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Caderno Vermelho, Primeiro Volume - IX

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Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 891 palavras
Data: 23/07/2026 01:29:41

Capítulo IX

A pressão de ficar de cócoras em frente a Epona, que me observava com um olhar furioso, era avassaladora. Estava há sei lá quantos dias sem evacuar, e isso, por si só, já não jogava a meu favor. Meu desejo de agradar Epona para conseguir voltar a ver Ártemis era enorme, mas, infelizmente, eu vivia da maneira mais dura e crua a lição de que o punhado de células, órgãos e músculos que nos constituem possuem, cada um, sua própria "mente" e seus próprios "traumas". É ilusão acreditar que a parte consciente de nossa massa cinzenta — que sequer consegue se colocar acima de sua parte inconsciente — seja capaz de controlar tudo.

Travei... travei porque havia muito de homem em mim ainda, que eu não reconhecia e que inclusive estaria disposto a sacrificar no altar de Ártemis. Travei como travei no dia em que percebi que não havia motivo para sair correndo simplesmente porque poderia sair correndo. Travei como no dia em que me pareceu ridículo pegar meus bonecos e brincar com eles. Travei como no dia em que percebi ser uma negação no futebol e nunca mais corri atrás de uma bola.

O Estábulo me ensinava, no entanto, uma dura lição. Todas as vezes em que havia travado no passado, pensei que fosse uma decisão consciente minha. Uma escolha por crescer. Uma escolha por envelhecer. Uma escolha para me incluir ou não ser excluído. Tudo isso era uma ilusão... a ovelha não tem Vontade. Não a Vontade como tinha Epona, e muito menos como Ártemis. Tenho a certeza de que se a menor parte do corpo de minha Deusa decidisse fazer algo, esse algo seria feito; seu desejo se tornaria real. Ártemis podia operar milagres, era em si uma explosão de vida. Eu não. Eu era, como meu cocô empedrado e como as próprias pedras, um conjunto de mortes...

E o que seria todo esse preâmbulo filosófico senão o homem falando, urrando dentro de mim, pedindo para que eu tergiverse sobre uma humilhação tão ridícula, tão patética? Preciso ser fiel à lição que Epona me ensinou. Preciso matar o homem...

— Potro, você é muito ridículo, nem cagar você consegue... É a coisa mais fácil, não precisa pensar nada, só vai e caga.

Contraí a musculatura, fiz força como pude e, mesmo em um lugar gelado, suei pelo corpo todo. Cada gota percorria minha pele e parecia se concentrar próximo ao meu ânus, e, então, era a única coisa que caía. Quando Epona se levantou, esforcei-me ainda mais, aproveitando que talvez ela não estivesse olhando. Mas saber o que ela viria a fazer me travou de vez. Urrei!

— Para, Potro! Não vai sair nada e você vai se ferir. Já tenho que cuidar do teu casco, do teu joelho e da porcaria do teu pau porque você resolveu comer o chão!

Epona pegou um molho de chaves, abriu uma porta que ficava trancada e entrou. Voltou com mais baldes. Entrou mais uma vez na sala e voltou com uma pomada.

— Vai, volta a ficar de quatro e projeta sua bunda para cima. — Falou, ajeitando o banquinho e ficando próxima ao meu ânus. — Não se acostuma com essa moleza não, viu! Que trabalho você tá dando, Potro... era só a Ártemis ter deixado você para trás... mas não, ela te trouxe para cá. Não fecha a porcaria da tua bunda!

Senti algo gelado sendo passado primeiro ao redor, e depois ela foi pressionando o dedo levemente até que conseguiu entrar. Epona era profissional quando queria. Aos poucos, comecei a sentir um estranho prazer... Não sei se considero essa a primeira vez que fui violado, porque, até pelas falas de Epona, aquilo parecia estritamente impessoal.

— Se animou, hein, hahahaha. Grande surpresa o Potrinho gostar de ser dedado. Tá, agora vou pegar a mangueira, vou colocar um pouco para você se acostumar. Vou tirar e você vai tentar segurar o máximo que conseguir. Vai pegar o balde e vai soltar tudo nele. Quero a menor quantidade de sujeira possível, por isso vou deixar você usar as mãos para pegar os baldes. Se sua sujeira não me incomodar mais do que já incomodou, eu vou até aliviar para você.

O enema não é algo completamente desconfortável, viria a fazer outras diversas vezes ainda. O problema verdadeiro é não controlar você mesmo o volume de água e, pior, ter algo potente ligado a você. Tinha tudo para dar errado e... bom...

(O texto deste trecho foi excessivamente rasurado e reescrito pelo autor diversas vezes — inclusive com palavras rabiscadas por cima das outras —, de modo que não é possível decifrar tudo o que foi registrado. De maneira concisa: ele não conseguiu segurar quando Epona retirou a mangueira e expeliu tudo de uma vez... talvez acertando Epona, talvez passando muito perto disso.

Epona, no entanto, contrariando o que ele esperava, não explodiu. Apenas mandou que ele entrasse na sala de onde ela havia saído com os baldes. Lá, ele descobriu haver um banheiro normal, que usou para se limpar. Epona instruiu-o a ficar lá dentro até que ela terminasse de ajeitar as coisas do lado de fora.

Depois disso, ela deu um banho nele sem dizer uma única palavra e tratou suas feridas. Recolocou os apetrechos e o conduziu de volta à cocheira. Sua única punição, naquele momento, foi ser trancado no escuro sem direito a refeição.)

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