🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

SOCIEDADE SECRETA DO TERCEIRO ANO PT 14 FIM DO PRIMEIRO CICLO

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de GABRIEL SILVA
Categoria: Grupal
Contém 3793 palavras
Data: 19/06/2026 15:00:55

Levei as duas para casa em silêncio absoluto.

Isabela estava praticamente inconsciente no banco de trás, enrolada no que restava do vestido florido rasgado. Sarita, ainda sob o efeito forte do pó, não parava de se mexer, murmurando coisas desconexas, o corpo suado e marcado. Eu dirigia com as mãos trêmulas no volante, o peito apertado como se alguém estivesse esmagando meu coração.

Chegamos à casa delas. Carreguei Isabela nos braços primeiro. Ela era leve, mas cada passo parecia pesar uma tonelada. Sarita veio atrás, nua da cintura para cima, o vestido vermelho rasgado mal cobrindo a parte de baixo, ainda murmurando que queria mais rola.

Coloquei Isabela com todo o cuidado na cama dela. Ela mal conseguia abrir os olhos. Levei ela para o banheiro, tirei o que restava da roupa e coloquei debaixo do chuveiro quente. Limpei cada centímetro do corpo dela com delicadeza — o cu ainda inchado e vermelho, as marcas de tapas nas nádegas, o suor e a porra seca nas coxas. Isabela chorava baixinho enquanto a água caía, encostada em mim.

— Eu tô aqui… — sussurrei várias vezes, beijando o topo da cabeça dela. — Acabou por hoje.

Depois de secá-la e vesti-la com uma camisola leve, coloquei ela na cama. Cobri com o lençol e fiquei sentado ao lado por longos minutos, segurando sua mão. Ela mal conseguia falar. Apenas apertava meus dedos fracamente, como se tivesse medo de eu desaparecer.

Quando desci, Sarita estava na sala.

Completamente nua.

Sentada no sofá, pernas abertas, se masturbando com fúria. Dois dedos enfiados na buceta inchada, a outra mão apertando os seios grandes. Ela gemia alto, o corpo ainda em êxtase pela droga.

— Mais… eu quero mais rola… — murmurava ela, olhos vidrados, rebolando contra a própria mão.

Eu fingi não ver. Virei o rosto e saí da casa sem dizer nada. O peso daquela imagem ficou gravado na minha mente.

No dia seguinte, na escola, eu estava morto de sono. Tinha dormido pouco mais de duas horas. Isabela também estava destruída. Ela mal conseguia andar. Cada passo era lento, dolorido. Quando chegou na sala, os alunos ficaram preocupados. Ela disse, com voz fraca, que estava com uma gripe muito forte. A maioria acreditou — ela realmente parecia mal, pálida, olheiras profundas, corpo rígido.

Eu passei a aula inteira olhando para ela. Nossos olhares se cruzavam de vez em quando. Havia dor, vergonha e algo mais profundo — uma conexão silenciosa de quem passou pelo inferno.

No intervalo, fui até a sala de Ricardo.

Ele estava sentado atrás da mesa, com um sorriso satisfeito no rosto.

— Ricardo… você vai começar como diretor ainda este mês? — perguntei.

Ele riu, recostando na cadeira.

— Matheus, meu jovem… eu não vou ser mais diretor desta escola velha. Vou ser diretor do Colégio Helsing. E você vai vir comigo.

Eu senti o chão sumir sob meus pés.

— Como assim? E quem vai ser diretor aqui?

— Aline vai assumir o posto.

Fiquei em choque. O sangue gelou nas veias.

— Não… — murmurei. — Eu não posso sair daqui. Não agora.

Ricardo ergueu uma sobrancelha.

— Ordens da Seita. Você é aluno do terceiro ano. Vai pra escola particular. Temos muitos planos lá — filhas de ricos, milionários… Você já estudou em escola particular, sabe como é.

Eu fiquei atônito. A imagem de Isabela e Edna nas mãos de Aline me acertou como um soco no estômago. Aline era cruel. Ela ia destruir as duas. Mesmo com Edna sob minha proteção, Aline daria um jeito.

— Ricardo… eu não vou. Jamais deixaria Isabela aqui nas mãos de Aline.

Ele me olhou sério.

— Era uma ordem, Matheus.

Eu respirei fundo, tentando controlar a voz. Olhei bem nos olhos dele.

