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A Vingança do Nerd - Capítulo 7 — Marcas Invisíveis

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Um conto erótico de HDNA
Categoria: Gay
Contém 1887 palavras
Data: 20/06/2026 14:04:51

A terça-feira amanheceu com um céu cinzento e uma umidade que prometia chuva, mas o clima dentro da casa era ainda mais denso. A exaustão da segunda-feira, que havia se arrastado até tarde, deixara marcas visíveis nos corpos e, principalmente, nas almas dos três. Gabriel desceu para o café com uma lentidão calculada, cada movimento uma tentativa de disfarçar o desconforto persistente. Guilherme, por sua vez, mantinha uma postura rígida, os ombros tensos, como se a qualquer momento pudesse explodir ou desmoronar. Eu os observava, um sorriso sutil brincando em meus lábios, enquanto o cheiro de café fresco se misturava ao resquício quase imperceptível do suor da noite anterior, uma lembrança olfativa da intimidade forçada que agora nos unia.

A casa não era mais hostil. Era pior. Havia uma espécie de intimidade silenciosa crescendo entre nós, uma rotina deformada começando a se instalar nos pequenos detalhes. Nos horários compartilhados. Nos olhares involuntários. Na maneira como Gabriel naturalmente procurava minha presença sem perceber, como um satélite que, sem gravidade própria, orbitava o corpo maior. E talvez Guilherme percebesse isso até mais do que eu, e o ódio em seus olhos se aprofundava a cada nova constatação.

Durante o café, Gabriel passou a mão discretamente contra a frente da bermuda, um reflexo rápido causado pelo desconforto constante da gaiola sob a roupa. O movimento foi pequeno, quase invisível, mas Guilherme viu. Claro que viu. O maxilar dele travou imediatamente, e a caneca de café em suas mãos foi apertada com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Aquilo ainda o destruía. A lembrança constante de que o irmão estava preso dentro daquela dinâmica, mesmo quando ninguém falava sobre ela. Mesmo quando tentávamos agir normalmente. Eu me deliciava com a cena, com a tensão que se formava entre eles, com a forma como a presença invisível da gaiola e a memória da sexta-feira permeavam cada gesto, cada silêncio.

Fui até a cozinha sem dizer nada, deixando-os sozinhos por alguns instantes. Quando voltei para a sala, os dois ergueram os olhos ao mesmo tempo. Gabriel estava com a respiração um pouco mais acelerada, os olhos fixos na pequena sacola que eu carregava. Guilherme estreitou os olhos, uma desconfiança quase palpável em seu rosto. Não respondi de imediato.

Apenas coloquei a sacola sobre a mesa de centro. O silêncio na sala ficou pesado quase instantaneamente. Gabriel parecia prender a respiração. Guilherme já parecia irritado antes mesmo de saber o conteúdo. Puxei calmamente uma das peças para fora da sacola. Tecido preto. Renda delicada. Pequena. Demasiado íntima para ser usada por qualquer um deles. O impacto foi imediato. Gabriel ficou completamente vermelho. Guilherme levantou da poltrona na mesma hora.

— Tá de sacanagem. — A voz saiu mais agressiva do que alta, mas havia outra coisa escondida ali. Não era apenas raiva. Era humilhação antecipada. Porque os dois entenderam imediatamente o que aquilo significava. Não era sobre sexualização explícita. Era pior. Era psicológico. Uma marca invisível. Algo escondido sob a roupa o dia inteiro. Uma lembrança constante. Silenciosa. Permanente.

Gabriel não conseguia parar de olhar para a peça sobre a mesa. Os dedos apertando nervosamente a própria bermuda.

— Marcos… — Meu nome saiu baixo, quase inseguro. Olhei diretamente para ele.

— Ninguém vai ver. — Aquilo piorou tudo. Porque a frase saiu calma demais. Natural demais. Como se estivéssemos discutindo qualquer coisa cotidiana. Como se aquilo já fizesse parte da nossa rotina. Guilherme passou a mão pelo rosto, incrédulo.

— Isso é ridículo.

— Então não usa. — A resposta saiu simples. Sem provocação. Sem ameaça. E justamente por isso o silêncio que veio depois pareceu sufocante. Porque eu não forcei. Não mandei. Só deixei a escolha existir entre nós.

