O jogo de truco continuou por quase uma hora e meia.
Seu Augusto era implacável. Ele jogava com uma calma fria, quase cirúrgica — como se já soubesse o resultado antes das cartas serem viradas. Cada mão era dominada por ele. Zap na hora certa, manilhas escondidas, blefes perfeitos que faziam Barreto e Ricardo suarem. Ganhamos todas as 5 partidas. Cada vitória era silenciosa, sem comemoração exagerada. Apenas um leve aceno de cabeça dele, como se estivesse confirmando algo óbvio.
Quando a última mão terminou, os homens se reuniram no deck principal como um ritual silencioso. Alguns ainda nus, corpos suados brilhando sob as luzes baixas do iate. Outros já vestidos, mas com camisas abertas, gravatas frouxas. Não tinha mais mulheres. Não tinha mais gemidos. Só um bando de homens ricos, bebendo whisky caro, acendendo cigarros cubanos, conversando em voz baixa sobre negócios, poder e segredos.
Eu estava enjoado daquilo tudo. O balanço suave do mar, o cheiro forte de tabaco, álcool e sexo ainda no ar. Mas eu queria observar. Queria entender o jogo real.
Seu Augusto se levantou devagar. Deu alguns toques leves no meu ombro, quase paternal, e disse baixo, só pra eu ouvir:
— Lembre-se do jogo, Matheus. Sempre um passo à frente.
Ele se retirou, descendo para o interior do iate com passos calmos e seguros. Frio. Inteligente. Todos ali o temiam. Desviavam o olhar quando ele passava. Menos eu. Eu sempre o observava.
Ricardo sentou ao meu lado, acendendo um cigarro.
— Parece que ele gosta de você — disse ele, referindo-se a Seu Augusto, com um tom quase invejoso.
Eu não disse nada. Apenas acenei com a cabeça.
Depois perguntei, voz baixa:
— Ele é o chefe?
Ricardo riu baixo, soltando fumaça para o mar escuro.
— A Seita não tem um chefe. São 27 pessoas no mundo todo que chegam ao grau máximo. Grau 99. Seu Augusto é um deles. Pra chegar lá, precisa de influência, poder, inteligência. Muita inteligência. Anos de dedicação. Sacrifícios.
Eu senti um frio na espinha. Olhei para o mar negro, sentindo o vento gelado bater no rosto.
— Tem 27 no Brasil?
Ricardo balançou a cabeça.
— No Brasil não. No mundo.
Eu percebi, naquele momento, que aquilo era muito maior do que eu imaginava. Uma rede global. Poder real. Antigo. Inatingível.
E naquele instante, eu entendi claramente:
Não conseguiria vencer.
Vencer já não era uma opção.
Então pensei: se não posso vencer, preciso dominar. Subir. Chegar o mais alto possível.
Olhei para o mar escuro, o cigarro queimando entre meus dedos sem sequer eu fumar.
A noite no iate seguia. Os homens riam, bebiam, faziam planos. Eu fiquei ali, em silêncio, sentindo o peso da decisão.
Eu ia subir.
Custasse o que custasse. Acordei no outro dia sobressaltado com batidas firmes na porta do meu quarto no iate.
Ainda estava escuro lá fora. O relógio marcava 6h47. Levantei, corpo dolorido da noite anterior, e abri a porta.
Era a esposa de Barreto — Lucia.
Ela estava parada no corredor, usando um robe curto de seda preta, cabelo loiro solto, maquiagem leve. Olhou para os lados do corredor vazio e pediu baixinho:
— Posso entrar?
Eu hesitei por um segundo, mas abri espaço. Ela entrou rapidamente e fechou a porta atrás de si.
Olhou ao redor do quarto luxuoso — cama king size desarrumada, banheira de hidromassagem privativa no canto, vista para o mar através da grande janela.
— Que quarto chique que te colocaram… tem até banheira particular — disse ela, com um sorriso leve.
Eu ri, ainda sonolento.
— Nem deu tempo de usar. Estava tão cansado ontem…
Ela me olhou de cima a baixo, o sorriso mudando para algo mais predatório.
— Tudo bem… acho que temos um tempinho agora.
Sem dizer mais nada, ela soltou o robe. O tecido deslizou pelo corpo dela e caiu no chão.
Lucia estava nua.
