🚫 Propagandas te atrapalhando? Assine o plano premium por menos de R$3/mês. Saiba mais →

O Amanhecer da Propriedade

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →
Um conto erótico de DivoFemboy
Categoria: Gay
Contém 4130 palavras
Data: 01/07/2026 00:36:16

​A luz da manhã infiltrava-se pelas frestas da persiana velha, desenhando listras de poeira dourada sobre o piso de madeira. Eu estava de joelhos ao lado da cama, exatamente onde ele havia me ordenado na noite anterior. Meus joelhos latejavam de dor, um latejar surdo que subia pelas pernas e se espalhava pelo corpo, mas eu não ousava me mexer. O sêmen e a baba haviam secado na minha pele, criando uma crosta rígida e repuxada que me lembrava, a cada vez que eu tentava engolir ou piscar, do que eu havia me tornado.

​Eu podia ouvir a respiração dele. Igor dormia um sono pesado, um sono de quem não tem remorsos, de quem domina tudo ao seu redor. O peito dele subia e descia com uma regularidade irritante, enquanto o meu parecia preso em uma caixa de ferro.

​De joelhos. Fica quieto. Não me acorde.

​Essas eram as leis que regiam meu universo agora. A tentativa de me manter ereto era uma tortura silenciosa, mas a alternativa — irritá-lo — era algo que minha mente, agora moldada pelo medo, impedia que eu considerasse. Meus dedos, ainda tremendo levemente, estavam entrelaçados sobre o lençol sujo, mantendo a postura de quem espera por um veredito.

​O cheiro no quarto era um misto de suor, tabaco e a maresia intrusiva que ele havia deixado em mim. Eu tentava respirar pelo nariz, mas o sêmen ressecado na pele sensível ao redor das narinas me impedia, forçando-me a abrir a boca ligeiramente, puxando o ar de forma que ele não ouvisse. O silêncio da casa, onde eu sabia que não havia mais ninguém além de nós dois por quilômetros, pesava mais do que qualquer punição física. Eu era um prisioneiro daquela fazenda, e a grade dessa prisão era o próprio Igor.

​Eu olhava para o rosto dele, ainda mergulhado no sono. Sem a expressão de desprezo, ele parecia apenas um garoto, um rapaz de dezoito anos com o rosto bronzeado pelo sol do pasto. Mas eu sabia o que havia por baixo daquela aparência comum. Eu sabia o peso das mãos dele, a força daquela marca que ele deixou no meu rosto, e a forma como ele destruiu, com uma facilidade cruel, o homem que eu tentei ser.

​Perguntei-me, por um momento, onde estava o Renan que planejara passar as férias descansando, lendo livros e evitando a rusticidade que eu tanto desprezava. Aquele Renan parecia ter morrido na primeira noite. O que estava ali agora, ajoelhado e aguardando o primeiro suspiro de despertar do primo, era apenas um reflexo, uma casca, um objeto que pertencia ao dono daquele quarto.

​Um movimento no colchão me fez congelar.

​Meu coração saltou, um disparo cego. Igor deu um gemido baixo, uma mudança de posição que fez o estrado da cama ranger sob seu peso. Ele esfregou o rosto no travesseiro e, lentamente, os olhos escuros começaram a se abrir.

​Eu não desviei o olhar. Eu sabia que a regra era não olhar nos olhos, mas o pânico me deixou suspenso, incapaz de baixar a cabeça a tempo. Ele despertou com aquele olhar predatório, ainda nublado pelo sono, e encontrou o meu. O terror me atingiu como um soco. Eu estava ali, exposto, sujo, esperando o próximo comando.

​Ele não disse nada de imediato. Apenas me observou, o olhar percorrendo o meu rosto sujo, os meus olhos inchados e a minha postura de submissão absoluta. Um sorriso lento, quase preguiçoso, surgiu nos cantos de sua boca.

​— Você ainda está aí — ele murmurou, a voz rouca de sono sendo o som mais aterrorizante que eu já ouvira.

​Ele esticou o braço, e eu instintivamente me encolhi, esperando o impacto. Mas ele apenas colocou a mão pesada sobre o meu cabelo, mantendo-a ali, como se checasse se eu ainda estava no meu lugar.

