Depois do Expediente

Da série O Galpão
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 3414 palavras
Data: 07/06/2026 21:45:37
Última revisão: 07/06/2026 22:12:10

O curioso sobre o desejo é que ele nunca se satisfaz com a lógica. Se dependesse da razão, eu teria desistido de Leandro semanas antes. Talvez nem tivesse começado. Havia obstáculos demais, diferenças demais, silêncios demais.

Mas a razão nunca teve muito poder quando ele surgia na porta do escritório com a camiseta colada pelo suor do trabalho e aquele sorriso torto que parecia pedir desculpas por existir. Ou talvez desafiar o mundo inteiro.

O calor daquele verão se recusava a ir embora. Mesmo depois do pôr do sol, o concreto do galpão continuava irradiando calor acumulado durante o dia. Os caminhões estacionados pareciam animais adormecidos. Grandes, pesados, respirando lentamente na escuridão. O rádio da oficina insistia numa moda sertaneja sobre saudade e orgulho ferido. As mesmas duas coisas sobre as quais a humanidade parecia escrever músicas desde o início dos tempos.

— Isso é sofrimento ou tortura psicológica? — perguntei.

Leandro apareceu ao meu lado.

— O quê?

— Essa música.

— Respeita a arte nacional.

— Arte nacional é Tarsila do Amaral.

— Essa Tarsila nunca tomou uma pinga ouvindo sofrência.

— Você não sabe.

Leandro riu. Aquela gargalhada franca que sempre me fazia sentir uma espécie de vitória silenciosa. Como se arrancar uma risada dele fosse mais difícil do que deveria.

Nos últimos dias, passamos a desenvolver um hábito. Perigoso, bonito, ridículo. Depois do expediente, quando o movimento diminuía, nos sentávamos nos fundos do galpão. Não para nos beijarmos, não para nos tocarmos, só para conversar. E aquilo era quase mais íntimo. Porque desejo você esconde. Mas conversa... conversa revela.

— Você vai embora mesmo? — perguntou num desses fins de tarde.

A pergunta veio casual, mas casual demais. Eu estava sentado numa empilhadeira desligada. Ele em um pallet de madeira. Ao nosso redor havia cheiro de óleo, metal e terra quente.

— Pra faculdade?

— É.

— Espero que sim.

— E se passar longe daqui?

— Melhor ainda.

Leandro ficou mexendo numa porca enferrujada que encontrou no chão.

— Você fala isso fácil.

— Porque é fácil.

— Mentira.

Olhei para ele.

— Por quê?

— Porque você gosta daqui.

Sorri.

— Eu reclamo daqui todos os dias.

— Exatamente.

— Isso não faz sentido.

— Faz sim.

Ele apontou para mim.

— Quem odeia mesmo vai embora sem falar nada.

Aquilo me pegou desprevenido, porque era uma observação inteligente. Mais inteligente do que eu costumava esperar dele e, talvez, esse fosse um dos meus defeitos. Eu passava tempo demais tentando encaixar Leandro numa versão simplificada de quem ele era: o cara do galpão, o cara do trabalho, o cara impulsivo. Mas as pessoas raramente cabem nos personagens que criamos para elas.

Uma caminhonete passou acelerando na estrada próxima. Os faróis atravessaram as grades do depósito por alguns segundos, depois desapareceram. O entardecer voltou a pertencer só a nós.

— Posso te fazer uma pergunta? – perguntei.

— Essa frase sempre vem antes de uma pergunta péssima.

— Você já pensou no futuro?

Leandro gemeu teatralmente.

— Tá vendo?

— Responde.

— Pensei.

— E?

Ele ficou quieto. Tempo suficiente para eu saber que estava escolhendo palavras.

— Não muito.

— Como assim?

— Eu acordo. Trabalho. Pago as coisas. Durmo.

— Isso não é futuro.

— É o que eu tenho.

