Após as deliberações sobre a violação do meu brioco pela Ay e, consequentemente, da minha masculinidade.
Depois do pedido de namoro aceito (a gente pensa que algumas iniciativas do Gabriel e da Ay são fogo de palha, mas é bom nunca desconsiderar a possível veracidade das suas intenções, por mais aparentemente absurdas que sejam).
Após eu finalmente aceitar que agora tinha um namorado homem, muito embora nós ainda não houvéssemos avançado sequer para aquela fase de segurar na mãozinha e andar de mãos dadas.
Após tudo isso, enfim, eu me sentia como quem houvesse saído da Idade da Pedra Lascada direto para o Século XXI.
Já dormira com a namorada do meu amigo, que era amiga da minha namorada, que dormiu com meu amigo, que também era amigo da minha namorada, que agora era, também, assim como eu, namorada dele e da namorada dele.
Em outras palavras, respeitável público, bem vindos (e vindas) ao fantástico mundo do Demônio e da Megera, onde, com amor, tolerância, tesão e uma dose de senso de humor tudo pode valer a pena.
Sobretudo se nesse tudo estiverem incluídas a Ana Clara e a Ayanna. É difícil descrever em palavras o que era conviver simultaneamente com aquelas duas jovens mulheres.
Ay e a Megera eram duas pedras raras: lindas, gostosas de doer os colhões, cheirosas, safadas e criativas. Duas mulheres jovens com senso de humor, inteligentes e com interesses que passam longe da banalidade do mundo onde a “indústria” nos sugere viver.
Nossas aventuras sexuais talvez tenham tido, já naquele período, um conteúdo explícito e importante de libertação, que só aprofundou aquela que já existia.
Uma garota linda de morrer seguir seus próprios sentimentos e só beijar na boca pela primeira vez aos dezoito anos, sem se importar com o que diziam os outros, já era uma prova de um espírito livre.
Essa mesma garota, agora uma mulher, ter, quatro meses depois, a coragem de assumir sua paixão por outra mulher e viver suas fantasias e desejos é só a reafirmação indelével dessa liberdade.
E lá estavam as duas naquele amasso quando voltamos de duas cervejas degustadas no barzinho na praça. Não sei se era a coisa mais linda, mais sexy ou mais fofa do mundo. Acabamos atrapalhando o romance entre as duas, mas ainda teriam uma semana para namorar até o nosso retorno para Feira.
A noite já começava a cair em Laranjeiras e estávamos espalhados pela sala, música tocando e os assuntos se sucedendo. Por volta das 19 horas, depois de mais cervejas, decidimos jantar. Como o macarrão já estava praticamente pronto, foi só levar ao forno rapidamente e servir.
“Elas não são só mulheres, são deusas”, elogiou Gabriel, saboreando o rango que, verdade seja dita, estava mesmo uma delícia.
- Não só por prepararem delícias, mas por serem elas próprias uma delícia – reagi.
- Em tudo, namorado. São maravilhosas em tudo.
- Verdade. Se alguém está em busca da perfeição, nós a temos sentada à mesa conosco – emendei.
- Eles viram passarinho verde? – reagiu Ay.
- Será que usaram drogas mais pesadas que o álcool quando foram na rua? – provocou a Megera.
- Mas eu estou gostando – emendou Ay.
- É, eu também, continuem – complementou a Megera.
- Depois, elas dizem que nós é que somos insensíveis. Estamos aqui qual dois poetas devotados do século XIX, com o corpo alquebrado, os brônquios em frangalhos e o coração fraco, mas transbordando e irradiando paixão por nossas musas de longos e graciosos braços brancos, de textura delicada e presumível gosto de mulher amada – brinquei.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
- Namorado, você é a fusão perfeita entre José de Alencar e Castro Alves – reagiu Gabriel.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Vocês dois são malucos. Não conseguem nem elogiar suas mulheres sem transformar tudo em galhofa.
- Cruz credo – protestou a Megera sem parar de rir.
- Porra, também não dá para ser romântico com o Gabriel confundindo romantismo com negócios, né?