Era uma visão impressionante. Aos 42 anos, o corpo parecia esculpido — seios grandes, siliconados, firmes e empinados, com bicos rosados. Barriguinha levemente definida, cintura fina, quadril largo e uma bunda grande, redonda, perfeita, sem uma marca de celulite. Pernas longas, pele bronzeada. Parecia uma boneca de luxo. Não aparentava a idade que tinha.
Ela percebeu meu olhar e sorriu.
— Meu nome é Lucia. Trabalhei como atriz antigamente… fazia papéis em novelas famosas. Desta vez… quero ser bem mais sexy que ontem.
Meu pau reagiu imediatamente, endurecendo dentro do short.
Ela se aproximou, tirou meu short com as duas mãos e segurou meu pau grosso.
— Você tem um pau enorme… Ontem eu estava me controlando. Hoje eu quero ele inteiro em mim. Com violência.
Ela me empurrou para a cama. Eu caí de costas. Lucia subiu em mim, montando meu colo, e começou a se esfregar na minha rola dura, molhando tudo com a buceta já encharcada.
— Me fode como uma puta que gosta de ser fodida com violência — sussurrou ela no meu ouvido.
Eu segurei a cintura dela coloquei a camisinha e meti fundo de uma vez. Lucia soltou um gemido rouco, cravando as unhas nos meus ombros.
— Isso… assim… me rasga…
Comecei a socar forte, segurando a bunda grande dela, metendo até o talo. O quarto encheu com o barulho molhado de carne contra carne. Lucia rebolava com força, seios balançando, gemendo alto.
— Mais forte! Me arrebenta! Eu aguento porra!
Eu metia com violência, socando fundo, dando tapas na bunda dela. Lucia gritava de prazer, o corpo suado colado no meu.
Depois de uns minutos, eu a virei de quatro na cama e meti novamente, segurando o cabelo loiro como rédea. Metia com tudo, o pau entrando e saindo rápido, batendo fundo. Lucia gemia como uma louca, empinando a bunda, pedindo mais.
— Isso! Me arromba! Sou sua puta hoje garoto!
A camisinha que eu tinha colocado estourou no meio da foda. Senti o calor da buceta dela direto na pele.
Lucia percebeu e riu, voz rouca de tesão:
— Continua… goza dentro se precisar… só não para!
Eu meti mais forte, sem proteção, socando fundo. Lucia tremia, gozando forte, apertando meu pau.
— Aaaahhh… tá enchendo tudo… goza mais… me enche!
Gozei violento dentro dela, jatos grossos enchendo a buceta. Lucia gemeu alto, o corpo convulsionando.
Sem tirar, eu a carreguei para a banheira de hidromassagem. Liguei a água quente. Coloquei ela de quatro na borda da banheira e meti novamente, agora no cu. Lucia gritou de prazer ao ser penetrada analmente.
— No cu… me fode no cu… com força!
Eu meti com brutalidade, segurando a cintura, socando fundo. A água quente batia nos nossos corpos. Lucia gemia alto, sem medo de ser ouvida.
— Isso… me destrói… me usa… sou sua puta muleque!
Meti sem parar, alternando a velocidade no cu, dando tapas fortes na bunda dela. Lucia gozou várias vezes, o corpo tremendo, voz rouca de tanto gritar.
Depois de quase uma hora, caímos exaustos na banheira, água quente batendo, corpos suados e melados.
Lucia encostou a cabeça no meu peito, respirando pesado.
— Você fode como um animal… — murmurou ela, sorrindo satisfeita.
Eu fiquei em silêncio, olhando para o teto do banheiro, sentindo o peso de mais uma linha cruzada.
Ficamos um pouco mais ali na banheira, a água quente batendo nos nossos corpos suados. Lucia respirava pesado, encostada no meu peito, os seios grandes subindo e descendo. Ela me deu um beijo lento no pescoço, quase carinhoso, e se levantou.
— Foi diferente com você — murmurou ela, vestindo o robe. — Eu realmente gostei.
Ela se vestiu rapidamente e saiu do quarto sem dizer mais nada. Eram quase 9h da manhã.
Eu fiquei mais alguns minutos na banheira, tentando processar tudo. A foda com Lucia tinha sido diferente das outras. Mais natural. Menos cruel. Eu realmente tinha gostado. Isso me assustava.
Saí do quarto e fui para o deck principal.
