Os cinco homens começaram a rir e cada um foi se afastando, procurando suas roupas:
- Mas que merda é essa? – Ela perguntou, assustada.
- É um “Golden shower”, querida. Um banho para relaxar. – Respondeu Dom, limpando o rosto dela com um lenço umedecido, para depois sussurrar perto de seu ouvido: - Você foi perfeita hoje. Amanhã conto pro seu corno como você se comportou bem.
Luma sorriu fracamente, a voz rouca:
- Não precisa. Eu conto. Ele já aceitou tudo. Disse que vai obedecer. Acho até que estará conosco da próxima vez.
Dom sorriu, satisfeito, passando o polegar pelos lábios inchados dela:
- Ótimo. Porque eu ainda tenho grandes planos pra vocês dois.
[CONTINUANDO]
Luma acordou na manhã seguinte com o corpo dolorido, marcas vermelhas e roxas espalhadas pelo corpo todo. Dom dormia ao seu lado, um braço possessivamente jogado sobre sua cintura. Ela ficou olhando o teto por longos minutos, o peito apertado. A noite anterior havia sido brutal. Não só pelo sexo, mas pela forma como os homens a trataram: como um objeto, uma mercadoria compartilhada. E o “golden shower” no final, fora o ápice de toda aquele humilhação.
Ela saiu da cama devagar, tomou uma ducha quente demorada, tentando lavar não só o corpo, mas uma sensação de sujeira que ia além do física, e que não saía. Quando voltou para o quarto, Dom já estava acordado, recostado na cabeceira, fumando um charuto:
- Dormiu bem, minha rainha?
Luma forçou um sorriso:
- Mais ou menos. Estou toda dolorida...
Dom riu baixinho, satisfeito:
- Ótimo! Significa que você serviu bem ao seu dono. Meus sócios e amigos ficaram impressionados com você. Disseram que nunca viram uma mulher se entregar com tanta vontade. Ah! E acharam lindo quando viram você tremendo naquele último orgasmo. Realmente foi maravilhoso...
Luma baixou o olhar e não respondeu. Não havia o que falar. Ela realmente havia gozado. Havia de certa forma gostado. Havia surpreendido a si mesma. Dom continuou:
- Quero fazer uma festa ainda maior daqui um mês. - Continuou Dom, soprando a fumaça: - E você será o destaque novamente. Estou devendo uma festa para alguns parceiros... políticos, empresários, gente com quem negocio. Você vai se entregar para todos eles. Sem limites.
Luma sentiu um calafrio percorrer sua coluna. Começou a se vestir refletindo sobre o que ele acabara de falar:
- Dez!?
- Isso. Talvez um pouco mais ou pouco menos. Ainda não terminei a lista definitiva. Ah! E eu pensei, antes de tudo, em você performar com o Jermaine para eles. Eu quero filmar a reação deles. Aliás, quero registrar cada segundo.
- Já conversamos sobre essa história de câmeras, Dom. Eu não quero isso.
- Não quer? – Dom pegou o charuto e esfregou a brasa na palma da própria mão, olhando para Luma: - Não lembro de ter perguntado se você queria...
Ela engoliu em seco. Pela primeira vez, o medo foi maior que a excitação:
- Dom… Isso está indo longe demais!
Ele ergueu uma sobrancelha, o olhar endurecendo:
- Longe demais? Luma, acho que você ainda não entendeu... – Ele se levantou e veio encará-la de perto, olhos nos olhos: - Você não é mais a esposinha recatada de um homem fraco. Você agora é minha! E eu decido até onde você vai. E na minha visão, o céu é o limite.
Luma baixou a cabeça, não por ser submissa, mas porque era a única coisa que parecia fazer sentido ali. Mas dentro de si, sentia que algo havia quebrado. Dom pegou o celular e ligou para alguém. Esticou a mão para ela assim que desligou, dizendo:
- Venha, minha querida. O nosso desjejum já nos aguarda. Você precisa se alimentar. Sua recuperação é primordial para o sucesso do nosso próximo evento.
- Preciso me vestir, Dom.
- Vista-se depois. – Ele pegou um robe de cetim vermelho e a vestiu delicadamente sobre o corpo ainda nu de Luma: - Vamos logo. Estou com fome.
