Cortez notou uma cartela de comprimidos junto a mesinha das bebidas. Entendeu que eles não estavam “puros” e se tinham tomado algum medicamento para ereção, aquela noite não terminaria cedo. E estava certo. Somente depois, bem depois, é que se deram por satisfeitos. Luma estava cansada, exausta na verdade, mas estranhamente satisfeita, com um discreto sorriso nos lábios. Dom foi o último a usá-la, fodendo sua boca até gozar dentro e no rosto dela. Só então, após ele se saciar, é que foram autorizados a irem embora, mas não sem um último aviso:
- Tive um contratempo e não conseguir fazer a nossa festa neste final de semana, minha rainha. Mas já está tudo acertado para a próxima. Descanse e se prepare. Será inesquecível. - E se virou para Cortez: - Ah! E meu caro corno Cortez... as chaves da sua liberdade ficarão comigo para eu ter a certeza de que não irá usar Luma até a festa. Quero ela inteiramente descansada para esse evento.
[CONTINUANDO]
A volta para casa foi diferente, não porque ambos estivessem em silêncio, mas porque o que dominava ao Cortez parecia ser muito mais profundo que a dor que já o assolava. Quase no meio do caminho, lágrimas começaram a escorrer por sua face e seus braços começaram a tremer. Por pouco, muito pouco, ele não entrou na frente de uma carreta cegonha. Luma viu que algo estava muito errado e o fez parar no acostamento:
- Cortez... Amor! O que... O que você está sentindo?
Mas nada. Ele não falava. Apenas segurava o volante com a força de quem se agarrava ao último bastião de sua vida. Por minutos, Luma tentou fazê-lo falar, mas ele não correspondia. Ele seguia olhando perdidamente para algum ponto na escuridão adiante, ou talvez dentro da própria escuridão que agora dominava seu peito. Nem com tapas no braço e no rosto, Luma conseguiu trazê-lo de volta. Só quando pegou seu celular e avisou que iria ligar para a polícia é que ele a encarou. Bem... Na verdade, ele a olhou sem a encontrar:
- Amor!? – Perguntou Luma, segurando seu rosto.
- Desculpa. Isso é tudo culpa minha...
- Você não é culpado de nada, amor. Não só você. Eu tenho a minha parcela, aquele desgraçado do Dom tem a dele. Todos têm!
- Não. Se eu não tivesse te contado da minha vingança, a gente...
- A gente teria entrado nessa do mesmo jeito! Fui eu que te propus, lembra? Eu! Antes disso, você nunca havia me falado, nem tentado essa merda de vingança.
- Tentado... eu tinha. Só não tinha conseguido nada. E acho que não vou nada novamente.
Luma o encarava e viu no seu olhar uma coisa que nunca havia visto antes. Pela primeira vez, ela temeu de verdade pela vida do marido. Não por um infarto, mas pior:
- Amor, a gente está no meio da rodovia. Se não me engano, estamos pertos de um posto que tem um hotelzinho de caminhoneiros. Acha que consegue levar a gente até lá?
Cortez balançou a cabeça afirmativamente e se virou, novamente olhando para a frente. Respirou fundo, piscou algumas vezes e deu partida. Sua velocidade não ultrapassava os 60 km/h, mas era o suficiente para leva-los a algum lugar.
Em dez minutos chegaram ao tal hotel, simples, mal iluminado, com vários pequenos quartos enfileirados em três andares, todos de frente para um corredor externo de acesso. Luma desceu e fez uma reserva. Então, voltou e levou Cortez até lá.
Assim que entraram, Cortez desabou de vez. Um choro doído, machucado, mas foram suas palavras que atingiram Luma de vez:
- Sou um canalha! Um covarde. Sou o pior tipo de homem que uma mulher pode ter. Eu nunca poderia ter aceitado que esse monstro se aproximasse de você.
- Calma! – Luma pediu enquanto abria uma garrafinha de água: - Bebe. A gente tem muito o que conversar. A gente só sai daqui depois que colocarmos tudo para fora.
- Tudo... Tudo o quê, Luma? Como eu me sinto? Como você se sente? O que você fez com ele enquanto estivemos separados?
Luma segurava a garrafa de água ao seu lado e acariciava suas costas:
- É isso então!? Quer saber o que aconteceu entre mim e o Dom enquanto estivemos separados? Eu te conto, amor. Conto tudo o que você quiser.
