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Instinto primitivo - Antiga paixão

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Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 3494 palavras
Data: 24/07/2026 20:07:29

Acordei no dia seguinte com o som leve da porta se abrindo. Por alguns segundos, fiquei apenas olhando para o teto, ainda tentando entender onde estava e por que meu corpo parecia pesar uma tonelada. A claridade que entrava pela janela denunciava que o dia já estava bem avançado. Eu nem lembrava a última vez que havia dormido tantas horas seguidas.

A porta se abriu devagar e Kendra entrou no quarto. O cabelo estava enrolado em uma toalha, provavelmente tinha acabado de sair do banho. Ela segurava algumas roupas em uma das mãos enquanto me observava com um sorriso discreto.

— Que horas são? — perguntei, ainda com a voz sonolenta, me virando para ela.

— Já é de tarde, você estava dormindo tão profundo que decidimos não te acordar — ela tirou a toalha do cabelo e começou a secá-lo.

Demorei alguns segundos para processar aquilo.

— Meu Deus...

— A gente acabou com você ontem — Kendra soltou uma risada baixa.

— Realmente, acabaram comigo mesmo — passei a mão no rosto, tentando afastar o sono, mas acabei rindo também.

Ela largou a toalha na cama e começou a vestir o restante da roupa, logo se sentando na ponta da cama.

— Cadê a Brooklyn? — olhei para os lados me dando conta de que ela não estava lá.

— Ela foi ver se consegue sinal para tentar falar com a amiga dela.

A resposta me despertou um pouco mais. Fiquei alguns segundos em silêncio, alguns flashes da noite passada começavam a surgir na cabeça. Bocejei e me espreguicei, sentindo as costas reclamarem com cada movimento. Kendra ficou me observando por alguns segundos antes de perguntar:

— Qual o nome da amiga dela mesmo?

— Meg.

— Isso... Meg... — ela repetiu baixo, como se estivesse tentando guardar o nome.

O quarto ficou em silêncio novamente. Por alguns segundos, nenhum de nós falou nada. Fiquei olhando para o teto enquanto Kendra parecia perdida em pensamentos.

— Acha que ela está viva? — ela perguntou depois de um tempo.

A pergunta ficou no ar. Pensei por alguns segundos antes de responder.

— Não sei. É difícil deduzir qualquer coisa do jeito que o mundo tá.

— É... verdade... — ela abaixou o olhar.

Outro silêncio tomou conta do quarto. Kendra mexeu nos próprios dedos, pensativa, antes de falar novamente.

— Se caso estiver viva, podemos acolher ela, não podemos?

— Podemos sim — olhei para ela.

— Aposto que a Brooklyn iria ficar muito feliz — um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.

— Aposto que sim — acabei sorrindo também.

E mais uma vez ficamos em silêncio. Kendra se acomodou melhor na cama, vindo para o meu lado, apoiando as costas na cabeceira.

— É estranho pensar em tudo o que aconteceu, não é?

— O quê? O fim do mundo? — virei o rosto para ela.

— Também... mas eu estava pensando em nós.

Fiquei olhando para ela, esperando que continuasse.

— Quer dizer... se alguém tivesse me falado anos atrás que um dia eu estaria aqui, presa no meio do nada, tentando sobreviver, e conversando com você sobre plantar comida, consertar coisas e encontrar café... eu provavelmente iria rir da cara dessa pessoa.

— Eu também... Provavelmente eu também iria.

— Você lembra de quando a gente era criança?

A pergunta me pegou de surpresa, vasculhar o passado não era algo que eu gostava de fazer, ainda mais pelas situações constrangedoras que já passei. Mas logo um sorriso amarelo apareceu no meu rosto.

— Lembro de algumas coisas, quero esquecer outras.