No mezanino, na mesa principal, havia um café para reis colocado e dois garçons à disposição para servi-los. Dom acomodou Luma gentilmente numa cadeira:
- Sirvam, minha rainha. A vontade dela, é lei.
Luma estava faminta. Isso ela não poderia negar. E comeu como poucas vezes fez na vida. Para Dom, era uma alegria vê-la tão bem disposta depois de um intensa noite. Para ela, era somente um momento cotidiano, mas ainda necessário.
Enquanto isso, na casa dos Cortez, o próprio Cortez andava de um lado para o outro na sala. Já havia tentado contato várias vezes com Luma, totalmente sem sucesso. Lembrou-se de Mary, a hostess do clube, mas também não tinha seu número. Arriscou a sorte, ligando diretamente na Imperium, e a sorte lhe sorriu pela primeira vez. A própria Mary atendeu a ligação:
- Bom dia. Mary falando.
- Mary, sou eu, Cortez.
Houve um breve silêncio, seguindo de sons de movimentação, até que ela voltou a falar:
- Cortez!? Por que está ligando?
- Não consigo falar com a Luma. Ela... está aí?
- Está. E antes que pergunte, ela está bem. Teve uma noite bem agitada, mas está bem. Está tomando um café agora com o Dom agora.
Cortez ficou em silêncio por um instante e tentou uma jogada:
- Mary... Eu sei que você conhece a Luma. Só não sei até onde é amiga dela.
- Não estou entendendo onde você quer chegar, Cortez...
- Não é seguro falarmos ao telefone. Será que a gente não poderia se encontrar em algum lugar?
- Eu e você?
- Sim. Eu estou perdido, Mary. Preciso de ajuda.
Ela se calou por um instante e disse:
- Ajuda!? Bem... O Artur vai levar a Luma embora daqui a pouco. Vou dizer ao Dom que preciso resolver uma coisa na cidade e pegarei uma carona.
Horas depois, Mary ligou para Cortez dizendo que estava numa cafeteria no centro. Cortez lhe passou o endereço de sua casa e pediu que ela fosse encontrá-lo lá, para poderem conversar em paz. Em minutos, Mary estava na casa de Cortez, sentada no sofá, nervosa, olhando para os lados como se temesse ser vista:
- Eu não posso ficar muito tempo. - Disse ela: - Se o Dom descobrir que eu vim aqui…
- Ele não vai descobrir. Confie em mim. - Garantiu Cortez: - Como a Luma está?
- Está bem... cansada, mas bem. - O incômodo de Mary era notável; - Por que quer falar comigo, Cortez? Se for sobre a separação de vocês, eu garanto que não sei de...
- Não, não... Nada disso. Eu preciso saber mais sobre o Dom.
- Saber o que exatamente?
- Me conta o que você sabe.
- E por que eu faria isso?
- Porque se você é mesmo amiga da Luma, pode me ajudar a afastá-lo dela. Aquele cara está destruindo ela, Mary. Está destruindo a gente...
Mary respirou fundo, olhando para Cortez. Então passou a mão na testa e disse:
- O Dom não é só um dominador, Cortez. Ele controla muita coisa na cidade. Tem muitos amigos na política e também na polícia. Acho que eles comem na mão dele. A Imperium, para mim, é só uma fachada.
Cortez sentiu o estômago revirar:
- Quão amiga da Luma você é, Mary?
- Eu!? Eu... Digamos que eu conheço a Luma de outros carnavais...
- Como assim?
Mary ficou tensa. Apertou as mãos uma na outra. E depois as colocou entre as pernas:
- Você não entenderia, Cortez. Não entenderia...
- O que eu não entenderia? A prostituição, tráfico de mulheres, talvez drogas, acho até que lavagem de dinheiro?
Mary arregalou os olhos, surpresa:
- Não fui eu que te disse...
- Não. Não foi. Mas você sabe, não sabe?
Mary suspirou profundamente e se calou. Olhava para o chão, sem coragem de continuar. Um silêncio incômodo surgiu. Cortez tentava conversar, mas ela pouco ou nada respondia. Quando estava desistindo, Mary olhou para uma foto na estante da casa dele, de Luma, bem mais jovem, acompanhada de outra menina. Seus olhos marejaram.