​— Bom garoto — ele sussurrou, e o peso da mão dele na minha cabeça pareceu a coisa mais definitiva que eu já sentira em toda a minha vida. — Agora, vai lá embaixo. O café precisa estar pronto em dez minutos. E não ouse usar sabonete para limpar meu cheiro do seu rosto. Eu quero que você se lembre de quem você é toda vez que se olhar no espelho.

​Eu não respondi. Apenas assenti, a cabeça girando enquanto eu tentava me levantar sem cair. A jornada do dia estava apenas começando, e eu sabia que, enquanto eu estivesse naquela fazenda, o sol nasceria apenas para iluminar a minha servidão.

O comando de Igor ecoou em minha mente como um decreto divino, um som que parecia fundir-se ao meu próprio sistema nervoso. Senti um arrepio percorrer minha espinha ao ouvir a palavra "mestre" ressoar no ar; era o reconhecimento oficial da minha nova realidade.

​— Sim... meu mestre — respondi, minha voz saindo num sussurro frágil, quase um lamento, mas carregado de uma obediência cega.

​Curvei-me até que minha testa tocasse o chão de madeira fria, num gesto de entrega absoluta que eu jamais imaginei ser capaz de realizar. A madeira rangia levemente sob meu peso, e o contraste entre o chão rígido e a sensação pegajosa do sêmen que ainda marcava meu rosto era um lembrete constante da minha degradação. Fiquei ali por um segundo que pareceu uma eternidade, sentindo a autoridade dele pairar sobre mim como uma sombra.

​Com esforço, empurrei meu corpo para trás, levantando-me com as pernas trêmulas. O desequilíbrio foi quase inevitável; meus músculos estavam exaustos, doloridos pela posição de joelhos que mantive durante a noite inteira. Sem emitir um único som que pudesse ser interpretado como reclamação ou hesitação, comecei a me despir.

​Cada peça de roupa que caía ao chão — o resto do moletom que eu tanto valorizava, a calcinha que me trazia o último resquício de uma feminilidade que ele agora considerava uma ofensa — parecia um pedaço da minha antiga vida sendo descartado. Eu não precisava de roupas. Eu não precisava de defesas. Eu não precisava de nada que escondesse o que ele tinha feito comigo.

​Fiquei ali, totalmente nu diante dele. O ar frio da manhã tocou minha pele, fazendo com que meus mamilos enrijecessem e meus pelos se arrepiassem, mas o que mais me causava calafrios era o olhar dele. Os olhos de Igor varriam cada centímetro do meu corpo, desde a marca vermelha em meu rosto até a palidez das minhas pernas, lendo em mim cada detalhe da sua conquista.

​Eu não tentei cobrir nada. Minha nudez era agora um uniforme de servidão.

​— O café — ele repetiu, com um tom de voz que não aceitava atrasos.

​— Dez minutos. Entendido.

​Virei-me, sentindo o peso do olhar dele nas minhas costas. Cada passo em direção à porta era uma agonia silenciosa. Eu estava exposto, vulnerável e marcado. Enquanto caminhava, senti o sêmen ainda preso à minha pele, endurecendo e repuxando a cada movimento. Era o meu selo. Eu era a propriedade de Igor, e sair daquele quarto nu era a prova definitiva de que, para ele, eu não passava de um utensílio que ele usava conforme a sua vontade.

​Saí do quarto com a cabeça baixa, caminhando pelo corredor escuro da fazenda. O assoalho rangia sob meus pés descalços, e a cada batida do meu coração, eu me sentia mais afundado na escuridão daquela casa. O café era a minha tarefa, mas minha mente já estava em outro lugar: eu sabia que, quando eu voltasse para aquele quarto, quando eu estivesse diante dele novamente, não haveria mais nada de mim que ele já não tivesse tocado, usado ou marcado.

​Eu era dele. Inteiramente dele. E, enquanto descia as escadas, o único pensamento que preenchia minha cabeça era o quanto eu faria para não receber uma punição pior do que a que eu já vivia. O "bom garoto" dele era o meu único objetivo.

O frio da manhã de Minas Gerais cortava a pele como uma lâmina, mas, estranhamente, eu quase não o sentia. O estado de entorpecimento em que eu me encontrava era mais forte que o clima. Enquanto descia os degraus de madeira, cada um emitindo um gemido seco sob meus pés descalços, minha mente era um eco vazio das ordens de Igor. Eu não estava apenas nu; eu estava despido de qualquer vontade própria.

