn riu, usando os dedos para espalhar o líquido pela pele antes de levar alguns dos dedos até a boca.

Ela ofegou mais um pouco e foi até o banheiro. A segui, observando enquanto ela ligava o chuveiro. A água quente começou a cair,entramos juntos, a água escorrendo por nossos corpos, voltei a beijá-la, a encurralei na parede gelade. Ela se agarrou em mim quando meti em sua buceta de novo, fodendo ela sob a água quente. O vapor tomava o banheiro todo, tornando tudo mais intenso, mais primitivo.

Continuei, metia mais forte, mais rápido, tentando chegar sempre mais fundo. Evelyn gozou novamente, os gritos abafados enquanto ela mordia meu ombro. Segurei-a firmemente, continuando até que meu próprio orgasmo chegasse. Tirei meu pau de dentro dela e gozei em sua barriga enquanto a água quente continuava a cair sobre nós.

Quando terminamos, ficamos abraçados sob o chuveiro, a água lavando nosso suor e prazer. Evelyn beijou meu peito, a cabeça repousando no meu ombro.

O final de semana seguiu exatamente assim, a fodi na manhã do dia seguinte, a tarde, a noite, de madrugada. Fodemos na cozinha, na porta de entrada. Tivemos que interromper um pouco porque interfonaram no apartamento perguntando se o condomínio virou algum tipo de bordel. Evelyn se desculpou envergonhada, mas logo pulou em mim de novo e continuou gemendo alto. Nos atrapalharam mais umas três vezes, mas foda-se, eu só pensava em continuar metendo nela em todos os cantos daquela casa. Inclusive na varanda, transar com aquela vista da cidade iluminada durante a noite foi uma experiência e tanto, mas difícil foi lidar com o vento gelado.

Não vou mentir, iria sentir falta daquilo.

As malas já estavam no porta-malas quando voltei para me despedir de Evelyn, ela permaneceu no apartamento, parada na entrada com os braços cruzados. Pela primeira vez naquele fim de semana inteiro, ela parecia não ter nada para dizer.

— Então é isso — parei na frente dela.

— É — ela assentiu, com os olhos já cheios de lágrimas.

Ficamos alguns segundos em silêncio, eu não sabia muito bem como me despedir, ela pelo jeito também não.

— Se você falar alguma coisa bonita eu vou começar a chorar.

— Você já está chorando.

— Eu sei — ela soltou uma risada triste enquanto enxugava os olhos, depois respirou fundo. — Foi perfeito, eu sei que parece bobo, mas foi perfeito para mim.

Evelyn olhou para o chão antes de continuar.

— Eu fiquei esperando esse final de semana por muito tempo, obrigada por ter vindo.

— Eu disse que viria.

Então ela se aproximou, me abraçou, sem pressa, mas apertado, como se não quisesse me largar. Quando se afastou, havia lágrimas escorrendo pelo rosto.

— Eu vou sentir sua falta.

— Eu também, mas pode me chamar de novo, acho que dá para encarar quase um dia inteiro de trânsito de novo.

— Eu acho melhor você vir de avião na próxima — ela apertou a boca.

— É, verdade, iria dar menos trabalho — admiti, não tinha pensado nela possibilidade.

Ficamos nos encarando por mais alguns segundos, então ela deu um passo para trás.

— Vai antes que eu faça alguma coisa muito constrangedora.

— Tipo o quê?

— Me jogar na frente do carro ou ficar chorando no meio da rua.

Ela riu, aquele sorriso era exatamente o que eu queria guardar na memória. Ela me acompanhou até a entrada do condomínio, ficamos conversando sobre mais algumas coisas bobas até chegar no carro, nos despedimos, nos abraçamos, um últimos beijo. Entrei no carro, ela continuou parada na entrada enquanto eu ligava o motor, acenei uma última vez, ela acenou de volta.

De volta a pista, interminável e maldita pista. E preciso admitir, aquele final de semana brincando de namorados foi interessante, mal podia esperar pelo próximo convite.

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Comentários

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Cara, esse conto é a prova de que você tem que continuar essa saga, com todas as primas. Dá pra ir em múltiplas direções.

Um detalhe: só no final me dei conta do nome dele. Gabriel. Onde foi mesmo que eu vi um outro personagem com esse nome? Abs.

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