Cortez ficou em silêncio, mas notou que seu semblante mudou. Era como se ela se visse de frente para uma lembrança muito forte. Ele estava certo:
- É a Lilly, não é? – Perguntou com uma voz baixa, entristecida.
- Conhecia a irmã da Luma?
Mary balançou a cabeça afirmativamente e sorriu com alguma lembrança:
- Fomos muito amigas... Foi através dela que eu conheci a Luma. – Cortez viu uma lágrima correr dos olhos dela que continuou: - Eu, na verdade não sou tão amiga da Luma, mas era bastante da Lilly.
- Bastante... quanto?
- Bastante... Muito mesmo... – Mary disse agora olhando para Cortez.
- Você sabe que a Lilly sumiu há uns anos, não sabe?
Mary olhou para o chão por um momento e voltou a encarar Cortez:
- Pois é... Sumiram...
- Sumiram!? Como assim, Mary?
Mary voltou a olhar para a foto, se levantou e foi pegar o porta-retratos, como se isso lhe desse forças:
- Eu acho... Não! Eu tenho quase certeza que o Dom está metido no sumiço da Lilly.
- Por isso você está ajudando a Luma?
- Quem te disse isso?
- Mary, por favor, eu preciso saber em quem posso confiar...
Mary novamente ficou em silêncio. Cortez decidiu partir para o tudo ou nada:
- E da minha mãe… Você soube dela?
Mary hesitou:
- Nem sei quem é sua mãe, cara! Mas ouvi rumores... É quase uma lenda sobre uma moça, uma das primeiras, a única que ele amou de verdade. Quando ela quis sair… ele fez questão de mostrar o que acontecia com quem o desafiava.
Cortez apertou os punhos:
- Pois é... Era a minha mãe. A verdadeira dona do Imperium. – Cortez foi até perto da Mary e bateu um dedo na foto que ela ainda segurava: - Ele é um destruidor de famílias, Mary. Eu preciso de ajuda, de provas. Alguma coisa concreta para fazê-lo pagar.
Mary ainda olhava para a foto da amiga:
- Eu queria te ajudar mais, Cortez, mas é muito perigoso. O Dom é muito esperto, muito mesmo. A única coisa que eu descobri é que ele tranca a sete chaves uma salinha no fundo do escritório dele. Parece que ele guarda alguma coisa lá.
- Então é aí que a gente precisa entrar. Precisamos bolar um plano. Nós precisamos...
Nesse momento, a campainha tocou, interrompendo Cortez. Eles se olharam assustados, mas ele contemporizou:
- Deve ser a Luma. Vai ser bom ela participar da nossa conversa. Precisamos mesmo conversar.
Cortez foi a secretária eletrônica, mas antes de acioná-la, virou-se para a Mary:
- Mas a Luma tem a chave de casa...
Ele então pegou o fone e falou:
- Pois não?
- É Artur, senhor Cortez. Preciso conversar com o senhor.
Cortez olhou para Mary, branco, trêmulo. Apenas balbuciou o nome “Artur”. Foi o suficiente para Mary arregalar os olhos:
- Estou fodida... Me descobriram!
- Calma! Talvez ele não saiba de você.
- Sabe! O Artur sabe tudo. Ele é os olhos e ouvidos do Dom na Imperium. Estou acabada.
- Fica calma! Vá se esconder na minha suíte. Vou ver o que ele quer.
Cortez abriu o portão e o segurança grandalhão entrou, sério. Assim que Cortez fechou as portas, a voz surgiu forte como um trovão:
- Pode chamar a Mary, por favor?
- Mary!? Mas ela não está...
- Por favor, senhor Cortez. – Artur o interrompeu, levantando uma mão: - Eu estava estacionado quando ela entrou aqui. Não vim por causa dela. Mas talvez estejamos aqui pelo mesmo motivo.
Cortez não entendeu de imediato, mas notou que ele já sabia que ela estava ali. Foi até a suíte e após minutos tentando convencê-la, ambos retornaram para a sala, onde Artur já havia se assentado. Olhou para Mary, depois para Cortez:
- Eu acho que sei o que vocês estão fazendo... - Disse ele, a voz baixa: - E eu quero ajudar.
