Nos dias seguintes, Giulia tentou agir como se nada tivesse mudado.
Tentou cuidar da casa, organizar as caixas que ainda restavam pela sala, responder Rafael com naturalidade, participar dos cultos, sorrir para os irmãos, levantar as mãos durante os louvores e repetir para si mesma que aquele café na casa de Karina tinha sido apenas isso: um café entre mulheres.
Mas não conseguia esquecer.
Não conseguia esquecer a taça de vinho entre seus dedos. A voz de Bianca falando sobre prazer. A mão de Fernanda repousando em seu joelho com uma delicadeza que parecia inocente demais para ser acusada de qualquer coisa. O olhar de Karina, firme, experiente, como se enxergasse nela não apenas uma jovem esposa, mas uma mulher presa em alguma coisa apertada demais.
Na quinta-feira à noite, depois do culto, Karina se aproximou dela com o mesmo sorriso de sempre.
– Giulia, amanhã vamos nos reunir lá em casa para terminar umas coisas do evento das mulheres. Nada demais. Só decoração, lista de nomes, essas coisas. Você quer ir?
Giulia hesitou.
– Só vocês três?
Karina sustentou seu olhar por um instante.
– E você, se quiser.
O convite pareceu simples. Mas havia um peso escondido nele.
Bianca, que estava ao lado, sorriu.
– Prometo que não vamos te assustar dessa vez.
Giulia sentiu o rosto aquecer.
– Vocês não me assustaram.
– Não? – Bianca perguntou, inclinando levemente a cabeça.
Fernanda se aproximou com suavidade.
– Vai ser bom ter você com a gente. E você ajuda bastante, tem bom gosto.
Era uma mentira gentil. Giulia mal havia ajudado em qualquer coisa. Ainda assim, gostou de ouvir. Gostou de ser incluída. Gostou de ser necessária.
Na sexta, Rafael não se importou.
– Vai sim – disse ele, distraído, olhando algo no celular. – É bom você se envolver com as coisas da igreja.
Giulia quase perguntou se ele sabia exatamente com o que ela estava se envolvendo. Mas ficou calada.
À noite, Bianca passou para buscá-la novamente.
Dessa vez, Giulia se arrumou com mais cuidado. Não queria admitir, nem para si mesma, mas escolheu a roupa imaginando os olhos das três. Um vestido preto simples, de mangas curtas, que acompanhava sua cintura e deixava suas pernas à mostra na medida certa. Nada vulgar. Nada que chamasse atenção demais. Mas o suficiente para que ela se sentisse consciente do próprio corpo ao caminhar.
Quando entrou no carro, Bianca a olhou de cima a baixo com discrição insuficiente.
– Você está perigosa hoje.
Giulia prendeu o cinto, tentando disfarçar o impacto da frase.
– Perigosa?
– Bonita assim, sim.
Giulia riu sem jeito.
– Você fala essas coisas como se fosse normal.
Bianca ligou o carro.
– E não é?
Giulia não respondeu.
A casa de Karina estava mais silenciosa naquela noite. As luzes externas iluminavam o jardim com um brilho discreto, e, por dentro, a sala parecia menos formal do que da primeira vez. Havia papéis sobre a mesa, flores separadas em vasos, tecidos dobrados, algumas caixas abertas. Parecia mesmo uma reunião de organização.
Pelo menos no começo.
Fernanda estava sentada no tapete, descalça, separando fitas de cetim. Karina veio da cozinha com uma bandeja de taças e uma garrafa de vinho. Ao ver Giulia, abriu um sorriso satisfeito.
– Ainda bem que você veio.
Giulia sorriu.
– Eu disse que viria.
– Nem todo mundo cumpre o que diz – Karina respondeu.
Havia alguma coisa naquela frase que parecia ter outro sentido.
Elas começaram trabalhando de verdade. Discutiram cores, convites, lembrancinhas, a ordem das apresentações. Giulia ajudou a montar alguns arranjos, deu opiniões tímidas, riu de comentários de Bianca e ouviu Fernanda contar histórias da igreja com uma calma quase hipnótica.
Mas, aos poucos, a reunião foi mudando de forma.
A noite já havia passado do ponto em que a reunião ainda podia ser chamada de trabalho.
As caixas de decoração estavam esquecidas no canto da sala. As fitas, os papéis e as listas de nomes haviam perdido importância. A música baixa preenchia os espaços entre uma conversa e outra, e o vinho deixava tudo mais lento: os gestos, os olhares, as risadas.
Giulia percebeu a mudança antes de compreender exatamente o que estava acontecendo.
Bianca estava sentada no tapete, perto demais de Fernanda. As duas conversavam em voz baixa, mas havia uma intimidade no modo como se olhavam que não pertencia a amigas comuns. Fernanda sorria com os olhos baixos, tentando manter a compostura, enquanto Bianca brincava distraidamente com os dedos dela, como se aquele toque fosse natural, antigo, permitido.
