As duas faces do meu marido Parte 11 (Penúltima parte)

Um conto erótico de Diego
Categoria: Heterossexual
Contém 4044 palavras
Data: 02/06/2026 08:48:22

Estava ali diante de Marina, e sabia que precisava abrir o jogo com ela. Então, resolvi contar desde o início. Convidei Marina para sentar, pois a conversa era longa e eu sabia que poderia se estender mais do que eu queria.

— Promete que vai me ouvir até o final? Depois, você pode falar, pode fazer o que quiser.

— Claro. Mas me explica direito isso. — Disse Marina. — Como você soube do meu passado e por que nunca me falou?

Então, eu resolvi falar, desde o começo. Voltando um pouco ao passado, ali estava eu, depois de tudo que tinha enfrentado na vida, finalmente casado com a Marina. Porém, junto com o casamento, começaram a bater as incertezas e o peso das responsabilidades que a vida a dois traz. Antes, eu vivia apenas por mim mesmo, correndo para ter o suficiente para me sustentar. A primeira coisa em que pensei foi em procurar um emprego naquilo que eu mais sabia fazer, na minha verdadeira vocação. Um amigo me ajudou e me incentivou a pensar grande. Afinal, era isso que a minha Marina merecia.

Eu não sabia direito de absolutamente nada sobre o passado dela, mas também preferia não ficar perguntando. Lembro que, uma vez, antes mesmo de nos casarmos, toquei no assunto e notei um certo receio da parte dela e, principalmente, um rancor muito grande pelo pai. Era um sentimento que eu entendia e compartilhava, pois também já tinha tido minhas mágoas com a minha família. Mas, sabendo o quanto é ruim guardar esse tipo de veneno, tratei de conversar e aconselhar a minha mulher. Sempre reforçava o quanto era importante deixar o passado para trás e tentava convencê-la a se aproximar do pai, pois pai a gente só tem um, ainda mais ela, que era órfã de mãe. Eu já tinha visto a foto do pai dela uma vez, quando a ajudei na mudança. A mãe dela era muito parecida com ela, uma mulher bonita e de traços fortes, e o pai tinha exatamente os mesmos olhos que a Marina.

Quando comentei com ela a minha decisão de tentar uma vaga no Grupo Valente, notei um certo receio no seu rosto ao ouvir aquele nome, mas segui em frente.

A entrevista na empresa foi normal, porém eu estava suando frio, muito nervoso. Era uma oportunidade única, principalmente porque trabalhar com valores altos e documentos sigilosos exigia uma responsabilidade imensa. Mas eu estava pronto para o desafio. Passei na entrevista e fiquei radiante.

A minha vida, no entanto, virou de cabeça para baixo logo no meu primeiro dia. O homem que havia construído aquela empresa do zero iria participar de uma dinâmica com os novos contratados. Naquele dia éramos umas dez pessoas. A ideia era mostrar como funcionava o negócio. Foi então que a porta abriu e um rosto familiar entrou na sala para conversar com a gente. Era o mesmo rosto que estampava aquela foto que eu tinha achado perdida entre as coisas da Marina... o próprio pai dela.

Naquele instante, as peças se encaixaram na minha cabeça. A Marina usava o sobrenome da mãe no dia a dia, mas no nosso registro de casamento constava o sobrenome Valente junto. E aquele homem em pé, na minha frente, era o Pedro Valente.

No caminho para casa, depois desse primeiro dia de apresentações, a minha cabeça estava a mil por hora. Eu estava praticamente casado com uma herdeira! Uma mulher que, em boa parte da vida, foi acostumada com riquezas, com o luxo e com todas as oportunidades do mundo, mas que agora agia comigo como se fosse uma pessoa humilde, sem quase nenhum recurso.

Eu conhecia, em partes, a história de uma mulher que cortou relações com o pai porque ele traiu a mãe dela, o que a levou a tirar a própria vida. Mas eu não sabia de toda a origem. Senti uma cratera se abrir diante de mim. Eu não iria me contentar em dar apenas o pouco para a Marina. E o pior: eu jamais me perdoaria se acabasse recebendo algum tipo de favor ou privilégio naquela empresa apenas por ser o marido da herdeira.

Cheguei em casa e não contei nada a ela. Não queria deixá-la nervosa com aquele encontro. Fiquei me perguntando por que ela nunca havia me contado a sua real origem, mas no fundo, eu sabia. Ela não queria ter que reviver a própria história novamente. Então, eu decidi: Iria fingir que não sabia de nada. Se um dia ela me contar, irei fingir surpresa. Achei melhor assim.

