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Garoto do EB / Ep 12

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Um conto erótico de Michel
Categoria: Gay
Contém 2626 palavras
Data: 30/07/2026 19:28:42

​ (Ep Bônus antes de eu lançar um ep estendido)

Após conversa com Emiliano e uma instrução básica sobre fardamento, O sol do meio-dia parecia derreter o asfalto do pátio do batalhão.

Mesmo com a confissão do Dagoberto — que havia sido arrastado para a detenção disciplinar antes mesmo do café da manhã —, o Sargento Rocha decidiu que a "falta de espírito de corpo" do Terceiro Pelotão precisava ser punida. E a punição veio em forma de faina pesada sob um calor de trinta e três graus.

Minha cabeça latejava no ritmo das batidas do meu coração. Estávamos há três horas capinando a encosta atrás dos estandes de tiro. A cada enxadada na terra seca, o impacto subia pelo meu braço e explodia no meu supercílio rasgado. O curativo improvisado pela enfermaria estava encharcado de suor, e o inchaço no meu olho esquerdo tinha piorado tanto que minha visão daquele lado era apenas um borrão arroxeado.

Eu estava no meu limite físico. Minha farda estava colada no corpo, pesada de terra e suor, e uma febre silenciosa começava a cozinhar meus pensamentos.

A poucos metros de distância, Gustavo golpeava o mato com o facão com uma força desproporcional. Ele não olhava para mim diretamente para não dar bandeira na frente dos cabos que supervisionavam o serviço, mas eu sentia a tensão irradiando dele. Cada vez que eu cambaleava levemente ou parava para puxar o ar, a mandíbula do Gustavo travava. Ele estava enlouquecendo por não poder largar tudo e vir me ajudar.

Quando o apito finalmente soou às duas da tarde, liberando a tropa para quinze minutos de hidratação nos bebedouros dos fundos, eu mal consegui manter a enxada em pé.

Caminhei arrastado até os fundos do vestiário, encostando a testa nos azulejos frios perto da pia. Liguei a torneira, joguei a água gelada na nuca e soltei um gemido baixo, sentindo o corpo inteiro tremer pela febre.

A porta do vestiário abriu e fechou num baque surdo. Passos rápidos e pesados ecoaram.

Antes que eu pudesse me virar, as mãos do Gustavo seguraram meus ombros, me virando de frente para ele. Os olhos dele estavam escuros, brilhando de desespero e raiva acumulada. Ele tirou a luva suja de terra e tocou meu rosto bom, deslizando o polegar até o meu pescoço.

— Você tá fervendo, Michel — Gustavo sussurrou, a voz embargada, olhando em volta para garantir que estávamos sozinhos. — Você não aguenta mais essa faina. Eu vou falar com o Rocha, vou dizer que...

— Não... — cortei, segurando o pulso dele, minha voz saindo rouca e fraca. — Se você for lá, ele vai piorar tudo. Vai achar que você tá me protegendo. A gente já chamou atenção demais.

— Foda-se a atenção! — Gustavo retrucou, aproximando o rosto do meu, o hálito quente batendo no meu queixo. — Eu não vou ficar assistindo você desmaiar no meio do mato, porra. Olha pra você.

Ele encostou a testa na minha com cuidado para não esbarrar no meu olho machucado. Senti o peito dele subindo e descendo rápido contra o meu. Aquele toque, aquela proteção instintiva... era a única coisa que me mantinha em pé. Mas o barulho de coturnos se aproximando do lado de fora nos forçou a separar brutalmente. Gustavo deu um passo para trás no exato momento em que dois recrutas entraram rindo no banheiro.

Ele me deu um último olhar carregado de angústia antes de sair pela porta, me deixando sozinho com a minha exaustão.

No fim da tarde, o Sargento Rocha me escalou para uma última tarefa isolada: descer até o almoxarifado no subsolo do pavilhão logístico para buscar duas caixas pesadas de lona de barraca. Era uma punição clara pelo meu "acidente" da madrugada.

O almoxarifado era um corredor comprido, escuro e abafado, cheio de prateleiras de metal que cheiravam a graxa, lona velha e poeira. A única luz vinha de duas lâmpadas fracas no teto.