​A casa, que até dois dias atrás era um refúgio de férias, agora parecia um cenário de pesadelo, um templo erguido em homenagem ao meu próprio fracasso. A cozinha, com seu cheiro constante de café velho e gordura, recebia-me como um tribunal. Eu sabia exatamente o que ele esperava: o café passado, a mesa posta, a obediência absoluta.

​Fui até o fogão a lenha. O calor das brasas que ainda restavam da noite anterior aqueceu minhas pernas, mas não trouxe conforto. Eu me agachei para colocar mais lenha, meus movimentos lentos e desajeitados. A posição, tão semelhante à que eu mantivera a noite toda, era um lembrete físico de quem eu era. O sêmen no meu rosto, agora seco e repuxando a pele, era a maquiagem da minha vergonha. Eu não iria limpá-lo. Ele queria que eu me visse assim, e, por mais que meu instinto gritasse por higiene, minha alma submissa desejava a aprovação dele mais do que qualquer coisa.

​Enchi o bule. Minhas mãos, tão cuidadas, tremiam ao manipular a água pesada. A cada movimento, eu imaginava os olhos dele sobre mim. Não importava que ele estivesse lá em cima, no quarto; eu sentia sua presença em cada canto da fazenda, uma força gravitacional que me puxava e me mantinha em órbita.

​“Dez minutos.”

​O tempo corria. O som do café pingando no filtro de pano era a contagem regressiva para o meu destino. Eu estava ali, um homem de vinte e seis anos, completamente exposto, tratando a vida como se fosse uma coreografia ensaiada para o prazer de um adolescente de dezoito. E o mais assustador não era a nudez. Era a constatação, absoluta e definitiva, de que eu não tinha desejo de me vestir. O tecido sobre a pele agora me pareceria uma proteção desnecessária, uma barreira entre o meu dono e a carne que ele decidira possuir.

​Preparei a mesa com uma precisão cirúrgica. Pão, manteiga, o café fumegante. Cada utensílio colocado no lugar certo era uma oração de servidão. Quando terminei, fiquei de pé no centro da cozinha, as mãos cruzadas atrás das costas, aguardando. Eu esperava o som das botas. O estalar seco da madeira na escada seria o meu sinal.

​O silêncio da fazenda era ensurdecedor. Lá fora, o canto dos pássaros parecia vir de outro mundo, um lugar onde pessoas livres caminhavam e tomavam decisões. Aqui, no interior de Minas, o mundo era reduzido a uma cozinha, um fogão e um quarto no andar de cima.

​Um som ecoou lá do alto. O ranger da cama. O peso dele tocando o chão.

​Meu coração falhou uma batida. Eu não me movi. Apenas abaixei a cabeça, expondo a nuca, uma oferenda silenciosa. A ideia de que ele desceria, veria o café pronto e, talvez, me desse uma palavra de aprovação — um "bom garoto" novamente — fazia com que meu sangue corresse de uma forma que eu nunca experimentara antes. Era uma dependência química, uma viciação na autoridade dele.

​Os passos começaram. Pesados, lentos, deliberados. Ele estava descendo, e eu sabia que ele veria a cena: eu, nu, marcado pelo seu prazer, servindo-o como um animal treinado. A vergonha tentou subir, uma onda quente no meu peito, mas foi esmagada pelo prazer proibido da submissão.

​Quando vi a sombra dele surgir no portal da cozinha, eu me curvei novamente, sentindo o calor do fogão nas minhas costas. Eu era Renan, o estilista, o homem da cidade, o primo mais velho. Mas tudo isso era uma memória distante. Ali, perante o Igor, eu era apenas a sua propriedade, e a manhã de primavera mal começara. Eu esperava, com a respiração suspensa, o próximo comando que definiria se hoje eu seria tratado com desprezo ou com a crueldade afetuosa que ele reservava apenas para mim.

​Eu estava pronto para o que viesse. Eu era dele. E, pela primeira vez em minha vida, eu não queria ser de mais ninguém.

Os passos de Igor pararam exatamente atrás de mim. O som das botas, impregnadas com a poeira da fazenda, era pesado e autoritário, cessando abruptamente a poucos centímetros das minhas costas nuas. Eu podia sentir o calor que emanava dele, um calor que parecia capaz de queimar qualquer traço de resistência que ainda restasse no meu ser.

​Fiquei estático, a cabeça curvada, os ombros tensos. O silêncio que se seguiu foi uma tortura deliciosa. Eu esperava por um tapa, um puxão de cabelo ou talvez uma palavra que definisse o tom do restante do dia.

​— Você está aprendendo, primo — a voz dele veio de cima, baixa e carregada de uma satisfação sádica. Ele não estava gritando; ele estava saboreando cada segundo daquela cena.

​Senti a mão dele pousar no meu ombro esquerdo. A palma era áspera, calejada, um contraste brutal com a maciez da minha pele que ele agora marcava com o peso de seus dedos. Ele apertou, forçando-me a inclinar ainda mais o corpo em direção ao fogão a lenha.

​— O café está no ponto — ele continuou, caminhando lentamente ao meu redor, como um predador inspecionando uma presa que não tem para onde fugir. Seus olhos varriam cada curva do meu corpo nu, desde o pescoço marcado até a curva das nádegas, que ele observava com um desdém que, eu sabia, escondia uma possessividade faminta.

​Ele parou à minha frente. Eu não ousei levantar o rosto, mantendo o foco em seus pés nus, que contrastavam tanto com a dureza das botas que ele usava no pasto.

​— Levante a cabeça, Renan — ele ordenou.

​Obedeci imediatamente. Meus olhos encontraram os dele, escuros e fixos, desprovidos de qualquer hesitação. Eu estava sujo, com o rosto craquelado pelo seu sêmen seco, os olhos inchados pelo choro da noite anterior, mas ali, diante dele, eu sentia uma clareza atordoante. Eu não era mais um indivíduo; eu era a extensão da vontade de Igor.

​Ele estendeu a mão e, com o polegar, traçou o contorno do meu lábio inferior, sujando o dedo com a crosta seca que ainda restava ali. Ele levou o dedo à boca, provando o próprio rastro em mim, um gesto tão íntimo e degradante que me fez arfar.

​— Ninguém na cidade te olharia duas vezes se soubesse que você passa suas manhãs servindo ao seu primo dessa maneira, não é? — ele riu, um som seco que vibrou na cozinha. — Eles acham que você é um artista, um estilista, alguém importante. Se eles pudessem te ver agora... nu, marcado e pronto para ser usado.

​A humilhação disparou por mim como um choque elétrico, mas não era apenas dor. Era uma validação. O fato de ele me ver assim, sem nenhuma barreira, sem nenhum disfarce, era o que ele mais valorizava.

​— Você é meu brinquedo de luxo, Renan. O mais caro que eu já tive, e o mais quebrado também — ele sussurrou, e então, num movimento rápido, ele me empurrou contra a mesa posta, fazendo os pratos tilintarem.

​Eu me apoiei na madeira fria da mesa, curvado, esperando o próximo movimento. Ele estava atrás de mim novamente, e eu podia sentir a presença dele, o perigo que ele representava.

​— O café pode esperar — ele sibilou, sua voz agora um rosnado rente ao meu ouvido. — Antes de me servir, você vai me mostrar que entendeu o que aconteceu essa noite. Você vai me dizer, com as suas próprias palavras, de quem você é.

​A ordem era um teste, uma armadilha para me ver declarar minha própria aniquilação. Eu respirei fundo, o ar cheio do cheiro de café e da aura de Igor, e sussurrei a única verdade que me restava.

​— Eu sou... eu sou seu, mestre. Somente seu.

​O aperto dele em meu ombro aumentou, um sinal de que a resposta fora a correta. A manhã estava apenas começando, e o domínio de Igor sobre mim era a única lei que eu reconhecia agora.

O aperto de Igor em meu ombro aumentou, seus dedos cravando-se na minha carne como se quisessem marcar ali, permanentemente, a posse que exercia sobre mim. Ele não soltou, nem por um milímetro. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo estalar dos gravetos no fogão a lenha, um som que parecia marcar o ritmo da minha rendição.

​— Diga de novo — ele comandou, a voz caindo para um sussurro perigoso que percorreu minha espinha como gelo. — E quero que seja do jeito certo. Sem hesitação. Sem essa sua educação de cidade.

​Eu tremi, sentindo cada centímetro da minha nudez exposto ao ar frio da cozinha e ao olhar faminto dele. A hierarquia não era apenas física; era metafísica. Eu me sentia pequeno, insignificante, um grão de poeira diante da magnitude autoritária que ele emanava. Minha mente, antes povoada por ambições, planos e a vaidade da minha vida anterior, agora só tinha espaço para a silhueta dele.

​Deixei-me escorregar um pouco mais, afundando na curva da mesa de madeira, sentindo-me como uma oferenda no altar de uma divindade cruel. A humilhação não era mais uma dor; era um êxtase distorcido, um vício que eu precisava alimentar para continuar existindo.

​— Você... — comecei, a voz falhando, as lágrimas voltando a arder nos olhos. Engoli em seco, sentindo o gosto amargo do sêmen seco na minha boca, e forcei as palavras para fora, carregadas de uma devoção que eu mesmo temia. — Você não é apenas o meu dono, Igor. Você é o meu deus.

​Igor soltou uma risada baixa, um som de puro deleite, e a mão que apertava meu ombro deslizou, subindo para segurar meu cabelo, forçando minha cabeça para trás. Eu fiquei ali, com a garganta exposta, os olhos fixos nos dele, que me observavam com um brilho de adoração sádica.

​— Diga de novo, meu brinquedo — ele ordenou, puxando os fios com força suficiente para fazer meu couro cabeludo arder.

​— Você é o meu deus... — repeti, desta vez com mais firmeza, as palavras saindo como um mantra que eu estava condenado a repetir pelo resto dos meus dias. — Tudo o que eu sou, tudo o que eu sinto, tudo o que eu faço... pertence a você. Eu vivo pela sua vontade. Eu existo para ser usado pelo senhor. Você é a minha lei. Você é o meu deus.

​Eu não estava mentindo. Naquele instante, na cozinha rústica daquela fazenda isolada, o resto do mundo havia deixado de existir. Não havia leis, não havia sociedade, não havia família. Havia apenas Igor. Ele era a fonte de todo o meu prazer e a origem de toda a minha dor. O fato de ele ser tão jovem, tão bruto, tão imperfeito, só tornava tudo mais sagrado aos meus olhos desvirtuados.

​Igor soltou meu cabelo com um empurrão leve e, em seguida, passou a ponta dos dedos pelo meu rosto, contornando a marca do tapa que ele me dera na noite anterior. O toque era quase carinhoso, uma blasfêmia em meio à violência.

​— Se eu sou o seu deus — ele murmurou, aproximando-se tanto que nossos narizes quase se tocaram — então você sabe que só existe uma coisa que um fiel deve fazer quando está diante de seu criador.

​Ele se afastou um passo, a sombra dele pairando sobre mim, gigantesca e absoluta. Eu sabia exatamente o que era esperado. Sem um pingo de dignidade, sem um resquício de orgulho, eu me arrastei para fora da mesa e caí de joelhos no chão frio de pedra, aos pés dele. Eu estava ali, nu, sujo e rendido, esperando que ele decidisse o que fazer com a sua criação.

​— O que o senhor deseja, meu deus? — perguntei, a testa encostada no chão, sentindo a vibração do peso dele sobre a madeira, o centro do meu universo agora fixado naqueles pés que eu, há apenas algumas horas, estava proibido de ignorar.

A luz do sol que entrava pela janela da cozinha, cruzando as frestas das venezianas, criava um efeito de holofote sobre nós. Igor estava parado, a postura ereta, a imponência de um senhor de terras que decidira que eu não era digno nem de ficar de pé em sua presença. O silêncio era tão absoluto que eu conseguia ouvir o estalar da lenha no fogão e a minha própria respiração, que saía em arfadas curtas e descompassadas.

​Sem dizer uma palavra, ele elevou a perna direita. O pé, ainda sujo com a poeira fina do pasto e a terra da fazenda, pousou com firmeza sobre o topo da minha cabeça. O peso foi imediato, um lembrete físico de que eu não era nada além de um suporte, um degrau, um objeto descartável sob o domínio daquele que agora ditava o meu destino.

