No escritório, a semana foi de muito trabalho. Auxiliados por três funcionários, eu e meu sócio tivemos que nos desdobrar para resolver diversas pendências dos clientes. Ao fim de cada dia, a gente trocava palavras de alívio e de estímulo.
— Vencemos mais uma vez, Henry. Amanhã, a gente volta com tudo ao ringue.
— Assim é a vida, Heitor. Cada dia, um nocaute, mas a gente continua de pé.
Antes de sermos sócios, eu e Heitor éramos irmãos. Eu montei o escritório e, um ano depois, firmamos a parceria. Unir nossos talentos foi a melhor decisão. Embora nova e pequena, nossa empresa de serviços contábeis estava se tornando uma referência em Aracaju.
No trabalho e na vida, Heitor e eu nos dávamos muito bem. Para a felicidade do nosso pai e da nossa mãe, mortos há alguns anos, estávamos fortalecendo mais e mais o nosso vínculo. Eu sempre ia à casa dele; gostava de conversar com Isa, a minha cunhada, e adorava brincar com Theo, o meu sobrinho de três anos.
Na sexta-feira, quando desligamos os computadores, eram quase dezenove horas. Na saída do prédio onde fica o escritório, Heitor me convidou para o almoço de domingo em sua casa. Passando o braço pelos ombros dele, pedi desculpas por não poder aceitar o convite.
— Eu adoraria, mas não vai dar. Marquei um encontro com um brother para o domingo. Não sei que horas estarei livre.
Para demonstrar que não ficou chateado com a minha recusa, Heitor mexeu nos meus cabelos e me deu um tapinha no peito. Andando na direção do carro, despediu-se dizendo que nosso almoço em família poderia ficar para outra oportunidade.
Erguendo o dedão, eu lhe desejei um ótimo fim de semana. Antes de dar a partida, ele atirou um grito para mim.
— Vai lá, Henryzinho. Divirta-se bastante com o seu amigo.
Às vezes, por ser o mais velho, Heitor me tratava como se eu fosse um garotinho. Rodando a caminho da minha casa, fiquei imaginando o que ele diria se soubesse que eu planejava passar o domingo com um amigo na intenção de quem andava batendo muitas belas punhetas. Seria mais ou menos assim: “Rapaz… lá vai você arranjar problema. Pensei que, depois de casado, você ia parar com esse negócio de trepar com machos. Já pensou se Rose descobre? Cuidado com a sua vida, Henry.”
Heitor estava com trinta e dois anos, três a mais que eu. Sempre tivemos muita cumplicidade, um confiava totalmente no outro. Para ele, nunca houve problema em ter um irmão que curtia transar com machos. Quando éramos novinhos, eu lhe contava algumas histórias sobre o que rolava nas minhas fodas com garotos. Com os olhos arregalados, ele fazia comentários engraçados.
— Maior que o seu, Henry? E você encarou pra valer? Não pediu arrego? Coragem do caralho!
Uma vez, ele me perguntou que gosto tinha uma foda entre dois marmanjos. Fazendo cara de inocente, dei uma resposta muito honesta.
— Só tem um jeito de saber: provando. Se quiser, posso botar uns amigos meus na sua mão. Eles vão enfiar você rapidinho no mundo da putaria entre caralhudos.
Fingindo ter ficado ofendido com essa sugestão, Heitor partiu para cima de mim. Dando socos de mentira na minha barriga, ele se esforçou para falar baixo. Nossa mãe estava na cozinha, ela nem suspeitava que os filhinhos travavam esse tipo de conversa.
— Que parada é essa, seu pau no cu? Ninguém vai me enfiar porra nenhuma não. Eu dou muito valor a quem curte essas ondas, mas não é a minha praia. Pica por pica, basta a minha.
Assim como eu, Heitor tinha os cabelos muito pretos e cacheados. O rosto dele era comprido e bonito, o corpo parecia de nadador profissional. Não era difícil imaginar que, por onde ele passava, muitos carinhas ficavam com a boca encharcada, a bunda agitada e a pica bruta. Pena que ele não levava jeito para uma transa com alguém que também tivesse rola. Dando-lhe um sorriso de anjo perdido, continuei a fazer provocações.
