A porta se fechou atrás dos três.
O som foi baixo, mas dentro da sala pareceu definitivo.
Karina ainda segurava Giulia pelos braços. O beijo havia terminado, mas nenhuma das duas se afastou de verdade. A respiração de Karina estava pesada, irregular demais para alguém que tentava parecer no controle. Giulia percebeu aquilo e sorriu.
Karina viu o sorriso.
- Está achando graça?
- Não.
- Está sim.
Giulia inclinou o rosto, ainda próxima.
- Estou achando interessante.
Karina apertou um pouco mais os dedos em seus braços.
- Interessante?
- Você passou a manhã inteira tentando disfarçar.
- Disfarçar o quê?
Giulia olhou para a boca dela antes de responder.
- Que queria estar no meu lugar.
Karina soltou um riso curto, sem humor.
- Você está se achando demais.
- Talvez.
- Talvez?
- Ou talvez eu só tenha percebido como você olhava.
Karina empurrou Giulia devagar contra o sofá. Não foi com violência. Foi com firmeza, com aquela autoridade que ela parecia carregar até quando estava irritada. Giulia caiu sentada, mas não perdeu o sorriso.
Pelo contrário.
Aquela reação era exatamente o que ela esperava.
Karina ficou de pé diante dela, o rosto sério, os olhos acesos.
- Você fez aquilo para me provocar.
Giulia cruzou uma perna sobre a outra, sem pressa.
- Fiz.
A sinceridade desarmou Karina por um segundo.
- Pelo menos agora não mente.
- Estou aprendendo com você.
Karina se inclinou, apoiando uma das mãos no encosto do sofá, ao lado do rosto de Giulia.
- Cuidado com o que aprende.
- Por quê?
- Porque talvez não saiba lidar depois.
Giulia ergueu a mão e tocou lentamente a cintura dela.
Karina olhou para os dedos da jovem sobre seu corpo, mas não se afastou.
- Você também não está sabendo lidar - Giulia disse.
Karina segurou o pulso dela.
Por um instante, parecia que iria afastá-la.
Em vez disso, manteve a mão de Giulia onde estava.
As duas se encararam.
A disputa estava ali, clara, viva, atravessando a pele antes mesmo de virar movimento. Karina queria retomar o controle da sala, da cena, da jovem que ela mesma havia ajudado a despertar. Giulia, por outro lado, não queria fugir da força dela. Queria testá-la. Queria sentir até onde Karina conseguiria mandar antes de começar a ceder também.
- Você não era assim quando chegou - Karina disse.
- Eu era. Só não tinha motivo para mostrar.
- E agora tem?
Giulia apertou de leve a cintura dela.
- Agora tenho você olhando.
A frase foi baixa.
Mas atingiu Karina com força.
Ela segurou o rosto de Giulia e a beijou outra vez.
Dessa vez, o beijo veio mais duro, mais possessivo, como se Karina quisesse apagar a imagem de Augusto na boca dela e colocar ali uma marca própria. Giulia correspondeu sem recuar. Suas mãos subiram pelas costas de Karina, puxando-a para mais perto, fazendo a outra perder por um instante o equilíbrio calculado.
Karina tentou conduzir.
Giulia deixou.
Por alguns segundos.
Depois mordeu de leve o lábio dela e inverteu o ritmo do beijo, mais lento, mais provocante, obrigando Karina a acompanhá-la.
Karina soltou um som baixo contra sua boca.
Giulia sorriu de novo.
- Não faz isso - Karina murmurou.
- Isso o quê?
- Sorrir como se tivesse vencido.
- Eu venci?
Karina segurou seu queixo.
- Não.
- Então por que está incomodada?
Karina não respondeu.
A mão dela desceu pelo pescoço de Giulia, pelo ombro, pela linha do robe aberto. O toque tinha firmeza, mas a respiração denunciava que a irritação já havia se misturado completamente com desejo.
Giulia deixou a cabeça pender um pouco para trás.
Cedeu ao toque.
Mas não à posição.
Quando Karina tentou incliná-la mais contra o sofá, Giulia segurou sua cintura e a puxou para si, fazendo Karina se ajoelhar entre suas pernas. A surpresa passou pelo rosto da mulher mais velha, rápida, quase imperceptível.
- Você gosta de mandar - Giulia sussurrou.
Karina apoiou as mãos nas coxas dela.
- Gosto.
- Mas gosta quando eu não deixo tão fácil.
Os olhos de Karina escureceram.
- Você fala demais.
- Bianca também fala.
- Bianca sabe quando parar.
Giulia aproximou os lábios do ouvido dela.
- Eu ainda estou aprendendo.
