A lição de humildade - treinamento do hetero top - Parte 2

Um conto erótico de RICK_XES
Categoria: Gay
Contém 2572 palavras
Data: 09/06/2026 09:27:01

O fim de semana desdobrou-se diante de André como um deserto árido e interminável. A sexta-feira à noite, a sessão com Ricardo, ecoava em sua mente num loop perturbador, uma fita de vídeo pornográfico e humilhante que ele não conseguia desligar. Em casa, o silêncio do seu apartamento moderno e espaçoso, antes um símbolo de seu sucesso precoce, tornara-se um inimigo. Cada ranger do piso, cada sopro de vento contra a janela, era um lembrete da solidão em que agora se afogava.

Na sexta noite, ele tentou. Deitou na cama, a pele ainda cheirando vagamente ao colónia amadeirado de Ricardo, à sua própria transpiração. Fechou os olhos e tentou pensar nas mulheres que ele já tinha fodido, nos seios firmes de Helena, na bunda arredondada de Carla, nos gemidos que ele conseguia arrancar delas. Mas as imagens desfocavam-se, dissolvendo-se como tinta na água. No seu lugar, surgiam os olhos castanhos e penetrantes de Ricardo, a forma como a sua mão segura e cruel o agarrara pelo queixo, a voz baixa e comandante a dizer-lhe "não". O seu próprio corpo traía-o. O pau, que ele esperava que relaxasse, ficava duro como aço, uma ponta de dor e desejo pulsando contra o elástico das suas boxers. Ele fez uma punheta, rápida e raivosa, imagens de Ricardo a forçá-lo de joelhos a invadirem a sua mente. O orgasmo, quando chegou, foi seco, insatisfatório, uma contração muscular vazia que não trouxe alívio, apenas uma onda de náusea e uma certeza ainda mais forte de que alguma coisa nele se tinha quebrado e sido remoldada.

O sábado foi uma perambulação pelo apartamento. Ele mal comeu. O café tinha gosto de cinza. Olhou-se ao espelho do banheiro e viu um estranho. O mesmo rosto bonito, o mesmo corpo atlético, mas havia algo novo nos seus olhos azuis, uma sombra de ansiedade, uma vulnerabilidade que ele odiava. Passou horas no ginásio, tentando esmagar a sensação com levantamentos de peso e corridas na passadeira até os pulmões arderem. O suor escorria pelo seu corpo, mas não lavava a sensação do olhar de Ricardo sobre a sua pele. Ele sentia-o ainda, um peso fantasma, uma avaliação constante.

Domingo foi pior. O pensamento da segunda-feira era uma constipação no seu peito. O escritório. Ricardo. O "treinamento". O que é que viria a seguir? A incerteza era uma forma de tortura. Ele imaginou cenários, todos eles mais humilhantes e excitantes que o anterior. Ricardo a obrigá-lo a ficar nu o dia todo no escritório. Ricardo a usá-lo como um objeto. Ricardo a partilhá-lo com outros homens. Cada pensamento era uma faca de dois gumes, misturando pânico com uma ereção dolorosa e persistente. Ele não dormiu. Passou a noite a olhar para o teto, o som da sua própria respiração alto no silêncio, o seu corpo tenso como um arco, esperando um impacto que não chegava.

Na segunda-feira de manhã, André sentia-se como um zumbi. A camisa de algodão, normalmente perfeitamente ajustada para realçar os seus peitorais, parecia uma camisa-de-forças. A gravata apertava-lhe o pescoço. A caminhada até ao escritório, que costumava ser um desfile da sua masculinidade, uma oportunidade para sentir os olhares de desejo das mulheres na rua, foi uma marcha forçada. Ele não via ninguém. A sua cabeça era uma caixa de eco com os comandos de Ricardo.