Cortez franziu a testa. Mary encarou petrificada o gigante. Por segundos, ninguém disse nada, até Cortez irromper:
- Por quê?
Artur respirou fundo, o maxilar travado. Ele colocou a mão por dentro do blazer que vestia. Mary e Cortez já imaginavam o pior:
- Porque eu acho que o Dom foi responsável pelo sumiço da minha irmã. – Disse, tirando uma foto de uma linda jovem mulata: - Aline... ela desapareceu há quatro anos. Eu sempre suspeitei de tráfico e investiguei, muito. Dom está metido com esse esquema e tenho quase certeza que foi ele. – Artur encarou a foto em silêncio por segundos: - Aquele maldito a vendeu para algum maluco e... se vocês querem derrubar ele, eu estou dentro.
Aquela novidade parecia trazer alguma luz para Cortez. Os três se entreolharam. Enfim, parecia que ele havia encontrado aliados contra o Dom.
A conversa entre os três foi reveladora, mas nada substancial. Havia muita suspeita, bastante indícios, mas nenhuma prova ainda. Entretanto, concluíram que o “modus operandi” de Dom era o mesmo com todas. Ele as usava até se cansar, depois as obrigava a se prostituir. As que não aceitavam, ele traficava, e as que ficavam velhas demais para o “métier”, ele também traficava, a preços módicos.
Cortez foi o primeiro a concluir:
- A Luma... ela corre perigo!
- Não! – Disse Artur: - Sua esposa é diferente. Cortez notou isso logo no início. Ela não se tornou apenas uma submissa como as outras, ela ousou desafiá-lo.
- Isso é verdade! E digo mais, ela tem o que é necessário para ser uma dominatrix, algo que ele nunca encontrou em ninguém. Dom está realmente encantado por ela. – Concordou Mary.
- Encantado!? Ele a usa pior do que faria com uma puta. Faz dela gato e sapato, e...
- Faz. Mas não por maldade. Para ver até onde é o limite que ela aguenta suportar. – Continuou Mary: - Dom é um homem difícil de se explicar, mas notei que ele é um carente. Ele ainda parece procurar o seu par...
- Minha mãe que o diga... – Resmungou Cortez.
- Como!? – Perguntou Artur.
Cortez contou resumidamente toda a história de sua mãe para ele com o Dom. Mary ao final perguntou:
- Qual o nome dela?
- Luana...
- Não me lembro de nenhuma Luana Cortez.
- Mas era o nome dela, Luana Castro Cortez...
- Lua Castro... – Resmungou Artur, chamando a atenção dos dois: - Uma vez, eu vi um cartaz antigo sobre a mesa do escritório do Dom, de uma tal Lua Castro. Foi rápido, porque ele logo o guardou numa gaveta. Mas eu cheguei a vê-lo.
Cortez então perguntou o que interessava:
- A Mary me falou de uma sala que o Dom mantém trancada no escritório dele. Sabe o que tem lá, Artur?
- É uma espécie de “closet”. O Dom guarda muita coisa lá, desde documentos, vídeos, fotos... Uma vez ele me disse que ali era o Éden dele, de onde brotava os “convencimentos” necessários para ele manter gente graúda sob seu controle. Acho que ele chantageia gente poderosa...
- Vídeos! Ele deve filmar essas pessoas para chantageá-las depois. – Disse Cortez.
- Provavelmente. – Concordou Cortez.
- Precisamos entrar lá. Deve ter mais do que apenas provas de chantagem, Artur. Talvez fotos, recibos, sei lá, algum documento que o comprometa.
- É muito difícil! Dom é o único que tem as chaves, duas tetras e uma multiponto. E ele nunca se separa delas, a não ser quando faz sexo.
Novamente eles ficaram em silêncio, se olhando, raciocinando. Artur fez um meio meneio de cabeça e levantou uma sobrancelha para Cortez. Ele entendeu de imediato, suspirou profundamente e passou a mão na testa, o incômodo ficando claro:
- Parece que não terá jeito. Vamos precisar da ajuda da Luma.
Por mais algumas horas, os três confabularam. Já era final de tarde, quando Artur e Mary se despediram. À noite, Cortez foi até a casa dos pais de Luma. Ela ainda dormia profundamente. Os pais dela, naturalmente, queriam respostas. Cortez também:
- O que está acontecendo, filho? Luma saiu ontem, voltou somente hoje e está dormindo desde que chegou. E não fala com a gente.