No dia seguinte, acabei agindo com ela naturalmente. Tomei café, me preparei para o primeiro dia na empresa. Ela me fez perguntas, acho que queria saber se eu iria trabalhar na matriz, mas a tranquilizei, disse que seria numa filial. Ela pareceu mais aliviada. Saí de casa, e no caminho do trabalho, aproveitei o fato de que iria para a matriz realizar um treinamento e decidi procurar o presidente da empresa. O destino acabou fazendo com que eu cruzasse com o Pedro ainda no hall de entrada. Tomei coragem e o chamei.

— Senhor, bom dia.

— Bom dia, meu jovem — ele respondeu.

Ainda nervoso, fui direto ao ponto:

— Eu gostaria de conversar algo com o senhor antes de começar a trabalhar. A sós.

— Mas é claro, quero que você venha comigo.

Para a minha surpresa, o próprio presidente aceitou conversar comigo, uma figura com quem eu nunca tinha falado na vida. Fomos até uma cafeteria próxima à empresa. De início, eu pensei em somente pedir pra manter segredo, mas depois, eu senti algo, senti que não era bom eu continuar lá. Talvez, um pressentimento. Enquanto degustávamos um cappuccino e um pão de brioche com manteiga, resolvi abrir o jogo.

— Senhor, eu preciso que essa conversa fique apenas entre mim e você.

— Claro. Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou.

— Eu conheço a Marina. A sua filha. Ela é a minha esposa. Eu não sabia que o senhor era o dono daqui. Eu não sei se eu posso trabalhar com o senhor. Eu gostaria de pedir demissão, mas pediria que o senhor me indicasse pelo menos para algum outro lugar.

Ele tomou o seu cappuccino com calma, colocou a xícara em cima da mesa e, com um olhar firme, mas sereno, me respondeu:

— Eu sei muito bem quem é você, Diego. Eu olhei o seu currículo, seu nome e sobrenome, e também soube que a minha filha se casou, tanto que enviei um presente para vocês. E eu sou muito grato a você.

— Por quê? — perguntei, sem entender.

— Porque eu nunca vi a minha filha tão feliz. Eu nunca vi um homem valorizá-la tanto quanto você. E você me ajudou. Ela me ligou ontem... algo que quase nunca fez. Ela perguntou como eu estava. Disse que sentia saudades e que você sempre a aconselhou para que se aproximasse de mim. Eu nunca vou permitir que você saia da minha empresa. Eu preciso recompensar você.

— Senhor, eu jamais permitiria ter algum tipo de vantagem dentro da sua empresa só porque casei com a sua filha — respondi, decidido. — Até porque eu não casei com ela pensando em dinheiro. Para mim, ela era dura e batalhadora como eu! Eu não quero abusar da sua boa vontade.

— Mas eu insisto, você é um bom homem — ele rebateu. — Não tem problema em ser ajudado. Eu posso te colocar bem próximo de mim.

— O máximo que eu posso aceitar do senhor é que me deixe exatamente onde estou. Mas eu não quero ser promovido, eu não quero receber nenhum tipo de favor porque sou casado com a sua filha. Eu quero ser promovido pelo meu valor e pelo meu esforço.

O Pedro me olhou com respeito.

— Eu admiro isso. Realmente, ela se casou com a pessoa certa. Farei como você quer...

Ficou firmado entre nós dois que agiríamos assim dali em diante. Me despedi com um aceno, fui para o meu lado, e ele foi para o dele. Realizei as minhas coisas normalmente, e voltei pra casa, como se eu tivesse tirado um peso das minhas costas. Achei que dali em diante, eu teria dias tranquilos. E de início, eu tive sim.

O início da minha jornada na minha nova vida, trabalhando em uma empresa daquele tamanho, foi marcado por muito suor e aprendizado. Eu não era visto lá dentro como o "marido da herdeira", até porque absolutamente ninguém sabia disso. Eu era visto apenas como mais um cara que estava ali para contribuir. Fui muito esforçado, mergulhei de cabeça no primeiro ano e aprendi bastante. Não demorou muito para que eu conseguisse a minha primeira promoção. Deixei de ser aquele cara que apenas separava documentos, que corria até o cartório para fazer transferências de imóveis ou que vivia na fila do banco fazendo depósitos, e passei a ir para o campo, lidando com uma cartela real de clientes.

