As duas faces do meu marido FINAL PARTE 2

Um conto erótico de Diego e Marina
Categoria: Heterossexual
Contém 4179 palavras
Data: 11/06/2026 03:05:10

Depois de tudo aquilo, fui conduzido para a promotoria, para assinar meu acordo de colaboração premiada, por ter participado de todo esquema para entregar o grupo. Na sala do Ministério Público, estávamos eu e o César. Eu estava ali, com a caneta na mão, prestes a assinar o acordo de cooperação para consolidar a minha liberdade. O César até chegou a comentar que foi graças a mim, principalmente, que eles conseguiram acabar com aquele esquema de corrupção milionário dentro do Grupo Valente. O promotor, que estava sentado ao meu lado, olhou para mim e disse:

— Pela lei, como você não era o cabeça da operação, além de ter sofrido extorsão e ter sido peça fundamental para o flagrante, eu posso propor a suspensão condicional da pena ou converter em prestação de serviços comunitários. Você só precisa assinar.

Olhei para aquele papel com atenção. Ao meu lado, ouvi o Pedro suspirar de alívio. Ele colocou a mão no meu ombro e comentou, com a voz carregada de confiança:

— Assim que você for um homem livre, eu quero que você seja o meu homem de confiança na filial. Você vai ser o cabeça de lá. Mesmo que você e a minha filha não fiquem juntos, eu quero alguém como você lá dentro. Alguém em quem eu possa confiar.

— Na verdade, senhor Pedro, eu tenho outros planos para mim — respondi, com a voz calma.

Com aquele papel nas mãos, minha mente viajou. Lembrei de como eu havia chegado até ali. Lembrei da minha ambição cega, daquela quantia absurda que caiu na minha conta, mesmo que logo em seguida tivesse sido retirada. Lembrei das noites em que deixei a Marina sozinha, de como negligenciei o sucesso dela e de como fui tolo em não acreditar no seu potencial. Apesar de a lei estar me dando uma saída limpa, a minha própria consciência não me dava absolvição alguma.

Sem pensar duas vezes, peguei o documento e o rasguei ao meio, bem ali, na frente do promotor, do César e do Pedro.

— Não é justo eu me safar de tudo o que eu fiz, principalmente com a Marina — eu disse, largando os pedaços de papel sobre a mesa. — Eu pago a pena que eu precisar, eu não me importo de ser preso. Eu só quero matar esse Diego de agora e... tentar consertar os cacos, antes que seja tarde demais.

— Como é, Diego? — perguntou o César, franzindo a testa, olhando para mim como se não acreditasse no que estava ouvindo.

— É isso mesmo que vocês estão ouvindo. Eu quero pagar pelo que eu fiz — afirmei, irredutível. — Eu não posso receber esse benefício todo de vocês, até porque, depois, isso pode ser usado até mesmo pelo Otávio, alegando que vocês estavam agindo apenas para me proteger pois eu sou parente da família.

— Diego, você está de cabeça quente. Pense no Pedrinho, pense na Marina — interveio o Pedro, visivelmente preocupado e agitado, tentando me fazer mudar de ideia.

— Senhor Pedro, é exatamente por eles que eu estou fazendo isso — retruquei, olhando fundo nos olhos do meu sogro. — A Marina me deixou porque eu não sou mais o Diego que ela amava. Eu menti e traí. Se eu fugir das consequências, eu estarei provando que continuo sendo o mesmo covarde. Além do mais...

— Além do mais o quê? — perguntou o Pedro, percebendo a minha hesitação.

Fiquei calado por alguns segundos. As palavras travaram na minha garganta. Depois, apenas olhei para ele, disfarçando o peso do que eu guardava:

— Não é nada. Nada com que... se preocupar.

Virei-me novamente para o promotor e decretei o meu próprio destino:

— Eu confesso a minha parte no estelionato e abro mão do benefício da pena alternativa. Quero cumprir a pena que me cabe na prisão. Com a redução da delação premiada, eu sei que a sentença será curta, talvez um ano. Mas eu preciso desse tempo. Eu preciso pagar pelo que eu fiz por mim mesmo.