- Eu gostaria de ter respostas para dar, mas não tenho. Não ainda.
- A nossa filha está envolvida com alguém perigoso, não está? Eu sinto isso! – Disse a mãe.
- Calma! Eu já vinha conversando com a Luma e acho que vamos nos entender. Deixa eu falar com ela, por favor?
Cortez foi até o quarto de Luma e a viu enrolada em lençóis, dormindo profundamente. Assim que a tocou, ela tomou um susto, dando um pulo e se encolhendo junto à cabeceira da cama, puxando todo o lençol. Só se acalmou ao ver onde e com quem estava. E logo ficou nervosa novamente:
- Cortez, vai pra sala. Vou me trocar e já saio.
- Está com vergonha de mim? Do seu marido?
Ela nem titubeou:
- Estou. Faz o que eu pedi, por favor.
Cortez ficou chateado, afinal, não havia nada ali que ele já não conhecesse. Ou talvez ele não conhecesse tão a fundo assim sua própria esposa, pensou. Ele fez o que ela pediu e depois de quase meia hora, ela foi se juntar a ele e aos pais na cozinha da casa, onde todos degustavam um café com bolo de fubá. Luma havia tomado um banho e vestia um moletom, comprido o suficiente para esconder quase todas as suas marcas físicas, embora a psicológicas gritassem em sua face.
Ela se sentou com eles e por minutos, apenas conversa amena, pequenas fofocas locais e brincadeiras sutis. O café e o bolo amenizavam a vergonha e o incômodo. Após um tempo, o pai e mãe de Luma saíram, deixando-os a sós. Cortez não perdeu tempo:
- Volta pra casa. Precisamos ter uma conversa séria e bem longa.
Luma se surpreendeu. Por um instante, pensou que Cortez pudesse estar desistindo dela. Suas mãos tremeram e ele notou:
- Calma! É uma conversa boa. Tenho novidades que você nunca imaginaria...
Agora Luma ficou curiosa. Ela disse que não teria como juntar todas as suas coisas e ele disse que ela poderia voltar com ele naquele dia e, no seguinte, ele voltaria com ela para buscar suas coisas. Concordaram e partiram, para a alegria e surpresa dos pais dela.
Já em casa, Cortez contou da reunião que tivera naquele dia. Mary até não surpreendeu Luma, pois já havia conversado a respeito, fato que Luma nunca revelara a Cortez por um pedido dela. Mas Artur... este sim foi um aliado com quem ela não imaginava contar. E havia mais o que contar:
- Amor... o Dom... ele quer fazer outra festa.
- É!? Para ele ter decido assim tão rápido, devo imaginar que você arrasou, né?
- Não tem graça, Cortez...
- Você ainda não me falou dessa festa de ontem, nem do seu outro encontro a sós com ele que, apesar de eu ter visto uns “flashes”, os detalhes mesmo ainda não sei.
- Podemos falar sobre isso outra hora? De verdade! Não é o melhor momento...
- Tá bom. Desculpa. Não quero te obrigar a nada.
- Mas e aí? O que ficou decidido com a Mary e o Artur?
- Em suma que precisamos entrar no tal quartinho do escritório do Dom. Se existir alguma prova que o comprometa, estará lá.
- E como vamos fazer isso?
- Essa é a parte complicada... – Cortez suspirou, pensando em como falar: - Você vai ter que distraí-lo por um tempo, o suficiente para eu e o Artur tentarmos entrar na tal salinha.
- Distrai-lo significa...
- Sexo, Luma. A merda toda começa e parece que vai ter que terminar em sexo...
Luma ficou em silêncio por alguns minutos e depois se aconchegou no peito de Cortez, a primeira vez em tempos:
- Então voltamos na tal festa. Talvez seja a melhor chance de conseguirmos fazer isso.
- Por quê?
- Vamos dizer que o Dom ficará um bom tempo entretido comigo...
- E por que tem que ser exatamente nessa festa?
- Porque... – Luma titubeou por um instante: - Porque eu vou ter que entretê-lo e a alguns políticos, policiais, sei lá mais quem...
- Você vai dar para outros além dele?