Ao entrar em "Soluções Estruturais", o habitual burburinho de boas-vindas, os sorrisos tímidos, os olhares cúmplices das colegas, não aconteceram. Houve um silêncio momentâneo, seguido por sussurros. André sentiu o peso daquele silêncio como uma condenação. Ele não era o deus do escritório essa manhã. Era um fantasma. A sua postura estava encurvada, os ombros ligeiramente caídos. A sua energia, que antes irradiava dele como o calor de uma fogueira, estava extinta. Ele foi diretamente para a sua mesa, evitando o contacto visual, a seu habitual pose de conquistador substituída por uma necessidade desesperada de se tornar invisível.

Mas a invisibilidade era um luxo que ele não tinha. Desde o primeiro momento, ele sentiu-o. O olhar. Ricardo tinha mudado a sua mesa. Em vez de ficar no seu gabinete privado com a porta de vidro fechada, ele tinha mandado montar a sua estação de trabalho num canto estratégico do piso principal, um lugar que lhe dava uma vista desobstruída de toda a sala de estagiários e, especificamente, da mesa de André. Não era sutil. Era uma declaração. Eu estou a ver-te. Estás sob o meu controlo.

André sentiu aquele olhar como um raio laser no seu pescoço. Cada movimento que ele fazia — pegar numa caneta, virar uma página de um relatório, beber um gole de água — era agora uma performance para um público de um. A pele nas suas costas arrepiava-se. O seu coração batia um pouco mais depressa. A ansiedade, que já era uma nódoa no seu peito, espalhou-se, fria e viscosa, por todo o seu corpo.

Paradoxalmente, o medo funcionou como um foco. O trabalho, que antes era uma chatice a ser ultrapassada com charme e um mínimo de esforço, tornou-se o seu único refúgio. Ele mergulhou nos cálculos estruturais, nos desenhos de CAD. A precisão das linhas, a lógica dos números, era um antídoto para o caos na sua cabeça. Ele encontrou erros nos seus próprios projetos que antes teria ignorado, e corrigiu-os com uma meticulosidade obsessiva. A sua produtividade duplicou. A sua qualidade de trabalho melhorou visivelmente. Ele estava a tentar ser bom. Tão bom que Ricardo não tivesse motivo para o chamar, motivo para o "treinar" novamente.

A meio da manhã, Carla, a secretária de Ricardo, aproximou-se timidamente. Ela colocou uma pilha de correspondência na mesa ao lado dele. "André?", ela começou, a sua voz baixa e cheia de preocupação. "Estás tudo bem? Estás... muito calado hoje."

André não levantou os olhos do monitor. "Estou a trabalhar, Carla. Há muito para fazer." A sua voz era plana, sem o calor sedutor que ele normalmente usava com ela.

Ela hesitou. "Só... pareceu abatido. Na sexta-feira, quando saíste..."

Ele finalmente olhou para ela, mas o olhar não era o de costume. Não havia brilho de caça, apenas um cansaço profundo e um fogo selvagem nos seus olhos azuis. "Abatido? Não. Apenas focado." Ele olhou-a de cima a baixo, um gesto rápido e depreciativo. "Percebi algumas coisas este fim de semana. A maior parte do ruído à minha volta é só isso: ruído. Uma perda de tempo."

Helena e Fernanda, que estavam perto, ouviram a conversa e aproximaram-se, atraídas pelo drama. "Que tipo de ruído?", perguntou Helena, a sua timidez momentaneamente superada pela curiosidade.

André encostou-se para trás na cadeira, um vislumbre do seu antigo ego a surgir. Ele passou a mão pelo cabelo loiro, o gesto automático e confiante. "Mulheres que pensam que são um prémio," disse ele, a sua voz agora carregada de um desprezo cortante. "Que pensam que um sorriso e um rabo apertado são o suficiente para prenderem um homem como eu. A verdade é que a maioria de vocês é... previsível. Fácil. Não valem o meu tempo."

O silêncio que se seguiu foi pesado. Carla pareceu ferida. Helena ficou com a boca aberta, chocada. Mas Fernanda, que sempre o desprezara, cruzou os braços e um sorriso cínico tocou os seus lábios. As outras mulheres, que tinham ouvido à distância, reagiram de forma diferente. Em vez de se afastarem, magoadas, uma faísca de desafio acendeu-se nos seus olhos. O seu rejeitá-las publicamente, em vez de as diminuir, inflamou-as. A vaidade é uma coisa estranha. Ser descartado por um homem que todos desejavam não era uma humilhação; era um desafio. Quem é ela para não valer o teu tempo? Eu mostro-te que valho.