Minhas pernas tremeram quando tentei puxar a primeira caixa pesada da prateleira do meio. A febre tinha piorado. Minha visão escureceu nas bordas. Quando a caixa escorregou e ia despencar no meu pé, duas mãos firmes e grandes surgiram do escuro, segurando a lona com facilidade.

Pisquei, assustado, tentando focar a visão.

Martins estava ali. Ele usava a farda camuflada com as mangas dobradas perfeitamente, exibindo os braços fortes. O rosto dele estava relaxado, e um sorriso calmo e indecifrável brincava nos lábios.

— Você devia tomar mais cuidado, 114 — Martins murmurou, empurrando a caixa de volta para a prateleira com um empurrão leve, bloqueando a minha saída no corredor estreito.

— Parece que você tá prestes a apagar.

— Eu tô bem, Martins. Dá licença — tentei soar firme, mas minha voz saiu como um sussurro cansado. Tentei passar por ele, mas ele apoiou a mão na prateleira de metal, prendendo meu corpo entre ele e as caixas.

O espaço era minúsculo. O peito dele roçava levemente no meu a cada respiração.

— Não precisa mentir pra mim, Michel — Martins disse, a voz baixando para aquele tom aveludado e denso que ele usou na noite da patrulha. Ele não me chamou de número, me chamou pelo nome.

Ele levantou a mão livre devagar. Instintivamente, eu quis recuar, mas a prateleira nas minhas costas me impedia. Os dedos quentes do Martins tocaram suavemente a lateral do meu pescoço, sentindo o calor anormal da minha pele. O toque dele não tinha a brutalidade do Exército, nem a urgência possessiva do Gustavo. Era lento. Sutil. Hipnótico.

— Você tá queimando de febre... — ele sussurrou, inclinando o rosto na minha direção. O cheiro do perfume amadeirado dele misturado com o suor da farda invadiu meus pulmões. — Você carrega o peso do mundo nas costas, Michel. Aguenta pancada dos outros, guarda segredo dos amigos, protege quem não merece... pra quê?

— Martins... sai... — tentei empurrar o peito dele, mas meus braços não tinham força. A febre nublava o meu julgamento e o calor do corpo dele tão perto do meu enviou um arrepio proibido pela minha espinha.

— Você tá tão cansado... — Martins continuou, a voz quase um ronronar no meu ouvido, os dedos dele agora traçando a linha do meu maxilar, descendo com uma perigosidade que me paralisou. — Deixa alguém cuidar de você de verdade. Sem cobrança. Sem ninguém saber.

Ele abaixou o rosto, os lábios dele roçando quase imperceptivelmente contra o meu pescoço, provocando um curto-circuito na minha cabeça. Meu corpo estava tão exausto, tão carente de alívio, que por um milésimo de segundo terrível e incontrolável, meus olhos se fecharam sozinhos. Minha respiração falhou. Eu não o empurrei. O charme dele, misturado à minha vulnerabilidade, estava me puxando para um abismo perigoso.

Martins sentiu minha guarda baixar. Ele sorriu contra a minha pele, deslizando a mão para a minha nuca, pronto para selar o espaço entre os nossos lábios no escuro do depósito.

Foi então que um estrondo violento de metal ecoou pelo subsolo.

A porta de ferro no topo da escada do almoxarifado foi aberta com um chute seco. O barulho de coturnos pesados descendo os degraus de concreto com pressa cortou o silêncio como um tiro.

— Que pouca vergonha é essa aqui no almoxarifado?! — a voz imperiosa do Tenente Brito ecoou pelas paredes de concreto do subsolo, seca e autoritária como um tiro.

Empurrei o peito do Martins com tudo o que me restava, afastando meu corpo do dele no exato segundo em que a figura alta do Tenente surgiu na virada do corredor de prateleiras. O coração quase rasgou meu peito de pavor. Se ele tivesse chegado dois segundos antes...

Brito parou a três passos de nós, as mãos postadas nas costas, os olhos de águia percorrendo a cena. Ele olhou para a caixa de lona quase caindo e depois para o meu rosto: a pele suada, a respiração afobada e a febre evidente.

— O que os dois recrutas estão fazendo parados aqui no escuro? — Brito cobrou, ajeitando o dólmã. — Era para a faina de material ter sido entregue há dez minutos!

