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Garoto do EB / Ep 06

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Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 1804 palavras
Data: 24/07/2026 00:18:38
Última revisão: 24/07/2026 00:42:52

O som das botas do Cabo ainda ecoava pelo corredor de cimento quando o balde quase escorregou dos meus dedos trêmulos. Eu estava com um pouco de medo, raiva, o suor frio colando a farda no meu corpo, e a ameaça do acampamento Pólux pesando horrores na minha cabeça.

— Ei. Apaga essa luz, seu idiota. Quer acordar o batalhão inteiro?

Levei um susto tão grande que dei um passo para trás, esbarrando o quadril na borda do lavatório.

A porta de madeira do banheiro dos graduados rangeu de leve, empurrada com força. Uma silhueta alta e musculosa entrou, fechando a porta logo em seguida. Era o Gustavo. Ele estava sem a gandola, usando apenas a regata verde-oliva justa que marcava os braços grossos e o pescoço grosso. O rosto dele trazia a expressão fechada de quem vinha pronto para querer briga, ele estava com uma caixinha de cigarro na mão.

Os olhos dele se arregalaram levemente num misto de choque e confusão.

— Michel? — ele soltou, a voz saindo num tom bem mais baixo do que a marra que ele costumava carregar, parecendo genuinamente surpreso por me encontrar ali a aquela hora da madrugada. — O que diabos você tá fazendo aqui, caralho?

Eu tentei erguer o queixo para disfarçar o pânico recente, apertando a alça do balde com força.

— A mesma coisa que você, Gustavo. Cumprindo cota de faxina ou vagando onde não deve — respondi, com a voz falhando um pouco mais do que eu gostaria.

O choque no rosto do Gustavo sumiu num segundo, substituído por uma onda de raiva e desdém. Ele fechou o punho, deu três passos largos até mim e me empurrou de leve, fazendo minhas costas baterem contra o lavatório molhado.

Ele colocou uma mão espalmada na parede, bem ao lado da minha cabeça, bloqueando qualquer saída. Ele estava um pouco perfumado.

— Não me venha com gracinha, sua bichinha, você está me seguindo, sabia que eu iria vim aqui para fumar, não é? — Gustavo falou baixinho, o rosto colado quase no meu. — Mas ja que está aqui, eu passei o dia inteiro pensando naquela merda que você soltou lá no rancho. "Tá querendo me oferecer o seu?"... Foi isso que você disse na frente de todo mundo, não foi? Acha que é muito esperto porque ganhou moral com o tenente, né? Acha que pode me peitar e sair rindo?

Eu olhei direto para ele. O medo inicial ainda apertava meu peito, mas a lembrança de tudo o que eu tinha engolido desde o primeiro dia de quartel fez a minha raiva falar mais alto. Eu me recusei a abaixar a cabeça.

— Gustavo... Você passa o dia inteiro obcecado por mim, reparando no meu corpo, cuidando de cada passo que eu dou. Agora veio me procurar escondido no meio da madrugada, Quer me pegar é? Confessa que quer algo comigo! Quer me beijar? Quer me comer?

O rosto do Gustavo travou no mesmo instante. A arrogância e a marra sumiram dos olhos dele como se tivessem sido apagadas.

— O... O quê? — ele gaguejou por um segundo, a voz saindo falhada.

A mão que estava espalmada na parede ao lado da minha cabeça começou a tremer de leve. A caixinha de cigarro escorregou dos dedos dele, batendo com um estalo seco contra o piso de cerâmica fria do banheiro.

— Vai ficar só me olhando com essa cara de assustado? — sussurrei, quebrando o silêncio tenso, a audácia substituindo o medo enquanto eu erguia o queixo, desafiando-o de vez. — Vai me beijar? arranca minhas roupas!

As palavras pareciam ter o poder de um soco. Os olhos do Gustavo se cravaram nos meus, ardendo com uma mistura violenta de desejo, pânico e a urgência de quem estava prestes a quebrar todas as barreiras que construiu. Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo desgovernado, e as mãos dele — antes trêmulas — agarraram a barra da minha farda com força bruta.

Mas algo aconteceu.

— Atenção nessa porra... — a voz grossa e arrastada do Sargento Rocha ecoou bem do lado de fora da porta.

O sangue sumiu do rosto do Gustavo. O transe que nos prendia se quebrou em mil pedaços num segundo.

— Merda! O Rocha! — Gustavo em puro pânico, os olhos arregalados enquanto a maçaneta da porta começava a girar.

Sem pensar duas vezes, com uma agilidade desesperada, o Gustavo me puxou com força pela manga da farda. Enfiamos os dois correndo para dentro do box mais próximo do fundo, encostando o corpo um no outro contra o azulejo gelado, enquanto a porta do banheiro se abria com um rangido estridente.

O espaço minúsculo do box nos comprimia de um jeito sufocante. O Gustavo estava colado às minhas costas, com as mãos grandes e firmes apertando a minha cintura, me puxando colado ao seu corpo enquanto a respiração dele, ainda quente e ofegante, batia direto na minha nuca.

O coração dele disparado contra a minha coluna parecia bater no mesmo ritmo do meu, e o cheiro de perfume misturado com suor invadia todos os meus sentidos.

Do lado de fora, os passos firmes do Sargento Rocha pararam bem em frente à pia. O som de um isqueiro riscando cortou o silêncio, seguido pelo barulho de fumaça sendo tragada.