Foi nessa época que eu conheci o Otávio, um sênior que ficaria responsável pelo meu aprendizado e supervisão. Mas o Otávio não era o tipo de pessoa que eu esperava. No início, ele parecia ser um bom amigo, um mentor. Nos tornamos amigos, e eu de certa forma confiava nele. Até que veio a primeira festa da empresa. Ele começou a me empurrar para situações em que eu não me sentia confortável. Ele vivia repetindo no meu ouvido: "Se você quiser subir nessa empresa, Diego, precisa se enturmar, conhecer as pessoas certas". Eu não era a favor daquele estilo de vida, mas acabei sendo induzido por ele a me abrir mais, a beber além da conta, a conversar com pessoas que eu normalmente evitaria. O Otávio começou a jogar no meu colo clientes certos, contas que dariam belíssimas comissões.

Foi assim que eu comecei a melhorar a vida, me mudei, consegui comprar algo para a Marina com o meu suor, com as minhas economias. Eu pensava, no quanto eu estava sendo esforçado, e que, aquilo estava valendo a pena. Mas tudo isso não era generosidade. Era uma armadilha, e eu estava caindo nela de olhos fechados.

Nessa cegueira, acabei esquecendo dois compromissos importantes com a Marina. Eu estava preso na minha própria teia. Eu queria crescer. Queria ser tão grande quanto a Marina, mas não queria usar a ajuda dela ou do pai dela para isso. A pressão invisível de ser casado com uma herdeira, uma mulher que já teve de tudo na vida, bagunçou completamente a minha cabeça. Era como se eu tivesse a obrigação moral de provar que merecia estar no mesmo patamar social que ela. A Dodge RAM que comprei, o apartamento de dois andares que adquirimos... tudo foi comprado por mim. Não porque precisávamos daquilo, mas porque eu queria provar a mim mesmo, e a ela, que eu poderia ser o homem capaz de lhe dar o padrão de vida que ela estava acostumada. Fui um idiota. Demorei muito para enxergar que a Marina não precisava de riquezas; ela só precisava de atenção e do meu amor. Otavio, no fim, foi um péssimo amigo, e me influenciava nas péssimas escolhas. Ele zombava do fato de minha esposa querer ser uma escritora. Dizia que isso era profissão de gente que morria de fome. E eu, de início me incomodei, mas depois... Lamentavelmente passei a concordar, mesmo que indiretamente.

Ela me falava das coisas dela, que ela conseguia sozinha e eu só pensava, por que ela está tentando fazer isso? Ela não precisa, sou eu quem preciso sustentar essa casa, e essa família. Eu estava sendo machista e egoísta. Deixei de lado amizades com pessoas que poderiam agregar, pra ficar andando com um cara como Otávio. E logo depois, conheci Débora. uma mulher sedutora, elegante. Que começou a me dar atenção... Mais do que o normal. Mas eu era fiel a minha esposa, e apenas acenava, dava um sorriso. Mas sem querer, dei abertura para algo maior. E eu só percebi isso de verdade depois daquela fatídica viagem que mudou tudo.

No dia daquela maldita viagem, eu tive uma escolha: ou eu ficava para prestigiar a minha mulher, ou viajava para fechar um contrato que me daria muito mais dinheiro do que eu jamais pude imaginar. Um contrato que me faria subir de patamar, que me daria tanta grana que eu poderia dar tudo, não só para a Marina, mas para mim também. Fui, e acabei nem falando pra ela que eu iria, onde eu iria. Apenas deixei uma mensagem, mais tarde, sabendo da decepção dela, mas esperando talvez que ela me perdoasse.

Quando cheguei ao interior, fiquei completamente deslumbrado. O homem em questão era um fazendeiro muito rico, e parecia conhecer bem a Débora, e só depois eu descobri que eles eram amantes. Essa mulher parece que adora ser uma puta de homem com grana. Haviam organizado uma festa especificamente para mim, onde fui colocado como o centro das atenções. Naquele salão alugado, diversas mulheres dançavam à nossa volta. Fui empurrado para a bebida e acabei cedendo. Já estava acostumado com aquilo, as festas no escritório eram exatamente assim.

Eu bebi, mas no fundo do meu coração, sentia um peso, um arrependimento amargo... afinal, eu sabia que tinha decepcionado a Marina mais uma vez. Só que, no meu consciente egoísta e estúpido, eu pensava que o que eu conquistaria depois compensaria tudo, que seria muito maior.

A dura verdade é que eu não acreditava que a Marina conseguiria algum tipo de sucesso como escritora. Eu achava que era uma perda de tempo ela continuar insistindo naquele mundo, sendo praticamente a herdeira de uma empresa bilionária. Eu fui um idiota completo por ignorar os sentimentos dela e tudo o que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz.

Foi então que o jogo de sedução começou. As mulheres passaram a se aproximar de mim, e, com a mente turva, eu não percebi o sorriso cínico do Otávio naquela hora. Ele pegou o celular e começou a gravar. Ele filmou as mulheres praticamente esfregando os seios na minha cara. Elas forçaram os mamilos na minha boca, puxaram o meu cabelo e fizeram o meu rosto se afundar nelas. Foram levando a mão para o meu pau, ainda por dentro da calça, e ficaram passando a mão ali.

— Hum, que tesudo ele hein. — Disse uma delas.

— Para... Eu... Porra, sou casado. — Já dizia, alto, tentando resistir.

A Débora, por outro lado, continuava enchendo o meu copo com mais uísque.

— Larga de ser careta. Somos só nós aqui, e eu sei que você fica intimidado comigo. Não quer provar? To doida pra sentir seu pau.

Fui levado, quase que involuntariamente, a beber cada vez mais, até o ponto em que a própria Débora tirou os seios para fora e começou a esfregá-los no meu rosto.

— Aproveita amigo, come essas vadias. — Dizia Otavio, enquanto tinha ali, uma das mulheres já praticamente deixando a calça dele pra baixo, mamando seu pau. Ela se insinuava pra mim, sabendo que estava no sofá de frente, balançando o rabo, já sem calcinha, mostrando a buceta inchada.

Débora estava incisiva a me fazer ceder. Ficava ali se insinuando, logo, ela acabou me beijando, e eu acabei cedendo. No meio do beijo, ela ficou sussurrando coisas, logo ela desviou os lábios e levou até meu ouvido. Eu não me lembrava exatamente do que ela dizia, mas ela sussurrava coisas no meu ouvido e ria. Enquanto me distraía, ela pegou um papel e uma caneta, sussurrando para mim que eu seria muito mais rico do que jamais imaginei se continuasse com o acordo.

"Que acordo?", eu me perguntei, confuso. Mas a Débora não respondeu nada. Ela continuou se insinuando e, de repente, aproveitou que eu estava de pau pra fora, ficou punhetando e pegou a minha mão livre e a enfiou para dentro da calcinha dela.

O Otávio tirava fotos nítidas e gravava vídeos de tudo, enquanto a Débora ria. Assim que eu, estupidamente, assinei aquele papel, uma quantia de 500 mil reais caiu diretamente na minha conta. A Débora então pegou o meu celular e, usando a minha própria digital enquanto eu estava grogue, conseguiu acessar o aplicativo do banco e transferiu todo o dinheiro da minha conta para a do Otávio.

Foi nesse instante que um choque me atingiu. Lembrei da Marina. Lembrei de tudo o que eu estava jogando fora e dei um empurrão na Débora, que acabou caindo no chão.

— Não posso fazer essa porra! — eu gritei, ofegante, enquanto me levantei e fiquei ajeitando minha calça.

— Larga de ser trouxa, já ta aqui, aproveita. — Dizia Otávio.

— Olha, eu tenho mulher. Não posso e não vou fazer isso, eu fui longe demais, não posso chegar nos finalmente. Me desculpem ai, mas vou embora.

Juntei qualquer força que me restava, fui até o lado de fora, e pedi para o motorista me levar para o hotel. Juntei o restante de minhas forças e dormi. Capotei por horas, esperando que tudo aquilo fosse um pesadelo. Mas ali já era tarde demais. Eles já tinham a minha assinatura e o material perfeito para me chantagear.

A partir dali, tentei me consertar com a Marina. Percebi o quanto eu estava agindo errado, e passei a dar mais atenção a ela. E eu que pensei que poderia consertar as coisas, me vi num total pesadelo. Comecei a receber ameaças dos dois e descobri que eles estavam juntos o tempo todo. Eles precisavam de mim para o esquema inteiro funcionar. O golpe era simples: eles criavam notas frias, me faziam assiná-las, o cliente pagava um valor muito mais alto do que deveria, eles embolsavam o dinheiro desviado e eu ficava com toda a culpa.

A gravidez de Marina me deu um sopro de alegria, mas também me fez perceber que eu precisava de alguma forma acabar com tudo aquilo e salvar meu casamento. O peso na consciência me esmagou. Pensar no meu filho que estava para nascer foi a gota d'água. Decidi pedir demissão. Iria entregar ao Pedro tudo o que eu sabia e enfrentar as consequências dos meus atos. Cheguei à empresa decidido, bem no dia em que o Pedro iria passar o bastão da presidência para o Carlos, o filho dele que havia voltado do exterior.

