SOCIEDADE SECRETA DO TERCEIRO ANO PT 5 AS REGRAS DO JOGO

Um conto erótico de GABRIEL SILVA
Categoria: Grupal
Contém 3349 palavras
Data: 05/06/2026 12:42:07

Os homens começaram a se vestir em silêncio, ainda rindo baixo e comentando a cena. O líder, o careca de pau quase grande, se aproximou de mim enquanto abotoava a camisa de marca, batendo no meu ombro com força.

— Caralho, garoto… você é foda. Nunca vi um novato meter com tanta vontade assim. Arrebentou as duas. Principalmente a professora Aline. Ela tava gemendo igual puta barata no final. Parabéns muleque.

Ele riu, olhando para Aline que ainda estava no chão, tentando se recuperar da surra de rola.

— Vou falar com o Ricardo. Pedir pra ele te mandar numa missão especial. A gente precisa de gente como você. Sangue novo, pau grande e sem frescura. Você vai longe, moleque.

Os outros concordaram, rindo. Eles terminaram de se vestir, pegaram seus pertences e saíram do quarto, ainda comentando. A porta fechou com um clique.

Aline se levantou devagar. O ódio no olhar dela era palpável. Ela se vestiu rapidamente, sem dizer uma palavra, apenas me fuzilando com os olhos. Pegou o vestido vermelho do chão, vestiu com raiva nem limpou minha porra nela e saiu batendo a porta, sem olhar para trás. O silêncio que ficou foi ensurdecedor.

Ficamos só nós três: eu, Edna e Tamires.

Edna estava destruída. Sentada na beira da cama, pernas tremendo, o gozo escorrendo pelas coxas algumas camisinhas no chão. Tamires estava encolhida na cama, olhos vermelhos, abraçando os joelhos. Nenhuma das duas conseguia falar.

— Vamos pro banheiro — falei baixo. — Se limpar né.

Ajudei as duas a se levantarem. Tamires mal conseguia andar. Edna segurava minha mão com força, como se tivesse medo de cair. Entramos no banheiro luxuoso da suíte. Liguei o chuveiro quente.

Nós três nos lavamos em silêncio. Eu ajudava Edna a limpar as coxas, o cu e a buceta inchada. Tamires se lavava sozinha, chorando baixinho debaixo d’água. Ninguém falava nada. O barulho da água era o único som.

Depois nos vestimos. Edna colocou o vestido preto de novo, mas estava torto, amassado. Tamires vestiu a roupa curta, parecendo uma boneca sexual.

Saímos do motel. Aline tinha ido embora nervosa e esqueceu completamente de Tamires. Eu ia ter que levar ela.

No carro de Edna, o silêncio era pesado. Edna sentou no banco da frente, Tamires atrás, encolhida.

Edna olhou para mim, voz rouca:

— O plano de desmaiar não deu certo… mas obrigada por tentar me ajudar.

Eu segurei o volante com força.

— Eu não consegui. Desculpa.

Edna balançou a cabeça devagar.

— Você tentou. Isso já é mais do que eu esperava de alguém da Seita.

Tamires estava quieta no banco de trás. Olhei pelo retrovisor. Ela estava destruída, olhos vazios, abraçando o próprio corpo.

— Tamires… tá tudo bem? — perguntei.

Ela demorou pra responder. Quando falou, a voz saiu pequena, quebrada:

— P.....… isso é sexo?

O carro ficou em silêncio. Edna virou o rosto pra trás, olhando para a menina com pena.

— Não, meu amor… isso não é sexo. Isso é… sobrevivência. Quando você arrumar alguém que te ame de verdade, que te proteja… aí sim você vai sentir o que é sexo de verdade. O que é prazer de verdade. Agora… é só dor e um prazer cru.

Tamires começou a chorar baixinho. Edna esticou o braço para trás e segurou a mão dela, consolando-a como uma mãe faria.

— Vai passar, Tamires. Eu prometo. Vai doer por um tempo, mas vai passar. A gente vai sobreviver a tudo isso.

Eu dirigia em silêncio, ouvindo as duas. O peso de tudo que tinha acontecido naquela noite caía sobre mim como uma montanha.

Eu tinha ajudado a destruir duas mulheres.

E, pior ainda, estava começando a me acostumar com isso.

No dia seguinte, a primeira aula era de História. Professor Ricardo entrou na sala com o mesmo ar imponente de sempre. Todos ficaram em silêncio imediatamente. Ele começou a explicar sobre a República Velha, mas eu mal conseguia prestar atenção. Minha cabeça ainda estava no motel, no olhar de ódio de Aline, no choro de Edna e Tamires.

