Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 20

Um conto erótico de Jéssica
Categoria: Heterossexual
Contém 12126 palavras
Data: 05/06/2026 17:13:36
Última revisão: 05/06/2026 17:19:10

NOTA: Os eventos deste capítulos acontecem depois da primeira metade e em paralelo à segunda metade de “Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 19” e também seria bom ler “Eu, minha amiga gostosa e os vizinhos dela - Parte 04” e “Queria Ser Síndica, mas Porteiros e Zeladores Me Viram Pelada - Parte 03” para ter uma visão das interações com Miguel e Tatiana, citadas aqui.

CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 28 de julho de 2025 (segunda-feira) a 31 de julho de 2025 (quinta-feira).

Olá, leitores. O meu nome é Jéssica, tenho 27 anos, sou casada há quatro anos com o Rogério. Esta série conta nossas desventuras no prédio onde moramos, onde alguns vizinhos e vizinhas (e os nossos melhores amigos) parecem querer testar nosso amor. Quem puder ler os primeiros capítulos, só procurar pela série.

Sempre gostei de cuidar das pessoas, mas confesso que também gosto de cuidar de mim mesma. Meu corpo é meu templo, e eu sempre o tratei como tal. Tenho 1,71m de altura, pele amendoada que parece sempre beijada pelo sol, cabelos castanho-claros que caem em ondas suaves pelos ombros. Sou magra, mas minhas coxas são bem torneadas, firmes, resultado de horas na academia. Meus seios são pequenos, mas perfeitamente proporcionais, e minha bundinha é exatamente do jeito que eu gosto: redondinha, firme, provocante. Eu sei que homens olham quando eu passo, e, sinceramente, eu adoro a sensação. Gosto de me sentir desejada, dona do meu corpo e da minha sensualidade.

Mas, acima de tudo, eu sou mulher de um único homem: Rogério. Meu marido, meu grande amor, meu porto seguro. Ele tem 29 anos e é empresário, um homem trabalhador, inteligente e incrivelmente bom. O Rogério não é apenas bonito, ele é deslumbrante. Tem 1,85m de altura, ombros largos, um peitoral forte e coxas que me deixam arrepiada só de olhar. O sorriso dele é capaz de iluminar qualquer ambiente, e os olhos são de um castanho profundo que me hipnotiza sempre que me olha.

Quando estamos juntos, eu me sentia a mulher mais sortuda do planeta. Não importava se estávamos em uma festa elegante ou deitados no sofá assistindo a um filme qualquer, ele sempre conseguia fazer meu coração disparar. Rogério era (e é) a personificação do homem perfeito e eu me orgulhava de chamá-lo de meu.

Este é um capítulo começa na segunda, pouco depois da reunão na sauna.

Por volta das 20h, eu estava na cozinha, despejando a pipoca numa bacia grande, com a cabeça presa na conversa que tive com Miguel de manhã. A expressão “seita lésbica” ainda martelava em mim. O pior era que, depois que ele falou, várias peças do meu jantar com a Confraria das Lobas se encaixaram.

A Andréia e a Letícia tentando me avisar por baixo da mesa, a Cinthia falando de segredo absoluto, a dona Ângela me levando como quem entrega uma novata, a Odete rondando tudo com aquela fome de sexo. Eu tinha saído de lá sentindo que tinha encontrado um grupo que me entendia e agora sabia que tinha entrado numa sociedade secreta de mulheres gostosas recrutando outras mulheres gostosas para transar.

Da sala, escutei o Rogério falar sobre a partida, e aquele som me puxou de volta. O Enéias tinha armado mais uma forma de humilhar o Rogério em público, mas o meu amor estava montando estratégias e pensando em como vencer. O Enéias foi idiota de escolher justo um esporte em equipe e que permite que o time mais fraco consiga vencer um mais forte.

Ainda assim, não consiga tirar a Confraria da cabeça. O Enéias e a partida eram problemas claros, que todos podiam ver. O que me deixou zonza foi perceber que mulheres em quem eu confiava podiam estar me puxando pra um jogo sexual com todas as segundas intenções possíveis.

Fui pra sala. Eu estava com uma camiseta larga, daquelas que o Rogério adorava. Por baixo, um shortinho confortável. A camiseta cobria quase tudo quando eu ficava em pé, deixando a minha bunda aparecer só quando eu me mexia do jeito certo. Ele estava no sofá. Cabelo bagunçado, camiseta simples grudando no peito, coxas fortes abertas num jeito relaxado.

Coloquei a bacia na mesa de centro e me sentei ao lado dele, puxando as pernas pra cima do sofá.

— Amanhã, vou falar com meus funcionários — comentou. — Não é possível que não consiga, pelo menos, uns quatro lá. O Vinícius vive dizendo que é um bom goleiro.

— O Vinícius? — Dei um sorriso malicioso. — Deixa ele comigo. Sei como incentivar ele...

O Rogério me olhou como quem dizia que confiava em mim, mesmo desconfiando dos meus métodos. Ele sabia que eu e o Vinícius tínhamos nos tornado amigos no arraial. A parte do esfrega-esfrega no elevador achei desnecessário contar porque foi extremamente constrangedor pra ambos e ele não queria fazer aquilo. Seria como acusar um inocente.

Foi quando lembrei de uma ideia que as garotas tiveram na sauna.

— Você já pensou em completar o time com mulheres?

Ele me encarou como se a sugestão tivesse entrado por uma orelha e batido numa prateleira errada dentro da cabeça.

— Como?

— A turma da academia tava falando sobre isso mais cedo — expliquei. — A Natália e a Eliana jogavam futsal direto na época da faculdade. Parece que até torneio entre cursos elas jogaram. A Letícia tava nesse mesmo time até o ano passado. A Sarah, a Lorena e a Carolina entrariam pra completar o time. Eu sou um zero a esquerda, mas se estivermos perdendo de 7 a 1, eu posso chutar os ovos do Enéias. A vitória moral será nossa.

Não falei exatamente brincando e também não seria a primeira médica do meu hospital a esmagar os testículos dele na base do chute.

O Rogério passou a mão no queixo, pensativo. Ele sempre tentava calcular o risco antes de agir, porque odiava colocar os outros em situação ruim. Às vezes, esse cuidado era lindo, mas agora dava vontade de sacudir os ombros dele.

— Eu não tenho problemas em jogar bola com vocês — respondeu. — Na verdade, seria um sonho jogar futebol contigo.

Meu peito aqueceu. Mas eu conhecia aquele tom e sabia que vinha ponderação pela frente.

— Agora vem o “mas”.

Ele suspirou, meio culpado, e encostou as costas no sofá. Vi a preocupação no rosto dele.

— Eu tenho receios em arriscar vocês. O Enéias vai botar um time muito físico, deve escolher os melhores do prédio e até colocou um zagueiro com fama de carniceiro. Por mais que eu não queira parecer sexista, diferença de físico existe. Eles vão pra cima dos mais fracos, vão catimbar muito.

Entendia o medo dele. O Enéias jogaria sujo se isso aumentasse a chance de humilhar Rogério. Ainda assim, eu sentia que ele estava sendo injusto.

— Você realmente acha que o ÉRICO tem um físico melhor preparado pra 90 minutos de correria que a Natália?

O silêncio dele respondeu antes da boca. Érico era um amor de pessoa e um dos caras mais legais do prédio. Também tinha fôlego de quem podia morrer subindo cinco lances de escada se estivesse carregando compras. A Natália corria trilha e fazia afundo como quem castigava o chão. A comparação era quase covardia.

— Ou você não tá querendo pôr umas mulheres no time por medo do Enéias e os papagaios de pirata dele começarem a rir da tua cara.

Vi o maxilar dele apertar de leve. Rogério tinha orgulho, claro. Todo mundo tem. Ele só costumava domar o próprio orgulho melhor que a maioria. O problema era que Enéias sabia cutucar exatamente onde doía.

— É pedir muito eu ter uns dez amigos com quem pudesse contar? — ele se defendeu.

Aqueles caras do lado do Enéias NÃO eram amigos do Rogério. Os amigos do Rogério estavam todos na sauna. Respondi na mesma hora.

— Você quer amigos em quantidade como aqueles que você tinha na época da Milena? — retruquei, com um golpe que percebi ter sido baixo demais no mesmo instante. — Desculpe... Eu...

Fiz merda. O nome da Milena era um tabu até hoje. Eu queria puxar a palavra de volta pela garganta.

O Rogério me olhou sem raiva. Esse era o pior castigo. Se ele tivesse brigado, talvez eu me defendesse. Quando ele apenas me olhava com aquele amor ferido e ainda assim gentil, eu queria enfiar a cabeça dentro da bacia de pipoca. Ele respirou, passou a mão no meu joelho e escolheu salvar a noite.

— Tudo bem... — disse, e vi o esforço dele para recuperar o clima. — Hora de assistirmos “Lua Nova”.

Eu assenti e deixei a culpa baixar um pouco. Peguei o controle remoto e me aproximei, encaixando meu corpo no dele. O braço do Rogério veio em volta de mim.

— Ah. Só lembrando que você prometeu que não faria piadinhas sarcásticas sobre vampiros, lobisomens ou triângulos amorosos.

Eu amava “Crepúsculo”. Às vezes, a gente só quer ver lobisomem gostoso sem camisa, vampiro dramático, lobisomem gostoso sem camisa, uma protagonista fazendo escolhas emocionalmente questionáveis e lobisomem gostoso sem camisa. O Rogério, sendo homem, tinha uma coleção de comentários prontos sobre cada cena.

Antes do filme conversar, tivemos uma intervenção bem maluca da Sarah aparecendo com o seu Raimundo dizendo que recrutou ele pra partida. Depois disso, o Rogério, se jogou no sofá e eu me aninhei nele de novo. Passei a ponta dos dedos pela camiseta dele, sentindo a firmeza por baixo do tecido.

O filme começou. A Bella apareceu sofrida, o Edward apareceu com aquela cara de quem precisava de sol, ou de ser chamado pra ser o novo Batman, e o Rogério ficou quieto por um tempo surpreendente.