Cortez se controlou o mínimo suficiente para poder beber alguma água. Depois, a encarou:
- Você gosta dele, né? Você se separou de mim para só descobrir se gosta mais dele do que de mim, não é?
- Cortez...
- Por favor! – Cortez a interrompeu, levantando uma mão: - Só me diz a verdade.
- A verdade!?
- Sim. Só a verdade.
Luma tomou um gole da água e encarou Cortez. Depois, mordeu os lábios e subiu para o meio da cama, onde se sentou:
- Vem aqui, amor. Senta aqui comigo. Vamos conversar.
Cortez a atendeu rapidamente, ficando de frente para ela. Luma acariciou rapidamente seu rosto:
- Amor... Eu não amo o Dom, se é o que você quer saber.
- Então... Por que se separou de mim?
- Porque eu precisava saber se você ainda me amava.
- Eu!?
- Claro, Cortez! Veja onde fomos parar por causa de um fetiche, uma vingança e uma suspeita. Que homem deixaria a mulher passar por tudo o que eu vinha passando?
- Mas... Ok. Eu entendo. Então, por que você foi vê-lo quando estávamos separados?
- Essa é a parte complicada... – Luma desviou o olhar de Cortez, olhando os lençóis por um instante: - Não posso negar que ele me desperta algo. Então, quando ele me chamou, eu... fui. Só fui. Não direito o porquê. Acho que talvez eu quisesse tentar tirar algo dele. Sei lá. Tentei descobrir alguma coisa por conta própria. Mas só o que eu descobri é que sozinha não consigo nada.
- Ele te desperta algo... – Cortez desdenhou inocentemente: - Ele te fode melhor do que eu, não é isso?
- Diferente, não melhor! São situações totalmente diferentes. Lá, ele quer me usar, e sabe como fazer isso. Com você, eu sei que é mais sentimental. Sei que você tem medo de me machucar, de extrapolar e por isso, me trata com carinho. Eu e ele trepamos como animais; com você, eu faço amor.
- Você não me respondeu?
- Respondi sim. Você é que não quer acreditar. Você não é igual a ele e acho que nunca será. Ele não é igual a você e nunca será. Entendeu?
- Tá... – Cortez respirou fundo, olhando para ela: - Me conta o que vocês fizeram sem mim?
- Tem certeza?
- Sim. Eu... Eu preciso saber. Preciso acreditar que você não me esconde mais nada.
Luma ficou em silêncio, apenas encarando Cortez e refletindo. A relação deles já andava tão desgastada que qualquer mal entendido poderia ser o ponto final. Valia o risco ser sincera? Ela não sabia, mas acreditava que talvez fosse a única forma dele voltar a acreditar nela totalmente.
E ela contou.
Contou da noite em que Artur veio busca-la e ela foi se encontrar com o Dom, quando transaram apenas os dois, como ele usando os apetrechos de dominação de BDSM. Quando terminou, Cortez a olhava de uma forma vazia:
- E você gostou?
- Gostei, amor. Eu... já disse que ele sabe... como... fazer.
- Foi sua a ideia de me mandar vídeos e fotos?
- Não! Juro que não! Inclusive, eu bati de frente com ele e disse que não gostei daquilo. A ideia foi dele que achou que assim você entenderia o seu lugar.
- É... – Cortez resmungou, baixando o olhar.
- E teve a outra vez que você já sabia que eu iria. Da primeira festa. – Luma pigarreou: - Nessa, eu... transei com o Dom... e mais cinco.
- Cinco, Luma!? – Cortez a encarou.
- Com o Dom, seis.
- Porra, cara!... Seis homens!?
- Não foi pior que a de ontem, amor. Os cinco eram homens normais. Os de ontem eram bem mais... Como posso dizer?
- Dotados. Pode falar. Eu sei... Eu vi.
- É. Isso.
Cortez se levantou da cama e ficou olhando para um espelho. No reflexo, ele, um homem que já não reconhecia mais. Ficou segundos se olhando, intermináveis para Luma. O silêncio dominando todo o quarto. Depois, se virou para ela:
- Eu juro que queria parar com tudo. Com a vingança, com essa coisa que está matando a gente, mas agora, depois dele ter nos ameaçado, já não sei mais o que fazer. Queria mesmo tentar o que o doutor Galeano propôs.
Luma o encarou em silêncio por mais alguns segundos. Então, falou:
- Quer saber? Acho que foi bom isso ter acontecido.
