Eu estava jogado no banco de trás, meu peito subia e descia cansado, ainda ofegante, enquanto tentava recuperar o fôlego. O carro parecia pequeno demais depois de tudo aquilo, abafado, quente, carregado pelo cheiro delas misturado no ar.
Fran e Estefânia se olharam por alguns segundos e deram um sorriso cúmplice, daquele tipo de quem claramente tinha combinado aquilo antes mesmo de me buscar.
Percebendo a troca de olhares, estreitei um pouco os olhos, fingindo desconfiança, e falei:
— Vocês combinaram isso né, suas safadas.
As duas caíram na gargalhada na mesma hora.
— Queríamos que sua volta pra capital fosse em grande estilo — disse Fran, me dando uma piscadinha provocadora.
Soltei uma risada cansada e balancei a cabeça, ainda tentando recuperar o ar direito.
— Porra... foi bom pra caralho. Acho que vou viajar mais pra vocês sentirem mais minha falta.
— Nem vem, gatinho. Para de graça. Nada de nos deixar com saudades — retrucou Estefânia, empurrando meu ombro de leve.
Fran concordou balançando a cabeça, ainda sorrindo daquele jeito satisfeito, como se tivesse orgulho da surpresa que elas tinham preparado.
Então ela abriu a bolsa, pegou um lenço umedecido e começou a limpar com calma a bagunça de porra e saliva que tinha ficado no meu pau, fazendo aquilo com uma naturalidade absurda. Enquanto isso, Estefânia continuava encostada no meu lado, mexendo distraidamente no meu braço e soltando risadinhas baixas de vez em quando, claramente satisfeita com a minha reação.
Por alguns segundos, ninguém falou nada. Ficamos só ali, apertados no banco de trás, tentando recuperar o fôlego enquanto o calor e a cumplicidade daquele momento ainda pairavam dentro do carro.
Nós nos recompusemos. Estefânia voltou para o banco do motorista, eu fui para o do passageiro e a Fran se acomodou no banco de trás. Em seguida, Estefânia ligou o carro e seguimos em direção ao barzinho.
No caminho, Fran encostou a mão no meu ombro e perguntou, curiosa: — E aí, gato, como foi lá?
— Foi bom! — respondi rápido, tentando disfarçar o olhar… mas não deu. Meus sentimentos me entregaram na hora. Por mais que eu tentasse manter a expressão neutra, era óbvio que algo tinha ficado em mim.
Fran me conhecia bem demais. Percebeu na hora. Me lançou aquele olhar cúmplice, calmo, de quem já tinha entendido tudo sem eu precisar dizer nada. — O que aconteceu, hein? Você sabe que não consegue me enganar — disse, com um sorriso acolhedor.
— Tá mal ainda com o que aconteceu com a Camille? — completou.
Sorri de leve, meio sem graça, e meu olhar caiu um pouco. — Também…
— Como assim “também”? Aconteceu mais alguma coisa?
— A Vanessa.
— A Vanessa? Sua paixão de adolescência? — ela arregalou os olhos. — O que ela fez com o meu gatinho?
Estefânia, que dirigia atenta ao trânsito, acompanhava tudo em silêncio até então. Sem tirar os olhos da estrada, entrou na conversa: — Verdade… quem tá magoando o nosso gatinho?
Respirei fundo antes de responder. — Lembra que eu te falei que eu não queria ir pro sítio passar o Natal e o Ano Novo lá?
— Lembro. A gente até ia fazer alguma coisa juntos, e você mudou de ideia.
— Então… eu mudei por causa dela. Ela pediu pra minha prima me convencer a ir.
— Então você acabou indo na esperança de alguma coisa? — Fran disse, num tom mais baixo.
Assenti devagar. — Nos primeiros dias até foi bom. A gente se divertiu bastante… mas na véspera de Natal — parei um instante, passando a mão de leve no rosto, buscando organização no pensamento.
Fran fez um pequeno gesto com a cabeça, me incentivando a continuar.
— Eu fiquei sabendo por uma menina com quem eu tava ficando que ela ia voltar com o ex-marido… e que ele ia passar o Natal lá.
— Não acredito que ela fez isso! — Estefânia reagiu, indignada.
— Pois é… fez. E se eu não tivesse descoberto, de um jeito meio torto, talvez minha reação fosse ainda pior. — respirei fundo. — Quem me contou só falou porque sabia que ia me machucar mesmo… mas, no fim, foi melhor eu ter sabido.
O carro ficou alguns segundos em silêncio. Estefânia balançou a cabeça, claramente indignada.
— Mas o pior nem foi isso — continuei. — Eu acho que ela nem me contou porque tinha certeza de que eu ia continuar ficando com ela. Ela sabe da Helena… e achou que, como eu fico com a Helena que é casada, eu também ficaria com ela numa boa.
As duas balançaram a cabeça ao mesmo tempo, em desaprovação.
— Não é nem por ela ser casada… — falei mais baixo, olhando pra frente. — É porque eu gosto muito dela. E acho que me faria muito mal ser a segunda opção pro resto da vida. E sobre eu não ter parado de ficar com outras pessoas… eu não parei porque ela nunca pediu. Se ela tivesse pedido, eu teria parado.
Estefânia tirou a mão do volante por um segundo e colocou na minha coxa, num gesto leve, cúmplice. Abriu um sorriso meio divertido. — Não acredito… nem com a gente você ia ficar?