Me aninhei mais nele, sentindo o peito do Rogério subir devagar.

— Amor — falei baixo, sem tirar os olhos da tela. — Depois do filme, preciso te contar uma coisa estranha sobre aquele jantar com as garotas que fui no sábado.

Ele tocou na minha cintura, daquele jeito calmo que sempre me desarmava.

— Coisa ruim?

— Bem esquisita. Do tipo que você vai rir, ficar sério, concordar comigo sobre sair daquele grupo e, daqui a seis semanas, contar um sonho bem maluco e extremamente detalhado que você teve em que eu fiquei naquele grupo.

Rogério soltou um riso pelo nariz e beijou meu cabelo.

— A minha reação foi incrivelmente específica da sua parte. Quando quiser me contar, sinta-se à vontade.

Apertei a mão dele de novo. Aquilo bastou por enquanto. Mais perto do final, a paz acabou por causa de uma loira.

— Essa Volturi loira... — Ele apontou pra TV. — Ela lembra a Lisandra. Se eu visse as duas lado a lado, juraria que são irmãs.

Meu corpo reagiu antes da minha razão. Endireitei a cabeça na hora e olhei para a tela. A loira realmente lembrava a Lisandra. Havia algo no rosto claro, no ar delicado, no tipo de beleza meio etérea. A diferença também era óbvia para mim: a atriz tinha um traço mais frio, mais duro, quase de boneca maldosa. A Lisandra tinha um rosto mais aberto, olhos claros que pareciam sempre prestes a rir, sardinhas doces e aquele corpo alto, loiro e bundudo (meu deus, que raba grande!). Se as duas aparecessem juntas, eu pensaria mesmo que era irmãs ou talvez a atriz fosse aquela prima sombria que chegava pra estragar o almoço de família.

Mas eu não iria admitir isso pro Rogério tão fácil. Ainda lembrava que a Lisandra tinha sido a única mulher que ele beijou desde que me conheceu, lá na festa do Carnaval. Não vamos considerar que na festa eu dei selinhos no seu Geraldo e no Lucério. Por mais que a Lisandra fosse minha amiga, eu confiasse nos dois e ela tivesse uma raba que, no meu coração, vencia até a Andréia e a Eliana, eu não ia admitir que ela lembrava atriz de Hollywood.

— Não tem nada a ver.

Ele riu, o desgraçado.

— Tem um pouco...

Tinha bastante o bastante para me irritar. Por que a única mulher apaixonada pelo meu marido que apareceu tinha que ser: 1) extremamente gente boa e 2) dona de uma beleza que faria dela uma top model internacional se não tivesse nascido pobre?

— São duas branquelas loiras — cortei, firme. — É a única semelhança que vejo em ambas.

O Rogério me encarou com aquele sorriso de quem entendeu tudo. Ele era inteligente o suficiente para saber quando concordar comigo mesmo os dois sabendo que eu tava errada.

— Tá bem, você venceu.

Sorri satisfeita e acomodei a cabeça no ombro dele. Quando o filme terminou, fiquei quieta por alguns instantes, aproveitando o braço dele em volta de mim. O Rogério beijou o topo da minha cabeça.

Eu virei um pouco o rosto pra olhar ele. De perto, o Rogério tinha esses detalhes que eu amava: os olhos castanhos com expressão limpa, a boca bonita, o contorno forte do maxilar quando ele estava com a barba por fazer. Levantei devagar, só pra ver os olhos dele acompanharem minhas pernas. A camiseta larga desceu um pouco e cobriu o short. Ele me olhou de cima a baixo, e aquele olhar me deixou molhada.

Ele se levantou também. Coloquei as mãos no peito dele e ele passou os braços pela minha cintura. Nos beijamos. Agarrei a camiseta dele e puxei. Senti a mão dele apertar a minha bunda por baixo da camiseta larga, firme o bastante para me arrancar um suspiro.

O Rogério encostou a boca no meu pescoço. Fechei os olhos. A barba dele raspou de leve na minha pele, e eu apertei os dedos na camiseta dele. Meu corpo inteiro respondeu.

— Rogério... — murmurei.

Fomos tropeçando quase rindo, quase nos beijando, com aquela pressa boa de casal que já conhece o caminho até o quarto. Assim que a porta fechou, ele me prensou contra ela. Eu senti o corpo dele inteiro encostado no meu, já duro contra mim. Aquele contato me deixou mole por dentro. Rogério tinha esse poder idiota e maravilhoso de me fazer esquecer qualquer coisa.

Passei minhas mãos por ele, sentindo o peito forte, a barriga definida e aquela pele quente. O Rogério mordeu meu lábio de leve e sorriu.

Ele me beijou de novo, mais fundo, com a língua invadindo a minha boca e a mão entrando por dentro do meu short. Dois dedos dele passaram por cima da minha calcinha, bem no meio da minha buceta, e eu soltei um gemido abafado contra a boca dele. Estava molhada demais.

O Rogério puxou a minha blusa por cima da cabeça. Meus seios ficaram livres, os biquinhos já duros, arrepiados só com o ar do quarto e com o jeito que ele me olhava. Ele abaixou a cabeça e chupou um dos meus seios, envolvendo o bico com a boca. As minhas pernas fraquejaram. Encostei a cabeça na porta e fechei os olhos, sentindo a língua dele brincar comigo. Ele alternava entre um seio e outro, apertando minha bunda por cima do short, esfregando a ereção contra minha coxa.

Desci minhas mãos até a calça e a agarrei. Ele segurou os meus pulsos antes que eu puxasse.

— Hoje eu mando.

Aquilo fez a minha bucetinha pulsar. Eu mordi o lábio e assenti, sentindo a vergonha gostosa subir pelo rosto. Agora, ele sabia dos meus fetiches de me entregar completamente a ele. Ser só dele, de verdade, sem ter que pensar ou decidir. Sem ter que ser forte, esperta ou responsável. De vez em quando, eu curtia ser apenas a putinha do homem que eu amava. E apenas dele.

O Rogério me levou até a cama segurando meu queixo, me beijando pelo caminho. Fui andando de costas, rindo no meio do beijo. Ele me virou com firmeza e abriu meu short. A peça desceu pelas minhas pernas junto com a calcinha. Ele se ajoelhou na minha frente, segurou as minhas coxas com as duas mãos e beijou minha barriga, descendo devagar. Quando a boca dele chegou na minha buceta, eu apoiei as mãos nos ombros dele.

— Rogério...

Ele respondeu com a língua.

A primeira lambida me fez tremer. Ele abriu a minha buceta com os dedos e chupou meu clitóris como se tivesse a noite inteira só pra isso. Eu gemi alto, segurando o cabelo dele, empurrando o corpo na direção da boca. O Rogério sabia me chupar. Sabia onde apertar, onde lamber, quando sugar mais forte. Ele me conhecia melhor que qualquer manual.

Eu olhava pra baixo e via meu marido ajoelhado, lindo, concentrado, lambendo a minha buceta como se aquele fosse o lugar preferido dele no mundo. E provavelmente era.

Ele colocou dois dedos dentro de mim e começou a mexer num ritmo que me desmontava. A língua continuava no clitóris. Minha barriga contraiu, as coxas apertaram o rosto dele e eu tentei me afastar porque o prazer ficou intenso demais. O Rogério segurou a minha bunda e me manteve no lugar.

— Aguenta, minha putinha.

Eu gemi mais alto. O orgasmo veio rápido e forte. O meu corpo se curvou, os meus dedos puxaram o cabelo dele e eu falei o nome dele de um jeito quase chorado. Ele continuou lambendo até eu empurrar a cabeça dele.

— Misericórdia, Rogério.

Ele se levantou, limpando a boca com o dorso da mão.

— Sua cara agora valeu a noite.

Ele terminou de tirar a própria roupa. Quando a calça caiu, vi o pau dele duro, bonito, grosso na medida que meu corpo conhecia tão bem. Fui ajoelhar diante dele, mas o Rogério segurou meu braço.

— Ainda não.

Ele me deitou de costas na cama e subiu sobre mim. O peso dele me fez suspirar. Ele beijou a minha boca, depois o meu pescoço, depois os meus seios, até eu ficar de novo naquele estado mole, pedindo mais sem muita vergonha. O pau dele encostou na entrada da minha buceta. Ele esfregou a cabeçona ali, fazendo meu corpo abrir sozinho.

— Olha pra mim.

Olhei. O rosto dele tinha tesão e amor. Eu confiava nele com meu corpo inteiro.

Ele entrou devagar. A cabeçona abriu a minha bucetinha e eu soltei um gemido comprido, agarrando os lençóis. O Rogério foi entrando até o fundo, sem pressa, me olhando sentir cada centímetro. Quando encaixou inteiro, parou e beijou minha testa.

Ele começou a meter em mim com um ritmo lento. A Minha buceta apertava o pau dele a cada estocada. Enrolei as pernas na cintura dele e deixei que ele me comesse daquele jeito, com a pélvis batendo na minha, os braços fortes apoiados ao lado do meu corpo, a respiração dele ficando mais rouca.

Passava as mãos pelas costas dele, sentindo os músculos se mexendo. A cada metida, eu lembrava por que nenhum homem do mundo chegava perto do meu marido na minha cabeça.

Ele aumentou o ritmo. A cama começou a bater de leve na parede. Eu gemia sem tentar me controlar muito. A boca dele voltou pros meus seios. Ele chupava, mordia de leve, metendo cada vez mais forte. Eu sentia outro orgasmo se formando.

— Rogério, eu vou gozar...

Ele enfiou mais fundo e segurou a minha cintura.

— Goza no meu pau.

Foi o que eu fiz. Meu corpo travou, a minha buceta apertou ele com força, e eu gozei gemendo o nome dele. O Rogério continuou metendo durante o meu orgasmo, firme, me fazendo prolongar aquela onda até eu ficar sensível demais. Quando pensei que ele fosse gozar, ele saiu de dentro de mim.

Protestei com um gemido.

— Ah, para...