Mas enquanto André pronunciava aquelas palavras de arrogância, a sua verdade estava noutro lugar. O seu olhar desviou-se por uma fração de segundo, inconscientemente, na direção do canto onde Ricardo estava sentado. Ricardo não estava a olhar para o seu ecrã. Estava a olhar diretamente para ele, a sua expressão inescrutável, um copo de café preto na mão. O olhar de Ricardo não era de aprovação ou desaprovação. Era simplesmente... observação. E nesse olhar, André sentiu a verdadeira razão para a sua nova postura. Não era uma epifania sobre o seu valor. Era medo. Era a necessidade de cumprir, de ser o aluno estrela, de evitar o tipo de "atenção extra" que Ricardo lhe podia dar.

Ele sabia que era um mentiroso. As mulheres do escritório ainda o desejavam, ele ainda as cobiçava. O seu olhar sobre elas, quando elas não estavam a olhar, ainda era de um predador a avaliar a presa. Ele via a curva da anca de Helena quando ela se inclinava para apanhar uma caneta, via o decote de Carla quando ela se curvava sobre a sua mesa. As imagens ainda surgiam na sua cabeça, fantasias de as dobrar sobre as suas secretárias, de as fazer gritar o seu nome. Mas agora, cada fantasia era manchada pela imagem de Ricardo. E se Ricardo o visse a olhar? E se Ricardo o punisse por olhar?

A ansiedade era um companheiro constante. Era a mão de Ricardo invisível no seu ombro, guiando-o, corrigindo-o. Ele sentia-se como uma marionete, e Ricardo, sentado no seu trono no canto, segurava todas as cordas. Cada vez que ele ia à máquina de café, sentia o peso daquele olhar. Ele não flertava com a nova estagiária do departamento de marketing como teria feito uma semana antes. Ele pegou no seu café e voltou para a sua mesa, com a rapidez de um homem a fugir de um crime.

Ao longo do dia, a tensão dentro dele cresceu. A sua concentração no trabalho começou a falhar. Os números nos ecrãs transformaram-se em formas sinuosas, lembrando-o do contorno do corpo de Ricardo sob a sua camisa. Ele começou a suar, não por causa do calor do escritório, mas por um calor interno, uma memória de como Ricardo o tinha tocado, como o tinha examinado como se ele fosse um animal. O seu pau começou a inchar na sua calça, uma resposta traiçoeira à humilhação e ao controlo que ele odiava e ansiava simultaneamente. Ele teve que se inclinar para a frente, a fingir examinar de perto um desenho, para esconder a ereção crescente.

Por volta das quatro da tarde, ele não aguentava mais. Ele precisava de fugir, mesmo que por cinco minutos. Levantou-se e caminhou para a casa de banho dos homens. O espaço era branco e frio, com o cheiro de desinfetante e de urina. Ele foi até ao lavatório, abriu a torneira e deixou a água fria escorrer sobre as suas mãos. Olhou para o seu reflexo no espelho. O seu rosto estava pálido, com sombras escuras sob os olhos. Os seus lábios estavam apertados numa linha fina. Ele via o arrogante que ele projetava, e via o cão amedrontado que ele se tinha tornado.

"Fodido," ele sussurrou para o seu próprio reflexo, a voz um rosnado baixo. "Que caralhos te fez a ele?"

Mas ele sabia a resposta. Era tudo. O poder, a confiança, a forma como Ricardo não tinha pedido, tinha tomado. A forma como o tinha deixado à beira do orgasmo, um mendigo de prazer, e depois lhe tinha virado as costas. Ninguém jamais o tinha tratado assim. Ninguém jamais o tinha controlado. E por alguma razão patética e doentia, o seu corpo respondia a isso. O seu pau estava duro como uma rocha na sua calça, um testemunho mudo da sua submissão.

