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Caderno Vermelho - Primeiro Volume - XII

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Um conto erótico de Escravo 43
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 499 palavras
Data: 27/07/2026 01:59:54

Capítulo XII

— Tá bom, Potro, já gozou de novo... aposto que foi mais emoção do que teve em toda a sua vida, hahaha.

Estava exausto e em choque... como uma garra, minha mão espremia um verme. Era como se tivesse sido congelado naquele estado.

— Fica de quatro aí, exatamente onde tá. Eu vou vir te limpar, mas, até eu vir, você vai ficar de olhos fechados e cantarolando baixinho, tá bem?

A primeira coisa que consegui fazer foi cerrar os olhos. Essa foi fácil. Não tive forças nem ordem para parar, não tinha forças para continuar ali...

Depois me agachei, mas ainda sem conseguir libertar minha mão. Havia sucumbido... Era como se o verme e o homem tivessem rachado meu corpo ao meio. Cada um colonizando seu espaço e, no entanto, disputando a garra e o falo.

Epona resmungou algo. Não consegui ouvir, não era comigo... ela estava distante... Tentava pensar em uma música, mas a única coisa em minha cabeça era o cadáver na porta do Estábulo. Quem seria ele?

(Página rasgada neste ponto.)

Minha avó matava frangos. Meu avô não podia ver sangue. As agressões que ele cometia contra ela, no entanto, só ocorriam sob o efeito de álcool ou de alguma corrosiva emoção...

Meus pais só exerciam sua violência na minha criação e na de meus irmãos. Nós, por nossa vez, tínhamos medo ou receio de sequer exterminar um bicho peçonhento ou um animal virulento. A imposição da minha força se resumia a matar insetos minúsculos e a obrigar meu cachorro a ficar no quarto quando eu ia para a cama.

Minha antiga sociedade de ovelhas travestidas de lobos produz normas e mais normas para frear uma fraude. Se todas as regulações sumissem do dia para a noite, pouco se perderia, afora o ego.

Não estava mais entre essa sociedade. Fora escolhido para compor uma sociedade de deidades... recolhido pela própria Deusa. Mesmo que como gado, meu sacrifício serviria à cosmogonia...

Epona tinha agência; como uma amazona, protegera seu lar. O Templo não lutava por sobrevivência. Lutava para dominar.

Eu teria que sentir algo pelo invasor? Teria que sentir repulsa por gozar? Se sentisse essa repulsa, trairia minha Senhora e trairia minha Deusa. Trairia, ainda, o morto; minha ereção confirmava o embate entre dois guerreiros, dois combatentes que se enfrentaram no Coliseu para engrandecer o Templo de Ártemis!

Seria este o derradeiro teste de Epona? Ela teria orquestrado uma prova final com o intuito de me punir, um teste de estresse no qual ela contava com a minha falha? Eu não fechei os olhos; eu gozei, e gozei de novo.

Epona teria que coroar minha entrada como membro da plateia que vive e morre pela performance que, sem condições de protagonizar, só pode alimentar.

Quem vive pela espada, morre pela espada; aos demais, resta apreciar o espetáculo das vontades. Epona teria a mim em sua torcida sempre que representasse o triunfo do Templo sobre o rebanho.

Se não fosse pelo cinto, eu teria gozado de novo!

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