Ele riu e me virou de bruços. A palma da mão dele desceu na minha bunda num tapa forte o bastante pra arder. Arqueei as costas na hora. A minha bunda devia estar bonita daquele jeito, empinada pra ele, oferecendo o que era dele. O Rogério sempre teve tara na minha bunda, e eu adorava isso. Adorava sentir o olhar dele ali, a mão dele apertando, o tapa me arrancando um gemido meio safado.

Ele abriu minhas pernas com o joelho e entrou de novo por trás. Dessa vez, a metida veio mais funda. Eu afundei o rosto no travesseiro e gemi. Ele segurou a minha cintura e começou a me comer com força, num ritmo que fazia minha bunda bater contra ele. O som dos nossos corpos se chocando encheu o quarto.

Eu sentia cada estocada dentro da minha buceta, cada puxão de mão na minha cintura, cada respiração dele atrás de mim. O Rogério inclinou o corpo sobre minhas costas e falou no meu ouvido:

— Você fica linda assim.

— Então aproveita.

Ele aproveitou mesmo. Me comeu até as minhas pernas tremerem, depois saiu, me puxou pro colo e me beijou com força. Eu senti o gosto de suor na pele dele, o calor do corpo, a dureza do pau encostando na minha barriga. Passei a mão por ele, mas o Rogério segurou meu pulso outra vez. O olhar dele caiu pra gaveta da cabeceira.

Eu soube na hora. Ele ia realizar meu pequeno fetiche. A coleira.

Ele abriu a gaveta e tirou a peça com a guia. A coleira com o nome dele gravado. Ele nem precisava perguntar e eu já oferecia o pescoço.

Ele colocou a coleira em mim, conferiu se estava confortável e prendeu a guia. A cada gesto, meu corpo ficava mais quieto. Eu sentia a Jéssica que resolvia problema de todo mundo se afastar e permanecer apenas a Jéssica que amava ser chamada de putinha pelo marido.

O Rogério segurou a guia e puxou de leve. Meu rosto se ergueu na direção dele. Ele beijou a minha boca com carinho antes de dar um sorriso safado.

— De quatro.

Obedeci. Fiquei de quatro na cama, com a coleira com guia no pescoço, a buceta molhada e a bunda empinada pra ele. Senti o colchão afundar atrás de mim. Rogério passou a mão pela minha bunda, apertando a carne já quente dos tapas anteriores.

Ele não perdeu tempo e meteu mais um tapa na minha bundinha. O ardor abriu caminho direto até minha buceta. Ele me segurou firme pelos quadris e enfiou novamente. O pau dele entrou inteiro, me arrancando um gemido. Então, puxou a guia pra que eu soubesse que tinha que olhar pra ele.

Virei o rosto por cima do ombro, ofegante. Ver o Rogério atrás de mim, segurando a guia, com aquele pau enterrado na minha buceta, foi quase demais.

— A minha putinha foi bem exibida ontem. Merece essa punição.

A minha buceta apertou o pau dele na hora. Eu sabia que, às vezes, ele se sentia desconfortável em fazer esse papel, mas ele sempre se esforçava pra ser o dominador que eu fetichizava nele.

— Eu mereço essa punição, meu mestre.

O Rogério voltou a meter forte. A cama balançava com as estocadas. Ele dava tapas frequentes na minha bunda, puxava meu cabelo e a guia, me chamava de putinha com aquela voz rouca que me deixava tonta. Eu gemia, falava coisas sem muito sentido e empinava mais a bunda, querendo tudo aquilo que ele me dava.

A ardência na pele se misturava com o prazer dentro da buceta. Eu sentia a bunda ficando quente, quase toda vermelha. Cada tapa vinha com o pau dele entrando mais fundo. Cada puxão na guia me fazia lembrar que ele faria qualquer coisa pra me agradar na cama.

Havia atenção no jeito como puxava, no jeito como parava por um instante se q minha respiração mudava, no jeito como voltava a me invadir quando percebia que eu queria mais. Ele me dava o que eu gostava porque me amava. Uma vez por semana, eu precisava esquecer tudo e ser apenas a putinha do meu marido.

As metidas começaram a ficar mais lentas e intensas. O Rogério enfiava até o fundo e segurava por um instante antes de puxar quase tudo pra fora. Eu sentia o pau dele deslizando dentro de mim, abrindo a minha buceta, fazendo o meu corpo pedir mais. A guia tensionava meu pescoço de leve, minha coluna arqueava, e eu suspirava de prazer.

— A putinha sabe o que deve fazer?

Minha voz saiu quebrada, misturada com gemidos.

— Sei, meu mestre — respondi, entre gemidos. — Contar tudo isso que fizemos pro vampiro fracassado.

Só de imaginar a cara do Lucério ouvindo aquilo, meu corpo reagiu. O velho desgraçado ia se contorcer por dentro. E, de algum jeito torto, aquela missão me deixava ainda mais excitada. Era como transformar a obsessão do Lucério em combustível pro nosso casamento. Ele tentava se meter entre nós e acabava virando tempero.

O Rogério enfiou o cacete inteiro mais uma vez em mim e soltou todo o seu orgasmo em jatadas dentro da minha bucetinha. O gemido dele atrás de mim me atravessou. Sentir meu marido gozando dentro de mim sempre mexia comigo. A minha buceta apertou o pau dele, meu corpo tremeu e eu gozei uma última vez antes de cair na cama, suspirando, mole, com a bunda ardendo e o coração cheio.

Ele saiu de dentro de mim com cuidado. Soltei um som baixo, quase um lamento, sentindo a falta imediata do pau dele. O Rogério soltou a guia, deitou ao meu lado e passou a mão pelas minhas costas suadas. Eu virei o rosto no travesseiro e sorri pra ele, ainda meio sem ar.

— Obrigada, querido... Eu te amo...

Ele tirou a coleira do meu pescoço com cuidado e beijou a pele marcada pelo couro. O Rogério podia me chamar do que fosse na cama. Depois, ele sempre voltava a ser o homem que me olhava como se eu fosse a coisa mais preciosa da vida dele.

Ele me puxou para perto, e eu encaixei a cabeça no peito dele. Fiquei ouvindo o coração dele bater acelerado, sentindo a respiração voltar ao normal. A Minha bunda ardia quando encostava no lençol, e aquilo me dava pequenos choques de lembrança. Eu sorri contra a pele dele.

— Minha bunda vai ficar marcada.

— Ficou linda.

— Você fala isso porque foi você quem fez.

— Exatamente.

Ri baixinho e dei um tapa fraco no peito dele. O Rogério passou os dedos pelo meu cabelo, desembaraçando algumas mechas grudadas de suor.

— Você tá bem mesmo?

Ergui o rosto pra ele.

— Tô. Muito bem.

— Eu puxei forte em alguns momentos.

— Puxou do jeito que eu gosto. Quando eu quiser parar, você vai saber.

Ele me puxou pra um beijo lento. Desses de casal cansado e feliz, com a boca ainda quente, o corpo ainda sensível. Depois de alguns minutos, o Rogério levantou para pegar água. Eu aproveitei para ir ao banheiro, andando meio torta.

Naquela noite, eu dormi feliz. E dele.

Na terça-feira, fui ao escritório do Rogério sem avisar. Tínhamos combinado que eu falaria com o Rodolfo sobre o Antônio pra evitar problemas com o RH.

Conhecia o Rodolfo havia anos. Ele entrou na empresa ainda no começo dela. Eu vi aquele contador quieto virar uma das pessoas mais queridas do escritório. O Rodolfo tinha corpo forte de quem treinava, braços grossos que a camisa sempre marcava e um rosto simpático de quem sabia brincar sem virar palhaço de ninguém. Era gay, solteiro e bom de papo.

Cheguei por volta das 11h. Estava de calça jeans justa com uma blusinha clara. Meu cabelo estava solto, caindo pelas costas, e admito que escolhi a calça sabendo que ela marcava bem a minha bunda. Quando entrei no elevador do prédio, encontrei a Lisandra apertando o botão do mesmo andar.

— Você aqui? — perguntei, surpresa.

Ela virou com aquele sorriso de loira arteira que sempre parecia anteceder alguma confusão.

— Eu ia perguntar a mesma coisa. Veio ver o Rogério?

— Vim falar com um amigo.

Ela ergueu as sobrancelhas.

— Aposto que ele é gostoso. — O sorriso veio com malícia.

— É um assunto sério.

Tentei manter a expressão neutra, mas falhei antes do segundo andar.

— Mas ele é.

A Lisandra soltou uma risadinha e ajeitou o vestido claro que estava usando. O tecido marcava os seios naturais, descia pela cintura fina e valorizava a bunda dela de um jeito quase injusto. A Lisandra era facilmente uma das mulheres mais gostosas que já conheci. Ao mesmo tempo em que era branca demais para qualquer sol brasileiro, loira demais para passar despercebida, com um par de pernas longas e mais alta que quase todas as mulheres que conhecíamos.

— E você? — perguntei.

O sorriso dela murchou um pouco.

— Vim falar com aquele infeliz. Ou ele decide se vai ser meu namorado, ou eu enfio a insegurança dele no cu e acabo tudo.

— Vou procurar logo um proctologista pra ele...

As portas do elevador abriram e nós saímos juntas. O escritório do Rogério sempre me dava uma sensação curiosa. Era uma empresa séria, com gente competente, mas a energia do lugar parecia a de uma firma onde todo mundo tinha medo de que, a qualquer momento, o chefe inventasse um campeonato de futebol de botão valendo folga na sexta. O Rogério e a Lorena eram ótimos chefes, mas tinham um entusiasmo que assustava os funcionários mais sensatos. O Rogério queria transformar qualquer problema em motivo para aproximar a equipe. E a Lorena alternava entre controlar ele e ser pior que ele. De algum jeito, funcionava.

Quando apareci na recepção, algumas pessoas levantaram a cabeça quase ao mesmo tempo. Tinha quem sorrisse, tinha quem endireitasse a postura. Eu era tratada ali como uma mistura de esposa do chefe e fiscal do bom senso, aquela pessoa que podia convencer o Rogério a desistir de ideias ruins. Normalmente, eu chegava tarde demais.