Kendra riu também. Ficamos alguns minutos relembrando coisas antigas. As tardes que passávamos andando pela rua sem preocupação nenhuma, as brincadeiras que pareciam durar o dia inteiro, às vezes em que nossos pais precisavam chamar a gente de volta porque já estava escurecendo. Era estranho pensar que, naquela época, nosso maior problema era decidir onde ir brincar ou quem iria perder uma aposta boba. A vida parecia muito mais simples.

— Você lembra daquele cachorro que eu tinha? — Kendra perguntou de repente.

Pensei por alguns segundos.

— Lembro.

— Qual era o nome dele mesmo? — ela franziu a testa, encarando o teto.

— Você esqueceu?

— Faz muitos anos — ela respondeu, rindo. — Não vale.

— Era... — parei por um instante, fingindo que estava tentando lembrar. — Peter.

— Não acredito que você lembra — os olhos dela se arregalaram.

— Claro que lembro.

— Eu tinha esquecido, tipo, completamente — ela ficou me encarando, surpresa.

— Você escolheu esse nome por causa daquele filme de super-herói.

— Qual filme? — ela continuou me encarando.

— O primeiro filme do Homem-Aranha, você ficou fissurada quando lançou.

Kendra ficou em silêncio por alguns segundos.

— Inclusive, você tentou escalar uma árvore naquela época, caiu e machucou seu ombro — toquei atrás do ombro dela, numa pequena e escondida cicatriz que ela ganhou naquela ocasião. — Você fez esse corte e sangrou muito, eu te levei para a sua mãe e ela brigou comigo, me chamou de irresponsável.

Novamente, mais alguns segundos de silêncio.

— Você ainda lembra disso?

— Lembro.

— É engraçado — ela sorriu, mas dessa vez era um sorriso diferente, mais calmo. — Como algumas coisas ficam guardadas, mesmo depois de tantos anos.

— É... algumas coisas simplesmente ficam.

O quarto voltou a ficar silencioso, mas dessa vez era um silêncio cheio de lembranças. Fiquei olhando para ela por um momento, e ela correspondeu o olhar. Talvez fosse isso que tornava tudo tão estranho. No meio de um mundo destruído, onde quase tudo que conhecíamos tinha desaparecido, algumas lembranças antigas continuavam intactas. Como se uma parte da nossa antiga vida ainda estivesse guardada em algum lugar. Kendra abaixou o olhar por alguns segundos antes de voltar a falar.

— Você mudou muito.

— Eu mudei? — ri de canto.

— Mudou — ela também riu. — Mas algumas coisas continuam iguais.

— Tipo o quê?

Ela demorou alguns segundos para responder.

— O jeito que você se importa com as pessoas.

Fiquei remoendo aquelas palavras por um momento, no fundo, talvez fosse exatamente isso que tinha trazido todos nós até ali. A necessidade de proteger alguém, de não deixar outra pessoa para trás. E, enquanto eu olhava para Kendra naquele quarto, percebi que algumas coisas realmente nunca tinham desaparecido. Kendra continuou olhando para mim por alguns segundos. O sorriso discreto desapareceu aos poucos, dando lugar a uma expressão mais séria, ela respirou fundo, antes de falar.

— Posso te contar uma coisa? Acho que nunca tive coragem de falar isso antes — ela desviou o olhar para a janela com uma risada nervosa. Ficou alguns segundos em silêncio, como se ainda estivesse decidindo se realmente deveria continuar. Então me encarou outra vez. — Eu sempre gostei de você.

As palavras saíram baixas, quase como um sussurro. Meu cérebro demorou alguns instantes para processar o que tinha acabado de ouvir. Nenhum de nós disse nada. O silêncio voltou a dominar o quarto.

— Eu... também já gostei de você — passei a mão na nuca.

Ela levantou os olhos.

— Na verdade, gostei bastante — sorri de canto, um sorriso um pouco constrangido.

— Então por que nunca falou nada? — ela continuou com aquela expressão séria, sem desviar o olhar.

— Porque achei que tinha perdido minha chance — respirei fundo.

— Quando? — ela franziu a testa.