- Como assim? – reagiu meu namorado.
- Que porra é essa de fusão perfeita entre José de Alencar e Castro Alves? Fusão, meu brother? Seria o resultado dessa fusão a Alves e Alencar Empreendimentos?
- Puta que o pariu! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk – reagiu Ay.
- Não seria melhor o “enlace” entre José de Alencar e Castro Alves? – propus.
- É verdade – concordou a Megera.
- Enlace? Não me consta que eles fossem gays – interveio Ay.
- Eu gostei, namorado, enlace igual ao nosso não é? – reagiu Gabriel fazendo coraçõezinhos e carinha de apaixonado – Ai meu deus, eu fico me sentindo tão romântico com essas coisas.
Depois de falarmos muitas besteiras e termos dado muitas risadas, o apito soou por volta das 20h30. Hora de tomar banho e nos arrumarmos para nossa jornada rumo ao samba. Confesso que estava empolgadíssimo com a ideia de entrar numa quadra de escola.
Eram 22:30 quando chegamos ao Salgueiro. A bateria ainda não se apresentava. A atração era um grupo de pagode. Sentamo-nos à mesa que havíamos reservado e ficamos ouvindo o som que vinha do palco, que ficava do lado oposto ao nosso.
Logo as mulheres quiseram dançar e pegamos o embalo, por duas vezes trocando os pares. O ambiente era totalmente iluminado e bem agradável. Quando a bateria começou a tocar, já era quase meia noite, pudemos compreender o que é uma escola de samba. O surdo bate no compasso do coração, as cordas dão a melodia e o tom, enquanto o coração dança mesmo com o corpo inerte.
Não demorou e estávamos na pista. A quadra nem estava tão cheia, de modo que havia espaço abundante para circular e dançar. Foi Ay iniciar uns passinhos e logo as atenções se voltaram para nossa namorada. Eu não entendo muito de roupas femininas, mas Ay estava com um short saia estampado curto e folgado, com babados, que a deixavam ainda mais sexy do que já rara. Também vestia um top justo de alcinha que marcava seus seios apetitosamente e deixava sua barriguinha de fora.
Ana Clara não ficava atrás, usando um vestido curto estampado, também preso aos ombros por alcinhas. Acho que já é descrição suficiente para presumir que as duas eram sucesso absoluto de bilheteria, sobretudo depois que Ay começou com seus passinhos dignos de uma madrinha de bateria.
Na medida em que o samba ia esquentando, a Megera virou aluna de samba no pé da Ay. Aprendeu tão rápido que até a professora ficou olhando para ela escandalizada.
- Caramba, Megera! – reagiu.
- É que a professora é muito boa e eu sou baiana. Tenho o diabo nos quadris – brincou.
- Cara, tu tem o Diabo nos quadris e namora com o Demônio. Você não pode, definitivamente, ser uma boa pessoa – reagiu Gabriel, levando todos às gargalhadas, só para variar.
Em meio as risadas, surgiu um homem negro, baixa estatura, magro e bem espalhafatoso.
- Diiivaaaa - interpelou Ay com um ar maravilhado.
- Zuzúuuu – reagiu Ay, lhe dando um abraço apertado.
- Uhm, está deslumbrante como sempre. Quando vai desfilar de passista?
- Ah, já te falei Zuzú. Esse negócio de rebolar de bunda de fora é só para o meu surfista. Se bem que agora eu tenho dois namorados.
- Que isso, diva, está faminta você, não deixa nem uma provinha para as amigas?
- E essa é minha nova namorada – falou, me pegando pela mão e me apresentando.
- Ayanna do céu, pelas barbas do profeta, quantos namorados e namoradas você tem, criatura?
- Relaxa, não tenta entender, mona. Essa é a Ana Clara, minha namorada baiana.
- Quer dizer que você agora pode explicar para o povo de Deus o que é que a baiana tem? Prazer, baianinha. Eu não sei se choro de emoção ou me ajoelho aos seus pés. Uma diva é bom, duas, eu preciso de mais ar.
