🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

O Único que Ficou de Fora (2°TEMPORADA) - Quinto Capítulo: Uma Comunidade Virtual Improvável

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de Astrogildo Kabeça
Categoria: Grupal
Contém 5282 palavras
Data: 31/07/2026 11:01:26

Os dias foram passando e o astral do grupo melhorou. Após a entrevista da doutora, mensagens de “bom dia”, “como vão” e “dormiram bem?”passaram a suavizar toda aquela controvérsia sobre o passeio. Parecia que tocar em assuntos diferentes atenuava a situação. Assim sendo, conversas aleatórias passaram a ser normais, um espaço para sujeitos que passaram dificuldades juntos poderem ser mais espontâneos

Jamile: Bom dia, grupo. Minhas noites melhoraram, após as explicações da psiquiatra.

Naiara: Idem, até o Genildo comentou que eu estava com “cara boa”, rs…

Beatriz: Bom dia,galera! Hoje acordei com vontade de fazer um bolo. Alguém quer a receita?

Breno: Eu quero! Último bolo que você fez ficou divino.

Beatriz: Você só quer me agradar porque eu tava brava ontem, não vale, idiota!

Breno: E funcionou?

Beatriz: Funcionou. Mas o bolo ajuda...

Scheila: Bom dia, pessoal. Aprendi uma coisa nova hoje: o sol da manhã é meu melhor amigo. Tô tomando café na varanda.

Cauê: Que bom, professora! Você merece um pouco de paz.

Diego: Bom dia, grupo! Hoje tô de folga, vou pescar com meu avô. Primeira vez que saio pra fazer algo prazeroso desde aquele dia.

Iris: Que lindo, Diego! Aproveita. O mar cura.

Jemerson: Bom dia, pessoal. Hoje o bar tá fechado pra manutenção, então vou passar o dia com a Iris. Ela merece descanso.

Tony: Bom dia! Bianca, já acordou? Você tinha aula hoje, né?

Bianca: Bom dia, Tony. Já acordei, sim. Tô na fila do café da faculdade, tentando não morrer de sono.

Beatriz: Bianca, você é uma guerreira. Faculdade com sono é missão impossível.

Bianca: Missão quase impossível. Mas tô conseguindo.

Naiara: Hum… vocês dois estão se falando sempre é? Bom saber, ahahahah…

Bianca: Ah, nada demais! Só fiz um comentário ontem com ele

Breno: Hum, sei. Começa assim!

Tony: Ahahahahahahahah…sossega, rapaz!

Nos dias seguintes, as mensagens apareciam com mais fluidez.

Naiara: Gente, bom dia! Depois de amanhã é aniversário de meu pai. Alguma opção de presente?Confesso minha indecisão!

Scheila: Ele trabalha de terno e gravata? Uma gravata cairia bem

Jemerson: Gosto muito de sapatos. Sapatênis seria uma boa, se ele tiver visual mais desportista.

Cauê: Ele joga xadrez? Compra um tabuleiro novo

Bianca: Um livro seria uma boa

Mais um dia, mais mensagens

Jamile: Nossa, o tempo fechou de novo aqui. Me deu arrepios quando vi um relâmpago…

Bianca: Aqui tá tudo bem nublado.

Cauê: É, acho que nas próximas tempestades a mente vai apertar…

Jemerson: O que importa é que todos estejam em casa ou protegidos em algum prédio. Tony: Tenho dentista daqui a pouco, não tenho ideia do que acontece lá fora.

Cauê: Nossa, não sei o que é pior: se é enfrentar uma chuva forte ou a cadeira do odonto, vixi!

Bianca: ahahahahahahahaah

Diego: Aquele motorzinho mata um!

Scheila: Nossa, assim me sinto mal, já pensei em ser dentista lá atrás, rs…

E assim, diariamente, o grupo sentia que as mensagens relaxavam

Beatriz: Bom dia, pessoal! Hoje é dia de começar algo novo. O que vocês vão fazer?

Naiara: Bom dia, Beatriz! Vou começar um curso online. Quero aprender a cozinhar direito. O Genildo merece.

Jamile: Naiara, se precisar de dicas, é só me chamar. Cozinhar é minha terapia.

Scheila: Bom dia! Hoje vou corrigir provas.

Cauê: Tirei quanto?

Scheila: Você não ouviu dizer que vou corrigir?rs… e é pra outra turma.

Breno:Ué... que prova a gente fez, abestado?

Diego:ahahahahahahahahaah...

Breno: Hoje vou levar a Beatriz pra jantar. Depois do que aconteceu, a gente precisa de mais momentos bons.

Beatriz: Breno, você é um querido. Mas não precisa gastar. Um jantar em casa já tá ótimo.

Breno: É meu jeito de demonstrar.

Tony: Bonito, Breno. Tô torcendo por vocês.