A sinceridade dele tinha um efeito estranho. Porque não vinha embrulhada, não vinha sofisticada, não vinha protegida por metáforas. Era só verdade, crua.

— Você queria o quê? — perguntou — Que eu sonhasse em morar em Paris?

— Eu nem sonho em morar em Paris.

— Você sonha em alguma coisa.

Fiquei em silêncio. Porque sonhava. Com cidades maiores, com liberdade, com coisas que eu havia lido em livros. Com uma vida que ainda não conseguia enxergar completamente. Leandro observou meu rosto e sorriu.

— Tá vendo?

— O quê?

— Essa cara.

— Que cara?

— A cara de quem tá sempre indo embora.

Aquilo ficou comigo. Por dias. Talvez semanas. Porque era injusto, mas também era verdadeiro. Eu passava boa parte do tempo olhando para frente, enquanto Leandro parecia viver com os pés fincados no presente. Talvez fosse esse o nosso maior obstáculo: não o desejo, nem o medo, nem a cidade. Mas o tempo. Eu estava apaixonado pelo que poderia existir, Leandro sobrevivia ao que já existia.

Na sexta-feira seguinte, a equipe inteira resolveu parar num bar depois do expediente. Um daqueles bares típicos de interior. Mesas de plástico, televisão passando futebol, cerveja sempre gelada, e um cheiro permanente de fritura. Leandro insistiu para que eu fosse.

— Eu não pertenço àquele lugar.

— Você trabalha aqui.

— Isso não significa nada.

— Significa sim.

— Eles me odeiam.

— Eles têm inveja porque você não carrega caixa.

— Isso não ajuda.

— Vai mesmo assim.

Acabei indo e foi um desastre, naturalmente. Cinco minutos depois, alguém perguntou qual faculdade eu queria fazer. Dez minutos depois, estavam me chamando de doutor. Quinze minutos depois, um sujeito sugeriu que eu nunca mais pisaria naquela cidade depois de formado. Vinte minutos depois, eu já queria desaparecer. Leandro percebeu, claro que percebeu. Ele sempre percebia, mesmo quando fingia não perceber nada.

— Vem cá.

Ele me puxou para fora do bar. Sem cerimônia, sem explicação. A noite estava quente, cheirando a asfalto e grama cortada. Ao longe, cachorros latiam, uma motocicleta passou acelerando pela avenida.

— Você leva tudo pro coração.

— E você não leva nada.

— Alguém precisa equilibrar.

— Eu não pedi equilíbrio.

Leandro sorriu, depois ficou me olhando daquele jeito. Aquele jeito específico, perigoso, quase carinhoso.

— Sabe qual é seu problema?

— Tenho medo da resposta.

— Você acha que precisa pertencer a algum lugar.

— E você não?

Ele deu de ombros.

— Eu só vou ficando.

A frase era tão Leandro que quase me fez rir de tão simples, tão impossível. Porque eu nunca soube apenas ficar. Sempre precisei entender, explicar, nomear, transformar em narrativa. Desmontar tudo e reencaixar novamente até que eu pudesse entender todas as coisas. Enquanto ele... ele simplesmente existia.

Por um instante, ficamos em silêncio. O barulho do bar escapava pela porta aberta. Risadas, copos, música ruim, vida. Leandro estava perto demais, como sempre acabava ficando. E eu tive a sensação incômoda de que, se continuássemos daquele jeito, em algum momento alguém acabaria se machucando. Talvez eu, talvez ele, talvez nós dois.

Mas, olhando para aquele sorriso torto iluminado pela luz amarela do poste, percebi uma coisa ainda pior: eu já não tinha certeza se queria evitar a queda. E isso me assustou muito mais do que qualquer flagrante.

__________

Foi Leandro quem teve a ideia de ir embora do bar, ou talvez a culpa tenha sido minha. Até hoje não sei. Algumas decisões nascem tão silenciosamente que ninguém consegue apontar o instante exato em que foram tomadas, só percebe quando já está caminhando em direção a elas.