— Nem com vocês — respondi rindo.
A risada veio junto das delas, e o clima dentro do carro ficou mais leve, como se a tensão tivesse dado uma trégua.
Pouco depois, Estefânia estacionou: já tínhamos chegado ao barzinho.
Descemos. Fran veio direto até mim, me abraçou, me deu um beijo no rosto e disse: — Eu sei que você tá triste, tá? Mas tenta deixar isso pra trás, pelo menos por enquanto. Vamos nos divertir.
Assenti com a cabeça.
Elas pegaram minhas mãos, uma de cada lado, e entramos juntos no barzinho. Enquanto esperávamos uma mesa em um canto mais afastado e com pouca iluminação, acabamos ficando no balcão por alguns minutos. O lugar estava cheio, aquele clima típico de barzinho animado, com música alta, conversas sobrepostas e gente rindo em grupos espalhados.
As duas ficaram bem próximas de mim. Fran encostada de um lado, Estefânia do outro, como se naturalmente não houvesse espaço entre nós. A conversa fluiu leve, cheia de risadas soltas, provocações e pequenos gestos de carinho que iam acontecendo sem cerimônia.
De vez em quando eu e Fran trocávamos um beijo rápido, daqueles quase automáticos, como quem já tinha intimidade suficiente pra isso não ser nada demais. Em outros momentos era com a Estefânia. E, em alguns instantes, eram as duas entre si também — sempre de forma leve, natural, como parte daquele clima descontraído entre nós três.
Ao redor, porém, não passava despercebido.
Algumas pessoas olhavam de relance, tentando disfarçar, mas voltavam o olhar de novo, mais demoradamente. Teve quem fechasse a cara, com aquela expressão de julgamento silencioso, como se estivesse tentando entender ou reprovar sem precisar dizer nada. Outros apenas desviavam o olhar, incomodados, como se aquilo quebrasse algum “padrão” que esperavam ver ali.
Mas também tinha o outro lado.
Homens nas mesas próximas não escondiam tanto. Alguns olhavam com mais atenção do que deveriam, aquele tipo de olhar preso, meio curioso, meio perdido por alguns segundos a mais. Dava pra perceber claramente que, em silêncio, muitos ali provavelmente imaginavam estar no meu lugar — não só pela atenção, mas pela naturalidade com que tudo acontecia entre nós.
Ainda assim, ninguém interferia. O bar seguia seu ritmo, como se aquilo fosse só mais uma cena dentro de tantas outras daquela noite.
Depois de um tempo, finalmente chamaram nossa mesa. Era exatamente como queríamos: afastada, em um canto mais escuro, mais reservado.
Nos levantamos e fomos até lá.
Quando chegamos, percebemos que ao lado havia uma mesa ocupada por alguns rapazes. Eles conversavam entre si, mas assim que nos sentamos, não demorou para que olhares rápidos viessem na nossa direção — discretos no começo, depois um pouco mais assumidos, acompanhando a movimentação enquanto nos acomodávamos.
No começo, confesso que por ser tímido, aquela exposição toda me incomodou. Mas, depois de ver a naturalidade com que elas agiam, fui deixando de me preocupar com o que as pessoas pensavam e comecei a viver aquilo com mais leveza.
Começamos a nos divertir. Pedimos bebidas, algumas porções, e a conversa foi fluindo sem esforço. As brincadeiras vieram naturalmente, as provocações leves, aquelas risadas soltas que vão surgindo sem ninguém planejar.
Com o tempo, o clima entre nós três ficou ainda mais solto. A gente se interrompia pra rir, se olhava como quem já tinha intimidade suficiente pra não precisar se explicar demais. Em alguns momentos, era só silêncio confortável com um sorriso no rosto — e em outros, explosões de risada por coisas simples, meio bobas até.
Era um clima leve, gostoso, de quem está realmente aproveitando o momento sem pressa, sem peso, só vivendo aquilo ali do jeito que estava acontecendo.
Quando começou a tocar uma música que a Estefânia gostava, ela me chamou para dançar. Levantamos e ficamos ali do lado da mesa mesmo.
Eu fiquei um pouco tímido, porque não sabia dançar direito, mas ela foi me guiando, me ensinando de um jeito leve. Isso acabou virando mais uma fonte de risadas, daqueles momentos meio desajeitados, mas divertidos.
A Fran, sentada na cadeira, gargalhava alto sem conseguir se segurar, achando tudo aquilo ainda mais engraçado. O clima era leve, espontâneo, sem nenhuma preocupação com quem estivesse olhando. Depois de um tempo assim, nos divertindo, voltamos a nos sentar. Puxamos as cadeiras para mais perto, deixando tudo mais aconchegante.
O clima entre nós três começou a mudar aos poucos, como se a noite tivesse entrado em outra fase.
Eu e Estefânia nos acomodamos à mesa novamente: eu do lado esquerdo, Fran bem no meio e Estefânia do lado direito. As cadeiras estavam tão próximas que nossos joelhos se encostavam por baixo da mesa.
A luz era bem fraquinha, quase só o suficiente pra gente ver o rosto um do outro. O resto do bar continuava vivo — a banda tocando, gente conversando, copos tilintando —, mas ali no nosso canto parecia que o mundo tinha ficado um pouco mais distante.