Jemerson: Hoje vou levar a Iris pra passear no píer. Só nós dois.

Iris: Jemerson, você não precisa me levar pra passear. Mas eu vou adorar.

Jemerson: Você merece tudo, Iris.

Jamile: Que lindas demonstrações de amor! Tõ com inveja, hein?rs…

Diego: Galera mó dor de cabeça chata. Alguém sabe de um chá bom pra isso?Já está meio tarde pra ir na farmácia.

Jamile: Menino, tome chá de camomila! É calmante, não sei qual o grau de sua dor.

Diego: Tá suportável, mas não dá pra dormir assim

Scheila: Cidreira é uma boa opção também

Bianca: Ouça uma música relaxante. Vou enviar uma pra você

E assim, diariamente o grupo ganhava nova função. Fotos de comida, lugares turísticos para visitar, capas de filmes recomendados. Não era apenas uma rede de apoio. Parecia um novo vínculo. E ninguém parecia se dar conta.

A vida de todos parecia que começava a fluir mais naturalmente. O grupo ganhava corpo,As mensagens já não eram sobre o trauma ou sobre a culpa. Eram sobre o cotidiano, sobre o que fazia cada um acordar de manhã, sobre os pequenos prazeres e as grandes angústias da vida. A conexão que nasceu no pânico agora florescia no dia a dia.

Jamile: Bom dia, pessoal! Hoje acordei com uma energia tão boa que já lavei todas as cortinas. Alguém mais tem dessas manias de faxina matinal?

Beatriz: Jamile, eu também! Mas só quando tô ansiosa. Foi a prova de literatura ontem que me deixou assim.

Bianca: Tia Jamile, Genildo é um preguiçoso assumido, deixa ele lavar isso!

Jamile: Bianca, você tem razão. Mas ele melhorou depois que conheceu a Naiara.

Tony: Vocês viram o jogo de ontem? Que time horroroso.

Breno: Tony, eu vi. Fiquei puto. Defesa parecia uma peneira.

Diego: Não entendo nada de futebol, mas meu avô ficou bravo também.

Iris: Diego, seu avô é uma graça, meu cliente favorito no bar. Sempre pede a mesma cerveja e conta as mesmas histórias.

Jemerson: Sr. Antônio é um personagem, Iris. Adoro ele.

Cauê: É um senhorzinho que usa um óculos quadrado?

Íris: Ele mesmo!

Cauê: Pô, ele é simpático pra caramba!

Naiara: Quando estamos lá, ele sempre dá um bom dia bem animado!

Dia após dia, era nítido o crescimento do afeto

Bianca: Gente, tô passando por uma crise existencial. Minha mãe quer que eu mude de curso. Ela acha que moda é perda de tempo.

Naiara: Bianca, o que você sente quando pensa em moda?

Bianca: Eu sinto que é minha vida, Nai. É a única coisa que me faz querer acordar de manhã.

Scheila: Então não muda, Bianca. Sua mãe não vai viver a sua vida. Você vai.

Bianca: Mas e se falhar? E se não der certo?

Tony: Bianca, você já pensou que falhar é parte do processo? Até a moda mais bonita passa por ajustes.

Beatriz: Tony tem razão. E você é nova. Pode errar quantas vezes quiser.

Cauê: Além disso, você tem a gente. A gente apoia.

Bianca: Obrigada, pessoal. Tô chorando aqui.

Iris: Chora, Bianca. Choro é remédio.

Jamile: Bianca, se precisar conversar com sua mãe, me chama. A gente pode marcar um café. Mulher pra mulher.

Bianca: Tia Jamile, você é um anjo. Vou aceitar.

Jemerson: Pessoal, tô preocupado com as eleições da cidade. Alguém mais tá acompanhando?

Iris: Jemerson, você não pode falar de política. Vai gerar discussão.

Jemerson: Iris, as pessoas precisam discutir política. É como a gente melhora as coisas.

Beatriz: Jemerson, concordo, mas acho que a gente devia discutir com respeito.

Naiara: Exatamente. Hoje em dia todo mundo briga sem ouvir.

Tony: Eu tô tentando ler sobre candidatos, mas é muita informação.

Cauê: Eu ando tão cansado que nem tenho energia pra política.

Jamile: Cauê, a política afeta sua energia. Você precisa prestar atenção.

Bianca: Tem razão, tia. A moda também é política. O que a gente veste diz muito.

Scheila: Bianca, você tá falando como uma verdadeira estudante de moda. Tô orgulhosa.

Bianca: Scheila, você sempre me apoia. Obrigada.

Dia seguinte, Bianca e Tony se encontram num café e enviam a foto no grupo

Naiara: TÔ SHOCKADA!

Breno: Eu sabia!

Jamile: Bianca, você não me contou!

Bianca: Tia Jamile, eu ia contar. Tava esperando o momento certo.