Karina observava as duas do sofá, com a taça entre os dedos e um sorriso calmo nos lábios.
Giulia, sentada na poltrona ao lado, sentiu o coração acelerar.
Não era a primeira vez que notava algo estranho entre elas. Desde o culto, desde o café, desde os pequenos comentários e olhares desviados, havia sinais demais para serem ignorados. Mas naquela noite os sinais pareciam ter deixado de se esconder.
Bianca ergueu os olhos para Giulia.
– Você está quieta.
Giulia segurou a taça com mais força.
– Estou só observando.
Karina sorriu.
– E o que você está vendo?
A pergunta fez o ar mudar de temperatura.
Giulia olhou para Bianca. Depois para Fernanda. As duas permaneciam próximas, ombro contra ombro, mãos quase entrelaçadas. Ela poderia mentir. Poderia dizer que não via nada. Poderia rir, mudar de assunto, levantar-se e pedir para ir embora.
Mas alguma coisa dentro dela queria ficar.
– Não sei – respondeu, a voz mais baixa do que pretendia. – Acho que estou tentando entender.
Bianca inclinou a cabeça, o sorriso pequeno, provocante.
– Entender o quê?
Fernanda, que até então parecia a mais contida, levantou os olhos para Giulia. Havia doçura em seu rosto, mas também havia coragem. Como se estivesse cansada de fingir naquela sala onde, aparentemente, ninguém precisava fingir.
– A gente não é só amiga – Fernanda disse.
Giulia sentiu a frase descer por dentro dela como vinho forte.
Karina pousou a taça na mesa.
– Nunca fomos.
O silêncio que veio depois foi profundo.
Bianca virou-se para Fernanda e tocou seu rosto com a ponta dos dedos. O gesto foi delicado, quase carinhoso demais para ser interpretado de outra forma. Fernanda fechou os olhos por um instante, como se conhecesse aquele toque de memória. Então Bianca se aproximou e a beijou.
Giulia parou de respirar.
Não foi um beijo apressado, nem feito para escandalizar. Foi lento. Íntimo. Cheio de reconhecimento. Um beijo de quem já havia se procurado muitas vezes longe dos olhos do mundo. Fernanda correspondeu com uma naturalidade que desmontou qualquer dúvida. Sua mão subiu até a nuca de Bianca, puxando-a um pouco mais para perto, e as duas se perderam por alguns segundos naquele contato silencioso, intenso, proibido.
Giulia sentiu o rosto queimar.
Deveria desviar o olhar.
Não desviou.
Karina se levantou devagar e caminhou até elas. Bianca se afastou de Fernanda apenas o suficiente para olhar para a amiga. Não havia surpresa. Não havia vergonha. Havia apenas cumplicidade.
Karina se ajoelhou diante das duas e tocou o queixo de Bianca, trazendo seu rosto para si. O beijo que deu nela foi diferente: mais firme, mais antigo, carregado de uma autoridade silenciosa que fez Giulia apertar as pernas discretamente, incomodada com a própria reação.
Bianca sorriu contra a boca de Karina.
– Você está querendo assustar a nossa convidada.
Karina olhou para Giulia, ainda muito próxima de Bianca.
– Ela parece assustada?
Giulia não conseguiu responder.
Fernanda se virou para ela com um olhar sereno.
– Se quiser ir embora, a gente entende.
Era verdade. Nenhuma delas a segurava. A porta estava ali. Sua bolsa estava perto. Seu celular também. Bastava levantar, inventar uma desculpa, pedir para Bianca levá-la de volta ou chamar um carro.
Mas Giulia continuou sentada.
O coração batia rápido demais.
Bianca percebeu.
– Ela não quer ir.
A frase foi dita com suavidade, mas pareceu tocar algo escondido dentro de Giulia.
Karina se levantou e voltou até o sofá, sentando-se perto da jovem. Não a tocou de imediato. Apenas ficou ao lado dela, perto o suficiente para que Giulia sentisse seu perfume.
– Você está julgando a gente? – Karina perguntou.
Giulia engoliu seco.
– Eu não sei o que estou sentindo.
– Isso é mais honesto do que a maioria das respostas.
Do outro lado da sala, Bianca e Fernanda voltaram a se beijar, agora com menos receio de serem vistas. Havia mãos nos cabelos, respirações entrecortadas, risos baixos entre um beijo e outro. Não era uma cena vulgar. Era pior: era bonita. Era íntima. Era real o suficiente para mexer com todas as certezas que Giulia carregava.
Ela sentiu uma pontada de culpa ao pensar em Rafael.
Mas a culpa veio misturada com outra coisa.
Uma curiosidade quente.
Uma inveja silenciosa.