O que vi foi uma suruba épica.
Os 14 homens estavam espalhados pelo deck, alguns nus, outros ainda com calças abaixadas. O ar cheirava a sexo, suor, porra e champanhe derramado. Gemidos, tapas, risadas roucas enchiam o ambiente.
No centro de tudo, Aline estava nua, linda e fria, comandando como uma rainha. Ela não participava diretamente — apenas observava, dava ordens, sugeria posições. O corpo mestiço brilhava de suor, seios firmes, bunda empinada. Ela mexia no celular discretamente de vez em quando, mas ninguém ousava reclamar.
Edna e Sarita eram o foco principal.
Edna estava de quatro no meio de um círculo de homens. Três paus ao mesmo tempo: um na buceta, um no cu, outro na boca. O corpo dela balançava violentamente a cada estocada. A bunda grande tremia, marcas vermelhas de tapas por toda parte. Ela gemia abafado, baba escorrendo do queixo, olhos semicerrados. Outro homem masturbava na frente dela, gozando no rosto dela.
Sarita estava ao lado, sentada no colo de um homem, cavalgando com força enquanto outro metia no cu dela. A bunda grande subia e descia, os seios balançando. Ela gemia alto, suada, o corpo maduro brilhando.
As novinhas — Tamires, Jéssica, Larissa, Vitória e Camila — estavam espalhadas pelos sofás e colchões no deck. Todas sendo fodidas ao mesmo tempo. Tamires de quatro, gritando enquanto dois homens revezavam na buceta e no cu. Jéssica cavalgando um, chupando outro. Era insano — corpos suados se chocando, gemidos ecoando, porra escorrendo por todo lado.
Neguin e Paulo chegaram correndo do outro lado do deck e se juntaram imediatamente. Neguin pegou Sarita, metendo com força na buceta dela. Paulo foi pra Edna, enfiando no cu enquanto outro homem estava na boca dela.
Aline, nua no meio de tudo, dava ordens com voz firme:
— Mais fundo nela… abre essa bunda… faz ela engolir tudo… isso, assim…
Ela se aproximou de Sarita, que gemia como louca, e passou um pouco de pó branco na mão dela. Sarita cheirou sem hesitar. Em segundos, os olhos dela brilharam. Ela ficou selvagem.
— Mais rola… me enche… quero dois na buceta ao mesmo tempo!
Os homens riram e tentaram. Dois paus grossos forçaram a entrada da buceta dela. Sarita gritou de prazer, rebolando, pedindo mais.
— Isso… me arromba… sou a puta da vez!
Eu observava tudo, pau duro novamente, mas com um vazio no peito. O iate seguia navegando, o mar calmo ao redor, enquanto dentro dele acontecia uma orgia sem limites.
Aline me olhou de longe, com aquele ódio controlado, e sorriu de canto. A suruba continuou por mais quase uma hora, intensa e sem freios.
Os homens, agora completamente soltos, revezavam entre as mulheres como se fossem objetos. Edna estava no centro do deck principal, de quatro, sendo fodida por três homens ao mesmo tempo — um na buceta, um no cu, outro na boca. O corpo dela balançava violentamente, a bunda grande tremendo a cada estocada forte. Ela gemia abafado, baba escorrendo do queixo, olhos semicerrados de exaustão. Outro homem gozou no rosto dela, jatos grossos pintando a maquiagem borrada.
Sarita, ao lado, estava cavalgando um homem enquanto outro metia no cu dela. A bunda grande subia e descia com força, os seios balançando. Ela gemia alto, suada, o corpo maduro brilhando. Depois de gozar, os homens tiraram as camisinhas e jorraram nela — no rosto, nos seios, na barriga, nas coxas. Sarita esfregava a porra na pele, como se aquilo a excitasse ainda mais.
As novinhas estavam espalhadas pelos sofás e colchões. Tamires chorava baixinho enquanto dois homens revezavam na buceta e no cu dela. Jéssica estava de joelhos, chupando dois paus ao mesmo tempo, baba escorrendo. Larissa, Vitória e Camila sofriam o mesmo destino — gemidos misturados com choro, corpos jovens sendo usados sem piedade.