Beatriz: O momento certo é agora! Conta tudo!

Tony: Gente, ainda estamos nos conhecendo. Isso é só um compartilhamento bobo...

Bianca: Tony e eu ficamos. Depois daquele dia. E a gente continua ficando.

Scheila: Que lindo! Fico feliz por vocês.

Cuaê: O amor venceu, pessoal.

Jemerson: Até agora, o ponto vitorioso de uma quase tragédia...

Iris: Isso quer dizer que coisas boas podem surgir de momentos difíceis.

Diego: Pô, maneiro vocês dois aí.

O grupo virava uma central de ajuda comunitária também

Scheila: Pessoal, tô com um problema. Minha vizinha tá fazendo barulho todas as noites. Já reclamei, mas não adianta.

Jamile: Scheila, você pode chamar a polícia? Ou conversar com o síndico?

Scheila: Já fiz isso. Não resolveu.

Beatriz: Eu tive um problema parecido. Coloquei música calma e usei fone de ouvido.

Scheila: Beatriz, não é a mesma coisa. Mas vou tentar.

Cauê: Se quiser, posso passar lá. Converso com ela.

Scheila: Obrigada, Cauê, você é um querido, mas não precisa se incomodar com isso

Cauê: Só tô tentando ajudar.

Bianca: Cauê, você é um querido!

Naiara: Scheila, tenho alguns conhecidos na prefeitura, se quiser...

Scheila: Naiara, você é um anjo. Aceito. É algo recorrente.

Jamile: Puxa, a gente procura um lugar sossegado pra não ter esse tipo de vizinhança…

Tony: Alguém mais ficou preso naquele congestionamento hoje?

Breno: Uma hora parado.

Cauê: A cidade inteira parece um estacionamento.

Íris: Estão fazendo obras sem planejamento.

Jemerson: Para quem trabalha com atendimento ao público isso complica bastante.

As opiniões começaram a aparecer.Uns defendiam mais investimento em transporte coletivo.Outros falavam da necessidade de melhor planejamento urbano.A conversa permaneceu respeitosa o tempo inteiro.Quando surgia alguma divergência, alguém logo mudava o tom.

Beatriz: Acho interessante ouvir opiniões diferentes.

Scheila: Desde que exista respeito, sempre aprendemos alguma coisa.

Jamile: Passei hoje por uma unidade de saúde. Felizmente fui atendida rápido.

Scheila: Isso faz muita diferença. Nem sempre acontece.

Bianca: Minha avó depende muito do posto do bairro.

Diego: Minha família também.

Em outro momento, Breno enviou uma fotografia do pôr do sol.

Breno: Às vezes a gente esquece de olhar para cima.

Jamile: Linda fotografia.

Scheila: Você tem talento.

Bianca: Essa merece virar quadro.

Breno: Obrigado. Fotografia virou meu hobby depois que saio da faculdade.

A conexão entre eles era cada vez mais evidente.

Beatriz: Gente, hoje vou fazer minha prova final pra tirar minha habilitação.

Scheila: Nossa, Beatriz, sucesso!

Naiara: Vai com tudo, amiga!

Breno: Já tô pensando você me levando no cinema…

Cuaê: Eu passei de primeira. Você é inteligente, vai ser suave

Diego: Breve serei eu

Íris: Tenha fé!

Jemerson: A tranquilidade é a chave para tudo correr bem

Tony: Faça o que aprendeu e não dê tanta atenção ao instrutor

Bianca: Fique segura!

Jamile:Deus lhe acompanhe, filha

Beatriz: Brigada, gente, adoro vocês!

O grupo se tornou um porto seguro, um lugar onde as vulnerabilidades eram acolhidas e as alegrias celebradas.O trauma ainda existia, mas agora estava entrelaçado com algo maior: a certeza de que não estavam sozinhos. Nada existia apenas por causa de um passado compartilhado, mas também pelas conversas, pelo apoio mútuo e pela amizade que crescia um pouco a cada dia. Era importante que aquilo que os uniu permanecesse como uma etapa de superação.

***

Dois meses haviam se passado. O grupo havia se tornado um espaço de intimidade rara. As conversas fluíam com uma naturalidade que só a confiança verdadeira permite. E, aos poucos, os temas foram se aprofundando — não apenas sobre o cotidiano, mas sobre quem eles eram, o que sentiam, o que desejavam, e o que acreditavam. Não havia mais vergonha. Apenas uma curiosidade genuína sobre o outro.

Beatriz: Gente, tô com uma dúvida existencial. O que vocês acham de traição? É sempre imperdoável ou tem contexto?

Breno: Beatriz, por que você tá perguntando isso? A gente já falou sobre...

Beatriz: Não é sobre a gente, Breno. É sobre o conceito. Eu tô lendo um livro sobre relacionamentos e fiquei pensando.