Fran virou o rosto pra banda, acompanhando a cantora com um sorrisinho leve, balançando a cabeça devagar no ritmo da música. Foi aí que eu olhei pra Estefânia. Não precisei falar nada. Só pisquei devagar e fiz um sinal discreto com a cabeça, apontando pra baixo. Ela entendeu na hora. Um sorriso safado surgiu no canto da boca dela.
Minha mão desceu primeiro, devagar, por baixo da mesa, até descansar na coxa esquerda da Fran. Estefânia fez o mesmo do outro lado. Fran nem reagiu de primeira, ainda prestando atenção na música. Mas quando nossas mãos subiram juntas pela pele quente das coxas dela, senti ela dar uma leve mexida na cadeira.
Eu comecei a fazer círculos lentos com dois dedos por cima da calcinha, bem no clitóris. Estefânia foi mais ousada: puxou o tecido pro lado e enfiou dois dedos devagar dentro dela. Fran soltou um suspiro mais longo, quase inaudível, apertando os lábios. Meu coração bateu mais forte quando vi um dos caras da mesa ao lado virar o rosto na nossa direção por um segundo a mais. Fingi que tava só olhando pro copo.
— Tá curtindo a banda? — perguntei baixinho, tentando manter a voz normal.
— Aham... tá boa — respondeu ela, mas a voz saiu um pouco mais rouca, um pouco mais lenta.
Estefânia movia os dedos lá dentro num ritmo calmo, constante. Eu continuava circulando o clitóris, sentindo ele ficar mais inchado e molhado a cada volta. Fran abriu um pouco mais as pernas por baixo da mesa, quase sem perceber. A respiração dela foi ficando mais pesada, o peito subindo e descendo de um jeito que só nós dois notávamos.
Eu sentia uma mistura estranha de tesão e nervoso. Qualquer gemido um pouco mais alto, qualquer movimento brusco, e alguém podia perceber. Isso deixava tudo ainda mais intenso. Olhei de novo pra Estefânia. Ela estava com o mesmo olhar que eu — excitada e alerta ao mesmo tempo.
Fran apertava a borda da mesa com os dedos. O corpo dela ia ficando mais tenso, as coxas tremendo levemente contra nossas mãos. Estefânia acelerou um pouquinho os movimentos dentro dela, enquanto eu mantinha a pressão constante no clitóris, circulando sem parar.
— Porra... — ela murmurou quase sem mexer a boca, tão baixo que quase se perdeu no som da banda.
O orgasmo chegou devagar, quase em silêncio. O corpo dela travou de repente, as pernas apertando nossas mãos com força. Um suspiro longo e trêmulo escapou dela, disfarçado como se fosse só a emoção da música. Senti a buceta dela pulsando forte em volta dos dedos da Estefânia, molhando tudo.
Depois que ela relaxou um pouco, Estefânia tirou os dedos e levou direto pra boca, lambendo devagar, saboreando. Eu fiz o mesmo, chupando meus dedos com o gosto doce dela ainda quente na língua.
Sem combinar, eu e Estefânia nos inclinamos pra frente da Fran e nos beijamos bem na frente dela. O beijo saiu molhado, lento, dividindo o gosto da buceta dela entre nós dois. Fran ficou olhando bem de perto, ainda respirando com dificuldade, os olhos brilhando de tesão e surpresa.
Quando nos afastamos, um fiozinho fino ainda ligava nossos lábios.
Fran virou o rosto pra mim, meio sem acreditar, e sussurrou quase sem som:
— Seus safados…
Eu e Estefânia caímos na gargalhada. A noite seguiu leve e divertida. Continuamos conversando, bebendo e brincando entre nós três enquanto a música tocava no fundo. Depois de um tempo, começamos a perceber que a mesa ao lado estava esvaziando. Um por um, os rapazes foram indo embora, até sobrarem só dois.
Os dois ainda olhavam pra nossa mesa de vez em quando, cochichando alguma coisa e dando risada entre eles. Até que um deles tomou coragem, levantou da cadeira e veio andando na nossa direção.
Confesso que fiquei até um pouco apreensivo sem saber o que ele ia falar.
Mas antes mesmo de chegar perto da mesa, ele abriu um sorriso simpático pra nós três.
— Olá, prazer, Michael. — falou estendendo a mão.
Cumprimentou primeiro eu, depois a Fran e por último a Estefânia.
— Prazer, Carlos. — respondi.
— Fran.
— Estefânia.
— Cara… desculpa incomodar vocês aí — falou dando uma risada sem graça — mas eu e meus amigos estávamos ali na outra mesa conversando sobre vocês faz tempo já.
Eu comecei a rir na hora.
— Ih rapaz… lá vem.
Ele deu risada também e balançou a cabeça.
— Não, sério mesmo. A gente tava falando justamente da energia de vocês. Dá pra ver de longe que vocês estão se divertindo de verdade.
Fran sorriu toda simpática.
— Ah, que bonitinho isso.
— E vou te falar a verdade, cara… — ele olhou pra mim apontando com a cabeça — nós ficamos foi com inveja de você.
Na hora eu e as meninas caímos na risada.
— Inveja? — falei rindo.
— Pra caralho! — respondeu ele gargalhando também. — Os caras tudo olhando pra cá e falando “não é possível uma cena dessas”.
Estefânia começou a rir alto balançando a cabeça.
— Vocês homens são uma figura mesmo.
— Mas é verdade! — respondeu Michael ainda rindo. — A mesa inteira comentando vocês três aqui.