Zuzu se abanou, deu seu show e retornou do transe.
- E meu surfista preferido? – comentou Zuzú com seu jeito teatral.
- Fala Zuzú, sua escandalosa! – reagiu Gabriel dando um abraço no amigo.
- Escândalo é você, divindade dos mares. O que tem de bonito, tem de cheiroso o filho da puta. Abafa!
- Esse bonitão cheiroso aqui é o André, namorado da Ana Clara – apresentou Gabriel.
- Mas isso aqui virou um harém? Ou seria uma galeria de arte? – falou, enquanto me cumprimentava com um leve aperto de mão, me analisando de cima embaixo.
- Tira o olho, Zuzú, que ele é namorado da Ana Clara.
- Quer dizer que ele é o namorado da namorada nova da sua namorada? Vocês estão muito moderninhos - reagiu, fazendo cara de cúmplice e movendo as pálpebras de um jeito tão engraçado, que não tive como conter as gargalhadas.
Zuzú não era só divertido. Também sabia sambar e acabou fazendo com que as deusas Ay e Ana se animassem ainda mais, para deleite da plateia. Até eu, já acostumado com as duas beldades desfilando quase sem roupa dentro de casa, babava em nossas mulheres. Ali, com aquele gingado dos quadris, era um espetáculo, que a Megera sempre interrompia para me dar um abraço e me perguntar se estava sambando direitinho.
- Direitinho? Vai lá, minha preta, e mostra para esse povo o que é que a baiana tem!
- Kkkkkkkkkkkkkkkk! Palhaço.
- Elas não são só mulheres, são Deusas – comentou Gabriel enquanto as duas se divertiam sambando com Zuzú.
- Você já disse isso hoje, namorado.
- Kkkkkkkkkkkkkk.
Deixamos a quadra por volta de 1 hora e fomos direto para casa, porque o dia tinha sido bem movimentado, mas a verdade é que havia algo mais que o cansaço. Se era para prolongar a madrugada, que fosse em casa, bem perto de nossas camas, que poderiam receber a descarga da tensão sexual que se acumulara entre nós ao longo do dia.
Para não perder o hábito, mal chegamos em casa, já estávamos na sala bebendo cervejas. Eu estava na poltrona de um lugar, Gabriel sentado em uma cadeira e as duas deusas no sofá abraçadas, agora uma devorando a boca da outra. O vestido de Ana Clara já havia subido e deixava até sua calcinha visível, uma imagem bem excitante, é possível imaginar.
Ay deitou Ana Clara no sofá e subiu uma mão lentamente pelo interior de sua coxa enquanto a beijava.
- Eu já te disse que elas não são só mulheres, que são deusas? – brincou Gabriel apreciando a cena.
- Não me lembro de você já ter dito essa frase hoje umas cinco vezes.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Ay abaixou a alça do vestido da Megera, e tirou seu sutiã, deixando aqueles lindos seios para fora, os quais receberam lambidas que faziam Ana ficar de olhos fechados, totalmente entregue às carícias da amiga.
Quando já estava com o vestido praticamente todo na cintura, Ana Clara tomou a iniciativa e começou a despir Ay pacientemente, beijando cada espacinho daquele corpo perfeito. Quando liberou seus seios, cujos mamilos desafiavam a gravidade, Ana, ajoelhada entre suas pernas, os engoliu.
A brincadeira entre as duas parecia uma sinfonia calma de violinos, daquelas que fazem a gente relaxar por fora e queimar por dentro. Meu pau doía dentro da cueca, de tão duro, vendo aquele espetáculo.
Logo as duas estavam nuas da cintura para cima e Ay fez com que o vestido da Megera deslizasse pelas pernas, deixando à mostra sua bunda redonda coberta apenas por uma pequena calcinha, um espetáculo magnífico para os meus olhos e os de Gabriel. A roupa de Ay não sobreviveu muito tempo aquele duelo de carícias e efeitos visuais de fazer um cego gozar sem se tocar.