Apesar das negativas insistentes do Pedro e também do César, a minha vontade era maior, e o promotor acabou cedendo. Os policiais então apareceram, e as algemas foram colocadas nos meus pulsos. Eu seria levado para a prisão, mas antes, fiz um último pedido e consegui um último benefício: eu gostaria de ser levado para o batismo do meu filho.

MARINA.

Estava cuidando do meu bebê, quando recebi a notícia que Diego havia sido preso. Eu não consegui entender o porquê, pois, segundo o César, ele iria receber um acordo para ficar em liberdade. Não podia ficar sem fazer nada, eu precisava saber o que estava acontecendo. Pedi para Doralice cuidar do pequeno Pedrinho, e fui para a delegacia, eu precisava ouvir dele e dos policiais o que estava acontecendo.

Assim que cheguei na delegacia, fui reconduzida até onde Diego estava, e depois das formalidades, eu fui levada até uma sala de visitas, onde ele foi trazido, algemado. Ver aquela cena do meu marido, com as algemas nos punhos, foi algo de doer meu coração. Ele foi levado até a mesa e se sentou, onde eu sentei-me logo em seguida. Naquele momento, eu simplesmente não consegui segurar as lágrimas.

— Por que você fez isso, Diego? — disparei, a minha voz saindo embargada e trêmula. — O meu pai me contou! O promotor te ofereceu um acordo, você poderia ter saído livre, pela porta da frente! Por que você escolheu ficar nesse lugar?

Ele olhou bem no fundo dos meus olhos, e naquele momento eu vi uma tristeza que nunca percebi nos olhos dele. De repente, ele guiou as suas mãos junto as minhas, e assim disse.

— Porque isso foi o justo, Marina. — a voz dele saiu baixa, porém muito firme. — Marina, eu não sou nenhuma vítima aqui, pelo contrário. Eu sei bem o que eu fiz, eu sei que eu me deixei levar. Eu tive meus motivos para não ficar pra trás, mas isso não significa fazer o que eu fiz, eu me deixei levar, fui sendo levado por esses dois e fiz de certa forma parte desse esquema.

Balancei a cabeça, completamente inconformada, enquanto as lágrimas continuavam a escorrer e queimar o meu rosto.

— Você não precisa disso, Diego! A justiça já tinha te liberado! O Pedrinho precisa do pai dele, ele precisa de você perto dele!

— É exatamente por isso que eu preciso me consertar, Marina — ele argumentou, inclinando-se um pouco mais sobre a mesa na minha direção. — Para que o Pedrinho não cresça sabendo que o pai dele fugiu das consequências. Para que ele tenha uma lembrança boa de mim, a lembrança de um homem que errou, mas que teve a hombridade de assumir os próprios erros e pagar por eles de cabeça erguida.

Aquilo me fez parar de chorar por um segundo. Encarei-o, confusa, e senti o meu semblante se contorcer em uma angústia ainda maior diante daquelas palavras que soaram como uma despedida oculta.

— O que você quer dizer com isso, Diego? Como assim uma lembrança boa?

Ele não me respondeu com palavras de imediato. Em vez disso, levou a mão até o meu rosto. Notei que os dedos dele tremiam um pouco quando acariciaram a minha bochecha, como se ele estivesse tentando gravar aquele toque para sempre na memória. Fechei os olhos por uma fração de segundo, deixando-me ser acolhida por aquele carinho, mesmo no meio de todo aquele caos.

— Aquele acidente... — ele sussurrou, abrindo um sorriso muito fraco e melancólico ao se lembrar. — O dia em que você bateu na minha moto... foi a melhor coisa que aconteceu em toda a minha vida. Eu sou tão grato a você, Marina. Grato por você ter me dado uma família tão linda.

Eu o olhava, me sentindo completamente dividida. Havia muita dor, havia muita raiva, mas também pulsava um sentimento debaixo de tudo aquilo que, inevitavelmente, era infinitamente maior.

— Eu estarei lá no batismo de nosso filho, ta bom? Eu não vou mais falhar com vocês dois.

Puxei o ar com força, enxugando as lágrimas teimosas com a mão livre. Levantei-me devagar, preparando-me para ir embora, pois o tempo de visita já estava chegando ao fim. Parei perto da porta e me virei para ele uma última vez. Olhei-o de um jeito que não escondia mais nada, deixando cair qualquer armadura que eu ainda estivesse tentando segurar.