Scheila: Interessante, Beatriz. Eu acho que traição é complexa. Depende do acordo do casal.

Jamile: Concordo com a Scheila. Se o casal definiu que é proibido, é traição. Mas cada relação tem suas regras.

Naiara: Dona Jamile, você acha que dá pra perdoar uma traição?

Jamile: Naiara... eu não sei. Acho que depende. Do arrependimento, do contexto, do que levou a isso.

Bianca: E poliamor? Vocês acham que funciona?

Tony: Bianca, você tá pensando em poliamor? A gente nem tá namorando oficialmente.

Bianca: Tony, relaxa. É só uma pergunta. Eu acho que poliamor pode funcionar se todo mundo for honesto.

Cauê: Concordo. O problema não é o modelo, mas a falta de comunicação.

Diego: E o que vocês acham sobre tamanho importar?

O grupo ficou em silêncio por um momento.

Beatriz: Diego, você jogou uma bomba.Eita!

Jemerson: É uma pergunta sincera. Todo mundo pensa, ninguém fala.

Scheila: Diego, eu acho que tamanho importa menos do que a gente pensa. O que importa é como a pessoa usa.

Jamile: Scheila, você é muito prática. Gosto disso.

Naiara: Mas existe uma pressão enorme sobre os homens. Isso é injusto.

Breno: Naiara, você tem razão. A sociedade coloca um peso enorme nisso.

Tony: E as mulheres? Também tem pressão. Tamanho de seios, bunda, celulite...

Bianca: Tony, você tá ligado. A gente sofre muito.

Cauê: Eu acho que o que importa é a conexão. O corpo é só um veículo.

Jamile: Gente, eu penso em reduzir meus seios… sempre achei eles grandes demais. Estou Há anos tentando fazer isso, falta coragem. A coragem que eu tenho pra falar isso aqui, meu Deus…

Jemerson: Jamile, isso é um desabafo. Você já notou que não há julgamentos aqui, o que a gente menos precisa é de picuinha, ninguém está aqui pra isso.

Íris:Dúvidas sobre o corpo são comuns, Jamile. Eu mesma penso que conservar um corpaço aos 60 não é o mesmo que conservar aos 40. Existe uma dinâmica em certas idades que fica difícil conservar como se o tempo tivesse parado.

Beatriz: Dona Jamile, cabe a gente apoiar quando tomar essa decisão. Isso depende de fatores que só a senhora sabe.

Scheila: Sábias palavras, garota!

E o tema avançava durante os dias

Scheila: Meninas, vocês já repararam que a gente não foi educada pra explorar o próprio corpo?

Beatriz: Scheila, SIM. Eu lembro que minha mãe nunca falou sobre masturbação. Era um tabu.

Naiara: A minha também. Aprendi sozinha, com vergonha, escondida.

Jamile: Imagine na minha adolescência, Naiara. Era proibido falar sobre isso.

Bianca: Eu descobri tarde. E ainda sinto que tem coisas que não sei.

Iris: Bianca, você é muito nova. Tem tempo.

Beatriz: Eu acho que a educação sexual deveria ser obrigatória. Pra meninos e meninas.

Scheila: Concordo. Eu tento passar algo assim nas minhas aulas.

Naiara: É necessário. A gente precisa se conhecer pra ter relações saudáveis.

Breno: Meninas, vocês tão falando de um assunto que a maioria dos homens não entende.

Tony: Breno, você também foi educado pra não falar sobre corpo?

Breno: Sim, Tony. A gente aprende que tem que ser machão, que não pode demonstrar fragilidade.

Jemerson: A gente precisa desconstruir isso. O corpo é nosso. O prazer é nosso.Importante tocarem nesse assunto.

Iris: Jemerson, você sempre fala com sabedoria.

Jemerson: Iris, aprendi com você.

Cauê: Que fofura!

Todos demonstram gargalhadas.

Naiara: Gente, o que vocês acham de relacionamento aberto?

Beatriz: Naiara, você tá pensando em abrir o relacionamento com o Genildo?

Naiara: Não, Beatriz. Tô perguntando por curiosidade.

Scheila: Eu acho que funciona se os dois quiserem. Mas tem que ter muita comunicação.

Jamile: Concordo. Não é pra todo mundo.

Bianca: Eu acho que dá pra ter amor por mais de uma pessoa. Mas a sociedade não aceita.

Tony: Bianca, você fala como se já tivesse pensado nisso.

Bianca: Tony, eu penso em muitas coisas.

Cauê: O importante é ser honesto. Com o outro e com si mesmo.

Diego: A gente precisa de menos julgamento e mais conversa.

Breno: Eu acho que cada casal é um universo. Não dá pra generalizar.

Beatriz: Breno, você tá muito filosófico hoje.