— Então senta aí, pô. — falei puxando uma cadeira com o pé. — Já que vocês estavam fazendo análise da nossa mesa mesmo.
— Opa, eu vou aceitar.
Ele olhou pra trás e chamou o amigo com a mão.
— Ô Henrique, cola aqui também.
O outro rapaz veio rindo meio sem graça, cumprimentou nós três e sentou junto com a gente. Em poucos minutos a conversa já estava fluindo naturalmente. Os dois eram gente boa, engraçados e claramente estavam admirados com a situação.
Em determinado momento, Henrique olhou pra mim, deu um gole na cerveja e falou:
— Cara… vou te falar um negócio sério agora.
— Fala aí. — respondi rindo.
Ele apontou pra mim com a garrafa.
— Se você lançar um curso… eu compro.
Na hora a mesa inteira começou a rir.
— Curso de quê, caralho? — falei já gargalhando.
Henrique balançou a cabeça dando risada.
— Ah mano… pelo amor de Deus né.
Michael entrou na brincadeira na hora.
— Os caras da mesa estavam quase querendo pedir consultoria já.
Fran colocou a mão na boca rindo enquanto Estefânia gargalhava alto.
— Vocês são muito sem noção.
— Não, sério mesmo. — Henrique falou ainda rindo. — O cara chega no bar com duas mulheres lindas dessas, as duas claramente na sua… isso aí pros homens normais vira estudo de caso.
Nessa hora até eu comecei a rir balançando a cabeça sem acreditar naquela conversa.
E isso só fez todo mundo rir mais ainda.
A conversa continuou fluindo leve depois da piada do “curso”. A essa altura todo mundo já estava bem mais solto. Michael e Henrique realmente eram gente boa e pareciam ter batido uma conexão rápida com a gente.
Em determinado momento, Michael olhou pra Fran e pra Estefânia e perguntou curioso:
— Mas vocês duas ficam juntas mesmo ou é mais brincadeira entre vocês?
Fran deu uma risadinha olhando pra Estefânia antes de responder.
— Ah… a gente fica sim.
Estefânia confirmou balançando a cabeça.
— Nós duas somos bi.
Henrique arregalou os olhos de leve.
— Sério?
Fran deu de ombros sorrindo.
— Uhum… mas pouca gente sabe na verdade. Só amigos mais próximos mesmo.
— É… pessoal de serviço, faculdade… essas coisas… ninguém sabe não. — completou Estefânia.
Michael e Henrique trocaram um olhar rápido. Os dois deram uma risadinha meio sem graça ao mesmo tempo, como se tivessem pensado exatamente a mesma coisa.
Fran percebeu na hora.
— Ih… olha essa troca de olhar aí. — falou rindo. — O que foi?
Michael balançou a cabeça tentando disfarçar a risada.
— Nada não.
— Sei… — Estefânia respondeu já começando a rir também. — Pode falar.
Henrique passou a mão na barba meio sem jeito antes de olhar pra Michael de novo.
— Ah… sei lá… acho que a gente se identificou um pouco com vocês.
Na hora nós três olhamos pros dois ao mesmo tempo.
— Como assim? — Fran perguntou segurando a risada.
Michael soltou o ar pelo nariz rindo sem graça.
— É que… a gente também entende mais ou menos como é esconder essas coisas de algumas pessoas.
Agora foi eu quem olhou pros dois com mais atenção.
— Pera aí…
Os dois começaram a rir vendo que a gente tinha entendido.
Henrique confirmou balançando a cabeça devagar.
— É… nós dois também somos bi.
Por alguns segundos ficou aquele silêncio de surpresa na mesa. Logo depois nós três começamos a rir juntos.
— Mentira. — Fran falou apontando pros dois.
— Pior que é verdade. — Michael respondeu ainda rindo. — E os caras que estavam ali na mesa com a gente não fazem ideia.
— Nunca contamos praticamente pra ninguém. — completou Henrique. — É uma coisa mais nossa mesmo.
Fran cruzou os braços fingindo desconfiança.
— Ah pronto… agora vocês meteram essa.
Michael olhou pra Henrique já segurando a risada.
— Ela não acreditou.
Henrique entrou na brincadeira na hora.
— Também tô vendo.
Então ele deu de ombros e falou:
— Não tá acreditando que rola uma broderagem entre a gente.
Nessa hora Estefânia quase engasgou de tanto rir.
— Não acredito nisso não.
Fran balançou a cabeça rindo.
— Duvido.
Os dois se olharam por um segundo.
E antes que qualquer um da mesa falasse mais alguma coisa, Michael puxou Henrique pela gola da camiseta e os dois se beijaram ali mesmo.
Não foi um beijo longo, mas também não foi selinho de brincadeira.
Quando se afastaram, Fran arregalou os olhos na mesma hora enquanto eu e Estefânia começávamos a rir da reação dela.
— Meu Deus do céu… vocês estavam falando sério mesmo! — ela falou colocando a mão na boca e começando a rir também.
E isso foi o suficiente pra mesa inteira cair na gargalhada mais uma vez.
A gargalhada demorou um pouco pra passar depois do beijo dos dois. Fran ainda balançava a cabeça sem acreditar enquanto ria.
— Cara… eu realmente não tava esperando isso.
Michael deu risada pegando o copo de cerveja.
— Nem nós estávamos esperando contar isso hoje pra alguém.
