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De Mulher Exemplar Para Um Exemplo de Mulher parte XI

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Um conto erótico de Carvuna Editoria
Categoria: Lésbicas
Contém 2190 palavras
Data: 03/07/2026 18:37:29
🤖 Texto produzido com auxílio de inteligência artificial

A tia-avó de Natália as recebeu na primeira noite com um chá e um olho desconfiado. Na manhã seguinte, já tratava Sara como sobrinha. O coração velho e cansado não se importava com o que a igreja dizia. Importava-se com a felicidade.

Ficaram três meses naquela casa pequena, no quarto dos fundos, dividindo uma cama de solteiro. Aprenderam a conviver. A dividir espaço. A brigar por bobagens e fazer as pazes na mesma hora. A paixão não diminuiu. Apenas se aprofundou.

Depois alugaram um apartamento. Natália arrumou um emprego numa clínica de estéti. Sara conseguiu um trabalho numa loja de departamentos. A vida se estabeleceu devagar, como uma planta que estende as raízes com cuidado.

Mas a transformação de Natália foi o que mais chamava a atenção.

Ela cortou o cabelo.

Não foi um corte modesto, de mulher evangélica. Foi um corte ousado. Chanel curto, desfiado, que mostrava a nuca e as orelhas. As raras madeixas grisalhas que ela escondia com tinta agora ficavam à mostra. Prateadas. Lindas.

— Você parece outra pessoa — Sara disse, quando Natália voltou do salão.

— Sou outra pessoa — Natália respondeu, passando a mão nos fios curtos.

A primeira tatuagem veio um mês depois. Uma flor discreta no braço direito, perto do ombro. Pequena. Quase tímida.

— Doeu? — Sara perguntou.

— Doeu. Mas é uma dor boa. Dor de quem decide.

A segunda tatuagem veio no tornozelo. Um pássaro pequeno, asas abertas. A terceira, nas costas, perto da nuca. Uma frase em latim que Natália nem sabia pronunciar direito, mas que significava "liberdade".

— Você está viciada — Sara riu.

— Estou.

O corpo também mudou. Natália entrou na academia como quem entra numa segunda casa. No começo, os exercícios doíam. Ela odiava esteira, odiava musculação, odiava suar na frente de estranhos.

Mas persistiu.

Um ano depois, o corpo começou a mostrar resultados. Os braços ficaram mais firmes. As pernas mais torneadas. A cintura afunilou. Os quadris ganharam forma. A barriga, antes flácida depois de duas décadas de casamento e um filho, começou a se definir.

— Você está gostosa — Sara disse, uma noite, olhando Natália sair do banho.

— Você está é maluca.

— Não sou. Olha você.

Natália se olhou no espelho. Não era a mesma mulher que fugiu de casa dois anos atrás. Aquela mulher tinha cabelos presos, roupas compridas, olhar baixo. Aquela mulher pedia desculpa por existir.

Essa mulher se olhava no espelho e gostava do que via.

As roupas mudaram.

Saia abaixo do joelho? Não mais. Agora eram vestidos que mostravam as pernas, calças justas que marcavam as curvas, blusas que deixavam os ombros de fora. E saltos. Natália descobriu os saltos como quem descobre um novo superpoder. Andar de salto alto fazia seu corpo se mexer de um jeito diferente. Mais confiante. Mais sensual.

Sara a acompanhava em cada mudança. Não competiam. Complementavam-se. Sara também mudara — o cabelo cresceu mais ainda, os seios ganharam um piercing que Natália adorava chupar. As duas cresceram juntas, como árvores plantadas lado a lado, cujas raízes se entrelaçam.

Aos sábados, iam para a noite.

Descobriram uma boate na cidade vizinha, frequentada por mulheres. Um lugar escuro, com luzes coloridas, música alta, cheiro de perfume e desejo. Ninguém as conhecia ali. Ninguém sabia que Natália fora esposa de pastor. Ninguém sabia que Sara fora sua nora.

Eram apenas duas mulheres bonitas, dançando juntas. A diferença de idade não era empecilho. Natália estava com 46, Sara com 23. O aspecto jovial de Natália e o ar de maturidade de Sara faziam com que o espaço de tempo entre as duas reduzisse.

Natália aprendeu a dançar. Não aquela dança de grupo da igreja, com passos marcados e olhos no chão. Dança de verdade. Rebolado. Encaixe. Olho no olho. Sara a ensinou.

— Mexe assim — Sara dizia, colocando as mãos nos quadris de Natália, guiando seus movimentos.

— Assim?

— Assim. Gostoso.

Dançavam coladas. Os corpos suados. As mãos percorrendo caminhos conhecidos. Às vezes se beijavam na pista, sob as luzes coloridas, e ninguém olhava estranho. Ninguém apontava o dedo. Ninguém chamava de pecado.

— Eu te amo — Sara sussurrava no ouvido de Natália, no meio da música.

— Eu também te amo — Natália respondia.

