me chamo Alex, tudo começou a muito tempo mas não vou começar de lá de trás vou começar de onde realmente importa, era uma terça qualquer eu sou barman em um pub o dia estava calmo, por conta da chuva não tinha quase nenhum cliente, então chegou um homem grisalho um pouco careca, branco, alto, olhos azuis escuros, barba e cabelos grisalhos, ele estava bem estranho, chegou pediu uísque e ficou sentado, antes mesmo de eu perceber já estávamos conversando, ele acabou se tornando um cliente fiel vinha quase todos os dias, a gente conversava e ele me contava historias, falava sobre seu dia, era um homem bom mas com muitos defeitos, sempre deixava umas gorjetas altas a mais baixa que ele já me deixou foi uma nota de 100, sabia que ele era muito rico mas não sabia o quantos, não me envolvi de forma mais sentimental ou sexual, não pelo fato dele ter idade pra ser meu pai mas porque não podia me envolver com ninguém, depois e mais de 1 ano assim ele veio um dia e bebeu pouco e antes dele ir embora me entregou um envelope e me pediu para guardar que ele ia pedir pro filho vir buscar um dia ou ele mesmo viria, depois disso ele sumiu, não veio mais, de certa forma senti falta dele, não só pelas gorjetas mas pelas conversas, eram ótimas e bem esclarecedoras, sou brasileiro mas eu vivia em Berlim tinha acabado de fazer 21 anos, a muitos anos eu fui criado por minha avó e ela me amava minha mãe havia falecido e meu pai não me quis, porém quando minha avó morreu me deixou tudo oque tinha, não era muito mas era uma boa herança, meu pai e minha madrasta e meus tios declararam guerra a mim, uma guerra que eu perdi, eles me acusaram de agressões e ter problemas mentais mas eu tinha álibi porém eles tinham um amigo que era juiz e eles o compraram, quando tudo desmoronou fui condenado mas meu advogado conseguiu me dar um tempo antes de ir pra prisão, porém eles armara contra mim e minha única opção foi fugir do pais, consegui fugir em um navio e fui para Portugal, mas acabei vindo pra Alemanha aqui meio que finquei residência, não tinha documentos verdadeiros então era melhor, mudei um pouco minha aparência, meus cabelos que antes era preto, pintei de loiro, comecei a usar lentes escuras para esconder meus olhos que eram verdes, minha pele branca que antes tinha um tom levemente bronzeado perdeu sua cor, já que o sol aqui não era tão forte e o clima menos tropical, morava em uma rua bem afastada num bairro não muito bom, minha casa era de 2 andares mas não era legal era antiga, embaixo era sala cozinha e um cômodo, em cima era um quarto e um banheiro, dono não checou documentos ainda bem pois veria que os meus eram falsos, eu trabalhava o máximo que podia mas moderadamente, o bar em que eu trabalhava não dava direitos nem fazia perguntas, acho que achavam que eu era imigrante ilegal, eles pagavam por dia então era sempre melhor assim, depois de quase 2 meses sem ver o Hans me acostumei com a ideia de não ver ele mais, pensei em jogar aquele envelope fora mas eu prometi que o guardaria, pensei vária vezes em abrir mas achei melhor não. certo dia estava trabalhando, estava tudo normal, tive que ir lá atrás buscar outra garrafas de uísque, quando voltei tinha um homem no balcão, por um segundo achei que era o Hans
eu- boa noite, oque posso servir para o senhor hoje?
aquele homem levantou a cabeça e o olhar pra mim devagar, ele estava normal mas tinha algo no olhar dele que me deu um arrepio na espinha, tinha os olhos bem azuis muito escuros, como um oceano cheio de segredos e mistérios, ele me encarou por uns 5 segundos
homem- uísque com vodca quero os dois mais caros, pedra de gelo redonda, não quadrada
eu- tá
eu me virei e comecei a preparar mas senti calor nas minhas costas, olhei pelo reflexo numa garrafa na estante e vi que ele estava me encarando, tentei trabalhar normal mas aquele homem as vezes olhando pro copo, as vezes para o celular me incomodava, eu estava louco ara pedir pra ele ir embora, ele ficou toda noite basicamente naquele balcão bebendo, antes de sair ele me deu uma encarada e saiu, continuei trabalhando até a hora de fecharmos, quando deu hora, fechamos tudo e fomos embora, nós saiamos por uma porta que dava num beco atrás do bar, era eu e mais dois colegas, por todo tempo que sai ali mesmo sendo escuro eu nunca tive medo mas hoje eu estava com uma sensação de medo tão grande que fui com meus amigos pelo outro lado, eu caminho uma boa distancia até a estação, e ainda preciso subir uma escadaria alta pois a plataforma fica bem numa ponte, compro meu cartões de passagem em mercado, é sempre melhor e mais discreto, quando desço preciso caminhar uns 2 km até em casa, antes era cansativo mas agora acostumei, conforme os dias iam passando eu fui ficando mais neurótico, aquele homem misterioso começou a frequentar o bar as vezes, eu comecei a ter a sensação de ser seguido as nunca vi ninguém, tenho um gato que é meu companheiro, meia noite , eu um dia achei ele fora de casa oque era estranho pois não o deixava sair, também tive a sensação de coisas em casa estarem se mudando de lugar mas era loucura da minha cabeça, aquele homem nunca falava nada, um dia estava chovendo bem forte e nos achávamos que ninguém iria aparecer, mas apareceu um casal que sentaram numa mesa num canto, e logo em seguida chegou aquele homem, ele se sentou na cadeira do balcão e ficou mexendo no celular
eu- boa noite, oque posso servir hoje ? o de sempre?