— O álcool ajuda bastante nessas horas. — Henrique completou rindo.
— E vocês pareceram gente boa também. — Michael falou olhando pra nós três. — Acho que isso ajudou.
O clima na mesa continuou leve depois daquilo. Era aquelas conversas aleatórias que acontecem quando todo mundo se sente confortável rápido demais perto de desconhecidos.
Depois de mais alguns minutos conversando besteira, Michael olhou pra mim com um sorriso divertido.
— E aí, Carlos… você também é adepto da broderagem ou não?
Na hora todo mundo começou a rir.
Eu abaixei a cabeça dando risada meio sem graça.
— Não… nunca fiquei com homem não.
— Nunca? — Henrique perguntou curioso.
Balancei a cabeça negando.
— Não. Nunca aconteceu. Mas também nunca tive nada contra não.
Michael apoiou o braço na mesa olhando pra mim com curiosidade genuína, sem maldade nenhuma.
— Mas nunca bateu curiosidade?
Fiquei alguns segundos pensando antes de responder.
— Ah… com homem, não. Mas com uma trans eu já pensei sobre isso.
Na mesma hora Fran virou o rosto pra mim surpresa.
— Como assim? Você nunca comentou isso com a gente.
Estefânia também começou a rir.
— Olha aí as informações aparecendo no bar.
Eu ri balançando a cabeça.
— Ah… porque também nunca foi uma coisa muito forte assim. Mas já pensei sobre.
Michael apontou pra mim como se tivesse entendido exatamente.
— Isso aí já é curiosidade.
— É… talvez. — respondi dando risada.
Henrique entrou na conversa:
— Mas teve alguém específico que despertou isso ou foi mais ideia aleatória?
Dei um gole na bebida antes de responder.
— Então… minha prima tem uma amiga trans.
Na hora os quatro ficaram me olhando atentos.
— E ela é muito bonita. Tipo… muito bonita mesmo.
Fran arregalou os olhos já começando a rir.
— Ahhh agora a história começou a fazer sentido.
Até eu comecei a rir.
— Minha prima já até tentou fazer essa ponte algumas vezes.
— E você? — Michael perguntou curioso. — Nunca quis?
Dei de ombros.
— Ah… eu tô pensando ainda.
Michael começou a rir e balançou a cabeça.
— Cara, vou te falar um negócio sinceramente? Eu, no seu lugar, parava de pensar tanto e experimentava.
Fran começou a rir da naturalidade dele falando aquilo.
— Michael é conselheiro amoroso agora.
— Não, tô falando sério. — respondeu ele ainda rindo. — Às vezes a gente cria um monte de coisa na cabeça e quando vive percebe que era muito mais simples do que imaginava.
Henrique concordou balançando a cabeça.
— E é uma experiência completamente diferente mesmo.
Michael deu mais um gole na cerveja antes de continuar:
— Eu já fiquei com algumas trans e sinceramente? Foi muito mais natural do que eu imaginava antes da primeira vez.
Eu fiquei ouvindo meio curioso enquanto Estefânia observava tudo com um sorriso divertido no rosto.
— Caramba… nunca imaginei que essa conversa ia chegar nisso hoje. — falei rindo.
Fran bateu no meu braço.
— E eu nunca imaginei descobrir isso aqui num bar.
— Ah para também. — respondi rindo sem graça.
Ela pegou no meu braço ainda curiosa.
— Mas deixa eu ver a menina agora. Quero saber se ela é bonita mesmo ou se você tá emocionado.
Na hora todo mundo começou a rir.
Peguei o celular no bolso e abri o Instagram dela.
— O nome dela é Bruna.
Fran pegou o celular da minha mão e arregalou os olhos quase na mesma hora.
— Nossa senhora…
Estefânia puxou o celular pra olhar também.
— Carlos do céu… ela é linda mesmo.
Henrique começou a rir alto.
— Tá vendo? O homem tem bom gosto.
Michael apontou pra mim já entrando na brincadeira de novo.
— Rapaz… eu tô falando. O curso desse homem aí vai vender muito ainda.
Eu só balancei a cabeça rindo sem graça enquanto guardava o celular no bolso.
O clima na mesa já estava tão leve que parecia que todo mundo ali se conhecia fazia muito mais tempo. A conversa simplesmente encaixava.
Michael deu mais um gole na cerveja e balançou a cabeça.
— Cara, é engraçado como a gente chegou aqui achando que ia só tomar uma cerveja e acabou falando da vida inteira.
Henrique começou a rir.
— Verdade. O mais engraçado é que tem amigos nossos que a gente conhece há anos, alguns desde a infância, e não sabem disso. E vocês, que a gente conheceu hoje, já sabem.
— Porque muita gente não fala. — respondeu Fran. — Ou não sente que pode falar.
Michael concordou com a cabeça.
— Pior que é verdade. A gente nunca quis esconder nada dos nossos amigos.
— Mas também nem sempre é fácil falar. — completou Henrique.
Michael deu de ombros.
— Às vezes bate aquele receio do que as pessoas vão pensar, do que vão julgar. Então a gente acaba sendo mais discreto.
Todo mundo concordou de alguma forma.
Foi aí que Estefânia olhou pros dois e sorriu.
— Eu e a Fran fomos assim por muito tempo também.
Michael levantou a sobrancelha curioso.
— Sério?
— Sério. Até que a gente acabou conhecendo alguns amigos mais discretos igual nós.