Antes que eu pudesse gaguejar qualquer desculpa trêmula com a voz falhando pela febre, Martins deu um passo à frente com uma postura militar impecável. Ele bateu continência perfeita, assumindo uma expressão de extrema gravidade e respeito.

— Licença para falar, Tenente! — Martins bradou com firmeza. — O Recruta 114 estava cumprindo a ordem de buscar o material, Senhor. Mas quando cheguei aqui para auxiliá-lo no transporte, percebi que o recruta está em condições físicas severamente comprometidas.

Brito deu um passo em minha direção.

— Como assim, Martins?

— O Recruta Michel está queimando em febre alta, Tenente — Martins explicou, mantendo a voz calma, firme e profundamente convincente. Ele olhou para mim com uma fisionomia de genuína preocupação, o papel perfeito de um companheiro zeloso. — Ele sofreu um trauma grave no rosto durante a guarda e o esforço na faina pesada de hoje claramente agravou o quadro. Ele mal consegue se manter de pé, Senhor. Estava prestes a desmaiar sobre as caixas quando eu o segurei.

Brito aproximou-se e ergueu o queixo com a ponta dos dedos, examinando o meu supercílio inchado e a quentura que emanava da minha pele. O tenente soltou um suspiro pesado, balançando a cabeça com reprovação ao ver meu estado deplorável.

— Posição de sentido, 114 — Brito ordenou. Tentei alinhar o corpo, mas as pernas tremeram visivelmente. O tenente percebeu. — Chega. Não quero recruta baixando hospital por negligência no meu turno.

Brito virou-se para a prancheta e deu o veredito:

— Recruta 114, você está dispensado de todas as atividades do batalhão a partir deste momento. Três dias de baixado/descanso no alojamento para recuperação. Mas antes de ir para a beliche, vá direto à enfermaria para o médico trocar esse curativo e prescrever medicação para a febre. É uma ordem.

— Sim, senhor! Obrigado, Tenente — murmurei com a voz fraca, sentindo uma onda colossal de alívio e exaustão me invadir.

— Martins, assuma o transporte dessas caixas até o pavilhão e garanta que o 114 chegue caminhando até a enfermaria — determinou Brito antes de dar meia-volta e subir as escadas do subsolo.

Assim que os passos do tenente desapareceram no topo da escada, o silêncio voltou a tomar conta do almoxarifado.

Olhei para o Martins, ainda em choque com a facilidade com que ele tinha manipulado a situação e dobrado o Tenente Brito a meu favor.

Martins pegou a caixa pesada com uma só mão, mantendo a outra livre. Ele se aproximou devagar, inclinando a cabeça com aquele mesmo sorriso de canto, carregado de triunfo e de uma intenção cristalina.

— Viu só? — Martins sussurrou bem perto do meu ouvido, a voz aveludada carregada de segundas intenções. — Eu disse que podia cuidar de você. Três dias de folga pra você descansar esse corpo... Cortesia minha, Michel.

Ele passou a mão levemente pelas minhas costas, guiando meu caminho para fora do subsolo. A mensagem tinha ficado perfeitamente clara: Martins não estava me ajudando por camaradagem. Ele estava jogando suas cartas, cobrando a atenção que queria e deixando explícito que pretendia buscar a recompensa por aquele "favor" muito em breve.

[Na Enfermaria]

​Eu estava sozinho, encarando o teto descascado e ouvindo o som distante dos gritos da tropa no pátio, quando a cortina da divisória foi puxada devagar.

​— Michel? — a voz suave do Emiliano quebrou o silêncio.

​Ele entrou com passos calmos, trazendo uma garrafa d'água e uma maçã que tinha conseguido no refeitório. Ao me ver deitado na maca, com o acesso do soro no braço e o olhar abatido, o rosto do Emiliano se transformou em pura preocupação. Ele puxou um banco de madeira e sentou bem ao lado da maca, tocando na minha perna com cuidado.

​— O pessoal do alojamento me falou que o Brito te mandou pra cá... como você tá se sentindo, cara?

​— A febre baixou um pouco... o remédio é forte

— murmurei, a voz rouca, tentando sorrir para tranquilizá-lo.

​Emiliano soltou um suspiro longo, balançando a cabeça. O brilho bobo e apaixonado que eu já conhecia bem voltou a iluminar os olhos dele.

