Péssimo. É a melhor forma de descrever a sensação de estar em um local completamente fora da própria zona de conforto num momento de vulnerabilidade emocional. Tudo bem, admito que aquela primeira fase do luto pós-término já tinha passado e agora eu começava a querer me abrir para o mundo e para as possibilidades que ele tinha para mim, mas o evento de formatura da minha irmã na companhia dos meus pais não era a situação ideal. Eu nem falava da minha vida amorosa com a minha família.
Meu plano para essa noite era tentar manter um sorriso amigável toda vez que chegassem perto de mim. Eu não estava no melhor momento, mas também não queria ser um estraga-prazeres para minha irmã. Se não falassem de Otávio para mim, não teria problema.
De vinte em vinte minutos, para ter um respiro, eu inventava uma desculpa para sair da mesa e tomar um ar. Foi numa dessas que o conheci.
Eu já o tinha sacado, na verdade. Era um rapaz bonito demais para passar batido. Acho que ele serviu nossa mesa umas três vezes até esse momento, sempre em posse de uma jarra de cerveja. Aceitei todas as vezes, claro, e numa dessas, enquanto ele enchia minha taça, pude reparar no finzinho da tatuagem escapando sutilmente pela manga comprida da camisa preta de botão, quase adentrando o espaço da mão. Também reparei nas unhas pintadas de preto — para combinar com o uniforme de garçom, talvez? Trocamos olhares rápido nessa hora, mas só descobri que ele se chamava Diego quando fui marcar um dez do lado de fora.
Estava meio vazio porque a maioria das pessoas aproveitava a pista de dança ou tirava fotos na parte mais decorada do jardim. Eu fui para um canto mais isolado onde não precisaria ficar sorrindo o tempo todo. Diego estava lá também, dando uma escapada do trabalho para fumar.
Comentei sobre a tatuagem, e ele foi rápido ao puxar a manga para me mostrar que não era uma grande, mas várias pequenas que decoravam a extensão de todo seu antebraço.
“Bonitas”, comentei brevemente. “Tem mais?”
Ele deu mais uma tragada no cigarro antes de me responder:
“Tem sim, mas não dá pra te mostrar agora.”
Franzi a testa.
“Por quê?”
Ele riu. Coçou o cabelo bem-aparado (acho que era máquina 2) e deu mais um trago, sem responder. Então insisti:
“Que é? É tatuagem no pau?” Nós dois rimos. É claro que eu não agiria todo saidinho desse jeito se não sentisse que Diego estava receptivo às minhas investidas. “Agora você me deixou curioso.”
“Não é no pau, não. É na coxa”, respondeu ele, finalmente.
Ele pôs a mão sobre a coxa esquerda, coberta pela calça preta de linho.
“E você vai me mostrar?”
Dessa vez, foi Diego quem arqueou as sobrancelhas para mim.
“Sério?”
Ele deu outra tragada.
Soprava a fumaça para o alto toda vez, deixando o pescoço à mostra quando levantava a cabeça. Com isso, reparei em como seu rosto era cheio de ângulos; o maxilar definido formava uma seta para cima. Ele olhou para a frente de novo, na minha direção.
Era gato. Tinha rosto de homem, mas com uma masculinidade jovial. Eu daria a ele uns 24 anos. Parecia ter uma idade próxima à minha, mas não sei se ele estava tão perto dos 30 como eu.
“Só se você quiser me mostrar”, comentei entre um sorriso e outro.
Diego pareceu entender a mensagem, porque nessa hora ele olhou para os lados, meio escaldado, se levantou e andou até a parte de trás de um dos arbustos, me chamando. Fui calado, mas curioso.
“Segura pra mim, por favor?”, pediu ele ao me entregar o cigarro. “Pode fumar se quiser.”
Dei uma tragada nos momentos finais do cigarro enquanto Diego desafivelava o cinto rapidamente para desabotoar a calça em seguida. Eu já estava interessado nele, mas vê-lo nessa situação me deixou com um tesão absurdo. Senti meu pênis ficar rígido, mas não fiz nada, apenas o observei enquanto se despia pra mim.
Confesso que, quando abaixou a calça até a altura do joelho, a última coisa em que prestei atenção foi a tatuagem. Diego tinha um corpo alto e esguio, mas suas coxas eram levemente torneadas. Em algum momento do dia ele devia frequentar a academia.
“Nossa…” O comentário saiu da minha boca involuntariamente.
Tentei manter os olhos na tatuagem da âncora gigante na coxa dele, mas eles corriam até a cueca de modo automático. O volume chamava atenção, mesmo que estivesse guardado com jeitinho para baixo (dava para visualizar tudo pelos relevos sob os panos).
“Gostou?”, perguntou Diego, seguido de uma risada que me disse tudo que eu precisava saber.
