Pestilência - Rocky

Da série Pestilência
Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 2748 palavras
Data: 15/06/2026 11:50:24

Acordei antes de todo mundo, antes do sol nascer, meu corpo já havia aprendido a despertar sozinho muito antes do amanhecer. Permaneci alguns segundos encarando o teto do quarto. Pouco depois de terminar o café da manhã, um dos soldados apareceu para me avisar que Elana queria me ver. Caminhei pelos corredores até chegar à sala dela, os guardas na porta abriram passagem sem dizer uma palavra. Entrei.

Elana estava sentada atrás da mesa, como sempre, postura impecável, expressão tranquila, a diferença era que não estava sozinha. Uma mulher ocupava uma das cadeiras à frente da mesa, loira, cabelo preso em um coque meticulosamente alinhado, aparentava pouco mais de trinta anos.

Vestia roupas formais escuras e mantinha as mãos repousadas sobre as pernas. A postura era tão rígida que parecia ter sido treinada para permanecer imóvel durante horas. Seus olhos me acompanharam desde o instante em que entrei, avaliando cada detalhe.

Não gostei dela imediatamente.

— Sangue — disse Elana. — Chegou na hora certa.

Continuei em silêncio.

— Esta é Maxim.

— Prazer — a mulher fez um leve movimento com a cabeça.

Não respondi.

— A partir de hoje vocês trabalharão juntos.

— Sabe que trabalho melhor sozinho — olhei para Elana.

— A decisão não é sua — ela rebateu.

Assenti, concordando com ela. Maxim permaneceu em silêncio, observando a conversa sem interromper.

— Falando nisso, sua antiga parceira voltou a causar problemas — Elana continuou enquanto puxava uma pasta na gaveta do lado esquerdo da mesa.

Rocky. O nome não foi pronunciado, mas não precisava, ambos já sabíamos. Elana abriu a pasta e deslizou alguns documentos pela mesa.

— Recebemos novas informações.

Rocky havia sido uma das poucas pessoas que conheci que parecia incapaz de sentir medo. Enquanto todo mundo aceitava ordens, ela fazia perguntas. Enquanto todos obedeciam, ela discutia. Enquanto todos procuravam sobreviver, ela falava sobre viver.

Nunca entendi completamente o que aquilo significava, liberdade. Era uma palavra que ela repetia constantemente, algo que eu nunca tinha conseguido compreender.

No fim, ela simplesmente foi embora, abandonou tudo, a organização, as regras, Elana. E eu fui enviado atrás dela, tive inúmeras oportunidades de matá-la, mas no fim, eu simplesmente não conseguia. Até hoje aquele continuava sendo o único trabalho que jamais terminei.

— Desta vez sabemos onde ela esteve.

Empurrou um papel em minha direção, peguei, um endereço.

— Quero que resolva isso — ela me encarou, os olhos fecharam um pouco. — De forma definitiva.

Levantei os olhos, Elana sustentou meu olhar. O silêncio tomou conta da sala, Maxim permaneceu imóvel.

— Quando saímos? — a voz rouca de Maxim quebrou o silêncio.

— Agora — Elana respondeu.

Ambos fizemos uma reverência e saímos da sala, indo diretamente para o carro. Maxim dirigia com precisão, as mãos permaneciam firmes no volante, os olhos atentos à estrada e a postura tão perfeita que chegava a parecer artificial. Já fazia quase uma hora que estávamos viajando e eu começava a acreditar que passaríamos o trajeto inteiro em silêncio. Infelizmente, estava errado.

— Então você realmente veio do Lixão?

Mantive os olhos na estrada.

— Sim.

— E foi recrutado por Elana?

— Sim.

— Quantos anos você tinha?

— Não sei.

— Você não sabe?

— Não sei.

Percebi pelo canto do olho que ela me observava rapidamente antes de voltar a atenção para a estrada.

— Isso é estranho.

— Sim, estranho.

Ela assentiu levemente, pensei que aquilo encerraria a conversa. Novamente estava errado.

— Há quanto tempo trabalha para a organização?

— Não sei.

— Você não sabe muita coisa sobre a própria vida.

— Nunca precisei saber.

Aquilo arrancou um pequeno suspiro dela.

— Entendo.

Mentira. Ela claramente não entendia. Maxim era o tipo de pessoa que provavelmente sabia até quantas vezes respirava por minuto.

— Elana realmente encontrou uma peça rara.

— O que isso significa? — olhei para ela.

— Significa que você é diferente.

— Diferente como?

— Diferente de todos os outros agentes.

— Não sou — voltei a olhar para a frente.

— É sim.

— Sou igual a qualquer outro — respondi um pouco irritado. — Você sempre discute por tudo?

— Apenas quando estou certa.

Revirei os olhos, Maxim sorriu.