Karina segurou os cabelos de Giulia e puxou sua cabeça para trás, obrigando-a a encará-la. O gesto fez o corpo da jovem estremecer, mas ela não desviou o olhar. Havia prazer naquela tensão. Na firmeza. No risco de nenhuma das duas saber exatamente quem cederia primeiro.
- Então aprende uma coisa - Karina disse. - Eu não sou Augusto.
Giulia sorriu, mesmo com os cabelos presos entre os dedos dela.
- Eu sei.
- Comigo você não vai fazer cena para plateia.
- Não tem mais plateia.
Karina olhou rapidamente para a porta fechada.
Giulia aproveitou a distração e puxou Karina pelo vestido, trazendo-a de volta para perto. O beijo veio novamente, dessa vez iniciado por Giulia. Mais lento. Mais profundo. Mais perigoso.
Karina tentou resistir ao ritmo.
Não conseguiu por muito tempo.
Aos poucos, sua mão nos cabelos de Giulia deixou de ser controle e virou apoio. Seus dedos afrouxaram. Seu corpo se aproximou mais. A mulher que havia se ajoelhado para dominar começou, sem perceber, a se deixar envolver.
Giulia sentiu a mudança.
E não desperdiçou.
Suas mãos deslizaram pelas costas de Karina, pela cintura, pelo quadril. Não havia pressa. Não havia a ansiedade da primeira vez entre elas. Agora havia conhecimento suficiente para provocar e pouca confiança demais para relaxar completamente.
Era isso que tornava tudo mais intenso.
Karina se afastou apenas o bastante para respirar.
- Você fez aquilo com Augusto olhando para mim.
- Fiz.
- Por quê?
Giulia passou o polegar pela boca dela.
- Porque eu queria ver se você abriria a boca.
Karina fechou os olhos por um instante.
A lembrança da própria reação a atingiu. Não apenas o que Giulia havia feito, mas o fato de seu corpo ter respondido antes da razão. A poderosa Karina. A mulher que conduzia tudo. A esposa respeitada, a líder impecável, a que sempre parecia saber o próximo passo.
Diante de Giulia, havia cedido sem pensar.
E Giulia tinha visto.
- Você gostou de me ver assim - Giulia disse.
Karina abriu os olhos.
- Gostei de ver você se achando corajosa.
- Não foi isso que eu disse.
- Mas é isso que eu posso admitir.
Giulia riu baixo.
Karina a beijou para calar o riso.
O beijo empurrou as duas para o sofá. Karina ficou por cima por um instante, sustentando o peso nos braços, encarando Giulia como se quisesse recuperar o domínio apenas pela presença. Giulia deixou que ela ficasse ali. Deixou que a olhasse, que respirasse perto, que acreditasse por alguns segundos que tinha retomado o controle.
Então subiu a mão até a nuca dela.
Puxou-a para baixo.
E, antes que Karina percebesse, o beijo já era dela outra vez.
Karina cedeu com raiva.
Giulia cedeu com vontade.
As duas se tocavam como se disputassem território. Cada carícia era uma resposta. Cada pausa, uma provocação. Karina pressionava Giulia contra o sofá, mas era Giulia quem decidia quando aproximar a boca, quando afastar, quando sorrir, quando deixar a respiração escapar perto demais do ouvido dela.
A sala parecia menor.
O calor da manhã entrava pelas cortinas, misturado ao cheiro de café esquecido, perfume e pele. Do lado de fora, as vozes de Bianca e Fernanda surgiam distantes, abafadas, como se pertencessem a outra casa.
Karina passou a mão pelo corpo de Giulia com mais firmeza.
Giulia arqueou levemente, recebendo o toque, mas logo segurou os braços dela e girou o corpo, fazendo Karina sentar-se no sofá enquanto ela se colocava sobre seu colo.
Karina arregalou os olhos por um segundo.
Giulia percebeu.
- Viu? - sussurrou. - Você também pode ser surpreendida.
Karina tentou responder, mas Giulia a beijou antes.
Dessa vez, Karina não lutou de imediato.
Deixou.
As mãos dela encontraram a cintura de Giulia, depois as coxas, depois voltaram para o robe aberto. Havia desejo demais para fingir frieza. Havia orgulho demais para se entregar sem resistência.
Giulia sentiu as duas coisas.
E gostou das duas.
- Você está tentando me dominar? - Karina perguntou contra sua boca.
- Não.
- Não?
- Estou tentando descobrir o que acontece quando você para de tentar dominar tudo.
Karina ficou imóvel.
A frase chegou mais fundo do que qualquer provocação física.
Giulia percebeu a mudança no olhar dela. Por baixo do desejo, da irritação e do ciúme, havia um cansaço antigo. O mesmo cansaço que ela havia visto na noite anterior, quando Karina se permitira ceder a Augusto. Só que agora era diferente.