Ele segurou minha mão e a levou até a tatuagem, mas depois foi subindo até que eu estivesse em contato com seu pênis, que pulsava sob o tecido fino. Nessa hora o cigarro já estava apagado, então joguei a guimba por ali mesmo e beijei o rapaz. Foi um beijo delicioso, não sei se porque estávamos ambos cheios de tesão ou porque eu não sabia o que era sentir a língua de outro homem encostar na minha desde que Otávio terminara comigo, há pouco mais de um mês. Só sei que, enquanto me beijava, ele pressionava o pênis dele na minha mão e me segurava com força com as mãos dele.
Diego me guiou até que estivéssemos encostados na parede e fez mais pressão contra meu corpo. Senti cada relevo de sua silhueta encostar em mim, e isso só me deixava com mais vontade de tê-lo.
Não perdi tempo, logo enfiei a mão dentro da cueca dele e massageei o pênis, sentindo as veias que latejavam quentes a cada movimento e os pentelhos aparados toda vez que eu encostava na base. Diego passou a beijar meu pescoço em resposta. Senti seus lábios subirem para meu ouvido e ouvi sua voz em seguida:
“Me chupa.”
Não falei mais nada. Dei um último beijo em seus lábios antes de me abaixar e beijar a área de sua pelve. Além de tudo ele era cheiroso, o que só me deu mais tesão.
Quando coloquei o mastro na boca, ouvi Diego arfar. Nesse momento, tive certeza de que ele seria meu, pelo menos por aquela noite. O rapaz pressionou a pelve contra meu rosto quando sentiu que o pênis já se encontrava em maior parte dentro da minha boca. Senti sua glande encontrar minha garganta e ouvi uma segunda arfada. A visão de Diego naquela posição, em toda sua imponência na minha frente enquanto eu o domava com a boca, me deixou confiante.
Ele segurou o pênis para que eu pudesse brincar com a cabeça. Depois lambi toda a extensão do membro até chegar nas bolas, cobertas por alguns resquícios de pelo.
“Isso…”
Pus uma na boca e logo pus a outra ao ver a reação positiva enquanto ele se masturbava devagar. Então abaixei o resto da cueca até o meio da coxa dele e o segurei pelas nádegas com as duas mãos para que eu pudesse engolir o pênis inteiro. Diego também deu uma força com a mão na minha nuca. Eu ia para frente e para trás, babando o pênis inteiro. Suas pernas deram uma vacilada breve quando acelerei o ritmo, e ele deixou escapar um gemido um pouco mais sonoro que as arfadas silenciosas de antes.
“Deixa eu gozar na tua boca?”, pediu Diego.
Com a mão levemente posicionada na minha nuca, ele me encarou com aquele olhar safado que todo cara faz quando quer te comer dos jeitos mais brutos possíveis. Ainda com tudo na boca, assenti com a cabeça.
“Seu puto”, ele disse baixinho só para eu ouvir.
A respiração de Diego ficou mais ofegante, acompanhando as vezes em que eu acelerava e reduzia o ritmo do vaivém. Ele também deu estocadas na minha boca, que ficavam mais fortes conforme o gozo se preparava para sair.
Mantive os olhos bem abertos quando ele avisou:
“Vou gozar.”
Eu queria vê-lo se derreter.
Diego fechou os olhos com força e jogou a cabeça para trás, seguido de um gemido contido, mas bem mais sonoro que a respiração ofegante. Se apoiou com a mão esquerda na parede enquanto segurava minha cabeça com a direita. Ele estava se esforçando para não fazer muito barulho, mas ainda assim consegui ouvir o “hmmmm” que escapava mesmo com a boca fechada enquanto pressionava minha cabeça contra sua pelve.
Dentro da minha boca, eu sentia o pênis dele bem quente latejar por toda sua extensão. Nas minhas mãos, as nádegas dele se contraíram, até que veio o primeiro jato amargo e grudento, batendo direto na minha garganta.
Seu corpo relaxou, e dessa vez ele não conseguiu segurar o gemido de alívio. Em seguida, gozou de novo. E de novo, e de novo… Ao todo acho que foram uns seis jatos de porra goela abaixo, pus tudo para dentro. Quando ele já tinha terminado, eu me levantei, e nos beijamos por uma última vez.
Diego foi rápido para se vestir; em poucos segundos nem parecia que tinha acabado de se derramar em porra na minha garganta. Acho que é nisso que pensam quando se referem a uma pessoa eficiente no trabalho. Não deixa um boquetinho rápido o tirar do eixo.
“Gostei de você”, disse ele enquanto afivelava o cinto.
“Também”, respondi, tentando manter meus lábios um pouco dormentes sob controle.
E voltamos para a festa.
“Tava chorando?”, perguntou minha irmã. “Tá com o rosto vermelho.”
“Eu, não…”, respondi. Talvez devesse ter dito que estava.
Dei uma passada no banheiro para jogar uma água no rosto e melhorar a cara involuntária de boquete, e Diego também estava lá. Demos uma risada rápida e trocamos telefone. Ele disse que queria me ver de novo, dessa vez para comer meu cu. Nem preciso dizer que concordei. Eu também tinha que mostrar as minhas tatuagens para ele.