— Diego, eu estou muito magoada com tudo, eu sei. Não sei se um dia será possível voltarmos a ser o que éramos, mas... — eu disse, com a voz falhando, mas carregada da sinceridade mais cortante que pude encontrar dentro de mim. — Mas eu te amo.

E, com essas palavras ecoando pelas paredes frias daquela delegacia, virei as costas e saí. Deixei o homem da minha vida ali, preso. Estava sim com meu coração em frangalhos, mas com a certeza de que os sentimentos que nos ligavam eram muito mais profundos do que eu mesma imaginava.

No dia do batismo do Pedrinho, ele apareceu, como havia prometido. Estava sob a escolta discreta dos policiais, vestindo um terno elegante. Confesso que naquele momento, o meu coração disparou. Ele estava sorrindo, com os olhos fixos em nós dois, mas eu o conhecia melhor do que ninguém. Havia algo errado. Ele estava mais pálido que o normal, o rosto parecia abatido e, em vários momentos da cerimônia, percebi que ele tentava disfarçar um certo mal estar.

— Está tudo bem? — Perguntei. Diego rapidamente respondeu:

— Está sim, não se preocupe.

O batismo seguiu e toda a cerimônia foi feita. Ele beijou a testa do nosso filho, me olhou com uma ternura infinita e suportou tudo até o último segundo, antes de ser levado de volta para o presídio. Antes de ir, ele me olhava nos olhos, com aquele olhar apaixonado de quando eu o conheci da primeira vez.

— Obrigado por ter me dado esse momento, Marina, apesar de saber que não mereço.

— Não Diego. Eu quem agradeço, você me salvou, você me tirou de um mundo de amargura e ressentimento e me fez reconectar a minha família... Vou ser eternamente grata. — Respondi.

Diego então me olhou, e segurou as minhas mãos, e me fez uma promessa.

— Eu prometo que eu irei ver vocês assim que eu sair.

Os seis meses que se seguiram foram uma eternidade. A cada visita, eu notava diferenças sutis nele, mas ele sempre desconversava, dizendo que era apenas a comida da cadeia ou o estresse do ambiente. E eu, cega pela ansiedade de tê-lo de volta, acabei acreditando. Com o tempo, aquela mágoa que eu sentia por ele, perdia força, mas eu ainda não conseguia perdoa-lo completamente. Talvez eu não tivesse me livrado completamente dos meus fantasmas.

Minha carreira literária ia muito bem. Meu livro vendeu dois milhões de cópias, e foi um dos melhores livros de romance do ano. Fui convidada para eventos, palestras, podcasts. E a cada visita a Diego, eu vi que ele mudava, sempre demonstrava interesse no que eu fazia, e até meu livro ele leu inteiro. Me deu dicas de um segundo livro.

Até que o dia finalmente chegou.

Observei aquele portão grande se abrir, e dele surgir o meu Diego, agora mais magro, um pouco debilitado devido o tempo na prisão. Eu estava encostada no carro, com o Pedrinho, já maiorzinho, nos braços. Quando o Diego cruzou a saída, vestido com roupas simples, eu não consegui me segurar. Ele caminhou até nós e nos envolveu em um abraço tão apertado, tão desesperado, que parecia querer fundir nós três em um só corpo.

— Eu esperei tanto por isso, Marina — ele sussurrou, os olhos brilhando pelas lágrimas acumuladas.

— Eu ainda estou machucada, Diego... — respondi, minha voz tremendo enquanto eu olhava para as minhas próprias mãos. — Eu tentei ser forte, tentei construir uma muralha em volta de mim. Mas a verdade... a verdade é que a saudade de você foi maior que a minha raiva. O amor que eu sinto por você gritou mais alto que a minha razão durante todos esses meses. Por isso eu estive com você, todo o tempo que consegui.

Eu o levei para casa. Para a nossa casa.

O silêncio no carro foi carregado de expectativas, e quando finalmente entramos e colocamos o Pedrinho para dormir, sentamos no sofá da sala, frente a frente.

Ele não disse nada. Apenas escorregou do sofá, ajoelhou-se na minha frente e beijou as minhas mãos, chorando como uma criança. Eu me curvei, segurei o rosto dele e, pela primeira vez desde que o pesadelo com a Débora havia começado, nós nos beijamos de verdade. Um beijo com gosto de perdão, de lágrimas e de um recomeço que nós dois ansiávamos desesperadamente.