O Vinícius estava perto de uma mesa lateral, conversando com um rapaz alto de camisa social azul. Assim que viu a Lisandra, ficou duro feito poste. Aquele rapaz era inteligente, bonito, leal, observador e completamente incapaz de agir normalmente perto de uma mulher que gostava dele. Dava vontade de abraçar e estapear ao mesmo tempo.

— Bom dia, Vinícius — falei.

Ele olhou pra mim, depois pra Lisandra, depois de novo pra mim.

— Bom dia, Jéssica. Lisandra.

A Lisandra deu um sorriso curto e o encarou com os braços cruzados. Antes que o pobre Vinícius desmaiasse, a porta da sala da Lorena se abriu.

A Lorena usava uma saia lápis escura que desenhava a bunda firme sem exagero. A camisa social branca estava com as mangas dobradas até os antebraços. O salto era sóbrio. E estava de óculos. A armação fina deixava o rosto dela ainda mais bonito, destacando os olhos castanho-mel e aquele ar de autoridade. Ela era magra, bronzeada, com a cintura marcada e pernas lindas. Os seios não eram grandes, mas eram firmes e encaixavam perfeitamente no corpo dela. A bunda era discreta, mas tinha um formato redondinho que ficava ótimo em roupa justa.

Ela era minha amiga, minha vizinha e uma das poucas mulheres no mundo capazes de me deixar com ciúme sem fazer absolutamente nada de errado. Hoje em dia, eu ria disso. Mas fiquei uns bons 7 anos incomodada com a proximidade dela com o Rogério, até aceitar que eles se viam como irmãos.

Ela nos viu e parou na porta.

— Vocês duas. Na minha sala, agora.

A Lorena nos puxou para dentro da sala e fechou a porta. Depois, fechou as persianas que davam pro escritório. A Lisandra se jogou numa cadeira, cruzando as pernas. Eu sentei ao lado dela.

A Lorena ficou em pé por alguns segundos, nos analisando por trás dos óculos. Ela estava linda de um jeito que me dava uma pontada de inveja amiga.

— Agora falem — disse Lorena. — As duas aparecendo juntas no escritório costuma significar problema.

— Foi coincidência — respondi.

— Não existem coincidências, Sra. Jéssica.

A Lisandra deu um risinho da tentativa da Lorena de bancar a chefa autoritária.

— Dessa vez, a gente é inocente. Eu vim falar com o Vinícius e ela apareceu.

— Eu vim falar com o Rodolfo.

A Lorena sentou atrás da mesa, já com a expressão desconfiada.

— Quando você diz que precisa “falar com o Rodolfo” desse jeito, é porque tem alguém no meio.

— Antônio.

As duas se viraram para mim imediatamente.

— O Antônio da rola quilométrica? — perguntou Lorena.

— Ele mesmo.

— Você vai apresentar o dono daquela rola divina e quilométrica pro Rodolfo em vez de uma das suas amigas? — continuou. — Você odeia tanto assim a turma da academia?

— Seria sacanagem com a Letícia empurrar o ex dele pra uma amiga dela.

— Se dependesse da Letícia, o Antônio comeria nós doze em um surubão ao mesmo tempo.

Eu e a Lorena rimos. A Lisandra não entendeu nada.

— Pro Rodolfo, tu apresenta o super-gostosão da rola de mel quilométrica. Pras amigas, tu primeiro empurra os Enéias da vida e depois no relega à Série B dos coroas sedentários.

Ela tava falando do Carlos? Mas o Carlos não era sedentário há seis meses e eu não tentei juntar os dois. Só sondei uma vez depois que vi a Lorena tinha uns padrões abissalmente baixos pra homens.

— Eu tentei te apresentar o Miguel. Você quem não quis.

— Você tenta me vender o Miguel como um cara romântico, aí vem a Lisandra e me conta que o irmão dela só quer saber de sexo casual e não tá interessado em relacionamentos. Eu não tenho nada contra sexo casual, até prefiro. Mas você percebe que as duas vendem Migueis bem diferentes?

— Na dúvida, confie na irmã mais nova dele — brincou Lisandra. — Mas em defesa dele, ele não é do tipo “comeu, vai embora”. Eu prepara café da manhã, é super-carinhoso, topa ser pau amigo, faz tudo lindo e maravilho. E alguns dias depois, eu acordo e vejo outra na sala. E já tem umas quatro ou cinco amigas dele que só ele não percebe que elas estão loucamente apaixonadas por ele.

A Lisandra tinha mais informações do que eu, mas tirando pelo que ouvia dele no hospital e pelos olhares da Iolanda e da Fernanda, ela tava certa em tudo. Só me restou apelar.

— A Lisandra está com ciúme porque não quer o irmão saindo com a mulher que masturbou ela e beijou ela na boca.

Imediatamente, as duas desviaram o olhar, vermelhas. Todo mundo ali, até eu e o Rogério, tínhamos um pouco de culpa no cartório por aquele momento bi das duas amigas.

— É... Seria complicado, se vocês dois ficassem, eu explicar pro meu irmão que a doce e querida irmãzinha dele deu umas chupadas na buceta da ficante dele.

— Com certeza, seria bem esquisito no jantar de Natal se ele soubesse de um 69 escondido... — comentou Lorena, olhando pra parede. — Ainda bem que isso nunca aconteceu.

— Exatamente. Nunca aconteceu.

Elas deviam estar tirando uma com a minha cara pra desviar atenção, porque elas só se masturbaram e se beijaram. Tentei retomar o controle e meu shipp por Miguena.

— Lorena, nem inventa. Quando eu armei um encontro pra vocês dois, você topou e foi.

— Eu fui e ele faltou.

— Não foi culpa dele. Eu não sabia que ele tinha plantão naquela noite.

— Você tem as escalas!

A Lorena tinha razão. Eu fiquei tão entusiasmada de ter conseguido que ela fosse pro encontro que esqueci de combinar com ele a hora e lugar. Quando fui mandar mensagem pra ele, ela já tava plantada no restaurante, ele no plantão há três horas e eu nunca me vesti tão rápido pra jantar com uma amiga. Mas ainda iria me redimir e apresentar esses dois.

— O Antônio está numa fase confusa e, bem, sei que não deveria sair contando a sexualidade dos outros, mas ele é bi. Achei que conhecer um homem legal faria bem a ele. O Rodolfo é bonito, solteiro, gente boa e sabe lidar com homem gostosos mas complicados.

— Isso é tão bondoso e altruísta da sua parte — disse Lisandra. — Foi ideia do Rogério.

— Com certeza, foi ideia do Rogério.

— Tá bom! Foi ideia do Rogério, sim. Mas se ele falasse o Rodolfo, o RH ia cair matando nele.

A Lorena tirou os óculos por um instante e esfregou a ponte do nariz. A Lisandra respirou fundo, e a expressão dela mudou. Ela olhou pra porta fechada, depois para nós duas.

— Falando nisso, vim resolver de vez a minha situação com o Vinícius.

A Lorena recostou na cadeira.

— Vai meter “E aí? Vai rolar ou não vai”?

— Sim.

— Por mais Lisandras e menos Jéssicas.

A Lisandra soltou uma risada curta, cansada.

— Ele é carinhoso comigo. Quando a gente está junto, parece que vai dar certo. Ele presta atenção no que eu falo, lembra das coisas, me trata de um jeito bonito. Aí, desaparece do nada.

— Ele deve ter medo de ser pouco para ti — falei.

— Então ele precisa decidir se vai tentar ou se vai fugir — disse Lisandra.

A Lorena apontou para Lisandra com os óculos.

— Hoje, ele sai do modo cachorro assustado.

— Você e essa comparação — ri.

— Mas o Vinícius tem caráter. Ele é um rapaz de ouro e aposto que vai ser um namorado maravilhoso.

A Lisandra descruzou as pernas e ajeitou o vestido.

— Pois hoje ele vai ouvir isso de pé ou sentado. Se ele quiser, ótimo. Se ele fugir, eu sigo minha vida.

— Gosto desse plano — brincou Lorena.

Todas rimos e a expressão no rosto da Lorena mudou.

— Agora, já que a porta está fechada e a conversa está honesta, preciso perguntar uma coisa pra Jéssica.

Eu conhecia aquela cara.

— Tu veio transar com o Rogério no almoxarifado de novo, né?

Engasguei com a minha própria saliva. A Lisandra virou a cabeça pra mim.

— Como é que é?

— A Lorena está inventando coisa — respondi rápido.

A Lorena soltou uma risada curta.

— Jéssica, pelo amor de Deus.

— Eu e Rogério somos pessoas responsáveis.

— Vocês são dois coelhos tarados, isso sim.

— Não somos coelhos.

— Jéssica, da última vez que dormi no quarto de hóspedes, eu precisei chutar a porta de vocês porque a parede é fina e vocês estavam indo pra quarta rodada na mesma noite! — lembrou Lisandra.

A Lorena abriu uma gaveta, pegou um elástico de cabelo e colocou sobre a mesa. Reconheci na hora.

— Estava dentro de uma caixa de etiquetas.

Ela tirou uma presilha pequena.

— Essa aqui estava perto dos envelopes.

Eu tentei pegar, e ela afastou a mão.

— Tem mais. O Rogério já saiu de lá com a camisa abotoada errado. Teve as marcas de mão em prateleiras empoeiradas. E uma certa embalagem esquecida no lixo que eu mesma fiz sumir porque amo vocês e o Tobias teria produzido um memorando depressivo de oito páginas.

Senti meu rosto esquentar. A Lisandra estava vermelha de tanto segurar o riso.

— Você transa no almoxarifado da empresa do Rogério?

— Eu uso meu casamento de forma criativa.

— Jéssica!

A Lorena ficou séria por dois segundos e depois riu.

— Eu admiro vocês. Só queria que vocês se controlassem porque isso aqui é um ambiente de trabalho.