— Entendo por que Elana gosta de você.

— Não entende.

— Você recebe tratamento diferente.

— Não recebo.

— Recebe.

— Não recebo.

— Recebe.

Percebi tarde demais que ela estava me provocando. Aquele pequeno sorriso voltou.

— Você pode repetir isso o dia inteiro, continua sendo verdade.

— Está imaginando coisas.

— Estou?

Ela fez uma pausa.

— Quantos agentes entram na sala dela sem bater?

Não respondi, aquilo me fez desviar o olhar para a janela. Maxim percebeu.

— Foi o que pensei.

O restante da estrada seguiu em silêncio por alguns minutos, achei que ela finalmente havia desistido. Mais uma vez estava errado.

— E Rocky?

Meu corpo ficou ligeiramente mais rígido.

— O que tem ela?

— Elana disse que foi sua parceira.

— Foi.

— Antes de desertar.

— Sim.

— Vocês eram próximos?

— Sim.

— Amigos?

Demorei alguns segundos para responder.

— Sim.

— Então foi por isso que você não conseguiu matá-la?

— Não.

— Não?

— Não.

— Então por quê?

Permaneci em silêncio, mas a resposta era simples. Porque era Rocky, mas eu não sabia explicar aquilo, nem para ela, nem para mim mesmo.

— Ela foi o único alvo que escapou de você?

— Sim.

— O único?

— Sim.

Ela ficou pensativa, observando a estrada, observando o horizonte.

— Então talvez não tenha sido um fracasso.

— Foi.

— Porque não a matou?

— Sim.

— E se não fosse esse o objetivo?

— Era.

— Como sabe?

— Porque recebi uma ordem.

— Claro — ela suspirou.

Voltamos ao silêncio, até que o prédio apareceu no horizonte, velho e abandonado. A estrutura parecia prestes a desabar, observei cada janela, cada entrada, cada rota de fuga. Nenhuma movimentação aparente, Maxim estacionou alguns metros adiante, desligou o carro, imediatamente soltei o cinto.

— Espere aqui — falei.

— O quê?

— Espere no carro.

— Somos parceiros agora.

— Eu sei.

— Então vamos entrar juntos.

— Não, vigie o perímetro.

— Não recebo ordens suas.

— Então considere um conselho.

Desci do carro e então comecei a caminhar em direção ao prédio. Entrei, o prédio parecia morto, sem vozes, sem passos, nem máquinas distantes funcionando. Atravessei a entrada principal, a porta estava destrancada, as dobradiças enferrujadas rangeram quando a empurrei. Meus olhos percorreram corredores vazios, salas abandonadas e móveis cobertos por uma fina camada de sujeira. Parecia um esconderijo temporário. Um lugar utilizado por algumas semanas e depois descartado.

O tipo de lugar que Rocky costumava escolher. Continuei avançando, a sensação de estar sendo observado surgiu antes mesmo de encontrar qualquer evidência concreta. Era um instinto antigo, alguém estava ali, não precisei esperar muito para descobrir quem. Um movimento surgiu à minha direita, rápido, uma barra de metal veio em direção à minha cabeça, desviei por reflexo, a barra acertou a parede.

Antes que o agressor pudesse recuar, agarrei seu braço, torci o pulso e o puxei para frente. Meu joelho encontrou seu abdômen, o homem perdeu o ar instantaneamente. Aproveitei a abertura e o derrubei no chão. Ele tentou alcançar alguma coisa presa ao cinto, não deixei. Múltiplos golpes no rosto até que o corpo dele enfim relaxasse e tombasse no chão. Observei o homem caído por alguns segundos, não o conhecia, também não me importava.

Continuei avançando, quanto mais explorava o prédio, mais evidências encontrava, cabos espalhados e monitores ligados, mapas, anotações, alguém havia saído dali recentemente. Parei diante de uma mesa repleta de documentos quando um assobio ecoou pelo ambiente, um assobio despreocupado e extremamente familiar.

Virei o rosto, Rocky estava parada na entrada da sala, durante alguns segundos apenas nos encaramos, ela parecia exatamente igual, cabelo bagunçado, sorriso confiante, postura relaxada de alguém que não levava nada a sério. Então ela abriu um sorriso ainda maior.

Antes que eu pudesse fazer algo, ela atravessou a sala correndo e me abraçou. Fiquei imóvel, sem reação alguma, sempre sentia o corpo enrijecido quando ela me tocava, sempre sentia um calor no peito quando ela chegava desnecessariamente perto de mim. Rocky apertou os braços ao redor do meu pescoço.

— Eu estava começando a achar que tinha me esquecido — ela falou, erguendo seu rosto.

— Não esqueci.

Ela finalmente me soltou e deu um passo para trás, continuava sorrindo, sem nenhum medo.

