parte de autoria diversa do original
O amanhecer do segundo dia chegou suave pela fresta da cortina pesada do quarto principal. A luz dourada e quente do início da manhã deslizava sobre os lençóis de algodão egípcio, ainda úmidos em alguns pontos, impregnados do cheiro doce de suor e do rastro quente que Fernando havia deixado dentro dela na noite anterior. Duda acordou primeiro. O corpo inteiro doía de um jeito novo, profundo, quase aconchegante. O cu ainda latejava, dilatado, a entrada sensível e quente, a pele ao redor rosada e um pouco inchada. Cada movimento mínimo fazia o tecido fino da calcinha de renda preta — a mesma que pertencera a Laura — roçar naquele ponto delicado, espalhando uma umidade residual que já não era só dele.
O pênis, pequeno e macio, repousava contra a coxa esquerda, preso de lado pela renda. Não havia ereção. Havia apenas uma sensibilidade constante, uma ponta de formigamento que subia pela virilha sempre que ela se mexia. Os mamilos, ainda pequenos e rosados, estavam endurecidos pelo ar fresco do ar-condicionado e pelo atrito do sutiã de renda que Fernando não tirara dela. A pele do peito parecia mais fina, mais quente ao toque. A bunda, redonda e macia, ainda marcava as impressões dos dedos fortes de Fernando nas nádegas. A pele ali estava quente, quase febril, e cada vez que as coxas se tocavam sentia-se o calor úmido que escorria devagar entre elas.
Fernando dormia de lado, o braço pesado e quente jogado sobre a cintura dela. O peito largo subia e descia em respiração lenta. Duda ficou quieta por longos minutos, apenas sentindo. O cheiro dele — um misto de cologne caro, suor masculino e o rastro do sexo da noite — invadia as narinas dela. Havia um sentimento estranho crescendo no peito: não era só excitação. Era gratidão. Era pertencimento. Era o alívio de finalmente ter um lugar onde o corpo não precisava fingir ser outra coisa.
Ela se virou devagar, o cetim da camisola curta (outra peça de Laura) escorregando pela pele. O movimento fez o pênis mole roçar de novo na renda, e um fio fino de líquido transparente escapou, quente e pegajoso, manchando ainda mais o tecido. Duda fechou os olhos e respirou fundo. Pela primeira vez desde que acordara, o nome “Eduardo” pareceu distante, como uma palavra de outra língua. Na cabeça dela só restava Duda. E Duda queria ficar exatamente onde estava.
Foi então que a porta do quarto se abriu.
Laura entrou sem fazer barulho. O salto baixo batia suave no piso de madeira. Ela vinha direto do trabalho — blazer bege, saia lápis cinza, cabelo preso num coque baixo ainda impecável. A pasta de couro estava na mão. O olhar, porém, congelou no instante em que viu a cena: o marido nu da cintura para baixo, o braço envolto na cintura de um corpo jovem vestido com a própria lingerie dela, a camisola subida até a cintura, a calcinha de renda preta puxada de lado, o cu ainda entreaberto e brilhando com o rastro branco da noite.
Laura parou. A pasta escorregou dos dedos e caiu no chão com um som abafado.
Duda abriu os olhos. O coração disparou tão forte que ela sentiu o pulso latejar nos mamilos e na base do pênis. O medo subiu quente pela garganta. Fernando ainda dormia. Laura ficou parada por longos segundos, apenas observando. O peito dela subia e descia mais rápido. Os olhos percorriam cada detalhe: a pele lisa e quente de Duda, a forma como a renda marcava o volume mole entre as pernas, a umidade que brilhava entre as nádegas, o jeito submisso como o corpo jovem se encaixava contra o do marido.
Fernando se mexeu. Abriu os olhos. Viu a esposa. E não se assustou.
— Laura… — a voz dele saiu rouca, ainda carregada de sono e de prazer residual.
Laura não gritou. Não chorou. Apenas caminhou até a beira da cama, tirou o blazer com movimentos lentos e se sentou. A mão dela, fria pelo ar-condicionado do carro, pousou primeiro na coxa de Duda. A pele da jovem tremeu sob o toque. Laura subiu a mão devagar, sentindo a temperatura mais alta da virilha, a umidade que já manchava a renda. Depois desceu até o cu ainda aberto. O polegar dela roçou a entrada quente e sensível. Duda soltou um gemido baixo, involuntário, e o pênis mole latejou uma única vez contra a calcinha.
— Então é isso — murmurou Laura, a voz baixa, quase carinhosa. — Você trouxe uma cadelinha para casa.
Fernando não negou. Apenas puxou a esposa pela nuca e a beijou, profundo, enquanto a mão dela continuava explorando. Laura se afastou do beijo, olhou nos olhos de Duda — olhos grandes, úmidos, assustados e ao mesmo tempo famintos — e sorriu pela primeira vez.
— Vira de bruços, menina.
Duda obedeceu, o coração martelando. A camisola foi erguida até as costas. Laura ajoelhou-se na cama, o rosto descendo entre as nádegas quentes e macias. A língua dela, fria no primeiro contato e depois quente, passou devagar pela entrada ainda dilatada. Duda arquejou. A sensação era diferente de tudo: a umidade da saliva se misturando à umidade residual de Fernando, a textura áspera e depois macia da língua, a temperatura que contrastava com o calor interno. Laura chupou com calma, limpou, explorou, enquanto a mão livre descia e envolvia o pênis mole de Duda. Os dedos frios contrastavam com a pele quente e sensível. Ela masturbou devagar, sem pressa, apenas sentindo a textura macia, a ausência de rigidez, a forma como o órgão já parecia menor, mais delicado, mais feminino.
Fernando observava tudo, o pau já duro de novo contra a coxa. Quando Laura levantou o rosto, a boca brilhando, ela olhou para o marido e depois para Duda.
— Você fica. Mora aqui. Dorme nesta cama. Come o que a gente comer. Usa as minhas roupas. Toma o que eu te der. E satisfaz a gente sempre que a gente quiser. Em troca, você não precisa de mais nada. Nem de nome antigo. Nem de vida antiga. Aceita?
Duda, ainda de bruços, a bunda erguida, a língua de Laura ainda fresca na pele, o pênis latejando na mão da mulher, só conseguiu murmurar:
— Aceito… eu aceito ser de vocês.
Foi assim que começou.