Não demorou para que estivessem as duas deitadas, só de calcinha, se beijando, esfregando e acariciando no sofá. Para tirar a calcinha da Megera, Ay teve que ficar de quatro. Claro que fez mais de propósito, levando meu pau a dar um solavanco dentro da cueca. Então, Ay foi para o chão e começou a beijar e lamber os pés da Megera, que se contorcia de prazer.
Ay acariciava seus pés e beijava até sua panturrilha, arrancando-lhe gemidos. Depois de se fartar nas pernas de Ana Clara, subiu com a boca dando mordidas, lambidas e beijos por sua coxa, fazendo com que a Megera chegasse a soltar alguns gritinhos de agitação e prazer. Logo, estava a Megera com as pernas escancaradas, gemendo sem parar e movimentando os quadris ritmicamente, enquanto Ayanna castigava sua buceta com a língua, de quatro, só de calcinha e com a bunda toda empinada para cima.
Não aguentei e comecei a filmar com o celular. Ay percebeu e deu uma risadinha safada. Dava para ouvir a respiração de Gabriel, que estava tão excitado quanto eu, tanto que só nos entreolhávamos, sem mais trocar palavras desnecessárias.
Depois de fazer a Megera gozar, foi Ay quem teve a calcinha arrancada com fúria pela namorada, que a colocou sentada na beira do sofá e arreganhou suas pernas para mergulhar a língua em sua buceta. Foi com tanta fome, que em pouco tempo Ay já estava praticamente aos gritos e soluçando, tendo orgasmos sucessivos.
Eu juro que tentei respeitar ao máximo o momento das duas, mas ficar só filmando com o celular não estava dando conta do recado. Saquei o pau para fora e, sem aviso ou pedido de permissão, peguei a Megera por trás e já fui encaixando o pau naquela boceta toda melada de tanto tesão. A surpresa deve tê-la deixado ainda mais excitada. Na hora, se empinou toda para receber minhas socadas vigorosas e ritmadas, indo até o fundo, alimentadas por um tesão descontrolado, que minhas pernas chegavam a tremer.
Ay foi puxada pelo braço por Gabriel e colocada de joelhos no chão, ao lado da Megera, com parte do tronco apoiado sobre o assento do sofá. Parecia estar tão desesperado de tesão, que se afundou em sua buceta com fúria, fazendo Ay reagir com urros.
O som dos quatro corpos se chocando se confundia com os gemidos, uivos, miados e grunhidos. Não sei como consegui me controlar para não gozar logo. Para retardar um pouco mais, propus a Gabriel que trocássemos de lugar. Afoguei meu pau na buceta de Ay e comecei a socar, enquanto Gabriel fazia o mesmo com a Megera. Só que ver o Gabriel socando na minha mulher e ouvindo-a gemer alto era demais, ainda mais com o pau atolado naquela buceta quente e apertada da Ay, com aquela bunda linda empinada para mim.
Descarreguei meu gozo aos urros na buceta de Ay, cujas paredes vaginais espremeram meu pau com suas contrações, enquanto as lágrimas de prazer desciam pelo seu rosto. Ainda continuei socando para prolongar seu prazer, o que acabou fazendo com que meu pau continuasse duro. Então, sentei-me no sofá e Ay se colocou entre minhas pernas, abocanhando meu pau com fome.
A temperatura estava muito elevada. Ay estava visivelmente transtornada de tesão, engolindo e sugando meu pau. Não resistiu muito e subiu em minha cintura, me enlaçando com as pernas e engolindo meu pau com sua buceta, já começando a quicar alucinada.
- Que pau gostoso! Puta que o pariu! Me fode, Demônio dos infernos, eu te amo pra caralho seu filho da puta – praticamente gritou.
Aquilo fez com que a Megera reagisse aumentando seus gemidos e gozando ruidosamente no pau de Gabriel, que não parava de fustigar sua buceta.
- Aaaaaaaiiiiieeeeeeeeee!!! Tá me enlouquecendo, Ga...braaaaiiiieee, você tá, va-vai me matar de prazer, pooorraaaaaaaaaaaaaaa.