— Você não sabe o que está perdendo. Não tem coisa melhor que uma guerra entre espadas veiúdas.
Sem resistir ao meu jeito de garotão veado, ele me deu um abraço de quebrar os ossos. Atracados como se um quisesse matar o outro, a gente fez a maior algazarra. Assustada com o barulho, nossa mãe entrou no quarto e nos deu uns tapas. Em meio a muitas gargalhadas, explicamos que era só brincadeira. Sem desfazer a cara de raiva, ela perguntou se queríamos matá-la do coração.
Relembrando momentos divertidos que vivi com Heitor, fiz o trajeto até o condomínio. O apartamento estava às escuras, sinal de que Rose ainda não tinha chegado. No celular, havia uma mensagem.
“Estou num happy hour com o pessoal da corretora. O trabalho foi puxado, fiquei morta, vou dar uma relaxada. Chego já. Beijos, amor.”
A sensação de liberdade renovou o meu ânimo. Eu gostava da companhia da minha esposa, mas adorava ter o apê só para mim. No meio da sala, fiquei logo peladão. Com a rola dando pulos de alegria, coloquei a roupa suja no cesto da área, guardei minhas coisas no quarto e entrei no banheiro.
Cantando alto, demorei embaixo do chuveiro. Banho tomado, vesti uma cueca e parti para a cozinha. O jantar foi simples: pão com ovo e queijo. Deitado no sofá, mandei mensagem para o meu novo amigo. Todas as noites, a gente trocava ideias.
“E aí, Leandro? Chegou inteiro ao fim de semana? O que faz nesta sexta-feira?”
Olhando para o teto, fiquei fazendo carinho no caralho. Minutos depois, recebi um áudio.
“Fala, Henry. Estava me virando na cozinha, fiz umas panquecas ótimas. Minha mulher está num barzinho com o pessoal do trabalho. Acho que a sua também está lá, não é? Estou aqui numa boa. E você?”
Como estávamos os dois à vontade, fiz uma chamada de vídeo. Exibindo o peito nu, o bonitão surgiu na tela. Na maior cara dura, joguei uma conversinha mole para ele.
— Enquanto nossas mulheres se divertem por aí com os amigos, a gente tem que se contentar em se ver através de telas, não é? Queria provar sua panqueca, deve ser muito gostosa. Por que não me chamou para comer?
Captando o espírito da coisa, ele soltou uma gargalhada. Apreciando seus lábios grossos, os dentes grandes e a língua vermelha, tive vontade de meter a cara na tela e lhe dar um beijo de tirar o fôlego. Ao me imaginar recebendo uma mamada daquela boca suculenta, suspirei fundo. Com a safadeza brilhando no olhar, ele entrou na brincadeira.
— Só fiz três panquecas, comi tudo. Se você quiser, tenho aqui uma mais gostosa. Você quer?
Revirando os olhos, abri a boca para receber a panqueca dele. Rindo da nossa safadeza, Leandro mordeu o lábio e começou a mover o celular. A câmera capturou o peitoral dele, abriu uma panorâmica na barriga e deu close no volume dentro da bermuda.
Para que eu avaliasse o tamanho e a grossura, o gostosão deu uma pegada forte. Perdendo de vez a vergonha na cara, falei o que ele merecia ouvir.
— O negócio aí é pesado, hein? Dá pra ver que é taludo e cabeçudo. Sorte é pra quem tem.
Em vez de puxar a vara para fora, como eu desejava, ele meteu a mão dentro da bermuda. Observando os movimentos dos dedos dele por baixo do moletom, botei a mão em cima da minha cueca e fiquei espremendo a pica. Num tom arrastado, chamei sua atenção.
— Leandro…
— Que foi, Henry? Gostou não?
— Ainda pergunta? Olhe como você me deixou.
Cheio de orgulho, apontei a câmera para a minha picona modelada sob a cueca. Com empolgação, ele aprovou o meu dote.