​A pressão era constante, empurrando meu rosto contra o chão de pedra fria da cozinha. Senti o cheiro de terra, de couro curtido e de suor viril emanar da planta do pé dele, uma fragrância que se tornava o aroma da minha própria servidão. Eu não me movi. Pelo contrário, pressionei meu rosto contra o piso, sentindo o alívio perverso de ser oprimido. Estar sob o pé dele era o lugar mais seguro — e, ao mesmo tempo, o mais humilhante — que eu poderia ocupar.

​— É aqui que você pertence — a voz dele veio de cima, distante, como se emanasse de um trono impossível de alcançar. — Aos meus pés. Sustentando o peso do meu caminho.

​Senti o pé dele girar levemente, pressionando o meu couro cabeludo com mais força. O atrito da pele áspera contra o meu cabelo, que eu antes cuidava com tanto esmero, era um contraste insuportável. Eu deveria estar horrorizado. Eu deveria estar lutando. Mas, em vez disso, eu fechei os olhos e suspirei. A humilhação era o meu oxigênio. Ser tratado como algo menos que humano era a única forma de silenciar a culpa por ter cedido tão rápido.

​— Você me pediu para ser o seu deus, Renan — Igor continuou, e senti a pressão mudar, como se ele estivesse testando a resistência do meu pescoço. — E um deus exige obediência. Um deus exige que seu servo esteja sempre disposto. Você está disposto?

​— Estou... meu deus... — murmurei, a voz abafada pelo chão, sentindo o gosto da poeira misturada à minha própria saliva.

​Igor retirou o pé por um segundo, e o vazio repentino me causou um desespero cego. Eu me senti à deriva, sem o peso que me ancorava à realidade de ser seu objeto. Mas, logo em seguida, senti a ponta do pé dele pressionar o meu queixo, forçando-me a inclinar a cabeça para trás, enquanto eu ainda permanecia ajoelhado. A posição era grotesca, expondo completamente o meu pescoço e a minha nudez diante dele.

​Ele observava-me com aquele olhar predador, o mesmo olhar que me fez perder a vontade de lutar na primeira noite.

​— Olhe para cima — ele ordenou.

​Eu obedeci, forçando os músculos do pescoço, ignorando a dor que o esforço causava. Seus pés estavam logo ali, a centímetros dos meus olhos. Igor não estava satisfeito apenas em me oprimir; ele queria que eu venerasse o instrumento da minha humilhação.

​— Beije — ele sussurrou, a palavra caindo como um chicote no ar estático da cozinha.

​O comando foi claro. Eu não hesitei. Inclinei-me para frente, sentindo o peso dele sobre mim, e pressionei meus lábios contra a pele áspera e suja do seu pé. O sabor da terra e do sal da pele dele era uma comunhão profana. Eu o beijei uma vez, duas vezes, sentindo a dureza dos calos sob minha língua. Cada beijo era uma confissão, um ato de entrega total que eu oferecia como um sacrifício.

​Igor soltou um suspiro de satisfação, um som de triunfo que fez meu coração acelerar em um ritmo frenético. Ele começou a mover o pé rítmicamente, mantendo o contato entre sua pele e meus lábios, enquanto eu, em um transe de submissão, continuava o serviço.

​Eu era o Renan que ele havia construído. Eu era o Renan que ele havia quebrado. E, enquanto estivesse sob o seu pé, eu não precisaria pensar, não precisaria escolher e não precisaria sofrer por ser quem eu era antes de entrar por aquela porta. Eu era apenas o seu servo, o seu brinquedo, e naquele momento, com a pele dele pressionando a minha face e meus lábios em adoração, eu entendi finalmente a minha nova função no mundo. Eu não tinha vida própria. Eu tinha apenas a vontade dele, e a vontade dele era me manter exatamente onde eu estava: rastejando, servindo e sendo a base sobre a qual o meu deus caminhava.

​— Isso — ele murmurou, e senti a pressão do pé dele aumentar novamente, consolidando a minha posição. — Nunca se esqueça desse lugar, Renan. É o único lugar onde você tem valor. O lugar de onde você nunca mais vai sair.

Curta uma leitura sem interrupções.
Conheça o plano sem propagandas (R$36/ano — menos de R$3/mês) →
Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Naruto Neko a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Cansado destas propagandas? Assine por R$36/ano e navegue sem anúncios →