No meio da aula, Ricardo parou perto da minha carteira. Colocou a mão no meu ombro e falou baixo, só pra eu ouvir:

— Bom trabalho ontem, Matheus. Você me impressionou. Entregou tudo, foi muito bem elogiado. Isso é raro com aqueles magnatas. Continue assim.

Ele deu um leve aperto no meu ombro e continuou a aula como se nada tivesse acontecido.

Paulo e Neguin, sentados algumas carteiras à frente, viraram o rosto ao mesmo tempo. Eles me olharam com curiosidade e inveja. Neguin fez um gesto com a cabeça, como quem perguntava “o que foi isso?”. Eu apenas dei de ombros, fingindo que não era nada.

No intervalo, eu estava no pátio tomando uma coca e falando com Tamires quando vi Neguin e Paulo conversando perto do muro, meio escondidos. Me aproximei por trás, fingindo que ia só passar.

— Aline mandou a gente vigiar a Isabela — disse Neguin baixo. — Disse pra anotar horários, com quem ela fala, se tem alguém suspeito. E mandou não contar pro Matheus.

Paulo riu baixo:

— Ela tá com raiva dele por ontem. Quer ele fora dessa parte da Isa.

Eu parei atrás de uma coluna, coração acelerado. Isabela. A professora que eu admirava. A única que ainda parecia ter luz naquela escola podre. Eles queriam vigiá-la. Talvez pior.

Voltei devagar, fingindo que não tinha ouvido nada. Quando eles me viram, mudaram o assunto imediatamente.

— E aí, Matheus — disse Paulo, sorrindo. — Tá comendo a esquisita lá? A Tamires?

Eu forcei um sorriso.

— Não. Só perguntei uma coisa sobre a matéria pra ela.

Eles riram, mas eu não consegui rir junto. Meu peito estava apertado. Isabela. Eu não podia permitir que fizessem isso com ela.

Mais tarde, depois da aula, eu fui até Neguin e Paulo e perguntei direto:

— Como funciona a Seita de verdade? Quem dita as regras?

Paulo olhou pros lados antes de responder:

— Ricardo é o chefe visível. Mas tem gente maior. Muito maior.

Neguin completou, voz baixa:

— Tem um senhor que montou tudo há uns 6 anos junto com Ricardo e mais algumas pessoas importantes. Ele mora num condomínio de rico lá pro lado da sua casa. O nome dele é Seu Augusto.

Eu memorizei o nome.

Naquela mesma noite, peguei a moto do meu pai e fui até o condomínio. Era um lugar luxuoso, com segurança na entrada. Falei com o porteiro que precisava falar com Seu Augusto. Para minha surpresa, ele me deixou entrar.

Toquei a campainha de uma cobertura enorme. Um senhor de uns 55 anos, bem vestido, cabelo grisalho, abriu a porta. Olhou pra mim e sorriu como se já me conhecesse.

— Matheus, né? Sei quem você é. Entra.

Entrei, espantado. A casa era linda, cheia de quadros e móveis caros.

— Como o senhor sabe quem eu sou? — perguntei.

— Eu sei de tudo que acontece na Seita. Senta.

Sentei no sofá. Meu coração batia forte.

— Eu quero salvar alguém da Seita — falei direto. — Uma professora.

Seu Augusto riu baixo, servindo um copo de whisky pra si.

— Sua professora, né? Bonita. Mas não vai cair bem. Edna já é velha, as opções não são as melhores.

Eu insisti:

— Dentro das regras… como eu posso fazer isso?

Ele me olhou por um longo tempo, depois falou sério:

— Você tem três opções, garoto. E eu gostei de você, então vou ser sincero.

Ele levantou um dedo:

— Primeira: ela vira sua mãe. Você assume como filho dela. Proteção total. Mas ela perde tudo — carreira, liberdade, identidade.

Segunda: você namora ou casa com ela. Isso é momentâneo. Se separar, ela volta pra Seita.

Terceira: você reivindica ela como puta particular. Ela só serve você. Mas essa opção só vale se você tiver nível 4. E você ainda está no 3.

Ele apontou pro meu anel com os três riscos.

— Escolha com sabedoria, Matheus. Porque na Seita, pra salvar um, quase sempre você sempre enterra outro.

Fiquei em silêncio, olhando pro copo de whisky que ele me ofereceu.

A escolha estava na minha mão.

E eu sabia que, qualquer que fosse, ia mudar tudo.