No final, os homens gozaram quase todos ao mesmo tempo. Tiraram as camisinhas e jorraram nos rostos e corpos delas. Jatos grossos e brancos de porra explodiram na pele jovem delas. Edna ficou com o rosto, seios e barriga melados. Sarita estava coberta da cabeça aos pés. As novinhas pareciam estátuas brancas, gozo escorrendo pelos cabelos, seios, barrigas e coxas.
As mulheres estavam arrebentadas literalmente.
Algumas mal conseguiam andar. Tamires precisou ser ajudada por Jéssica para se levantar, pernas tremendo, lágrimas escorrendo. Larissa chorava baixinho, encolhida. Vitória e Camila estavam em silêncio, olhares vazios. Sarita, ainda sob efeito da droga, queria mais — murmurava pedindo rola, mas o corpo dela mal respondia. Edna observava tudo em silêncio, sentada no sofá, gozo escorrendo dela, o olhar distante, como se a alma tivesse saído do corpo.
Aline bateu palmas, voz fria:
— Banheiro. Todas. Se limpem. Rápido.
As mulheres se arrastaram para o banheiro do iate. Algumas chorando, outras em silêncio, pernas bambas, corpos marcados por tapas, mordidas e porra seca.
Eu tentei achar Ricardo, mas ele tinha ido tomar banho. Andei pelos corredores do iate, o coração pesado. Passei por uma porta entreaberta e ouvi a voz de Aline ao telefone:
— Ainda não encontrou ela… Sim, estou cuidando… Não, ele não sabe de nada ainda.
Parei. Pensei imediatamente em Isabela. Fiquei com aquilo na cabeça.
No final do dia, o iate voltou ao estaleiro. As meninas entraram na van, cada uma com um envelope de 3 mil reais na mão. Algumas chorando baixinho, outras olhando para o dinheiro como se fosse a única coisa que restava. Tamires estava destruída, olhos inchados.
Sarita e Edna entraram no Corolla comigo. Levei Sarita primeiro. Ela desceu em frente à casa de Isabela, ainda com o cheiro de sexo no corpo, mas com um sorriso estranho no rosto.
Depois fui pra casa de Edna. Ela estava quieta no banco do passageiro.
— Descobri algumas coisas… mas não tenho certeza ainda — disse ela, voz rouca. — Preciso descansar. Fui mais arrombada mais que tudo ontem e hoje.
Eu assenti.
— Vai descansar.
Ela desceu. Eu fiquei olhando o prédio por um momento, depois saí em busca de Isabela.
Procurei em todos os lugares que conseguia imaginar — a casa dela, a escola (mesmo fechada), o barzinho da praia onde tínhamos conversado. Nada. Isabela não estava em lugar algum.
O medo apertou meu peito.
A Seita estava se movendo.
E eu sentia que Isabela estava em perigo. dirigi até a casa dela, o coração apertado. Estacionei o Corolla na frente, desci e bati na porta com força. Demorou. Quando a porta abriu, era Sarita.
Ela estava claramente alterada — olhos brilhantes, pupilas dilatadas, cheirando um pó branco que tinha trazido. O vestido curto estava torto, o cabelo bagunçado. Ela sorriu de um jeito estranho, quase eufórico.
— Matheus… quer entrar?
— Cadê a Isabela?
Sarita deu de ombros, limpando o nariz.
— Não tá desde que cheguei. Não vi ela. O carro dela tá na garagem, mas nada dela.
Ela se aproximou, baixou a roupa devagar, mostrando a buceta inchada, vermelha, marcada de tanto usar. Ainda brilhava de lubrificante e porra seca.
— Quer da uma metidinha ? — perguntou ela, com a voz rouca. — Eu aguento mais um pouco de rola…
Eu nem respondi. Virei as costas e saí andando rápido para o carro. O nojo subiu pela garganta.
Entrei no Corolla, liguei o motor. Foi quando o celular vibrou.
Mensagem de Isabela:
“Estou no motel na beira da orla, como você disse. Quarto 217. Vem rápido. Por favor.”
Meu coração disparou. Liguei o carro e saí cantando pneu. Dirigi como um louco — inexperiente, mas desesperado. Passei dois sinais vermelhos, buzinas explodindo atrás de mim. O volante tremia nas minhas mãos suadas. O medo de perder ela me consumia.
Cheguei ao motel em tempo recorde. O lugar era discreto, beira-mar, com cabanas separadas. Ela mandou o número do quarto denovo. Bati na porta. Isabela abriu rapidamente, olhos vermelhos, mala pequena na mão.