— Ricardo… eu sei que você tem esse tom firme comigo. Mas eu sinto em você uma confiança. Eu sei que você é uma boa pessoa, embora algumas atitudes não batam. Mas Aline… ela é má. Ela é cruel. Eu não posso deixar as duas nas mãos dela.

Ricardo ficou em silêncio por um longo tempo. Depois suspirou.

— Fale com Seu Augusto. Às vezes ele consegue te ajudar. Lá não será mil maravilhas como aqui. Lá teremos muitos desafios…

Eu saí da sala com a cabeça girando. O futuro que eu imaginava estava desmoronando. A Seita me elevava, mas cada degrau parecia me afastar mais de quem eu queria proteger.

Assim que o último sinal tocou, eu não perdi tempo. Saí da escola quase correndo, entrei no Corolla Cross e dirigi direto para a mansão de Seu Augusto. O coração batia forte no peito, uma mistura de raiva, medo e desespero. Cada curva da estrada parecia me levar mais fundo para dentro da teia da Seita.

Cheguei ao condomínio de luxo. Os seguranças já me conheciam e liberaram a entrada sem perguntas. A mansão imponente apareceu no final do caminho, com seus jardins perfeitos e a fachada fria de quem não precisa impressionar ninguém.

Fui recebido pelo mordomo e levado até o escritório enorme, o mesmo de sempre — paredes cheias de troféus de caça, livros antigos e um ar de poder absoluto.

Seu Augusto estava sentado atrás da mesa olhando uns papeis, impecável como sempre, terno escuro, expressão serena. Ele me olhou com aqueles olhos frios e inteligentes.

— Matheus. Sente-se.

Sentei, as mãos suadas. Não consegui esperar nem um segundo.

— Por que eu? E por que preciso mudar de escola? Já é quase meio do ano letivo… não faz sentido.

Seu Augusto recostou na cadeira, juntando as mãos.

— Eu tenho planos para você lá. Planos maiores. O Colégio Helsing é um ambiente diferente. Mais oportunidades. Mais influências. Você já provou seu valor. É hora de subir o nivel.

Eu respirei fundo, tentando manter a voz.

— Eu tenho escolha?

Ele sorriu levemente, quase imperceptível.

— Não.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Eu baixei a cabeça por um momento, depois levantei o olhar novamente, decidido.

— Então… meu último pedido. Arruma uma vaga para Isabela e para Edna lá, como professoras. Se realmente vai ter missões difíceis, preciso delas comigo. Para evitar preocupações.

Seu Augusto me encarou por longos segundos. O silêncio era sufocante. Depois, ele inclinou a cabeça levemente.

— Então quer ajuda.

— Sim.

Ele ignorou o “o tom feliz” e continuou, frio como sempre:

— Já tem ajuda. Estou mandando dois amigos seus também. Nível 3.

Eu já imaginava.

— Neguin e Paulo.

— Exato.

Eu fiquei em silêncio por um momento. Depois falei, com a voz embargada:

— Seu Augusto… por favor, me ajuda. Elas não merecem isso. Eu não mereço isso.

Ele me olhou por um tempo que pareceu eterno. Depois suspirou, quase imperceptível.

— Tudo bem. Vou dar a ordem para colocar as duas lá. Mas você está me devendo esta. E eu vou cobrar mais tarde. Te falo como.

Eu senti um frio na espinha. O medo do que ele poderia pedir no futuro me acertou em cheio. Mesmo assim, eu não resisti. Levantei, dei a volta na mesa e, num impulso, abracei o velho.

Seu Augusto ficou rígido no começo. Não retribuiu. Mas depois de alguns segundos, deu dois tapinhas leves nas minhas costas — um gesto quase humano, que saía completamente da rotina dele.

Eu me afastei, olhos marejados.

— Obrigado… de verdade.

Ele apenas acenou com a cabeça, voltando para sua postura fria e seca.

— Não me agradeça ainda, Matheus. O preço costuma ser alto.

Saí da mansão com o peito apertado. O sol já estava baixo. Eu tinha conseguido uma pequena vitória — Isabela e Edna iriam comigo. Mas o preço daquela vitória ainda estava por vir.

E eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, Seu Augusto cobraria.

Com juros.

saí da mansão de Seu Augusto com o peito apertado e a mente girando. respirei fundo algumas vezes e peguei o celular.