Gabriel reagiu aos lamentos da Megera soltando um urro medonho.
Ay gritou no meu colo, tremendo e tendo contrações pelo corpo todo, jogando-o para trás, se apoiando em meus joelhos, segura pela cintura pelas minhas mãos, para depois se agarrar ao meu corpo, num abraço apertado e apaixonado, ainda com meu pau enterrado nela.
- Eu te amo, Demônio! – rosnou.
- Eu também te amo, minha namorada – brinquei, dando um tapa em seu traseiro.
- Aaiinnn, não começa a bater que eu enlouqueço de vez.
Ana Clara, grogue, de tanto levar pica, se abraçou a nós. Quando dei por falta de Gabriel, meu namorado já estava voltando com mais dois latões de cerveja.
- Vamos beber, cambada, que a madrugada não tem dia para acabar – conclamou.
O foda é que ainda estava engatado em Ayanna e com a Megera se esfregando na gente, o que fazia com que meu pau não cedesse, o que fez Ay voltar a rebolar e já começar a gemer novamente. A Megera, para piorar as coisas, se enfiou de joelhos atrás da Ay e começou a lamber seu cuzinho, fazendo a coitada entrar em transe, se tremendo toda e suando. Seus movimentos ficaram tão intensos que eu não resisti e gozei agarrado a ela.
Quando terminei de encher sua buceta de porra pela segunda vez, já tinha um copo de cerveja na mão, servido por Gabriel, que puxara a Megera para um beijo apaixonado, os dois no chão, recostados no acento do sofá.
Naquela madrugada, depois de termos feito uma verdadeira suruba, terminamos os quatro embolados na mesma cama, trocando beijos e abraços antes de adormecer. Acordei praticamente imobilizado pelo corpo da Megera, que estava em cima de mim. Meio de lado, meio de bruços, qualquer movimento incalculado que eu fizesse poderia fazer com que caísse da cama, cujas dimensões não haviam sido exatamente concebidas para abrigar quatro pessoas. Ainda mais que Ay tirava meu espaço pois estava praticamente com o nariz enfiado embaixo do meu pescoço e cada vez que respirava me fazia arrepiar o corpo todo.
Gabriel, por sua vez, ocupava a outra metade da cama, virado para o outro lado, completamente alheio ao meu dilema. Quiçá todo problema na vida fosse acordar imobilizado pela presença e contato físico de duas mulheres lindas daquelas.
Foi quando a Megera despertou, me encheu de beijos nos ombros e, ao tentar sair de cima de mim, quase caiu da cama, como eu temia. Consegui, num movimento rápido, segurá-la a tempo. Brusco, porém, acabou despertando Ay, que abriu os olhos sobressaltados.
- Já estão de safadezas? – resmungou nossa namorada, vendo a Megera vermelha, depois do susto, em cima de mim, só que agora um de frente para o outro.
- Café da manhã. Megera fazer – resmungou Ana Clara, aninhando o rosto em meu pescoço.
- Ay também fazer café, bruaca - brincou Ayanna, zombando do estranho linguajar da namorada ao acordar.
- Megera também te amar, sua puta – respondeu a Megera, saindo de cima de mim e pulando em cima de Ay.
Dez minutos depois, já estávamos todos de pé. Eram nove horas e planejáramos ir a um bloco perto de casa. Antes, um café suculento, que repusesse as energias gastas na madrugada anterior.
Na última semana em que ficamos no Rio, Ay conseguiu tirar mais tempo para ficar conosco. Foram dias maravilhosos. Sempre havia uma atração nova na cidade para visitar. Conhecemos um lugar muito gostoso chamado Ilha da Gigoia, assistimos ao pôr do sol da Pedra do Arpoador e fomos ao Maracanã duas vezes, na primeira, só eu e Gabriel, ainda naquele domingo, na segunda, com as meninas.
