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A Máscara de Ferro

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Um conto erótico de Motoqueiro
Categoria: Heterossexual
Contém 1306 palavras
Data: 13/07/2026 11:48:24

​A noite avançava quando o celular vibrrou na mesa de cabeceira. Eu já estava deitado, relaxando o corpo após um dia exaustivo no trânsito. Era uma mensagem de Vanessa:

​“Marcos, preciso que me busque amanhã no mesmo local onde você me deixou. Bem cedo, às 6 horas da manhã. Pode ser?”

​Olhei para a tela por alguns instantes. A precisão do horário e o tom direto mostravam que ela não estava operando no mesmo registro daquela nossa primeira noite, quando a encontrei andando a pé, com aquele vestido provocante e o olhar perdido. Respondi apenas o necessário, mantendo a firmeza:

​“Tudo bem. Estarei lá.”

​Bloqueei o aparelho e fiquei encarando a penumbra do quarto. Eu não sabia absolutamente nada sobre a vida daquela mulher. No dia anterior, ela parecia uma farsa bem montada, alguém querendo fugir de alguma coisa. Agora, ela me acionava diretamente às seis da manhã. A curiosidade já tinha fincado raízes, e eu queria entender quem ela era de verdade.

​No dia seguinte, pontualmente às seis, parei a moto em frente ao mesmo ponto de desembarque.

​Quando a vi se aproximar, o meu cérebro demorou alguns segundos para processar. A expectativa de reencontrar a mulher sedutora da noite anterior desmoronou. No lugar dela, surgiu uma mulher pronta para a batalha. Vanessa usava uma calça social escura de tecido simples, um colete social ajustado e fechado até o pescoço, e um sapato de salto bloco, daqueles feitos para aguentar horas de pé. O cabelo estava preso em um coque rigoroso, sem um único fio fora do lugar. Ela exalava a postura séria de quem carrega o mundo nas costas.

​Ela subiu na moto com movimentos rápidos e precisos, mantendo uma distância técnica, quase fria. Mas no momento em que ela se acomodou na garupa, o vento trouxe o mesmo perfume da primeira noite: uma fragrância marcante, sofisticada e densa. Era o único rastro da mulher real que ela tentava esconder sob aquela farda de trabalho.

​Engatei a primeira e saí com suavidade, ganhando a avenida ainda vazia. Eu queria testar o terreno. Reduzi a velocidade propositalmente e curvei o corpo de leve em uma conversão mais fechada, forçando o corpo dela a ceder e a deslizar contra as minhas costas. O tecido da calça dela contra o couro bruto da minha jaqueta criou um atrito tenso.

​Decidi puxar o fio do mistério por cima do barulho do motor.

​— Você mudou o uniforme de ontem para hoje, Vanessa — comentei, mantendo os olhos na pista. — E a propósito... por que ir de moto hoje?

​Ela hesitou, inclinando o corpo ligeiramente para a frente para que eu pudesse ouvi-la. Houve um tom de desabafo na sua voz.

— Ontem eu surtei, Marcos. Deixei meu carro estacionado na empresa, peguei minhas coisas e saí andando sem rumo. Só queria sumir. Troquei de roupa no caminho para tentar me sentir outra pessoa... até que te encontrei. Hoje, estou sem carro e preciso voltar para o inferno.

​— E que inferno é esse? — perguntei, curioso com a revelação.

​— Eu sou líder de equipe naquele call center ali na frente — confessou, apontando para a estrutura cinzenta que surgia na avenida. — Eu fico no meio do fogo cruzado. Aguento toda a bucha dos operadores, a pressão da gerência pelas metas, as reclamações de clientes. É exaustivo parecer indestrutível para cem pessoas o dia todo.

​— E o que você realmente quer quando sai do meio desse tiroteio? — perguntei, aumentando o suspense.

​Senti a respiração dela tocar o meu pescoço.