Com Augusto, Karina conhecia as regras.
Com Giulia, não.
E isso a assustava.
E a excitava.
- Você é perigosa - Karina disse.
Giulia tocou o rosto dela com uma delicadeza inesperada.
- Você gosta de perigo quando acha que consegue controlar.
- E você acha que eu não consigo?
- Acho que hoje você não quer conseguir.
Karina respirou fundo.
Por um momento, parecia prestes a negar.
Mas não negou.
A mão dela subiu pelas costas de Giulia e parou em sua nuca. O beijo seguinte veio mais lento. Ainda intenso, ainda cheio de disputa, mas com algo diferente atravessando a raiva. Uma aceitação breve. Parcial. Instável.
Giulia sentiu Karina ceder.
Karina sentiu Giulia ceder também.
Nenhuma venceu.
Nenhuma perdeu.
E talvez fosse exatamente isso que tornava a cena mais perigosa.
Quando os gestos entre as duas começaram a avançar para uma intimidade mais explícita, Karina segurou o rosto de Giulia e a encarou de perto.
- Se começar, não brinca.
Giulia sustentou seu olhar.
- Eu não estou brincando.
Ao terminar a frase, Giulia se aproxima de Karina e começa a beija-la, suas roupas começam a sair e seus corpos e a nudez toma conta do momento, Karina se vê ali, nua junto com Giulia deitadas naquele sofá, seus beijos eram quentes e intensos, as mãos percorriam seus corpos em troca de caricias, até que Giulia toma a iniciativa, se ajoelha entre as pernas de dela, a olhava com uma cara sacana e caia de boca em sua buceta, deslizando a lingua sem pressa alguma, como se estivesse degustando algo pela primeira vez, querendo sentir o gosto profundo daquela mulher.
Karina não escondeu o tezão, pelo contrário, se entregou aos toques e chupadas da bela moça, gemia alto, sentindo ela chupa-la de forma intensa e gostosa ao mesmo tempo.
Com o corpo todo arrepiado, Karina se contorcia de tezão ao sentir Giulia mamando sua bucetinha, até que sem conseguir aguentar, começa a gozar, o tezão era intenso, Giulia sorria e olhava para ela que estava ofegante, volta a subir no sofá e a beija de forma intensa, colocando a lingua dela na boca de Karina que a chupava e movimentos de vai e vem, com suas salivas se misturando o beijo acendendo ainda mais o fogo entre as duas, Karina agora se levanta e toma o lugar que antes era de Giulia, caindo de boca naquela menina nova que ainda tinha muito o que aprender.
Giulia não resistia em nada, apenas deixava ser devorada por ela, gemendo alto, sentindo a buceta toda molhada, enquanto Karina a chupava e excitação era tanta que o gozo veio igualmente rapido, não tinha como controlar, Karina a chupava de forma intensa enquanto Giulia se contorcia no sofá em um gozo que parecia não ter fim.
O sofá já era pequeno para as duas, que foram para o chão da sala, em cima do tapete, beijos intensos cheios de desejos, uma chupando a lingua da outra formando um fio de saliva entre seus lábios, suas mãos trocavam caricias, alisando a buceta uma da outra enquanto brincavam com a saliva entre suas bocas em um beijo bem molhado.
Elas cruzam as pernas uma na outra, com suas bucetas se esfregando o beijo intenso e cheio de tezão, enquanto suas bucetas roçavam uma na outra, os gemido altos ecoavam pela sala, em uma disputa gostosa de quem faria a outra sentir mais prazer.
O gozo foi inevitável, as duas se abraçam em um gozo intenso com suas bucetas roçando uma na outra no ápice do tezão.
Depois, as duas permaneceram no sofá, ainda próximas demais para fingirem que aquilo havia sido apenas continuação do calor da manhã.
Karina estava recostada, com os cabelos desfeitos e a respiração mais calma, mas seus olhos continuavam atentos. Giulia estava ao lado dela, o robe mal colocado sobre o corpo, sentindo a pele quente e o peso estranho do silêncio depois da disputa.
Por alguns minutos, nenhuma falou.
Era Karina quem costumava encerrar as cenas. Quem reorganizava os corpos, as roupas, os horários e as mentiras. Dessa vez, parecia não saber exatamente como voltar ao seu lugar.
Giulia foi a primeira a quebrar o silêncio.
- Você ainda está com raiva?
Karina olhou para ela.
- Estou.
Giulia sorriu.
- De mim?
- Muito.
- E de você?
Karina desviou os olhos.
A resposta estava ali.
Giulia se aproximou um pouco.
- Porque gostou?
Karina soltou um riso baixo, quase sem força.