— Quando você começou a namorar aquele punk.

Nós dois acabamos rindo ao mesmo tempo.

— Nossa... ele era muito esquisito — ela comentou.

— Muito.

— Usava aquelas correntes penduradas na calça.

— E aquele moicano verde.

— Coitado — ela levou a mão à boca para segurar o riso.

— Coitado nada. Eu morria de inveja dele.

— Sério? — ela me olhou surpresa.

— Sério.

— Então acho que está na hora de eu confessar outra coisa — ela baixou a cabeça por um instante, balançando-a de leve. — Eu comecei a namorar com ele para causar ciúmes em você.

Fiquei encarando Kendra por alguns segundos. Depois comecei a rir, ela também riu.

— Funcionou.

— Funcionou? — ela perguntou.

— Muito.

— Eu sabia! — ela abriu um sorriso vitorioso.

— O problema é que o tiro acabou saindo pela culatra.

— Como assim? — o sorriso dela diminuiu.

Olhei para minhas próprias mãos antes de responder.

— Depois que vocês começaram a namorar, eu simplesmente... desisti, pouco tempo depois apareceu a oportunidade de estudar fora — respirei fundo. — E eu aceitei.

— Você aceitou por causa disso?

— Eu só não queria continuar vendo você junto com outra pessoa que não fosse eu.

— Eu... não fazia ideia — a expressão dela mudou completamente, a alegria que havia aparecido segundos antes deu lugar a um certo arrependimento.

— Eu acho que nunca contei para ninguém.

— Eu achei que você sempre quisesse ir embora.

— Também queria estudar — sorri de leve. — Mas teria sido muito mais difícil tomar aquela decisão se você estivesse solteira.

— Então... você foi embora por minha causa — ela mordeu o lábio inferior.

— Em parte.

Outro silêncio tomou conta do quarto. Kendra respirou fundo antes de levantar novamente os olhos.

— Então por que você voltou?

Sorri. Era curioso, durante anos imaginei aquela conversa acontecendo de dezenas de formas diferentes. E agora que ela finalmente estava acontecendo, a resposta parecia ridiculamente simples.

— Eu não aguentava mais um dia sequer sem ver o seu sorriso — olhei diretamente nos olhos dela.

As palavras saíram antes mesmo que eu pudesse pensar, Kendra ficou completamente imóvel. Os olhos começaram a marejar, e um sorriso pequeno apareceu em seu rosto. Ela tentou disfarçar, mas já tinha visto uma lágrima rolando pelo rosto. Ela olhou para outro canto e enxugou a lágrima, logo voltou a me encarar com um sorriso. Porém, esse sorriso logo se desmanchou, percebi ela mordendo o interior da boca.

Kendra e eu nos encaramos por tempo demais, o silêncio entre nós carregado de uma tensão diferente, era confortável, mas ao mesmo tempo, tinha a impressão que precisava fazer alguma coisa. Os olhos dela queimavam em mim, um convite no fundo dos seus olhos que não precisava ser verbalizado, mas eu também não pretendia recusar.

Nós nos movemos ao mesmo tempo, ela veio lentamente sobre mim, seu corpo quente encontrou o meu e eu respondi imediatamente, minhas mãos encontrando a cintura dela enquanto ela se acomodava sobre mim. A diferença de temperatura era deliciosa, o cabelo ainda molhado gelava meu peito enquanto o calor do seu corpo me aquecia por completo.

Minhas mãos exploraram cada centímetro do corpo dela, traçando as curvas da cintura até o volume das coxas, sentindo a pele macia sob meus dedos. Quando cheguei aos peitos, não consegui resistir. Cravei as unhas em sua pele um pouco acima da roupa e abaixei o tecido lentamente, deixando um rastro vermelho e ao mesmo tempo, me agraciando com a vista dos peitos perfeitos. Inclinei a cabeça e capturei um mamilo entre meus lábios, sugando com uma fome que surpreendeu até a mim. O gosto salgado da pele dela, o som do suspiro que escapou de seus lábios, o cheiro da pele exalando o aroma do sabonete agridoce. Passei para o outro seio, dando a ele a mesma atenção voraz, enquanto minhas mãos continuavam sua exploração, descendo pelas costas dela até chegar a bunda perfeita, apertei com força.