Na sexta-feira antes do retorno a Feira, fomos para o samba na Portela, que sempre foi a minha escola, embora a Megera tenha acabado se convertendo em salgueirense. Fomos à roda de samba na Pedra do Sal e a uns três ou quatro blocos diferentes, entre outros passeios incríveis, incluindo duas peças de teatro e mais um filme num cinema no shopping.
Sem contar com a boa e velha rotina de noites movidas a cerveja, música, conversas deliciosas e sexo. Mas muito sexo mesmo. Afinal, aquelas mulheres não eram só mulheres, eram Deusas, como dizia Gabriel. E era impossível resistir a tanta oferta de gostosuras.
No domingo à noite, Ay sentiu o golpe. Todos estávamos muito emocionados e sentíamos a separação iminente, mas Ay estava num estado de dar pena, tendo várias crises de choro, sendo amparada ora por mim, ora por Ana Clara, ora por Gabriel.
Nosso voo estava marcado para segunda de manhã e chegaríamos a Salvador na hora do almoço. De lá, após almoçar e passear um pouco na capital (acabamos pernoitando), retornaríamos para Feira de ônibus, para curtirmos mais a companhia um do outro em trânsito.
Aliás, o que não faltou naquele mês de janeiro foi tempo para desfrutarmos um da companhia do outro. O que era muito bom, porque voltamos do Rio ainda mais apaixonados. Poucos meses após nossa viagem inesquecível, Gabriel e Ayanna nos comunicaram que decidiram morar juntos de vez e que seríamos seus padrinhos quando fossem oficializar o casamento.
Eu e a Megera não tínhamos tanta pressa, já que nosso namoro, embora intenso e surpreendente, ainda estava só no começo. Nossa vida sexual, de volta a Feira, ganhou outra dimensão. Como não tínhamos a menor intenção de colocar outras pessoas em nossa cama, que não fossem nossos namorados cariocas, passamos a explorar todas as possibilidades que pudéssemos experimentar a dois nas ocasiões em que íamos ao motel ou viajávamos para a casa da serra.
Ainda no caminho de volta do Rio de Janeiro, estávamos jantando em um restaurante com vista para o mar em Salvador. Havíamos contratado uma diária do hotel e deixado nossas coisas para podermos passear um pouco juntos.
- Amor, foi tudo tão maravilhoso lá no Rio e eu estou tão grata a você, que não sei o que dizer, mas confesso que eu já estava com saudade de ficarmos assim, só nós dois, como um casal – revelou a Megera.
- Eu também, mas temos o resto da vida agora. Vamos ter muitos momentos só para nós dois. O importante é que lá no Rio foi tudo mágico, não foi?
- Nossa! Massa mesmo, meu rei. Não tem um minuto para a gente dizer que não prestou. E apesar do que temos com nossos namorados cariocas, eu me sinto ainda mais próxima a você, mais convencida e segura do quanto estou no lugar certo e com a pessoa certa. Eu te amo muito, Demônio – se declarou a Megera, encostando o rosto em meu ombro.
Naquela noite, no hotel, fizemos amor com um gosto diferente. Não era como nas primeiras vezes, não era como quando estávamos com Ay e Gabriel. Foi uma coisa lenta, torturante. Levamos um tempo infinito para tirarmos a roupa. Lembro de como me ajoelhei entre suas pernas, ela ainda vestida, e beijei suas mãos com reverência, fazendo seus olhos brilharem de um jeito desconcertante. De como tirei suas sandálias pacientemente, beijando seus pés, acariciando suas solas, sentindo o arrepio gostoso de sua pele.
Acho que o verbo “adorar” se aplica perfeitamente ao que aconteceu naquela noite. Nós não fizemos sexo, não fizemos amor, nós nos adoramos. Saboreei demorada e sistematicamente o seu cheiro, seu gosto, sua textura, sua imagem, sua voz, sua respiração e seus gemidos. Era como se nos conhecêssemos mais do que acreditáramos conhecer antes e como se nossa intimidade houvesse escalado, cruzando uma linha que pensávamos ser o limite, mas era só mais um divisor de águas.
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Até o próximo episódio!