- As ameaças!?
- É. A gente já passou por tanta coisa que eu não estava achando justo parar agora sem terminar o que já havíamos começado.
- Você quer continuar?
- Não é que eu queira continuar... Mas eu tenho certeza de que quero terminar! Acho que se a gente não for até o final, não teremos paz. Pelo menos, não enquanto o Dom não enjoar da gente.
- Não sei...
- Não! Nós vamos continuar. E vamos fazer de tudo para conseguir as provas na próxima festa. Só temos que agir com um pouco de inteligência.
Luma se calou e Cortez a encarou por bons segundos. Um sorriso estranho surgiu nos lábios dela, um que o assustou por um segundo. Cortez sente um leve desconforto causado pela gaiolinha. Dirá:
- Você parece que tem uma ideia...
- Tenho. Senta aqui que eu vou... Tá tudo bem aí?
- Tá. É que esse negócio, dói.
- Posso ver?
- Pra que?
- Sei lá. Curiosidade...
Cortez abrirá a calça e a tirará, aproximando-se da cama. Luma sentará na beirada e puxará sua cueca para baixo. Examinará com atenção a gaiolinha, passando o dedo por toda a extensão:
- Amor, eu não sei como te ajudar...
- Esquece. O Dom disse que tirará na próxima festa.
- Se ele não tirar, eu me recusarei a participar. – Luma então dará uma risadinha discreta, mas sapeca: - Sabe que eu gostei!? Acho que vou comprar uma dessas para brincar com você em casa.
Cortez também dará uma risada conformada. E se sentará ao seu lado. Luma então contará tudo o que pensa que poderiam fazer na tal festa. Mas que seria necessário contarem com a ajuda do Artur e talvez até mesmo da Mary. Cortez ouve tudo e acha que a ideia dela pode funcionar, apesar dos riscos. Ele pergunta:
- E você? Acha que aguenta?
- Acho que sim. Mas... e você?
- Tenho que tentar e... Não! Eu tenho e vou conseguir.
A festa havia sido marcada para o sábado seguinte. Dom enviou as roupas que eles deveriam usar: para Luma, um vestido branco longo e justo de festa, com uma fenda ousada na perna direita que quase chegava ao quadril. O tecido era leve, quase transparente sob a luz certa, valorizando cada curva do seu corpo. Como orientação final, não deveria usar nenhuma lingerie, apenas uma meia calça sete oitavos da cor “nude”. Ela se preparou o dia todo: unhas, cabelos, maquiagem. As atendentes do salão, conhecidas suas de longa data, quiserem saber onde ela iria tão bem produzida. Luma se dignou a dar uma única resposta:
- Vou dar o melhor de mim para o meu homem.
Ao final de sua produção, ela ficou deslumbrante, o tipo de mulher que faria cabeças virarem em qualquer ambiente. Se Dom a queria como o centro das atenções, ela seria. Mas não por ele.
Já para Cortez, Dom enviou um jogo de “smoking” completo: preto, camisa branca, faixa vermelha e sapatos pretos. Por baixo, Dom determinou que ele usasse mais nada além da gaiola peniana de metal. Não fosse por esse detalhe, Cortez seria um homem que facilmente encontraria uma companhia. Esse e o detalhe de já ser casado com a sub do Dom.
Chegaram por volta das 21:00, o horário determinado pelo Dom. Entraram como estrelas por um longo tapete vermelho e ladeado por seguranças. O salão principal do Imperium havia sido transformado num ambiente de requinte e luxo: lustres de cristal, mesas com arranjos florais, música ao vivo suave, garçons uniformizados, servindo champanhe ou drinques, além de canapés. Realmente, era uma festa de alto padrão, algo que nem Cortez, nem Luma haviam visto antes.
Havia cerca de cinquenta pessoas ali. Cortez reconheceu alguns deles, políticos que já vira na televisão, além de empresários da região, e outros com todo o trejeito de policiais. Para surpresa de ambos, até mesmo artistas e influencers estavam ali. Num momento, Cortez confidenciou para Luma:
- Nunca imaginei que o Dom conhecesse tanta gente poderosa assim.
- Foco, amor! Temos que nos concentrar no plano.
As “meninas” do clube estavam todas bem vestidas, circulando com elegância pelo salão, onde recepcionavam e davam atenção aos convidados do Dom, muito embora todos já soubessem qual era o verdadeiro propósito da noite.