— Você tá com essa cara de enterro faz meia hora — disse ele.

— E você tá bêbado.

— Mentira.

— Você acabou de chamar o garçom de prefeito.

— Porque ele parece o prefeito.

— Nosso prefeito é uma mulher.

Leandro me encarou, piscou duas vezes.

— Então talvez eu esteja um pouco bêbado.

Acabei rindo, contra minha vontade, como sempre acontecia.

Saímos do bar sem avisar ninguém. Uma fuga silenciosa, dois corpos escorregando entre a multidão bêbada sem olhar para trás. A noite estava quente, quase abafada. As ruas da cidade pequena pareciam vazias naquele horário, as luzes dos postes desenhavam sombras compridas sobre o asfalto. O som da música do bar foi ficando distante atrás de nós. Por alguns minutos caminhamos sem destino, sem falar muito. Aquela estranha facilidade que existia entre nós quando o mundo desaparecia.

— Você vai mesmo embora ano que vem? — perguntou Leandro.

A pergunta surgiu do nada. Ou talvez estivesse esperando por nós desde o início da noite.

— Se eu passar no vestibular.

— Vai passar.

— Você fala isso como se fosse simples.

— Porque é.

— Não é.

— Pra você é.

Balancei a cabeça.

— Você tem uma confiança em mim que eu não tenho.

Leandro sorriu.

— Alguém precisa ter.

Quando demos por nós, estávamos parados diante do galpão. Escuro, silencioso, imenso. As estruturas metálicas pareciam ainda maiores sob a luz azulada da lua.

— Olha só — falei — A gente saiu escondido de um lugar pra entrar escondido em outro.

— Coerência narrativa.

— Você não sabe o que significa narrativa.

— Sei sim.

— Não sabe.

— É quando você fala demais.

A porta lateral estava trancada, mas Leandro abriu a abriu com a chave reserva que sempre carregava. Entrei primeiro, meus ombros roçando no peito de Leandro enquanto passava pela passagem estreita. O cheiro familiar de óleo de máquina, poeira e metal nos envolveu imediatamente, como um velho conhecido. A porta se fechou com um clique seco. Escuro, só o contorno das janelas altas deixava entrar a luz fraca dos postes da rua, riscos amarelados sobre o cimento áspero.

Durante o dia aquele lugar era barulho, movimento, gente. Agora parecia outra coisa, uma espécie de catedral industrial abandonada. As sombras dos caminhões se espalhavam pelo galpão como animais adormecidos. O rádio estava desligado, pela primeira vez, talvez, aquele lugar estava completamente em silêncio.

Subimos para o escritório. Leandro me guiou pelo pulso, os dedos apertando a minha pele fina, sentindo o calor da minha pele. Entramos no amplo cômodo e ele fechou a porta. Algumas mesas, cadeiras giratórias, prateleiras cheias de caixas.

Ali em cima o calor permanecia preso, as janelas abertas deixavam entrar apenas um vento tímido. Leandro jogou as chaves sobre a mesa. Eu fiquei perto da janela, observando as luzes distantes da cidade. Por um instante nenhum dos dois falou e foi estranho perceber o quanto eu gostava daqueles silêncios com ele. Não eram vazios, eram habitados.

— Você tá pensando demais de novo.

Sorri.

— Você fala isso como se fosse defeito.

— Porque é.

— E não pensar nunca é qualidade?

— Funciona pra mim.

— Claramente.

Ele riu. Aquela risada baixa, preguiçosa. Depois caminhou até mim, devagar, sem pressa, sem necessidade de fingir. O escritório inteiro parecia suspenso numa espécie de pausa impossível. Lá fora, o vento mexia nas árvores. Ao longe, um cachorro latiu. Depois silêncio outra vez.