Paul- oque seria o de sempre ?
eu- vodca, uísque e gelo redondo
Paul- não sou tão previsível assim
eu- certo então vai de que hoje ?
Paul- vodca e gim apenas
eu- está bem
Paul- que chuva terrível
eu- mas assim é bom
Paul- clima assim ? fecham cedo ?
eu- não, mas da um sensação de descanso dormir com chuva ou mesmo ficar em casa
Paul- de onde você é?
eu- porque ?
Paul- sotaque diferente
eu- américa central
eu entreguei a bebida dele, ele tomou
Paul- como um jovem da américa central veio parar em Berlim?
eu- longa historia
Paul- conte
eu- quem sabe um dia, porque não me conta porque um jovem está num pub a essa hora sozinho
Paul- trabalho estressante
eu- porque?
Paul- bom eu tenho que provar que posso assumir a liderança da empresa da família
eu- é muita responsabilidade
Paul- mas eu dou conta
eu- mas?
Paul- mas é difícil e também todos esperam que eu fracasse pra pegar meu lugar
eu- saquei
Paul- de um conselho com sua sabedoria de barman
eu- minha sabedoria de barman não vai te ser útil kkk
Paul- tente
eu- sei lá pessoas são pessoas, olham apenas a superfície
Paul- como ?
eu- você não precisa provar que esta no comando ou que consegue, só faça algo que mostre que está no comando
Paul- algo que mostre que o comando é meu... isso
ele levantou pagou e foi embora, eu e meus colegas comentamos que era estranho, não vimos ele o resto da semana, achei que ele não viria mais e senti até um alivia, quem trabalha em comercio sabe tem clientes que tem a energia tão carregada que quando somem a gente agradece, na quarta-feira meus colegas precisaram sair mais cedo então tive que fechar sozinho o pub, quando terminei de fechar, estava batendo cadeado quando vi na porta a sombra de um homem, mantive minha calma
eu- já fechamos
homem- eu sei
me virei de vagar, o homem estava todo de preto segurando uma arma na mão esquerda
homem- meu senhor o convida para um passeio
eu- é que sabe tá tarde e eu estou cansado..
fui dizendo isso enquanto me esquivava devagar para o outro lado do beco
eu- então eu agradeço mas diga a ele que quem sabe outro dia
quando terminei de me virar vi que tinha mais dois homens de preto no beco bloqueando minha passagem
homem- o meu senhor não o convida, ele ordena
ele fez sinal com a arma e eu o segui até um carro preto grande, tinha mais 2 carros com homens de preto ao redor, o homem me fez tirar a mochila e outro me revistou, e então abriram a porta do carro, quando entrei sentei e então sentaram 2 homens um cada lado meu, quando olhei para frente vi Paul, sentado mexendo no celular, quando me viu ele soltou um sorriso malicioso guardou celular no bolso
eu- que isso?
Paul- acho que eu quem faço as perguntas né
eu- eu..
Paul- a quanto tempo você é amante do meu pai ?
eu- como é?
Paul- responda minha pergunta ou eles vão te matar
eu- isso é ridículo
Paul- acha? ninguém vai se importar com um condenado que fugiu
eu- oque?
Paul- eu sei tudo sobre você Alexandre Carvalho
eu- oque?!
eu senti meu sangue ficar frio
Paul- então a quanto tempo é amante do meu pai
eu- quem é seu pai?
Paul- Hans
um dos homens me mostrou um tablete mostrando a foto do homem grisalho
eu- não sou amante do seu pai
Paul- claro que não, afinal ele morreu
eu- oque?
Paul- eu perguntei antes a quanto tempo você estava dando pra ele ou comendo ?
eu- nunca tive nenhum envolvimento com seu pai
Paul- acha que me engana? eu já vi vocês conversando, sempre tive duvida porque um homem como meu pai foi num lugar daqueles se ele podia ir em lugar melhor, segui ele e cansei de ver vocês conversando
eu- se seguia ele, então sabe que não acontecia nada
Paul- nada?
eu- sim
Paul- então porque meu pai deixou em testamento um quadro pra você
eu- oque?
fiquei incrédulo e em pânico quando ele disse isso
Paul- um quadro chamado olhos verdes que esta avaliado em mais de 30 milhões
eu- oque?
