As duas faces do meu marido FINAL PARTE I

Um conto erótico de Diego e Marina
Categoria: Heterossexual
Contém 1980 palavras
Data: 10/06/2026 02:02:52

Já havia se passado exatamente uma semana desde que eu saí da casa da Marina e voltei a morar no meu antigo apartamento da época de solteiro. A sensação de me sentir sozinho de novo, depois de tanto tempo, me atingiu com muita força. Por sorte, todas as minhas coisas ainda continuavam do mesmo jeito por aqui, mesmo depois de anos. Eu nunca quis me desfazer desse apartamento, já que ele guarda muitas lembranças da minha infância. Me joguei no sofá e fiquei ali, lembrando de tudo o que nós dois vivemos. Eu sentia uma falta esmagadora da Marina, mas, no fundo, tentava aceitar o que ela havia decidido para nós, por mais que no fundo eu não quisesse isso.

Desempacotar as coisas foi a pior parte da tarefa, mas agora já fazia uma semana. Não que isso fizesse diferença, mas talvez aos poucos eu fosse me conformar, mas ainda assim eu queria poder lutar por ela.

Fui tirado dos meus pensamentos quando meu celular tocou. Olhei a tela e vi que era ela. A Marina.

— Oi, Diego — ela disse do outro lado da linha, com a voz meio receosa.

Meu peito se encheu de alegria na mesma hora, mas eu precisava me conter.

— Marina, meu amor! — deixei escapar, mas logo me corrigi, atrapalhado. — Quer dizer... Desculpe. Como você está?

— Eu estou bem — ela respondeu. — Estou ligando apenas para avisar que vamos fazer o batismo do nosso filho na semana que vem. O Pedrinho ficará feliz com o papai dele junto...

— Obrigado por avisar, você sabe que eu não perderia esse evento por nada — eu disse, sentindo um nó na garganta.

— Está bem... — ela hesitou. — É... Você está bem?

— Para ser sincero, não — respondi, sem conseguir disfarçar a tristeza.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar de novo.

— Espero que melhore... Tchau, Diego.

— Marina, espere — pedi, quase em um impulso desesperado. — Quando tudo isso acabar... será que ainda existe chance de a gente recomeçar?

— Não, Diego — ela respondeu, e aquela palavra doeu como um soco. — Apesar que eu não sei o dia de amanhã, né? Mas, pelo menos hoje, agora... não.

— Está bem, eu entendo.

— Eu sinto muito — ela sussurrou. — Tchau.

A ligação caiu e eu joguei o telefone no sofá da sala. Fiquei ali parado, com a cabeça fervendo, pensativo com todo o plano que estava prestes a acontecer. Mas a minha mente não ficava apenas na operação policial; Na verdade, meu maior pensamento era na perda que simbolizava a Marina para mim. Eu sentia falta não apenas do carinho dela, mas também dos seus beijos e, principalmente, da sua presença na minha vida. Eu não consegui pregar os olhos durante a noite inteira. Sempre que fechava os olhos, a imagem da minha amada Marina tomava conta de tudo.

O dia seguinte seria de pura adrenalina. A fase final da operação já estava praticamente em ação. Eu já havia me encontrado com o César e colocado a escuta escondida no meu próprio corpo. O plano era arriscado, porém simples: eu precisava forçar uma situação de flagrante, fazer com que eles confessassem, para que a prisão fosse imediata, e eles não tivessem a menor chance em um juri. Eu havia me decidido, que depois disso tudo, eu pediria demissão do grupo Valente, e tentaria seguir minha vida da melhor forma possível.

Mas antes de tudo acontecer, eu peguei um papel, e escrevi uma carta para Marina. Deixei tal carta aos cuidados de um amigo de longa data, junto de um envelope, para caso de acontecer algo comigo.

Estava chegando no local combinado, eu sabia que hoje seria o dia. Estava visivelmente nervoso, não podia dar bandeira, apesar de estar completamente nervoso naquele momento, sentindo um nó na garganta e o suor escorrendo do meu rosto, mas eu precisava ficar calmo.

— Somente uma confissão, só isso que você precisa. Vamos entrar e prender todos, e você estará livre para voltar pra Marina. — Disse César ali. E era nisso que eu queria acreditar.