Respirei fundo, tentando recuperar minha reputação, que naquele momento estava caída em cima da mesa junto com minha presilha.

— Tá. Existe um certo charme.

— Eu preciso ouvir isso — comentou Lisandra.

— O almoxarifado tem tranca boa. Fica num canto onde quase ninguém passa. O cheiro de papel e produto de limpeza dá uma sensação estranha de lugar proibido. E tem o risco. É muito excitante em saber que, do outro lado da parede, tem gente trabalhando sem imaginar que você está ali tentando não gemer.

A Lorena ficou calada por tempo suficiente para eu perceber que tinha plantado uma ideia perigosa. A Lisandra mordeu o lábio.

— Além disso, é rápido. Não dá tempo de inventar muita coisa. É aquela urgência gostosa. Você entra, tranca, resolve a vontade e sai ajeitando a roupa como se nada tivesse acontecido.

A Lisandra mordeu o lábio. A Lorena olhou pra porta.

— Eu odeio que isso tenha feito sentido.

— Eu também — disse Lisandra.

A Lisandra riu, depois ficou pensativa.

— O Vinícius morreria se eu puxasse ele para uma sala dessas.

— Ele morreria feliz — respondeu Lorena. — Não faça isso.

Olhei para as duas e percebi que a conversa tinha saído do controle. A gente começava falando de sentimentos, terminava falando de trepada em sala de estoque e, de alguma forma, tudo parecia parte do mesmo assunto.

Foi quando alguém bateu na porta.

— Lorena? — era a voz do Rogério. — A Jéssica tá aí?

Meu coração deu aquele pulinho ridículo que sempre dava quando eu ouvia a voz dele de surpresa. A Lorena destrancou a porta pro Rogério entrar com aquele sorriso que fazia meu corpo inteiro lembrar que eu era casada com um homem lindo e gostoso.

Levantei e fui beijá-lo. Foi um beijo rápido e comportado pros nossos padrões. Ainda assim, vi pela abertura da porta que duas pessoas no escritório desviaram os olhos. E, atrás do Rogério apareceu Tobias, o homem do RH.

Tobias era magro, pálido, com uma camisa bege que sugava qualquer alegria do ambiente. A voz dele tinha a mesma emoção de uma impressora matricial. Quando falava, parecia que a vida tinha virado um treinamento obrigatório e ninguém podia sair antes do fim.

— Rogério — disse ele, monocórdico —, apenas registrando que demonstrações de afeto em ambiente compartilhado podem gerar percepção de assimetria entre colaboradores.

— Tobias, eu só beijei minha esposa.

— A observação contempla vínculos conjugais.

Quase senti pena do meu marido. A Lisandra se remexeu na cadeira, e o Tobias olhou para ela de um jeito atento demais. Aquele jeito de homem esquisito que mudava quando notava a presença de uma mulher linda.

— Lisandra — disse ele. — Você está como visitante?

— Sim.

— Visitantes devem assinar na entrada e informar finalidade.

Algumas cabeças apareciam por cima dos monitores. Outras fingiam trabalhar com uma intensidade suspeita.

— Tudo bem. Vou resolver isso logo e ir embora.

A Lisandra levantou sem pressa, passou pelo Tobias sem se importar e mirou no alvo.

— Vinícius. Agora.

Da sua baia, o Vinícius endureceu. Olhou pro Rogério, como se pedisse autorização para enfrentar a própria sentença. Rogério apenas fez um gesto curto com a cabeça.

O Vinícius caminhou até a pequena área de espera perto da parede de vidro, sendo seguido pela loira. Havia uma poltrona baixa ali, dessas que os clientes usavam enquanto aguardavam reunião. Ele se sentou porque parecia precisar disso. Ficou com as costas afundadas no encosto, as mãos tensas sobre as próprias pernas, olhando pra Lisandra de baixo para cima.

A Lisandra parou diante dele. O vestido claro marcava seus seios naturais, a cintura fina e a bunda cheia. Mesmo séria, ela continuava absurdamente linda, com o cabelo loiro caindo pelos ombros e a pele muito clara destacando cada pequena sarda. Ela colocou um pé na beirada da poltrona, ao lado da perna dele, inclinou o corpo para a frente e apoiou o cotovelo no joelho. A mão ficou perto do queixo enquanto ela olhava para ele, direta, sem sorriso.

Eu e a Lorena fomos assistir de cantinho enquanto o Rogério impedia o Tobias e os demais de virarem plateia. A gente estava certa de bisbilhotar? Não. Mas privilégios de melhor amiga.

O Vinícius parecia menor naquela posição, acuado pela própria insegurança e Lisandra, cansada de esperar que ele crescesse sozinho.

— Eu vou falar uma vez só — disse Lisandra, num tom baixo. — Eu gosto de você e eu sei que você gosta de mim. A gente já passou da fase de ficar só em conversinha no zap e em encontrinhos se conhecendo. Dois meses já. Eu não vou ficar esperando você decidir se tem coragem de namorar comigo.

O Vinícius respirou fundo, sem tirar os olhos dela.

— Eu estou apaixonado por você.

— Eu sei. O problema é o resto. Você aparece, me trata bem, faz plano, depois some.

— É que eu te vi abraçando e entrando no carro com um homem que pensei fosse seu namo-

— Moreno, alto, bonito e sensual? Forte, bronzeado, sorriso meio torto? É o meu irmão, criatura!

— Pensei que você fosse filha única...

— É uma história complicada, mas ele é meu irmão.

Silêncio.

— Em tudo, menos nos genes.

Ele engoliu seco e aceitou. A Lisandra continuou firme.

— Olha, se você quer namorar comigo, fala agora. Se você vai ser um chorão do caralho que some sem se explicar toda vez que rolar um mal-entendido, me deixa em paz agora.

O Vinícius baixou os olhos por um instante. As mãos dele apertaram o tecido da calça. Quando voltou a olhar para ela, parecia envergonhado, porém convicto.

— Lisandra, eu não vou mais cometer o mesmo erro duas vezes. Quer ser minha namorada?

A Lisandra tirou o pé da poltrona e ficou de pé diante dele, de braços cruzados.

— Sem sumir.

— Nunca mais.

Ela respirou fundo. O rosto dela suavizou um pouco, só o bastante para mostrar que também estava com medo. Depois apontou para ele, ainda séria.

— Então levanta e me beija direito.

Ele levantou, Segurou a cintura dela e beijou Lisandra ali mesmo.

E foi um beijão daqueles. Não teve nada de comportado. A Lisandra segurou o rosto dele com as duas mãos. O Vinícius, depois de uns segundos travado, abraçou a cintura dela. Quando os dois se separaram, quase tive vontade de bater palmas.

Depois que a questão entre Lisandra e Vinícius terminou, pude ir até o Rodolfo. Ele sorri ao me ver chegar perto. Fazia tempo que a gente não se via pessoalmente.

— Jéssica — disse ele, abrindo os braços.

Abracei o Rodolfo com carinho. Ele estava mais forte do que da última vez, com os braços enchendo a camisa.

— Rodolfo, que saudade. Até que enfim voltou das férias.

Nisso, a Lisandra e o Vinícius voltaram antes que o Tobias notificasse o nosso amigo por atentado ao pudor.

— Quem é esse? — perguntou Lisandra.

— O nome dele é Rodolfo — respondi. — Ele é o contador desta empresa antes de ela ter cara de empresa. Já me salvou de conversas chatas e já fingiu que não viu coisa que viu.

— Principalmente a última parte — disse Rodolfo.

O Vinícius, ainda meio tonto pelo beijo, apontou para ele.

— Lisandra, esse é o Rodolfo. Rodolfo, essa é a Lisandra.

Rodolfo olhou para Vinícius com surpresa divertida.

— Então, essa é a mitológica Lisandra que eu perdi de conhecer durante as férias.

— Você estava de férias? — perguntou Lisandra.

— Três meses pagos — respondeu ele, como quem contava um milagre. — Por causa de um incidente numa palestra com a Lorena.

Melhor deixar esse incidente por isso mesmo.

— Por isso, ele não estava no arraial em que o pessoal conheceu a Lisandra — expliquei.

— Eu estava em casa recebendo para ficar quieto. Foi o período mais maduro da minha vida.

A Lisandra riu. Rodolfo tinha aquela calma de quem não precisava provar nada e parecia olhar para ela com simpatia, sem aquele olhar de homem hétero que confundia simpatia feminina com convite.

— Tá — disse Rodolfo, olhando para mim. — Conheço esse teu olhar de quem esqueceu o imposto de renda no último dia. Posso saber qual incêndio você quer jogar no meu colo?

— Nenhum incêndio. Um amigo.

— Gostoso?

— Muito.

— Agora me interessou.

Peguei o celular e abri o Instagram do Antônio. Escolhi uma foto dele na praia, sem camisa, forte e bronzeado. Mostrei a Rodolfo, que olhou com atenção.

— Tá. Teu gosto pra homem continua excelente.

O Rodolfo passou para outra foto. Nessa, o Antônio estava rindo num churrasco, com o braço no ombro de um amigo. A terceira eu quase tirei da tela, porque ele estava de calça de treino. O Rodolfo ergueu as sobrancelhas.

— Jéssica!

— Eu sei.

— Esse volume é real?

— Mais do que você imagina! Pode ter certeza.

— Como você sa-

— Longa história.

— O Antônio é um bom rapaz. Meio perdido, mas tem coração bom. Ele está entendendo melhor umas coisas sobre si mesmo. Acho que conhecer um homem legal faria bem.

O Rodolfo devolveu meu celular.

— Ele sabe que você está me oferecendo como experiência de amadurecimento?

— Comentei por alto no domingo que apresentaria um amigo chamado Rodolfo.

— Pelo menos você é sincera.

O Rodolfo pensou por um segundo.

— Passa meu contato. Sem prometer romance.

— Precisa não. Ele vai jogar na quinta. Vocês se conhecem lá.

— Bem pensado...

Eu olhei em volta e só então percebi que a Lorena tinha sumido. A porta da sala dela estava fechada, com as persianas abaixadas.