Uma vontade absurda de saber como era ser desejada daquela forma, sem pressa, sem egoísmo, sem o peso de ter que cumprir um papel.
Karina percebeu a mudança no rosto dela.
– Você nunca viu duas mulheres se beijando assim?
Giulia balançou a cabeça.
– Não de perto.
– E o que achou?
Giulia olhou para Bianca e Fernanda.
Fernanda estava com os cabelos um pouco desalinhados, os lábios úmidos, a respiração mais pesada. Bianca parecia completamente à vontade, como se tivesse esperado por aquele momento a noite inteira. Quando percebeu o olhar de Giulia, sorriu sem interromper o carinho que fazia no rosto de Fernanda.
Giulia baixou os olhos.
– Achei... diferente.
Karina riu baixo.
– Diferente é uma palavra segura.
Giulia fechou os dedos em torno da taça.
– Bonito – confessou, quase sem voz.
Karina ficou em silêncio por um instante.
Depois tocou de leve a mão dela.
– Não precisa ter medo de achar bonito.
O toque foi pequeno, mas Giulia sentiu como se fosse muito maior. Olhou para a mão de Karina sobre a sua, depois para o rosto dela. Havia algo maternal em Karina, mas também algo perigoso. Ela não parecia ansiosa. Não parecia desesperada para seduzir. Parecia apenas certa de que Giulia já estava dentro da teia, mesmo sem admitir.
Bianca se levantou do tapete e foi até a mesa pegar a taça. Fernanda permaneceu onde estava, olhando para as duas no sofá. A sala inteira parecia girar ao redor de Giulia.
– A primeira vez que eu vi – Bianca disse, aproximando-se – também achei que deveria sentir culpa.
Giulia ergueu os olhos.
– E sentiu?
Bianca parou diante dela.
– Senti. Mas depois percebi que a culpa não vinha de mim. Vinha do que tinham me ensinado.
A frase ficou entre elas.
Karina apertou de leve a mão de Giulia antes de soltá-la.
– A gente não vai te pedir nada hoje.
Giulia respirou fundo, como se só então percebesse que estava esperando exatamente isso: um pedido, uma proposta, uma linha clara que ela pudesse recusar para provar a si mesma que ainda estava no controle.
Mas elas não deram essa linha.
Não ainda.
Bianca se inclinou e beijou Karina outra vez, bem ali, a poucos centímetros dela. Giulia viu a mão de Karina repousar na cintura da amiga, viu Bianca fechar os olhos, viu Fernanda se aproximar e tocar as costas de Bianca com uma intimidade que parecia completar a cena. As três se moviam como se conhecessem seus lugares umas nas outras. Como se aquele segredo tivesse uma coreografia antiga.
Giulia sentiu o corpo inteiro atento.
Não havia como fingir que aquilo não a afetava.
A música continuava baixa. A casa estava fechada. Lá fora, a cidade provavelmente dormia sem imaginar que três das mulheres mais respeitadas da igreja se despiam de suas máscaras naquela sala escura, longe dos fiéis, longe dos maridos, longe dos púlpitos.
Karina virou o rosto para Giulia.
– Segredos só são perigosos quando a gente guarda sozinha.
Giulia olhou para ela.
– E quando guarda com outras pessoas?
Bianca respondeu antes:
– Aí eles viram aliança.
Fernanda se aproximou do sofá e sentou-se do outro lado de Giulia. Por um momento, ela se viu entre Karina e Fernanda, com Bianca em pé diante das três. Não havia toque indevido, não havia insistência, mas a proximidade bastava para confundir sua respiração.
Fernanda falou baixinho:
– Você pode só ficar. Só ver. Só entender que existe um mundo que ninguém te contou.
Giulia deveria dizer que não queria conhecer esse mundo.
Mas a verdade era que uma parte dela já havia começado a procurar a entrada.
A noite avançou em fragmentos: beijos trocados entre elas, sussurros que Giulia não conseguia ouvir por completo, mãos que se buscavam com familiaridade, risadas baixas, olhares que voltavam para ela como convites silenciosos. Em algum momento, Karina apagou uma das luzes. Em outro, Bianca sentou-se aos pés de Fernanda, a cabeça apoiada em seu colo, enquanto recebia dela um carinho lento nos cabelos.
Não houve pressa.
Talvez por isso fosse tão perturbador.
Elas não pareciam estar encenando para Giulia. Pareciam apenas permitindo que ela visse uma verdade cuidadosamente escondida.
Uma verdade em que as três se desejavam.
Se tocavam.
Se pertenciam de uma forma que o mundo jamais perdoaria.