— Vamos — disse ela, voz tremendo.
Ela entrou no carro. Saímos rápido do motel.
No retrovisor, dois carros escuros apareceram atrás de nós. Um SUV preto e um sedã cinza. Eles mantinham distância, mas não perdiam o rastro.
Meu sangue gelou.
— Isabela… tem dois carros nos seguindo.
Ela virou o rosto para trás, pálida.
— Meu Deus… o que a gente faz agora?
Eu apertei o volante, o coração martelando no peito.
Os faróis dos dois carros brilhavam no retrovisor, constantes, implacáveis.
O SUV preto e o sedã cinza mantinham distância, mas nunca perdiam o rastro. Faróis frios no retrovisor, como olhos de predadores. Eu apertei o volante com força, o coração martelando no peito.
— Isabela… segura firme — falei, voz rouca.
Ela virou o rosto para trás, pálida.
— São eles… Matheus… meu Deus, eles nos acharam.
Pisei fundo no acelerador. O Corolla Cross respondeu com um ronco, ganhando velocidade na avenida beira-mar. O vento entrava pelas janelas abertas, batendo forte no rosto. Eu não era acostumado a dirigir assim. A marcha rangeu quando tentei trocar para a terceira — errei, o carro deu um solavanco.
— Merda… — murmurei, suando frio.
Isabela segurou o painel, olhos arregalados.
— Calma… respira. Você consegue. Só não para.
Olhei pelo retrovisor. Os dois carros aceleraram também. O SUV se aproximou pela esquerda, tentando emparelhar. O sedã ficou atrás, colado no para-choque.
Eu girei o volante para a direita, cortando duas faixas. Um caminhão buzinou alto, quase nos acertando. O carro balançou. Isabela soltou um grito abafado.
— Eles querem nos tirar da estrada! — disse ela, voz tremendo.
— Eu sei… eu sei…
Tentei trocar de marcha de novo. Errei de novo. O motor reclamou, o carro perdeu força por um segundo. O sedã bateu de leve no nosso para-choque traseiro. O impacto fez o carro dar um solavanco para frente.
— Porra! — gritei, recuperando o controle.
Isabela segurou meu braço.
— Matheus… se eles nos pegarem… meu irmão… minha mãe… eu não posso perder eles.
A voz dela falhou. Eu senti um aperto no peito. Olhei pra ela por um segundo — olhos cheios de medo, mas também de confiança em mim.
— Eu não vou deixar eles te pegarem. Prometo.
A avenida se estreitava. Eu pisei fundo, ultrapassando um ônibus pela contramão. Buzinas explodiram ao nosso redor. O SUV tentou nos fechar, mas eu desviei no último segundo, raspando na guia. O carro tremeu inteiro.
— Eles estão se aproximando de novo! — gritou Isabela.
O sedã colou do lado direito. O motorista, um homem de óculos escuros, fez sinal para eu parar. Eu ignorei e girei o volante para a esquerda, cortando na frente dele. O carro quase capotou. Isabela segurou o cinto de segurança, respirando rápido.
— Matheus… você tá dirigindo como louco… mas continua… não para se não morremos.
Eu errei a marcha novamente. O motor gemeu alto. O carro perdeu velocidade por um instante. O SUV bateu de lado, tentando nos jogar para o acostamento. O impacto foi forte. O carro derrapou, pneus cantando. Eu recuperei o controle no último segundo, suando frio.
— Eles querem nos matar…só pode — murmurei.
Isabela olhou pra trás, depois pra mim.
— Não. Eles querem me levar . Me usar. Como fizeram com mamãe.
Eu senti raiva. Raiva pura. Pisei fundo de novo. A avenida se abriu. Eu acelerei ao máximo, o motor rugindo. Ultrapassei três carros em sequência, costurando entre eles. O SUV e o sedã tentavam acompanhar, mas o tráfego ajudava.
— Ali! — gritou Isabela, apontando. — O hospital! Entra ali!
O hospital onde minha mãe estava internada ficava a menos de 500 metros. Eu girei o volante com força, entrando na rua de acesso. Os dois carros nos seguiram. Eu entrei no estacionamento do hospital em alta velocidade, pneus cantando. Parei bruscamente na frente da emergência.
Os dois carros pararam atrás, mas não desceram. Eles sabiam que não podiam fazer nada ali — público, câmeras, seguranças.