Kendra se mexeu sobre mim, ajustando a posição enquanto tentava tirar o próprio short. Ao mesmo tempo, minhas mãos foram para a minha bermuda, lutando contra o elástico, tentando abaixá-lo. Foi nesse momento, com um movimento desajeitado que ela fez sua jogada fatal, num relance rápido, ela se ergueu, ficando de pé na cama e posicionou sua buceta diretamente sobre meu rosto. O cheiro dela me atingiu como uma explosão, o cheiro intenso, feminino, absolutamente intoxicante. Meu nariz mergulhou nos pelos da intimidade dela e inalei profundamente, deixando aquele aroma penetrar em minha alma.

Sem hesitação, minha língua encontrou o calor dela. Eu chupei seu mel com vigor, explorando cada dobra, cada textura. Minhas mãos seguraram as coxas dela, mantendo-a no lugar enquanto eu a devorava. O gosto era incrível, salgado e doce ao mesmo tempo, era puramente a essência de Kendra. Eu beijei sua buceta com paixão, minha língua entrando fundo, enquanto ela começava a se mover contra meu rosto. Ela se desequilibrou um pouco, a perna flexionou e num movimento um tanto perigoso, sentou com força no meu rosto, rebolando contra minha boca, deixando um rastro de fluidos quentes nas minhas bochechas, lábios, língua e sei lá mais onde.

Ouvi os gemidos dela ficarem mais altos, mais urgentes, e senti o corpo dela começar a tremer. Quando ela gozou na minha cara, foi como uma avalanche, podia sentir a eletricidade das ondas de prazer através da ponta dos meus dedos, que a fizeram se sacudir enquanto ela se contorcia contra mim. Mas Kendra não descansou. Assim que o último tremor passou, ela se moveu novamente, deslizando para baixo do meu corpo. Suas mãos foram rápidas, arrancando minha bermuda num puxão só, o que me excitou ainda mais. Meu pau já estava duro, pulsando desde o momento em que senti o calor do seu corpo. Ela o segurou por um momento, olhando nos meus olhos antes de se posicionar acima dele.

Lentamente, Kendra desceu, encaixando meu pau em sua buceta molhada. A sensação de entrar nela foi avassaladora, sempre apertada, sempre quente, sempre aquele calor que me alucinava, incrivelmente molhada. Ela desceu devagar, me deixando sentir cada centímetro dela sendo preenchido por mim. Quando finalmente me acomodei completamente dentro dela, ela se inclinou e nossos lábios se encontraram. O beijo foi intenso, cheio da paixão que tínhamos acumulado ao longo de tantos anos. Eu pude sentir o gosto dela em meus lábios, o gosto de seu próprio.

Comecei a me mover devagar, estabelecendo um ritmo que a fez gemer contra minha boca. Cada movimento era profundo o suficiente para prolongar os gemidos. Logo, o ritmo aumentou, tornando-se mais violentos, mais selvagens. Nossas bocas não se desgrudaram um segundo sequer, trocando beijos demorados e famintos enquanto nossos corpos se encontravam repetidamente. Minhas mãos encontraram a bunda dela novamente, depositei ali dois tapas que a fizeram gemer nos meus lábios. Apertei com força, logo dando mais três tapas. Ela respondeu sentando com mais força a cada impulso, fazendo meu pau chegar ainda mais fundo dentro de si.