​— Cara, você tem que agradecer muito ao Martins — Emiliano começou, a voz baixando para um tom quase confidencial. Ele se aproximou mais da maca, o corpo inclinando na minha direção. — Eu cruzei com ele perto do pavilhão de comando logo depois que o Brito te liberou. Ele me contou que te viu mal no almoxarifado e peitou o Tenente pra te dar esses três dias de descanso.

Cada palavra caía sobre mim como uma pedra. O ar da enfermaria pareceu diminuir.

​— Ele... ele te contou isso?

​— Contou! — Emiliano assentiu, orgulhoso, com um sorriso sincero. — Ele disse que não podia deixar um recruta do nosso grupo desmaiar por negligência. O Martins tem esse coração enorme, sabe? Ele se finge de durão por causa da farda, mas se importa de verdade com as pessoas. Eu tô cada vez mais encantado por aquele cara, Michel. De verdade... faz tempo que não sinto algo assim por alguém.

​O nó no meu estômago se apertou a ponto de me causar náusea.

​Eu olhava para o rosto limpo do Emiliano, para a entrega absoluta dele, e a imagem do Martins no subsolo me vinha como um pesadelo: os dedos quentes do Martins no meu pescoço, o cheiro de suor e perfume, os lábios dele roçando na minha pele e a provocação sombria de "deixa alguém cuidar de você de verdade".

​O Martins não era um herói. Ele era um predador jogando com nós dois. Mas a verdade era uma bomba atomicamente destrutiva. Se eu contasse agora, destruiria o Emiliano ali mesmo, no meio daquela enfermaria, e faria o meu amigo me odiar por achar que eu estava inventando aquilo.

​— Emiliano... — a voz falhou na minha garganta. Minha mão tremeu sobre o lençol. — Você precisa ir devagar. Por favor.

​Emiliano franziu a testa, o sorriso diminuindo aos poucos.

​— Como assim, Michel?

​— O Martins... ele é um cara perigoso — engoli a saliva em seco, medindo cada sílaba, o coração martelando contra as costelas. — Ele sabe exatamente o que dizer, como olhar, como manipular as pessoas aqui dentro para conseguir o que quer. Ele não é o que você tá pensando.

O silêncio que se seguiu na enfermaria foi sufocante. O som do soro pingando no tubo parecia um relógio regressivo.

​A fisionomia do Emiliano mudou drasticamente. A preocupação deu lugar a uma rigidez defensiva. Ele se afastou levemente do banco, os olhos se estreitando, encarando meu rosto machucado com uma mistura de dúvida e incômodo crescente.

​— Por que você tá falando dele assim, Michel? — Emiliano perguntou, a voz subindo um tom, fria, carregada de uma tensão perigosa. — Você tá me dizendo que o cara que acabou de te salvar de um desmaio e te conseguiu três dias de folga é um manipulador?

​— Eu tô tentando te proteger! — tentei sentar na maca, mas a tontura me fez apoiar o cotovelo no colchão. — Você tá se entregando cego pra ele!

​— Me proteger de quê?! — Emiliano rebateu de prontidão, se levantando do banco com o rosto vermelho. Ele se inclinou sobre a maca, a voz num sussurro agressivo para não chamar atenção dos enfermeiros no corredor. — Você mal conversa com o Martins e tá tirando conclusões da sua cabeça! Ou será que tem outra coisa?

​O olhar do Emiliano se cravou no meu, num escrutínio doloroso que me fez congelar.

​— O que aconteceu naquele almoxarifado, Michel? — Emiliano cobrou, a respiração pesada, a cara a poucos centímetros da minha.

— O Martins disse que só te segurou... mas você tá estranho desde que chegou aqui. Parece que tá com culpa, com raiva... ou com ciúmes. Ele te falou alguma coisa de mim lá embaixo? Ou ele falou alguma coisa pra você?

​Minha boca secou completamente. A tensão entre nós dois era tão densa que dava para cortar com uma faca. Se eu desse mais um passo em falso, a nossa amizade ruiria ali mesmo.

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Comentários

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Eu disse que ele deveria ter contado antes, o Martins está criando várias situações para se colocar como príncipe encantado, dificultando de o Emiliano acreditar no Michel, ainda mais quando o Michele não conta a situação real.

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Aiii...não tem como não contar agora. Se Emiliano não acreditar, vai descobrir mais tarde a verdade.

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