Luma e Cortez foram conduzidos até Dom quando este conversava com um senador falastrão de uma bancada evangélica no Congresso. Ele a recebeu com um beijo na bochecha e a apresentou como sua nova e maior criação, exaltando todas as suas qualidades como dama, mulher e Dona:
- Dona!? – Perguntou Luma para ele, assim que teve chance.
- Mais discreto do que dizer futura Dominatrix, não acha, minha linda? Aliás, você está deslumbrante nesse vestido. – Então se virou para Cortez e sorriu sarcasticamente: - Você também está muito bem, corno. Pronto para a noite de hoje?
- Acho que nada mais me surpreende. – Resmungou Cortez.
- Prometo me esforçar... – Disse Dom, enlaçando a cintura de Luma: - Levo Luma comigo. Você vem atrás da gente. Entendido?
Cortez anuiu e começou a segui-los como um cachorrinho adestrado. Dom seguia apresentando e exaltando Luma para todos e a Cortez... Bem... Cortez, por sua vez, passou a ser apresentado como “o marido”, nunca pelo nome. E também passou a ser exaltado por suas qualidades como marido generoso, homem conformado e corno manso:
- Precisava falar assim, Dom? – Luma o inquiriu em certo momento.
- Claro! Ele precisa entender o seu lugar. E acho que entendeu! Veja só como ele nos acompanha bem manso. – Retrucou Dom, apontando para Cortez.
A noite prosseguiu como se fosse uma festa normal, com bebidas, conversas, galanteios e risadas forçadas demais. Por volta da meia-noite, algumas pessoas começaram a ir embora. Dom se irritou a princípio, pois isso demonstrava que ele já não tinha tanta influência quanto imaginava. Dos que restaram, vários foram seguindo com as “meninas” para os quartos individuais.
Restaram apenas Dom, Luma, Cortez e uns onze homens, a maioria de políticos, dois policiais, um sócio e Vítor, o diretor de cinema. Todos foram para o grande quarto coletivo, outra vez ricamente preparado para o momento: luzes vermelhas, uma imensa cama central, laços de seda pendurados no teto, uma estranha corrente numa parede lateral e algo que desagradou Luma de imediato: uma câmera profissional no canto, tanto que reclamou e cruzou os braços, dizendo que não faria nada até ela sumir dali.
Dom gargalhou ante a audácia dela, mas novamente exaltou para todos sua veia de dominatrix. Pediu que Vítor sumisse com a câmera que o fez só depois de tentar convencer Luma do contrário, sem êxito.
Dom então mandou que Luma fizesse um “strip tease” para seus convidados. Ela obedeceu, tirando o vestido branco lentamente ao som de uma música do Steel Dragon, revelando o corpo nu, praticamente se as marcas das dinâmicas anteriores. Os homens assistiram atentamente. Aplaudiram. Assobiaram. Jogaram notas de dólares para ela. Comentaram. E tentaram apalpá-la. Apenas tentaram, pois Artur estava ali para contê-los até Dom liberar a dinâmica da noite.
Não demorou muito. Assim que ela se desnudou, Dom deu a ordem de que eles podiam usá-la à vontade. Entretanto, Luma o surpreendeu, sugerindo que, antes, ela gostaria de fazer uma experiência com o marido:
- Experiência!? – Dom a pegou pelo braço e cochichou em seu ouvido: - Que experiência é essa? Não combinamos nada disso! Não me envergonhe, Luma, senão...
- Fica calmo! Eu só quero dar um mínimo de dignidade para o meu corno. Vou fazê-lo gozar rápido e depois farei o que você quiser.
- Sei não, hein!?
- Não estou pedindo, Dom. Estou te comunicando que quero que seja assim.
Aquela fala ficou estampada na cara de Dom como um tapa. Ele recusou de início, mas foi convencido pelo mesmo senador falastrão e um filho de empreiteiro, candidato a deputado federal, que poderia ser divertido. Dom entregou a correntinha com as chaves que trazia no pescoço para Luma, que assumiu a partir daí:
- Tira a roupa, corno.
Cortez a encarou, invocado. Ela se aproximou e lhe deu um tapa, seco, o estampido ecoando pelo imenso quarto:
- Tira... a roupa. Já!