Mandei mensagem no grupo que tinha criado só com Edna e Isabela:

“Reunião urgente. 16h na sorveteria da orla, a mesma de sempre. Por favor, venham. É importante.”

Não demorou nem dez minutos para as duas confirmarem. Eu dirigi devagar, tentando organizar os pensamentos por quase uma hora. Quando cheguei, elas já estavam lá, sentadas numa mesa de canto, debaixo de uma sombrinha. O mar ao fundo brilhava com o sol da tarde.

Isabela estava pálida, olheiras profundas, o corpo ainda rígido da noite anterior. Edna tentava manter a compostura, mas o olhar dela traía preocupação.

Sentei de frente para elas. O sorvete derretia nos potinhos, intocado.

— O que aconteceu? — perguntou Edna, voz baixa.

Eu contei tudo. A conversa com Ricardo, a ordem de transferência para o Colégio Helsing, a indicação de Aline como diretora da escola atual, e finalmente a conversa com Seu Augusto.

— Eu consegui vagas para vocês duas lá. Como professoras.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Isabela ficou branca. As mãos dela começaram a tremer sobre a mesa.

— Como assim… Helsing? — murmurou ela. — Aquele colégio seleciona professores a dedo. A maioria entra só com mestrado e doutorado. O salário é quase cinco vezes maior que o da escola pública… Eles vão querer currículo, provas, entrevistas…

Edna completou, voz falhando:

— Eu tenho mestrado, mas… mesmo assim. A pressão lá é absurda. Não sei se dou conta.

Eu tentei acalmá-las, embora minha própria voz tremesse:

— Já está tudo certo. Seu Augusto deu a ordem. Mas… na Seita nada é de graça. Lá vamos encontrar desafios. Missões. Coisas mais complicadas.

Isabela baixou a cabeça. Uma lágrima caiu no sorvete derretido.

— Eu mal consigo andar direito hoje de tão arrombada… e você quer que eu vá pra um colégio de elite dar aula o dia inteiro?

Edna segurou a mão dela, mas também estava visivelmente abalada.

Eu continuei:

— Edna… você ainda está sob minha proteção como puta particular. Isso deve te resguardar de orgias e coisas mais pesadas. Mas Isa… preciso conseguir algo pra você também. Alguma proteção maior. Não sei ainda o quê, mas vou tentar.

Isabela fez um semblante de tristeza profunda, mas concordou com a cabeça, resignada.

— E quais serão nossos desafios lá? — perguntou ela.

Eu suspirei.

— Ainda não sei exatamente. Mas vai ser difícil.

Isabela olhou para o mar, os olhos marejados.

— Eu nem tenho mestrado… só licenciatura. Como vou dar conta de um colégio daquele nível? As aulas são puxadas, os alunos são exigentes, os pais cobram resultados…

Edna completou, tentando ser prática:

— Pelo menos lá não é ensino integral como na pública, né?

Eu tentei animá-las:

— Gente… as aulas não são como aqui. Lá é meio período, não é o dia todo. Pelo menos nas particulares que eu estudei era assim.

As duas me olharam ao mesmo tempo.

— Não, Matheus — disse Isabela, quase rindo de tristeza. — Lá é o dia todo. De segunda a sexta, das 8h às 18h. Com dois intervalos: um de 40 minutos e outro de 1 hora.

Eu fiquei em choque.

— Tudo isso?

Edna assentiu, cansada.

— Sim. É outro mundo.

O silêncio voltou. Eu vi o desespero nos olhos delas. Isabela, ainda marcada pela noite anterior, agora enfrentava a perspectiva de um novo inferno. Edna, mesmo mais experiente, parecia exausta.

Tentei animá-las como pude:

— Pelo menos vocês vão acordar uma hora mais tarde que na escola atual… — tentei brincar, forçando um sorriso.

Elas mal se animaram. Isabela enxugou uma lágrima. Edna apertou a mão da amiga.

— Vamos fazer um plano de estudos — disse Edna, voz determinada, embora fraca. — Eu te ajudo com o conteúdo mais avançado. Vamos nos preparar juntas.

— E eu vou me virar com a Seita — completei. — Esse é o combinado. Vocês se preparam para o novo colégio. Eu cuido do resto.

Ficamos ali mais de uma hora. Conversamos sobre horários, matérias, estratégias. Isabela estava destruída emocionalmente, mas tentava ser forte. Edna segurava as pontas, como sempre. Eu me sentia culpado por não poder oferecer mais.