Eu estava parado em frente à porta da sala de reuniões de um hotel no centro da cidade, o lugar neutro que o Otávio havia escolhido para assinarmos a "nova remessa" de contratos. Na rua de trás, dentro de uma van descaracterizada, César e sua equipe da Polícia Civil escutavam cada respiração minha.

— Fica calmo, Diego — a voz do César soou baixa no meu ponto eletrônico minúsculo. — Faz eles falarem. Faz eles admitirem o esquema das notas e a chantagem. No momento em que a confissão for clara, nós entramos. Precisamos dessa confissão para te isentar de qualquer culpa no processo.

Respirei fundo, lembrando do rosto frágil do meu filho e principalmente de Marina. Eu estava fazendo isso por eles, e por tudo que eu acabei jogando fora por causa do meu egoísmo.

A sala estava mal iluminada, apenas com as luzes dos abajures ligadas. Otávio estava sentado confortavelmente na cabeceira da mesa, servindo-se de uísque. Débora estava encostada na grande janela de vidro, com um sorriso cínico nos lábios e os braços cruzados. Ambos me olharam ali.

— Achei que ia amarelar, Diego — provocou Otávio, empurrando uma pasta preta sobre a mesa de vidro. — Senta aí. Temos três notas frias hoje. O cliente é grande, a nossa margem vai ser de quase um milhão. Uma boa grana né?

Eu me aproximei, mas não sentei. Mantive as mãos nos bolsos, tentando disfarçar o tremor.

— Quando isso vai acabar, Otávio? — perguntei, forçando a voz a soar desesperada, o que não era muito difícil. — Vocês já tiraram tudo o que podiam de mim. Débora transferiu quinhentos mil reais da minha conta usando a minha digital enquanto eu estava dopado naquela maldita festa que vocês forçaram a minha assinatura. Não é o suficiente?

Débora deu uma risada curta, caminhando até a mesa.

— Quinhentos mil foi só a taxa de adesão, meu amor. O jogo de verdade começa agora. O Grupo Valente movimenta bilhões. Eles não vão sentir falta desse dinheiro, é trocado para aquela gente.

— Eu não vou assinar — blefei, dando um passo para trás. — Se der merda, o meu nome está nos contratos. Vocês superfaturam as notas, embolsam a diferença e eu vou preso por estelionato sozinho. Eu não vou mais fazer isso.

A expressão do Otávio mudou. A arrogância deu lugar a uma raiva fria. Ele se levantou, batendo as mãos na mesa.

— Você vai assinar essa porra agora, Diego! — ele rosnou, apontando o dedo na minha cara. — Você acha que tem escolha? Nós temos todos os vídeos daquela noite no interior. Você com a cara enfiada nos peitos da Débora, você gemendo, você assinando o primeiro papel. Se você não aprovar essas notas frias e liberar o dinheiro para a minha conta agora mesmo, em cinco minutos a Marina recebe o dossiê completo. O paizinho dela te demite, a sua mulher te larga com aquele filho prematuro e você volta a ser o motoboy fodido que sempre foi!

Minha separação com Marina foi mantida em sigilo até mesmo pra eles. Tudo estava bem pensado, e eles ainda pensavam que eu estava na mão daqueles caras, mas isso ia acabar. O silêncio pesou na sala por um segundo. A confissão estava ali. Perfeita. Completa.

— Pegamos. Estamos subindo. — A voz do César ecoou no meu ouvido.

Eu olhei para o Otávio e, pela primeira vez em meses, eu sorri.

— Eu prefiro voltar a ser o motoboy fodido que eu era, do que compactuar com roubar a empresa do Senhor Valente, além disso... A Marina já sabe de tudo.

Ele franziu a testa, confuso. Mas não teve tempo de raciocinar.

A porta da sala de reuniões foi arrombada com um estrondo ensurdecedor, com as dobradiças voando longe. Quatro policiais civis fortemente armados invadiram o ambiente, com César logo atrás, empunhando a arma e o distintivo.

— Polícia Civil! Ninguém se mexe! Mãos na cabeça, agora! — gritou César, com a voz trovejando na sala.