Me virei. Meus olhos brilhavam na penumbra, pupilas dilatadas, a boca entreaberta. Leandro viu o movimento do meu peito, minha respiração que ainda não tinha se acalmado. Ele ergueu a mão e tocou o lado do meu pescoço, o polegar traçando a linha do meu tendão que saltava sob a pele. Inclinei a cabeça, expondo mais carne. O gesto falava por si.

— Sabe o que mais me irrita em você? — perguntei.

— A lista é longa.

— Você faz parecer tudo simples.

— Porque às vezes é.

— Não é.

— Você complica.

— Você simplifica.

— Equilíbrio perfeito então.

Acabei sorrindo, mesmo tentando não sorrir. Leandro tinha esse talento irritante, fazia piadas quando eu queria respostas. E, de alguma forma, isso me desarmava. Leandro avançou. Um passo, e os nossos corpos se colaram.

Senti o calor que irradiava dele, o tecido da camisa fininha de uniforme contra seu peito, o contorno duro do cinto roçando no meu quadril. Minhas mãos desceram pelos ombros fortes, pelos braços musculosos, até encontrarem a barra da camisa. A puxei para cima, devagar, os nós dos meus dedos se arrastando sobre a pele nua do abdômen de Leandro. O músculo contraiu sob o meu toque. Leandro levantou os braços, permitindo que a peça saísse pela cabeça e caísse em algum lugar escuro do chão.

Minhas mãos Mateus vieram então, subindo pelo peito de Leandro, meus dedos espalhados sobre as costelas, as pontas roçando os mamilos. Leandro chupou o ar entre os dentes. Eu sorri, um gesto rápido, quase invisível, e empurrei a minha própria camisa para cima. Leandro a terminou de tirar, a jogando sobre a mesa. Peito nu contra peito nu. A diferença de temperatura: Leandro mais frio pelo caminho até ali, eu fervendo.

O primeiro beijo veio devagar. Leandro segurou o meu rosto com ambas as mãos, os polegares traçando o contorno do meu maxilar, e inclinou a cabeça. Nossos lábios se tocaram uma vez, duas, provando, medindo. Na terceira vez, não descolaram mais.

A minha boca se abriu para a dele, e a língua de Leandro deslizou para dentro da minha, quente e úmida. Gemi baixinho, o som preso na garganta, e agarrei os ombros de Leandro com força, minhas unhas cravando na pele dele.

O beijo aprofundou, nossas línguas se encontrando, se enroscando, o ritmo que começava lento e ganhava urgência. Leandro me empurrou contra a parede de concreto, o impacto surdo fazendo tremer as prateleiras.

As mãos de Leandro desceram pelo meu corpo. Passaram pelo meu peito, pelos meus mamilos endurecidos, pelo meu abdômen que subia e descia rápido. Encontraram o cós dos meus jeans. O botão da calça veio em seguida, e o zíper desceu com um som que pareceu alto demais naquele silêncio. Leandro enfiou a mão por dentro da minha cueca e me encontrou duro, quente, pulsando contra sua mão. Joguei a cabeça para trás, batendo na parede, e soltei um gemido rouco.

Leandro envolveu o meu membro com os dedos, apertando na base, e começou a mover a mão. Movimentos lentos no início, subindo até a glande e descendo de novo, o prepúcio deslizando sobre a pele sensível.

Arqueei os quadris para frente, buscando mais contato, e Leandro respondeu apertando mais forte, aumentando o ritmo. O som da mão de Leandro sobre a minha carne molhada de suor e pré-ejaculação encheu o escritório, obsceno e rítmico.

Não fiquei parado. Minhas mãos tremeram enquanto abria a calça de Leandro, puxando o tecido para baixo junto com a cueca. O cacete de Leandro saltou livre, e eu o envolvi com a mão direita, espalmada, o polegar traçando círculos sobre a glande.

Leandro soltou o ar de uma vez, as pernas se abrindo um pouco mais para se equilibrar. Nós nos masturbamos mutuamente, de pé contra a parede, as mãos trabalhando em sincronia, os gemidos se misturando.