Cortez baixou o olhar, suspirou e obedeceu. Ficou nu na frente de todos. Luma fez questão de fazê-lo dar uma volta sobre si mesmo, as luzes refletindo na gaiola peniana de metal. Então se abaixou e a destrancou, liberando o pau do marido. Ela passou a lambê-lo, suga-lo, punhetá-lo, enfim, prepará-lo para um momento de reconhecimento masculino. Mas, para surpresa de todos, ele não endureceu.
Cortez virou motivo de chacota de todos, ecoando a humilhação que se iniciou com o Dom. Luma o encarou novamente e perguntou:
- O que acontece, corno? Você não me deseja mais? Não sou uma mulher excitante o suficiente para levantar o seu pau?
Cortez apenas baixou o olhar, humilhado definitivamente. Luma cuspiu em sua face e o prendeu novamente na gaiola, dizendo:
- Já que essa bosta não funciona, é melhor que fique presa de vez. – Disse enquanto colocava a correntinha com as chaves no próprio pescoço: - Mas agora quem cuidará da sua liberdade, sou eu. A sua dona, entendeu?
Cortez nada disse. Mas ela queria ouvir e insistiu:
- Ouviu, corno? Responde para sua dona!
- Sim, senhora.
Luma o olhou com desdém, enquanto se aninhava nos braços do Dom:
- Que corno mais patético.
Dom então mandou que Cortez ficasse de joelhos num canto do cômodo, de frente para a parede e costas para a cama.
Luma foi então novamente entregue por Dom àquela matilha de lobos. Todos tiraram suas roupas rapidamente. O senador tomou dois Viagras com uma dose de uísque. Um cara com jeito de policial, dono de um pau comprido mas não tão grosso, mandou que Luma se ajoelhasse e começou a bater o pau no rosto dela. Ela não perdeu a chance de provocá-lo:
- O que adianta ser grande se não sabe usar direito. Enfia no meu cu, seu bosta. Mostra que pelo menos tem algum culhão.
A surpresa foi grande e a cara dele foi impagável. Risos ecoaram. Mas ele, mesmo invocado, obedeceu e foi para trás dela, empurrando-a até que ela ficasse de quatro. Cuspiu na cabeça do pau, enfiou dois dedos no cu dela e a enrabou até o fundo, fazendo ela dar um gemido rouco e seco:
- Vai com calma, Carvalho! Não machuca a minha escrava. Usa a merda do lubrificante aí ou sai fora. – Disse o Dom, atento a tudo.
Ele obedeceu, besuntando o pau e o cu de Luma. Logo, outros dois chegaram e enfiaram os paus na boca de Luma. A noite prometia ser longa.
Começaram a variar os parceiros e as posições, algumas sugeridas pelo Dom para o seu bel prazer. Luma gemia, arfava, engasgava, xingava, mas parecia estar disposta a dar conta de todos. Por minutos, essa deliciosa tortura prosseguiu. Por minutos, Cortez permaneceu de costas, até Luma falar:
- Vira para mim, corno. Olha no que você me transformou. Entenda de uma vez que agora quem manda em você, sou eu, e quem manda em mim, é o meu Dom.
Cortez não se mexeu, mas sentiu cada palavra como se fosse uma agulha sendo enterrada em suas costas. Dom falou:
- Artur, faz o corno virar para cá. Minha putinha quer ser vista e a vontade dela, é lei.
Artur foi até Cortez e o pegou pelos cabelos, virando-o na direção da esposa que seguia sendo currada por um, mas com dois já se punhetando atrás, aguardando a vez.
As posições e parceiros variavam, sempre com Luma como destaque central e principal do evento. De quatro, papai e mamãe, frango assado, cavalgando de frente e de costas. Ela se desdobrava e surpreendia a todos, principalmente a Cortez que sentia o pau latejar dentro da gaiolinha, sinal de que só não ficaria duro por estar preso.
Mas eles também tinham seus fetiches. Alguns bem violentos. E foi justamente do senador evangélico que a sugestão assustou a todos:
- Vamos arregaçar essa messalina como uma boa pecadora merece. Que tal fazermos uma dupla penetração vaginal, outro no cu e uns dois na boca!? Eu acho que ela aguenta.
Dom ficou surpreso com a sugestão, mas não a negou. Afastou todos de Luma e a encarou no fundo dos olhos, segurando seu rosto pelo queixo:
- Quer tentar, minha putinha? Eu sabia que algo assim um dia poderia acontecer. Por isso te dei aquele consolo enorme. Acha que aguenta?
- Sabia que eu o usei hoje antes de vir para cá? Imaginei que isso poderia agradá-lo, mestre.