O Rogério veio até mim e apoiou a mão na minha cintura. Antes que ele abrisse a boca, o Tobias apareceu ao lado dele com uma pasta na mão. Era impressionante. O homem surgia sem barulho.

— Rogério, preciso aplicar uma advertência verbal com registro.

O Rogério suspirou.

— Agora?

— O momento é adequado, pois há testemunhas de perfil diverso.

— Certo.

— Recebemos uma queixa do Nildo sobre falta de isonomia no convite para a partida de futebol.

O Rogério franziu a testa.

— Mas eu chamei o Nildo. Ele recusou.

— A queixa contempla exatamente esse ponto.

— Ele reclamou porque eu chamei?

— O Nildo informou que o convite gerou pressão indireta. Para garantir isonomia, todos deveriam ter recusado o convite, evitando a percepção de favorecimento daqueles que aceitaram.

— Tobias — disse Rogério —, eu chamei todo mundo. Quem quis ir, aceitou. Quem não quis, recusou.

— A liberdade de recusa pode gerar medo de consequência.

— Mas se eu não chamo, vira exclusão.

— Sim.

— E se eu chamo, vira pressão.

— Sim.

— Então o que eu deveria fazer?

O Tobias olhou para a pasta, virou uma página e respondeu com a voz mais morta que eu já ouvi.

— Recomenda-se criar um ambiente no qual o convite exista sem existir.

Eu escondi o rosto no ombro do Rogério. Meu marido ficou parado, tentando entender a frase.

— Tobias, eu vou fingir que entendi — disse Rogério.

— Excelente. Isso reduz atrito.

O Nildo, lá do fundo, levantou a mão.

— Eu só falei que talvez fosse estranho. Eu gosto de futebol, só não gosto de jogar.

— Nildo, está tudo bem.

— Eu também não queria prejudicar ninguém.

— Relaxa, Nildo.

Tobias fez uma anotação.

— Encerrado o registro preliminar. A depender da reincidência, podemos construir uma política de convites recreativos.

O Tobias virou para sair, mas antes olhou de novo para Lisandra.

— Lisandra, ao sair, favor registrar horário.

— Tobias, se você pedir mais alguma coisa com essa voz, eu vou registrar meu pé na tua canela.

— Agressões físicas devem ser reportadas — E saiu como se nada tivesse acontecido.

Eu e o Rogério fomo pra sala dele por uns minutos antes que ele voltasse. Infelizmente, meu amor estava ocupado demais pra almoçar direito. Uns minutos depois, suspirou.

— Preciso de mais café.

Fomos pra copa, que ficava num corredor lateral. No caminho, passei pela sala da Lorena e notei que as persianas continuavam fechadas. Quando entramos na copa, nos deparamos com Vinícius e Lisandra se pegando encostados perto da geladeira. A mão dele estava na cintura dela. A dela estava enfiada no cabelo dele. O beijo tinha urgência.

— Gente! — falei. — Se o Tobias vê...

Os dois se separaram num susto. O Vinícius ficou vermelho até a alma, enquanto a Lisandra ajeitou o vestido sem demonstrar arrependimento.

— A copa tem câmera — comentou Rogério, enchendo o copo.

Ele tentava ser chefe e amigo ao mesmo tempo, fracassando demais em ser o primeiro. Era lindo e sofrido de assistir.

Foi quando eu tive uma ideia pra ajudar minha amiga Lisandra a (nunca mais querer o Rogério) conquistar o Vinícius de vez.

— Tem lugares menos expostos — eu disse, tentando soar casual. — Muito menos expostos.

O Rogério tossiu. A Lisandra estreitou os olhos.

— Vocês estão sugerindo o quê?

Tentei manter a seriedade.

— Eu não sugeri nada — disse, apontando vagamente pro corredor.

O Vinícius quase morreu. A Lisandra ficou olhando para nós dois, desconfiada. Depois olhou pro Vinícius e pro corredor. Quando pisquei, ela tinha desaparecido. Devia ter ido ver o almoxarifado.

De onde a gente estava, não dava pra ver o almoxarifado. Mas deu pra ouvir o grito.

— AAAAAAAAAH! MEUS OLHOS! MEUS OLHOS!

O grito foi tão alto que gente do escritório inteiro levantou. Nós corremos até ela.

Quando a gente chegou lá na pressa, a Lisandra já tinha trancado a porta novamente e estava encostada nela, branca como papel. Digo, mais branca do que ela era (Sério, a gente precisava levar a Lisandra pra praia urgente!).

— O que foi? Tem alguém aí?

— Ninguém abre essa porta — disse Lisandra, com a voz firme e apavorada.

Cheguei perto, sentindo o estômago apertar.

— Lisandra, o que tu viu?

— Nada.

— Você gritou “meus olhos!”.

— Força de expressão.

O Rodolfo parou ao meu lado, tentando olhar pela fresta que não existia.

— Era algum bicho?

— Dependendo do conceito de bicho, um bem nojento.

— Lisandra, deixa eu passar — tentou Rogério.

Ela deu um tapa na mão dele.

— Não.

— Esse almoxarifado é da empresa.

— Se você me considera sua amiga, não abra essa porta.

O Rogério recuou e p Vinícius colocou a mão no ombro dela.

— Você está tremendo.

— Era uma coisa nojenta, mas deve sair sozinha.

Olhei para Rogério. Ele estava confuso e preocupado, mas também conhecia Lisandra o suficiente pra perceber que ela não estava em perigo real e respeitar o pedido dela.

— Foi coisa nossa? — perguntei baixo.

— Jéssica, eu te amo. Não pergunta isso agora.

O Rogério tentou assumir o controle.

— Tá. Vamos fazer assim. Todo mundo se afasta da porta. Eu vou chamar alguém da limpeza para verificar.

— Não! — disse Lisandra, firme. — Rogério, eu estou te dizendo como tua amiga e como pessoa que acabou de perder parte da inocência: deixa essa porta fechada por enquanto.

— Mas por quê?

Ela respirou fundo, procurando uma explicação que não explicasse nada.

— Porque tem coisas que não podem ser desvistas. É tarde demais para mim, mas eu ainda posso salvar vocês.

— Isso foi quase bonito e completamente inútil.

— Pessoal, confiem em mim. Vamos almoçar. Quando a gente voltar, talvez a realidade tenha melhorado sozinha.

Do outro lado do escritório, o Tobias surgiu no corredor, atraído pelo grito.

— Houve incidente?

Todos nós respondemos ao mesmo tempo.

— Não.

— Gritos em área comum podem indicar necessidade de acolhimento.

A Lisandra apontou para ele sem sair da frente da porta.

— Preciso avaliar o ambiente.

— Você não precisa. Você quer. É diferente.

— Como responsável pelo bem-estar interno, devo mapear riscos.

— O risco agora é você insistir.

A voz dela saiu tão séria que até o Tobias parou. Ele olhou pro Rogério.

— Registro pendente.

— Depois, Tobias — disse Rogério.

— Tudo neste escritório vira depois.

— Que bom que concordamos.

O Tobias se afastou devagar, derrotado sem parecer surpreso. A sala da Lorena seguia fechada, persianas abaixadas. Acho que ela tinha saído.

A Lisandra voltou pra gente de novo.

— Vamos almoçar.

— Agora?

— Sim. Todo mundo

O Rogério suspirou.

— Ok. Eu não posso ir almoçar, mas prometo que não vou abrir essa porta, certo?

A Lisandra confiaria no Rogério até se ele dissesse que ela podia do alto de um arranha-céu.

Saímos perto de 13h15. A Lisandra foram andando de mãos dadas. Eu estava feliz de ver o casal junto. O Rogério voltou pro seu escritório assim que teve certeza de que todos saíram e ninguém ia tentar abrir a porta.

Naquela noite, cheguei em casa sorrindo porque sabia que um marido cheiroso e uma comida boa me esperavam. E assistiríamos “Eclipse” abraçadinhos.

Quando entrei, ele estava na cozinha, de camiseta cinza e bermuda, mexendo numa panela. Larguei a bolsa e fui até ele por trás, encaixando meu corpo no dele e abraçando sua cintura. Encostei o rosto nas costas dele, sentindo o calor e aquele cheiro que sempre me dava vontade de ficar grudada. Depois de um beijo, fui tomar um banho e me trocar.

Vesti um shortinho de malha e uma camiseta larga. Daquelas que, dependendo do ângulo, a minha bunda aparecia mais do que deveria. Jantamos, conversando sobre coisas pequenas. Ele ficou todo satisfeito quando repeti a salada e eu fiz questão de elogiar o frango duas vezes só para ver aquele sorriso bobo dele.

A gente foi pra sala depois, já prontos para começar o filme e eu ouvir as piadas que ele faria.

— Preparado pra dilemas amorosos sobre vampiros e lobisomens?

Antes que ele respondesse, o celular tocou uma notificação de e-mail. Ele leu por cima, vai que era uma emergência, e o rosto dele mudou. Me endireitei na hora.

— Que foi?

Ele franziu a testa.

— E-mail da Administração do Condomínio.

Ele abriu a mensagem. Me inclinei sobre o braço dele e li junto. O assunto dizia: “Notificação de aplicação de multa por infração ao regulamento interno.”

— Multa por uso do elevador social depois das 22h.

Essa frase não fazia o menor sentido.

— Rogério, a gente mora aqui. O elevador é pra subir e descer.

— Segundo o e-mail, existe uma regra no regulamento interno proibindo o uso do elevador social depois das 22h, salvo em casos excepcionais. Eles deram 12 horas para recorrer por escrito.

Levantei do sofá tão rápido que a almofada caiu no chão.

— Doze horas? Eles mandam uma merda dessas de noite e dão doze horas?

— Calma.

— Calma o caralho, Rogério. Que porra de regra é essa? A gente voltou do shopping no sábado, subiu pelo elevador social como sempre. Ninguém nunca falou de elevador proibido depois das 22h.

— Eu vou responder por escrito. A gente resolve.