— Já deu pra ver que, em matéria de caralhos, estamos bem servidos. Engraçado que nós nos conhecemos há uma semana e já estamos na maior putaria. Como pode isso, Henry? Você está me tirando do sério. Rapaz, que tesão é esse entre a gente?
Não era preciso eu dizer que ele também me tirava do sério, isso podia ser visto no meu sorriso frouxo. Nem quando era novinho, eu fiquei de quatro por um homem de forma tão instantânea.
Na noite em que fomos apresentados, vimos logo que tínhamos desejos parecidos. Ainda bem que Rose e Ester não perceberam o quanto brilharam os olhos dos seus maridos no momento em que um apertou a mão do outro. Foi tesão à primeira vista.
Cada um espremendo a pica, continuamos a conversa.
— Minha vida estava paradona, um marasmo da porra. Você já chegou dando uma sacudida e me tirando do eixo. Desde que os meus olhos bateram nos seus, voltei a ser um garotão que vive com os hormônios fervendo. Você abalou minhas estruturas, Leandro.
— Podemos ficar à vontade para falar tudo, não é? O tesão por você está nas alturas, a ponto de doer. Você imagina as punhetas que têm rolado por aqui? Esses nossos papos virtuais me dão um puta prazer.
A conversa estava tão inspirada, que o meu pau começou a babar. Além de ser um macho gostoso, Leandro era um cara muito legal. Seu jeito direto de falar me deixou todo solto. Não tinha nenhum menino nessa história; eu estava com vinte e nove anos, ele com trinta e um. Éramos homens feitos, um sabia bem o que queria do outro.
Esquecidos do mundo que girava ao nosso redor, conversamos por muito tempo. Nossas histórias eram parecidas. Ainda moleques, participamos de safadezas às escondidas com alguns amiguinhos. Na adolescência, tivemos as primeiras fodas pra valer com machos. Sem aprofundar o assunto, cada um falou sobre o caminho que seguiu até casar com uma mulher.
Nisso, também concordávamos: não era ruim ter uma esposa, não era um sacrifício ir para a cama com ela. Mas o convívio e a relação com uma mulher não era aquilo que mais nos dava prazer. Para encerrar esse assunto, ele declarou algo que também servia para mim.
— Casei muito novo, estava com vinte e três anos. Vivo com Ester há oito; nesse tempo, só me envolvi com homens umas três ou quatro vezes. Foi coisa sem importância, só curtição. Eu nunca colocaria minha cabeça a prêmio por causa de uma simples aventura. Mas sempre senti falta de um cara para namorar. É bom demais ter um grande amigo com quem a gente possa foder gostoso, sem complicação. Entende isso, Henry?
— Não só entendo, como adoro. Parece até que você roubou a minha história. Sinto tanta saudade do tempo em que tive namorados.
— Brother, a gente combina em tudo. Já vi que essa nossa amizade vai ser foda demais. Você está disposto a embarcar nessa viagem comigo?
Casado há seis anos, eu estava todo esse tempo sem um namorado. Era muito errado quebrar votos de fidelidade, mas eu pagaria o preço que fosse necessário para viver uma história com Leandro. Tomar essa decisão deixou o meu coração fora do ritmo, o corpo quente e o caralho agoniado.
— Já estou de mala pronta para embarcar com você.
— Senti firmeza, Henry. Vamos nessa, parceiro. Minha mala também já está arrumada. A filha da puta é pesadona. Você me dá uma mão pra carregar?
— Darei com alegria, mas também vou precisar de ajuda para carregar a minha. Você chega junto?
— Na hora! Indo ou voltando, nunca vamos perder viagem.
Através dos aparelhos, as gargalhadas de um ecoaram na casa do outro. De súbito, ele ficou sério e me deu um alerta com o olhar. Entendi logo: sua esposa havia chegado. No mesmo instante, encerrei a chamada e digitei uma mensagem.
“Domingo, a gente continua essa conversa. Um cheiro na pica, brother.”
Não precisava, mas ele mandou uma resposta.
“Nosso domingo vai ser foda. Beijo na bunda, safado.”