Eu e Isabela saímos correndo do carro. Corremos para dentro do hospital, coração disparado, mãos dadas.
Chegamos ao corredor de emergência. O ar cheirava a álcool e desespero. Eu parei, respirando pesado, encostando na parede.
Isabela me olhou, lágrimas nos olhos, mas com um sorriso fraco.
— Você conseguiu… você nos tirou deles.
Eu segurei a mão dela com força.
— Por enquanto.
Ficamos ali, encostados na parede, ofegantes, o mundo girando ao nosso redor.
O estacionamento estava quase vazio, apenas alguns carros de plantonistas e ambulâncias paradas na emergência. Isabela segurava minha mão com força enquanto caminhávamos pelos corredores iluminados por luzes frias de LED. O cheiro de álcool, remédio e sofrimento pairava no ar. Meu coração ainda batia acelerado da perseguição, mas agora era outro tipo de medo — o medo de ver minha mãe pior.
Paramos no quarto 412. A porta estava entreaberta. Entrei primeiro.
Minha mãe estava acordada, semi-reclinada na cama, soro na veia, rosto pálido mas com um sorriso fraco ao me ver. Os olhos dela se iluminaram um pouco.
— Matheus… você veio.
Eu me aproximei e a abracei com cuidado, sentindo o cheiro de hospital no cabelo dela.
— Claro que vim, mãe. Como você tá?
Ela suspirou, apertando minha mão.
— Tô melhorando… o médico disse que os exames estão estabilizando. Mas ainda preciso ficar mais uns dias não sei por que. E você? Tá com cara de quem não dormiu.
Eu forcei um sorriso.
— Tô bem. Só preocupado com você.
Foi quando Isabela entrou no quarto, um pouco atrás de mim. Ela estava com os olhos vermelhos, cabelo bagunçado do vento da fuga, mas ainda linda — mesmo no meio do caos.
Minha mãe olhou para ela, curiosa.
— E essa moça bonita?
Eu segurei a mão de Isabela e a puxei para perto, sentindo o calor dela contra a minha.
— Mãe… essa é Isabela. Minha namorada.
Isabela sorriu leve, um sorriso tímido e cansado, mas genuíno. Ela apertou a mão da minha mãe com delicadeza.
— Muito prazer, dona. Matheus fala muito da senhora.
Minha mãe olhou para nós dois, surpresa, mas o olhar dela se suavizou rapidamente. Um sorriso verdadeiro apareceu no rosto cansado.
— Namorada? — repetiu ela, voz emocionada. — Finalmente… eu já tava achando que meu filho ia ficar sozinho pra sempre.
Ela segurou a mão de Isabela com as duas mãos, apertando com carinho.
— Você é linda, filha. E parece boa gente. Cuida do meu Matheus, tá? Ele é teimoso, mas tem um coração enorme.
Isabela sorriu, olhos marejados.
— Pode deixar, dona. Ele tá cuidando de mim também… mais do que a senhora imagina.
Minha mãe olhou para mim, orgulhosa, mas com uma sombra de preocupação.
— Vocês dois parecem cansados. O que tá acontecendo? Vocês estão metidos em alguma coisa?
Eu menti, como vinha fazendo há semanas:
— Nada demais, mãe. Só trabalho da escola, uns freela de uber agora… tá tudo sob controle.
Ela não pareceu completamente convencida, mas apertou minha mão.
— Tá bom… eu confio em você. Só não quero que você se perca, filho. Essa vida já tá difícil demais.
Ficamos ali por quase 2 hora. Isabela sentou do outro lado da cama, conversando com minha mãe sobre coisas leves — o trabalho dela, o tempo, como era a escola. Minha mãe ria baixo de vez em quando, feliz de ter companhia. Eu observava as duas, sentindo um aperto no peito.
Ali, naquele quarto de hospital, por alguns minutos, parecia que tudo ainda podia ser normal. Que eu ainda podia proteger as pessoas que eu amava.
Mas eu sabia que era ilusão.
A Seita estava lá fora.
E o relógio não parava nunca.
Quando saímos do quarto, já passava das 3h da manhã. Isabela segurou minha mão no corredor vazio.
— Sua mãe é forte… — disse ela, voz baixa. — Como você.
Eu não respondi. Apenas apertei a mão dela.