No dia seguinte, voltei à sala dos professores depois da última aula. Ricardo estava sozinho, sentado atrás da mesa, folheando alguns papéis. Ele me olhou com um leve sorriso ao me ver entrar.

— Matheus. Sente-se.

Sentei. Meu coração batia forte, mas eu precisava saber.

— Professor… o que é o nível 4?

Ricardo se recostou na cadeira, me observando com atenção.

— Nível 4 é quando você deixa de ser um braço e vira uma mão. Você ganha poder real. Pode escolher suas próprias putas, proteger quem quiser, ter acesso a informações maiores. Mas pra chegar lá, precisa de uma missão grande. Algo que prove lealdade total. Ainda não chegou a hora. Quando chegar, eu aviso.

Eu assenti, absorvendo cada palavra.

— Obrigado pelas informações.

Levantei e saí da sala. No corredor, minha cabeça girava. Nível 4. Se eu chegasse lá, poderia proteger Isabela. Poderia proteger Edna. Poderia ter algum controle nesse inferno.

Não quis ir pra casa nem pro hospital ver minha mãe. O peso do dia estava grande demais. Peguei a moto e fui para o apartamento de Edna.

Toquei a campainha. Ninguém atendeu no começo. Toquei de novo. Depois de uns minutos, a porta se abriu só uma fresta. Edna apareceu, rosto cansado, olhos vermelhos.

— Matheus… meu filho está em casa. Por favor, vai embora.

— Professora, eu preciso falar com você. É importante.

Ela hesitou, olhou pra dentro, depois fechou a porta. Esperei do lado de fora por quase dez minutos, coração apertado. Quando a porta abriu novamente, ela saiu, vestindo um robe simples, cabelo bagunçado, cara de quem não dormia direito.

— O que você quer? — perguntou, com voz baixa, olhando pros lados.

— Eu preciso de ajuda pra salvar você… e mais alguém. Não vou falar quem ainda.

Edna cruzou os braços, encostando na parede do corredor.

— Salvar como, Matheus? Eu andei descobrindo coisas sobre essa Seita. É impossível vencer. Eles têm fotos, vídeos, contatos. politicos. juízes… eu tô na mão deles. Cada vez mais.

Ela fez uma careta de dor ao se mexer.

— Minha buceta e meu cu ainda estão destruídos. Doendo há dois dias. Mas se a Seita quiser, eles me têm. Eu não tenho escolha.

Eu respirei fundo e falei as opções que Seu Augusto tinha me dado:

— Tem três caminhos. Primeiro: você vira minha mãe. Proteção total, mas você perde tudo — identidade, liberdade, carreira. mas não daria certo por que tenho 19 anos e tenho mãe já.

Edna balançou a cabeça.

— Eu já tenho filhos. Não posso fazer isso com eles tambem.

— Segunda: você namora ou casa comigo publicamente. É momentâneo. Se a gente se separar, você volta pra Seita.

Ela ficou em silêncio, pensando.

— Terceira: você vira minha puta particular. Só dá pra mim. De vez em quando filma pra Seita pra garantir. Mas pra isso eu preciso chegar no nível 4. E eu ainda estou no 3.

Edna ficou olhando pra mim por um longo tempo. Depois, algo mudou no olhar dela. Uma mistura de resignação, alívio e uma estranha esperança.

— Eu poderia ser sua puta particular… — disse ela baixinho, quase como um sussurro. — Se for só pra você… talvez eu aguente.

Ela olhou pra mim com um sorriso fraco, quase triste, mas com um brilho de alívio.

— Como faço pra ser isso?

— Tem um problema — respondi. — Eu preciso chegar no nível 4. E não sei como subir ainda.

Edna ficou quieta por um momento. Depois segurou minha mão, apertando com força. Seus olhos estavam marejados, mas havia determinação neles.

— Eu sei que você vai conseguir. Eu confio em você, Matheus. Mesmo depois de tudo… eu confio.

Ela encostou a testa no meu ombro por um segundo, respirando tremendo.

— Só não me abandona… por favor.

Fiquei ali, no corredor escuro, abraçando uma mulher que eu tinha ajudado a destruir, sentindo o peso de uma promessa que eu não sabia se conseguiria cumprir.

No dia seguinte, a sala parecia mais pesada que o normal.

A professora Isabela entrou pontualmente, mas algo estava diferente. Ela não tinha o mesmo brilho de sempre. Os movimentos eram mais lentos, o sorriso forçado, a voz um pouco mais baixa. Ela explicava a matéria olhando mais para o quadro do que para os alunos. De vez em quando, eu via ela tocar o pescoço ou ajustar a blusa, como se estivesse desconfortável.