— A gente desce agora e exige explicação.

— Amor, é melhor agir com cabeça fria.

— A minha cabeça está quente e funcionando perfeitamente.

Ele me olhou com aquele jeito paciente que eu amava em 90% do tempo e queria estrangular nos outros 10%.

— Jéssica, se a gente descer agora bufando, o Alberto vai se fazer de vítima. Por escrito, ele fica preso ao que responder.

Abri a boca para retrucar, mas meu celular vibrou em cima da mesa de centro. Notificação de e-mail novo. O remetente, “Administração do Condomínio”. O mesmo assunto: “Notificação de aplicação de multa por infração ao regulamento interno.”

Multa por uso do elevador social depois das 22h. Doze horas para recorrer por escrito. Eu não acreditei. O seu Alberto fez multas individuais pra mesma infração ao mesmo tempo.

A minha raiva virou uma coisa física e o Rogério percebeu.

— Mesma multa?

— Pela mesma palhaçada.

— Isso reforça que é uma ação padronizada. Dá pra recorrer melhor.

— Rogério, eu quero descer agora.

— Amor…

— Não vem com “amor” de voz calma. Eu dar um tapa naquele bigodudo de quinta categoria.

O Rogério passou a mão pelo rosto e pegou o próprio celular.

— Deixa eu falar com o seu Geraldo primeiro. Talvez ele saiba de onde tiraram essa regra.

— Ótimo. Interfona. Eu quero ouvir.

Ele pegou o interfone e apertou a portaria. Fiquei em pé ao lado dele, com os braços cruzados. Eu devia estar com uma cara péssima, porque o Rogério me olhou analisando como me deter se eu, do nada, saísse correndo atrás do síndico.

Seu Geraldo atendeu com a voz bonachona de sempre.

— Portaria, boa noite, seu Rogério. A dona Jéssica tá boa?

— Estou puta da vida, seu Geraldo — falei alto o suficiente pra ele ouvir.

— Ave Maria. Aconteceu o quê?

— Seu Geraldo, o senhor sabe por que existe uma proibição de usar o elevador social depois das 22h?

— Ué... tem isso?

— Pelo visto tem, porque eu e o Rogério acabamos de levar multa.

— Multa por elevador? Minha filha, nunca vi isso ser aplicado.

Rogério apoiou o interfone melhor. O seu Geraldo ficou quieto por um tempo. Dava para imaginar ele coçando a cabeça, tentando puxar uma lembrança enterrada.

— Olhe... Puxando da memória... Eu acho que tinha uma coisa assim no regimento, sim. Bem antigo mesmo. Da época que o prédio inaugurou. O prédio é de 1988, né? Naquele tempo, os elevadores faziam um barulho danado. Tinha morador que reclamava porque o poço do elevador tremia a parede de alguns apartamentos.

— Então, a regra era por causa do barulho? — perguntou Rogério.

— Pelo que eu lembro, era isso. Só que trocaram os elevadores depois. Foi em 1992 ou 1993, por aí. Botaram uns mais modernos, silenciosos. Desde então, essa regra ficou esquecida. Pensei que tinha sido revogada.

Eu olhei para Rogério com a expressão de quem dizia “tá vendo?”. Ele ergueu a mão pedindo mais um segundo.

— Entendi. Obrigado, seu Geraldo.

— Boa noite pra vocês.

O Rogério desligou. Eu comecei a andar pela sala de um lado pro outro.

— Uma regra de 1988, Rogério! Os elevadores foram trocados antes da gente ter nascido!

— Sim.

Ele pegou o tablet e abriu o arquivo do regimento interno, que felizmente ele tinha salvo. Meu marido era o tipo de homem que parecia preparado pra tudo. Eu zoava, mas naquela hora quis beijar a testa dele.

— Deixa eu procurar aqui.

Sentei ao lado dele, ainda fervendo. O regimento era uma aberração. Ele foi montado por várias mãos ao longo de décadas, com regra remendada em cima de regra, nunca revogando as antigas.

— Achei. “Após as 22h, recomenda-se aos moradores e visitantes a utilização de elevador de serviço, sendo vedado o uso do elevador social para deslocamentos ordinários, excetuadas situações de emergência ou autorização expressa da administração.”

— Recomenda-se e depois vedado na mesma frase? Que beleza.

— Tem muita coisa aqui que contradiz umas às outras.

— E nos multaram com base nisso?

— Pelo e-mail, sim.

Meu sangue já estava no modo panela de pressão quando a campainha tocou. Naquele horário, com aquele clima, não devia ser boa notícia. Abri a porta e era a Fernanda, puta da vida.

— Jéssica, preciso que você me segure pra eu não matar o síndico!

— Também recebeu uma multa?

— Vocês também? Que filho da puta!

Ela passou por mim bufando.

— Oi, Rogério. Desculpa invadir, mas eu estou com vontade de quebrar alguma coisa na cara do síndico.

— Sentimento compreensível — falei.

A Fernanda ergueu o celular.

— Eu recebi multa por excesso de barulho no domingo.

Rogério franziu a testa.

— Mas você se mudou pra cá no domingo!

— Exato! Eu estava me mudando! Estava colocando as coisas no lugar. Caixa, móvel, mala, tudo! É normal de alguém chegando num apartamento novo. A multa diz que eu perturbei o sossego com ruídos acima do permitido.

Eu levei a mão à testa.

— O regimento diz que mudanças são permitidas aos domingos.

O Rogério voltou ao tablet. A Fernanda começou a andar pela sala quase no mesmo ritmo que eu tinha feito antes, com a mesma raiva.

— O regimento permite mudanças aos sábados, domingos e feriados.

A Fernanda abriu os braços.

— Então pronto.

O Rogério deslizou o dedo pela tela.

— A regra do barulho também existe. Proíbe ruídos que incomodem outros moradores, inclusive aos domingos. A regra da mudança autoriza a mudança, mas não fala nada sobre barulho. Pela leitura literal, você podia se mudar no domingo, desde que fizesse isso sem fazer barulho.

A Fernanda ficou parada, encarando ele.

— Eu tinha que me mudar em silêncio?

— É a única inferência possível.

Senti uma risada nervosa subir, misturada com ódio.

— Isso não existe — agitou-se Fernanda. — Não tem como se mudar de apartamento sem fazer barulho!

— Esse regimento é cheio de regras acumuladas, que podem ser contraditórias — explicou Rogério. — E, pra mudar, só com decisão da assembleia porque o conselho foi desfeito e...

— Eu vou ali matar o síndico e resolver isso mais fácil — disse Fernanda, já virando para a porta.

Eu segurei o braço dela antes que passasse por mim.

— Espera.

— Eu esperei o suficiente.

— Fernanda, você conheceu o síndico em tão pouco tempo?

Ela riu, amarga.

— Conheci no domingo. O bonito apareceu lá no meu apartamento para “dar as boas-vindas”.

A forma como ela fez aspas com os dedos me fez levantar sobrancelhas.

— Eu estava acabada de mudança, suada e cheia de caixa aberta, suor. Ele tocou a campainha e apareceu com aquele bigode horroroso. Disse que queria me dar boas-vindas, falar das regras do prédio, se colocar à disposição. Até aí, beleza. Chato, mas beleza. Só que ele queria entrar.

Suspirei.

— Ficava dando um passo para frente como quem espera convite. Eu falei que estava ocupada. Ele continuou inventando assunto. E olhava agressivamente pros meus peitos, Jéssica. Olhava como se eu estivesse devendo alguma coisa pra ele só porque estava de blusa decotada.

Fechei o punho na mesma hora.

— Depois de uns minutos enrolando e me secando, perdi a paciência e falei “meu rosto fica mais em cima”. Ele fechou a cara na hora. Disse que eu me achava demais, que morador novo costumava ser mais educado, e saiu bufando pelo corredor.

E agora tudo se encaixava.

— E então veio multa por barulho.

— Exatamente. Ele ficou putinho porque eu não deixei entrar e porque reclamei do olhar de tarado. Eu vou imprimir essa multa e enfiar no cu dele.

Segurei o braço dela com mais força.

— Fernanda, eu sei que a violência parece resolver. Tem uma Jéssica na minha cabeça descendo agora, arrombando a porta do apartamento do síndico. Mas isso só vai dar munição pra ele. A gente tem que vencer com inteligência.

A Fernanda apontou pro próprio peito.

— O meu método é mais rápido.

— E o método dele depende exatamente disso. Ele quer que a gente surte, pra depois posar de síndico perseguido por moradoras histéricas.

A Fernanda abriu a boca, depois fechou. Ela odiou perceber que eu fazia sentido.

— Eu odeio quando a solução inteligente impede a minha paz de espírito de quebrar coisas.

— Prometo que a gente vai quebrar o Alberto depois, pelas vias certas — falei. — E com plateia.

Ela me olhou com um brilho menos furioso e mais interessado.

— Plateia ajuda.

A Fernanda encaminhou o e-mail pro Rogério que ficou redigir um documento de contestação ainda naquela noite pra que os três respondessem. Depois, ela foi até a porta. Antes de sair, a raiva tinha baixado o suficiente.

— Obrigada. Sério. Cheguei agora, ainda nem conheço quase ninguém, e o primeiro contato com o síndico já foi esse show de escrotidão.

Fui até ela e segurei sua mão.

— Você não está sozinha. Aqui tem muita gente boa. Tem gente tarada, gente fofoqueira, gente doida e gente que devia viver sob supervisão, mas tem muita gente boa. Você é minha amiga e nunca te deixarei sozinha.

Ela me abraçou e voltou pro seu apartamento. Quando voltei pra sala, deitei ao lado do Rogério enquanto assistimos “Eclipse” para me acalmar. Na prática, eu assisti sozinha. Mas por uma boa causa. O Rogério estava calado, redigindo mentalmente os três documentos. Enviamos as respostas antes da meia-noite.

Na quarta-feira de manhã, eu e o Gustavo continuávamos brigando pelos corredores do hospital. Isso tinha sido recorrente desde que o Miguel nos obrigou a trabalhar em dupla. Pro meu ódio, todos nos consideravam a dupla mais eficiente do hospital.