Gabriel percebeu isso imediatamente. Os olhos dele baixaram devagar para a peça sobre a mesa outra vez. E naquele instante eu consegui enxergar exatamente o conflito dentro dele. Vergonha. Constrangimento. Mas também… curiosidade. A necessidade crescente de agradar. De manter aquela sensação estranha de segurança que ele vinha associando à minha presença. Guilherme percebeu também. Claro que percebeu.

— Gabriel. — A voz dele saiu baixa. Tensa. Alertando. Mas já era tarde. Porque Gabriel lentamente pegou a peça da mesa. Os dedos tremendo levemente. O ambiente inteiro pareceu prender a respiração.

— Eu só… — Ele hesitou. O rosto queimando de vermelho. — …quero tomar banho primeiro. — Ele falava como alguém tentando racionalizar a própria decisão enquanto ainda havia tempo de voltar atrás. Como se repetir mentalmente que era “só uma peça de roupa” pudesse diminuir o peso emocional daquilo. Ninguém veria. Ficaria escondida o dia inteiro. Talvez fosse justamente isso que permitisse que ele aceitasse.

Aquilo atingiu Guilherme como um soco. Porque não foi obediência imediata. Foi pior. Foi consideração real. Como se Gabriel estivesse genuinamente pensando naquilo. Como se parte dele já aceitasse a dinâmica. Guilherme desviou o olhar imediatamente, irritado demais para esconder.

— Vocês dois tão ficando malucos. — O jeito como ele falou não parecia apenas revolta. Parecia aviso. Como se Guilherme estivesse lutando desesperadamente contra alguma coisa crescendo dentro daquela casa antes que ela consumisse os três de vez. Mas a própria voz falhou no final da frase. Porque nem ele parecia acreditar completamente nisso mais.

Gabriel subiu as escadas em silêncio alguns minutos depois, a peça escondida entre os dedos. Eu percebi outra coisa perturbadora: Guilherme o acompanhou com os olhos até desaparecer no corredor. Proteção. Medo. E alguma coisa muito mais complicada começando a nascer junto daquilo. Ficamos sozinhos na sala. O silêncio entre nós era pesado demais. Então falei calmamente:

— Você não precisa competir com isso o tempo inteiro.

Guilherme soltou uma risada curta. Sem humor.

— Competir? — Ele finalmente me encarou. Os olhos cansados. Confusos. — Você acha que eu tô com ciúme? — Não respondi imediatamente. Porque a verdade era mais complexa. Ele não tinha ciúme de mim. Tinha medo da mudança em Gabriel. Medo de perder o irmão para alguma coisa que ele próprio começava a sentir também. E talvez esse fosse o pior terror de todos. Não o controle. Mas a vontade crescente de permanecer.

O som de passos descendo a escada interrompeu o silêncio. Gabriel reapareceu. Cabelo úmido. Moletom cinza largo. E os olhos incapazes de encontrar os meus diretamente. Mas eu percebi. Claro que percebi. A tensão diferente no jeito como ele caminhava. A consciência excessiva do próprio corpo. O desconforto silencioso. Ele estava usando. O ambiente inteiro mudou. Mesmo sem ninguém ver nada. Mesmo escondido sob camadas de roupa. Aquilo existia entre nós agora. E nenhum dos três parecia capaz de fingir que não.

— Vem aqui. — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma autoridade que ele não ousou desafiar. Gabriel se aproximou, os olhos baixos, o rosto corado. Parei diante dele, minha mão estendida.

— Deixa eu ver. — Ele hesitou, mas a necessidade de agradar, de manter aquela estranha paz que eu oferecia, era mais forte.

Lentamente, ele puxou a barra do moletom para cima, revelando a cintura. A renda preta desaparecia parcialmente sob o cós da bermuda, escondida o suficiente para que ninguém de fora suspeitasse de nada. E talvez fosse justamente isso que tornava tudo pior. Não era algo exibido. Era secreto. Íntimo. Invisível para qualquer outra pessoa além de nós. Mas eu sabia que estava ali. Gabriel sabia. E a consciência daquela peça escondida sob as roupas parecia transformar completamente a maneira como ele ocupava o próprio corpo.