Em seguida, o celular do sargento vibrou no bolso da calça e ele atendeu a ligação. A voz grossa e autoritária de segundos atrás se transformou num tom manhoso e arrastado que fez a gente arregalar os olhos no escuro:

— Oi, amor... Sim, eu sei que já são quase quatro da manhã, desculpa. É que o batalhão tá uma loucura por causa desse acampamento do Pólux que vai rolar amanhã... Não, vida, eu não vou esquecer de comprar o remédio do menino no caminho de volta, relaxa... Aham, eu te amo também. Amanhã cedo eu chego em casa, beijo.

O silêncio voltou a reinar no banheiro, quebrado apenas pela nossa incredulidade. O temido Sargento Rocha, o monstro que aterrorizava o quartel inteiro, acabara de falar mansinho com a esposa no telefone.

O Rocha desligou o aparelho, deu uma tossida seca, cuspiu na pia e deu meia-volta, batendo a porta de madeira pesada ao sair do banheiro.

O som dos coturnos foi se distanciando pelo corredor até sumir por completo.

Mesmo com a barra limpa, nenhum de nós dois se moveu de imediato. A presença das mãos do Gustavo firmes na minha cintura e o calor do corpo dele colado ao meu mantinham a gente paralisados.

Lentamente, o Gustavo afrouxou um pouco o aperto, encostando a testa no meu ombro e soltando um longo suspiro de alívio misturado com um riso soprado e incrédulo. Ele balançou a cabeça, colando a boca bem no meu ouvido, e cochichou:

— Caralho... O Rocha chamando a mulher de "vida". Se alguém contar isso lá no alojamento, ele mata todo mundo.

Eu virei de leve o rosto para trás, encontrando o olhar dele tão perto que nossas respirações se chocavam. Um sorriso irônico escapou dos meus lábios e eu devolvi no mesmo tom:

— Viu só? No fim das contas, até o carrasco do batalhão tem um lado manso, só você que finge que não tem!

O sorriso no rosto do Gustavo sumiu devagar, substituído por aquele mesmo brilho intenso e confuso de antes. As mãos dele na minha cintura apertaram um pouco mais forte, me virando de frente para ele no espaço apertado do box.

— Cala a boca, Michel... — ele murmurou, mas a voz saiu completamente sem força, desarmada.

O espaço do box parecia ter ficado subitamente pequeno demais. O toque das mãos dele na minha cintura não era mais apenas um reflexo do susto; a respiração do Gustavo estava pesada, quente contra o meu pescoço, e era impossível ignorar o quanto o corpo dele havia reagido àquela proximidade toda no escuro.

Com um movimento meio devagar, o Gustavo descolou o corpo do meu, dando um passo para trás e saindo de dentro do box.

Eu o acompanhei com o olhar, encostando as costas na parede fria de azulejos. Ele estava visivelmente tenso, com a respiração meio ofegante e os ombros largos travados. Ele passou a mão grande pelo rosto raspado, tentando ajeitar a postura de marra, mas era tarde demais para disfarçar o volume óbvio que era imenso na calça da farda, entregando a excitação crua que o momento havia provocado. Ele cruzou os braços depressa na altura do peito, enquanto desviava os olhos escuros para o chão do banheiro, mordendo o canto do lábio inferior num misto de frustração e desejo reprimido, e se virou de costas acendendo o cigarro.

— Anda, sai logo daí... — ele resmungou com a voz rouca, tentando recuperar a pose de durão enquanto olhava de relance para a porta do banheiro, como se quisesse fugir dali o mais rápido possível antes que perdesse o pouco de controle que ainda lhe restava.

— Preciso terminar de limpar isso aqui — falei, quebrando o silêncio denso do banheiro, enquanto apontava com a cabeça para o balde e a vassoura caídos perto do lavatório.

O Gustavo demorou alguns segundos para responder. Ele respirou fundo, puxando o ar com força pela boca, e ajeitou a regata verde-oliva, tentando desesperadamente apagar qualquer vestígio de vulnerabilidade do rosto. Quando finalmente virou o corpo para mim, a expressão dele estava fechada de novo, embora houvesse um brilho diferente no fundo dos seus olhos — uma mistura de confusão, raiva de si mesmo e uma tensão que ainda não tinha evaporado.

Ele cruzou os braços sobre o peito largo, me encarando de cima a baixo.

— Olha... a partir de hoje, a gente vai fingir que não se conhece, beleza? — Gustavo disse, a voz baixa, séria e cortante, tentando restabelecer o muro entre nós. — Esquece tudo o que rolou aqui. Eu não vou mais encher o seu saco, não vou mais pegar no seu pé no alojamento e você segue a sua vida.

Eu soltei uma risada curta, irônica, enquanto me inclinava para pegar o pano de chão.

— Ah, é? Promete mesmo, Gustavinho? — provoquei, erguendo o olhar para ele com um sorriso de canto, sem a menor piedade da pose de durão que ele tentava sustentar. — Que pena, eu queria conhecer o salsichão grosso que você tanto fala!

O maxilar do Gustavo trancou com tanta força que a veia da bochecha saltou. Ele abriu a boca para rebater com algum xingamento, mas percebeu que qualquer coisa que dissesse só alimentaria o meu deboche.

— Idiota... — ele resmungou entredentes, dando uma última tragada no cigarro.

Em vez de sair correndo, ele continuou ali, parado no meio do banheiro dos graduados, encostando o ombro na parede oposta, de cara fechada, apenas me observando em silêncio enquanto eu voltava a passar o pano úmido no piso. A tensão entre nós continuava densa e eletrizante, provando que, por mais que ele quisesse fingir que nada aconteceu, a linha invisível que nos ligava já tinha sido cruzada.

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Comentários

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Comecei a ler ontem e li todos os capítulos de uma vez só.

E já estou ansioso pelo próximo, espero que no próximo aconteça pelo menos um beijo entre esses dois...

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Que conto bom, ansioso por mais capítulos!

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