Voltavam para casa de madrugada. Subiam as escadas do apartamento rindo, tentando fazer silêncio para não acordar os vizinhos. Entravam no quarto. As roupas caíam no chão. A paixão estava tão viva quanto no primeiro dia — mais viva, na verdade. Mais intensa. Mais segura.

Faziam amor,trepavam,fodiam…faziam de tudo, até o sol nascer.

Natália descobrira coisas sobre o próprio corpo que nunca imaginara. Aprendera a gozar de várias maneiras. Com os dedos de Sara. Com a língua. Com as coxas. Com diversos brinquedos - consolos,dildos,vibradores,cintaralhos - comprados numa loja discreta, que as duas riam ao usar e depois gemiam sem parar.

— A senhora — Sara provocava, às vezes — está uma pervertida.

— Você me ensinou — Natália respondia, mordendo o lábio.

— Ensinei bem.

— Muito bem.

E riam. E transavam de novo.

No auge da paixão, não havia espaço para arrependimento. Não havia espaço para culpa. Havia apenas o agora. O corpo de Sara contra o seu. A respiração ofegante. O orgasmo que vinha como uma maré, arrastando tudo.

Depois, já saciadas, se olhavam no escuro.

— Você é a melhor coisa que me aconteceu — Natália dizia.

— Você também.

— Mesmo com tudo o que a gente passou?

— Por causa de tudo o que a gente passou.

Dormiam abraçadas. O suor secava na pele. O coração desacelerava.

No dia seguinte, tomavam café da manhã na cozinha pequena do apartamento. Natália lia jornal no celular. Sara preparava ovos mexidos.

— O que você quer fazer hoje? — Sara perguntava.

— Ficar com você.

— Já estamos sempre juntas.

— E daí? Quero mais.

Sara sorria. Servia o café. Sentava no colo de Natália.

E a paixão recomeçava, ali mesmo, na cadeira da cozinha, com os ovos esfriando no prato.

Dois anos. A melhor fase da vida de Natália. Ela nunca imaginara que pudesse existir tanta felicidade.

O preço fora alto. A família perdida. A comunidade que a odiava. O filho que não falava com ela.

Mas todas as noites, quando Sara a abraçava por trás na cama e beijava sua nuca, Natália sabia que valera a pena.

Ela era livre. Ela era amada. Ela era, finalmente, quem sempre deveria ter sido.

Foi numa noite de sexta-feira. As duas estavam no sofá do apartamento, após um jantar demorado, com vinho e velas. A garrafa já estava quase vazia. Natália estava com a cabeça no colo de Sara, que passava os dedos lentamente pelos cabelos curtos.

O silêncio era confortável. A música baixa no fundo.

— Posso te contar uma coisa? — Sara perguntou, a voz mais baixa que o normal.

— Pode sempre.

— Uma coisa que eu nunca te contei.

Natália ergueu os olhos. O rosto de Sara estava iluminado pela luz amarela da luminária. Havia ali uma hesitação que Natália não via há muito tempo.

— Fala.

Sara respirou fundo.

— Antes da Verônica… antes de tudo… eu tive uma fase.

— Que fase?

— Uma fase de loucura. Eu tinha dezessete, dezoito anos. Saía com pessoas mais velhas. Ia para festas que não acabavam mais. Fiquei com homens, com mulheres, com grupos.

Natália sentou-se devagar. Virou-se de frente para Sara.

— Grupos?

— Orgias. Participei de algumas. Não foram muitas. Umas três ou quatro. Mas aconteceu.

Natália ficou em silêncio. Não era ciúme. Não era julgamento. Era apenas curiosidade.

— Como foi? — perguntou.

Sara inclinou a cabeça, lembrando.

— A primeira foi assustadora. Eu não sabia o que estava fazendo ali. Uma amiga me levou. Era numa casa grande, sala escura, várias pessoas em vários estágios de nudez. Eu fiquei num canto, bebendo, só observando.

— E depois?

— Depois eu me soltei. Na terceira orgia eu já estava mais à vontade. Toquei, fui tocada. Foi… intenso. Confuso. Mas não me arrependo.

Natália tomou um gole de vinho.

— E os homens? Você ficou com muitos homens?

— Muitos, muitos, não. Perdi a virgindade com um homem. Tinha dezesseis anos. Ele era mais velho, uns trinta. Muito bem dotado. Dói só de lembrar.

— Doeu?

— Na primeira vez, sim. Depois ficou bom. Ele sabia o que fazia.

Natália ficou em silêncio por um momento.

— Você sente falta? De homens?

Sara pensou. Demorou a responder.

— Não. Não sinto. Depois da Verônica, eu só fiquei com Daniel. Era bom,mas confesso que era mais conveniencia que prazer. Eu gostava dele sim,mas um gostar que não ia além. Tinha limites.Faltava alguma coisa. Com mulher é diferente.

— Você se considera lésbica?

— Minha geração costuma utilizar o termo “inrotulável”. o famoso gostar de pessoas,independentemente do gênero. Porque eu já senti muita atração por homens, já transei com homens, já gostei. Mas hoje? Não sinto mais nada. Meu corpo esqueceu. Porque meu amor com você é grande demais!

Natália tocou o rosto de Sara.