Ele ouviu a porta da casa de banho abrir e o seu corpo congelou. Foi um pânico irracional, um medo de que fosse Ricardo. Mas era apenas outro engenheiro, um homem mais velho chamado Silva, que entrou, foi a um urinol, fez o seu negócio e saiu sem dizer palavra. Durante todo o tempo, André ficou parado, o coração a martelar contra as suas costelas, a respiração suspensa. Quando a porta se fechou, ele soltou o ar que não sabia que estava a reter.

Ele tinha que sair dali. Tinha que ir para casa. Ele não podia aguentar mais um minuto sob aquele olhar. Ele voltou para a sua mesa, a sua mente a girar. Ele começou a arrumar as suas coisas, os seus movimentos bruscos e desajeitados. Ele ia simplesmente embora, sem dizer nada. Faltar ao trabalho, ser castigado depois, qualquer coisa era melhor do que isto.

Mas quando ele pegou na sua pasta, o seu olhar encontrou-se novamente com o de Ricardo. Ricardo não estava a olhar para o seu ecrã. Não estava a beber o seu café. Estava a olhar diretamente para ele, e desta vez, ele fez um gesto. Um pequeno aceno com a cabeça, em direção ao seu gabinete. Não era um pedido. Era uma ordem.

O sangue de André gelou. A ereção morreu, substituída por um medo gelado que o fez tremer. Ele estava preso. A caixa de eco na sua cabeça gritou: 'Treinamento. Isto é parte do treinamento.' Ele devolveu a pasta à secretária com um movimento lento e deliberado. Ele não podia fugir. Teria de enfrentar.

Ele caminhou em direção ao gabinete de Ricardo, o escritório inteiro a assistir em silêncio. Cada passo era pesado como chumbo. Ele sentia os olhos de todos sobre ele — Carla, Helena, Fernanda, as outras mulheres cuja curiosidade ele tinha atiçado, os homens que o desprezavam ou o invejavam. Eles não sabiam o que se estava a passar, mas sentiam a mudança no poder. O predador estava a ser chamado à toca do dono.

Ele entrou no gabinete e fechou a porta atrás de si, o clique do fecho soando alto como o de uma cela de prisão. Ricardo estava de pé, ao lado da sua secretária, olhando para as vistas da cidade ao fim da tarde. Ele não se virou.

"André," disse ele, a sua voz calma e casual. "O teu trabalho hoje melhorou. Estás focado."

André permaneceu em silêncio, as suas mãos a suar. Não sabia o que dizer. "Obrigado" parecia inadequado. "Eu tentei" parecia patético.

Ricardo finalmente se virou. O seu rosto estava em sombra, mas os seus olhos brilhavam. "A arrogância que mostraste lá fora... com as mulheres... foi interessante."

André engoliu em seco. "Eu..."

"Não foi o que te ensinei," continuou Ricardo, cortando-o. "Mas serviu a um propósito. Mostrou que ainda és o mesmo homem. Um cão que late, mas que agora sabe quem tem a coleira."

Ele deu um passo em direção a André. O ar no gabinete pareceu engrossar, a carregar-se com eletricidade. André podia sentir o calor do corpo de Ricardo, cheirar o seu perfume, o café. O seu próprio corpo começou a responder, a traiçoeira mistura de medo e desejo a atormentá-lo novamente.

"O treinamento não é só sobre o trabalho, André," disse Ricardo, a sua voz agora um sussurro baixo que roçou a pele de André. "É sobre controlo. O meu controlo. O teu rendimento hoje foi bom. Mas a tua atitude... essa ainda precisa de trabalho."

Ele parou a poucos centímetros de André. Tão perto que André podia sentir a respiração de Ricardo no seu rosto. Ele estava preso, o seu corpo tenso, a sua mente em pânico, esperando. Esperando o toque, a ordem, a próxima lição naquela aula de submissão forçada que ele nunca soube que queria frequentar. O fim de semana tinha sido o prólogo. A segunda-feira, o ato. E isto, aqui e agora, era o início do segundo ato. E André, apesar de todo o seu ódio e medo, estava irremediavelmente, dolorosamente, pronto para aprender.

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