— Eu sinto falta de não ter escolha — confessou, a voz saindo baixa. — Eu tenho esse sonho, esse fetiche que guardo a sete chaves... o desejo de encontrar alguém que simplesmente mande em mi-

​Antes que ela terminasse a frase, aproveitando o fluxo lento, tirei a minha mão esquerda do guidão e a apoiei firmemente sobre a coxa dela, logo acima do joelho, sentindo o calor do corpo dela através do tecido social. Vanessa esboçou um sobressalto imediato — o corpo tensionando na garupa —, mas não se afastou. Ela ficou completamente quieta, aceitando o peso da minha mão, enquanto sua respiração acelerava contra as minhas costas. Eu estava testando os limites da líder de equipe, e ela tinha acabado de ceder o primeiro território.

​Retornei a mão ao guidão e paramos em frente à entrada do call center. Alguns operadores que chegavam para o primeiro turno e batiam ponto na calçada olharam curiosos. Vanessa desceu da moto, ajeitou o colete e assumiu novamente a postura de chefe, dando os primeiros passos em direção à entrada.

​— Vanessa. Pare.

​A minha ordem cortou o som da rua. Ela travou no meio do caminho, virando-se devagar, com uma mistura de surpresa e hesitação nos olhos.

​— Venha até aqui e estique o braço — ordenei, sem descer da moto, mantendo o tom grave e absoluto.

​Ela olhou de relance para os funcionários na calçada, temendo ser vista mudando de papel ali, na frente de todos. Mas o magnetismo da ordem e o calor do toque de instantes atrás falaram mais alto. Ela caminhou de volta, deu um passo à frente e, lentamente, esticou o braço direito na minha direção.

​Tirei do bolso da jaqueta uma pulseira de couro firme, com um fecho de metal sóbrio, e a prendi no pulso dela, logo acima do relógio.

​— O que é isso, Marcos? — ela sussurrou, os olhos fixos no couro preto contra a sua pele.

​— Isso é o início do seu fetiche — respondi, sustentando o olhar dela. — A partir de agora, as regras mudaram. Você vai passar o dia inteiro naquele pátio, aguentando bronca de gerente e cobrando meta de operador, mas toda vez que esse couro roçar no seu pulso ou que você lembrar da minha mão na sua coxa, você vai lembrar que eu te tenho. Vai lembrar que, por baixo dessa fachada de líder intocável, existe uma dona que me pertence. Entendeu?

​O peito dela subiu e desceu rapidamente. A máscara de autoridade desmoronou por completo na minha frente.

​— Eu entendi... — ela respondeu, com a voz embargada.

​— Agora vá trabalhar. E passe o dia pensando em mim.

​Ela deu um pequeno nó de cabeça, virou-se e caminhou em direção ao prédio. Mas, após uns dez passos, ela travou diante da porta de vidro. Ficou imóvel por alguns segundos. Olhou de soslaio para o próprio pulso, respirou fundo e, em uma decisão repentina, girou nos calcanhares e caminhou de volta até a moto.

​Ela parou ao meu lado, as bochechas levemente coradas, mas o olhar firme, tentando buscar um rastro da sua antiga firmeza.

​— Marcos... — disse ela, a voz baixa e urgente. — Ontem eu já saí daqui completamente surtada. Hoje, eu chego de mototáxi e com essa pulseira no braço.

​Sustentei o olhar dela, mantendo as mãos apoiadas no guidão, usando o meu tom mais frio e calibrado.

​— Se o preço para viver o seu fetiche for alto demais para o seu cargo, a escolha é sua, Vanessa. Eu não obrigo ninguém. Você quer parar por aqui e voltar a ser a patroa de todo mundo, ou quer continuar?

​Ela engoliu em seco. Olhou para a pulseira no pulso, depois para a fachada do prédio e fixou os olhos nos meus.

​— Eu quero continuar — confessou, num sussurro determinado.

​Dei um sorriso de canto, engatando a primeira marcha da moto.

​— Ótimo. Então entra lá. Eu vou ver até onde você aguenta chegar.

​Vanessa sustentou o meu olhar por um último segundo, sentindo o peso do desafio.

​— Você vai se surpreender — respondeu ela, com um brilho desafiador nos olhos.

​Ela se virou definitivamente e entrou no prédio de cabeça erguida. Conforme ela empurrava a porta de vidro, uma sensação nova a atingiu em cheio. Não era a certeza de estar entregue, mas o frio na barriga de perceber que, a partir daquele instante, ela começava a perder o controle da sua própria vida. Pouco a pouco.

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Ansioso pela continuação. Está ótimo até agora.

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