Tendências – Cap 16 - Ciência e Sinceridade!
Feminização, Menino para Menina, Transição, Crossdresser
Este episódio ocorreu a algum tempo, não há uso de material ilícito, nem apologias a uso de violência/drogas/pedofilia. Conta a história de Amanda, muito antes dela saber que seria Amanda.
Acordei no domingo, já mais aliviada com a conversa com a médica, foi um alívio eu ter me entendido trans, ter me entendido que todo esse meu esforço foi na verdade meu desejo sendo realizado.
Confesso que não pensava muito nisso, mas a cada dia que voltava para casa ou que ia dormir eu pensava intimamente em tudo o que fiz naquele dia, alguns pensamentos vinham e iam, e muitas vezes dormia feliz, em outras mais perdida do que nunca, mas interessante que nunca ficava decepcionada com minhas descobertas como menina.
Então já aliviada, fiz uma maquiagem que sempre desejei, apliquei cremes, batom, lápis e nos cílios apliquei pela primeira vez um extensor, ficou lindo eu amava meus olhos grandes e com cilios maiores, negros e lindos.
Na roupa, coloquei a mais provocante, no sentido da feminilidade, meia fina brilhante, numa cor meio cinza meio brilhante, que deixava minhas pernas mais femininas e provocativas, meus seios ainda não expressavam a mulher que eu me sentia, mas agora era questão de tempo, e assim desci e mamãe me elogiou como quão feminina eu estava.
– Filha, nossa parece que tenho uma outra filha, você está tão segura, transparece no seu sorriso, na sua roupa e nos seus gestos, orgulhosa dessa minha nova filha, amando.
– Obrigada mamãe, acho que eu me afligia a toa e isso me tornava um pouco reservada, mas agora acho que é isso mesmo, acho que Amanda vai ser muito feliz.
– Sim filha, tenho certeza, conte comigo.
Assim fomos pra loja, recebi algumas cantadas de meninas e meninos que vinham acompanhadas de suas mães e irmãs, foi engraçado pois nos outros dias, ou eu não ouvia, ou não prestava atenção, ou realmente agora eu estava exalando feminilidade e isso tornou as pessoas também mais seguras em me cantar, mas nenhuma creio tinha a menor hipótese de me ver como menino, era interessante e um dos meninos deixou até um telefone e @instagram para lhe seguir.
Eram 14 horas quando vejo minha namorada chegando com sua mãe, aquilo me deu um enorme frio na barriga, mas assim que fui apresentado, Rose me deu um selinho, me puxou mais para perto dela e disse para sua mãe.
– Não te falei que minha namorada é uma gata, mamãe?
– Sim filha, vejo que vocês duas são lindas, mas onde está a mãe da Amanda?
– Mamãe está ali no depósito, foi pegar uns produtos para reposição ela já chega.
Uns minutos depois, mamãe apareceu, eu fui ao seu encontro, trouxe ela pela mão e apresentei minha namorada e sua mãe, diante disto, mamãe pediu licença e foi conversar com minha futura sogrinha.
Atendi alguns clientes, enquanto Rose ficava pela loja, ajustando algumas prateleiras, olhando produtos, tinha até uma cestinha que ela colocou alguns produtos.
Meia hora depois mamãe nos chamou.
– Bom meninas, acho que estamos todos alinhados com as mudanças, filha eu adiantei algumas informações com a mãe de sua namorada, foi importante, faça o seguinte, tire 1 hora de folga, saia com sua namorada e acho que é o momento dela também saber das mudanças, a noite iremos jantar fora nós 4, lá em casa, já até pedi os delivery então assim que voltarem, elas tem algumas coisas para fazer e nos vemos às 21 horas.
Nossa a notícia ao mesmo tempo que deu uma alívio, deu também um frio na barriga, afinal estava muito mais rápido do que eu imaginava, muito mais aceita pela família do que podia sequer imaginar, na verdade, nunca me vi assim menina trans, sendo aceita, era o patinho feio que um dia ia achar uma namorada e ponto.
No lanche conversamos amenidades eu e Rose, e procurei não beijar ela ali perto do trabalho pois tinha toda uma vizinhança que não sabia ainda como se portava quanto a duas meninas juntas, que na verdade eram meninos, ou melhor foram meninos, até eu me atrapalhava com toda essa confusão.
Próximo de voltar pra loja, a poucos metros, levei um susto, saindo da porta meu novo amigo e admirador, viu eu de mãos dadas com Rose, era nítido para quem via que éramos muito mais do que duas amigas de mãos dadas, mas para quem olhava rápido eram duas meninas como todas as outras andando juntas de mãos dadas.
Ele percebeu, um misto em seu olhar de tristeza, outro olhar de admiração, ele logo voltou às pressas para dentro da loja, tentando não ser visto, tentando se esconder, mas nós duas percebemos, Rose não entendeu, eu apenas cochichei.
– Depois falamos dele, é um amigo.
– Hum sei não. Disse Rose. Já vi essas cenas antes, nem sei o contexto mas a primeira impressão é que ele gosta de você, tadinho parece bem tímido.
– Derr, pare de ser besta, é um amigo, vizinho da loja, ele vem às vezes me fazer companhia nestas primeiras semanas, quando fico sozinha.