Quando nos despedimos, abracei as duas com força.

— Vamos conseguir — sussurrei. — Juntos.

Saí dali e fui direto para o hospital ver minha mãe. O dia ainda não tinha acabado.

Cheguei ao hospital pouco depois das 19h. O corredor estava silencioso, apenas o som distante de aparelhos e o cheiro de desinfetante no ar. eu precisava ser forte agora. Minha mãe não podia perceber nada.

Entrei no quarto. Ela estava sentada na cama, um pouco mais corada que nos últimos dias. Sorriu ao me ver, mas o sorriso não chegou aos olhos.

— Filho… você veio.

Eu me aproximei, dei um beijo na testa dela e sentei ao lado da cama, segurando sua mão. A pele dela estava quente. Por um momento, só ficamos em silêncio. Eu não sabia por onde começar.

— Mãe… eu preciso te contar uma coisa importante.

Ela me olhou com atenção, percebendo minha hesitação.

— O que foi? Você tá estranho.

Eu engoli em seco. Não conseguia pensar em uma desculpa boa o suficiente. Peguei o celular discretamente e mandei uma mensagem rápida para Ricardo:

“Preciso de uma desculpa urgente pra minha mãe sobre a mudança de escola. O que eu falo?”

A resposta veio em menos de um minuto:

“Diz que você foi selecionado pra concorrer a uma bolsa de estudos e ganhou. Vai ter a mensalidade paga + 5 mil de ajuda de custo por mês. A Seita cobre isso.”

Eu respirei fundo e comecei:

— Mãe… eu fui selecionado pra uma bolsa de estudos no Colégio Helsing. É uma das melhores escolas particulares do Rio. Ganhei a mensalidade completa e ainda vou receber 5 mil reais por mês de ajuda de custo.

Ela ficou me olhando por longos segundos. Depois balançou a cabeça devagar, incrédula.

— Helsing? Matheus… aquele colégio é para filhos de gente rica. Como você conseguiu uma bolsa assim, do nada? E no meio do ano?

Eu forcei um sorriso.

— Eles têm um programa de talentos. Eu me candidatei sem te falar… e passei. É uma oportunidade enorme.

Ela apertou minha mão com mais força. Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas não eram de alegria.

— Filho… eu te conheço. Você tá metido em alguma coisa errada, não tá? Eu sinto no coração. Esse dinheiro todo, essa escola… seu pai desapareceu, você anda sumido, com olheiras… Eu sou sua mãe, Matheus. Não mente pra mim.

O peito dela subia e descia rápido. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.

— Eu só quero que você fique bem… Amanhã você sai daqui. Eu vou cuidar de tudo. Da escola, das contas, de tudo.

Ela ficou em silêncio por um tempo que pareceu eterno. Depois suspirou, cansada.

— Tá bom… se você diz que é uma bolsa, eu vou acreditar. Mas eu sei que tem mais coisa aí. Só promete pra mim que você não vai se perder, filho. Eu já perdi seu pai… não quero te perder também.

Eu abaixei a cabeça, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. Apertei a mão dela com força.

— Eu prometo, mãe. Vou fazer o que for preciso pra gente ficar bem.

Ela puxou minha cabeça para perto e me abraçou. Eu enterrei o rosto no ombro dela, como quando era criança. O choro veio silencioso, mas forte. Ela acariciava minhas costas, tentando me consolar, mesmo estando fraca na cama de hospital.

— Meu menino… o que você tá carregando sozinho?

Eu não respondi. Apenas fiquei ali, abraçado a ela, sentindo o cheiro familiar de casa que ainda restava nela.

Quando saí do hospital, já era noite. O peso de todas as mentiras parecia esmagar meus ombros. Eu tinha conseguido proteger Isabela e Edna por enquanto. Tinha conseguido a alta da minha mãe. Mas cada vitória vinha com um preço maior.

E eu não sabia até quando conseguiria pagar. Recebi a mensagem de Aline por volta das 22h.

“Missão pra você. Seu Augusto autorizou eu te recrutar. Estou numa suruba, mas preciso sair urgente. Vem me substituir. Só cuidar das meninas e levar elas embora depois.”

Respondi imediatamente:

“O que é exatamente?”

Ela mandou o endereço e completou:

“Anda logo.”