Breno: Você me inspira, benzinho

O grupo passou a se tornar uma espécie de fórum, onde as observações de mundo passaram a convergir, havia se tornado um organismo vivo. Cada membro tinha seu lugar, sua voz, sua maneira de contribuir. As conversas já não eram mais sobre o passeio ou sobre a tempestade: Eram sobre a vida, sobre as dores e alegrias que cada um carregava. E, aos poucos, os segredos foram surgindo, as confissões se tornando mais profundas, e as opiniões mais sinceras.

Beatriz: Gente, tô com uma coisa entalada aqui. Preciso falar.

Breno: Beatriz, fala. A gente tá aqui.

Beatriz: Acho que fui abusada no ônibus anos atrás… um cara encostou atrás de mim. O coletivo estava lotado, mas acho que ele se aproveitou. Senti vergonha…

Naiara: Meu Deus, Beatriz, que pesado!

Scheila: Beatriz, nunca foi sua culpa. Você ouviu?NUNCA.Não sinta vergonha por um canalha!

Jamile: Filha, sinto muito que você passou por isso. Mas Scheila tem razão. Isso é grave, mas não tem nada haver com sua postura!

Breno: Beatriz, você podia ter me falado! Isso não deveria ser escondido

Beatriz: Na hora travei…a vergonha é porque…dá um constrangimento que fica sem ação…

Íris: A vergonha é um sentimento, mas enfrentar isso é o mais digno. Você foi ABUSADA.

Jemerson: Na próxima vez denuncie!Isso não deve passar batido.

Beatriz: Obrigada,gente.Acho que aqui tem se tornado esse espaço, decidi desabafar. Desculpe expor isso assim, Breno.

Breno: Não há porque se desculpar! Você terá afago de todos aqui. Sabemos o que é passar por uma dificuldade.

Nos dias seguinte, a seção confessionário parece que estava aberta.

Scheila: Hoje na aula me perguntaram se sou mãe e porque nunca quis ser. Sabe que me senti invadida em meu íntimo? Esse tipo de satisfação não cabe publicamente.

Naiara: Nossa, sinceramente, é cada pergunta!

Cauê: Sem noção!

Jemerson: Isso não tem nada a ver com a vida de ninguém quando se busca conhecimento em um local apropriado pra isso!

Scheila: Simplesmente não fui mãe, não me casei, e isso não tem necessariamente uma explicação.

Tony: Você não precisava responder nada.

Diego; É, não vejo porque fazer uma pergunta dessa em sala

Jamile: É cada uma!

Naiara: Gente… seria estranho eu falar aqui que não sei se quero casar cedo?Digo, morar junto logo de cara?

Bianca: Não, porque seria estranho???Se você tem uma personalidade independente, isso é problema seu

Íris: Não é simples assim. Quando se envolve uma relação, o outro conta sempre, como ele avalia isso.

Beatriz: Exatamente

Jamile: Naiara… morar separado não significa um amor distante, mas uma privacidade preservada.

Naiara: Mas é onde quero chegar! Cada um ter seu imóvel e manter um desapego, acho saudável.

Breno: Ainda não pensei nisso, Bea… Quer seguir esse rumo?

Beatriz: Ai, Bre, não aperta minha mente!

Tony: Acho que tudo pode ser calculado por etapas. Se isso for prioridade no início, pode deixar de ser quando o futuro avançar.

Cauê: Isso aí, falou tudo.

Scheila: O importante é não ser pressionada. E…vamos lá, você tá estipulando isso com Genildo, seu namorado. Acho que ele é um rapaz bastante compreensível.

Jamile: E é! Acho que esse tipo de relação um pouco distanciada pode ser proveitosa no início.

Naiara: Obrigada, gente. É que acho muito positivo ter uma comodidade assim. Eu penso com cabeça de 20 anos, não sei se adiante vou querer isso, mas tô testando uma enquete, rs…

Tony: Pessoal, tô feliz.

Bianca: Tony, conta!

Tony: Consegui a promoção no trabalho. Vou ser gerente.

Bianca: MEU DEUS, TONY! EU SABIA QUE VOCÊ IA CONSEGUIR!

Beatriz: Parabéns, Tony! Você merece muito.

Breno: Pô, isso aí merece comemoração!

Scheila: Que felicidade! Aposto que você trabalhou duro pra isso

Jamile: Nossa, muito orgulhosa! Seus pais merecem um filho dedicado!

Naiara: Puxa, Tony, parabéns!Comemore bastante!

Jemerson: Meu bar está a sua serventia pra você brindar seu seucesso, rapaz!

Íiris: Nossa, que coisa boa! Se quiser dar uma passada aqui, lhe dou um abraço!

Diego: É isso ai, broder! Tem que jogar duro.

Cauê: Porra, mano, que sua carreira seja de muita prosperidade!