Essa conversa me deixou com a pica em ponto de bala. Sonhando com o beijo dele na minha bunda, fui para a cama.
Minha esposa não demorou a chegar. Enquanto se arrumava para dormir, ela comentou sobre o momento de descontração que teve com os colegas de trabalho. Entre nós dois, nunca houve ciúmes. Cada um tinha seu círculo de amizades e nem todos os nossos programas precisavam ser de casal.
Nua e com os cabelos soltos, Rose se deitou sobre o meu corpo, enfiou a língua na minha boca e meteu a mão na cueca. Por causa da conversa com Leandro, meu pau ainda estava duro e babado. Imaginando-se a dona do meu tesão, ela botou a cabeça no meio das minhas pernas e deu umas lambidas no meu talo grosso.
Minha mulher não gostava de me chupar; tinha ânsias de vômito. Acocorada em torno das minhas coxas, ela colocou a camisinha no meu caralho e botou a boceta em ação. De olhos fechados, dei-lhe uns tapas na bunda e me deixei devorar. Nessas horas, não é bom pensar em certas coisas, mas não consegui controlar. Fiquei até envergonhado por estar com outra pessoa na mente.
Sem ter como adivinhar o que se passava dentro de mim, Rose botou pra foder comigo. Há mais de duas semanas, a gente não trepava. A mulher estava na maior seca, comeu o marido com muito gosto. Saltando, rebolando e me chamando de macho safado e de puto caralhudo, ela extraiu o meu leite. A gozada me deixou mole de sono, mas ainda vi quando ela saiu de cima e desencapou o meu pau.
Acordamos tarde no sábado. O dia passou num piscar de olhos. À noite, enquanto jantávamos num restaurante perto de casa, surpreendi Rose com um convite.
— Amanhã cedo, vou caminhar na orla com Leandro. A gente tem conversado, ele também gosta de cuidar do físico ao ar livre. Disse que vai chamar Ester. Você vai com a gente, Rose?
Como se não tivesse me escutado, ela levou um sushi à boca e mastigou lentamente. Com o olhar de quem está saboreando a melhor coisa do mundo, debochou do meu filé com fritas. Só depois, lembrou-se de que eu esperava uma resposta.
— Caminhar na orla em plena manhã de domingo? Você e Leandro estão loucos, não é? Podem me deixar fora disso. Tenho certeza de que Ester também não vai. Amanhã, teremos plantão no stand do shopping; será o lançamento de um condomínio de casas.
Eu tinha certeza de que o convite não seria aceito, mas fiquei ainda mais aliviado por saber que ela e Ester passariam o domingo promovendo a venda de imóveis. Sendo assim, eu e Leandro teríamos o dia todo só para nós dois.
De volta ao apartamento, Rose foi logo para a cama. Ela queria dormir cedo, para acordar bem disposta. Até de madrugada, fiquei deitado no sofá da sala, pensando no rumo que minha vida estava seguindo. Eu estava sendo inconsequente, mas queria muito conhecer Leandro a fundo. Seria uma puta traição fazer isso com a minha parceira, mas o desejo de ir para a cama com um parceiro pulsava nas veias.
Empurrado pelas preocupações, andei até a sacada e contemplei a cidade adormecida. Julgando-me o pior dos maridos, fui para o quarto.
Rose estava dormindo. Sentindo seu cheiro doce, pensei em Leandro até pegar no sono.
Acordei com a consciência leve e cheio de disposição. Para não atrapalhar o sono de Rose, fui me arrumar no banheiro do corredor; eu sempre fazia isso. Usando tênis, short branco e camiseta lilás, pendurei minha bolsa no ombro e parti mundo afora. Eu morava na região da orla, dava para ir andando até o local onde marquei com o meu amigo.
De longe, vi Leandro. Exercitando-se numa barra, ele estava uma tentação. O short azul, com aberturas laterais, era meio transparente. A camiseta regata branca destacava o peitão e realçava os braços bem trabalhados. Sorrindo para mim, ele continuou a se exercitar. Sem dizer nada, joguei a bolsa na grama e me pendurei em outra barra. Como se fosse uma disputa, ficamos testando a resistência dos músculos.