Eu não conseguia tirar os olhos dela. Aquela mulher, que no primeiro dia tinha me impressionado pela força e beleza, agora parecia carregar um peso invisível.

No final da aula, quando o sinal tocou, esperei todos saírem e me aproximei da mesa dela.

— Professora… tá tudo bem?

Isabela levantou o olhar. Por um segundo, vi algo — cansaço, medo, talvez até vergonha. Mas ela logo colocou o sorriso profissional de volta.

— Está sim, Matheus. Nada demais. Pode ir.

Ela não me olhou nos olhos ao dizer isso. Eu sabia que era mentira.

Saí da sala com o peito apertado. Fui direto para a sala dos professores, decidido a falar com Ricardo. Precisava entender o que estava acontecendo com Isabela. Se a Seita já estava atrás dela, eu precisava saber.

Abri a porta. Ricardo não estava. Mas Aline estava lá.

Ela estava sentada na mesa dele, pernas cruzadas, olhando para o celular. Quando me viu, o olhar dela mudou imediatamente. Ódio puro. Um sorriso frio e perigoso apareceu no canto da boca.

— Procurando o Ricardo? — perguntou ela, voz doce demais. — Ele saiu pra resolver um problema particular.

Fiquei parado na porta. O ar ficou pesado.

— Você está tentando recrutar a Isabela, né? — perguntei direto.

Aline soltou uma risada baixa, quase debochada. Não negou.

— Isso te afeta tanto assim, Matheus?

Eu dei um passo para dentro da sala.

— Ela é uma boa professora. Não merece isso.

Aline se levantou devagar, caminhando na minha direção com aquele olhar de ódio controlado.

— Isso é pouco, garoto. Eu vou acabar com você. Embora Ricardo goste de você, embora ele ache que você tem potencial… você representa um perigo. E eu vou destruir você. Devagar. Pra você sentir cada pedaço.

Ela nem terminou a ameaça. O tom dela era gelado, venenoso. Eu senti um arrepio na nuca.

Saí da sala sem responder. Meu coração batia forte. Fui procurar Ricardo pelos corredores, mas ele realmente tinha saído. Andei sem rumo por uns minutos, a cabeça girando.

Foi quando vi Isabela.

Ela estava no final do corredor, encostada na parede, sem aula naquele horário. Olhava para o chão, braços cruzados, como se tentasse se proteger do mundo.

Me aproximei devagar.

— Professora…

Ela levantou o olhar. Por um segundo, vi vulnerabilidade. Depois colocou a máscara de novo.

— Matheus… o que você quer?

— Eu só… queria saber se você tá bem. Você parece diferente esses dias.

Isabela respirou fundo, olhou pros lados como se tivesse medo de ser ouvida.

— Eu tô bem. Só… cansada. Não se preocupa comigo.

Ela tentou passar por mim, mas eu bloqueei o caminho com delicadeza.

— Professora… se tiver algo errado, se alguém estiver te pressionando… você pode me falar. Eu juro que eu tento ajudar.

Isabela parou. Olhou pra mim por um longo tempo. Havia dor nos olhos dela. Medo. E algo que parecia… gratidão.

— Você é um bom menino, Matheus. Mas tem coisas que você não entende. E é melhor que continue assim.

Ela passou por mim, ombro roçando no meu, e seguiu pelo corredor sem olhar pra trás.

Fiquei ali, sozinho, sentindo o peso de tudo.

A Seita já estava se movendo.

E Isabela, a mulher que eu admirava desde o primeiro dia, estava no meio do fogo cruzado.

Eu não sabia se conseguiria proteger ela.

Mas sabia que não podia ficar parado.

Eu sabia que algo estava acontecendo.

Aline andava pelo corredor com passos firmes, o vestido vermelho marcando o corpo como uma ameaça. Eu a segui de longe, coração acelerado, tentando não fazer barulho. Ela parou em frente à sala de Isabela, olhou para os lados e entrou, fechando a porta quase completamente — só uma fresta ficou aberta.

Eu me aproximei devagar, encostando na parede ao lado da porta. O corredor estava vazio. Meu coração batia tão forte que eu tinha medo que elas ouvissem.

A voz de Aline saiu fria, controlada:

— Isabela… Ricardo mandou um recadinho.

Ouvi o barulho de envelopes sendo jogados sobre a mesa.