Tony: Valeu, pessoal! Tô radiante aqui!

E assim, virou rotina a exposição de sucessos, otimismo, mas também angústia e desgostos.

Bianca: Gente, tô arrasada aqui.

Scheila: Meu Deus, Bianca. O que houve?

Bianca: Soube hoje que meu estágio não será renovado.

Jamile: Nossa, Bianca, que pena. É um momento difícil.

Beatriz: Puxa, Bianca, fiquei bem triste, parece que foi comigo!

Breno: Porra, Bianca, que sacanagem!

Tony: Mais tarde passo aí pra lhe dar uma força

Jemerson: Se lhe serve de consolo, todos estamos num corredor. Enquanto portas se fecham, outras hão de abrir.

Cauê: Nossa, Jemerson, isso é muito positivo. Força, Bianca, hoje está assim, amanhã há reações.

Diego: “Se um dia eu lutar e perder, em vão será o meu pranto. Ao nascer do sol, a nova chance não estará longe”. Dias melhores virão, Bianca.

Naiara: Sinta-se abraçada, Bianca. Estamos passando toda energia pra você.

Scheila: Bia, talvez possa lhe ajudar. Me passe seu nome, tenho contatos que podem lhe dar uma luz ou uma nova chance.

Íris: Isso aí, Scheila! Toda ajuda será muito bem-vinda!Você é jovem, menina, terá também suas oportunidades!

Bianca: Nossa, gente, obrigada! Jé estou me sentindo bem melhor com essa positividade de vocês. Um beijão pra todos!

Diego: Galera, sai aqui e acabei gastando demais… alguém pode me dar uma força aí?

Cauê: Você tá aonde?

Diego: Perto do aeroporto

Tony: Porra, longe

Naiara: Do que você precisa?

Diego: Caramba, isso não é fácil de dizer…

Jemerson: É dinheiro pro uber?

Scheila: Me passe seu pix

Íris: Também quero ajudar

Diego: é xxxxxx-xxxx

Jamile: Peraí, enviando…

Bianca: Nesse momento, não tenho nada

Scheila: Mandei

Jamile: Veja se chegou aí

Diego: Pô,pessoal, valeu mesmo!

Tony: Próxima vez não gasta tudo

Jemerson: Seja mais responsável, rapaz

Naiara: Calma, gente, isso acontece.

Scheila: Ainda mais na idade dele

Breno: O que houve aí?

Diego: Marquei com uma mina e tomei bolo…

Bianca: Nossa, que chato

Cauê: Se você for diabético, melhor ter acontecido isso mesmo

Jamile: Ahahahahahahhahaha, que horrível!

Íris: Esse aí perde o amigo, mas não perde a piada

Scheila: que bobo, rs… bom retorno, Diego

As conversas passaram a ter esse tom, quando alguém conquistava algo, todos comemoravam; quando alguém passava por dificuldades,todos apareciam pra uma palavra encorajadora;quando surgia uma dúvida, nunca faltavam opiniões; quando alguém precisava apenas ser ouvido, o grupo todo estava disponível.Os segredos tinham sido confiados, as lágrimas compartilhadas, as alegrias celebradas. Não havia mais obstáculos entre eles, apenas a certeza de que, juntos, podiam enfrentar qualquer coisa.E o que havia começado como um trauma ético se transformou numa amizade pra lá de improvável.

Jamile: Bom dia, pessoal! Vocês já pararam pra pensar que a gente nunca imaginou que ia ter essa intimidade?

Scheila: Jamile, é verdade. A gente se conheceu no caos e criou um grupo coeso.

Naiara: É como se a tempestade tivesse nos unido e fortalecido o que cada um traz em si.

Beatriz: Não importa o que aconteceu no barco. O que importa é o que a gente construiu depois.

Bianca: Beatriz, você disse tudo.

Tony: Acho que a gente passou por algo que quase ninguém ia entender. Mas a gente se entende.

Cauê: É isso. De um modo ou de outro, existe algo de compreensível revelado por uma quase tragédia.

Diego: A gente se apoia.

Jemerson: Acredito que o fato de termos que superar um momento difícil fez com que certas barreiras não existissem, porque houve muita intimidade, mesmo que não consentida. Acabou que virou uma rede de apoio e quando no demos conta já estávamos compartilhando questões existenciais que muitas vezes guardamos dentro de nós. E aqui foram espalhadas.

Iris:É tudo inusitado, e por isso mesmo, mas interessante. Acho bonito o que foi constituído. Mesmo virtualmente, a gente sente a proximidade.

Jamile: Exatamente.

Scheila: Positivo.

Breno: Isso mesmo

Beatriz: Todos estamos corretos.

Naiara: Verdade.

Bianca: Muito sensato tudo!

Diego:Maneiro essas coisas.

Cauê: Incrível.