A renda preta abraçava o contorno rígido da gaiola escondida por baixo do tecido, discreta o suficiente para passar despercebida sob a roupa comum, mas impossível de ignorar agora que eu sabia que estava ali.

Eu podia sentir o calor emanando dele, o cheiro de sabonete misturado com um suor nervoso que se intensificava. Seus lábios estavam entreabertos, a respiração curta e rápida. Meus olhos desceram, demorando-se na visão. A gaiola, a renda, a pele. Tudo ali era uma provocação silenciosa. E eu percebi, com um arrepio, que o prazer que eu sentia não era apenas pelo controle, mas pela beleza daquela submissão.

Guilherme, que estava na poltrona, soltou um som gutural, uma mistura de raiva e algo mais. Seus olhos estavam fixos na cena, vidrados, e eu notei o volume sutil em sua própria bermuda. Mas o que realmente me chamou a atenção foi a pequena mancha escura que começava a se formar no tecido, bem na base da gaiola. Pré-gozo. Ele estava excitado. E odiava isso.

— Você diz que é doentio, Gui… — murmurei, sem desviar os olhos de Gabriel, mas com a voz alta o suficiente para que Guilherme ouvisse. — Mas seus olhos não conseguem desviar. E o seu corpo parece estar gostando da doença tanto quanto o dele. — Guilherme fechou os olhos com força, o rosto contorcido em uma máscara de ódio e vergonha. A mancha em sua bermuda cresceu um pouco mais.

— Agora, você. — Minha voz se dirigiu a Guilherme, que abriu os olhos, assustado. — Você vai usar a outra peça. — Ele balançou a cabeça, uma negação furiosa.

— Nem fodendo.

Gabriel estremeceu ao meu lado.

Eu permaneci alguns segundos em silêncio antes de responder.

— Então não usa.

Guilherme franziu a testa imediatamente, claramente esperando confronto. Mas eu apenas dei de ombros, calmo demais.

— Só não reclama depois quando perceber que ele consegue ficar perto de mim com muito mais facilidade do que de você.

O silêncio que caiu na sala foi devastador.

Porque aquilo não era ameaça.

Era pior.

Era a percepção crescente de que Gabriel começava, aos poucos, a escolher permanecer.

Guilherme pegou a peça com a ponta dos dedos, como se fosse algo sujo, e subiu as escadas sem olhar para trás. Gabriel permaneceu ao meu lado, a respiração ainda irregular. Eu podia sentir o calor de seu corpo, a tensão em seus músculos. O cheiro de sabonete e suor. Ele estava completamente à minha mercê, e a percepção disso me encheu de um poder que era quase inebriante.

Poucos minutos depois, Guilherme desceu. Ele vestia a bermuda, mas a forma como ele se movia, a rigidez de seus quadris, denunciava a presença da renda sob o tecido. Ele não me olhou. Apenas se sentou na poltrona, os braços cruzados, o rosto uma máscara de fúria e humilhação. Mas eu sabia. Ele estava usando. Os dois estavam usando.

Sentei-me no sofá, entre eles, o corpo de Gabriel quase encostado no meu. O ar estava pesado, carregado de uma eletricidade que era quase palpável. Eu podia sentir a tensão em cada um deles, a vergonha, o ódio, e, por baixo de tudo, o desejo que eles se recusavam a admitir. Coloquei uma mão sobre o joelho de Gabriel, sentindo o tecido da bermuda e, por baixo, a renda. Depois, estendi a outra mão e toquei o joelho de Guilherme, que estremeceu violentamente. Ninguém disse nada. Apenas o som da respiração acelerada dos três preenchia o quarto. E naquele momento, eu soube. Não existia mais volta. Para nenhum de nós.

A pior parte já não era o controle. Nem a humilhação. Nem o medo.

Era o silêncio confortável começando a existir entre nós.

A naturalidade.

O fato de que, aos poucos, a presença uns dos outros deixava de parecer uma prisão e começava a parecer necessidade.

E talvez fosse justamente isso que tornasse tudo tão irreversível.

E pela primeira vez desde que tudo tinha começado, uma ideia atravessou minha cabeça de maneira realmente perigosa:

talvez eu não quisesse mais apenas quebrá-los.

Talvez eu quisesse mantê-los.

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