- Você precisa parar de achar que pode dizer tudo o que percebe.
- Por quê?
- Porque um dia vai perceber coisa demais.
Giulia ficou séria por um instante.
Karina percebeu a mudança e tocou seu rosto, agora sem força, sem disputa.
- Você mexe onde não sabe, Giulia.
- Então me mostra onde não mexer.
Karina sustentou seu olhar.
A frase poderia soar submissa. Mas, em Giulia, não soava assim. Soava como desafio. Como convite. Como se ela estivesse dizendo: me ensina, mas não ache que eu vou continuar pequena.
Karina passou o polegar pelos lábios dela.
- Eu devia ter ido mais devagar com você.
- Devia.
- E você devia ter medo.
- Talvez eu tenha.
- Não parece.
Giulia encostou a testa na dela.
- Aprendi a esconder.
Karina fechou os olhos.
A frase abriu uma fresta inesperada entre as duas. Por trás da provocação, por trás da disputa, havia algo que nenhuma delas queria nomear ainda. Giulia não era apenas uma ameaça ao controle de Karina. Era também um espelho novo. Uma mulher mais jovem, mais impulsiva, menos treinada para fingir, mas já aprendendo depressa demais.
Karina beijou sua testa.
O gesto foi curto, quase contra a vontade.
Depois se afastou.
- Não faça isso de novo na frente dos outros.
Giulia ergueu as sobrancelhas.
- O quê?
- Me usar para provar alguma coisa.
Giulia respirou fundo.
- Eu não usei você.
Karina olhou para ela.
- Usou.
A acusação não veio dura.
Veio honesta.
Giulia não respondeu de imediato.
Pensou na própria provocação. No modo como caminhara até Karina depois de Augusto. No prazer que sentira ao ver a reação dela. No gosto de atravessar uma fronteira diante de todos e fazer Karina perder, por segundos, a compostura.
- Talvez um pouco - admitiu.
Karina pareceu satisfeita com a resposta.
Não por vencê-la.
Mas porque Giulia não mentiu.
- E você gostou - Giulia completou.
Karina soltou um suspiro.
- Também.
A palavra caiu entre as duas como uma trégua pequena.
Não resolvia nada.
Mas mudava a guerra.
Giulia encostou-se no sofá, olhando para a porta por onde Bianca, Fernanda e Augusto haviam saído.
- Elas vão perguntar.
- Bianca vai perguntar.
- E você vai responder?
Karina ajeitou os cabelos, tentando recuperar alguma ordem.
- Vou dizer que conversamos.
Giulia sorriu.
- Do nosso jeito?
Karina olhou para ela de lado.
- Não começa.
- Já comecei.
Karina tentou manter a expressão séria, mas o canto de sua boca traiu um sorriso.
Por um instante, pareciam apenas duas mulheres depois de uma manhã intensa, dividindo um segredo dentro de outro segredo. Mas a sensação durou pouco.
Karina se levantou primeiro.
Recolheu a própria roupa, ajeitou o vestido e caminhou até a mesa onde ainda havia uma taça esquecida. Bebeu um gole de água, respirou fundo e voltou a olhar para Giulia.
A postura dela já começava a se recompor.
A líder.
A estrategista.
A mulher que sempre encontrava uma forma de transformar desejo em controle.
Mas agora Giulia conhecia a rachadura.
E Karina sabia disso.
- A partir de hoje, as coisas mudam - Karina disse.
Giulia se levantou também, amarrando o robe com calma.
- Mudam como?
Karina caminhou até ela.
Parou perto o bastante para falar baixo.
- Antes, eu achava que você precisava ser conduzida.
Giulia sustentou seu olhar.
- E agora?
Karina tocou de leve o laço do robe, ajeitando-o com uma intimidade quase possessiva.
- Agora acho que você precisa ser vigiada.
Giulia sorriu.
- Isso parece preocupação.
- É instinto.
- Medo?
Karina aproximou o rosto do dela.
- Desejo também.
O silêncio voltou.
Mais quente.
Mais perigoso.
Então Karina se afastou e caminhou em direção à porta.
Antes de sair, parou sem olhar para trás.
- Vem. Antes que Bianca invente uma versão pior do que a verdade.
Giulia pegou o celular sobre a mesa, ajeitou os cabelos com os dedos e foi atrás dela.
Do lado de fora, a chácara continuava luminosa, aberta, quase inocente sob o sol.
Mas dentro daquela sala alguma coisa havia sido decidida sem palavras.
Giulia não era mais apenas a menina nova.
Karina não era mais apenas a mulher que conduzia.
Entre as duas, agora existia um segredo particular.
Um desafeto quente.
Uma disputa que nenhuma delas queria vencer depressa demais.