Dirigi até o local com um peso no peito. Era uma casa enorme, de alto padrão, em um condomínio fechado de luxo. Portaria discreta, jardins iluminados, segurança pesada. Quando entrei, o som já chegava até a porta: gemidos abafados, risadas roucas de homens, o barulho molhado de corpos.

A sala principal era ampla, com sofás de couro, luzes baixas e um cheiro forte de sexo, álcool e cigarro caro. Tamires, Jéssica, Larissa, Vitória e Camila estavam lá. Todas nuas ou seminuas, sendo usadas por um grupo de senhores ricos — homens de 50, 60 anos, bem vestidos, relógios caros, postura de quem manda no mundo.

As meninas pareciam mais acostumadas agora, mas o semblante de tristeza era nítido. Tamires estava de quatro, sendo penetrada por trás enquanto chupava outro. Jéssica cavalgava um homem, o olhar vazio. As outras sofriam o mesmo destino — corpos jovens sendo usados como mercadorias.

Aline estava no canto, supervisionando tudo com um sorriso satisfeito. Quando me viu, o sorriso dela se alargou, quase debochado.

— Olha só… o queridinho do Seu Augusto chegou.

— Oi — respondi seco.

Ela riu.

— Só “oi”? Diz pra sua nova diretora.

— Só até amanhã — cortei.

Aline deu uma risada alta, quase genuína.

— Quem sabe… quem sabe.

Eu olhei para a sala novamente. As meninas me viram. Por um segundo, Tamires cruzou o olhar comigo — havia vergonha, cansaço e um pedido silencioso de ajuda. Eu desviei o olhar. Como posso abandonar elas? pensei. Mas a vida seguia. Eu precisava ser frio.

Foi quando um homem se aproximou. Uns 50 anos, forte, apenas de cueca boxer preta, corpo ainda bem conservado. Ele me olhou de cima a baixo com interesse.

— Você é o tal Matheus? Nosso guerreiro escolhido pelo próprio Seu Augusto?

Eu não entendi nada, mas mantive a postura.

— Sou o Matheus, sim.

Ele sorriu, batendo no meu ombro.

— Então você vai enfrentar O Núcleo.

Eu senti um arrepio forte percorrer a espinha. O tom dele era sério, quase reverente. O Núcleo. O nome soava antigo, perigoso.

— O que é O Núcleo? — perguntei, tentando parecer confiante.

Ele riu baixo, como se eu tivesse feito uma pergunta ingênua.

— Ah, você sabe… nossos inimigos desde os tempos mitológicos. Aqueles que sempre tentaram nos destruir. Mas nunca conseguiram.

Eu me arrepiei novamente. Algo antigo, poderoso, que ia contra a Seita. Fingi saber do que se tratava.

— Ah, sim… eles. Pode deixar. Eu cuido disso.

O homem me olhou por mais alguns segundos, como se avaliasse minha alma, depois deu um tapinha forte nas minhas costas e voltou para o meio da suruba.

Fiquei ali, no canto da sala, observando as meninas sendo usadas, o coração pesado. Aline se aproximou, ainda com aquele sorriso venenoso.

— Divirta-se, Matheus. Eu vou indo. tem algo serio rolando. Cuide bem delas.

Ela saiu, rebolando, deixando o cheiro do perfume caro para trás.

Eu fiquei sozinho com o peso de tudo. As meninas gemendo, os homens rindo, o nome “O Núcleo” ecoando na minha cabeça como um aviso sinistro.

Acabei a missão por volta das 23h40. Levei as meninas embora uma por uma, deixando cada uma em pontos estratégicos — pontos de táxi, ruas movimentadas, como se tivessem saído de uma festinha comum. Tamires foi a última. Ela desceu do carro tremendo, o olhar vazio, e murmurou um “obrigada” quase inaudível antes de sumir na noite. Eu fiquei olhando pelo retrovisor até ela desaparecer.

Dirigi sozinho pela cidade escura. O rádio desligado. Só o barulho dos pneus no asfalto e minha própria respiração pesada. O nome não saía da minha cabeça:

O Núcleo.

O que era aquilo? Por que Seu Augusto e Ricardo nunca tinham mencionado antes? Quanto mais eu pensava, mais o medo crescia. A Seita já era um monstro. O que poderia ser pior?

Não aguentei mais.

Desviei o caminho e fui direto para a casa de Ricardo. Eram quase 00h30 quando parei em frente ao portão. Toquei a campainha várias vezes, desesperado.