Procurei o Pedro na sala dele e abri o jogo. Contei tudo. Falei sobre a viagem, sobre a chantagem, e, principalmente, revelei que o Otávio e a Débora estavam usando a empresa dele para aplicar golpes nos clientes. O Pedro me ouviu com uma calma assustadora. Ele me disse que já tinha suas suspeitas e que estava investigando a situação em sigilo. Ele sabia quem era a Débora e também desconfiava do Otávio, mas não fazia ideia de que eles estavam tentando me usar como bode expiatório. Tentei entregar meu cargo, mas o Pedro não aceitou. Na verdade, ele me pediu para esperar.

Foi então que a porta da sala se abriu e entrou um homem que se tornaria um grande aliado. Fui surpreendido por um cara chamado César, um investigador da Polícia Civil e amigo de longa data da família Valente. O César sentou com a gente e ouviu toda a história. Para o meu choque, ele revelou que era o ex-marido da Débora. Ele contou que ela o havia traído justamente com o maldito do Otávio, mas ele não imaginava que a ambição da ex-mulher tinha chegado ao ponto de dar golpes corporativos, apesar de já estar investigando o Otávio por conta própria.

Nós três acabamos chegando a um acordo ali mesmo na sala. Eu iria continuar trabalhando e fingindo ceder às chantagens da dupla para ganharmos tempo. Enquanto isso, o Pedro e o César trabalhariam nas sombras para reunir provas, colocar os dois na cadeia e tentar, ao menos, me livrar do pior das acusações. Eu assinei um acordo de cooperação com a polícia e, daquele momento em diante, passei a ser um colaborador infiltrado na investigação.

O Jantar corporativo, onde levei a Marina, as conversas de chantagens, tudo estava sendo monitorado por eles. A farra deles estava por um fio com a chegada de Carlos, que decidiu fazer um pente fino em todos os contratos e notas da empresa, para saber onde estava pisando. E ali vieram as piores ameaças. Porém, todo o cerco para eles estava para se fechar.

Pedro estava já orquestrando a entrada de um amigo bilionário, alguém que possuia muitos negócios, para fechar um contrato astronômico. Otávio ja cresceu o olho, pois poderia ter a oportunidade de embolsar milhões e ainda jogar toda culpa em mim. O que eles não sabem, é que o bilionário planeja fazer os dois estarem juntos comigo na assinatura do contrato, e que a polícia estará junto.

Além disso, Pedro havia feito um plano muito ardiloso: dividir para conquistar. Comecei a falar para Otávio que Débora estava me fazendo assinar contratos e notas longe dele, e que eu já havia depositado valores na conta dela, o que acabou levantando a semente da discórdia na cabeça dele. Otávio era ganancioso e eu sabia disso, e ele não iria confrontar Débora assim logo de cara. Foi então que eu tava me procurou certo dia e me fez uma proposta:

— Estou disposto a apagar todas as provas contra você, porém, eu quero que você me ajude a ferrar com aquela desgraçada. Se ela tiver realmente me roubando, quem vai para cadeia é ela.

César ja tinha provas para prende-los, mas queria fazer em flagrante. E isso iria acontecer hoje. Então por isso resolvi contar tudo a Marina. E ela me ouviu. E nada falou.

Esperei a reação de Marina como se minha vida dependesse daquilo. A cada relato a cara dela se misturava entre decepção, surpresa e um pouco de tristeza. Meu filho estava com Doralice, que colocou ele para dormir.

Marina então se levantou, com um semblante cansado. Ela olhou pra mim e disse.

— Escutei tudo Diego, como eu te prometi. E eu não sabia que você já estava ciente de tudo... escutar de você foi uma... Surpresa.

— Me desculpa, Marina. — Eu fui até ela, e me ajoelhei. Peguei as mãos dela, e olhei para seus olhos, cansados, mas eu sabia que tinha muito mais ali.

— Diego, acho melhor nos separarmos. — Ela disparou. — Não quero que pensei que é por alguma traição, pois sim, você me traiu, deixou que chegassem em você até quase nos finalmente. Mas o que mais me doi, foi ouvir de você, que nunca acreditou em mim.