— Então — disse ela. — Está aqui para me matar?

— Sim.

Esperei alguma reação, Rocky apenas assentiu.

— Mas eu sei que você não vai me matar.

— Parece bastante confiante.

— Eu estou bastante confiante.

— Por quê?

— Porque você é meu amigo — ela abriu um sorriso maior do que quando havia me visto. — E amigos não matam amigos.

— Algumas pessoas matam.

— Você não.

— Como sabe?

— Porque você está aqui conversando comigo — ela apontou para mim.

Aquilo era irritante, principalmente porque fazia sentido, uma verdade que eu não conseguia contestar. Rocky caminhou até o homem que eu havia derrubado mais cedo, observou o corpo, depois deu um leve chute na perna dele, nenhuma reação.

— Droga — ela suspirou, abaixou a cabeça por alguns segundos. — Ele era um bom ajudante.

— Desculpa por isso, não vai ficar brava? — abaixei o olhar.

— Com você? Não.

— Matei um dos seus homens.

— Você faz isso o tempo todo.

— Isso não é inconveniente para você?

— Talvez — ela riu.

Ela puxou uma cadeira próxima e simplesmente se jogou nela da maneira mais desleixada possível. Ficou inclinada para trás, equilibrando-se apenas nas pernas traseiras do móvel. Eu tinha certeza de que Elana teria uma crise nervosa se a visse sentada daquela forma.

— Então — disse Rocky. — Quanto tempo pretende continuar brincando de caçador?

Permaneci em silêncio.

— Essa é uma pergunta séria.

Continuei em silêncio.

— Você continua chato — ela balançou a cabeça. — Incrível.

— Rocky...

— Não, escuta — ela apontou para mim. — Você continua exatamente igual.

Revirei os olhos, Rocky sorriu, o sorriso foi diminuindo aos poucos, mas não desapareceu completamente.

— Eu fui embora, porque escolhi ir embora — ela rodou na cadeira. — E você continua fingindo que não tem escolha, não fica com preguiça de obedecer ordens o tempo todo? Isso não te incomoda? Ou está confortável demais debaixo da asa daquela mulher?

Rocky me observava com uma seriedade rara, esperando que eu finalmente admitisse alguma coisa, mas eu não tinha resposta. A seriedade que havia surgido em seu rosto desapareceu tão rápido quanto apareceu, então ela sorriu.

— Nossa, que preguiça de conversa deprimente — ela se endireitou na cadeira. — Você, eu, liberdade, escolhas.

Ela se levantou da cadeira e caminhou pela sala.

— Sinceramente? Já que você está aqui, poderíamos fazer algo mais divertido.

— Divertido?

— Sim, divertido, como nos velhos tempos.

Não concordei, também não discordei.

Ela se levantou num movimento sensual, caminhou até mim em passos lentos. Os seus dedos tocaram na minha nuca, ela me puxou com certa força, me inclinei até encontrar a boca dela, era incrível como era sempre suave, sem pressa, como se o mundo inteiro desacelerasse até quase parar quando ficávamos assim, tão perto. A sua boca era quente, o sabor dela familiar e, ao mesmo tempo, novo.

A mão que me segurava a nuca não ficou parada. Desceu lentamente pela minha espinha, traçando um caminho até à cintura, e depois mais abaixo, até encontrar o volume entre minhas pernas. O toque foi direto e o meu corpo reagiu, tremendo um pouco. Ela sorriu contra os meus lábios.

Ainda me beijava quando ela se agachou. O movimento foi rápido, os dedos ágeis desabotoaram minha calça e o zíper desceu, libertando minha pica que saltou para fora, já dura e latejando, pulsando com o meu coração acelerado. Rocky parou por um instante, os olhos fixos. Vi a ponta da sua língua molhar os lábios antes de se inclinar e o abocanhar.

O calor da sua boca foi um choque, ela me envolveu com os lábios, a língua dançando em volta da cabeça, antes de me levar mais fundo. Apoiou as mãos nas minhas coxas, os dedos a apertarem com força enquanto começava a chupar. Gemia, um som abafado com o meu pau todo atolado na sua boca, a vibração percorria todo o meu corpo. Eu sempre aproveitava o calor da boca dela, a forma como ela sabia exatamente como usar a língua, o ritmo.

De repente, ela parou, se levantou de uma vez e voltou a me beijar, numa urgência que me contagiou, começou a tirar a roupa desesperadamente, o blusão caiu no chão, seguido da camisa. Eu fiz o mesmo, rasgando botões da minha camisa, a vontade animal de foder ela, avassalador quase como um instinto primata.