Nossos lábios se encontraram com fome acumulada de seis meses. O beijo começou lento, mas o desejo reprimido explodiu rápido. Diego segurou minha nuca com uma das mãos, a outra descendo pelas minhas costas, apertando-me contra ele como se quisesse fundir nossos corpos. Sua língua invadiu minha boca com urgência, quente e desesperada, e eu respondi no mesmo tom, gemendo baixinho contra seus lábios.

— Marina... — murmurou ele, a voz rouca, entrecortada, enquanto se levantava e me puxava junto. — Eu não consigo aguentar, estava com tanta saudade de você.

— Me faz tua hoje, meu motoboy. Hoje quero ser tua... — Respondi.

Diego me ergueu pela cintura e me sentou na borda da mesa da sala, e com as mãos tremendo de tesão foi subindo o meu vestido até a cintura. Seus dedos percorreram minhas coxas, apertando a carne macia, subindo devagar até encontrar a renda da minha calcinha já úmida. Ele gemeu ao sentir o calor que emanava de mim, pressionando a palma contra o minha buceta por cima do tecido, esfregando em círculos lentos, onde eu podia sentir muito bem aqueles dedos pesados que me fizeram arquear as costas.

— Ahhhh, gostoso... — Eu respondi.

Eu abri as pernas para ele, puxando sua camisa para cima com pressa. O corpo dele tinha algumas manchas, marcas, estava um pouco magro... mas ainda era o meu Diego. Beijei seu peito, mordi de leve um mamilo enquanto ele soltava um grunhido rouco. Suas mãos desceram minha calcinha pelas pernas, jogando-a longe, e ele se ajoelhou novamente, desta vez entre as minhas coxas abertas.

— Que saudade da bucetinha da minha mulher... — sussurrou, antes de cair de boca e seguir em sua devoção única de me dar prazer.

Sua boca desceu quente sobre mim. A língua dele lambeu devagar, saboreando cada gota da minha excitação acumulada, como se estivesse matando a fome de meses. Ele sugou meu clitóris com delicadeza no começo, depois com mais força, enfiando dois dedos dentro de mim enquanto eu segurava seus cabelos, gemendo alto, o quadril se movendo contra o rosto dele. O prazer subia em ondas quentes, o tesão reprimido tornando cada toque elétrico.

— Me fode na nossa cama, Diego. Vem, ela ta esperando você. — implorei, a voz falhando.

Ele se levantou, e me levou no colo até a nossa cama, e me deitou ali devagar, me deixando de pernas abertas. Logo, eu o vi abrir o cinto e a calça com movimentos bruscos. Seu pau saltou livre, duro, latejando, com a cabeça inchada, com uma gota de gozo na ponta.

Já estava a um bom tempo sem senti-lo, aconteceu tanta coisa que não conseguimos mais ter um momento de prazer. Eu o puxei pela nuca e o beijei novamente, sentindo meu próprio gosto na língua dele, enquanto guiava a cabeça grossa para a minha entrada encharcada.

— Eu te quero, Marina, te quero porra... — Ele falou, com a boca bem próxima da minha.

Ele entrou devagar, centímetro por centímetro, gemendo meu nome como um compositor, compondo a sua melhor melodia. Minha buceta estava apertada, sensível, e a sensação de ser preenchida por ele novamente era quase insuportável de tão boa. Minha carne esmagava o seu pau, e a cada penetração por cima de mim, me fazia sentir mulher novamente, me sentir dele. Quando estava todo dentro, Diego parou, grudou nossos rostos, aproximou sua testa e a deixou colada na minha, respirando pesado.

— Eu te amo pra caralho... — disse ele, a voz embargada.

Então começou a se mover. Primeiro lento, profundo, sentindo cada contração minha ao redor dele. Depois mais rápido, mais forte, logo me mudou de posição, me deixou por cima, puxando-me contra ele a cada estocada e metendo a mão na minha bunda, me dando altos tapas. A cama rangia. Nossos corpos suados se chocavam com urgência. Eu cravava as unhas nas costas dele, mordia seu ombro, sussurrando palavras sujas e carinhosas no ouvido dele — como senti falta disso, como ele me enchia tão bem, como eu era dele.