Fiquei de cabeça baixa naquele momento pois Marina tinha toda razão. De fato, por um momento acabei não acreditando no potencial dela, fui levado pela opinião dos outros e sinceramente talvez aquela fosse até a minha própria opinião. Ficava pensando porque uma pessoa que era tão rica acabou deixando de lado toda aquela grana.

— Você tem razão Marina eu realmente subestimei você. Talvez por isso essa situação acabou acontecendo. Eu acredito que nada do que eu falar vai mudar alguma coisa, mas eu te amo. Eu passei a acreditar em você quando vi como você cresceu

— Até o meu pai foi para a inauguração do meu livro. A editora já me chamou para dois eventos. E você não foi em nenhum.— Ela respondeu.

O que eu podia fazer? Na verdade ela tinha razão. Olhei pra ela, e perguntei pela última vez.

— Você tem certeza que deseja fazer isso? — Perguntei.

— Talvez eu tenha errado com você em esconder por anos a minha origem. Sei disso. Tive meus motivos, e mesmo que eu falasse, isso não mudava minha vida atual. — Ela disse, e continuou. — Mas mesmo assim, não muda o fato de que você não acreditou em mim. Isso é algo que realmente me machucou ouvir de você. Então, pelo menos agora, sim. Eu tenho certeza.

Resolvi então fazer as malas, e sair de casa conforme ela pediu. Me despedi do meu filho. Perguntei se poderia visita-los, para ver ele, e ela disse que sim, sempre que eu quisesse. Ela tentou devolver o carro que dei a ela, mas não aceitei. Sai de casa arrasado, mas decidido e cheio de "sangue nos olhos" a pelo menos acabar com a festa de Otávio e Débora de uma vez.

Peço desculpas pessoal pela demora a postar a penúltima parte mas minhas férias haviam acabado e voltar a rotina estava me cansando, até adaptar foi fogo. Hahah

Mas voltarei a postar com uma frequência aqui de novo.

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Comentários

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Apoio totalmente a Marina, Diego é um homem que não inspira confiança, sempre depende dos outros para tomar alguma atitude assertiva, não vejo nobreza de sentimentos em nenhuma decisão importante que ele tenha tomado, até às positivas, todas foram ambíguas já que ele sabia que a Marina era uma herdeira milionária, portanto é difícil de analisar suas atitudes como puras, sem um interesse material, já que manteve segredo de sua ciência do passado da Marina, isso é uma forma de manipulação sutil e intriseca, mas é uma forma clássica de manipulação, Marina errou em não revelar seu passado quando ele entrou no Grupo Valente, mas Diego errou muito mais em não ter revelado sua ciência das origens de Marina, pois os motivos dele, no fundo, não ficaram claros, devido a suas atitudes, ele pensa uma coisa, mas age de outra forma contrária a seus princípios.

Resumindo, além de não ter sido cúmplice dos desejos e anseios da Marina, ele foi infiel e desleal ao casamento, família e a si mesmo, que é o pior de tudo, nesse momento tem que haver a separação para que Diego realmente faça uma avaliação profunda de seu comportamento, a distância pode dar o choque de realidade que ele precisa e torcer para que a Marina descubra no Cesar sua felicidade interrompida por uma mulher sem caráter, pois o Cesar nunca errou com Marina, já o Diego...

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Errar ele errou né, nunca chegou nos finalmente mas se ele largou a Marina pra ficar com a Débora, algo aconteceu hahaha.

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Kayrosk, saudades e vc irmão!

Quantas informações novas meu amigo! Diego passou um mal pedaço sim, deve ter sido bem difícil descobrir quem é Marina, trair ele não traiu mas...pq ele não abriu o jogo antes né!! Burrinho!

César não imaginava mesmo. Pedro é um tremendo sujeito do bem!

No momento é difícil imaginar os dois juntos de novo, pois Marina tem sua razão.

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Sensacional Kayrosk leva fácil as 3 estrelas. Agora é torcer para ele conseguir prender os dois safados e conseguir o perdão da MariMarinan que tem todos os motivos para querer uma separação, mas dentro do ocorrido o perdão nesse momento também é uma possibilidade bem viável, vai depender da régua da Marina.

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Perfeito 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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Pqp , que conto fabuloso.

O mago kayrosk mais uma vez nos surpreendendo.

A Marina ainda volta com o diego que foi sincero .

Poucas vezes vi um cara tão gente boa quanto o Diego.

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Excelente!

Achei a Marina um tanto quanto radical.

Mas gosto de quem tem posicionamento.

Não sei se faria o mesmo.

Mas apoio totalmente que tenha feito.

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