Agarrei ela, puxei-a contra mim, apertei forte sua bunda, a pele dela estava quente e macia. Ela obedeceu ao movimento, entrelaçou as pernas na minha cintura, e automaticamente, entrei. O movimento foi quase teatral, perfeito, preciso, como se os nossos corpos se lembrassem exatamente um do outro. Ela soltou um gemido alto, um som de alívio e de puro prazer, e eu prendi a respiração por um momento, apenas para sentir a buceta molhada e quente me envolvendo, me apertando.

Dei alguns passos para frente, com ela ainda agarrada a mim, até chegar a uma mesa velha de madeira que estava encostada à parede. Passei o braço por cima, derrubando o que estivesse ali em cima, os objetos que mal sabia o que eram, se espalharam pelo chão com um estrondo. Apoiei Rocky na mesa, a madeira fria contra as suas costas. Ela se deitou, o peito estufava a cada respiração ofegante, os olhos fixos nos meus. Agarrei com força as coxas dela e comecei a fodê-la, com violência.

A mesa velha de madeira começou a ranger incessantemente, se misturava com os nossos gemidos e o som da minha virilha batendo no meio das pernas dela, parecia que ia se partir a qualquer momento, mas eu não parei. Rocky gemia desesperada, a cabeça lançada para trás.

— Mais... — pedia ela, a voz quebrada. — Senti tanta saudade de você, do teu pau... Caralho... Se pudesse, fodia com você todos os dias.

Eu aprofundava as metias, sentindo o corpo dela a tremer sob o meu. De repente, ela me empurrou com força, recuei um passo. Ela se sentou na mesa, desceu e, sem dizer palavra, se agachou novamente à minha frente. Abocanhou o meu pau, agora molhado com os próprios fluidos, começou a sugar, chupando com força, deixando o meu pau ainda mais babado.

Depois, simplesmente arrebitou a bunda para mim, uma oferta irresistível. Me posicionei atrás dela e voltei a fodê-la, entrando com um único movimento forte e profundo. Agarrei a cintura magra dela, os meus dedos afundando a pele, e a fodi com toda a força que tinha.

— Mais força! Mais rápido! — gritou ela, o rosto virado para o chão, o cabelo caindo sobre o seu rosto.

Eu obedeci. O ritmo ficou ainda mais brutal, o som dos nossos corpos colidindo era agora a única melodia que importava. Agarrei o cabelo dela, num punho apertado, e a puxei contra mim, forçando o corpo dela a arquear. As suas costas colaram-se ao meu peito, continuei fodendo ela até começar a gozar dentro dela, sentindo os espasmos do meu orgasmo me sacudir até aos ossos enquanto ela gemia, exausta e satisfeita, contra mim.

O tempo pareceu desacelerar por algumas horas. Pela primeira vez desde que havia entrado naquele prédio, a conversa sobre caçadas, ordens e deserção ficou para trás. Era estranho como Rocky conseguia fazer isso. Sempre conseguia agir como se o mundo não estivesse desmoronando ao redor dela. Vesti minha roupa sem pressa, Rocky estava sentada sobre uma das mesas, balançando as pernas distraidamente enquanto mexia em alguns papéis.

— Então — disse ela. — Vai voltar para a coleira?

Revirei os olhos.

— Você nunca cansa dessa piada?

— Não é piada.

Suspirei, Rocky sorriu. Caminhei até a saída, antes de atravessar a porta, parei.

— Toma cuidado.

— Está preocupado comigo? — ela arqueou uma sobrancelha.

— Receberam informações sobre este lugar.

— Recebem informações sobre todos os lugares.

— Rocky.

— Eu sei — ela suspirou dramaticamente. — Ficar trocando de esconderijo dá um trabalho absurdo. Ah, que preguiça disso tudo!

— Então troque.

— Você fala isso porque não é você quem precisa carregar as caixas.

Apesar do tom brincalhão, percebi que ela havia entendido o recado.

— Obrigada pelo aviso.

Assenti.

— Tchau, Sangue.

Permaneci alguns segundos observando-a, ela continuava sorrindo, como se tivesse absoluta certeza de que nos encontraríamos novamente.

Então fui embora, atravessei os corredores do prédio e saí, indo até o carro, Maxim continuava dentro do veículo, ela me viu se aproximar e imediatamente destravou o carro. Abri a porta do passageiro e entrei.

— Concluiu o serviço?

— Ela não estava lá.

Maxim permaneceu em silêncio, o motor continuou desligado. Por alguns segundos, achei que ela diria alguma coisa, que faria outra pergunta. Mas ela apenas me observou.

— Entendi — respondeu.

Ligou o carro, não parecia convencida, mas também não parecia interessada em discutir. O veículo começou a se afastar do prédio, observei o esconderijo desaparecer pelo retrovisor. Rocky continuava livre, pela segunda vez na vida, eu havia deixado que isso acontecesse.

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