O orgasmo me atingiu primeiro, violento, fazendo meu corpo tremer inteiro enquanto eu apertava ele por dentro, gemendo alto o nome dele. Diego me seguiu segundos depois, enterrando-se fundo e gozando com um rugido abafado contra meu pescoço, pulsando quente dentro de mim, enchendo-me com meses de desejo represado.

Caímos na cama, exaustos, cheios de tesão, quentes. Eu olhei pra ele, levei as mãos no rosto dele, e assim disse.

— Hoje será o começo de uma nova vida, Diego. Eu percebi que não posso viver sem você...

Ele apenas me deu um beijo na testa, e os dois caíram, cansados e nos colocamos a dormir. Até o dia seguinte...

A manhã seguinte amanheceu linda. A luz do sol entrava pelas frestas da cortina, e meu rosto era iluminado, como se fosse um presságio de uma nova era na minha vida. Acordei sentindo uma paz que há muito tempo não me visitava.

Me espreguicei devagar para não acordá-lo e me virei na cama, apoiando o rosto na mão para observá-lo dormir. Ele estava deitado de barriga para cima, com a expressão mais serena que eu já tinha visto. Sorri, sentindo meu coração transbordar de amor.

— Bom dia, meu amor... — sussurrei, levando a mão até o rosto dele para lhe fazer um carinho. Mas a sensação que eu senti, foi algo que eu nunca mais iria esquecer. Sua pele estava fria, pálida.

— Diego? — chamei uma vez, e depois tornei a chamar novamente.

Ele não se mexeu. O peito dele não subia nem descia. O silêncio no quarto, que antes era de paz, de repente se tornou ensurdecedor e aterrorizante.

— Diego... para com isso... acorda... — minha voz falhou, e eu entrei em desespero. O chamei mais uma vez e ele não levantou, ou respondeu.

Sacudi o ombro dele. Nenhuma resposta. Puxei o corpo dele na minha direção, e a inércia confirmou o que a minha mente se recusava a aceitar. Eu gritei naquele momento, com o meu Diego em meus braços, praticamente sem vida. Mas com uma paz no rosto que nem mesmo eu podia acreditar.

Liguei desesperada para o meu irmão e para o meu pai. Eles vieram me socorrer, e encontraram Diego ali. Meu irmão checou o pulso, e confirmou seu falecimento, mais uma vez.

— Meu Deus, como pôde fazer isso comigo? Por que levou ele embora? — Eu disse, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Encontrei um consolo nos braços do meu irmão e do meu pai, e ambos estavam arrasados. Meu pai, que tinha um grande carinho por ele, chorava como se tivesse perdido um filho. No fim, meu Diego era amado, e morreu sabendo disso.

Providenciamos o velório com todas as honras possíveis, e tratamos de enterra-lo junto com a mãe e o pai, como eu imaginei que ele iria querer. Foi um dos piores momentos da minha vida. E eu fiquei por dias pensando, por que eu não o perdoei antes, por que eu fui tão cabeça dura.

No enterro, sou surpreendido por um amigo dele que eu não conhecia, seu nome era Marcelo. Ele disse que Diego o procurou, e deixou algo que deveria ser entregue a mim, caso algo acontecesse com ele, e assim ele julgou que esse era o melhor momento para me entregar. Surpresa, eu perguntei o que seria, e ele me entregou uma carta de Diego, que me emocionou.

Cheguei em casa, e assim que troquei de roupa e tomei banho, acabei por abrir a carta. Seu conteúdo, acabou comigo.

" Marina. Se você estiver lendo isso aqui agora muito provavelmente eu não esteja mais aqui. Eu descobri hoje que eu infelizmente tenho a mesma doença que levou a minha mãe. Neste papel ao lado tem o resultado dos meus exames. Me desculpe por não ter compartilhado isso com você durante os últimos dias que passei do seu lado ou longe de você. Mas eu realmente não queria que você tivesse sido influenciada pela minha condição para tomar qualquer tipo de decisão. Não acho justo para nenhum de nós dois.