Tony:Bárbaro

Jemerson: Emocionante.

Numa segunda-feira, por volta das 20 horas, alguém falava sobre música e outra pessoa enviou uma canção. Isso gerou trocas de músicas dos mais variados gêneros musicais. Por horas, indie, pop dos anos 70, rock dos 80, música caipira,heavy metal, samba da velha guarda,coisas contemporâneas, tudo era trocado, com diversas reações: surpresas, nostalgia, risos, emoções, saudade, lembranças amargas, choro, agradecimentos, novidade. Esse compartilhamento mutuo foi até a uma da manhã, de tão gostoso, emocionante, e revigorante toda aquela revoada de variedade musical. Tanto que na segunda seguinte repetiu-se uma infindável gama das mais variadas canções, causando sensações diversas e os aproximando mais ainda.

Nesse ritmo, o grupo passou a desenvolver brincadeiras como se fossem velhos amigos, que se conhecem há muito tempo e mantém laços constituídos há tempos.Tony mandou uma foto com uma expressão bastante cansada

Tony: Minha cara depois de três horas ouvindo a mesma coisa.

Bianca: Você acabou de descrever minha aula de hoje.

Breno: Ainda bem que aqui a reunião é voluntária.

Jamile respondeu com um emoji de risada.

Jamile: E bem mais divertida.

Íris: Aposto que o Tony nem trabalha direito.

Tony: Calúnia.

Bianca: Tenho provas!

Cauê: Você foi comprada, não vale!

As risadas virtuais se multiplicaram.

No sábado, Jemerson enviou uma foto da escuna já passando por alguns reparos.

Jemerson: Ela está ficando pronta para novos passeios.

Bianca: Agora ela está muito mais bonita.

Tony: Desde que não chova...

Vários emojis de trovão apareceram.

Pela primeira vez, todos conseguiram rir de uma lembrança que antes só causava desconforto.

Num dia, Diego publicou no grupo a seguinte manchete

“Homem é detido após colocar pequenas câmeras em vasos sanitários de um banheiro de shopping”

Diego: Imagina isso, gente!O cara filmava gente cagando!

Bianca: Nooooooooossa, que noooooooooooojoooooooooo

Breno: Ahahahahahahahhahahahahahha

Jamile: Que horrível

Cauê: Olha o palavreado, rapaz! Há senhoras aqui!

Tony: Imaginar uma filmagem dessas deixa até essa palavra bonita

Gargalhadas gerais

Naiara: Nossa, Tony, quem imagina isso, que horror!

Scheila: sou uma madame, gente, parem com isso!

Jemerson: Um bluetooth desses na minha TV,acaba com minha carreira

Íris: Aahahahahhahahah

Jamile: kkkkkkkkkkkk

Beatriz: Vixi!Acho que nunca mais entraria em banheiro nenhum!

Cauê: o que é o que é: pisca direto mais não é olho?

Naiara: MEU DEUS!Não acredito que você fez essa piada!

Jamile: kkkkkkkkkkkkk

Scheila: Gente do céu, que horrível, ahahahahahhahahahah

Naiara: Imprestável, ahahahahahhahahah

Diego: E eu só enviei uma manchete!

Breno: Imaginem o cheiro dessa reportagem

Íris: Para, gente, ahahahahahahhahaha

Jamile: Tô quase me urinando aqui, ahahahahahhahahaha

Tony: Cuidado com o vaso,dona Jamile!

Todos cairam na gargalhada

E assim eles passavam os dias, sempre nesse bom humor,alegria, momentos duros, mas reconfortantes.

Cauê: Gente, o que é o que é: entra duro e sai mole pingando?

Bianca: Não acredito que você fez essa piada aqui!

Beatriz:ahahahahahahhaah

Breno: Eita,baixo nível

Jemerson: Pessoal, que é isso!

Naiara: Ai,ai,ai,ai,ai…

Tony: Essa tá difícil

Diego: já coloquei osso de galinha na coca cola e saiu assim…

Risos gerais

Jamile: Gente do céu, vocês são terríveis!

Íris: Meu Deus, eu não aguento com vocês!

Scheila: É O MACARRÃO!

Cauê: Ah, Scheila, não vale! Você viu no google!

Scheila: Não, essa é velha!