Paul- não me importa o valor até porque isso é dinheiro de bolso pra mim, mas quero saber por quanto tempo vocês tiveram um caso
eu- nunca tive um caso com seu pai
Paul- fale a verdade
eu- eu estou falando, você disse que seguiu ele então você sabe
Paul- então porque ele atravessava cidade e ia naquela porcaria de lugar?
eu- eu não sei, seu pai apareceu lá um dia, bebeu nos conversamos e depois ele começou a vir sempre
Paul- oque ele fazia lá sempre que ia
eu- bebia e conversava
Paul- sobre oque ?
eu- ele me contava historias
Paul- historias? que tipo?
eu- da vida e da família dele
Paul- de mim ?
eu fiquei serio olhando porque agora entendi que esse era o filho iludido, era assim que Hans o chamava, o carro parou e então um segurança bateu no vidro
homem- chegamos
eles me fizeram descer, quando vi estávamos na minha casa, mas tinha 2 deles na porta, assim que entrei tudo fez sentido, tinha mais deles dentro de casa, eles vinham me seguindo e entrando na minha casa, ele viu minha cara de espanto
Paul- estamos seguindo você a muito tempo, Alexandre sei tudo sobre você
ele se sentou na minha poltrona
eu- esta a vontade ?
Paul- nessa merda de lugar ? muito pouco
eu olhei com nojo pra ele
Paul- oque meu pai dizia ?
eu- ele te chamava de filho iludido
Paul- iludido? seja claro ou o Marc vai te dar um tiro
eu olhei e um segurança dele sacou uma arma, um deles colocou uma cadeira na frente da poltrona e fez sinal pra mim sentar, quando fui me sentar, meia noite pulou na poltrona onde Paul estava, era o lugar favorito dele
Paul- joguem lá fora esse vira-lata
eu o peguei no colo antes do segurança o tocar, me sentei com ele no colo
Paul- odeio gatos
eu- e eu odeio gente como você
Paul- qual foi a primeira coisa que meu pai te contou ?
eu- estava chovendo naquele dia, ele bebeu bastante e começou a me contar de uma discussão que teve com um filho
Paul- sobre oque?
eu- sobre uma casa na praia eu acho, sei que o filho destruiu o lugar com uma festa, Hans disse que era casa de sua falecida avó que tinham usado drogas e ele tinha medo da noticia vazar
Paul ficou pensativo mas estava com uma cara de culpado
Paul- oque mais ele disse
eu- disse que a relação com os filhos só era ruim com o do meio, e que nos últimos meses ficou pior e disse que pararam de falar até antes dele sumir
Paul- ele não sumiu ele morreu
eu- isso
Paul- ele tinha alguém?
eu- não sei, nunca disse
Paul- oque te disse na ultima vez que conversaram?
eu me lembrei do envelope
eu- nada, ele bebeu rápido e saiu mas antes ele me entregou um envelope, me pediu para guardar, disse que um filho viria buscar
Paul- onde está? qual filho?
eu- ele nunca disse qual filho
Paul- me entregue agora
eu fiquei em silencio pensei oque poderia ser e se podia usar pra fazer ele me deixar ir embora mas ele era esperto
Paul- você não ganha nada guardando ele de mim, posso te entregar pra policia ou te matar, cadê o envelope ?
eu- aqui nesse cômodo ao lado, dentro da terceira gaveta da cômoda do canto
ele fez sinal para os seguranças e eles foram ali, depois de uns minutos voltaram e entregaram para ele, ele viu que estava lacrado ainda e me olhou e então abriu, dentro tinha 3 fotos e uma carta dentro dela tinham 4 paginas, ele levantou e foi ate minha varanda ler, quando voltou guardou tudo no envelope
Paul- meu pai deixou para você em testamento
eu- eu não quero nada, fique pra você e suma daqui
disse isso com uma frieza que nunca tive na vida
ele apenas de um sorriso de canto e disse
Paul- Alex não suma, eu sei onde você esta, se eu ver que esta tentando fugir ligo para policia e te entrego
eu- você tem oque quer, pode me deixar
Paul- eu decido, não suma
ele fez sinal e eles foram embora, eu larguei meia noite no chão e ele se deitou na poltrona, eu estava com fome, mas toda fome passou, ficou só um sentimento de raiva, angustia e medo, acabei dormindo no chão, acordei no outro dia, lavei a cara no banheiro e me decidi, iria embora, estava em risco de me ferrar e não ia pagar pra ver, Hans me deixou de herança seu filho perturbado cheio da grana e de seguranças, eu corri peguei todas as minhas coisas essenciais que couberam numa mochila simples, coloquei meia noite na caixa de transporte, peguei tudo que pude e resolvi ir embora, assim que sai de casa andei por menos de 1 minutos e meu celular começou a tocar, um numero privado, contra todos meus sentimentos atendi
voz- volte para casa, se você não voltar vai ser preso em menos de 5 minutos
eu- eu..
voz- foi avisado, volte e não tente fugir, siga sua vida norma, estamos de olho
desligou, eu vi uma viatura de longe, e voltei pra dentro de casa, estava literalmente tremendo de medo