Uma mulher mestiça, por volta de 40 anos, extremamente bonita — pele morena clara, cabelo cacheado solto, corpo bem cuidado — abriu a porta com cara de poucos amigos.

— Quem é? — perguntou ela, irritada. — Tá sabendo que horas são?

— Desculpa… eu preciso falar com o Ricardo. É urgente.

Ela revirou os olhos.

— Nossa, tenha santa paciência… — gritou para dentro de casa. — Ricardo! Tem um menino aqui te procurando!

Ricardo apareceu logo depois, de short e camiseta, cabelo bagunçado. Quando me viu, a expressão dele mudou.

— Calma, Ester. É só um aluno meu.

A mulher resmungou algo e voltou para dentro. Ricardo saiu até o portão, fechando a porta atrás de si.

— O que foi, Matheus? Aconteceu alguma coisa?

Eu não consegui me controlar. Fui direto ao ponto, voz tremendo:

— O que é O Núcleo? Por que ninguém me contou antes?

Ricardo ficou sério. Olhou para os dois lados da rua escura, depois suspirou profundamente.

— Entra. Vamos conversar lá dentro.

Ele me levou até a varanda dos fundos. Sentamos em duas cadeiras de madeira. Ricardo acendeu um cigarro, tragou devagar e começou:

— Vou ser direto com você. O Núcleo são 9 caras que ajudaram criarar tudo isso em 243 antes de Cristo. Eles são os verdadeiros fundadores da organização que hoje chamamos de Seita. Mas eles tomaram outro caminho e sairão. Enquanto nós evoluímos para influência, dinheiro, controle através de sexo e chantagem… eles se aprofundaram no lado religioso. Entidades. Rituais. Sacrifícios.

Ele deu outra tragada, os olhos sombrios.

— Eles e a Seita brigam por território há milênios. Agora eles estão na nossa área, aqui no Rio. Estamos investigando há anos. Temos agentes infiltrados — alguns até se casaram com membros deles só para conseguir informações. Eles matam, estupram, fazem rituais… tudo em nome dessas entidades que eles veneram.

Eu arregalei os olhos, arrepiado até o último fio de cabelo.

— E como isso não sai nos jornais?

Ricardo riu sem humor.

— A Seita já saiu nos jornais? Matheus… tudo que as pessoas sabem é o que nós queremos que saibam. O resto da população é tratada como gado. Peões substituíveis. Você é um privilegiado por saber o que sabe.

Ele me olhou fixamente.

— Eu sei que a Seita não é boa. Nós estupramos, chantageamos, matamos. Mas perto do Núcleo… somos os mocinhos.

O silêncio que se seguiu foi esmagador. Eu estava completamente arrepiado. As mãos tremiam no colo. Imagens de rituais antigos, sacrifícios, entidades sombrias passavam pela minha cabeça.

— Então… o que eu faço agora? — perguntei, voz quase sumindo.

Ricardo apagou o cigarro.

— Toma cuidado. Eles não brincam. E prepare-se. Seu Augusto tem planos grandes pra você.

Eu saí da casa dele atordoado. Dirigi para casa quase no piloto automático. Quando cheguei, não consegui dormir. Fiquei horas deitado na cama, olhando o teto, o coração acelerado.

Como eu, Isabela e Edna iríamos enfrentar algo assim? Como proteger as duas da seita num lugar novo e agora com outro inimigo, com Aline no comando aqui e o Núcleo rondando? E ainda com Neguin e Paulo — dois atrapalhados que não sabiam de nada — como suposta ajuda?

O peso do mundo inteiro parecia cair sobre meus ombros. Eu me sentia pequeno. Impotente. Assustado como nunca.

Mas uma coisa eu sabia......

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 6 estrelas.
Incentive Gabriellll a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil genéricaGabriellllContos: 385Seguidores: 494Seguindo: 28Mensagem Escritor nas horas vagas se tiver ideias de conto me mande no e-mail lxvc1987@gmail.com ou lxvc1987@hotmail.com

Comentários

Foto de perfil genérica

Ola, td bem gostei de saber q tem outra seita essa disputa vai ser emocionante será q o pai dele sumido faz parte da seita? Alias os capítulos deveriam ser mais longos. Ate

0 0
Foto de perfil genérica

Vamos lá Matheus, nosso cavaleiro errante! Pra cima deles!

0 0
Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →