Castelo de Areia – Temporada 2: Época da Fundação
Capítulo 2.1 – Superando o passado e aprendendo a valorizar a amizade
(Carlos)
Tati foi simplesmente incrível naquele sábado.
Sem discursos elaborados, sem precisar forçar nada, ela resolveu um problema que eu mesmo já tinha desistido de tentar explicar. Com a naturalidade que sempre foi uma das maiores qualidades dela, conseguiu mostrar para todo mundo qual era, de verdade, a minha relação com as meninas. Não precisou me defender. Apenas contou a verdade. E, por algum motivo, ouvir aquilo saindo da boca dela teve muito mais força do que qualquer justificativa que eu pudesse dar.
Pela primeira vez em muito tempo, senti que ninguém estava me julgando.
Ou, pelo menos, não da forma como eu imaginava.
Eu juro que tentei.
Tentei conversar normalmente, prestar atenção nas histórias que surgiam na mesa, rir das piadas, participar das conversas... mas foi impossível impedir meus olhos de procurarem Tauane durante a noite inteira.
Era quase automático.
Quando eu percebia, já estava olhando para ela de novo.
Tau estava um pouco mais magra. O rosto carregava um cansaço que antes não existia, como se a vida tivesse deixado algumas marcas silenciosas nela. Ainda assim...
Ela continuava linda.
Não.
Linda era pouco.
Ela estava perfeita.
Talvez justamente porque já não parecia inalcançável. Havia uma humanidade naquele semblante cansado que a deixava ainda mais bonita.
Em alguns momentos nossos olhares se cruzavam.
Ela percebia.
Eu tinha absoluta certeza disso.
E o mais curioso era perceber que aquilo também mexia com ela.
Não era apenas eu.
Ela desviava os olhos, voltava a olhar discretamente, mexia nas mãos, mudava de assunto quando alguém lhe dirigia a palavra...
Saber que minha presença ainda causava algum efeito fez uma parte da minha autoestima, que por muito tempo permaneceu enterrada, respirar outra vez.
Durante anos eu sempre pensei que Tau fosse um sonho.
Daqueles impossíveis.
Intocáveis.
Inalcançáveis.
Talvez isso fosse verdade para o Carlos de antes.
O garoto inseguro.
O menino que aceitava migalhas de atenção porque acreditava que nunca seria suficiente.
Mas para essa nova versão...
Talvez não.
Ou talvez eu estivesse apenas tentando convencer a mim mesmo disso.
Foi justamente quando esse pensamento surgiu que outro tomou conta da minha cabeça sem pedir licença.
As lembranças vieram como um soco.
Tudo.
Absolutamente tudo.
A rejeição.
A sensação de não ser suficiente.
As vezes em que me senti pequeno.
Humilhado.
Descartável.
Era impressionante como algumas feridas cicatrizavam por fora, mas bastava um detalhe para voltarem a doer como se nunca tivessem fechado.
Senti meu peito apertar.
Respirei fundo, tentando disfarçar.
Lady percebeu antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa.
Ela apenas estendeu a mão e segurou a minha.
Seu aperto foi leve.
Delicado.
Como quem dizia que eu não precisava enfrentar aquilo sozinho.
Levantei os olhos.
Ela já estava me olhando.
Sorriu daquele jeito calmo que só ela sabia fazer.
Sem perguntas.
Sem pressão.
Sem pena.
Apenas um sorriso sincero.
Aos poucos, minha respiração voltou ao normal.
Mesmo assim, uma pergunta insistia em martelar dentro da minha cabeça.
Por que era tão fácil perdoar Verônica?
Por que eu conseguia olhar para Tati sem guardar absolutamente nenhum ressentimento?
Nem mesmo Luana despertava alguma mágoa em mim.
No máximo, indiferença.
Então...
Por que com Tau era diferente?
Por que justamente ela continuava ocupando um lugar tão confuso dentro de mim?
Quando Verônica chegou, senti um alívio quase imediato.
Foi como se alguém tivesse aberto uma janela naquele ambiente sufocante.
Levantamos para cumprimentá-la, conversamos um pouco, fizemos algumas brincadeiras, e por alguns minutos consegui afastar minha mente daquele turbilhão de pensamentos.
Em algum momento da noite, Lady tocou discretamente no meu braço.
— Vem comigo um minutinho.
Assenti e a acompanhei para um canto mais tranquilo, longe da conversa dos outros.
Ela ficou alguns segundos em silêncio, esperando que eu começasse.
E eu comecei.
Contei tudo.
Ou quase tudo.
Falei da confusão que ainda existia dentro de mim.
Da culpa.
Da raiva.
Da saudade.
Do orgulho.
Da vontade de conversar.
Do medo de conversar.
Quando terminei, fiquei esperando algum conselho.
Alguma solução milagrosa.
Lady apenas deu um passo à frente e me abraçou.
Forte.
Demorado.
Sem dizer uma única palavra.
Naquele instante percebi que era exatamente aquilo de que eu precisava.
Às vezes, um abraço consegue organizar sentimentos que nenhuma conversa consegue explicar.
Ela se afastou apenas o suficiente para olhar nos meus olhos.
— Gatinho, você sabe as respostas dessas perguntas. Não sabe?
Continuei em silêncio.
Ela não insistiu.
Não havia cobrança em sua voz.
Nem julgamento.
Só carinho.
Um carinho quase fraternal.
Daqueles que acolhem sem exigir explicações.
Ela sorriu outra vez.
— Chama ela para conversar... mas não hoje.
Fez uma pequena pausa antes de continuar.
— Vocês passaram tempo demais fugindo um do outro. Não estraga uma noite que está sendo boa por causa da ansiedade de resolver tudo de uma vez.
Respirei fundo.
Ela apertou de leve meu ombro.
— Mas também não perde essa oportunidade, Carlos. E, principalmente... não espere que essa conversa venha por iniciativa dela.
Baixei a cabeça por alguns segundos.
No fundo, eu sabia que ela tinha razão.
Sempre soube.
Só não queria admitir.
Lady sorriu mais uma vez.
— Algumas histórias só acabam quando alguém tem coragem de escrever o último capítulo.
Assenti lentamente.
— Obrigado...
Ela bagunçou meu cabelo, como fazia desde que nos conhecemos.
— Vai viver, gatinho.
Sorri pela primeira vez naquela noite sem precisar fingir.
Entendi exatamente o que ela quis dizer.
Respirei fundo.
Então fui ao encontro de Tauane.
……………….
(Tauane)
Carlos se aproximou de mim logo depois de pedir para conversarmos.
Parou perto. Perto demais.
Por alguns segundos, apenas me olhou diretamente nos olhos.
Era impressionante como ele tinha aprendido a sustentar um olhar. O Carlos de antes desviava os olhos quando ficava nervoso. Esse novo Carlos parecia enxergar tudo o que eu tentava esconder.
Respirei fundo antes de responder.
— Claro, Carlos... podemos conversar lá no meu antigo quarto.
Assim que as palavras saíram da minha boca, senti meu rosto esquentar.
Meu antigo quarto.
Meu Deus...
Entre todos os lugares da casa, justamente aquele.
Não precisava ser muito inteligente para imaginar as interpretações que aquela frase poderia gerar.
Baixei os olhos por um instante, completamente sem graça.
Ou ele realmente não percebeu...
...ou percebeu e, para não me deixar desconcertada, preferiu fingir que não.
Carlos apenas sorriu discretamente.
Pegou o celular no bolso, abriu a lista de contatos e virou a tela para mim.
— Esse ainda é seu número?
Assenti apenas com a cabeça.
Minha voz provavelmente me entregaria.
Ele guardou o celular novamente e respirou fundo antes de continuar.
— Eu vou para São Paulo no meio da semana que vem. Preciso resolver um problema no banco.
Fez uma pequena pausa.
— Vou ficar só três dias... quarta, quinta e sexta.
Sorriu daquele jeito tranquilo que eu ainda não tinha aprendido a enfrentar.
— Podemos marcar um jantar?
Foi como se alguém tivesse estourado um balão dentro de mim.
Por uma fração de segundo imaginei que ele fosse me chamar para conversar naquele momento. Que talvez finalmente colocássemos tudo para fora.
Mas não.
Era um convite para a semana seguinte.
Em outra cidade.
Em outro momento.
Não sei se consegui esconder minha decepção.
Acho que não.
Mesmo assim, sorri.
— Claro... eu aceito.
Ele pareceu aliviado.
Deu um passo à frente e me abraçou.
Um abraço demorado.
Calmo.
Quando se afastou, deixou um beijo delicado no meu rosto.
Não desviou os olhos dos meus nem por um instante.
— Você continua linda... perfeita, sabia?
Sorri sem conseguir impedir.
Meu coração parecia completamente decidido a me humilhar naquela noite.
— Você continua exagerado.
Ele riu baixinho.
— Não. Continuo sincero.
Desviei os olhos por vergonha.
Quando voltei a encará-lo, ele já tinha perdido parte daquela segurança que exibiu durante toda a noite.
Respirou fundo.
Passou a mão na nuca.
Sorriu de um jeito tímido.
— Eu sinto falta de você... apenas isso.
Foi a primeira vez, desde que ele chegou, que enxerguei o Carlos que eu conhecia.
O menino que escondia o medo atrás de um sorriso.
Meu peito apertou imediatamente.
Tudo dentro de mim queria abraçá-lo.
Queria dizer que eu também sentia falta.
Que nunca deixei de sentir.
Que ainda o amava.
Mas nenhuma palavra conseguiu atravessar minha garganta.
Fiquei apenas olhando para ele.
E ele pareceu entender aquele silêncio.
Sem dizer mais nada, segurou delicadamente minha mão.
— Vamos voltar? Senão vão achar que estamos aprontando.
Revirei os olhos, fingindo indignação.
— E quem disse que não estamos?
Ele riu.
Uma risada leve.
Daquelas que eu sentia falta de ouvir.
Voltamos para a sala ainda de mãos dadas por alguns instantes, até percebermos que estávamos perto dos outros.
Conversamos ali mesmo, um pouco mais afastados.
Era curioso.
Depois de tudo o que vivemos, a conversa parecia absurdamente simples.
Ele quis saber da faculdade.
Perguntou sobre minhas matérias, meus professores, os estágios, os planos para o futuro.
Prestava atenção em cada resposta como se tudo aquilo realmente importasse.
E eu sabia que importava.
Afinal, aquele sempre foi o curso que ele sonhava em fazer.
Acabamos rindo de algumas histórias da universidade.
Ele fez piada com meus professores.
Eu impliquei com o jeito sério que ele tentava manter.
Por alguns minutos, parecia que o tempo tinha voltado alguns anos.
Sem cobranças.
Sem mágoas.
Sem medo.
Foi a noite mais agradável que vivi em muito tempo.
A presença dele me fazia um bem que eu já tinha esquecido que existia.
Enquanto o observava conversando com os outros, pensei que talvez...
Talvez recomeçar pela amizade fosse realmente o caminho mais seguro.
Para ele.
Para mim.
Para nós.
---
Na manhã seguinte, alguém bateu levemente na porta do meu quarto.
Ainda sonolenta, ouvi sua voz do outro lado.
— Tau... vamos correr no parque? O dia está lindo.
Fez uma pequena pausa antes de completar:
— Preciso da minha amiga.
Sorri antes mesmo de abrir a porta.
Era um sorriso que eu não dava havia muito tempo.
— Claro... me dá cinco minutinhos para me trocar.
— Cinco minutos?
Ele respondeu do lado de fora.
— Você continua otimista com o próprio tempo.
Comecei a rir.
— Vai esperando aí.
Depois de vestir uma roupa de treino que permanecia esquecida no armário havia quase um ano, fui até a cozinha.
O cheiro de café tomou conta de mim antes mesmo de entrar.
Carlos já tinha preparado tudo.
Peguei uma caneca.
Dei um gole.
Fechei os olhos.
— Nossa...
Ele sorriu.