Karina se aproximou de Giulia novamente, sua ela a olhava naquela escuridão iluminada apenas por uma luz distante, a respiração ofegante dela já acusava sua ansiedade, Karina sorria, levava a mão no joelho de Giulia que se arrepiava, sem dizer nada, Karina se aproximou mais, seus lábios se tocaram e um beijo se inicia, Giulia não tentou resistir, pelo contrário, se entregou a cada toque, sentindo o corpo todo quente.
As mãos de Karina sabiam exatamente por onde percorrer, alisando o corpo daquela bela jovem, o som dos beijos e coavam pela a sala, e ali ao lado delas, gemidos se iniciavam, era Fernanda e Bianca, já completamente envolvidas.
Karina se foca em Giulia, suas mãos deslisam por baixo do vestido preto que ela havia escolhido, encontrando o fino tecido da lingerie, já umedecido, quente pela excitação que aquele momento causava.
karina começa então seus carinhos ali, Giulia começa a gemer, sentindo o toque daquela loba, que estava prestes a devora-la.
Em certo momento, as roupas de seus corpos já estavam no chão, Karina ajoelhada na frente de Giulia, que estava no sofá, entre as pernas dela, a chupava, deslizando a lingua por sua buceta, brincando com seu clitoris e arrancando dela, gemidos intensos de prazer, prazer esse que nunca havia sentido antes.
Naquela mistura de sentimentos, Fernanda e Bianca resolvem se aproximar e entrar para a festa, trocam beijos com Giulia e começam a chupar seus seios, revezando com Karina em sua buceta.
Giulia muito excitada, não pensava em nada, apenas sentia seu corpo nu, todo arrepiado, sua buceta vibrando de tezão e sem conseguir controlar o proprio corpo, começa a gozar, em um orgasmo intenso, mas antes mesmo de falar ou conseguir fazer qualquer coisa, Fernanda encaixa a buceta na boca de Giulia, que sem pensar duas vezes, começa a lambe-la e a chupa-la.
Fernanda gemia satisfeita, Giulia mesmo inexperiente sabia muito bem o que fazia com a boca, Karina e Bianca, deixam Giulia com Fernanda e começam entre elas a transar, uma cruzando a perna em cima da outra, com suas bucetas roçando uma na outra, em um gemido intenso.
Fernanda sai de cima de Giulia e resolve fazer o mesmo, as duas se beijam, cruzando as pernas uma na outra, formando uma bela tesoura, os movimentos de vai e vem, Giulia não conseguia entender o que sentia. Era uma excitação intensa, seu corpo todo suado, com aquela mulher ali, roçando a buceta na dela, o tezão entre as duas era intenso e mais uma vez, Giulia acabou gozando, como nunca havia gozado antes. E naquela noite já era a segunda vez.
Aquela noite não parecia ter fim, Giulia descobriu prazeres que nunca pensou ser possivel, entre uma taça de vinho ou outra, aquelas 4 mulheres se entregavam ao prazer, a cumplicidade e ao segredo que deveria ser guardado a 7 chaves.
Depois de uma noite intensa de prazer finalmente Bianca levou Giulia de volta para casa, a jovem permaneceu calada quase todo o caminho.
A cabeça estava cheia.
O corpo também.
Antes que ela saísse do carro, Bianca tocou seu braço.
– Você está bem?
Giulia olhou para ela. Pensou em mentir. Pensou em dizer que sim, que estava tudo normal, que aquilo não tinha mexido com ela.
Mas já havia mentiras demais naquela cidade.
–Não sei – respondeu.
Bianca sorriu, não com deboche, mas com paciência.
– Tudo bem. Algumas descobertas demoram um pouco para assentar.
Giulia segurou a maçaneta, mas não abriu a porta.
– Vocês sempre fazem isso?
Bianca sustentou seu olhar.
– Sempre que podemos ser nós mesmas.
Giulia sentiu a resposta como um golpe suave.
Dentro de casa, Rafael provavelmente estaria dormindo ou vendo televisão. Sua vida normal a esperava do outro lado da porta. Mas, antes de sair do carro, ela olhou para Bianca uma última vez.
– Por que me mostraram?
Bianca demorou a responder.
Quando falou, sua voz veio baixa:
– Porque você olhou como quem queria entender. Não como quem queria condenar.
Giulia abriu a porta e saiu antes que aquela frase a prendesse ali por mais tempo.
Naquela noite, ao deitar ao lado do marido, ela ficou olhando para o teto no escuro.
Rafael dormia tranquilo.
Giulia não.
Cada vez que fechava os olhos, via Bianca beijando Fernanda. Via Karina tocando Bianca com aquela calma dominante, revivia em seu corpo aqueles toques, aqueles beijos, via as quatro envolvidas numa intimidade que deveria parecer pecado, mas que, em sua memória, parecia liberdade.
E o mais assustador para ela, era que Giulia não pensava mais apenas no que havia vivido.
Mas sim, estava ansiosa para o próximo encontro com as 3.