Minha raiva da manhã era que ele estava certo sobre o paciente do 308, que eu tinha apostado que era lúpus, e os exames do Gustavo provaram que era outro diagnóstico. Engoli a derrota com a elegância de quem gostaria de enfiar a prancheta na cabeça dele.

Aí, eu fui examinar a nova paciente do 412 e percebi algo que me fez abrir um sorrisão.

— A paciente do 412 tem lúpus.

— Jéssica, você sempre diz que é lúpus... — suspirou Gustavo, cansado.

— Mas agora, é! Faça os exames.

Ele suspirou, aceitando, e eu senti aquele olhar dele passar por mim antes de voltar pro meu rosto.

— Você é teimosa — disse Gustavo.

Ele foi no 412 preparar os exames, cansado da discussões matinais e, precisando de uns cinco minutos longe dele, fui pra copa beber qualquer coisa. A Fernanda estava lá, encostada na bancada, linda daquele jeito absurdo dela. Alta, bronzeada, pernas longas, corpo esbelto e gostoso, com uma cintura fina que deixava os seios grandes ainda mais evidentes sob o scrub. Os seios volumosos marcavam a blusa sem esforço e a bunda redonda aparecia quando ela se virou para pegar o copo.

— Você está com cara de quem quer matar alguém — disse ela.

Enchi um copo com café.

— Gustavo.

Ela riu.

— Vocês se amam.

Bebi metade do copo de uma vez e me apoiei na bancada ao lado dela, sentindo minhas costas reclamarem.

— Tenho certeza de que a paciente do 412 tem lúpus.

Ela me encarou e começou a rir.

— De novo? Você gosta de viver perigosamente.

Relaxamos um pouco, enquanto eu terminava o café e ela, a água.

— Fiquei sabendo de outra multa arbitrária do síndico. A Tatiana levou duas hoje de manhã.

Senti o sangue subir. O seu Alberto estava ficando cada vez mais folgado.

— Vamos almoçar com ela amanhã — falei.

A Fernanda topou na hora e peguei meu celular. Eu e a Tatiana ainda tínhamos uma amizade de cumprimento, daquelas em que você sorri no elevador e troca duas frases na academia. Mas não custava arriscar mandar uma mensagem.

[Jéssica]: “Soube que você também ganhou presente do síndico. Está livre para almoçar amanhã? A Fernanda vai comigo. Acho que precisamos conversar.”

Do corredor, ouvi a voz do Gustavo chamando meu nome com uma animação irritante.

— Jéssica, cadê você? Precisamos falar da 412!

Fechei os olhos por um instante.

— Se ele falar que a 412 também não tem lúpus, eu jogo esse copo nele.

Fernanda sorriu.

— Ela não tem lúpus. Aceita que dói menos.

Na quarta-feira, o almoço com Tatiana e Fernanda foi incrível. Conversamos sobre as multas, sobre o jeito como Alberto escolhia seus alvos e sobre como o condomínio estava virando um lugar onde muita gente pensava duas vezes antes de reclamar. Ela contou da tentativa de reunir moradores para discutir as contas. Eu contei da multa absurda que eu e Rogério recebemos por usar o elevador social depois das dez da noite. Saí daquele almoço com a impressão de que uma aliança tinha nascido. Mais que isso, uma amizade tinha se iniciado.

Essa impressão se solidificou quando almoçamos apenas as duas no dia seguinte. Eu estava feliz. No meio de tanta coisa ruim, uma coisa boa surgiu.

Na quinta à noite, ainda faltavam duas horas pra partida Rogério vs Enéias. O meu marido tinha ido tomar banho primeiro. Ele estava animado e ansioso ao mesmo tempo. Eu estava no sofá da sala, com as pernas dobradas de lado e o celular na mão.

Conversava com a Tatiana e a Fernanda ao mesmo tempo no WhatsApp, alternando entre as janelas.

[Tatiana]: “Estou me arrumando. Vou para a praça torcer pelo time do seu marido.”

[Jéssica]: “Ele vai ficar emocionado quando souber que ganhou reforço.”

Do outro lado, a Fernanda respondeu quase na mesma hora.

[Fernanda]: “Boa sorte para vocês. Não vou poder ir, estou presa no plantão com o Miguel.”

[Jéssica]: “Meus sentimentos.”

[Fernanda]: “Ele está lendo isso por cima do meu ombro e mandou você tomar no cu com carinho.”

Eu ri sozinha no sofá. O caso da Confraria das Lobas ainda me incomodava. Aquilo doeu porque parte daquele noite tinha sido boa de verdade. Eu ainda acreditava nos ideais que elas supostamente defendiam. Mulheres escolhendo a si mesmas. Mulheres falando do próprio tesão sem medo. Mulheres cuidando de mulheres. Aquilo fazia sentido. O que me decepcionava era o jeito como tinham transformado aquilo numa seita com recrutamento.

Olhei para a conversa com Tatiana. Depois para a conversa com Fernanda. Pensei em Eliana, Lorena, Carolina, Sarah, Rebecca, Natália, Andréia, Letícia, e tantas outras. Cada uma com seu corpo, sua história. Todas vivendo naquele condomínio onde um homem metido a dono do mundo achava que podia fazer tudo. Sozinhas, a gente cansava e virava alvo fácil. Juntas, a gente podia morder de volta.

[Fernanda]: “A gente devia fazer um grupo. Fica chato falar a mesma coisa em duas conversas.”

[Tatiana]: “Apoiado.”

[Jéssica]: “Vou criar.”

Criei o grupo, comigo, Tatiana e Fernanda. Mas hesitei na hora do nome. Eu poderia escolher algo simples, tipo “Multas do Condomínio” ou “Grupo Anti-Síndico”. Só que esses nomes pareciam pequenos pro que eu estava sentindo. A Confraria das Lobas tinha me frustrado porque pegou uma ideia excelente e a transformou em manipulação. Talvez a gente pudesse pegar a parte boa e fazer direito. Sem pactos ou mulheres sendo cooptadas. Sozinhas, nós não tínhamos poder político. Juntas, poderíamos nos organizar. O nome veio na hora.

“A Verdadeira Matilha”Tá bom! Tá bom! As duas passaram um mês rindo da minha escolha de nome e me chamando de brega. Mas eu vou fingir que isso não aconteceu enquanto eu for a narradora, ok?

Pois bem, leitor. No próximo capítulo, teremos finalmente o Rogério vs Enéias.

Perguntas:

1) O que vocês estão achando da Fernanda como elenco de apoio das séries de Jéssica, Miguel e Tatiana? Pra uma coadjuvante (bem) menor, ela acabou tendo mais cola nas séries que algumas membras da turma da academia.

2) Lorena e Lisandra no 69 aconteceu mesmo ou foram as duas tirando onda com a Jéssica?

3) O que vocês acharam o modelo “alternar os PoVs entre Rogério e Jéssica pra mostrar as vidas de cada um e uma cena de sexo diferente em cada” (ainda bem que esses dois coelhos transam tanto que é impossível repeteco)?

Coloquem nos comentários pro que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.

NOTA DO AUTOR:

Adiantei a publicação porque vou ter que ficar offline amanhã. A próxima (Alessandra 01) sai domingo.

Os eventos narrados aqui pela Jéssica são paralelos aos eventos narrados em várias participações recentes dela nas séries do Miguel, Tatiana, Eliana e Lucério. Pro capítulo não ficar mais gigantesco do que já está, eu decidi mencionar apenas aquelas que faziam a trama avançar e as demais ficam subentendidas terem rolado nos pulos temporais.

O capítulo ficou maior do que pensei porque preferi transferir as cenas da série do Vinícius (toda a parte no escritório seria narrada pela Lisandra) pra cá. Por isso que a parte do escritório tem uma vibe mais série do Vinícius que da Jéssica.

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Foto de perfil genéricaAlberto RobertoContos: 142Seguidores: 310Seguindo: 0Mensagem Em um condomínio de classe média alta, a vida de diversos moradores e funcionários se entrelaça em uma teia de paixões, traições e segredos. Cada apartamento guarda sua história, no seu próprio estilo. Essa novela abrange todas as séries publicadas neste perfil. Os contos sempre são publicados na ordem cronológica e cada série pode ser de forma independente. Para ter uma visão dos personagens, leia: Guia de Personagens - "Eu, minha esposa e nossos vizinhos"

Comentários

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Gosto muito do capítulo. Sexo entre Rogério e Jéssica é sempre excitante. Tem potencial para mais fantasias entre eles, o casal se abre muito a isso. A questão da coleira e submissão da Jéssica na cama são ótimas! Seria interessante, mais sexo oral no Rogério, brincando com o gozo dele. Coisas leves, mas eróticas e bem sensuais.

1) Acho ótima a presença da Fernanda, essa ligação dela com a Jéssica e Tatiana tem tudo pra dar certo. Podem ser muito amigas e se ajudarem. Acredito que quando chegar Milena elas, com Lorena, deverão ser o grande apoio feminino da Jéssica no condomínio.

2) Acho que não convém. Lizandra é praticamente a irmã de Miguel, seria uma interação desnecessária, que criaria uma certa tensão na relação do futuro casal. Uma coisa é sua namorada transar com seu amigo, outra coisa com sua irmã.

3) Aprovado. Essa alternância dá dinamismo a série.

Amo o casal protagonista. Pela sua descrição vejo o Rogério como o homem mais bonita da série, mais até que o Miguel, até por ser despretensioso. Jéssica sem dúvida nenhuma, está entre as mulheres mais bonitas e desejadas.

Pra mim falta a consolidação de um personagem masculino. Pra interação maior com as solteiras e até algumas casadas. Algum cara separado, o filho do Jonas e da Cintia, algum professor da faculdade ou fisioterapeuta do hospital..

Miguel vai ter que rebolar pra tirar a má impressão da Lorena, vai ser divertida essa conquista. Seria legal ver ele suar um pouco e ela como boa competidora ser vencida na resistência.

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