— Obrigada por me contar.

— Você não está brava?

— Por quê? Era era sua vida. Era antes de mim.

Sara sorriu. Um sorriso aliviado.

— Você é incrível, sabia?

— Você também.

Ficaram em silêncio por mais um tempo. O vinho acabou. Natália foi buscar outra garrafa.

Quando voltou, sentou-se no chão, entre as pernas de Sara, apoiando as costas no sofá. Sara abraçou-a por trás.

— Posso te falar uma coisa também? — Natália perguntou.

— Sempre.

— Eu nunca pensei sobre isso. Sobre aventuras. Sobre outras pessoas. Porque durante toda a minha vida adulta eu fui uma só pessoa. A esposa do pastor. A mãe do Daniel. Não havia espaço para experimentar nada.

— E agora?

— Agora eu tenho você. E estou feliz. Mas às vezes… às vezes eu penso no que eu perdi. Nas coisas que eu não vivi.

Sara apertou o abraço.

— Você quer viver essas coisas?

Natália virou o rosto. Olhou nos olhos de Sara.

— Não sei. Talvez. Se fosse com você do lado.

Sara ficou pensativa. Os dedos desenhavam círculos nas costas de Natália.

— Você já reparou — Sara disse, devagar — que a gente está tão segura do nosso amor que nada parece ameaçar?

— Já reparei.

— É estranho. Com a Verônica, o ciúmes existia. Muito por parte dela, e isso acho que me contaminava. Qualquer olhadela para outra pessoa era uma briga. Com você… não sinto isso.

— Nem eu. Não sinto ciúmes de você.

— Por quê?

Natália pensou.

— Porque eu sei que você me ama. E eu sei que eu amo você. O resto… o resto é só corpo. Brincadeira. Prazer.

Sara arregalou os olhos.

— Você está falando sério?

— Estou. Não digo que quero. Mas digo que não teria medo. Se um dia a gente quisesse experimentar… outras pessoas… juntas… eu não me sentiria ameaçada.

Sara ficou em silêncio por um longo tempo. A música tocava baixo. As velas queimavam.

— Eu penso nisso às vezes — confessou. — Em como seria transar com outra pessoa com você olhando. Ou você transar com outra pessoa enquanto eu assisto. Ou as três juntas. Ou mais.

Natália sentiu um arrepio percorrer a espinha.

— Você já pensou em detalhes?

— Já. Sonhei até.

— E como era?

Sara sorriu. Seus dedos desceram pelo pescoço de Natália.

— Era quente. Era gostoso. Não tinha ciúmes. Tinha só… prazer. Muito prazer. No sonho, a gente ria. Não era sério. Era brincadeira. Exploração.

Natália fechou os olhos. Imaginou. Duas mulheres. Ou três. Um homem? Talvez. Ela nunca estivera com um homem além de Beraldo. Seria estranho? Seria bom? Ela não sabia.

— A gente não precisa decidir nada agora — disse Natália, abrindo os olhos. — Mas é bom saber que a gente pode pensar sobre isso. Sem medo. Sem culpa.

— Sem culpa — Sara repetiu, como se experimentasse a palavra.

— Eu passei a vida inteira com culpa. Culpa por sentir prazer. Culpa por desejar. Culpa por existir. Não quero mais isso.

— Nem eu.

Sara beijou o topo da cabeça de Natália.

— A gente está numa bolha, sabia? — Sara disse. — Numa bolha de amor tão forte que nada de fora consegue entrar. Mas às vezes eu penso que a gente podia… abrir a bolha. Deixar entrar um pouquinho de ar. De vez em quando.

— Ar?

— Outras pessoas. Outros corpos. Outras experiências. Sem compromisso. Só por diversão.

Natália virou-se por completo. Montou no colo de Sara, sentando-se sobre suas pernas. Os olhos das duas se encontraram.

— Você está falando de ménage? Suruba?

— Estou falando de aventuras. Do que a gente quiser. Do que a gente sentir vontade. Sem regras. Sem roteiro.

Natália sentiu o corpo responder. Um calor entre as pernas. Uma vontade que não era ciúmes nem medo. Era curiosidade. Era excitação.

— Me beija — pediu.

Sara a beijou. Longo. Molhado. Com língua, com dentes, com vontade.

Quando se separaram, ambas estavam ofegantes.

— A gente pensa nisso com calma — Sara disse.

— Com calma — Natália concordou.

Mas as duas sabiam que a semente estava plantada.

Mais tarde, na cama, depois de transarem com mais intensidade do que o habitual — como se o assunto tivesse incendiado algo nelas — ficaram abraçadas no escuro.

— Eu te amo — Sara sussurrou.

— Eu te amo também — Natália respondeu. — E é por isso que a gente pode pensar em aventuras. Porque o amor não está em jogo. O amor é a base.

— A base.

Dormiram abraçadas. Os corpos colados. Os corações batendo juntos.

Fora do apartamento, a cidade dormia. Dentro, duas mulheres sonhavam com outras pessoas, outros toques, outros prazeres.

Mas sempre voltando uma para a outra.

Sempre.

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