— CÉSAR? — Disse Débora, em choque.

— Oi, "meu amor". Surpresa em me ver, sua ordinária? — Respondeu César, apontando a arma pra ela.

— Que bom que você chegou, César, eu... — Ela foi interrompida bruscamente por ele.

— Você é uma piranha desgraçada, eu não sei como um dia me casei com você. Mas eu disse que eu ainda ia pegar vocês dois.

O caos tomou conta. Otávio arregalou os olhos em puro pânico. Ele tentou correr para o lado oposto da mesa, mas tropeçou na própria cadeira e caiu no tapete. Dois investigadores saltaram sobre ele, imobilizando seus braços e o jogando de cara no chão. O som das algemas travando nos pulsos dele foi a coisa mais satisfatória que eu já ouvi na vida.

— Você tá louco?! Eu sou executivo! Vocês não sabem com quem estão se metendo! — Otávio gritava, debatendo-se inutilmente enquanto era levantado pelos policiais.

— Estou lidando com um bandido filho da puta. Essa prisão é satisfatória demais! — Respondeu César.

Enquanto a atenção de todos se voltava para a prisão frenética do Otávio, meus olhos procuraram a Débora. Ela não havia gritado. Ela não havia se desesperado. Como a víbora que era, ela usou os dois segundos de confusão inicial.

— A Débora não está aqui. — Eu disse.

— Puta que pariu! — Disse César.

A vi deslizar rapidamente em direção à porta de serviço que conectava a sala à copa do hotel. César, ainda com a arma em punho lidando com a resistência do Otávio, gritou para um dos agentes:

— A mulher! Peguem ela!

Eu corri na direção da porta, empurrando-a com força, mas Débora já havia atravessado a copa e entrado na escada de emergência. O barulho dos saltos dela ecoava freneticamente pelos degraus de concreto, descendo em uma velocidade impressionante, enquanto eu e outro policial corremos atrás dela.

Seguimos atrás dela, mas o labirinto dos corredores de serviço e as saídas múltiplas do hotel jogavam a favor dela. Ela conhecia aquele lugar. Ela havia planejado uma rota de fuga o tempo todo. Era mais esperta do que parecia. O policial entrou na viatura e foi atrás dela, enquanto eu voltei para a sala para ir atrás de Otavio e César. Otávio estava encostado na parede, algemado, com o rosto vermelho de ódio, olhando para mim como se quisesse me matar.

— Seu filho da puta, isso não vai ficar assim.

Ele também olhou pra César, e fez uma proposta:

— Te dou um milhão agora, policial. Um milhão pra você me deixar ir e jogar toda a bronca na puta da sua ex mulher. Não é uma maravilha? Uma chance de se vingar da vadia e ainda molhar o bolso com uma grana. César respondeu.

— Gravaram isso? Além de tudo, ainda está tentando nos corromper. Vai pros altos do processo. Levem esse lixo.

Os policiais acabaram levando Otávio preso. O policial pelo rádio comunicou a César, uma atualização sobre a Débora. César abaixou a arma e colocou a mão no meu ombro, respirando fundo.

— A gente perdeu a Débora. Ela escapou pela garagem, entrou num carro e entrou em fuga. — disse ele, com uma frustração evidente na voz. Ele então olhou para o Otávio e deu um sorriso duro. — Pegaremos ela, já irei comunicar todas as autoridades sobre a fuga. Mas a cabeça da operação nós pegamos. E com o que a gente gravou aqui, esse engravatado vai mofar na cadeia.

Eu olhei para o microfone no meu peito e arranquei os fios de uma vez. A Débora havia fugido, e saber que ela estava solta por aí ainda era um fantasma que me assombrava. Mas o Otávio estava destruído. O esquema estava quebrado. E, pela primeira vez em muito tempo, tudo estava parcialmente acabado.

A Débora havia escapado, mas isso não seria o fim pra ela. A polícia federal foi acionada, e já estavam no encalce dela dentro de todo território nacional, além de que em alguns dias, seu nome já estaria no mapa de foragidos da interpol. Pedro era muito influente, e não deixaria que ela saísse impune.

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