— Ficou ruim?
— Ficou perfeito.
Acho que foi um dos melhores cafés que já tomei na vida.
Levantei os olhos para agradecer.
Foi quando realmente reparei nele.
Bermuda de treino.
Tênis.
Uma camiseta estampada com um personagem de anime.
Balancei a cabeça rindo sozinha.
Esse era o Carlos.
Podia amadurecer o quanto quisesse.
Algumas coisas jamais mudariam.
Ele percebeu meu sorriso.
— O quê?
— Nada.
— Você está me julgando pela camiseta, né?
— Um pouquinho.
— Injusto.
— Bastante justo.
Nós dois rimos.
Ele então me olhou de cima a baixo.
Sem malícia.
Apenas com admiração.
— Você está linda.
Revirei os olhos.
— Estou com uma roupa de exercício que não saía do armário há pelo menos um ano... descabelada... sem maquiagem...
Enquanto eu falava, ele foi diminuindo a distância entre nós.
Parou bem na minha frente.
Meu coração disparou.
Sem dizer nada, abriu os braços e me envolveu em um abraço quente e confortável.
Quando nos afastamos, seus lábios tocaram rapidamente os meus.
Foi apenas um beijo breve.
Quase um cumprimento.
Mas suficiente para fazer meu corpo inteiro estremecer.
Ele sorriu.
— Pode ter certeza de que muita gente vai ficar com inveja de me ver caminhando ao seu lado no parque.
Sorri, completamente sem argumentos.
Ele entrelaçou os dedos nos meus com naturalidade.
Como se aquele gesto nunca tivesse deixado de existir.
— Vamos?
Apenas assenti.
Saí de casa ao lado dele com o coração acelerado, tomada por uma mistura de alegria, expectativa e desejo, completamente molhada e excitada, tentando convencer a mim mesma de que aquela simples corrida no parque era apenas o começo de um novo capítulo.
………………..
(Carlos)
Foi uma das tardes mais felizes da minha vida.
E não por causa do beijo.
Nem por causa dos abraços.
Muito menos porque, depois de tanto tempo, finalmente parecia existir uma possibilidade entre nós.
A felicidade vinha de outro lugar.
Pela primeira vez desde que conheci Tauane, eu não caminhava ao lado dela com a sensação de que não pertencia àquele mundo.
Eu não era mais o garoto tímido que a acompanhava em silêncio, sempre alguns passos atrás, acreditando que precisava provar o próprio valor para merecer estar ali.
Não.
Naquela manhã caminhávamos lado a lado.
Em condições iguais.
Sem máscaras.
Sem cobranças.
Sem aquela necessidade desesperadora de parecer alguém diferente.
Nossa amizade simplesmente floresceu.
Era curioso perceber isso.
Durante meses, Lady e Bruna insistiram para que eu mudasse algumas atitudes. Diziam que eu precisava demonstrar mais segurança, aprender a me posicionar, deixar de pedir desculpas por existir.
No começo, confesso que parecia apenas um personagem.
Uma versão ensaiada de mim mesmo.
Mas, naquela manhã, aconteceu algo inesperado.
Eu deixei de interpretar aquele papel.
Pela primeira vez, eu era apenas eu.
Mais verdadeiro.
Mais seguro.
Mais leve.
O amadurecimento tinha deixado de ser uma estratégia.
Agora fazia parte de quem eu era.
E, pela primeira vez em muitos anos, eu não sentia absolutamente nada que me diminuísse.
Conversávamos sobre tudo.
Sobre a faculdade.
Sobre os planos para o futuro.
Sobre séries, músicas, viagens.
Ríamos de assuntos completamente sem importância.
Era estranho como o silêncio entre nós também era confortável.
Não precisava ser preenchido.
Em determinado momento, quase como quem comentava o tempo, Tau me contou que estava solteira.
Foi uma frase simples.
Mas meu coração reagiu como se tivesse ouvido a melhor notícia do ano.
Disfarcei.
Ou, pelo menos, tentei.
Passei a caminhar um pouco mais perto.
Em alguns momentos nossos ombros se tocavam.
Quando ela ria, eu a olhava por tempo demais.
Quando encontrava alguma oportunidade, fazia questão de elogiá-la.
Não por estratégia.
Porque era impossível não fazê-lo.
E o mais bonito...
Era perceber que ela também estava feliz.
Ela sorria com facilidade.
Me provocava.
Encostava em mim naturalmente.
Aquela barreira que existia entre nós parecia desaparecer a cada minuto.
Depois da corrida resolvemos tomar sorvete.
Ela pediu um cascão.
Eu preferi uma bola no copo.
Como sempre, terminei primeiro.
Enquanto conversávamos, percebi que o sorvete dela começava a derreter pelas laterais da casquinha.
Sorri.
— Você vai perder essa batalha.
Ela olhou para o sorvete e depois para mim.
— Ainda dá tempo de salvar.
— Tem certeza?
— Tenho.
Aproximei-me.
Segurei delicadamente a casquinha.
Sem perceber, minha outra mão acabou envolvendo a dela.
Nossos dedos permaneceram juntos por alguns segundos.
Ela não recuou.
Olhei em seus olhos.
Sorri de canto.
Então inclinei levemente a cabeça e provei um pouco do sorvete.
Ela ficou completamente sem reação.
Corou imediatamente.
— Carlos...
Seu tom misturava surpresa e um sorriso que ela tentava esconder.
— O quê?
— Você continua impossível.
— Achei que estava ajudando.
— Ajudando?
Ela começou a rir.
— Esse definitivamente não era o tipo de ajuda que eu esperava.
Ficamos alguns segundos apenas nos olhando.
O mundo parecia distante.
As pessoas ao redor desapareceram.
Não havia pressa.
Nem ansiedade.
Apenas nós dois.
Minha mão deslizou lentamente até sua cintura.
Esperei.
Ela não se afastou.
Pelo contrário.
Deu um passo na minha direção.
Seu olhar respondeu antes mesmo que qualquer palavra pudesse fazê-lo.
Inclinei-me devagar.
Nossos rostos ficaram muito próximos.
— Posso?
Perguntei quase num sussurro.
Ela sorriu daquele jeito tímido que sempre desmontava qualquer certeza que eu tivesse.
— Você já sabe a resposta.
Então a beijei.
Foi um beijo longo.
Calmo.
Sem urgência.
Como se estivéssemos recuperando, aos poucos, todo o tempo que passamos longe um do outro.
Quando nos afastávamos apenas o suficiente para respirar, acabávamos sorrindo.
Depois dávamos mais um beijo.
Entre um beijo e outro, terminávamos o sorvete que, ironicamente, quase havia sido esquecido.
— Acho que essa foi a desculpa mais criativa que alguém já inventou para roubar meu sorvete.
Ela disse rindo.
— Eu continuo achando que salvei o cascão.
— Convencido.
— Realista.
Ela balançou a cabeça.
— Você mudou muito.
Olhei para ela.
— Algumas coisas precisavam mudar.
Ela segurou minha mão.
— Ainda bem.
Continuamos andando pelo parque durante mais algum tempo.
Conversamos sobre o jantar em São Paulo.
Os dois concordamos que não fazia sentido correr.
Tínhamos esperado tempo demais para desperdiçar aquele recomeço por causa da ansiedade.
Decidimos seguir com calma.
Conhecer novamente quem havíamos nos tornado.
O jantar ficou marcado.
E, curiosamente, aquilo me deixou ainda mais feliz do que o beijo.
Porque, pela primeira vez, existia um futuro.
Antes de voltarmos para o apartamento da Verônica, ainda trocamos mais alguns beijos.
Curtos.
Leves.
Daqueles que surgem naturalmente quando duas pessoas simplesmente não têm vontade de se afastar.
Enquanto subíamos, percebi que, pela primeira vez em muitos anos, o passado já não pesava tanto.
Talvez porque, naquele momento, eu finalmente tivesse entendido que algumas histórias não precisam voltar a ser o que eram.
Elas podem se transformar em algo ainda melhor.
Continua…