Num momento de pura inspiração, eu girei Kendra para o lado, forçando-a a se deitar na cama enquanto eu rolava sobre ela. Fiquei por cima, meu pau acabou escapando, mas logo encontrando novamente sua buceta sem esforço, escorregando para dentro. As pernas de Kendra me laçaram, me prendendo contra ela enquanto eu começava a meter com uma força voraz e violenta. Os gemidos dela ficaram mais altos, mais descontrolados. Me inclinei e voltei a chupar seus peitos, alternando entre eles enquanto não dava trégua ao ritmo implacável e ininterrupto.

Em certo momento, ajeitei a postura, agarrei os dois braços pelos punhos e voltei a meter, puxando-a contra mim enquanto continuava a socar com a mesma violência crescente. O controle, a dominação, parecia excitar Kendra ainda mais. E o que mais me excitava era ver os lábios de sua buceta me engolindo por completo, a buceta vermelha e inchada parecia mais convidativa do que nunca, e sem falar naqueles pelos um pouco acima da racha.

Se eu pudesse, passaria o dia todo fodendo Kendra naquela posição.

Seus gemidos se transformaram em gritos de prazer, seu corpo se contorcendo. Então, de repente, ela me empurrou com força. Surpreso, recuei um pouco, apenas para vê-la se virar, assumindo a posição de ladinho. Não perdi tempo, me deitei atrás dela, meu pau encontrou a entrada molhada da buceta dela sem hesitação, parecia magnetismo, entrou direto, como se me sugasse de uma só vez. Continuei metendo, ergui uma de suas pernas e a coloquei em cima do joelho da minha perna dobrada, permitindo um ângulo ainda mais profundo, e comecei a dar alguns tapas fracos e ritmados em sua buceta, cada tapa era acompanhado por um gemido mais alto, prolongado e cheio de tesão. Num último tapa, pousei minha mão em sua buceta e comecei a masturbar seu clitóris, sentindo pulsar sob meus dedos.

Kendra virou a cabeça para trás, procurando minha boca, os olhos semicerrados, um rastro de saliva escorrendo no canto da boca. Acho que nunca fodemos com tanta voracidade e num ritmo apaixonado como estávamos fodendo agora.

Nos beijamos novamente, um beijo desajeitado, faminto, cheio de paixão nua e crua. Eu senti o corpo dela começar a tremer novamente, os músculos da buceta apertando meu pau de uma forma que me deixou sem fôlego. Continuei masturbando seu clitóris até senti-lo inchando entre meus dedos, ela continuou se movendo contra mim, buscando mais, até que, com um grito sufocado, ela esguichou, os fluidos quentes banhando meu pau enquanto o orgasmo a sacudia.

— Goza dentro de mim — ela implorou, a voz rouca de paixão e tesão. — Por favor, eu sempre quis sentir isso.

As palavras dela destruíram qualquer controle que me restava, qualquer razão que ainda existia na minha mente, qualquer pensamento sobre consequências desapareceu, substituído por uma necessidade primata de satisfazê-la, de preenchê-la completamente, de torná-la minha para sempre.

Não aguentei mais. Com um urro e um último impulso profundo em sua buceta, eu gozei dentro dela, os jatos explodindo em seu interior quente. Kendra gemeu satisfeita, sentindo cada pulsação, cada gota de esperma preenchendo seu interior. Quando finalmente terminei, ela recaiu sobre mim, ambos ofegantes, cobertos de suor e satisfação. O quarto cheirava a sexo, o doce mel ainda cobria meu rosto, tudo aquilo ainda me intoxicava.

Permanecemos em silêncio por alguns instantes, tentando recuperar o fôlego, apenas aproveitando o calor um do outro. Aos poucos, a adrenalina deu lugar à razão.

— Acho que... a gente fez merda — Kendra foi a primeira a quebrar o silêncio.

Olhei para ela sem entender de imediato. Bastou alguns segundos para perceber do que ela estava falando.

— É... — passei a mão pelo rosto e soltei uma risada nervosa. — Não foi uma boa ideia.

— A gente perdeu o controle — ela balançou a cabeça, ainda sem conseguir esconder um sorriso envergonhado.