- Safada! Então, mostra pra mim do que você é capaz. Acho que seu corno é capaz de infartar.
- Que morra!... – Luma cochichou em seu ouvido: - Já tenho um dono novo.
Dom organizou a bagunça: Oséias, um jogador de futebol novato, se deitou no colchão e Luma se encaixou nele. Sampaio, um político local, enterrou o pau de uma vez no cu dela, praticamente subindo sobre ela. Carvalho, o policial de pau comprido, veio por trás e enterrou metade do pau na buceta de Luma. O senador e o sócio de Dom vieram na frente, esfregando os paus no rosto de Luma até ela começar a chupá-los, alternadamente.
O quarto se encheu de sons, comentários, risadas e gemidos abafados de Luma e dos parceiros. Cortez não sabia onde começava a encenação e onde terminava o prazer real da esposa. Os homens a tratavam como um objeto, com tapas, puxões de cabelo e humilhações verbais. E ela respondia, gozando.
Num determinado momento, enquanto Luma era usada selvagemente pelo grupo, Cortez se levantou de repente e partiu para cima da esposa e dos convidados. Dom tentou contê-lo, mas foi atingindo com um soco violento no rosto. Cortez se atracou com ele, batendo, apanhando, arrancando cabelos e sangue. Artur segurou Cortez e o puxou para trás. Dom, com o nariz sangrando, foi taxativo:
- Coloca o enforcador de animais nessa besta, Artur e o acorrente no canto do quarto. Quero que ele assista até o final, até entender que essa puta é minha, e ele também!
O grupo havia se desvencilhado. Luma, sozinha e assustada, gritou:
- NÃO! Não quero mais ser interrompida por esse corno fracassado. Leve-o daqui, Artur. Prenda-o em qualquer lugar até eu terminar com todos. Depois, me resolverei com ele.
Dom ficou surpreso e feliz ao mesmo tempo com a atitude de Luma. Observou-a por um instante e se virou para Artur, mandando que a obedecesse, acorrentando Cortez no gancho de seu escritório até terminarem com Luma.
Artur deu um mata leão em Cortez e o arrastou para fora do quarto coletivo. A última imagem que Cortez viu foi de sua esposa chupando o pau de Dom com uma vontade que o fazia novamente duvidar de sua encenação. Já fora, e bons passos longe da porta, certificados de que não haviam sido seguidos, Artur o soltou:
- O senhor... está bem?
- Bem é uma palavra complicada, Artur.
- Entendo. Desculpe. Vamos logo. Temos algum tempo, mas não muito.
Seguiram direto para o escritório de Dom. Artur arrastou uma estante da frente de uma porta oculta. Então, ligou para Mary. Logo, ela surgiu, e antes de dizer alguma coisa, encarou o pau engaiolado de Cortez:
- Mary, por favor. – Pediu Artur.
- Tá. É... Não peguei as chaves do Dom, Artur. Cortez e Artur se entreolharam e logo encararam as fechaduras da porta do quartinho secreto. Quando tudo parecia perdido, Artur sacou uma carteira do bolso, dizendo que estava preparado para tudo, mas Mary o interrompeu:
- O que está fazendo?
- Tenho algumas gazuas comigo. Espero que sejam suficientes para...
- Não precisa! – Mary o interrompeu: - Dom ficou tão relaxado com a festa de hoje que deixou as chaves na gaveta da escrivaninha. Eu estava aqui e vi quando ele as guardou.
Ela tentou abrir a gaveta, mas viu que estava trancada. Artur a tirou de sua frente, deu uma rápida olhada na gaveta e com um jogo de gazuas a abriu em questão de segundos. Dentro, as tão esperadas chaves reluziram.
Cortez pegou as chaves com as mãos tremendo. Artur logo as tomou dele, pedindo desculpas na sequência. Abriram as fechaduras. A porta foi a próxima, com o rangido característico de algo pouquíssimo usado. Como Artur havia mencionado, era uma espécie de closet e dentro dele, prateleiras cheias de pastas, fitas cassetes, CDs e DVDs antigos, pendrives e envelopes. Numa parede lateral, um verdadeiro mural com uma variedade de mulheres. Até mesmo Luma estava ali num lugar de destaque. Mas o que surpreendeu Cortez foi uma caixa retangular baixa, com um nome conhecido, um que apenas a ele interessava, o de sua mãe, “Luana Castro”.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