Michael levantou a sobrancelha curioso.
— Como assim?
Fran respondeu:
— Ah… um pessoal mais mente aberta igual nós. Só que mais reservado também. Tem muita gente que não gosta de ficar expondo certas coisas pra qualquer um.
Henrique concordou balançando a cabeça.
— É… a gente entende bem isso.
— E de vez em quando a gente sai junto pra se divertir. — completou Estefânia. — Barzinho, churrasco, casa de alguém… essas coisas.
Michael olhou pra Henrique e depois pra nós.
— Pô… gostei de vocês de verdade.
— Também gostei. — Henrique respondeu. — Achei que o papo ia ficar estranho em algum momento, mas ficou foi tranquilo pra caramba.
Fran sorriu balançando a cabeça.
— Acho que quando ninguém tá julgando ninguém as coisas ficam naturais.
Michael pegou o celular do bolso.
— Então passa o número de vocês aí. Qualquer dia quando forem sair chama nós.
— Isso aí. — Henrique respondeu rindo. — Agora já virou amizade.
Estefânia começou a rir olhando pra mim.
— Imagina o próximo rolê então.
Nós olhamos pra ela esperando ela continuar.
Ela foi apontando pela mesa enquanto falava:
— Vai eu, Fran, Michael, Henrique… e o Carlos levando a Bruna.
A mesa inteira caiu na gargalhada na mesma hora.
Até eu comecei a rir balançando a cabeça.
— Vocês não perdoam também né.
Fran limpou uma lágrima de tanto rir.
— Ah não… agora eu quero muito conhecer essa Bruna pessoalmente.
Michael levantou o copo apontando pra mim.
— Carlos já tá montando elenco pro próximo encontro sem nem perceber.
Continuamos naquele mesmo clima leve e gostoso, como se a gente se conhecesse há muito mais tempo do que só algumas horas. A conversa fluía fácil. Às vezes alguém fazia uma piada idiota e os outros já começavam a rir antes mesmo da pessoa terminar de falar. O bar já estava mais vazio agora, a música um pouco mais baixa e o clima da madrugada deixava tudo ainda mais confortável.
Quando já estava quase meia-noite, Michael pegou o celular, olhou o horário e arregalou os olhos.
— Caralho… já deu meia-noite quase.
Ele levantou da cadeira rindo, olhou pra Henrique e balançou a cabeça.
— Vamos embora, cara. Amanhã eu tenho que trabalhar cedo… e eu te conheço. A hora que chegar em casa você vai querer fazer uma broderagem ainda.
Na mesma hora a mesa inteira explodiu em risada.
Henrique começou a rir também e mandou na hora:
— Vai tomar no cu, Michael.
Michael apontou pra ele ainda gargalhando.
— Bom… não vai ser eu que vou tomar, né?
Foi pior ainda. Fran praticamente se curvou na cadeira de tanto rir. Estefânia bateu na mesa gargalhando alto enquanto eu ria balançando a cabeça sem acreditar no nível da conversa.
— Cara, vocês dois não prestam mesmo — falei ainda rindo.
— A culpa é dele que fica dando ideia — respondeu Henrique tentando segurar a risada.
— Ah pronto, agora eu sou o vilão da história — Michael rebateu colocando a mão no peito dramaticamente.
Ainda rindo, os dois finalmente se levantaram. Michael foi o primeiro a se despedir. Ele cumprimentou a Estefânia com um abraço rápido, depois deu um beijo no rosto da Fran e veio até mim, me puxando pra um abraço de lado.
— Foi bom conhecer vocês de verdade. Faz tempo que eu não dou tanta risada assim numa noite aleatória.
— Nós também, mano — respondi sorrindo.
Henrique veio logo depois. Diferente do Michael, ele parecia um pouco mais tímido pessoalmente na despedida. Mesmo assim, abraçou todo mundo também.
— Qualquer dia marca alguma coisa mesmo — falou olhando principalmente pra Fran e pra Estefânia. — Foi bom pra caralho conhecer vocês.
— Pode deixar que a gente marca — Fran respondeu sorrindo.
Estefânia pegou o celular e levantou ele no ar.
— Agora vocês não escapam mais. Já temos o número de vocês.
— Ih… pronto — Michael falou rindo. — Agora começou o grupo da broderagem.
Todo mundo voltou a rir de novo.
Depois de mais alguns abraços e zoações, eles finalmente foram embora. Nós ficamos olhando os dois saindo juntos pela calçada ainda discutindo e rindo entre eles.
E mesmo tendo sido uma amizade completamente aleatória, ficou no ar aquela sensação gostosa de conexão nova nascendo. Como se pessoas que nunca tinham se visto antes tivessem se entendido rápido demais.
Como nós três não precisávamos trabalhar no outro dia, ainda ficamos mais um tempo ali conversando e aproveitando o clima leve da noite.
Depois de um tempo, nos levantamos, pagamos a conta e saímos do bar ainda rindo da despedida do Michael e do Henrique. A madrugada já tinha tomado conta da cidade, e o movimento nas ruas era bem menor agora. O vento fresco da noite bateu no rosto, assim que entramos no carro Estefânia foi direto para o volante enquanto eu sentei no banco do passageiro e Fran veio logo atrás de mim, apoiando os braços entre os bancos.
— Sério, vocês não vão acreditar na suíte que eu reservei — Fran falou com um sorriso animado.
Olhei pra ela rindo.
— Ih… conhecendo você, eu já tô até com medo.
Ela começou a rir.
— Para de ser besta. Mas falando sério, é a maior suíte que eles têm.
Estefânia olhou rapidamente pelo retrovisor.
— Lá vem…
— Tem uma hidro enorme — Fran continuou animada — e o teto em cima dela é todo de vidro. Dá pra ficar vendo o céu enquanto tá lá dentro.
— Mentira — Estefânia falou arregalando os olhos.
— Juro. E ainda tem uma parte que abre.
Eu olhei pra ela impressionado.
— Caralho… então você tava planejando mesmo essa noite.
Fran deu de ombros com um sorriso convencido.
— Óbvio. Vocês acham que eu faço alguma coisa pela metade?
Estefânia começou a rir balançando a cabeça.
— A Fran é simplesmente incapaz de fazer qualquer coisa simples.
— Ainda bem — falei olhando pra trás.
Fran sorriu daquele jeito provocador e passou a mão devagar no meu ombro.
O clima dentro do carro foi ficando cada vez mais gostoso conforme a cidade passava iluminada pelas janelas. A música tocava baixinho no rádio enquanto nós conversávamos e dávamos risada entre um comentário e outro. Às vezes Estefânia olhava pra mim pelo canto dos olhos com aquele sorriso discreto que sempre me desmontava. Outras vezes era Fran que se aproximava mais entre os bancos só pra falar alguma besteira perto do meu ouvido e me fazer rir.
Depois de alguns minutos dirigindo, Estefânia entrou na rua do motel.
O lugar era enorme, cheio de luzes mais discretas e uma fachada moderna que parecia mais hotel de luxo do que motel. Assim que o portão abriu, Estefânia entrou devagar com o carro enquanto Fran olhava em volta satisfeita.
— Fala sério… eu arraso ou não arraso? — perguntou se achando.
— Admito que você mandou bem — respondi rindo.
Ela comemorou levantando os braços no banco de trás.
Quando estacionamos na garagem da suíte, o clima mudou quase na mesma hora. O silêncio mais reservado do lugar, a expectativa da noite e a proximidade entre nós três deixaram tudo diferente.
Antes mesmo de sairmos do carro, Fran se inclinou entre os bancos e me puxou pelo rosto, me beijando devagar. O beijo veio quente, lento, carregado daquela ansiedade boa que vinha crescendo desde o bar. Estefânia sorriu vendo a cena, mas logo segurou meu queixo também e me beijou logo em seguida.
Por alguns segundos, os três ficaram ali no carro, entre risadas baixas, mãos se tocando e beijos rápidos, enquanto a madrugada seguia silenciosa do lado de fora.
Então descemos do carro. Fran foi até a parte de trás do carro da Estefânia, abriu o porta-malas e pegou sua famosa malinha de brinquedinhos, olhando pra nós dois com aquele sorriso provocador que já fazia meu coração acelerar antes mesmo da gente entrar na suíte.
Assim que entramos no quarto, Fran já foi tirando os sapatos perto da porta e colocou a malinha de brinquedos sexuais em cima da cama. Eu sentei na cama e Estefânia ficou de pé. Ela começou a me olhar nos olhos, então tirou os sapatos devagar, sem desgrudar o olhar dos meus. Depois tirou a blusinha que estava vestindo. Em seguida foi descendo a calça, tudo bem devagar, sem tirar os olhos dos meus. Ficou só de lingerie. Era de renda, toda preta, bem sexy. Fran veio e sentou do meu lado, também olhando a cena.
Estefânia sorriu de canto quando viu nossa cara. Virou de costas devagar, soltou o sutiã e deixou ele cair. Depois enganchou os dedos na calcinha e desceu ela pelas coxas, bem devagar, rebolando de leve. A luz fraca do quarto batia na pele dela, destacando cada curva. Eu sentia o pau já latejando só de olhar. Fran do meu lado respirava mais fundo, sem dizer uma palavra.
Quando Estefânia ficou completamente nua, virou de frente pra gente, deu uma risadinha safada e falou:
— Tô indo pro chuveiro... alguém me acompanha?
Ela saiu andando devagar pro banheiro. Eu levantei primeiro, quase correndo atrás dela. Fran veio logo depois.
O banheiro era grande, todo de mármore claro, com uma pia enorme de um lado. Estefânia ligou o chuveiro e ficou encostada na pia, esperando a água esquentar, completamente nua, olhando pra mim com aquele ar de quem sabia exatamente o efeito que causava. Entrei e fui direto nela. Segurei seu rosto com as duas mãos e dei um beijão forte, daqueles molhados, línguas se enrolando com fome acumulada da noite toda. O vapor começava a subir devagar ao nosso redor.
Fran ficou encostada no batente da porta, assistindo com um sorrisinho preguiçoso, o tipo de sorriso que dizia “já vi esse filme antes e adoro o final”.
Num impulso, agarrei Estefânia pela cintura, levantei ela e sentei na borda da pia. Abri suas pernas devagar — primeiro uma, depois a outra — deixando aquela buceta lisinha e já molhada bem à mostra. Olhei pra Fran, pisquei e dei um sorrisinho cúmplice. Ela ergueu uma sobrancelha, divertida, e veio andando devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Parou na frente de Estefânia, olhou bem nos olhos dela e falou com aquela voz baixa e provocadora:
— Você fez nós dois gozar essa noite. Acha mesmo que nós dois íamos deixar você assim, princesinha?
Fran se ajoelhou devagar e passou a língua bem lenta por toda a buceta dela. Eu continuei beijando Estefânia, descendo pro pescoço, chupando os seios com calma enquanto ela gemia baixinho, os dedos se enfiando no meu cabelo. Depois desci também, até encontrar a língua da Fran.
Nossas línguas se encontraram ali, lambendo o clitóris dela ao mesmo tempo. Estefânia agarrou nossos cabelos, abriu mais as pernas e soltou um gemido rouco, entre riso e desejo.
— Vocês dois juntos são perigosos pra caralho… — murmurou ela, a voz já falhando.
Começamos devagar, saboreando cada centímetro. Nossas línguas deslizavam pelos lábios e pelo clitóris, se encontrando no meio, se enrolando preguiçosamente. O mel dela escorria abundante, molhando nossos queixos. Fran enfiou dois dedos fundo e começou a meter com força, fazendo aquele barulho molhado que ecoava no banheiro. Eu chupei o clitóris com mais pressão, sugando e batendo a língua rápido.
— Ai, porra… assim… não para… — Estefânia gemeu, quase sem ar, a cabeça inclinada para trás contra o espelho.
Ela rebolava contra nossas bocas, sem vergonha, entregue. O orgasmo veio forte: o corpo inteiro tensionou, as coxas apertaram nossas cabeças, e ela gozou gritando, um jorro quente molhando minha boca e o queixo da Fran. Continuamos lambendo devagar, prolongando até o último tremor, sentindo o corpo dela relaxar aos poucos.
Estefânia ficou mole contra o espelho, pernas tremendo, respirando pesado, com um sorriso bobo e satisfeito no rosto.
— Vocês me matam… — sussurrou, rindo fraco.
Depois do orgasmo dela, nós três entramos debaixo do chuveiro. A água quente caía forte, criando uma névoa gostosa no banheiro. No começo foi só corpo contra corpo, mãos escorregadias, beijos lentos e demorados. Eu beijava o pescoço de Estefânia enquanto Fran colava nela por trás, apertando seus mamilos. Trocamos olhares entre os três — aqueles olhares cheios de história, cumplicidade e tesão.
Estefânia saiu do chuveiro pingando, encostou na pia e abriu um pouco as pernas, com um sorriso malicioso.
— Agora quero ver vocês dois.
Fran olhou pra mim, o olhar brilhando de diversão e desejo.
— Tá ouvindo, Carlos? A madame quer um show particular.
Eu puxei Fran pra debaixo da água e a beijei devagar, segurando seu rosto. Nossas línguas se enrolavam enquanto a água escorria entre nós. Ela desceu beijando meu peito, minha barriga, até ajoelhar. A água caía direto no rosto dela quando segurou meu pau e deu uma lambida lenta da base até a cabeça, olhando pra cima com cara de safada.
— Porra, Fran… — soltei, rindo baixo.
Ela chupou devagar no começo, depois mais fundo, gemendo com meu pau na boca. Eu segurava o cabelo dela, mas sem forçar — era mais sobre sentir do que controlar. Olhei pra Estefânia: ela se tocava devagar na pia, mordendo o lábio, claramente curtindo o espetáculo.
Puxei Fran pra cima, virei ela de costas e esfreguei a cabeça do pau na buceta molhada, provocando de propósito. Ela rebolou pra trás, impaciente.
— Para de graça e me fode logo, vai… — murmurou, rindo.
Eu entrei devagar, centímetro por centímetro, sentindo ela me apertar quente. Comecei devagar, saboreando a sensação, depois aumentei o ritmo aos poucos. Fran gemia mais alto, empinando a bunda. Quando senti que ela estava perto, desci a mão e esfreguei o clitóris dela com calma. Fran gozou pela primeira vez tremendo forte contra mim, a buceta pulsando em volta do meu pau, soltando um gemido longo e rouco.
Não parei. Continuei metendo, agora mais fundo e firme, dando tempo pra ela sentir cada estocada. Pouco depois ela gozou de novo, mais forte, as pernas quase cedendo, gemendo meu nome misturado com um “caralho” bem safado.
Só então eu me permiti gozar. Apertei a cintura dela com força e gozei fundo dentro dela, pulsando forte enquanto a enchia. O orgasmo foi intenso, me deixando tonto por alguns segundos.
Quando saí, um fio grosso de gozo escorreu pela coxa dela. Fran virou, ajoelhou e me chupou devagar, limpando tudo com calma, olhando pra mim com aquele olhar cúmplice que sempre me desarmava.
Estefânia, ainda na pia, gozou pela segunda vez assistindo a cena, gemendo baixinho.
Depois voltamos os três pro chuveiro, rindo, empurrando um ao outro de leve pra debaixo da água, comentando besteiras da noite. O clima era leve, descontraído, cheio de intimidade verdadeira.
— Cara… eu ainda não acredito que você ficou travado quando o Michael perguntou sobre broderagem — Estefânia provocou, rindo.
— Eu não fiquei travado! Só… processei — respondi, rindo junto.
Fran entrou na brincadeira:
— Processou devagar demais, amor. Parecia que seu cérebro tinha dado erro.
A gente ficou rindo por um bom tempo, trocando provocações, lembrando momentos da noite, sentindo aquela conexão gostosa que ia muito além do sexo.
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