Eu fui o primeiro a cair de joelhos. O impacto contra o piso de cerâmica foi duro, mas eu não pareci sentir. Minhas mãos agarraram as coxas de Leandro, meus dedos cravando na massa muscular, e inclinei a cabeça para frente.

A língua saiu primeiro, um toque leve na base da pica de Leandro, um traço úmido que subiu lentamente até a ponta. Leandro enterrou os dedos nos meus cabelos, segurando, não empurrando. Lambi ao redor da glande, os lábios fechando sobre a cabeça, a língua traçando o contorno, provando o salgado da pele. Depois abri a boca e engoli tudo.

O calor era insuportável. Leandro olhou para baixo e me viu mamando, a boca esticada ao redor de seu pau, as bochechas cavadas, os olhos fechados. Minha cabeça subia e descia, o ritmo variando, lento quando chegava à ponta, mais rápido quando descia até a base.

Minha língua trabalhava sem parar, pressionando a parte inferior, deslizando sobre a veia saliente. Leandro sentiu os quadris se moverem sozinhos, pequenos empurrões que aprofundavam a penetração na minha boca. O som de sucção era explícito, molhado, interrompido apenas pelos meus gemidos abafados.

— Chega — Leandro disse, a voz rouca, me puxando pelos cabelos — Quero te foder.

Me levantei, os joelhos vermelhos, a boca inchada e brilhante de saliva. Ele se sentou no chão, sem cerimônia, apoiando as costas na parede. Como se estivesse na própria casa.

— Vem cá.

— O chão?

— O que ele tem?

— É desconfortável.

— Exatamente.

— Isso não ajuda.

— Você é muito fresco.

— E você tem padrões muito baixos.

— Senta logo.

Acabei cedendo. A cerâmica fria dissipava o calor do dia. Leandro me beijou de novo, duro, provando a si mesmo na minha língua. Depois me virou e me empurrou para baixo, com força, mas sem brutalidade.

Caí de costas no piso, a cerâmica lisa contra as minhas escápulas, e Leandro se posicionou entre as minhas pernas. Foi quando ele teve a ideia de pegar um hidratante de Sandra, deixado sob a mesa, e espalhou nos dedos.

A preparação foi rápida. Um dedo entrando no meu cuzinho, meu músculo apertando e cedendo, depois dois dedos, esticando, preparando. Ergui os quadris, meus calcanhares cravando nas nádegas de Leandro, o puxando para mais perto.

— Vai — eu disse, a voz rachada.

Leandro alinhou o membro e empurrou. A penetração foi lenta, centímetro por centímetro dos dezessete, a cabeça passando pelo meu anelzinho apertado e deslizando para dentro. Prendi a respiração, os olhos apertados, as mãos agarrando os antebraços de Leandro. Quando Leandro estava completamente dentro, parou. Esperou. Relaxei aos poucos, meu corpo se adaptando, e então movi os quadris. Um sinal.

Leandro começou a bombear. A posição de papai e mamãe nos mantinha frente a frente, e Leandro podia ver cada expressão no meu rosto, a boca aberta, o suor escorrendo pela têmpora, os olhos vidrados.

Ele apoiou o peso nos braços, de cada lado da minha cabeça, e aprofundou as estocadas. O som de pele contra pele ecoava no escritório vazio, ritmado, constante. Envolvi a cintura de Leandro com as pernas, meus tornozelos cruzados nas costas dele, o puxando para mais fundo a cada movimento.

— Vira — Leandro ordenou, saindo de dentro de mim.

Obedeci sem hesitar. Me virei de quatro, meus joelhos se arrastando no chão liso, as mãos se apoiando na cerâmica gelada. Arqueei as costas, me oferecendo. Leandro se posicionou atrás de mim, as mãos agarrando os meus quadris com força suficiente para deixar marcas, e me penetrou de novo.