Era por volta das oito da manhã, só estávamos nós dois naquela parte da orla. Depois de dar um giro, Leandro desceu da barra e, como se eu precisasse de ajuda, segurou nos meus quadris. Sentindo cócegas, dei um salto desajeitado e ficamos cara a cara.
Como se tivessem vontade própria, uma boca avançou contra a outra. Nosso primeiro beijo foi molhado, demorado e muito irresponsável. Estávamos num lugar público — e Aracaju não é maior que o mundo. De olhos fechados para todos os riscos, a gente saciou a sede nascida no momento em que nos conhecemos.
Com as mãos pousadas nos ombros de Leandro, suguei seus lábios vermelhos e bebi o seu cuspe. Com as mãos cravadas na minha cintura, ele chupou os meus lábios cor-de-rosa e botou a língua para brincar com a minha.
Aprisionadas nos shorts, as picas entraram em guerra. As safadas queriam se pegar ali mesmo. Faltando pouco para a gente morrer sem ar, interrompemos o beijo, mas continuamos com os corpos colados. Fingindo seriedade, falei a primeira frase do nosso encontro.
— Antes de qualquer coisa, bom dia, não é, doutor Leandro?
Mantendo-me preso, ele olhou ao nosso redor, para ter certeza de que não estávamos sendo observados. Alisando minha bunda, roçou o bigode na minha barba e esfregou o narigão no meu pescoço.
— Bom dia, Henry. Está cheiroso… Começamos bem.
Dando mordidinhas nos meus lábios, ele empurrou a língua sobre a minha. No nosso segundo beijo, as mãos de um pousaram na bunda do outro. Mesmo não sendo tão redonda quanto a minha, a bundinha dele era muito gostosa, fiquei com vontade de beijar, lamber, morder.
Estávamos tão grudados que, se alguém nos visse, não conseguiria saber quem éramos. Quando nos soltamos, ele me olhou da cabeça aos pés.
— Short curto… bunda bem feita… você é um espetáculo, Henry.
Passando uma mão boba na frente do short dele, devolvi os elogios.
— Olha só quem fala! Você é um cara lindo.
Feliz por estarmos juntos naquela manhã ensolarada, dei um beijinho no rosto dele, peguei a bolsa no chão e fiz um convite.
— Vamos caminhar, parceiro?
Fingindo estar cansado, ele deu o primeiro passo.
— Vamos lá. Foi para isso que viemos aqui. Ou não?
Dando um tapa na bundinha dele, iniciei a marcha. Sempre conversando, seguimos na direção dos lagos. O sol ficou mais forte e outras pessoas surgiram no calçadão. Com naturalidade, Leandro tirou a camiseta, pendurou-a no cós do short e, exalando testosterona, começou a exercitar os braços.
— Calor da porra, não é, Henry? Deixei o protetor no carro, tem algum aí na sua bolsa?
Minha bolsa era pequena, mas nela tinha muitas coisas: protetores, sabonete, pente, fones, creme dental, desodorante, escova de dente, preservativos, a porra toda. Deixando Leandro de boca aberta, tirei também a camiseta e ajeitei a pica dentro do short. Trocando olhares compridos, passamos o protetor no rosto, no peito e nas pernas.
Como bons amigos, cheios de más intenções, um passou protetor nas costas do outro. Ao arrumar o cós do short dele, botei a ponta do dedo na entrada do rego. Dando uma mexidinha na bunda, ele me repreendeu de mentira.
— Rapaz… comporte-se.
Antes de retomar a caminhada, passamos protetor labial. Sorrindo das nossas caras pintadas de branco, a gente se misturou com o pessoal que também estava exercitando as canelas.
Depois de muito andar, sentamos num banco para tomar água de coco. Olhando o povo bonito que andava pra lá e pra cá, ficamos conversando umas bobagens muito aleatórias.
— Seu nome é Henry mesmo?
— Henry sim, nada de Henrique. Adoro o meu nome. Tenho um irmão chamado Heitor. Um dia, você vai conhecer.