Breno: Entregou a idade

Naiara: kkkkkkkkkkkkk

Jemerson: Esssa foi boa, ahahahahahahahah

Até que um dia, após uma conversa,Jamile falou algo

Jamile: Pessoal…queria falar algo aqui. Sempre fui muito na minha,nunca fui de pertencer a grupos. No entanto,desde que esse grupo foi criado…tenho sentido uma noção grande de pertencimento…jamais imaginei…que pudesse estar…tão próxima…de pessoas tão diferentes

Scheila: Jamile…esse é um espaço de acolhimento.É esquisito mesmo. Também me sinto integrada. Isso me surpreende, mas também me tranquiliza

Breno: Puxa, tia, realmente criamos uma comunidade sólida

Beatriz: Não preciso nem dizer que aguardo a noite chegar pra podermos conversar, dar risada, saber do outro

Diego: Poxa, que coisa…eu,que vivia na rua,estou mais caseiro.Vocês passam um afeto que pouco tive

Jamile: Nossa, Diego…são essas coisas que alegram o coração da gente

Diego: Obrigado

Tony: Quantas vezes releio as conversas aqui quando fico entediado…

Cauê: Fico contando as horas pra entrar aqui

Íris: Nossa, gente…enquanto eu não atendo ninguém lá no bar…fico acompanhando tudo aqui

Bianca: Aprendi tanta coisa aqui.Adoro fazer parte dessa comunidade

Scheila: Fico até emocionada…

Naiara lia tudo,e pensou muito antes de falar algo que a deixava bastante intrigada.Resolveu enviar um áudio.

Naiara: Gente…vocês sabem que namoro…um querido nosso…vocês sabem da minha saga, em deixar tudo mantido entre nós… amo o Genildo, de coração. Foi através desse grupo que consegui relaxar e tocar a vida com ele, me dedicar a compartilhar minha paixão por ele…mas… nesses últimos dias...mesmo estando com ele…eu penso em vocês…é algo recente… tem sido difícil…estar com ele…e contar os minutos pra teclar com vocês…nossa…é muita coisa pra mim…

O grupo ficou silencioso por um tempo.Jamile também enviou um áudio, chorosa:

Jamile: Minha filha, não se culpe…também amo o Genildo,é uma pena que ele não esteja compartilhando tudo isso…fomos unidos por uma quase fatalidade…isso não é fruto de desapego aos outros, mas uma arquitetura de cumplicidade, solidariedade, companheirismo…é uma divisão…não podemos deixar quem amamos,nossa família, amigos, parceiros…mas deixar que o coração nos direcione…e nos equilibre…é isso

Aquele momento era de dor,mas de reconhecimento.Todos deveriam ser cautelosos

Bianca: Nai…não fique assim…é uma fase…criamos uma conexão muito forte, surgida de um momento de muita desorientação

Íris: É como se a gente tivesse uma segunda vida aqui.

Bianca: Depois que conheci vocês, minha vida ganhou cor. Eu acordo animada pra ver as mensagens. Eu rio sozinha no meio da tarde. Eu sinto que tenho amigos muito sinceros

Jemerson: Nem sempre algumas coisas que parecem lamentáveis são necessariamente ruins. Muito importante, Naiara, aprendermos a direcionar o que é importante pra cada momento. Estamos dispostos por 24 horas aqui, isso trouxe senso de humanidade pra um grupo que estava desconfiados de que ultrapassaram barreiras que não deviam, mas remontaram suas forças em coletivo. Isso que importa. Procure seu equilíbrio, e assim você reconhecerá, você mesma, o tempo que dedicará a cada objetivo de sua vida.

Cauê: Nossa, que emocionante

Scheila: Lindo, Jemerson

Jamile: Estou aqui muito emocionada…

Beatriz: Adoro vocês

Bianca: chorando aqui…

Tony: Que sábia mensagem!

Íris: Por isso te amo tanto

Breno: Um orgulho estar qui lendo tanta coisa bonita

Diego: Sou um sujeito renovado

Naiara: Obrigada, Jemerson. Muito grata. Sinto, mesmo pela tela do celular, a estima de todos vocês. Que o nosso grupo faça com que cada um de nós seja especial

Cauê: Sempre

Jamile: Sempre

Scheila: Sempre

Bianca: Sempre

Beatriz: Sempre

Íris: Sempre

Diego: Sempre

Tony: Sempre

Breno: Sempre

Jemerson: Por muito tempo. Amém…

O grupo silenciou, mas não era um silêncio pesado. Era um silêncio cheio de significado, de conexão, de cumplicidade. A tempestade tinha passado,mas o que ficou foi mais forte do que qualquer chuva. Eles tinham encontrado um no outro o que não sabiam que procuravam: um lugar onde podiam ser completamente quem eram, sem medo de julgamento, sem vergonha de seus desejos, e com a certeza de que estavam juntos para o que desse e viesse.E, naquela noite, cada um foi dormir com a sensação de que aquele grupo havia deixado de ser apenas uma conversa em um aplicativo: tornara-se um lugar onde todos se sentiam vistos, ouvidos e acolhidos. Sem se encontrarem fisicamente. O que ninguém ali havia cogitado.

(continua...)

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Astrogilldo Kabeça a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

E de novo um cara que aparenta não fez nada de errado pra ninguém é feito de corno e vai ser trocado pela putaria disfarçada de "poliamor"

0 0
Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →