Tinha 43 anos e carregava aquele tipo de beleza que não precisava pedir atenção, simplesmente acontecia. Morena, sorriso seguro, olhar demorado. Morava com meu marido, Marcelo, de 49 anos, numa cidade tranquila do interior de São Paulo, onde as pessoas sabiam demais da vida umas das outras e, justamente por isso, qualquer segredo parecia ainda mais excitante.
Nosso casamento seguia confortável, previsível até. Marcelo era um homem correto, trabalhador, daqueles que acreditam que estabilidade basta para manter a chama acesa. Mas eu vinha sentindo falta de algo mais perigoso. Mais vivo.
Naquela manhã de quinta-feira, tinha consulta de rotina com o ginecologista. Passei um tempo incomum escolhendo a roupa antes de sair. Vesti um vestido leve, discreto o suficiente para não levantar suspeitas, mas por baixo escolhi um conjunto preto de renda fina, fio dental delicado, quase provocativo demais para uma consulta médica. Talvez justamente por isso escolhi.
Enquanto dirigia até a clínica, senti o coração acelerar sem motivo aparente. Ou talvez houvesse um motivo, apenas evitasse nomeá-lo.
A clínica era pequena e elegante. O médico, Dr. Renato, devia ter pouco mais de cinquenta anos, voz calma e aquele jeito atento que fazia qualquer mulher se sentir observada além do necessário. Durante a consulta, percebi o olhar dele se deter por um segundo a mais quando arrumei o vestido. Nada explícito. Apenas um detalhe. Mas suficiente para aquecer pensamentos perigosos.
Durante o exame, senti o próprio corpo reagir ao ambiente frio do consultório, à proximidade dele, ao constrangimento misturado com excitação. O toque profissional do médico deveria parecer neutro, mas, para mim, cada gesto parecia perigosamente íntimo. Meus seios nus, com as auréulas grandes e escuras, estavam com os bicos durinhos, onde por várias vezes o olhar do Dr. Renato iam em direção a eles.
Quando terminou, me levantei devagar, pegando o vestido dobrado sobre a mesinha sem pressa. O fio dental enterrado em minha bunda, me fazia sentir um pouco a sensação de ser uma vadia, então vi Dr. Renato observando-me pelo reflexo do armário metálico.
— Está tudo bem com você, precisa de ajuda? — perguntou ele, enquanto anotava algo no prontuário.
— Já estou terminando — respondi, com a vontade de pedir para ele vir não para ajudar a colocar, mas para tirar tudo novamente e me possuir.
Ao sair da clínica, em vez de voltar para casa imediatamente, caminhei pela praça central da cidade. O vento mexia o vestido de leve, e o simples fato de saber o que usava por baixo fazia cada passo parecer um segredo compartilhado apenas comigo mesma. Havia algo intoxicante na ideia de parecer uma mulher comum, enquanto carregava um incêndio escondido.
Mais tarde, naquela noite, Marcelo chegou cansado do trabalho. Eu estava na varanda, taça de vinho na mão, o vestido escuro marcando as curvas de um jeito diferente.
— Você está linda hoje — ele comentou, sincero.
Sorri.
— Só hoje?
Marcelo riu sem perceber o jogo acontecendo diante dele.
Mas eu estava distante. Pensava no olhar demorado do médico. Pensava na sensação estranha de ser desejada novamente. E, acima de tudo, pensava em como aquilo despertava em mim uma coragem que havia permanecido adormecida por anos.
Nos dias seguintes, passei a me arrumar mais. Escolhia lingeries como quem guarda segredos. Gostava da ideia de provocar sem revelar. De caminhar pela cidade sabendo que ninguém imaginava o turbilhão sob minha aparência impecável.
Até que, numa tarde quente de sábado, recebi uma mensagem inesperada.
“Você esqueceu seus exames comigo. Pode passar na clínica segunda-feira.”
Era do doutor Renato.
A mensagem era simples. Profissional até. Mas eu lí várias vezes, sentindo aquele arrepio percorrer lentamente a pele.
Marcelo estava na sala assistindo televisão quando eu bloqueei o celular e respirei fundo.
Pela primeira vez em muito tempo, percebi que não sentia culpa.
Sentia expectativa, onde comecei a escolher a roupa e o conjuntinho que iria usar para provocar aquele homem