– Hum sei, imagino. Deve ser difícil para ele esconder a paixão por você, né? Me conte, ele já tentou te beijar ? Vocês já tiveram algum lance?
– Pare de ser besta, nem morta! Ele é um menino, e eu gosto de meninas, credo?
– Olha amor, em outro momento vamos conversar sobre isso, eu já tive namoradas e namorados, mesmo antes da transição, não vou te julgar, mas falamos disso em outro momento, então vamos encerrar aqui tá.
– Tá ou não né, joga uma bomba dessa, faz insinuação e agora quer me deixar maluca de curiosidade, aff, sua ridicula.
Disse isso em um tom misto de brava, nervosa e com boa pitada de ciúmes.
Assim que chegamos, Rose tratou de chamar sua mãe e foram embora, ela sabia que eu iria perguntar sobre seus namorados(as), isso agora era o que me consumia, misturado com a ideia de que meu amigo na verdade seria realmente um admirador.
Acho que eu ainda não percebia estas coisas, mas mamãe deve já ter olhado Betinho me olhando, e a Rose deve ter percebido algo que até então eu não percebia, então fiquei nessa pira de pensar no Betinho e ele me paquerando, e a Rose e como me comportaria se encontra-se essas pessoas de seu passado e eu estivesse com ela.
Só quem viveu esta sensação pode imaginar, eu estava quente por dentro, mistura de tesão, de ciúmes, de desejos e o pior, em ambos os casos via que eu de alguma forma era desejada, tanto o ciúmes e observações de Rose sobre Betinho, quanto as vezes que agora relembrava e via outros contextos, de Betinho junto comigo, me deram um sentimento que não havia sentido como menina.
No decorrer do fim do dia, terminamos o dia, fechamento do caixa e uma boa surpresa, havíamos superado nossas expectativas de vendas, mamãe me disse que caso isto se mantenha pelos próximos 2 meses, embora fosse cedo ainda, já consolidada a loja como rentável, não a ponto de ser autossuficiente ou de ficarem ricas, mas já dava sinais do caminho certo.
Fomos pra casa, fui para o banho, retirar toda a make e me produzir para a noite, mamãe deu umas dicas e eu achei válida, mas não conseguiria fazer sozinha, então depois de banho, cremes, e escolhido o modelito, fui de calcinha, sutiã e roupão pedir ajuda dela na make, que ela fez tão fácil e rápida, eu teria que me aperfeiçoar mais nisso.
Sai e me vesti, usei um vestido de alças que ia até os joelhos, na parte da frente, decote em V e mangas em renda, quando compramos ele dizia: Vestido Curto Elegante Feminino de Renda Floral Transparente com Cintura Marcada, Adequado para Primavera, Verão e Outono.
No horário marcado chegaram, nos cumprimentamos, mamãe nos levou até a sala, e deixando as visitas ali comigo foi para cozinha trazer os petiscos.
Cerca de 45 minutos depois chegou o Delivery, fomos para a sala de jantar, e jantamos, mamãe e minha sogra foram falando sobre as mudanças que ocorreram na vida de suas filhas, mais minha mãe perguntando como foi a transição de Rose e como foi com família e questões legais, interessante que mamãe já tinha deixado uma agenda perto e foi anotando tudo na agenda, conforme suas dúvidas foram tiradas, era mais ou menos o que a psicóloga e doutora falaram, mas ali tinha a questão entre expectativa e realidade, algumas coisas não eram tão fáceis assim, mas percebemos que ambas passaram bem pelas dificuldades, em algumas vezes era Rose que respondia, a pedido de sua mãe, e eu acabei entrando mais na conversa, fazendo perguntas mais adolescentes do que técnicas, quando eram umas 23 horas elas se deram conta de quanto tempo estávamos falando então a mãe de Rose disse.
– Nossa como o tempo passou, como é maravilhoso um bom papo, companhias agradáveis, esse acolhimento, mas temos que ir, e já vamos marcar para quarta ou quinta depois da loja vocês irem lá em casa, combinado?
– Sim, vamos sim. Disse mamãe rapidamente e me olhando completou. Pode ser filha?
– Lógico, vou adorar, posso ir e posar lá para ir para aula?
– Não filha, vai ser uma visita, e voltamos, não apresse as coisas, temos algumas outras conversas para termos as quatro para que essa liberdade, respeito e confiança sejam estendidas, todos concordam?
– Penso o mesmo, como mães sabemos a educação que damos às nossas filhas, mas já tivemos a idade delas e sabemos que aflora outros sentimentos e desejos, prefiro também, umas boas rodadas de conversas antes de compromissos e entregas.
Eu e Rose nos olhamos, vermelhas de vergonha, mas cientes do que exatamente elas falavam, eu pelo menos, estava muito mais excitada e vulnerável do que nunca, acho que era perceptível que não sabia ainda controlar todos os sentimentos, Rose já era mais segura, então não tinha como eu não concordar, mesmo desejando algo beeeeemmmm diferente.
Assim que foram embora, mamãe ficou mais uma hora conversando comigo, agora associando tudo que falaram, tudo que as médicas falaram, era bem adequado esse confronto entre Ciência e Vida, saímos dali para nossas camas mais bem entendidas dos perigos, anseios e desafios do futuro, já era segunda de madrugada, uma nova semana para trabalho e estudos.