— Perdemos...

Ficamos nos encarando por alguns instantes. Não havia arrependimento pelo que sentíamos um pelo outro, apenas pela imprudência do momento.

— Não seria o melhor momento se você ficasse grávida agora, na próxima vez... — falei, respirando fundo. — A gente tenta pensar um pouco antes de fazer isso.

— É, na próxima vez — ela sorriu de canto enquanto me encarou por cima do ombro.

Ela segurou minha mão e entrelaçou os dedos nos meus. Permanecemos ali, deitados em silêncio, deixando a calma voltar aos poucos. Não havia muito o que discutir. Nós dois sabíamos exatamente por que aquilo tinha sido uma decisão impulsiva.

— De qualquer forma, não arrependida — Kendra virou o rosto para mim.

— Nem eu — olhei para ela.

— Tipo, de nada mesmo — ela sorriu. — De ter vindo para cá com você, de ter falado sobre o passado e de deixar você gozar dentro de mim.

Fiquei apenas encarando ela, por um momento, me lembrei do dia em que deixamos a cidade.

— Agora é a minha vez de confessar uma coisa — falei com a voz baixa.

Ela continuou me olhando.

— No dia em que saímos da cidade, antes de você me ligar — respirei fundo. — Eu já estava pensando em chamar você para vir junto.

Um sorriso de orelha a orelha tomou conta de seu rosto, ela se aproximou e nos beijamos de novo. Ficamos em silêncio mais uma vez. Depois de alguns instantes, ela segurou a minha mão.

— Promete uma coisa? — ela entrelaçou os dedos nos meus. — Nunca me deixa sozinha, tá?

Ela me beijou de novo.

— Prometo, mas você também tem que me prometer uma coisa — falei rindo. — Da próxima vez, deixa a emoção um pouco de lado antes de me pedir para fazer alguma besteira.

Ela sorriu, balançando a cabeça.

— Eu prometo... — ela fez uma pequena pausa antes de completar, rindo baixinho. — Embora eu ache que nós dois sejamos péssimos em cumprir esse tipo de promessa.

— É... olhando para o nosso histórico, tem razão — acabei rindo também.

O clima pesado desapareceu aos poucos. Continuamos deitados lado a lado, de mãos dadas, ainda assimilando tudo o que havia acontecido. Pela primeira vez em muitos anos, não existia mais nenhum sentimento escondido entre nós. Só restava aprender a lidar com as consequências de finalmente termos deixado o coração falar mais alto que a razão. Mas nosso momento sentimental durou pouco.

Brooklyn chegou aos gritos na casa. Kendra e eu nos olhamos, ela mais assustada do que eu. Nos vestimos rapidamente e fomos como dois foguetes para a sala, eu indo na frente. Esperava o pior, queria saber qual o motivo de toda aquela gritaria, confesso que meu coração apertou por alguns segundos.

Cheguei primeiro, Kendra veio logo atrás. Brooklyn estava parada no meio da sala, andando de um lado para o outro. Assim que nos viu, abriu um sorriso enorme em meio as lágrimas.

— O que aconteceu? — perguntei.

Ela respirou fundo, claramente tentando conter a empolgação.

— Eu consegui — ela ergueu o celular que segurava nas mãos. — Eu consegui falar com a Meg.

Por um instante, ninguém disse uma palavra. Brooklyn desabou em choro e empolgação, Kendra se aproximou dela e a abraçou. Os olhos de Brooklyn brilhavam, não sei se era por causa das lágrimas ou porque encontrou quem estava procurando. Ela parecia incapaz de esconder a felicidade. Senti um sorriso surgir no meu rosto quase automaticamente, estava feliz por ela, depois de tudo o que havíamos perdido, ouvir aquela notícia parecia quase um milagre.

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Foto de perfil de HaedrigHaedrigContos: 38Seguidores: 34Seguindo: 15Mensagem Um cara comum que escreve histórias não muito condizentes com a realidade.

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