Meu amor, eu quero que você saiba que eu sempre estarei vivo com você dentro do seu coração ou seja no Pedrinho, o nosso filho. Com você eu tive os melhores anos da minha vida, eu imagino como seria a minha vida sem você, teria sido vazia e sem nenhum sentido. Eu não sei se você vai me perdoar antes disso acontecer, eu não sei como vamos estar.

Mas novamente aproveito para dizer que sinto muito por tudo o que eu fiz, e por tudo o que você passou. Eu espero que eu tenha sido marcante em sua vida de alguma forma e eu espero também que a partir do dia que eu for embora, que você nunca deixe de viver. Viva por mim, e viva por você mesma. Você é a mulher mais incrível que o homem poderia ter, e graças a Deus fui eu que tive!

Eu te amo Marina eu te amo com todo o fervor do meu amor. Não existe mulher que eu mais amei, do que você. "

— Diego seu idiota... — respondi enquanto estava com aquela carta que ele havia deixado, junto com o resultado dos exames. Por um lado eu questionei, Porque ele nunca disse nada? Mas por outro lado eu poderia entender um pouco o que ele estava sentindo, estava querendo apenas me poupar de tomar alguma decisão motivada pelos motivos errados.

Tudo o que me restou no fim foi uma querida porém dolorosa lembrança de Diego, de tudo o que fizemos e de tudo que vivemos até aquele dia.

A partir daquele dia, tudo na minha vida mudou: a minha relação com meu pai estava genuinamente boa, ele sempre vinha me visitar não apenas para ver o seu neto mas para me confortar. Também passei a ter uma excelente relação com o meu irmão. César que já estava praticamente noivo de outra pessoa acabou se casando e eu fui madrinha do seu casamento. No dia que nos encontramos, conversamos sobre Diego e sobre como ele passou a sentir uma grande simpatia pelo meu marido.

O tempo passou e acabei percebendo que estava grávida novamente. Diego antes de partir me deixou mais uma sementinha. Dessa vez, foi uma menina que eu dei o nome da minha mãe, Mariana.

O tempo passou tão depressa... O meu pequeno Pedrinho já estava mais crescido, e ele adorava brincar com a sua pequena irmã.

Minha carreira de escritora estava um sucesso, acabei lançando uma continuação do meu livro que vendeu até mais do que o primeiro. Eu não estava mais morando na mesma casa acabei me mudando com os pequenos para a mansão do meu pai, para não deixá-lo sozinho, mas também para que eu não ficasse sozinha. Doralice foi com a gente, e adivinhem? Ela acabou se relacionando com o meu pai. Agora ela era a minha madrasta e a vovózinha dos meus pequenos.

Eu estava preparando um projeto novo. Certo dia, eu vi na televisão algo que me deu uma grande satisfação. Débora havia finalmente sido presa, e estava sendo deportada para o Brasil. Ela estava na Grécia ela sofreu um golpe do próprio amante, que roubou tudo o que ela havia roubado aqui e a denunciado.

O meu novo projeto finalmente estava pronto para ser lançado. O nome do livro seria: as duas faces da minha vida, onde eu contei toda a minha história de amor antes e depois de conhecer meu Diego. Ele viveria para sempre naquelas páginas.

Quanto a mim, não tive mais ninguém até o presente momento. Não consigo ver meu coração sendo preenchido por outra pessoa, Talvez um dia isso aconteça. Mas ele nunca chegará a ser o que o Diego foi para mim.

Eu e os pequenos estamos indo viajar para Nova York, para depois irmos para Orlando. Pedrinho quer conhecer a Disney. Minha querida Mariana estava com Doralice, que agora não era mais a minha empregada, mas mesmo assim adorava me acompanhar. Estava caminhando com Pedrinho, quando passamos por uma ponte que estava em reforma. De repente, um homem que estava correndo da polícia veio atrás de nós e acabou se esbarrando em mim, caindo no chão.

No desequilíbrio, acabei sem querer soltando Pedrinho, que estava justamente ao lado onde parte da ponte estava quebrada, sem nenhuma barreira de proteção. Eu me desesperei pensando que ele poderia cair no rio, mas de repente um homem se jogou e acabou pegando ele antes que ele tropeçasse e os dois caíram juntos no chão. Eu não sabia, mas aquele homem teria algumas páginas a mais escritas no livro da minha vida. Mas isso é para uma próxima vez.

FIM.

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