Falei isso sem pensar. Em outros tempos, eu não teria problemas em apresentar o meu parceiro ao meu irmão, mas agora era diferente. Por ser amigo da minha esposa, Heitor talvez não quisesse aproximação com o meu namorado, para não parecer que era cúmplice na traição.
— Vai ser legal conhecer o seu irmão. Gostei dos nomes: Heitor e Henry. No meu caso, sou filho único, fui muito mimado. Quando era pequeno, minha mãe e meu pai me chamavam de Andro. Às vezes, de Andrinho.
— Andro... Gostei, combina com você. Posso chamar assim?
Pegando nas minhas mãos, ele analisou o brilho das nossas alianças. Dando um aperto nos meus dedos, falou muito sério.
— Agora, só você pode me chamar assim. Eu sou o seu Andro e você é o meu Henry.
Ele falou isso de um jeito tão bonito, que eu me derreti todo. Emocionado, eu o abracei e um ficou com a cabeça apoiada no ombro do outro. Depois desse instante de paixão entre amigos, fomos guardar nossas coisas no carro, para dar um mergulho.
Ao tirarmos os shorts, um ficou de queixo caído para o outro. De sungas, éramos o pecado em estado puro. Por pouco, não cometemos um atentado ao pudor. Conversando sobre alguns assuntos da vida prática, conseguimos derrubar a excitação e partimos para o mar.
Entre as ondas, a gente se perdeu e se reencontrou. De volta à areia, tomamos uma chuveirada e fomos procurar um lugar para almoçar.
Num restaurante cheio de turistas, comemos uma bela salada com uma carne de sol dos céus. Sem pressa, tomamos um suco de caju e ficamos conversando sobre contabilidade e advocacia. Na hora de irmos embora, Leandro se adiantou para pagar a conta. Sem palavras, só com o sorriso, eu disse que a próxima seria minha.
A tarde estava pela metade, havíamos andado muito, precisávamos de um pouso. Trancados no carro, a gente se entregou ao prazer do ar-condicionado. Passando a mão na minha coxa, Leandro falou aquilo que eu iria dizer.
— Nossa caminhada foi melhor do que a gente podia ter imaginado. Há muito tempo, não me sinto tão leve. Valeu, Henry. Você é um parceirão.
Para não repetir essas palavras, botei a mão na coxa dele e lhe dei na boca um beijo de amigo. Chupando a minha língua, ele botou a mão dentro da minha sunga e pegou na minha pica. Sem perder tempo, fiz o mesmo com a dele.
Respirando no mesmo ritmo, cada um usou a mão para avaliar a grossura, a textura e a rigidez do caralho do outro. Com os olhos vermelhos, Leandro soprou palavras no meu rosto.
— Porra, Henry.
Meus olhos estavam ardendo e o coração descompassado. Fechando os dedos em torno da pica dele, sussurrei o tesão.
— Caralho, Andro. Gostoso demais…
O ar estava frio, mas nós estávamos pegando fogo. Sufocadas nas sungas e espremidas por dedos experientes, as rolas babavam sem parar. Com uma brotheragem gostosa dessas, ficamos a um passo de gozar.
O carro estava num lugar distante do calçadão, mas por ali passavam algumas pessoas. Lutando contra o tesão, interrompemos o beijo e, com a cabeça dobrada para cima, esperamos que a respiração voltasse ao normal. Olhando no fundo dos meus olhos, ele se mostrou preocupado.
— Você acha que estamos indo depressa demais, Henry?
Segurando o olhar dele, pensei um pouco no quanto minha vida havia mudado em apenas uma semana. Ansioso para me perder de vez, falei com a voz trêmula.
— Há várias pousadas por aqui…
Abrindo o sorriso, ele apontou para um outdoor ao longe: havia um novo motel naquela região. Rindo dessa coincidência, apontei na direção do outdoor.
— Siga para lá. Adoro novidades, Andro.
Calado, ele fez as manobras para sair do estacionamento. Quando o carro começou a avançar rumo ao nosso destino, ele lançou um olhar esfomeado para mim.
— Vamos viver, Henry. A gente é foda pra caralho.