— Três envelopes. Três problemas. Três formas de destruir você e sua família gata.

Primeiro envelope.

— Seu irmão. Na enfermaria da cadeia. Olho roxo de apanhar, lábio cortado. Semana que vem pode ser pior sabe. O Comando da Seita pode fazer ele desaparecer se você não colaborar com a gente.

Isabela soltou um som abafado, como se tivesse levado um soco.

Segundo envelope.

— Seu pai. Dívida de 60 mil com agiota. Foto dele saindo do cassino clandestino ontem. Se a gente não pagar a divida… ele some. Ou pior né.

Terceiro envelope.

— Sua mãe. Vídeo de 8 segundos caindo bêbada na frente do mercado. Vizinho filmou tudo pra gente. E a notificação de despejo da casa dela. Tudo pode piorar pra ela… ou melhorar. Depende de você né.

Silêncio.

Aline continuou com voz doce e venenosa:

— Família é tudo pra nós, né professora? A gente pode ajudar com os três problemas. Pagar as dívidas, proteger seu irmão, salvar sua mãe da rua. Ou pode piorar os três. Você escolhe.

Isabela falou.

— O que vocês querem de min?

Aline riu baixo.

— Por enquanto, só uma conversa. Sexta, 20h, você vai receber o endereço. Vai amar a vista. Mas por enquanto hoje à noite… me manda um vídeo. Fotos suas nua igual veio ao mundo. Bem detalhadas. Pra mostrar pros clientes.

Isabela começou a chorar. Um choro baixo, sufocado, como se tentasse segurar, mas não conseguisse.

— Por favor… eu tenho família… eu não aguento mais vocês acabando com minha vida…

Aline não se comoveu.

— Manda o vídeo até meia-noite. Senão amanhã seu irmão acorda com os dois braços quebrados.

A porta se abriu de repente. Aline saiu, passou por mim sem me ver ou vendo sem se importar, o rosto frio e satisfeito.

Eu esperei dois segundos e entrei.

Isabela estava sentada na cadeira, cabeça baixa, ombros tremendo. Quando me viu, tentou secar as lágrimas rapidamente, mas era tarde.

— Matheus… — a voz dela falhou delicadamente.

Eu fechei a porta atrás de mim. Fui até ela e me agachei na frente da cadeira.

— Eu escutei tudo professora — falei baixo e atencioso. — Tudo.

Isabela não aguentou. Desabou. O choro veio forte, alto, como se tivesse segurado por dias. Ela cobriu o rosto com as mãos, o corpo inteiro sacudindo.

— Eles vão destruir minha família… meu irmão… minha mãe… tudo… eu não aguento mais, Matheus… eu não aguento…

Eu segurei as mãos dela com cuidado. Estavam geladas.

— Professora… respira. Eu tô aqui. Eu vou tentar ajudar.

Ela levantou o rosto, olhos vermelhos, maquiagem borrada.

— Ajudar como? Você é só um aluno… eles são monstros. Eles têm tudo. Fotos, vídeos, contatos… eu tô presa, Matheus. Eu tô presa há meses que eles tentam contra min.

Eu fiquei em silêncio, sentindo o peso das palavras dela. Isabela, aquela mulher forte, linda, que no primeiro dia tinha me impressionado pela autoridade, agora estava destruída na minha frente.

— Eu sei que é perigoso — falei. — Mas eu não vou ficar parado. Eu prometo.

Ela me olhou por um longo tempo. Depois, com a voz fraca:

— Por que você se importa tanto?

Eu não soube responder imediatamente. Olhei pra ela — para os olhos castanhos cheios de dor, para o rosto lindo mesmo borrado de lágrimas.

— Porque você não merece isso. Porque desde o primeiro dia eu vi que você era diferente. Você tenta fazer o certo nessa escola podre. E eu… eu não consigo ficar olhando eles destruírem você desse jeito.

Isabela ficou em silêncio. Depois, com um sorriso triste e cansado, apertou minha mão.

— Você é um bom menino, Matheus. Mas cuidado. Essa Seita… ela devora todo mundo. ela e forte grande.

Eu fiquei ali, agachado na frente dela, segurando suas mãos, sentindo o peso de uma promessa que eu não sabia se conseguiria cumprir.

A Seita estava se fechando ao nosso redor.

E eu, pela primeira vez, senti que estava disposto a lutar contra ela, ou crescer nela.

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Comentários

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Última parte postada até agora, gostei dessa coisa de seita, acho que foi o primeiro conto que vi que aborda o tema. Estarei aguardando os próximos!

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