Luma balançou a cabeça afirmativamente e ainda confirmou:
- Vou. Nada muito diferente do que eu já tenha feito...
- É. Eu sei que você já deu para ele e para o Jermaine, juntos. Mas ainda assim é chato.
- Pois é... Quanto tempo vocês vão precisar?
- Não sei. Se a gente conseguir pegar as chaves do Dom, será rápido. Se tivermos que arrombar as fechaduras, pode demorar.
Ficaram em silêncio por um instante, até Cortez perguntar:
- Quando você falou “alguns”, você quis dizer mais de dois?
- É. – Luma levantou o corpo apenas o suficiente para garantir que seu olhar fosse visto por Cortez: - E é apenas “é”. Por favor, não me pergunte mais nada... ainda...
Cortez beijou sua testa e a abraçou, apertado. Após um breve silêncio, disse:
- Você não irá sozinha dessa vez. Eu estarei lá. E farei de tudo para que seja a última vez que você irá ser submissa desse miserável.
A vida seguiu, numa rotina estranha de encontros e desencontros entre o casal. Dom cumpriu o que prometera e por duas semanas não ligou para eles. Durante esse tempo, nem Luma teve coragem de falar, nem Cortez de perguntar sobre as festas em que ela comparecera só. Era um pacto estranho, onde ele administrava sua curiosidade, quase mórbida, e ela a sua vontade de não falar e ser taxada de puta.
Porém, na terceira semana, numa terça-feira para ser mais específico, enquanto Luma se distraía com tarefas de casa, um enorme sedan preto estacionou em frente à casa de Luma. Pouco depois, Artur desce e toca o interfone. Quando Luma atende, ele anuncia a chegada de Dom:
- Aonde? Aqui!?
- Sim, senhora Luma. Dom está aqui e gostaria de ser recebido.
- Mas... Aqui, na minha casa!?
- Sim, senhora. E agora.
- Mas... Mas... Artur, eu não estou vestida para recebe-lo. E a minha casa está uma bagunça...
- A vontade de Dom é essa, senhora. Devo dizer que a senhora se recusa?
- Não! Não... Está tudo bem. Se ele quer assim, que seja.
- Boa resposta, senhora. Devo lhe perguntar antes se o senhor Cortez seria um problema?
- Não. Ele... nem está aqui.
- Melhor assim. Vou chamar o Dom, senhora. Por favor, abra a porta.
Luma destrancou o portão automático e abriu a porta. Estranhamente, ainda tentou dar um ajeitada na aparência, como se ele realmente fosse alguém importante. Duas batidas na porta e ela a abriu:
- Minha rainha. – Dom a puxou pela cintura e a beijou, dando chance para que algum vizinho assistisse a cena: - Já está recuperada para a nossa festa?
- Dom! Aqui fora não!
- Não vejo problema algum. Você é minha e não apenas na Imperium, mas onde quer que esteja.
Luma sentiu sua mão formigar, tamanha a tensão que estava sentindo. Mas sabia que precisava manter as aparências:
- Entre, mestre, aqui será mais confortável recebe-lo. – Ela o puxou para dentro e fechou a porta: - Ah! E respondendo... já estou bem, sim. Obrigada.
- Que maravilha! Senti sua falta. E nosso corno Cortez? Está?
- Infelizmente não.
- E ele já está mais... amansado?
Luma mordeu os lábios, irritada com a forma como ele falou de seu marido. Respirou fundo e disse:
- Sim, mestre. Temos conversado bastante nas últimas semanas. E ele está me surpreendendo bastante: manso, obediente, ajudando bastante nas tarefas de casa. Está uma belezinha! Acho que ele está pronto para servi-lo também.
- Maravilha de notícia, minha rainha! Se bem que acho que ele deveria fazer todas e não apenas algumas das tarefas da casa. Afinal, você precisa estar bem e descansada para servir aos desígnios de seu Dom.
- Quem sabe com o tempo...
- Bem. Não quer me mostrar a sua casa?
- Mestre, eu... Ela não está preparada para sua visita. Eu estava inclusive fazendo uma faxina e...
- Não interessa! Me mostra o quarto onde você dorme com o corno. Gostaria de conhecê-lo. – Disse ele, já olhando para o corredor interno.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
