O final de tarde no centro trazia aquele movimento frenético e o calor úmido que subia do asfalto. Eu, Marcos, aos 45 anos, tinha o rosto marcado pela estrada e pelos anos de experiência. Moto-táxi, para mim, era leitura de comportamento. Eu sabia identificar um cliente apressado, um turista perdido ou alguém que, como a mulher que me esperava, apenas fingia estar no controle.
O aplicativo tocou. Nome: Vanessa. Ponto de encontro: um prédio comercial imponente. Quando ela surgiu na calçada, o trânsito pareceu desacelerar. Ela era uma morena de 1,65m com um corpo esculpido, e o top curto e a minissaia sublinhavam suas curvas com uma provocação quase agressiva. Ela caminhava com uma postura altiva, quase intimidante, mas notei o brilho diferente em seus olhos, um cansaço profundo que ela tentava esconder.
Ela se acomodou na garupa, colando o corpo ao meu com uma proximidade que excedia a necessidade de segurança. Senti a firmeza de suas coxas contra as minhas e o perfume intenso que subia pelo vento.
— O trânsito está insuportável — disse ela, a voz carregada de uma autoridade natural. — Pode seguir, Marcos. Apenas me leve para casa.
Engatei a marcha e entrei no fluxo. O percurso começou silencioso, mas a linguagem corporal de Vanessa era um livro aberto. Ela envolvia minha cintura com uma força que pedia contato. A cada freada suave, ela se projetava contra minhas costas, e eu podia sentir o calor de sua respiração. Em vez de seguir pela rota mais curta, fiz um desvio suave por uma via lateral, menos movimentada.
— Você está saindo do caminho — ela murmurou, a voz saindo baixa por cima do ruído do motor.
— O trânsito está travado lá na frente — respondi, mantendo a voz grave. — E, sendo sincero, com uma passageira como você, a rota é o de menos. Você parece alguém que passa o dia inteiro dando ordens, Vanessa. Deve ser exaustivo ter que decidir tudo o tempo todo.
Houve um silêncio longo. De repente, ela respondeu, e o tom de voz mudou. Não havia mais a diretora ali, apenas uma mulher curiosa e vulnerável.
— É exaustivo, sim — ela confessou, colando o rosto nas minhas costas. — Às vezes, eu só queria que alguém não me perguntasse nada. Que alguém simplesmente... tomasse as rédeas. Você já teve vontade de que alguém apenas te mandasse fazer algo e você não tivesse escolha a não ser obedecer?
— Isso soa como um desejo muito específico — provoquei, sentindo o aperto dela em minha cintura aumentar. — Alguém que talvez queira parar de ser quem manda e passar a ser quem é guiada.
— Talvez — ela sussurrou, a voz carregada de uma promessa proibida. — Às vezes me pego pensando em como seria deixar de ser a dona da situação e ser... de outra pessoa. É apenas um fetiche bobo de uma mulher cansada.
— Fetiches são apenas vontades esperando a oportunidade certa — respondi, mantendo o tom firme.
Chegamos ao prédio de luxo onde ela morava. Parei a moto e desliguei o motor. O silêncio da rua parecia amplificar a tensão entre nós.
— Chegamos — anunciei, sem me virar de imediato.
Vanessa desceu da garupa de forma lenta e deliberada. Em vez de se afastar, ela caminhou para a frente da moto, o corpo ainda colado ao meu enquanto ela se movia para o lado. Ela se esfregou levemente contra o meu braço e a minha coxa ao descer, uma provocação física que não deixava dúvidas. Ela parou bem na minha frente, a mão ainda apoiada no meu ombro, o olhar fixo no meu rosto.
— Você tem um jeito diferente de pilotar, Marcos — ela disse, a voz baixa, quase um ronronar. — Um jeito que me deixa... inquieta.
Ela tirou o celular da bolsa pequena e me estendeu, o olhar preso ao meu.
— Vou precisar de você mais vezes. Sabe, o transporte por aplicativo é muito impessoal. Eu prefiro alguém que saiba seguir uma rota... e que entenda o que o passageiro precisa sem que precise ser dito.
Enquanto ela digitava o próprio número no meu celular e o meu no dela, seus dedos roçaram os meus propositalmente. Ela deu um passo à frente, diminuindo o espaço que nos separava.
— Vou te chamar com mais frequência, Marcos. Muito mais frequência. E espero que você esteja sempre disponível para o meu caminho — ela disse, com um sorriso enigmático. — Não perca esse número. Você acabou de ser promovido a algo muito maior do que apenas um motorista.
Ela se afastou lentamente em direção ao saguão, mas antes de entrar, lançou um último olhar por cima do ombro. Naquela noite, o celular vibrou. "Ainda estou pensando no que você disse sobre fetiches. Acho que você entendeu muito bem o que eu estava querendo dizer". O jogo tinha começado