O ângulo era diferente, mais profundo, mais duro. Leandro bombeou com força, o quadril batendo contra as minhas nádegas, o som alto e carnal. Abaixei a cabeça, meus ombros tremendo, meus gemidos escapando sem controle. Minhas unhas arranhavam o chão, pressionando o piso sob as pontas dos meus dedos.

— Eu quero... — comecei, minha voz cortada pelas estocadas — Quero ficar por cima.

Leandro parou. Saiu de dentro de mim e se deitou no chão, as costas contra o chão frio e liso. Seu membro se ergueu, rígido, brilhando de hidratante, porra e meu fluido interno. Me levantei, as pernas instáveis, e me posicionei sobre Leandro. Uma perna de cada lado do quadril dele. Alinhei a pica de Leandro com a minha entrada e desci.

O controle era meu agora. Eu determinava o ritmo, a profundidade, a velocidade. Comecei devagar, subindo até quase sair e descendo de novo, engolindo a vara de Leandro inteira. Depois acelerei, meus quadris rodando, rebolando, encontrando o ângulo que fazia meu corpo estremecer.

Leandro agarrou meus quadris, os polegares cravando nos meus ossos, mas não tentou ditar o ritmo. Apenas observou, meu corpo se movendo sobre ele, o suor escorrendo pelo meu peito e pelo meu abdômen, meu pau balançando a cada movimento, duro e vermelho.

Aumentei o ritmo. Meus gemidos ficaram mais altos, mais desesperados, e Leandro soube que eu estava perto de gozar. Apertou os meus quadris com mais força e começou a bombear para cima, encontrando os meus movimentos, aprofundando a penetração.

Eu gritei, um som agudo, rouco, e gozei, o sêmen jorrando sobre o abdômen de Leandro em jatos quentes e espessos. Meu cuzinho apertou ao redor do cacete de Leandro, e isso foi suficiente. Leandro se enterrou fundo e gozou dentro de mim, o corpo inteiro tensionado, os dentes cerrados, o prazer explodindo em ondas quentes.

Caí sobre o peito de Leandro, nós dois respirando pesadamente, nossos corpos pegajosos de suor, saliva e sêmen. O chão era duro, desconfortável, liso e frio. Mas nenhum dos dois se moveu. Me deitei ao seu lado, minhas costas apoiadas no piso, as pernas esticadas. O escritório escuro, as luzes da cidade piscando pela janela. Por alguns minutos ficamos apenas ali, lado a lado. Sem tocar um no outro, sem precisar.

— Quando você for embora — disse Leandro de repente — Esse lugar vai ficar chato.

Meu coração tropeçou. A frase tinha sido dita olhando para frente, quase casualmente. Como quem comenta sobre previsão do tempo, mas eu conhecia Leandro o suficiente para saber que aquilo era muito mais do que parecia.

— O lugar ou eu?

Ele sorriu sem me olhar.

— Você faz pergunta difícil.

— Covarde.

— Talvez.

A resposta veio tão sincera que me pegou desprevenido. Pela primeira vez naquela noite, não vi o rapaz engraçado do galpão, nem o conquistador despreocupado, nem o homem que fugia de qualquer conversa séria. Vi apenas Leandro, cansado, confuso, tentando encontrar palavras que nunca aprendera a usar.

E talvez aquele fosse o verdadeiro centro da nossa história. Não o desejo, nem o segredo, nem o medo de sermos vistos. Mas o fato de que nós dois falávamos idiomas emocionais diferentes e, ainda assim, continuávamos tentando conversar.

Quando ele finalmente virou o rosto para mim, havia algo nos olhos dele que me fez esquecer completamente do bar, da cidade e do futuro. Algo que não precisava de definição, nem de promessa, nem de nome. Algo que apenas existia, silencioso. Como a noite, como o galpão, como tudo aquilo que ainda não sabíamos perder.

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